Eu e Gillian chegamos à casa do meu pai pouco depois das dezenove horas. Teríamos chegado antes se ela não resolvesse trocar de roupa quatro vezes, indecisa de qual roupa vestir nesse tipo de ocasião.
Antes de tocar a campainha, parei por alguns segundos diante da porta e respirei fundo. Gillian percebeu meu nervosismo e tentou me tranquilizar, passou a mão suavemente pelo meu ombro, deslizou pelo meu braço até chegar na minha mão. Apertei com certa força.
Era muito difícil simplesmente voltar para aquele lugar depois de tanto tempo, principalmente para encontrar alguém que foi alvo do meu ódio por anos.
Toquei a campainha, meu pai rapidamente abriu a porta. Ficamos alguns segundos apenas nos olhando. Percebi imediatamente que ele estava segurando o choro. Ele tentou sorrir, eu também. Estendi a mão e ele a apertou com força antes de nos deixar entrar.
Assim que entramos descobri que havia outra mulher na sala. Meu pai nos apresentou e veio então a primeira grande surpresa da noite: eu tinha uma madrasta. Eu sequer sabia que ele havia se casado novamente.
Apresentei Gillian, e as duas rapidamente começaram a conversar. Minha madrasta pareceu gostar dela imediatamente. Em poucos minutos, já estava praticamente sequestrando minha namorada para si, puxando Gillian para perto e fazendo perguntas como se as duas se conhecessem havia anos.
Tentei convencer Gillian a permanecer conosco, descrente que ela pudesse manter uma conversa normal sem revelar que era uma bruxa medieval, mas ela me lançou uma expressão de reprovação. Graças às nossas mentes compartilhadas, entendi imediatamente o que ela estava pensando: EU NÃO SOU UMA CRIANÇA!
Sim, ela gritou comigo através de pensamentos...
Acabei deixando as duas juntas e fui conversar com meu pai. No começo, a conversa foi superficial. Falamos sobre minha vida, sobre Gillian e sobre como havíamos nos conhecido. Ele pareceu genuinamente feliz por mim, mas, inevitavelmente, chegamos ao assunto que havia permanecido entre nós durante todos aqueles anos, minha mãe.
Meu pai não tentou justificar o que havia feito, tampouco disse que tinha o direito de pedir desculpas. Apenas explicou o que aconteceu. Depois que perdeu o amor de sua vida, ficou completamente desnorteado. Perdeu o rumo, não sabia como continuar vivendo e, segundo ele, por pouco não perdeu a própria sanidade.
Naquela época, não conseguiu pensar em mim da maneira que deveria. Tão destruído que não conseguia pensar em cuidar de outra pessoa. Eu disse que conseguia entender. Cada pessoa lida com o luto de uma forma diferente. Não necessariamente da forma como gostaria, mas da forma que consegue. Foi a primeira vez que vi meu pai chorar sem tentar esconder.
Depois voltamos para a mesa. Gillian percebeu que alguma coisa havia mudado entre nós, mas não perguntou nada. Apenas sorriu discretamente. O jantar acabou sendo muito melhor do que eu imaginava. Minha madrasta conversou bastante com Gillian, meu pai parecia genuinamente feliz, e eu percebi que fazia muito tempo que não me sentia tão à vontade naquela casa.
Depois do jantar, meu pai ainda tinha uma surpresa. Ele nos presenteou com uma estadia em um resort all inclusive como presente de namoro. Gillian ficou muito mais empolgada do que eu mesmo sem saber o que significava um resort all inclusive. Minha madrasta precisou explicar exatamente o que significava, e a ideia de comida, piscina, praia e não precisar se preocupar com praticamente nada pareceu conquistar minha namorada imediatamente.
Agradeci ao meu pai. Ele disse que estava feliz por finalmente me ver novamente e, principalmente, por me ver acompanhado e sorrindo. Quando chegou a hora de irmos embora, ele nos acompanhou até a porta. Apertei sua mão novamente, mas dessa vez o gesto já não pareceu tão estranho. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele me abraçou. Retribui.
Fazia anos que eu não via meu pai. E fazia ainda mais tempo que não o via com aquele sorriso no rosto. Gillian se despediu da minha madrasta, e as duas já pareciam ter criado uma intimidade impressionante em poucas horas. Entramos no carro e olhei uma última vez para a casa. Respirei fundo.
É, até que tudo correu bem. Partimos enquanto Gillian falava animadamente sobre o tal resort.
Eu a ouvia distraidamente, ainda tentando assimilar tudo o que havia acontecido naquela noite. O encontro com meu pai tinha sido muito melhor do que eu esperava. Pela primeira vez em anos, eu conseguia pensar nele sem sentir aquela mistura de raiva e ressentimento.
Então, sem qualquer motivo aparente, aqueles olhos dourados voltaram à minha mente. Foi apenas um instante, mas foi o suficiente para me fazer perder o fio dos pensamentos.
— O que foi? — Gillian percebeu e olhou sério para mim.
— Nada.
Ela continuou me observando por alguns segundos.
— Você está pensando em alguma coisa.
— Todo mundo pensa em alguma coisa.
— Eu sei, mas... — Gillian fez uma pausa, como se estivesse tentando entender alguma coisa. — Eu não consigo ver.
— Ver o quê?
— O que você está pensando.
— Como assim? — aquilo me deixou desconfortável, me ajeitei no banco.
Ela estreitou os olhos e tentou novamente. Eu não sabia exatamente como aquilo funcionava, mas conseguia perceber quando ela tentava acessar alguma coisa dentro da minha cabeça.
— Tem alguma coisa aí — ela murmurou. — Eu consigo sentir, mas não consigo chegar até ela.
— Talvez você esteja ficando cansada — continuei olhando para a estrada.
— Não estou — a voz séria dela carregava um pequeno e sutil tom de raiva. — É estranho, eu sempre consigo saber o que você está pensando.
— Talvez esteja aprendendo a ter privacidade.
— Não gostei disso.
— Você vive bisbilhotando minha cabeça.
— Porque somos vinculados.
— Isso não significa que você precisa saber absolutamente tudo.
— No que você está pensando?
Não respondi.
— No que você está pensando!? — o tom de voz dela aumentou.
— Ei, não precisa gritar.
Gillian ficou me encarando em silêncio. A expressão de irritação ainda estava em seu rosto.
— Por que você não quer que eu saiba?
— Eu não disse que não quero que você saiba.
— Então me deixa ver.
— Gillian...
— É só um pensamento, qual é o problema?
— Talvez eu só queira ter alguma coisa que seja minha — respirei fundo, mantendo os olhos na estrada.
— Sua? — repetiu, como se aquela palavra tivesse algum significado que ela ainda não conseguisse compreender.
— Sim.
— Mas nós compartilhamos tudo.
— Não necessariamente.
— Desde quando?
Não respondi. Gillian voltou a olhar pela janela, mas percebi que continuava pensando naquilo. Depois de alguns segundos, ela falou novamente.
— Você está escondendo alguma coisa de mim.
— Não estou escondendo nada, eu só não quero falar sobre isso.
— Mesma coisa.
— Não. Esconder seria mentir para você. Eu só não estou pronto para falar.
— Você nunca fez isso antes — ela permaneceu me encarando.
— Talvez eu nunca tenha precisado.
Ela não respondeu. Continuei dirigindo, mas a sensação de tranquilidade que havia tomado conta de mim depois do jantar começou a desaparecer. Pela primeira vez desde que conheci Gillian, senti que havia alguma distância entre nós. E o mais estranho era que ela também parecia sentir aquilo.
— Eu não gosto disso — ela disse finalmente.
— Você já disse.
— Não gosto de não saber o que está acontecendo dentro da sua cabeça.
— Você vai ter que aprender a lidar com isso.
Gillian soltou uma pequena risada, mas não havia humor algum nela. Continuei dirigindo por alguns segundos, mas aquilo ainda estava me incomodando. Não era apenas o fato de ela não conseguir acessar meus pensamentos. Era a maneira como havia reagido quando percebeu.
— Tem outra coisa.
— O quê? — Gillian virou o rosto para mim.
— O que você fez hoje, com a Annya.
— O que tem?
— Você não pode fazer aquilo novamente.
Gillian ficou alguns segundos em silêncio, como se estivesse tentando entender se eu estava falando sério.
— Por quê?
— Porque você usou seus poderes nela sem que ela sequer tivesse a chance de escolher.
— Ela entrou na nossa casa.
— Isso não dá a você o direito de fazer qualquer coisa com ela.
— Eu não machuquei ela.
— Não fisicamente.
— Ela merecia uma lição — Gillian desviou o olhar.
— Quem decide isso?
Ela não respondeu.
— Gillian, você tem poderes que podem alterar completamente o que uma pessoa sente. Você pode entrar na cabeça dela, mexer nas emoções dela... Você não pode simplesmente usar isso sempre que alguém fizer alguma coisa que você não goste.
— Eu sei controlar meus poderes.
— Então prove.
— O que você quer que eu faça? — ela me encarou novamente.
— Quero que estabeleçamos algumas regras.
— Regras? — Gillian pareceu genuinamente incomodada com a ideia.
— Sim. Você não usa seus poderes em mim sem que eu permita. E não usa em outras pessoas sem uma razão realmente necessária.
— Necessária segundo quem?
— Segundo nós dois.
— E se alguém tentar machucar você?
— Aí é diferente. Mas transformar alguém num brinquedo só porque você ficou irritada não é defesa.
— Está bem — Gillian abaixou os olhos, agora ela parecia realmente refletir sobre aquilo.
— Temos um acordo?
Antes que ela respondesse, senti alguma coisa mudar. Uma onda repentina de calor percorreu meu corpo, fazendo minha respiração ficar pesada. Depois vieram outras sensações, todas ao mesmo tempo, como se Gillian tivesse encontrado cada ponto sensível do meu corpo e decidido brincar com eles.
— Gillian...
— O que foi? — ela continuou me observando, quase divertida. — Começou a sentir um calor esquisito de repente?
Eu sabia exatamente o que estava acontecendo. Ela estava usando os poderes dela em mim, e isso de certa forma provava que ela estava ficando mais forte, ela me afetou sem nenhum contato físico. Um sorriso surgiu em seu rosto. Tentei manter o controle, mas era inútil. Meu corpo reagia antes que eu pudesse sequer pensar. A sensação aumentava a cada segundo, enquanto Gillian parecia perfeitamente consciente de cada reação minha.
— Para com isso — falei, já sentindo a minha cabeça girar.
Pedir para ela parar foi a mesma coisa que pedir para continuar. Aquele calor ficou mais intenso.
Sem aviso, virei o volante com um movimento brusco. O carro protestou com um guincho de pneus ao subir pelo acostamento, parando numa nuvem de poeira. Ainda tive um pouco de autocontrole para desligar o carro, a partir dali, foi a minha decadência moral.
Precisava foder Gillian e não podia mais esperar por isso.
Tirei tanto meu cinto quanto o dela e, no mesmo instante, minha mão direita disparou em direção a ela, agarrando-a pela cintura com uma força descomunal, a puxei para mim até ela pousar no meu colo. Consegui ouvir sua risada estridente, como se estivesse se divertindo com tudo aquilo.
Vadia, tinha acabado de falar que tínhamos um acordo para não fazer mais aquilo, e lá estava ela, repetindo a mesma coisa, o mesmo comportamento. Talvez eu fosse idiota o suficiente para continuar acreditando nela.
Cacei sua boca com a minha e ela reagiu com a mesma urgência que eu. Com uma mão, Gillian subiu o vestido e puxou a calcinha de lado, logo em seguida, desabotoou minha calça, desceu o zíper e arrancou meu pau dali.
Parecia que uma corrente elétrica atingiu meu corpo só de tocar em sua intimidade molhada. Parecia magnetismo a forma com que meu pau a penetrou, ela desceu lentamente até sentir minhas bolas batendo sua bunda. Aquela corrente elétrica ficou mais forte, agora parecia diretamente no meu cérebro, dissolvendo tudo ao redor e deixando apenas ela e eu. Aquele deslize perfeito e molhado que me fez prender a respiração. O calor dela me envolveu, me apertando numa concha apertada e úmida com seus fluidos.
Gillian pousou as mãos nos meus ombros, usando-os como apoio, e começou a subir e descer. O ritmo começou lento, um balançar um tanto delicado até deixar toda aquela sutileza de lado e passar a sentar com força. Enquanto a beijava, sentia todo meu corpo derreter em prazer. O carro começou a se mover com ela, fazendo até as molas do carro rangerem. Gillian não estava para brincadeira e eu parecia um consolo sexual vivo, um brinquedo para ela.
Pelo menos, era como eu me sentia.
Cada movimento dela era uma nova sensação, uma nova onda de prazer que subia pela minha espinha, percorrendo o sistema nervoso periférico, deixando até a ponta da minha unha sentir aquele tanto de prazer. Sentia que iria ter uma overdose de sexo a qualquer momento.
O seu cabelo caiu sobre o meu rosto, e eu inalei o seu perfume, o cheiro do seu couro cabeludo, o cheiro do sexo subindo no ponto de encontro de sua buceta e do meu pau.
— Me fala, quem mais poderia te proporcionar esse prazer? — ela sussurrou. — Ninguém! Nem em outro canto desse mundo você vai encontrar alguém que te faça sentir tanto prazer quanto eu.
Ela se tornou problemáticamente profissional em provocações, tanto que me fez parar de ficar passivo. Agarrei sua cintura e comecei a forçar mais seu corpo contra o meu enquanto movia como dava os meus quadris, querendo atingir o mais fundo possível dentro dela.
A cada segundo, Gillian passava a cavalgar mais forte, ela se levantava quase até meu pau sair, para depois descia com toda a sua força, fazendo os nossos ossos baterem e o carro balançar violentamente. O som da pele a bater na pele ecoava no interior do carro, um som harmônico, rítmico e completamente obsceno. Os gemidos dela começaram a escapar, baixos e controlados no início, depois mais altos, mais descontrolados. A cabeça dela estava agora arqueada para trás, a garganta exposta exibindo suas veias, o peito subindo e descendo com a respiração ofegante.
Eu estava perdido nas sensações, me sentia apenas um receptáculo para o prazer que ela me dava, um instrumento para o seu desejo.
Senti o momento antes dele acontecer. A contração começou nas pernas dela, um tremor que subiu rapidamente. A sua buceta me apertou de uma forma nova, desesperada, como se quisesse me sugar para dentro, se fundir comigo. Um grito rasgado escapou-lhe da garganta, um som puro de prazer, e senti a onda de calor a inundá-la. Ela estava gozando, o corpo dela convulsionando sobre o meu, a sua buceta pulsando em torno de mim numa sequência rápida de espasmos.
E foi justamente essa pulsação que foi o meu gatilho. A visão dela perdida no seu próprio orgasmo, o som do seu prazer, a sensação incontrolável do corpo dela apertando o meu, foi demais. O primeiro jato de porra foi violento, uma descarga que pareceu arrancar uma parte da minha sanidade. Gozei dentro dela, tingindo-a profundamente com o branco do meu esperma, pintando as paredes do seu útero com a minha essência, cada espasmo do meu corpo liberava mais e mais, até que não restou nada.
Quer dizer, somente a dor de cabeça e dores pelo corpo após o efeito daquela merda passar.
O silêncio dentro do carro pareceu ainda maior depois que tudo desapareceu. Respirei fundo, tentando recuperar o controle. Gillian saiu de cima de mim e voltou para o seu lugar, ajeitou o vestido e voltou a olhar pela janela.
— Está vendo? — ela perguntou calmamente. — Eu poderia fazer isso sempre que quisesse.
Passei a mão pelo rosto. Minha cabeça ainda estava pesada, e uma sensação estranha permanecia espalhada pelo corpo. Eu precisava de alguns segundos apenas para recuperar o fôlego e colocar os pensamentos novamente em ordem.
— Você precisa parar com isso — foi a única coisa que consegui dizer.
— Está bem, está bem!
— Temos um acordo?
— Temos, um acordo extremamente chato.
— Promete?
— Prometo! — ela revirou os olhos.
— Obrigado — respirei aliviado.
— Mas você também precisa entender uma coisa.
— O quê?
— Eu passei séculos sem ninguém para me dizer o que eu podia ou não fazer. Não estou acostumada com isso — havia algo genuinamente triste na maneira como ela falou. — Mas eu vou tentar, por você.
E pelo menos, naquele momento, achei que aquilo fosse suficiente.
