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FERNANDO (II)

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Um conto erótico de Claudio_New
Categoria: Homossexual
Contém 1466 palavras
Data: 20/07/2026 08:13:31

– Olha, Nando, você sabe que nossa amizade, no exército, foi muito, muito importante para mim. Eu estava saindo de um mundo totalmente protegido para um espaço que me assustava, e eu não me sentia forte o bastante para sobreviver ali. Então ter conhecido e me aproximado de você foi de fato a minha salvação, nossa amizade me preparou para a vida ali dentro e para quando eu saísse dali. (Eu parara o carro embaixo de uma frondosa árvore, na beira da estrada, e conversávamos virados um para o outro, olhando-nos nos olhos). Mais do que tudo, éramos confidentes, e nunca mais na vida encontrei alguém em pudesse confiar tanto e com quem pudesse me abrir tanto.

Fernando fez um gesto de modéstia e se preparava para falar, mas cortei seu ímpeto, tocando involuntariamente na sua coxa – sentir a maciez daquela pele me abalou um pouco, mas me deu mais força para continuar.

– Não, não... Deixa eu falar tudo de uma vez, senão vou perder o fiapo de coragem que está me movendo. Depois você comenta. (“Tá bem!”, ele respondeu). Éramos confidentes, mas eu não contei tudo, tudo, tudo da minha vida, como dois amigos confidentes costumam contar. (Seus olhos não piscavam, postos, ansiosos, em mim). Teve um segredo que eu sempre tive medo de contar; medo da sua reação; medo de perder o amigo... E, puta que pariu, estou me cagando de medo ainda agora – e não tenho mais dezoito anos.

– Que é isso, Clau... Pode falar – ele me incentivava com a mão sobre as minhas mãos. Havia tremor nesse toque.

– A verdade, Nando, é que... eu sempre senti algo mais forte do que amizade por você. Eu sempre fui apaixonado por você. Eu gostava de homens já naquele tempo, mas vivia trancafiado num armário, e não me abria pra ninguém. Nem para o meu melhor amigo, por quem eu estava apaixonado. Quando eu te via sem roupa, nos banheiros, eu só faltava me acabar de ansiedade e eu quase falava; mas ficava com medo e corria para meu quarto, para bater uma punheta e ter você em mim pelo menos na minha imaginação...

Fez-se um silêncio esquisito e longo entre nós. Pela primeira vez, flagrei lágrimas nos olhos de Nando. Ele falou:

– Eu sempre gostei muito de você, Clau. Você passava uma tranquilidade e uma paz imensa, no seu jeito quieto, tímido. Eu me sentia meio como um protetor para você. Eu gostava de estar com você, tinha horas que me dava vontade de pegar você com carinho e enchê-lo de beijo, como eu fazia com meus brinquedos, quando era criança. Mas a sua fragilidade me segurava, me reprimia, eu tinha medo de machucar você. E como você era muito reservado em relação a isso, eu também não me sentia a vontade para tocar nesse assunto, para você não pensar que eu estava apenas a fim de comer você e aí se afastar de mim. (Eu pensava, enquanto ouvia sua narrativa, quanto deixamos de viver as coisas mais belas da vida, por absoluta falta de comunicação... Caralho!)

– É que eu tinha medo de revelar minha homossexualidade num ambiente tão hostil... Como eu ia ter coragem de dizer que era gay num lugar tão machista.

Fernando revelou, rindo discretamente:

– A maioria dos caras ali eram, Clau. Eu mesmo comi vários deles. Lembra de Murilo?

– Putz, aquele grandão, com cara de poucos amigos, que arrumava briga com todo mundo?!

– Ele mesmo... Doido por uma rola. Fodi o cu dele várias vezes.

Cacete! Como eu era ingênuo! Eu estava tão voltado para meus próprios complexos e problemas, com medo de me revelar, que não percebia que, ao redor, outros tantos tinham as mesmas taras que eu. Só que eles foram mais corajosos e tiveram, entre suas carnes, a vara que eu passei um ano ansiando para ter dentro de mim.

A essa altura, estávamos, feito dois contorcionistas, abraçados dentro do carro. E finalmente eu tive coragem de me aproximar daqueles lábios e os beijar com a intensidade de anos e anos de distância, de saudade e de desejo. Tive a suprema coragem de roçar minha mão nos mamilos de Nando, por baixo da camiseta, e de acariciar suas coxas, tocando-lhe e sentindo sua rola dura, por cima da bermuda.

– Passamos por um motel, lá atrás – ele falou, a voz meio trêmula.

Soltei-o imediatamente e pus o veículo em movimento. Fiz a volta e em minutos estávamos dentro do quarto. Meu olhar se derramava em ternura por sobre o homem a quem finalmente eu iria me entregar. O mesmo olhar terno recaía sobre mim. Então nos aproximamos e começamos a nos tocar, cada parte do corpo, delicadamente, como a tentar resgatar as sensações de tantos anos atrás. Aos poucos nossas roupas saíam, e nossas mãos vadiavam pelo corpo do outro. Senti sua mão forte passeando pelas minhas costas, minha bunda, mexendo no meu cu, fazendo-me gemer. Sua rola, de tão rígida, levantava a cueca, mostrando os aparados pelos pubianos.

Finalmente nus, abraçamo-nos, sentindo nossas peles se roçarem, eriçadas e nossas rolas duras em involuntário embate. Então me abaixei, como quem se ajoelha diante de um deus, acariciei um tempo sua rola, passava-a carinhosamente pelo meu rosto, sentia-lhe o cheiro, fui tocando-a com a língua e colocando-a na boca. Eu fechava os olhos e sentia, por fim, o gosto da rola que eu flagrava sob os chuveiros do quartel. Chupava-a com frenesi, querendo mesmo engolir aquele mastro de prazer, enquanto Nando gemia forte.

Aproximamo-nos da cama e desabamos, eu por cima dele e voltando a beijá-lo. Então escorreguei de lado e fui me pondo de bruços. Ele alcançou meu cu com sua língua e passou a enfiá-la e a sugar minhas pregas. Eu me rebolava e dizia obscenidades àquele macho que preparava o caminho de sua tora.

E afinal, sei lá quantos anos depois, eu realizava um dos meus desejos mais recônditos. Eu tinha sobre meu corpo, o corpo do homem que eu amava, que eu sempre desejei me cobrir. Eu sentia agora a penetração cuidadosa daquela rola com a qual sonhei ansiosamente por um ano, aos dezoito. E era uma sensação indescritível ter aquela vara se enfiando por entre minhas pregas – eu abria mais as pernas, expondo ao máximo meu buraco, para que meu amado pudesse entrar mais e mais.

Nando me dizia coisas tão lindas ao ouvido, enquanto me estocava! Gemidos misturados a palavrões, insultos mesclados com elogios, e confidenciava quantas vezes, no quartel, teve premente vontade de me comer.

Nossa primeira foda foi assim, de movimentos cadenciados, de suor, calor e palavras desconexas, confissões e gemidos. Até que senti minha rola rocha babar sob mim, e sem demora o prazer elétrico se concentrar na minha genitália e o molhado de meu sêmen avançar pela minha barriga, meu cu se movendo a cada ejaculação. Esses movimentos foram fatais para a rola que me comia – Nando não segurou mais e seu ganido forte, o aperto dos seus braços sob meus ombros e os jatos se espalhando dentro de mim refletiram o mais sublime dos gozos que pude ver e sentir na minha vida.

Meu homem gozava em mim, sobre mim, eu também gozava e sentia algo inédito em tantos anos de vida. Eu estava finalmente acertando contas com um passado cruel, que me sonegou algo que teria sido fundamental para mudar minha vida para sempre. Agarrei-me ao corpo de Nando, ele ao meu, e assim ficamos, nossas rolas meladas e pingando, seu leite descendo do meu cu, abraçados fortemente, sentindo inteiramente um ao outro, o cheiro do outro, o quanto a gente se amava.

Não sei exatamente quanto tempo permanecemos ali. Quantas vezes mais transamos, quantas gozamos e fizemos o outro gozar, a infinidade de vezes que nos beijamos, nem o gostoso banho que finalmente partilhamos. Comemos alguma coisa, ainda nus, derramando nosso olhar sobre o outro. E rindo sem ter de quê – de felicidade somente. Depois vestimo-nos e partimos.

Estávamos leves, falávamos bobagens de tudo e de nada, visitávamos o passado, perguntávamos sobre colegas do quartel, ríamos e ríamos... Trocamos nossos números e prometemos não nos perdermos mais de vista e jamais nos deixarmos de foder (enquanto o corpo permitisse – brincamos). Até que o deixei na cidade para onde ele ia, depois de mais e mais abraços, beijos e roçadas de rola e cu; segui viagem, bestamente feliz, nem imaginando na desculpa que eu daria ao chegar tão imensamente atrasado ao compromisso de trabalho.

À noite, no quarto do hotel, ainda sentindo no corpo o cheiro e as carícias de Nando, impregnados na minha alma, surpreendi-me mais uma vez com seu rosto na TV. Fora assassinado numa cidade vizinha, por um ex-comparsa, num provável acerto de contas. O cara pode querer sair do crime, mas o crime é muito grudento – filosofou babacamente o repórter, ao encerrar a reportagem.

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