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Capítulo 2 — O Homem da Taça de Vinho (Parte 4)

Um conto erótico de Leandro Gomes
Categoria: Gay
Contém 2435 palavras
Data: 20/08/2026 23:39:51

Nos dias que se seguiram ao beijo, nenhuma declaração foi feita, talvez porque ambos soubessem, ainda que nenhum dos dois tivesse coragem de admitir, que certas coisas, quando recebem um nome, passam imediatamente a exigir explicações, compromissos e escolhas para as quais Akira, sobretudo, ainda não se sentia preparado.

Na delegacia, continuavam sendo apenas parceiros, pelo menos aos olhos dos outros, e talvez essa aparência de normalidade fosse conveniente para ambos, porque lhes permitia trabalhar juntos, conversar sobre os casos, dividir cafés e passar longas horas dentro da viatura enquanto atravessavam Pittsburgh, sem que ninguém precisasse saber que, por trás daquela relação profissional aparentemente simples, havia agora uma intimidade que começava a ocupar espaços cada vez maiores na vida de Akira.

Fora dali, entretanto, alguma coisa havia mudado. Damiano começou a aparecer na rotina de Akira sem pedir licença, mas também sem jamais parecer invasivo, como se tivesse descoberto uma maneira curiosamente natural de aproximar-se dele sem ameaçar os limites que o japonês havia construído ao redor de si depois da morte de Riku. Às vezes era apenas uma mensagem no fim do expediente, perguntando se ele havia chegado bem em casa; outras vezes, um convite para jantar ou uma xícara de café deixada sobre sua mesa antes que Akira chegasse à delegacia, acompanhada de algum comentário banal que, justamente por ser banal, acabava adquirindo importância.

E Akira percebeu, com um certo desconforto, que estava começando a esperar por aquelas pequenas coisas. Durante meses, sua rotina havia sido organizada em torno da ausência de Riku, de maneira que acordava pensando nele, trabalhava pensando nele, dormia pensando nele e, quando finalmente conseguia dormir, frequentemente despertava com a sensação de que aquela morte ainda não havia terminado, como se a tragédia tivesse acontecido não uma vez, mas todas as noites, repetindo-se dentro de sua cabeça enquanto o resto do mundo continuava indiferente.

Agora havia outra pessoa ocupando pequenos espaços dentro de seus dias. E, pela primeira vez desde o funeral, esses espaços não doíam. Talvez fosse justamente isso que mais o assustasse.

Certa noite, depois de um turno particularmente longo, Damiano apareceu ao lado da mesa de Akira enquanto ele ainda examinava um relatório, apoiando uma das mãos no encosto da cadeira e observando-o com aquele meio sorriso que parecia existir permanentemente entre a provocação e a gentileza.

— Você está indo para casa?

Akira fechou lentamente o relatório.

— Pretendo.

— Ótimo.

Akira ergueu uma sobrancelha.

— Ótimo?

Damiano pegou o próprio casaco, vestindo-o com a tranquilidade de quem já havia tomado uma decisão.

— Então podemos ir juntos.

Akira permaneceu alguns segundos olhando para ele, porque havia aprendido que, quando Damiano fazia aqueles convites com tanta naturalidade, era muito difícil descobrir onde terminava a brincadeira e começava a intenção verdadeira.

— Você sempre decide por nós dois?

— Quando você demora demais para decidir, sim.

Akira soltou uma risada baixa, quase involuntária, e balançou a cabeça.

— Convencido.

— Italiano.

— Isso não é desculpa.

— Para mim é.

Saíram juntos.

Do lado de fora, Pittsburgh estava úmida e fria, embora a primavera já tivesse começado oficialmente e os parques da cidade começassem a recuperar, pouco a pouco, as cores que o inverno havia roubado. O vento atravessava as ruas e carregava consigo o cheiro do rio, enquanto os primeiros carros da noite passavam pelas avenidas iluminadas e as luzes das pontes se refletiam sobre a água escura.

Damiano caminhava ao lado dele sem pressa, mantendo uma distância que parecia cuidadosamente calculada, próxima o bastante para que a presença de seu corpo fosse percebida, mas não tão próxima que pudesse ser interpretada como uma invasão.

Em determinado momento, seus ombros se tocaram. Foi apenas um contato breve, provavelmente acidental. Nenhum dos dois se afastou. Akira sentiu o próprio corpo reagir antes que pudesse impedir, e essa reação, tão simples e tão inconveniente, fez com que ele voltasse os olhos para a rua, fingindo interesse em qualquer coisa que pudesse distraí-lo.

Damiano percebeu. Akira tinha certeza disso. Mas o italiano não comentou, apenas continuou caminhando. E aquela capacidade de não transformar cada gesto em uma provocação era uma das coisas que mais confundiam Akira, porque ele esperava que Damiano fosse insistente, talvez até arrogante, considerando a maneira como haviam se conhecido, mas encontrava justamente o contrário: um homem que fazia um convite e sabia esperar, que percebia seus limites e parecia disposto a respeitá-los, como se não tivesse pressa alguma para chegar aonde quer que pretendesse chegar.

Akira esperava, talvez, que a atração desaparecesse quando passassem mais tempo juntos. Aconteceu justamente o contrário.

Na semana seguinte, o caso do empresário finalmente avançou, depois que uma nova testemunha apareceu e forneceu uma informação que permitiu à equipe encontrar uma conexão até então ignorada, e, quando o verdadeiro responsável acabou confessando depois que novas evidências foram apresentadas, o capitão fez questão de elogiar publicamente o trabalho da dupla.

— Eu sabia que funcionaria — disse ele, observando os dois com uma satisfação quase paternal.

Damiano sorriu. Akira apenas assentiu, ainda desconfortável com elogios que, desde a morte de Riku, pareciam sempre carregar consigo uma espécie de culpa.

Quando o restante da equipe se dispersou, o capitão chamou Akira com um gesto.

— Um minuto.

Akira entrou na sala e fechou a porta atrás de si.

— Está tudo bem?

A pergunta pareceu simples, mas Akira sabia que o capitão não estava falando apenas do caso.

— Melhor do que antes.

O homem apoiou os braços sobre a mesa e o observou por alguns segundos antes de responder.

— Você parece diferente.

Akira desviou os olhos para a janela, onde o reflexo das luzes da cidade se misturava ao vidro.

— Talvez eu esteja.

— Mais presente.

Akira permaneceu em silêncio. O capitão sorriu discretamente.

— Continue assim.

Akira saiu da sala sem perguntar o que exatamente o chefe havia percebido, embora aquela frase o acompanhasse enquanto atravessava o corredor e encontrava Damiano esperando por ele alguns metros adiante.

— Tudo bem?

— Tudo.

— Tem certeza?

Akira assentiu.

Damiano o observou por um instante, como se procurasse alguma coisa no rosto dele que não estivesse sendo dita em voz alta. Depois sorriu.

— Então vamos embora.

Naquela noite, Akira não foi diretamente para casa. Damiano o levou até um pequeno restaurante que ficava aberto até tarde, um lugar discreto, de poucas mesas, onde a iluminação amarelada tornava a noite mais íntima e fazia com que o movimento da rua parecesse existir a uma distância segura.

Pediram vinho, comida simples e, durante quase duas horas, conversaram sobre coisas que nada tinham a ver com homicídios, investigações ou cadáveres, como se ambos estivessem tentando construir, naquela mesa, um pequeno território onde o trabalho não pudesse entrar.

Foi ali, entre pratos quase vazios e taças que Akira bebia lentamente, que a conversa acabou chegando novamente a Riku.

— Você sente falta dele todos os dias? — perguntou Damiano.

Akira demorou a responder. Observou por alguns segundos o líquido escuro dentro da taça, como se pudesse encontrar ali uma resposta menos difícil do que aquela que precisava dar.

— Sim.

Damiano não desviou os olhos.

— Mesmo agora?

Akira ergueu o rosto.

— Principalmente agora.

Houve um silêncio breve, mas não desconfortável. Damiano pareceu compreender alguma coisa.

— É porque você está começando a viver de novo.

Akira não respondeu, embora aquelas palavras permanecessem dentro dele durante todo o caminho de volta.

Quando chegaram ao apartamento, já passava da meia-noite. Akira abriu a porta e permaneceu alguns segundos parado, enquanto Damiano continuava atrás dele, tão próximo que sua presença podia ser sentida sem que fosse necessário olhar. Nenhum dos dois falou. Não havia necessidade.

O silêncio entre eles havia adquirido outra qualidade, uma intimidade que já não precisava ser explicada, e Akira percebeu, naquele instante, que a distância que ainda existia entre os dois não era mais a distância entre colegas que escondiam uma lembrança inconveniente, mas aquela última fronteira que separa duas pessoas quando ambas sabem que estão prestes a permitir que o outro entre em uma parte da vida que mantiveram fechada durante muito tempo.

Eles se olharam nos olhos, como que vasculhando algo, enquanto lentamente, as mãos de Damiano começaram a agir quase que por conta própria, primeiro em um toque sutil no braço de Akira, depois subindo até seus ombros, e descendo pelas costas até repousar em sua cintura. O japonês sentiu um arrepio gostoso que percorreu sua coluna e fez seu pau pulsar dentro da roupa. Em questão de segundos, ambos estavam excitados, se beijando como dois apaixonados.

Akira conduziu o italiano até o sofá e ficaram ali aos beijos por um bom tempo, acariciando-se, tocando-se... Enfim, Akira desabotoou a calça do italiano e expôs seu pau ereto. Com muita destreza, ele se abaixou e colocou a boca no mastro, sentindo e engolindo cada centímetro. Damiano se recostou confortavelmente no sofá, jogando sua cabeça para trás, e enquanto era chupado, acariciava os cabelos negros do japonês. Aos poucos ficaram completamente nus.

Damiano posicionou o japonês de bruços no sofá e com a língua explorou seu cu com tanta volúpia que Akira não conseguiu conter seus gemidos. Cada linguada fazia seu corpo ardem de tesão e seu pau pulsar e começar a babar.

— Finalmente reencontrei você. Não esqueci você desde aquela noite. — Sussurrou Damiano no ouvido de Akira enquanto esfregava seu pau no cu dele.

Akira apenas gemia, seu tesão sendo intensificado com a voz de Damiano em seus ouvidos.

Após longas preliminares, Akira se levantou e foi até o quarto, e voltou com lubrificante e preservativos. Damiano pegou um deles e encarou sua rola enquanto Akira lubrificava seu próprio cu. Ele então deitou-se de lado, à frente do italiano e abriu as nádegas. Damiano colocou a rola na entrada e apenas pincelava — fazia isso sempre como estratégia para fazer o cu do seu parceiro relaxar. Aos poucos o pau dele foi sendo engolido até que chegou à base. Ele abraçou Akira por trás e beijou seu pescoço, suas costas, acariciou seu corpo todo, para então começar com estocadas leves e profundas, mantendo o pau todo dentro. Akira por sua vez, rebolava na vara deliciosamente, sentindo sua glande tocar fundo em si, causando-lhe um prazer absurdo, a ponto de ele não ousar se masturbar.

Damiano saiu dele e pegou outro preservativo para encapar seu pau, e então lambuzou seu cu com lubrificante e esperou ser penetrado de quatro. Akira estava pronto para tomar a mesma atitude do outro — iniciar lento e acelerar as estocadas, mas Damiano soltou logo um “Me fode com força” que ele não teve como recusar. Tão logo estava dentro do italiano, e as estocadas fortes se iniciaram. Akira segurou-se nos ombros de Damiano e socou o mais forte que pode, sem os exageros dos filmes de gangbang.

Akira então se deitou de costas no sofá e o italiano sentou em seu pau de costas para ele. O japonês o segurou pela cintura e acelerou as estocadas. Nenhum dos dois, especialmente Akira, se importava mais com os gemidos ou os barulhos típicos de uma boa trepada. O apartamento se incendiou com o cheiro de sexo, suor e o barulho das carnes se chocando.

Damiano foi o primeiro a gozar. Os jatos de porra saíram fortes, atingindo sua própria boca e pescoço. Akira sentiu as contrações anais dele e gozou em seguida, enchendo a camisinha de porra espessa. Ofegantes, eles se deitaram lado a lado enquanto se beijavam carinhosamente.

__________

Quando Damiano foi embora e ele ficou sozinho, Akira caminhou até a janela do quarto, e permaneceu ali durante algum tempo, observando as luzes espalhadas pela cidade enquanto o silêncio da madrugada tomava conta do apartamento.

Pegou o telefone e abriu uma fotografia antiga de Riku. Os dois apareciam adolescentes, sentados no chão da sala, cercados por caixas de jogos e controles de videogame, sorrindo para a câmera com aquela despreocupação própria de quem ainda acredita que a vida será longa o suficiente para permitir que todos os erros sejam corrigidos.

Akira ampliou a imagem. Observou demoradamente o rosto do irmão. E percebeu que não sentiu apenas dor. Sentiu saudade. Era diferente. Talvez fosse exatamente aquilo que o psiquiatra tentara lhe explicar durante tantas sessões: a dor não desapareceria, porque determinadas perdas não desaparecem, mas ele poderia aprender a carregá-la sem permitir que ela carregasse também o restante de sua vida.

Akira apagou a tela e deixou o telefone sobre o criado-mudo. Deitou-se e, depois de algum tempo, adormeceu.

Naquela madrugada, porém, voltou a sonhar. Riku estava diante dele, mais jovem, talvez com dezessete anos, vestindo a mesma camiseta escura que aparecia em uma das últimas fotografias que Akira guardava em casa, mas havia alguma coisa estranha naquela imagem, porque o cenário ao redor não correspondia a nenhuma lembrança que Akira conseguisse reconhecer.

Chovia. Uma luz vermelha piscava ao fundo. Havia o ruído distante de um motor funcionando. E alguém dizia alguma coisa. Akira tentou aproximar-se.

— Riku!

O irmão virou o rosto. Seus lábios se moveram, mas nenhuma palavra saiu, e, quando Akira deu mais um passo, tentando desesperadamente ouvir aquilo que ele queria dizer, um carro preto atravessou a rua em alta velocidade. O sonho terminou.

Akira acordou sentado na cama, respirando com dificuldade, o coração disparado e a camiseta colada às costas pelo suor. Durante alguns segundos, permaneceu imóvel, tentando distinguir aquilo que pertencia ao sonho daquilo que ainda permanecia na memória, porque havia alguma coisa naquela imagem que lhe parecia estranhamente familiar, embora não conseguisse identificar o quê.

Ele já tivera muitos sonhos como esse, mas havia alguma coisa diferente naquela noite. Uma sensação vaga, incômoda, quase imperceptível, como se uma porta dentro de sua própria memória tivesse sido aberta apenas o suficiente para deixá-lo perceber que existia alguma coisa do outro lado.

Akira passou as mãos pelo rosto e olhou para o relógio: 03:17 h. Levantou-se, caminhou até a cozinha e bebeu água, permanecendo depois diante da janela enquanto as primeiras luzes da madrugada começavam lentamente a surgir entre os edifícios.

Durante meses, acreditara que aqueles pesadelos eram apenas consequência do trauma, imagens desordenadas produzidas por uma mente incapaz de aceitar a perda. Naquela manhã, entretanto, uma possibilidade diferente começou a incomodá-lo. E se aquilo não fosse apenas um sonho? E se, escondida em algum lugar da memória, existisse uma lembrança que ele havia esquecido?

Akira fechou os olhos. Tentou reconstruir a última conversa que tivera com Riku, mas não conseguiu. E foi justamente essa incapacidade que o deixou inquieto. Porque, desde a morte do irmão, Akira não pensou apenas na falta que Riku fazia. Pensou na própria noite em que ele morreu. E, embora ainda não soubesse explicar por quê, alguma coisa dentro dele começava a dizer que havia perguntas que jamais haviam sido feitas.

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Comentários

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O que será que foi esse vislumbre?? Será que Damiano tem a ver?

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