A rotina de Juju no Rio de Janeiro era uma sinfonia de alto desempenho, estética milimétrica e um hedonismo que não pedia licença, mas que exigia uma disciplina de ferro que Joaquim jamais imaginaria possuir. O sol mal surgia no horizonte, tingindo o Cristo Redentor de um laranja pálido e quase irreal, e ela já estava na academia mais exclusiva de Ipanema, um templo de vidro e aço onde o suor tinha cheiro de perfume francês e o tilintar das anilhas era a banda sonora da sua ascensão social. Juju não treinava apenas por vaidade ou para alimentar os seus milhões de seguidores; ela treinava com uma fúria biológica, como se cada repetição fosse um tributo necessário à magia azul que a transformara. Sob o olhar atento e deliberadamente lascivo de Ricardo, o seu fiel escudeiro e empresário, ela executava agachamentos pesados que faziam os homens à volta — muitos deles atletas de elite e "bodybuilders" profissionais — pararem qualquer exercício para observar o fenómeno. Não era apenas a carga impressionante; era a forma como a sua musculatura se contraía sob a pele canela, desenhando relevos de puro poder, simetria e uma densidade que parecia impossível para alguém tão feminino.
Para os treinos matinais, ela adotara uma estética que era puro veneno visual para qualquer um que cruzasse o seu caminho. Juju usava tops brancos de tecido tecnológico, propositalmente finos e ultrajustos, que moldavam cada curva do seu busto com uma precisão cirúrgica. À medida que o treino avançava e a temperatura corporal subia, o suor encharcava o tecido, tornando o branco levemente transparente, como uma segunda pele húmida. O resultado era uma provocação silenciosa e mortal: o contorno exato dos seus seios fartos, empinados e naturalmente firmes tornava-se visível, com as aréolas desenhadas sob a humidade do pano, desafiando a gravidade e o bom senso dos presentes. Ela alternava os penteados com a precisão de uma estilista de alta costura: ora aparecia com tranças boxeadoras impecáveis que realçavam a linha agressiva e elegante do seu maxilar, ora com um coque alto e despojado, deixando a nuca úmida, vulnerável e intensamente atraente à mostra.
As academias eram o seu verdadeiro campo de caça, o seu coliseu particular. A "azaração" não era apenas um passatempo; era uma validação constante e necessária da sua nova natureza predatória. Juju desenvolvera um gosto específico por homens que exalassem uma virilidade bruta e descomunal: os chamados "marombas" de ombros largos, pescoços grossos, veias saltadas nos antebraços e aquele olhar predatório que ignorava qualquer subtileza. Ela adorava o contraste visual e físico da sua estatura baixa e delicada contra esses blocos de músculos maciços; sentia-se como uma joia preciosa sendo cobiçada por feras. Para "dar mole", ela usava uma técnica refinada de manipulação: pedia ajuda para ajustar uma carga propositalmente impossível num aparelho, ou "invadia" o espaço de descanso de um alvo específico, bebendo água de forma lenta e deliberada, deixando as gotas geladas escorrerem pelo pescoço até se perderem no decote do top branco transparente, mantendo um contacto visual profundo e felino que prometia tudo e não pedia absolutamente nada em troca.
A psicologia da sua caça era metódica. Juju não procurava romance, procurava impacto. Ela escolhia homens que representassem o oposto da fragilidade intelectual de Joaquim: seguranças de elite, lutadores de jiu-jitsu com orelhas de couve-flor e instrutores de musculação que viviam sob o efeito de dietas extremas. O clima com esses exemplares de virilidade bruta muitas vezes ficava insuportável entre uma série de leg press e outra, carregado de uma eletricidade sexual que podia ser sentida por quem passasse perto. Juju adorava este jogo de poder, este flerte pesado onde o cheiro de testosterona, suor e ferro se tornava um afrodisíaco mais potente que qualquer droga. O resultado era quase sempre um ritual de libertação carnal imediata: um boquete frenético, voraz e suado dentro de um SUV de vidros escuros no estacionamento subterrâneo, onde ela se ajoelhava com uma naturalidade desconcertante sobre o couro caro, ou uma escapada de trinta minutos para um motel de alta rotatividade ali perto, onde ela saciava a sua fome de pele e impacto antes de voltar para a sua fachada de luxo.
— Juju, você é uma loba faminta, garota! — Ricardo zoava sem qualquer pudor, enquanto entravam no carro com ela ainda ajeitando as tranças desfeitas pelo esforço e retocando o gloss borrado. — E o melhor de tudo é a sua regra de ouro, que eu aplaudo de pé: você não repete prato! É muito safada mesmo, não dá conta de um homem só por mais de uma noite. O Rio de Janeiro vai ficar pequeno para tanta libido e tanta testosterona consumida, Amapô!
Juju apenas ria, sentindo a pulsação do seu corpo ainda vibrar com a adrenalina do encontro. A sua liberdade era total, absoluta e, acima de tudo, segura. Com o uso rigoroso de PrEP e o seu DIU de cobre, ela vivia o sexo "no talo", explorando cada fetiche e cada desejo sem as amarras, os medos ou as culpas que travavam o antigo e reprimido Joaquim. Ela era a dona absoluta do seu prazer; escolhia o alvo com um olhar gélido, usava-o até à exaustão física e descartava-o sem sequer se dar ao trabalho de perguntar o nome ou pedir o número de telefone. Para ela, aqueles homens eram como as máquinas da academia: serviam para um propósito específico de desgaste muscular e prazer, e depois eram deixados de lado para o próximo utilizador.
Mesmo quando estava sozinha na sua penthouse monumental no Leblon, Juju não deixava de celebrar a sua transformação radical. Os seus momentos de solidão eram, na verdade, rituais de autoadoração narcísica. Ela passava horas nua, caminhando sobre o mármore frio da sala, observando como a luz dourada do final da tarde realçava as curvas impossíveis dos seus glúteos monumentais nos espelhos do teto ao chão estrategicamente posicionados. Ela explorava o próprio corpo com uma curiosidade que misturava ciência e um deleite sensorial profundo, tocando a seda da sua pele canela, sentindo a firmeza das coxas que podiam esmagar um homem e a sensibilidade extrema dos seios que o génio lhe dera. Era como se ela precisasse de se tocar constantemente para acreditar que aquela perfeição plástica era real, masturbando-se diante da vista panorâmica do mar, gozando repetidamente enquanto imaginava o próximo "prato" muscular que devoraria na manhã seguinte. Ela adorava o próprio cheiro, a própria textura e a forma como o seu corpo reagia a cada estímulo, tornando-se a sua própria amante mais fiel e dedicada.
Entretanto, o sucesso comercial trazia um amargor intelectual que começava a corroer a sua paciência. As campanhas publicitárias continuavam a explorá-la como um objeto inanimado, um manequim de carne e osso sem pensamentos próprios. Nas sessões de fotos, os fotógrafos pediam-lhe "menos cara de quem está a pensar e mais cara de quem quer ser comida", uma instrução que a fazia ferver por dentro. O rótulo de "loirinha burra e fútil" a perseguia em cada set de filmagem e em cada jantar de negócios, apesar de as memórias de Joaquim — o homem que lia clássicos em latim e dominava a lógica burocrática — gritarem por reconhecimento dentro dela. Ela amava os vestidos de paetês mínimos e as maquiagens noturnas carregadas, com smokey eyes que faziam os seus olhos azuis brilharem como joias sintéticas, mas sentia uma náusea crescente ao perceber que ninguém se importava com o que ela tinha para dizer.
Na noite da lua cheia, o génio materializou-se no seu escritório de mármore, flutuando preguiçosamente sobre uma pilha de revistas de moda onde ela era a capa. — O que foi agora, Juju? A coroa de musa está a pesar demais na tua cabecinha loira? — zombou ele, soprando uma fumaça púrpura que cheirava a incenso e perigo.
— Eu quero ser respeitada pela minha inteligência, génio! — ela disparou, batendo com força a mão na mesa de vidro. — Quero que vejam que eu sou genial, que domino a ciência por trás de cada fibra deste corpo que tu criaste. Quero ser vista como uma autoridade incontestável, alguém que as pessoas ouçam com reverência e medo, não apenas com desejo! Quero calar a boca de cada produtor que me trata como um pedaço de carne premium.
O génio soltou aquela risada metálica que ecoava como vidro a partir-se em mil pedaços. — Inteligência e respeito... Um pedido clássico e perigoso. Concedido, Juju. Mas lembra-te: a mente brilha, mas a forma como o mundo te vê é uma lente distorcida que tu não controlas. A autoridade é um manto que nem sempre cobre o que tu queres esconder. Vemo-nos no próximo ciclo lunar.
No dia seguinte, a transformação mental foi aterradora na sua precisão e rapidez. Ao abrir um simples briefing para uma nova linha de cosméticos e suplementos, Juju não viu apenas frases de marketing baratas; ela viu a química fundamental da vida. Cadeias moleculares, ligações de hidrogénio, reações enzimáticas e processos metabólicos complexos começaram a dançar diante dos seus olhos como se fossem legos. Ela tornou-se, num estalar de dedos, uma autoridade máxima em biologia celular, endocrinologia e cosmetologia funcional. Ela agora compreendia a síntese proteica não como um conceito de ginásio, mas como uma partitura molecular de precisão divina.
Na reunião de lançamento da sua linha de maquiagens "Juju Gold", ela deixou os químicos seniores da empresa em choque absoluto. O CEO da marca esperava que ela apenas sorrisse e segurasse o batom para os fotógrafos, mas Juju assumiu o comando do projetor. Com uma voz firme, técnica e gélida, ela corrigiu fórmulas de estabilidade química, citou a biodisponibilidade de aminoácidos e explicou a farmacocinética da absorção dérmica com uma clareza que nenhum doutorado presente conseguia acompanhar. Ela desconstruiu o polímero da concorrência com uma agressividade intelectual que deixou o conselho administrativo pálido.
A sala mergulhou num silêncio sepulcral e desconfortável. Os homens, que segundos antes estavam a trocar olhares discretos e comentários baixos sobre o decote do seu vestido de seda que mal continha a pressão do seu peito, agora a encaravam com um medo profissional genuíno, quase pânico. Eles não sabiam como reagir a uma deusa que falava como um prémio Nobel. Mas a "pegadinha" do génio foi literal e cruel, como sempre. Juju agora era ouvida e respeitada... mas apenas no que dizia respeito a cremes, batons, pós proteicos e "shape". Ela era a "Musa Bióloga", a "Doutora das Curvas". Se ela tentasse falar sobre o mercado financeiro, política internacional ou filosofia existencialista, o interesse dos interlocutores desvanecia num segundo, substituído por sorrisos condescendentes e um "isso não é para você, querida". A sua inteligência fora confinada a uma jaula dourada de futilidade técnica. Ela era uma autoridade, sim, mas apenas naquilo que servia para deixá-la — e às outras mulheres — mais bonitas e desejáveis para o consumo masculino.
Para testar a extensão e os limites da sua nova "autoridade", Juju foi a um pequeno mercadinho de bairro no final da tarde, vestindo apenas um short jeans curtíssimo que mal cobria o necessário e uma camisola de alças básica que lutava para conter os seus seios sob o calor húmido do Rio. Enquanto tentava explicar ao caixa sobre uma inconsistência óbvia no sistema de tributação e cálculo de juros compostos que ele mencionara ao reclamar dos preços da distribuidora, o homem apenas a olhou de cima a baixo com um sorriso babão e vazio. — Tá bom, boneca. Deixa que eu cuido das contas difíceis aqui, o seu negócio é outro, bem mais interessante — ele disse, com uma piscadela vulgar, enquanto os seus olhos desciam descaradamente para as pernas grossas e torneadas de Juju que brilhavam com o suor. — Você só precisa de se preocupar em continuar a postar aquelas fotos de biquíni na praia, que é para isso que você nasceu. Um cérebro desses devia estar focado em escolher a cor do próximo fio dental.
Frustrada, furiosa e sentindo-se humilhada na sua nova e inútil genialidade, ela voltou para a penthouse. Ela percebeu que a sua inteligência era tratada como um "truque de circo" — algo impressionante para uma mulher da sua aparência, mas não algo para ser levado a sério fora do contexto da beleza. À noite, o brilho púrpura do génio surgiu no reflexo da imensa janela da varanda, sobrepondo-se às luzes do Leblon. — Gostou do respeito, Doutora? — ele riu, materializando-se sentado no sofá de veludo com um ar de deboche absoluto. — Você é detalhista na ciência, Juju, mas esqueceu-se de um detalhe humano: o mundo só quer a fórmula do gloss perfeito vindo de uma boca como a sua. Ninguém quer ouvir um génio a falar de economia se esse génio tiver o rabo mais famoso do Instagram. O respeito que eu te dei é proporcional à área onde o teu corpo habita.
— Por que é que eles não me ouvem sobre mais nada?! Eu tenho o cérebro de um génio absoluto agora! Eu podia resolver crises globais! — ela gritou, as lágrimas de raiva borrando a sua maquiagem impecável que ela mesma agora sabia descrever molecularmente.
O génio deu uma gargalhada que pareceu fazer as luzes da cidade lá fora piscarem como se houvesse uma queda de tensão. — Eu dei exatamente o que tu pediste, Juju: respeito pela tua inteligência técnica na tua área de atuação. Mas olha para ti... com essa carinha de anjo safado, com esse corpo que faz os homens perderem o juízo e a capacidade de raciocínio... para o resto do mundo, tu continuas a ser apenas uma "gostosinha". Os cientistas e empresários podem até fingir que ouvem o que tu dizes nas reuniões porque tu dás lucros de milhões, mas o olho deles? O olho vai direto para os teus peitos enquanto tu dás a aula de biologia. Tu és uma autoridade científica embalada em papel de presente erótico. Fora do teu pequeno e lucrativo reino de futilidade, tu ainda és apenas a loira que todos querem levar para a cama, não para um debate intelectual. Eles respeitam a "Doutora do Shape", não a mulher que pensa.
Juju sentiu o gosto amargo da verdade ácida que nem a sua nova bioquímica conseguia neutralizar. Ela era genial, sim, mas a sua mente brilhante estava agora irremediavelmente algemada à sua própria estética avassaladora. O génio cumprira o desejo de forma literal, mas deixara-a presa num paradoxo cruel: quanto mais inteligente ela era sobre a sua própria biologia e sobre como otimizar a sua beleza, mais o mundo a via apenas como uma biologia perfeita a ser consumida visualmente. A sua voz técnica era apenas o som que acompanhava a imagem que todos queriam possuir. Ela era uma enciclopédia trancada num quarto de motel de luxo.
— Prepara-te para o próximo ciclo, Juju — continuou o génio, a sua voz tornando-se um sussurro etéreo enquanto ele sumia no ar, deixando apenas o cheiro de ozono. — A tua inteligência é vasta, mas o teu corpo ainda fala muito mais alto que a sua voz. E da próxima vez que nos virmos, vais ter que decidir se queres ser a mestre da tua ciência ou a escrava dos seus desejos, pois o que está por vir vai exigir que uses esse cérebro de génio para algo muito mais sombrio do que escolher a cor de um batom ou a estabilidade de uma base.
Juju ficou sozinha na escuridão da penthouse, olhando para o reflexo do seu corpo perfeito no vidro. Ela percebia que, no fundo, uma parte sombria de si ainda adorava o poder absoluto que aquele olhar masculino de desejo lhe conferia, criando um conflito interno que nem a maior genialidade do mundo conseguiria resolver. Ela era um génio preso numa deusa, e ambos estavam com fome de algo que a lógica não explicava. Enquanto acariciava a própria coxa, sentindo a perfeição das fibras musculares que agora sabia descrever em latim e em química orgânica, ela percebeu que o gênio já estava a planear o próximo passo da sua "educação", e que o seu novo conhecimento biológico a levaria a notar algo muito estranho e fascinante a pulsar sob a sua pele imaculada no próximo ciclo lunarPessoal, voltei, a correria esse mês está muito acima da média, mil perdões pela demora, espero postar os últimos dois essa semana ainda, espero que estejam curtindo, beijinhos, say
