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Capítulo 4 – As Primeiras Rachaduras

Um conto erótico de Normal
Categoria: Heterossexual
Contém 5562 palavras
Data: 21/08/2026 23:09:39

Amigos, para acelerar um pouco as coisas resolvi colocar todas as partes do capítulo 4. Espero que gostem da leitura.

Capítulo 4 – As Primeiras Rachaduras

Parte 1 – Ausências

A ausência não chegava de repente.

Ela se instalava aos poucos.

Primeiro deixava um lado da cama vazio.

Depois transformava uma xícara de café em excesso.

Por fim, fazia a casa inteira parecer grande demais.

Fred estava viajando havia seis dias.

Oficialmente, o itinerário corporativo indicava Hamburgo e Copenhague, mas os sistemas internos da Alves Participações apenas registravam os reflexos burocráticos de sua ausência.

A agenda enviada antes do embarque era extensa.

Como sempre, Beatriz acompanhava tudo pela empresa, algumas vezes participava à distância de alguma conversa.

Os relatórios chegavam diariamente.

Os resultados confirmavam que a viagem era produtiva. Mesmo assim, naquela semana, ela sentia mais falta do marido do que de costume.

Uma névoa de isolamento parecia cobrir o condomínio em Brasília, tornando o silêncio da residência quase palpável.

Era sábado. Jonathan convidara Larissa para almoçar.

Maria preparou uma refeição especial, e a casa voltou a ter o movimento alegre dos finais de semana.

Depois do almoço, Beatriz resolveu organizar algumas roupas no andar superior. Ao passar pelo corredor, percebeu a porta do quarto de Jonathan entreaberta. Instintivamente, chamou pelo filho.

— Jhonny...

Não houve resposta.

Ela empurrou a porta apenas o suficiente para verificar se precisava de alguma coisa.

Encontrou Jonathan e Larissa abraçados, trocando um beijo demorado, completamente alheios ao restante da casa e nus.

Larissa montava sobre Jonathan e cavalgava com uma desenvoltura e volúpia assustadoras.

Beatriz sabia que eles transavam, mas não imaginava ver Larissa naquela situação, descontrolada, gemendo loucamente com seu filho apertando a bunda dela, que era linda, fincando seus dedos com força como se demonstrasse um sentimento de posse para ela.

Contudo, o que mais assustou Beatriz foi ver que seu filho, de fato, era uma versão mais nova de seu marido.

Em um momento de descuido Larissa subiu demais e o pênis de Jonathan saiu de sua buceta encharcada, ficando colado em sua bunda.

Beatriz percebeu que seu filho também tinha um “monstro” entre as pernas. Se não era do mesmo tamanho de Fred, era bem próximo, um pouco maior (talvez 1 cm), mas mais fino.

Os dois se afastaram imediatamente ao perceberem sua presença.

Jonathan ficou vermelho. Larissa levou a mano ao rosto, visivelmente envergonhada.

Beatriz permaneceu imóvel por um segundo.

Depois sorriu.

— Desculpem... Eu devia ter batido.

Jonathan passou a mão na nuca.

— Mãe...

Ela levantou a mão, interrompendo-o.

— Vocês dois são jovens e adultos. É normal. Só... tentem lembrar que esta ainda é a casa dos seus pais. E se protejam. Eu quero ser avó, mas tudo tem o seu tempo de acontecer. O planejamento e a segurança devem vir antes da pressa, meninos.

Larissa pediu desculpas, constrangida. Beatriz aproximou-se dela e segurou delicadamente sua mão.

— Não precisa ficar envergonhada. Vocês se gostam. Isso é visível para qualquer pessoa. Apenas tenham bom senso.

Os dois assentiram ao mesmo tempo.

Quando Beatriz fechou a porta e voltou para o corredor, um sorriso discreto surgiu em seu rosto.

Lembrou-se imediatamente de quando ela e Fred se conheceram ainda jovens. Das tardes em que bastavam alguns minutos sozinhos para esquecer o restante do mundo.

Sorriu novamente.

Mas o sorriso durou pouco. Ao entrar no próprio quarto, encontrou o lado direito da cama vazio. A mala de Fred não estava ali. O paletó pendurado atrás da porta também não. Instintivamente, abriu a gaveta do criado-mudo.

Pegou uma fotografia tirada durante a comemoração dos vinte e um anos de casamento. Passou o polegar sobre a imagem.

Depois tocou o colar de safira que continuava usando diariamente.

Sentou-se na beira da cama.

Pensou em ligar para o marido.

Olhou o relógio.

Naquele momento, ele provavelmente ainda estaria em reunião.

Guardou o telefone.

— Volta logo... — sussurrou para si mesma.

Naquela mesma tarde, a milhares de quilômetros dali, Fred encerrava uma negociação com representantes de uma empresa escandinava.

O vento cortante do Norte batia contra os painéis de vidro termoacústico do edifício comercial, um contraste exato com o clima do Planalto Central.

Ao deixar o prédio, viu uma pequena confeitaria.

Na vitrine havia um doce muito parecido com aquele que havia trazido da Itália para o aniversário de casamento.

Sorriu sozinho.

Entrou no estabelecimento e comprou uma caixa.

Sabia que talvez não fosse exatamente igual, mas Beatriz certamente diria que era delicioso apenas porque fora ele quem trouxera.

Enquanto o atendente embrulhava a encomenda, Fred pensava na esposa.

Não fazia ideia de que, exatamente naquele momento, ela também pensava nele. Nem imaginava que essa distância emocional, ainda pequena, logo seria explorada por alguém disposto a destruir tudo o que haviam construído.

No Brasil, na segunda-feira, Renato observava discretamente Beatriz deixar a empresa no fim da tarde.

Ela parecia cansada.

Mais sensível do que o habitual.

Ele sorriu de forma quase imperceptível.

Seus olhos calculistas registraram a vulnerabilidade dela como um vetor de ataque perfeito.

Ainda não era hora de apresentar mentiras.

Primeiro era preciso fazer com que a solidão falasse mais alto do que a razão. A desestabilização psicológica era a fase preliminar mais importante do seu plano. E ele tinha toda a paciência do mundo para esperar.

Parte 2 – O peso das perguntas

O elevador ainda subia quando Beatriz terminou o café que trazia em um copo térmico. Eram sete e quinze da manhã de terça-feira, e o edifício da Alves Participações permanecia quase vazio.

Apenas o pessoal da limpeza circulava pelos corredores, quebrando o silêncio com o som distante de aspiradores e baldes sendo arrastados pelo piso de granito.

A cidade ainda bocejava quando ela chegou, e o prédio parecia guardar a respiração antes do início de mais um dia.

O silêncio dos corredores não era vazio; era carregado de memórias, contratos assinados, decisões difíceis e promessas feitas sem testemunhas. Beatriz conhecia cada canto daquele lugar, mas naquela manhã ele lhe pareceu menos empresa e mais casa abandonada à espera de alguém que demorava a voltar.

Assim que as portas se abriram, ela respirou fundo. Gostava daquele horário. Antes que telefones começassem a tocar e reuniões se acumulassem, a empresa lhe pertencia por alguns minutos.

Era um privilégio raro.

Ao atravessar o corredor principal, seus olhos passaram pelas fotografias emolduradas que contavam a história da família Alves.

Havia uma imagem em preto e branco do fundador inaugurando o primeiro galpão da empresa.

Outra mostrava Fred, ainda muito jovem, poucos meses após assumir os negócios com a morte do pai.

Em uma terceira, já mais recente, ela própria aparecia ao lado do marido durante a inauguração da nova sede.

Sorriu sem perceber.

Naquela fotografia, Jonathan ainda era um adolescente magro, usando um terno grande demais para a idade.

Como o tempo corria. Dias antes havia flagrado o filho transando com a namorada em casa...

Empurrou a porta da sala da presidência. O ambiente conservava o perfume discreto da madeira encerada e do café preparado pela copeira antes de todos chegarem.

A mesa de Fred permanecia exatamente como ele a deixara.

Nenhum objeto fora deslocado.

A caneta alinhada ao porta-documentos.

O relógio de mesa.

Algumas fotografias da família em datas comemorativas e, em destaque, a mais recente, tirada na comemoração dos vinte e um anos de casamento.

Ela aproximou-se instintivamente.

Na imagem, Fred estava atrás dela, sorrindo daquele jeito tranquilo que parecia dizer que tudo ficaria bem, independentemente do problema.

Beatriz passou o polegar sobre o vidro do porta-retrato.

— Volta logo...

Era quase um hábito conversar com fotografias quando ele viajava. Sentou-se diante do computador.

Os relatórios haviam chegado durante a madrugada, respeitando o ritual que Fred mantinha havia anos.

Nenhuma viagem terminava sem que ele lhe enviasse um resumo completo dos compromissos empresariais.

Ela abriu o primeiro arquivo.

"Reunião concluída com a NordTech Logistics."

"Memorando de entendimento assinado."

"Boa perspectiva para expansão da operação brasileira."

Leu página após página.

Tudo minuciosamente organizado. Era exatamente assim que ele trabalhava.

No final do documento, porém, havia uma linha digitada fora do padrão.

“Não esqueça de almoçar. Você trabalha demais. Amo você.”

Ela sorriu.

Aquilo era Fred.

Enquanto muitos homens demonstravam afeto com discursos grandiosos, ele se preocupava se ela havia comido.

Levou automaticamente a mão ao colar de safira. A pedra azul refletiu a luz da manhã.

Naquela joia havia muito mais do que ouro e pedras preciosas. Havia vinte e um anos de casamento. Mais de vinte e dois anos de uma vida construída lado a lado. Havia um doce italiano atravessando o oceano apenas porque, muitos anos antes, ela comentara casualmente que nunca esquecera o sabor. E havia uma promessa silenciosa.

"Nunca deixe de lembrar o quanto eu amo você."

Ela fechou o relatório e respirou satisfeita. Por alguns minutos, todas as inquietações desapareciam.

A quase dez mil quilômetros dali, Fred retirava discretamente o crachá de visitante do paletó antes de entrar em um elegante centro de inovação tecnológica, nos arredores de Berlim.

A fachada de vidro refletia um céu cinzento típico do início da primavera alemã. No saguão, executivos conversavam em inglês, alemão e francês enquanto aguardavam o início da reunião.

Ali, tudo era verdadeiro.

A empresa realmente negociava um acordo tecnológico. Os investimentos existiam. Os contratos também.

Era justamente isso que fazia sua cobertura funcionar havia tantos anos. A engenharia social da missão exigia que a fachada comercial fosse absolutamente impecável sob qualquer auditoria.

Quando entrou na sala de reuniões, foi recebido pelo diretor da companhia.

— Senhor Alves, finalmente nos encontramos pessoalmente.

Fred apertou sua mão.

— Espero que esta seja a primeira de muitas reuniões.

Durante quase três horas discutiram logística, inteligência artificial aplicada ao transporte de cargas e novas tecnologias para rastreamento de contêineres. Fred fazia perguntas precisas. Anotava detalhes. Negociava cláusulas.

Qualquer pessoa que o observasse concluiria, corretamente, que estava diante de um empresário experiente. Porque era exatamente isso que ele também era.

No Brasil, outro homem observava um relógio. Renato. Não estava com pressa. Na verdade, esperava deliberadamente.

Sabia que visitar Beatriz cedo demais pareceria planejado.

Esperar algumas horas faria tudo parecer espontâneo.

Quando finalmente saiu do próprio escritório, levou consigo apenas uma pasta de documentos. Nada além do necessário. Bateu duas vezes na porta da presidência.

— Posso?

Beatriz levantou os olhos do computador.

— Claro.

Ele entrou sorrindo.

— Espero não estar interrompendo.

— Nunca interrompe quem traz solução para problema de fornecedor.

Ela indicou a cadeira à sua frente.

Os dois passaram quase quarenta minutos discutindo contratos, prazos de entrega e o cronograma das novas unidades da empresa.

Renato dominava aqueles assuntos. Era competente.

Fred nunca negara isso. O problema nunca fora capacidade. Sempre fora caráter.

Quando a conversa parecia encerrada, Renato fechou lentamente a pasta. Permaneceu alguns segundos em silêncio, como quem tentava lembrar de alguma coisa.

— O Fred está na Alemanha, não é?

Beatriz confirmou.

— Deve voltar no fim da semana.

— Alemanha... depois Portugal... antes disso Canadá... — Ele sorriu de leve. — Confesso que fico cansado só de imaginar. Essa dispersão geográfica constante me parece um tanto exaustiva para o fluxo operacional interno. Eu acho muito cansativo.

Ela riu.

— Às vezes eu também.

— E ele nunca reclama?

— Reclama. Mas viaja mesmo assim.

— Por que gosta?

Ela pensou antes de responder.

— Porque acredita que vale a pena.

Renato apoiou os cotovelos nos braços da cadeira.

— Você deve sentir muita falta dele.

A pergunta foi feita em tom baixo. Sem malícia. Sem importância. Era quase uma constatação.

Beatriz olhou rapidamente para a janela.

— Sinto. Todos os dias em que ele está fora.

Renato apenas assentiu.

Não comentou mais nada.

Mudou imediatamente de assunto.

Falou sobre um contrato.

— O conselho está questionando a ausência do Fred na assinatura presencial em Berlim — disparou ele, deixando uma pasta de couro sobre a mesa.

Beatriz ergueu os olhos azuis, mantendo a postura firme.

— O Fred enviou a procuração institucional com firma reconhecida internacionalmente, Renato. O mercado aceita a validação jurídica sem qualquer contestação.

Renato caminhou até o arquivo de aço, apoiando a mão na superfície fria.

— O mercado aceita, Bia. Mas os investidores comentam nos bastidores. Fred passa tempo demais operando em zonas de silêncio de rádio. O Protocolo de segurança digital da nossa empresa aponta que os e-mails dele são enviados por servidores de relé que mascaram o IP de origem. Por que o presidente de uma distribuidora precisa ocultar sua localização geográfica real da própria diretoria? E mais... por que essa tal de Helena, que presta consultorias de mercado lá fora, parece sempre sincronizar os passos dela com os dele nos mesmos hotéis e congressos?

Beatriz fingiu não ouvir a pergunta e Renato percebeu.

Levantou-se.

Despediu-se.

Quando a porta se fechou, Beatriz permaneceu olhando para o vazio durante alguns segundos. A conversa fora absolutamente normal. Ainda assim... Alguma coisa permanecera ecoando.

Beatriz sustentou o olhar, embora internamente sentisse o peso daquelas perguntas — agora municiadas pela menção sutil a Helena — começarem a perfurar suas certezas.

O veneno de Renato operava com precisão milimétrica.

Não exatamente uma frase.

Uma sensação.

Ela balançou a cabeça, afastando aquele pensamento. Pegou novamente o relatório enviado por Fred. Leu outra vez a última linha.

“Não esqueça de almoçar. Amo você.”

Sorriu. Era ridículo permitir que uma pergunta tão banal produzisse qualquer efeito.

E, no entanto... Pela primeira vez em muito tempo, percebeu que não sabia explicar por que um empresário precisava passar tanto tempo longe de casa.

A regularidade daqueles deslocamentos transoceânicos começava a desenhar um padrão que a lógica corporativa pura não justificava completamente.

Na mesma hora, em Berlim, o celular de Fred vibrou discretamente sobre a mesa de reuniões.

Ele lançou um rápido olhar para a tela.

Apenas duas palavras.

Protocolo Atlas.

— Transmissão de pacotes criptografados iniciada.

Ninguém ao redor percebeu a pequena mudança em sua expressão.

Mas, naquele instante, duas histórias que pareciam completamente independentes davam mais um passo rumo ao mesmo destino.

Parte 3 – Entre duas vidas

A chuva fina transformava as ruas de Berlim em um espelho de luzes difusas quando Fred deixou o centro de inovação. O motorista da empresa parceira já o aguardava na saída.

— Hotel, senhor Alves? — perguntou em inglês.

Fred consultou o relógio.

— Houve uma mudança de planos. Pode me deixar na Friedrichstraße.

O motorista confirmou com um aceno e colocou o carro em movimento.

Do banco traseiro, Fred observava a cidade passar lentamente. Pessoas caminhavam apressadas sob guarda-chuvas escuros, ciclistas dividiam espaço com bondes silenciosos e turistas fotografavam prédios históricos sem imaginar que, a poucos quarteirões dali, representantes de diferentes serviços de inteligência se preparavam para uma reunião que jamais apareceria em qualquer agenda oficial.

Seu celular vibrou discretamente. A mesma mensagem permanecia na tela.

PROTOCOLO ATLAS – CONFIRMADO — Canal SIGINT ativo.

Ponto de encontro isolado.

Ele apagou a notificação e respirou fundo.

Por um instante, abriu a galeria de fotos. A imagem mais recente era do jantar em que comemoraram os vinte e um anos de casamento. Beatriz usava o colar de safira. Jonathan ria de algo que Larissa lhe dizia ao ouvido.

Fred sorriu.

— Espero que vocês nunca precisem saber por que faço tudo isso...

Guardou o telefone antes que o motorista percebesse.

Fred tem consciência do risco não apenas físico, mas também emocional da vida dupla, mas ainda não elaborou um plano claro de contingência para revelar ou proteger sua família, caso a sua cobertura seja comprometida.

A quebra de OPSEC (segurança operacional) era um fantasma constante, rondando a estabilidade do seu lar.

Em conversas com os outros membros da Força-Tarefa ele tem procurado elaborar um protocolo, além do que já existe de vigilância da família pela Polícia Federal no Brasil. Contudo, entende que é urgente um plano para deixar se não definitivamente, pelo menos de forma gradativa a equipe internacional.

Vinte minutos depois, atravessava o saguão discreto de um edifício comercial sem qualquer identificação externa. O local parecia abrigar apenas escritórios de advocacia e empresas de consultoria. No subsolo, entretanto, a realidade era outra. Após sucessivas verificações de identidade, incluindo varredura biométrica e contramedidas de espionagem telemática, um agente recolheu seu telefone e indicou a última porta do corredor.

A sala era ampla, austera e funcional.

Nenhuma bandeira.

Nenhum símbolo institucional.

Apenas uma grande mesa oval cercada por homens e mulheres acostumados a trabalhar sem reconhecimento público.

— Senhor Alves — cumprimentou um britânico grisalho com um sorriso discreto.

— Capitão Sterling.

Tom Sterling era um veterano no MI6. Capitão do Special Air Service (SAS) inglês. Perito em infiltração de longo alcance, reconhecimento especial e contraterrorismo marítimo/terrestre. Junto a ele estavam também Alejandro “Alex” Vargas, militar espanhol especialista em redes de financiamento do terrorismo, infiltração profunda e inteligência de sinais (SIGINT), e a Major Francesca "Chicca" Moretti, que junto com Helena, eram as únicas mulheres da equipe. Chicca era especialista em contraterrorismo no Mediterrâneo, inteligência geopolítica e infiltração em redes de crime organizado transnacional. Altamente treinada em negociação e resgate de reféns em ambientes hostis. Domina a análise de inteligência humana (HUMINT) na rota de fronteiras marítimas.

Fred tomou seu lugar.

E em seguida perguntou por Beaumont, Chris e Mizrahi, recebendo como resposta que eles já estavam posicionados, ocupando postos em possíveis rotas de fuga dos suspeitos na operação que se iniciaria em breve. O monitoramento tático cobria todo o perímetro.

Uma tela projetou um mapa da Europa. Linhas vermelhas conectavam portos, contas bancárias e empresas aparentemente legítimas.

Na tela, Beaumont aparecia de maneira remota, saudando a todos e iniciando a apresentação.

— A captura de Viktor Kovalenko nos permitiu acessar documentos financeiros inéditos. Parte dos lucros do narcotráfico vinha sendo direcionada ao financiamento de células terroristas por meio de empresas de importação tecnológica. Eles estão utilizando “nós” de triangulação financeira para mascarar os ativos.

Assim como os outros, Beaumont possuía treinamento em infiltrações, contraterrorismo e era analista de inteligência humana (HUMINT) com vasta experiência operacional em zonas de conflito e ex-colônias.

Fred observava cada detalhe.

Nenhuma palavra era desperdiçada.

Quando a apresentação terminou, Chicca colocou uma pasta sobre a mesa.

— Encontramos referências a um novo intermediário na América do Sul. Um facilitador tático operando em canais políticos, corporativos e lavagem de divisas.

Fred abriu apenas a primeira página.

Não demonstrou qualquer reação.

Treinara durante anos para isso.

Mas um nome chamou sua atenção.

Aquele nome já havia circulado em uma conversa com Renato, seu irmão.

Ainda não dizia muita coisa.

Mesmo assim, decidiu gravá-lo na memória. Intuição. Em sua profissão, ignorar a própria intuição costumava custar caro.

Ao término da reunião, enquanto os demais recolhiam documentos, o Sterling se aproximou.

— Sua cobertura empresarial continua produzindo excelentes resultados.

Fred fechou lentamente a pasta.

— Ela deixou de ser apenas uma cobertura há muito tempo. Emprega centenas de pessoas. Sustenta famílias. Gera negócios legítimos.

O homem sorriu.

— Isso a torna ainda mais eficiente. Mitiga qualquer análise de anomalia de padrão pelas agências adversárias.

Fred permaneceu em silêncio. Depois perguntou:

— Até quando vocês acreditam que isso será suficiente?

O britânico franziu a testa.

— Está preocupado?

Fred demorou alguns segundos para responder.

— Minha esposa é inteligente. Meu filho também. Cada viagem exige uma mentira diferente. Cada ausência, ainda mais quando é prolongada, cria uma pergunta nova. Um dia as perguntas podem ficar maiores do que as respostas que posso dar. A compartimentação da informação está gerando atrito no meu núcleo familiar.

O britânico apoiou a mão em seu ombro.

— Quando esse dia chegar, nós lidaremos com ele. O protocolo de extração e suporte tático está pronto.

Fred olhou novamente para a pasta.

— Espero que ele nunca chegue.

Enquanto isso, no Brasil, Helena percorria lentamente um relatório eletrônico. A tela do computador exibia dezenas de registros de consultas realizadas por Renato nos últimos meses. Nada ilegal. Nada que justificasse uma medida judicial. Mesmo assim, algo a incomodava.

O agente Mauro entrou na sala carregando duas canecas de café.

— Ainda nesse relatório?

Helena aceitou a caneca.

— Você já reparou que ele nunca pesquisa um assunto isoladamente?

Mauro aproximou-se.

— Como assim?

Ela girou o monitor em sua direção.

— Hoje ele pesquisa clonagem de voz. Amanhã, reconstrução facial. Depois, iluminação digital. Na semana seguinte, compressão de vídeo. Separadamente, são curiosidades. Juntas... Representam a esteira de produção para um deepfake de nível militar.

Ela deixou a frase inacabada. Mauro concluiu:

— Formam um método.

Helena assentiu.

— Exatamente. Uma linha de montagem para engenharia social de desinformação.

Ela fechou o arquivo.

— Quero uma cópia integral arquivada.

Mauro arqueou as sobrancelhas.

— Acha que vamos precisar disso?

Helena respondeu sem desviar os olhos da tela.

— Não. Acho que um dia vamos desejar tê-lo guardado. Como evidência forense e quebra de álibi.

Na universidade, Jonathan e Larissa caminhavam sem pressa pelo campus já quase vazio. As árvores balançavam com o vento frio do início da noite.

— Você nunca respondeu uma pergunta minha — disse Larissa.

— Qual delas?

Ela sorriu.

— O que você realmente quer fazer da vida?

Jonathan demorou a responder.

— Posso parecer estranho...

— Mais? Essa possibilidade existe?

Os dois riram.

— Quero sentir que meu trabalho melhora a vida de alguém. Só isso. Garantir a integridade dos fatos na rede me parece um bom começo.

Larissa diminuiu o passo.

— Você fala exatamente como seu pai.

Jonathan olhou para o horizonte.

— Espero ser digno dele.

Ela segurou discretamente sua mão.

— Acho que ele diria exatamente a mesma coisa sobre você.

Sem que percebessem, o professor Augusto observava os dois da janela do departamento de computação. Ao lado dele, outro docente comentou:

— Aquele rapaz tem um talento incomum.

Augusto concordou.

— Mais do que talento. Ele tem disciplina. E disciplina é muito mais difícil de ensinar.

Naquela mesma noite, Renato entrou em seu apartamento e foi direto para o escritório.

Não acendeu a luz principal.

Apenas o abajur sobre a mesa.

Ligou o computador.

Inseriu o pendrive e abriu o arquivo:

PERFIL PSICOLÓGICO – BEATRIZ ALVES

Ficou alguns segundos olhando para a tela em branco. Depois começou a escrever.

"Continua usando diariamente o colar presenteado por Fred."

"Lê todas as mensagens enviadas durante as viagens."

"Evita demonstrar preocupação diante do filho."

"Ainda acredita integralmente no marido."

Parou.

Criou uma nova pasta.

FASE 2 – ISOLAMENTO EMOCIONAL

— Rompimento dos vetores de confiança.

Sorriu discretamente.

— Primeiro ela precisa sentir falta das respostas... — murmurou.

— Depois, começará a aceitar qualquer explicação. A saturação da dúvida destruirá as defesas lógicas dela.

Fechou o notebook.

Do lado de fora, a cidade seguia seu ritmo habitual. Milhares de pessoas encerravam mais um dia comum.

Nenhuma delas imaginava que um plano cuidadosamente construído acabara de avançar mais um passo.

E, como acontece com as armadilhas mais perigosas, ninguém que estava destinado a cair nela havia percebido que ela já começara a ser montada.

Parte 4 – Operação Janus

O frio úmido de Berlim envolvia os visitantes da feira internacional de tecnologia, que ocupava o imponente Messe Berlin, um complexo de arquitetura brutalista e janelas espelhadas que refletiam o céu cinzento da primavera europeia.

Por entre corredores amplos e estandes iluminados por LEDs frios, executivos conversavam em inglês, alemão, francês e russo, enquanto degustavam cafés fortes e pequenos canapés servidos por atendentes discretas.

Fred Alves deslizava por aquele cenário como um predador silencioso. Sua camisa azul clara, de algodão leve, se ajustava perfeitamente aos ombros largos, revelando o cuidado com o corpo que mantinha desde os tempos de treinamento operacional.

Os cabelos castanho-escuros, já salpicados de fios grisalhos nas têmporas, estavam penteados para trás, com um leve brilho que denunciava a atenção à imagem. Os olhos castanhos, profundos e atentos, captavam cada movimento, cada microexpressão.

Vestiu o paletó após passar pela segurança do edifício, lembrando momentos da reunião realizada com membros da comunidade de inteligência.

Estava cansado.

Não do trabalho, que sempre realizou acreditando que estava servindo à justiça, ajudando a prender criminosos internacionais, mas da distância da família, da impossibilidade de dizer o que também fazia nessas viagens, além dos contratos para sua empresa.

Ele parou diante de um estande da empresa alemã Baumer, especializada em sensores industriais.

Enquanto falava com o representante, um homem de meia-idade de terno escuro, Fred percebeu no reflexo do vidro uma figura que se deslocava com a naturalidade de quem conhece cada canto daquele ambiente.

Era um homem de aparência comum, mas seus gestos, a forma de apertar a mão e trocar olhares rápidos com outro indivíduo, não passavam desconhecidos para Fred.

O indivíduo exibia a postura típica de um operador de inteligência hostil em fase de contato.

— A remessa chega às 15 horas.

Disse um homem que parecia alemão ao outro.

Parecia uma transação comercial normal, feita dentro de uma feira de tecnologia. Quem ouvisse acharia que estavam falando de processadores ou computadores, mas na verdade falavam de um carregamento de armas.

Fred se mantinha próximo, conversando com uma pessoa, mas com seu relógio apontado para os dois homens, registrando toda a conversa. O dispositivo oculto capturava as frequências de áudio direcionais através do sensor piezoelétrico.

Com um movimento sutil, Fred tocou o relógio de pulso — um gesto invisível para os demais, mas que disparou uma mensagem para agentes infiltrados.

A operação Janus estava em curso.

O uplink de dados transmitiu a telemetria do alvo em tempo real para a estação de escuta.

Nenhum ruído além do som ambiente, nenhuma explosão, nenhuma sirene.

Apenas a precisão silenciosa de uma força que agia nas sombras.

Horas depois, no quarto do hotel Adlon Kempinski, com vista para o Portão de Brandemburgo iluminado, Fred assistia ao noticiário.

A prisão dos suspeitos era mostrada em sequências rápidas, sob o olhar atento de repórteres e policiais.

Um executivo alemão comentava na transmissão:

— A polícia alemã está surpreendendo até os criminosos mais preparados.

Fred sorriu, uma sombra de ironia no olhar.

— Às vezes, ela só recebe a informação certa... — murmurou para si mesmo, desligando a TV. — Inteligência de sinais executada com sucesso.

Enquanto isso, alguns dias depois, a milhares de quilômetros dali, em Brasília, Helena Costa caminhava pelo corredor iluminado do edifício sede da Polícia Federal, no Setor Policial Sul.

Seu cabelo loiro escuro estava preso em um coque elegante, alguns fios soltos moldavam seu rosto firme. Os olhos azuis, intensos e perscrutadores, refletiam a luz fria dos monitores que exibiam relatórios confidenciais.

Ela abriu um documento criptografado, recebido por canais reservados para ameaças reais.

Não havia nomes, apenas um alerta: um agente brasileiro poderia estar sob investigação e em risco iminente. Pensou imediatamente em Fred e na possibilidade de um agente estrangeiro hostil estar investigando a vida de Fred (provavelmente a pedido de Renato). Helena sentiu o peso da responsabilidade apertar seu peito. A integridade da malha de agentes infiltrados estava sob ameaça de vazamento de dados.

Mauro Ferreira, seu parceiro pragmático, aproximou-se com duas canecas de café.

— Continua naquele bendito relatório?

— Sim — respondeu Helena, sem desviar o olhar. — Quando o sistema usa esse canal, o perigo é concreto. Houve um disparo de gatilho de segurança nos logs do servidor criptografado.

— E o alvo?

— Ainda não sabemos. Mas é alguém importante o suficiente para motivar essa cautela.

Enquanto isso, na sede do Grupo Alves, Renato Alves caminhava pela sala de reuniões ampla, os passos ecoando sobre o piso de madeira envernizada. Seu terno cinza escuro estava impecável, a gravata perfeitamente alinhada.

Os olhos claros, calculistas, fixavam um antigo álbum fotográfico aberto sobre a mesa — imagens de Beatriz na faculdade, com o cabelo castanho preso em um rabo de cavalo elegante, o sorriso jovem e cheio de vida.

Ele chamou um ex-funcionário que estudou com a Beatriz na faculdade. Eram da mesma turma. Ele veio trabalhar na empresa anos depois dela entrar, mas acabou tendo mais contato com Renato, por conta de a área de atuação ser próxima.

— Como era a Beatriz naquele tempo? — perguntou, com uma voz baixa e controlada. — Quem eram seus amigos? Houve algum namorado que marcou a vida dela?

Disse Renato com a intenção de mapear a ancoragem emocional antiga dela para isolar as variáveis.

O homem engoliu seco.

— Ela era dedicada, inteligente, e muito apaixonada. Teve um namorado sério, Rafael Menezes. Eram apaixonados. Eles planejavam se casar, mas não sei por qual motivo seguiram caminhos diferentes. Ele era um rapaz reservado. Sei que hoje é sócio de uma empresa que já teve relações com o Grupo Alves antes da Beatriz assumir. Ele é muito respeitado.

Renato sorriu internamente.

O passado tinha uma força poderosa.

Rafael poderia ser a alavanca perfeita para quebrar o sistema imunológico emocional do casamento de Fred. Melhor do que ele, Renato, tentar se insinuar naquele momento para a cunhada e perder a chance.

Resolveu, então, que faria outro agir para atingir o casal.

Ele queria Beatriz para ele, mas não precisava ser de imediato.

A urgência era ter alguém que ajudasse a acabar com o casamento do irmão.

Ele, como sempre, teria paciência e aguardaria para tentar ficar com ela no futuro.

Ligou, como quem não quer nada para Pedro, marido de Cláudia, amiga de Beatriz, que desde sempre não disfarçava não simpatizar com Fred e, sempre que podia, criticava a ausência do marido da amiga.

Como quem não quer nada perguntou se poderia passar para um café, pois estava com saudades dos amigos, no que recebeu luz verde para passar no final da tarde “para algo mais forte que um café”, disse Pedro aos risos.

Puxando na memória, Renato lembrou vagamente de um episódio em que poderia jurar que ela citou o nome de Rafael, para compará-lo com Fred, momento em que foi repreendida por Pedro.

Cláudia também dispensava olhares desejosos para Renato, era de conhecimento público, embora Pedro e ela negassem quando questionados, que ela havia se separado momentaneamente do marido para curtir um rápido romance com um advogado quase 10 anos mais novo. Ela percebeu que não daria certo quando o marido cortou os cartões de crédito, deixou de transferir dinheiro para a conta dela e o advogado, que só queria a boa vida bancada por Cláudia, se afastou.

Ela tinha a mesma idade de Beatriz, estudaram juntas e talvez ela tivesse mais informações sobre Rafael.

Mais tarde, na casa dos Alves, a atmosfera era de aconchego e normalidade. Beatriz sentou-se à mesa de jantar, seu cabelo castanho preso em um coque baixo que revelava a linha delicada do pescoço, uma mecha rebelde caía sobre o rosto, conferindo-lhe uma sensualidade discreta.

Vestia um vestido de seda azul marinho, que realçava sua silhueta elegante. Jonathan, com sua altura impressionante e cabelos escuros cuidadosamente penteados, brincava com Larissa, que usava uma blusa de tricô bege e jeans escuros, seu sorriso espontâneo e olhos castanhos transmitiam calma e segurança.

Fred servia a bebida, seus movimentos precisos, a camisa azul clara levemente desabotoada no colarinho.

— Você sabe que eu presto atenção — disse Fred a Jonathan, entregando um pequeno presente.

Jonathan sorriu.

— Sempre sabe o que comprar, pai.

Beatriz riu, pousando a mão sobre a do marido.

— Ou anota tudo, não é? — brincou, o olhar verde brilhando de cumplicidade.

Fred apenas sorriu, consciente do equilíbrio tênue que mantinha entre as peças daquele jogo perigoso.

Enquanto isso, na casa de Pedro e Cláudia, Renato bebia tranquilamente um whisky com o “amigo” e sua esposa. Falaram de política, investimentos, tênis, o divórcio de Renato e a sua solteirice após ele separar de Patrícia (o que despertou muito interesse de Cláudia, que tentava disfarçar, mas o enchia com perguntas), até que Renato, inteligentemente, conduziu o assunto para o relacionamento de Beatriz e seu irmão.

Foi o momento em que Cláudia aproveitou para desabafar intimidades que trocava com Beatriz, sobre o cansaço dela com as viagens, com a solidão por vários dias por mês de maneira ininterrupta.

Renato ouvia e aproveitava cada nova informação, cada lamento e cada palavra contrária a Fred.

Sua mente estruturava os dados colhidos como vulnerabilidades prontas para exploração.

Até que ele perguntou o que Beatriz viu em Fred. Que sendo ela tão bonita não teria tido um namorado melhor ou como não havia aparecido alguém melhor do que seu irmão para cuidar dela. Que ele, mesmo como cunhado, se sentia mal por ela.

Cláudia não se conteve e começou a contar sobre Rafael.

Que começaram a namorar ainda no segundo grau, entraram juntos na faculdade, que Bia era apaixonada por ele, mas que durante o verão ocorreu uma situação familiar até hoje não explicada que fez com que ele mudasse de estado, de faculdade, terminassem o namoro e nunca mais voltassem a se falar, o que deixou Beatriz às portas da depressão, só melhorando após conhecer Fred, por quem logo se encantou, namoraram por curto período e tão logo ele foi aprovado em um concurso, resolveram se casar.

Renato lembrou que Rafael já havia, através de sua empresa, tido uma parceria com o Grupo Alves no passado, antes de Beatriz entrar para a empresa e falou na coincidência que um funcionário que também havia estudado com Beatriz, Cláudia e Rafael, ter sugerido no dia anterior o nome dele para uma nova parceria.

— Parece coisa do destino. Querer forçar um reencontro entre Beatriz e esse Rafael — disse Renato de maneira cínica.

— Vou te dizer que eu aprovaria! — respondeu Cláudia, com um sorriso.

— Vou ligar para ele agora e vocês conversam sobre uma reunião para a parceria de vocês. Se for da vontade de Deus que ele encontre a Beatriz e se entendam, será bom para a nossa amiga, que tem um marido ausente que não se importa com ela.

A ligação foi feita, o telefone passado para Renato, que marcou a reunião para data próxima.

O cerco estava sendo montado e, agora, mais pessoas foram envolvidas na trama, sem a ciência das reais intenções de Renato.

A operação de infiltração psicológica de Renato avançava sem deixar rastros telemáticos identificáveis, movendo as peças analógicas do tabuleiro perfeitamente.

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Comentários

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Não to sumido não amigo Normal. To gostando e muito!

Agora ta tomando forma e ta me deixando tenso. Renato é muito ardiloso e que pena que Fred e Beatriz vão ter problemas, isso é fato.

To lendo devagar pq ta ficando tenso mesmo!

Parabens de verdade!!!!

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Um conto com uma trama detalhistica, com um desenrolar surpreendente que fica até dificil de comentar. Só torço para que o Fred e sua família saia ileso dessa trama sórdida desenvolvida por Renato.

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