Eu me chamo Marcos. Tenho 19 anos. Namoro a Cássia desde o sétimo ano. Seis anos juntos. Todo mundo acha que somos o casal perfeito. E, de certa forma, somos… pelo menos por fora. Eu como geral pelas costas dela. Sempre comi. Ela nunca soube. Ou pelo menos eu acho que nunca soube.
Fabinho… aquele filho da puta… sempre foi mais velho que eu. A gente estudou junto na adolescência. As meninas falavam mal dele o tempo todo. Chamavam de galinha, de canalha, de mentiroso. Mas no fim sempre tinha uma ou outra que caía. Inclusive algumas que falavam pior. Eu nunca entendi o que ele tinha. Até aquela noite.
Eu vi. Melhor: eu escutei.
Fiquei escondido do lado de fora da casa do Roberto, olhando pela fresta da janela do quarto. Quase não dava pra ver nada por causa do escuro. Mas o som… o som entrava claro. A Clara, aquela mulher de família, conservadora, casada, mãe, gemendo alto. Negando no começo. “Para… eu não sou igual essas garotas… meu marido tá do lado…” Depois os gemidos mudaram. Ficaram mais sujos, mais quebrados. Fabinho metendo nela, chamando de putinha, mandando mamar, gozando na boca dela e ainda obrigando ela a beijar o marido dormindo com a porra escorrendo.
Eu fiquei de pau duro o tempo inteiro. E nervoso pra caralho.
Porque anos atrás eu tinha ouvido uma história. Fabinho contou pra geral que tinha comido a Cássia junto com o irmão mais novo dele, o Luigi. Que ela tinha dado pros dois na mesma noite. Eu ri na cara dele. Todo mundo riu. Fabinho mentia pra caralho. Sempre inventava. Eu nunca levei a sério.
Mas agora…
Se ele tinha conseguido comer a Clara daquele jeito… daquele jeito sujo, do lado do marido, fazendo ela gemer e negar e mesmo assim rebolar… então a história da Cássia também podia ser verdade.
Eu comecei a imaginar. A Cássia gemendo igual a Clara. A Cássia de joelhos. A Cássia engolindo porra de outro cara. A Cássia sendo chamada de putinha. O pensamento me deixava com raiva e ao mesmo tempo me excitava pra caralho.
No dia seguinte eu chamei o Fabinho.
A gente se encontrou num barzinho vazio, de tarde. Eu fui direto:
— O que eu vi ontem… o que eu escutei… me deixou perplexo, cara. Como você conseguiu aquilo? A Clara? Aquela mulher?
Fabinho riu baixo, tomou um gole da cerveja e falou com a maior naturalidade do mundo:
— A maioria das vezes são elas que me procuram. Por curiosidade. Elas querem um homem que faça elas se sentirem mulheres de verdade. Com o namorado ou marido elas querem ser princesas. Mas toda mulher tem o lado putinha escondido. E é aí que eu ganho. Eu trato elas como elas realmente querem ser tratadas quando ninguém tá olhando.
Fiquei em silêncio. Ele continuou, olhando pra mim:
— E a história da Cássia é real, Marcos.
Meu estômago revirou.
— Não conta essa porra de novo…
— É verdade. Foi ela que respondeu uma curtida minha nas redes. Depois reagiu a uma foto ousada que eu mandei no privado. Depois me ligou xingando, falando que eu era mentiroso, que eu só me gabava de pegar as meninas. Eu respondi que tinha uma coisa que ninguém mais tinha. E que eu tratava as mulheres do jeito que um homem de verdade deveria tratar. Ela, igual toda putinha tímida, não acreditou. Eu mandei uma foto da bermuda com o pau marcando duro. Ela só reagiu com espanto. Eu chamei ela pra ir na minha casa. Ela recusou. Falou que era comprometida.
Fabinho parou, sorriu de canto e continuou:
— Depois teve aquela festa. Você tava lá. Ela ficava me olhando o tempo todo. Quando a festa acabou ela foi pra casa e me ligou xingando. Falou que eu ficava olhando pra ela e não respeitava você. Eu respondi que ela também tava olhando. E que eu tava numa casa do lado da dela. Que queria mostrar uma coisa. Ela ficou se fazendo de difícil, mas continuava no telefone, dando assunto. Até que cedeu e veio.
Meu pau latejava dentro da calça. Eu odiava cada palavra. E ao mesmo tempo queria ouvir tudo.
— No quarto tava eu e o Luigi, meu irmão mais novo. Depois de muita conversa, brincadeira e provocação… eu peguei a sua namorada. Comi ela ali mesmo, no mesmo ambiente que o Luigi tava. Depois convenci ela a dar pra ele também. Ele era virgem. Ela deu pros dois.
Fabinho olhou nos meus olhos.
— Eu contei pra todo mundo. Ninguém acreditou, como sempre. Mas é verdade. Pode perguntar pro Luigi. Ele é meio tanso, não é de comer ninguém. Mas a Cássia ele comeu. E ela gostou.
Fiquei em silêncio por um tempo longo. A imagem da Cássia gemendo igual a Clara não saía da minha cabeça.
Fabinho se inclinou pra frente e falou baixo:
— Se você quiser… eu como ela de novo. Pra provar.
Eu engoli em seco. O coração batia forte. A raiva, o ciúme e o tesão se misturavam de um jeito doentio.
— Você tá falando sério?
Ele só sorriu.
E naquele momento eu soube que eu ia aceitar.