Durante o trajeto até o banheiro, pensei em parar. Era uma besteira enorme o que eu estava fazendo. Era um risco que não valia a pena, já que eu sabia que entre mim e Tânia não passaria de sexo. Não que não pudesse nascer sentimentos entre nós; talvez ela até os tivesse, algo que, ao ponderar, me deu um certo frio na espinha. Porém, éramos incompatíveis em todos os sentidos. A única coisa que tínhamos em comum era o amor pelas pessoas próximas a nós. Tirando isso, éramos totalmente diferentes. Pensei em dar um ponto final naquilo ali mesmo.
Mas a ideia de parar passou rapidamente. Eu já tinha cometido o erro; parar no meio não resolveria. Se fosse para acontecer algo por causa do que estávamos fazendo, aconteceria. Não dava para desfazer o que fizemos na sala. Bom, já que eu estava no inferno, resolvi abraçar o diabo.
Assim que entramos no banheiro, liguei o chuveiro e fomos juntas para debaixo dele. Tânia veio me beijar com a mesma fome que me beijou na sala. O fogo dela parecia ainda mais intenso, talvez mais aceso, já que uma de suas mãos foi direto para o meio das minhas pernas. Ficamos nos beijando e fazendo carinhos safados uma na outra. Meu tesão já estava a mil; não aguentei e a levei até uma das paredes, pedindo para ela se virar. Ela pareceu entender muito bem o que eu queria. Pelo que ela disse, nunca tinha ficado com uma mulher, mas com certeza tinha bastante experiência sexual.
Ela apoiou as mãos na parede, já com as pernas abertas, e logo foi empinando aquela delícia de bunda. Me aproximei, coloquei minha mão entre suas pernas e penetrei dois dedos na sua intimidade. Tânia soltou um gemido gostoso, e comecei a movimentar meus dedos dentro dela. Desci meu rosto e comecei a beijar seu pescoço. Ela virou a cabeça e ofereceu sua boca para ser beijada. Ficamos assim por uns minutos, e quando ela começou a tremer, sentindo outro orgasmo se aproximar, em um movimento rápido, desci meu corpo, me ajoelhei atrás dela e comecei a passar minha língua na sua intimidade. Provei cada gota do seu mel com minha boca e língua.
Depois que ela gozou, subi meu corpo, virei-a de frente e a beijei com seu gosto ainda na minha boca. Logo desci para seus seios, aproveitando aquelas delícias. Quando ela começou a gemer novamente com meus carinhos, desci minha mão e a penetrei novamente. Mas desta vez, ela segurou meu pulso e disse que não aguentava mais, precisava se recuperar por mais tempo. Achei que realmente estava terminando nossa noite ali. Mas me enganei redondamente; ela inverteu nossos papéis, me beijou e desceu para meus seios, começando a sugar meus mamilos. Usava a boca em um e a mão no outro, ela foi revezando com mãos e boca nos meus seios. Eu estava adorando aquilo e alguns gemidos já saíam da minha boca.
Tânia deslizou a mão até meu clitóris e começou a friccionar devagar, depois foi aumentando a velocidade. Meus gemidos aumentaram, meu corpo já anunciava um orgasmo. Ela desceu ainda mais, se ajoelhou e começou a me chupar com vontade. Coloquei uma das mãos em sua cabeça e a outra nos meus seios. Sua língua estava mais atrevida e seus lábios mais agressivos do que na primeira vez. Quando se concentrou no meu clitóris, não aguentei e tive outro orgasmo, mais calmo, porém mais demorado. Ela não parou de me lamber nem por um minuto; pelo jeito, ela tinha realmente gostado daquilo.
Quando subiu o corpo, seus lábios estavam molhados. Não aguentei e dei um beijo bem gostoso nela. Depois disso, decidimos terminar nosso banho e seguimos para minha cama. Tânia se enxugou e deitou nua, sem nenhum tipo de vergonha, parecendo bem à vontade comigo.
Tânia— Isso foi incrível, Camila. Muito mais do que eu achei que seria.
Camila— Foi sim, e eu realmente estava precisando disso.
Tânia— Fazia muito tempo que você não ficava com ninguém?
Camila— Sim, já faz um bom tempo. Foi sua primeira vez com uma mulher?
Tânia— Sim, até já tinha sentido atração por outras mulheres, mas nunca tive coragem de ficar com uma. Até porque logo passava, mas com você não passou. Desde a primeira vez que te vi, me sinto atraída por você.
Camila— Eu notei que você se sentia atraída por mim, mas também percebi que não gostava muito de mim naquela época. Demorou para você se aproximar de mim e, depois, notei que você queria se aproximar mais do que devia.
Tânia— Não é que eu não gostasse de você; era medo do que você me causava. Me desculpe, sei que não agi muito bem com você. Fui totalmente contra você vir morar aqui, até falei algumas coisas horríveis sobre você, mas não era o que eu pensava; era medo de ter você próxima de mim todos os dias.
Camila— Tudo bem, não se preocupe com isso. Mas o que mudou? Por que esse medo? Ou melhor, medo exatamente do quê? De se apaixonar?
Tânia— Mudou o fato de que eu não aguentei mais ficar só te desejando, então resolvi arriscar. Para ser sincera, não aguentava mais ficar só imaginando você durante meus momentos íntimos. Eu queria te sentir de verdade, pelo menos uma vez. Eu precisava disso, mas o problema é que foi muito melhor do que pensei. Acho que só uma vez não vai ser o suficiente. Ah, meu medo é de estragar meu sonho de um dia casar com um homem rico que me sustente o resto da vida.
Camila— Acho que entendi. Vamos ficar só nessa noite mesmo. Quanto ao medo de estragar seu sonho, acho que não tem perigo; não vou te atrapalhar.
Tânia— Falei algo errado?
Camila— Não, de maneira alguma. Só não tenho muito o que acrescentar. Você já esclareceu minhas dúvidas.
Tânia— Então, por que não podemos repetir? Você não gostou?
Camila— Eu gostei muito, mas não quero correr o risco de ser expulsa daqui ou arrumar qualquer tipo de problema com sua família. Eu também não quero estragar seus sonhos.
Tânia— Você não vai estragar nada, até porque ninguém precisa saber. Eu também não quero que minha família saiba. Só queria ter a chance de repetir; gostei muito do que aconteceu aqui hoje. Para ser sincera, foi a melhor transa da minha vida.
Camila— Eu também queria muito repetir, mas infelizmente isso não pode voltar a acontecer. Como disse, não quero correr nenhum risco.
Tânia— Tudo bem, eu te entendo. Acho melhor eu voltar, antes que alguém note minha falta.
Vi que ela ficou chateada, mas sinceramente eu também estava. Não exatamente com ela, mas com o sonho estúpido dela. Aquilo, para mim, era algo sem noção: casar por dinheiro. E olha que a família dela era bem de vida. Tamires já tinha me falado sobre isso, mas ouvir da boca dela meio que me irritou. Não era ciúmes, mas raiva da estupidez.
Demorou uns minutos, mas ouvi a porta se fechar. Provavelmente, demorou um pouco para ela achar todas as suas roupas. Assim que ela saiu, fui vestir algo e arrumar algo para comer. Já estava com fome antes e, depois de gastar energia com ela, a fome aumentou.
Os dias se seguiram e minha rotina voltou ao normal. Pedro pediu demissão da padaria. Recebeu uma proposta de trabalho em uma transportadora, com um salário duas vezes acima do que Helena podia pagar. Era uma ótima oportunidade para ele. Helena entendeu, mas tanto ela quanto Pedro estavam meio tristes com a situação. Até eu fiquei um pouco triste, pois não iria mais conviver com meu amigo todos os dias. Por outro lado, estava feliz por ele estar progredindo na profissão. Pedro não morava longe da minha casa, então ainda iríamos nos ver bastante.
Tânia estava meio chateada comigo, mal me olhava e não dirigiu a palavra para mim, nem uma única vez. Na verdade, era melhor assim. Não sei se conseguiria suportar outra investida dela; eu tenho um fraco por loiras e ela era muito linda.
Já tinha mais de uma semana desde nossa transa e ela continuava emburrada comigo. Mas, mesmo assim, na quarta-feira, Tamires disse que Manu iria passar a noite com ela. Falei que tudo bem e, à tarde, subi rapidamente para me despedir da minha filha. Quando fui voltar para a padaria, passei por Tânia na cozinha. Ela estava bebendo algo e encostada na pia. Quando a olhei, ela deu um pequeno sorriso e disse "oi". Eu respondi e continuei meu caminho. Aquele sorriso foi como um alarme de perigo para mim.
Quando terminei o trabalho, fui para casa e já ensaiava um discurso caso Tânia aparecesse mais tarde. Ela não estava nem olhando para mim e, justo no dia em que Manu ia dormir na casa dela, ela me lança aquele sorriso. Com certeza, estava planejando me visitar à noite, e eu não ia deixar que ela passasse pela porta. A atenderia pela janela, mesmo; era melhor evitar a proximidade.
Assim que cheguei, fui direto para o banho. Queria tomar banho logo, comer algo e me jogar na cama, ficar quietinha. Se conseguisse fazer isso rápido, fingiria que estava dormindo caso Tânia aparecesse. Foi exatamente isso que fiz: banho rápido, um lanche e cama. Apaguei tudo e fiquei quietinha na cama. O tempo foi passando e nada de Tânia. Provavelmente, interpretei mal aquele sorriso e ela não iria aparecer. Isso me trouxe um certo alívio.
Não sei quanto tempo passou, mas as horas se foram e o sono apareceu. Dormi sem ver. Só acordei com alguém segurando meus braços. Levei um susto e tentei me mover, mas não consegui. Alguém estava sentado em cima de mim. Estava escuro e não conseguia ver quem era, mas antes que eu pudesse gritar ou falar algo, ouvi uma voz conhecida.
Tânia— Sou eu, Camila, a Tânia. Por favor, não grite.
Camila— Tânia, sua maluca! O que você está fazendo aqui? A propósito, como você entrou na minha casa?
Tânia— Não aguentei de saudades; precisava te ver. Peguei a chave reserva e resolvi te fazer uma surpresa.
Camila— Qual chave reserva?
Tânia— Sua irmã deixava uma chave reserva na minha casa para emergências. Essa chave nunca foi útil, até hoje.
Enquanto falava, senti algo quente na minha barriga. Claro que percebi o que era. Tânia com certeza era maluca, e eu precisava parar com aquilo.
Camila— Cadê meu cobertor? E você está nua?
Tânia— Tirei o seu cobertor bem devagar quando cheguei, as roupas não foram tão devagar, mas eu tirei também. Para facilitar o que vamos fazer.
Camila— Não vamos fazer nada; sai de cim...
Não consegui terminar a frase. Meus olhos já tinham se acostumado com a escuridão e pude ver seu rosto se abaixando. Ela me beijou. Acho que minha resistência durou uns dez segundos, pois logo minha língua já brincava com a dela e minhas mãos apertavam aquela bunda gostosa.
Tânia só parou de me beijar quando viu que eu já estava totalmente entregue. Suas mãos levantaram meu top e sua boca foi direto para meus mamilos. Ela revezava entre um e outro enquanto sua intimidade se esfregava na minha coxa, deixando-a toda melada. Achei que ela teria um orgasmo ali, mas ela desceu mais o corpo. Puxou minha calcinha de lado e me chupou até eu gozar na boca dela. Mais uma vez, ela lambeu cada gota do meu mel. Parecia ter viciado no meu gosto, pois voltou para me beijar, lambendo os lábios e com um sorriso no rosto.
Ela voltou a esfregar seu corpo no meu. Ali, tive certeza de que resistir à tentação seria bem difícil. Não sabia no que isso iria dar; talvez resultasse em algo muito ruim, mas não conseguia parar, não com ela ali, beijando meus lábios e com seu corpo nu em cima do meu.
Mais uma vez, me deixei levar e me entreguei àquela loucura gostosa. Não sei quantas vezes gozei com ela naquela noite, mas foram várias. Saímos da cama já exaustas e tomamos um banho. Não havia carinho ou boa conversa. Sinceramente, quando ela abria a boca para conversar, acabava me irritando.
Tânia era muito diferente de mim. Desprezava as coisas que eram muito importantes para mim, como trabalho, amor e a boa vida que levávamos ali. Para ela, a vida que tinha era difícil e queria mais, mas de uma forma que ela considerava fácil: conquistar um homem rico que a sustentasse.
Talvez, por não ter passado dificuldades na vida, ela não valorizasse o que tinha. Para mim, que sofri muito no passado, aquela vida era um sonho. Eu não precisava de mais nada para ser feliz, talvez um amor, uma pessoa que viesse para somar na minha vida e realmente me amasse de verdade.
Mesmo assim, noites como aquela se tornaram rotina. Era só Tamires deixar Manu dormir na casa dela que Tânia aparecia, e eu, burra, nunca dizia não. Não vou negar que nosso sexo era incrível; tínhamos uma conexão enorme na cama, mas era só isso. Estava arriscando minha segurança e a segurança da Manu por causa de noites ardentes de sexo.
Foi numa sexta-feira à tarde que as coisas começaram a mudar. Eu estava entrando na padaria quando vi uma BMW preta parar do outro lado da rua. De dentro saiu Tânia, com um sorriso enorme nos lábios. Não reconheci o motorista, mas vi que era um homem. Provavelmente, Tânia tinha achado seu pote de ouro.
Naquele momento, não senti ciúmes, mas sim alívio. Se fosse o que eu imaginava, Tânia não iria mais me procurar, e assim eu poderia voltar à minha vida tranquila de antes. Pelo menos era o que pensava naquele momento. Mas o destino às vezes tem maneiras estranhas de brincar com a gente.
Continua…
Criação: Forrest_Gump
Revisão: Whisper
