Nós dois entramos no Clube Privé Imperial. O interior era impressionante. O piso de mármore brilhava sob a iluminação indireta, combinado com madeira nobre nas paredes e detalhes dourados discretos. O ar tinha um perfume suave de luxo. À nossa direita ficava a recepção privativa, onde recepcionistas bem-vestidos atendiam os convidados. À frente, o lounge principal com sofás de alto padrão, um bar exclusivo repleto de bebidas importadas e um restaurante de culinária internacional ao fundo. Pelo corredor víamos o acesso ao terraço com vista panorâmica, à piscina aquecida cercada por jardins e à área de spa.
Mal tínhamos dado alguns passos e Henrique apareceu, vindo em nossa direção com um sorriso confiante. Ele estava impecável em um terno sob medida, com a barba bem aparada e os olhos azuis destacando-se.
— Alisson! Carol! Que bom que vieram — disse ele, estendendo a mão para mim com um aperto firme e depois cumprimentando Carol com um beijo no dorso da mão.
Ele parecia satisfeito em nos receber pessoalmente no clube.
Nós dois então fomos acompanhando Henrique. O clube estava cheio de pessoas, a maioria rica e bem vestida — empresários, executivos, socialites e alguns rostos conhecidos da alta sociedade. O ambiente era sofisticado, com música ambiente suave ao fundo.
Henrique nos apresentou cada espaço do clube com orgulho: o lounge principal com sofás luxuosos, o bar exclusivo onde bartenders preparavam drinks premium, o restaurante de culinária internacional, a adega climatizada, o terraço com vista panorâmica da cidade e a piscina aquecida cercada por jardins iluminados. Tudo transmitia exclusividade e bom gosto.
Depois, ele nos levou para uma área mais reservada. Henrique acessou a porta usando biometria e reconhecimento facial. Entramos em um salão privado elegante, com iluminação mais intimista, sofás confortáveis e uma vista privilegiada.
Ele nos convidou a nos sentar em uma mesa reservada. Nós três ficamos ali batendo papo descontraído — falando sobre negócios, a nova sociedade e planos futuros.
Até que a porta se abriu novamente e Alex e Júlia chegaram. Meu irmão me viu e se espantou:
— Alisson? Carol? Vocês aqui?
Júlia sorriu ao nosso lado, com um olhar que misturava surpresa e algo mais.
Henrique sorriu e anunciou:
— Júlia e Alex, aqui estão nossos novos sócios.
Eu ainda estava bravo com o que tinha visto — Júlia traindo meu irmão. Cumprimentei Alex com um abraço forte e disse:
— Que bom te ver, irmão.
Em seguida, encarei Júlia por um segundo antes de cumprimentá-la também, com um aceno frio e educado.
Henrique continuou, animado, virando-se para Alex:
— O contrato que o Alisson assinou está fechado. A loja vai sair do papel.
Alex ficou com a cara fechada, claramente surpreso e incomodado com a notícia.
Henrique, alheio à tensão ou ignorando-a de propósito, pegou uma garrafa de champanhe, abriu com um estalo e serviu as taças, dizendo em tom solene:
— Hoje será o início de uma nova jornada em nossas vidas, principalmente na dos meus amigos aqui.
Ele apontou para mim e Carol com um sorriso largo.
Nos cinco jantamos juntos em uma mesa reservada no restaurante do clube. O jantar foi chique e sofisticado: entrada de carpaccio de salmão com molho cítrico, risoto de parmesão com trufas negras e filé mignon ao molho de vinho tinto, acompanhado de vinhos importados selecionados. A louça era fina, os talheres de prata e a iluminação baixa criava um ambiente íntimo e elegante.
Durante o jantar, Henrique elogiava bastante nossa postura:
— Vocês formam um casal impressionante. Vejo determinação, união e elegância. Isso é raro hoje em dia. Parabéns, Alisson, por ter uma mulher como a Carol ao seu lado. E Carol, você tem uma presença que chama atenção de forma natural.
Carol sorria educadamente, um pouco constrangida com os elogios constantes.
No meio do jantar, uma música lenta e romântica começou a tocar no salão, perfeita para dançar como casal. Henrique se levantou, estendeu a mão para Carol e disse, sem esperar minha resposta:
— Me dá essa honra?
Ele puxou suavemente a mão de Carol e a levou para a pista de dança. Os dois começaram a dançar colados, movendo-se devagar ao som da música.
Júlia se levantou logo em seguida e disse:
— Vou pegar uma champanhe.
Eu e Alex ficamos sentados, olhando Henrique e Carol dançando. Meu irmão quebrou o silêncio e perguntou, sério:
— Como isso aconteceu?
Eu olhei para ele e respondi:
— O quê?
Alex se virou para mim, surpreso, e perguntou:
— Ele te aceitou?
— Sim — respondi.
Alex franziu a testa:
— Mas você já assinou o contrato?
— Sim. E já paguei também.
Alex pareceu incomodado:
— Caralho, Alisson… Como assim? Você deveria ter me dito isso, mandado o contato…
Eu o interrompi:
— Eu te liguei e você não atendeu.
Ele suspirou:
— Eu estava na Bahia. Fiquei sem conexão no local que meu cliente me recebeu.
Nós dois ficamos em silêncio, observando Henrique e Carol dançando. Eles estavam bem próximos. Henrique tinha uma mão na cintura dela, a outra segurava a mão de Carol com firmeza. Os dois se moviam lentamente ao som da música lenta, conversando baixinho. Carol parecia um pouco constrangida, mas dançava com elegância. Henrique, por sua vez, olhava para ela com um sorriso confiante.
Alex balançou a cabeça e comentou em voz baixa:
— Isso é muito estranho. Ele não é o tipo de homem que volta atrás nas escolhas dele.
Eu olhei para meu irmão:
— Você falando isso parece que ficou triste por ele ter aceitado.
Alex respondeu sério:
— Fico feliz por vocês… mas ao mesmo tempo desconfiado.
Nesse momento, Júlia apareceu ao meu lado com duas taças de champanhe, sorriu e disse:
— Vamos dançar?
Eu aceitei o convite e fui dançar com Júlia. Enquanto dançávamos, notei que Henrique estava bem colado em Carol, falando algo baixinho no ouvido dela. Os corpos dos dois estavam próximos, e ele tinha um sorriso confiante no rosto. Aquilo me deu um forte ciúme, um aperto no peito que eu tentei disfarçar.
Depois de alguns minutos, eu me aproximei com Júlia e disse a Henrique:
— Vamos trocar de parceiras de dança?
Henrique sorriu, concordou e nós fizemos a troca. Peguei Carol pela cintura e começamos a dançar juntos. Ela parecia aliviada.
Carol se aproximou do meu ouvido e sussurrou:
— Que bom que você trocou. Aquela Júlia tava se mostrando demais pra você.
Eu a abracei mais forte pela cintura, ainda sentindo o ciúme da cena anterior, mas feliz por tê-la de volta nos meus braços.
Após a dança, fomos apresentados a vários convidados importantes da festa. Depois passamos o resto da noite juntos — eu, Carol, Henrique, Júlia e Alex —, conversando, bebendo e curtindo o ambiente sofisticado do clube.
Em determinado momento, Carol, curiosa, perguntou:
— Henrique, e sua esposa, cadê?
Ele respondeu com naturalidade:
— Ela está em Buenos Aires.
Carol continuou:
— Você deve sentir falta dela, né?
Henrique sorriu e disse:
— Sim, sempre.
A noite seguiu agradável, mas com aquela tensão sutil no ar. Em certo ponto, eu e Carol nos olhamos e ela sussurrou:
— Vamos embora, amor?
Nós nos despedimos de Henrique, Júlia e Alex. Quando estávamos nos dirigindo para o carro, Henrique nos chamou:
— Alisson e Carol, amanhã topam jantar comigo na minha casa? Só nós três.
Eu e Carol nos olhamos rapidamente. Eu respondi:
— Sim, vamos ver se dá pra ir.
O dia seguinte começou cedo. O sol entrava pelas janelas do quarto quando eu acordei com Carol ainda dormindo ao meu lado, o corpo dela colado no meu. Levantei-me com cuidado, tomei um banho e desci para a cozinha preparar o café da manhã. O cheiro de pão torrado, ovos e café logo se espalhou pela casa. Ana, que estava hospedada conosco, apareceu logo depois, usando um shortinho bem curto de pijama e uma regata fina que marcava os seios médios. Seus cabelos pretos longos estavam soltos e ainda um pouco bagunçados do sono. Ela sorriu ao me ver e se aproximou mais do que o necessário para pegar uma xícara, roçando o corpo no meu braço de forma “acidental”.
— Bom dia, cunhado — disse ela com voz manhosa, demorando um segundo a mais com a mão no meu braço.
Carol desceu logo em seguida e nós três tomamos café juntos. Durante a manhã, Ana não desgrudava: ajudava na cozinha, ria das minhas piadas, tocava meu ombro ou braço sempre que podia e me olhava com aqueles olhos castanhos puxados cheios de intenção. Enquanto Carol arrumava as crianças, Ana se inclinou sobre a mesa na minha frente para pegar algo, dando uma visão clara do decote do top e sussurrou:
— Você está tão bonito hoje…
À tarde, quando Carol saiu para resolver algumas coisas, Ana ficou em casa comigo. Ela apareceu na sala com um vestido leve e curto, sentou-se bem perto de mim no sofá e começou a conversar, passando a mão na minha perna “sem querer” enquanto ria. A insinuação era clara e constante — olhares demorados, toques “inocentes”, elogios sobre meu corpo e meu jeito de ser. Eu tentava disfarçar o desconforto , mas Ana parecia gostar de me provocar, especialmente quando Carol não estava por perto.
O dia foi longo, cheio de tensão sutil por causa das insinuações constantes de Ana, misturado com a expectativa do jantar com Henrique à noite.
Nos dois, como casal, estávamos felizes e animados nos arrumando para o jantar na casa de Henrique. Carol escolheu um vestido bonito, elegante e um pouco sensual, que valorizava suas curvas. Eu optei por uma camisa social bem cortada, calça social escura e sapatos formais. Demos um beijo rápido antes de sair, sentindo que as coisas estavam caminhando bem.
Seguimos até a casa de Henrique. A mansão dele era impressionante. Localizada em um bairro nobre e reservado, a propriedade era cercada por altos muros e um portão eletrônico. Ao entrar, uma longa alameda arborizada levava até a casa principal — uma verdadeira mansão moderna de dois andares, com arquitetura contemporânea, grandes paredes de vidro, concreto aparente e madeira nobre. O jardim era enorme, com paisagismo impecável, fontes iluminadas, palmeiras e uma piscina infinita que parecia se fundir com o horizonte da cidade.
Havia garagem para vários carros, onde vi alguns dos veículos de luxo de Henrique. A casa transmitia riqueza discreta e muito bom gosto.
Ao estacionarmos, um funcionário nos recebeu educadamente e nos acompanhou até a entrada principal.
O funcionário nos levou até um salão amplo e sofisticado. No centro havia uma mesa elegantemente arrumada com louças chiques, taças de cristal e talheres de prata. Na ponta da mesa, Henrique nos esperava, sentado com postura imponente, aqueles olhos azuis penetrantes nos observando com um leve sorriso.
— Carol e Alisson, sentem-se aqui — disse ele, indicando os lugares ao seu lado.
Nós dois nos sentamos. Henrique chamou o funcionário e ordenou:
— Sirva umas bebidas para a gente.
Enquanto esperávamos as bebidas, nós três começamos a conversar animadamente sobre a nova loja. Falamos sobre como estávamos ansiosos com o projeto que abriríamos juntos, os planos de expansão e as expectativas de sucesso.
Eu comentei, empolgado:
— Eu espero que não demore, senão vou morrer de ansiedade.
Henrique sorriu e respondeu:
— Claro, eu também estou ansioso.
O jantar foi servido com pratos refinados e sofisticados. Nós três jantamos tranquilamente, continuando a conversa agradável, com o clima leve e cheio de expectativas para o futuro.
Após o jantar, Henrique nos convidou para acompanhá-lo até seu escritório particular. Eu e Carol entramos de mãos dadas, um pouco curiosos com o rumo da noite.
O escritório era luxuoso, com móveis de madeira nobre, estantes cheias de livros e uma vista privilegiada da cidade. Henrique caminhou até uma parede, abriu um cofre escondido e retirou dois lindos anéis de esmeraldas verdes , e nos olhou com aquela cor intensa dos seus olhos. Ele abriu um sorriso confiante e disse:
— Alisson, eu tenho uma proposta para você.
Olhou para Carol e completou:
— Vamos nos sentar.
Nós três nos sentamos em um conjunto de sofás elegantes. Henrique nos encarou seriamente e começou:
— Eu sou um empresário de sucesso. Bilionário. Posso mudar a vida de vocês com uma única ligação… para o bem ou para o mal.
Eu olhei para ele, confuso, e perguntei:
— Como assim?
Henrique sorriu de lado e disse:
— O Alex não te contou como ele conheceu a Júlia, não é?
Eu e Carol nos olhamos, desconfiados.
Henrique se levantou e começou a andar de um lado para o outro na sala. Serviu-se de um copo de whisky, deu um gole longo e disse:
— Eu tenho um clube privado de troca de casais e de acompanhantes de luxo.
Ele deu mais um gole na bebida e continuou:
— Tudo bem elaborado. Só pessoas da minha confiança entram lá.
Eu franzi a testa e perguntei:
— E o que o Alex tem a ver com isso?
Henrique sorriu de forma fria e respondeu:
— Eu tenho esse clube há 10 anos. O Alex era meu funcionário. Ele não dizia que trabalhava numa pizzaria? Então… era no meu clube. Ele era garçom.
Eu me lembrei imediatamente: na época em que Alex abandonou a escola, nossos pais disseram que ou ele trabalhava ou estudava. Ele arrumou um emprego de entregador numa pizzaria no centro. Saía cedo e chegava tarde.
Henrique me olhou diretamente e completou, com a voz calma:
— A Carol é exatamente o tipo de mulher que eu procuro há três anos.
Eu e minha esposa nos olhamos, chocados.
Então Carol se levantou bruscamente e disse com voz firme:
— Henrique, você pode ter o que o dinheiro consegue comprar, mas eu e o Alisson não vamos entrar nessas imundícies suas.
Eu estava tremendo de nervoso, o coração acelerado. Henrique se aproximou lentamente de Carol, olhando-a com intensidade e disse:
— Foram três anos procurando a pessoa certa… e eu acabei de encontrar. E você pode ter certeza, Carol… você será minha.
Ele fez uma pausa e completou, com tom frio:
— Vou dar a vocês 24 horas para decidir. Se não… vocês irão se arrepender.
Eu e Carol saímos dali apressados, quase correndo até o carro. No caminho para casa, liguei para Alex. Ele atendeu no terceiro toque.
— Preciso conversar com você urgentemente — disse eu, com a voz alterada.
Chegamos em casa. Carol, visivelmente abalada, foi tomar banho para tentar se acalmar. Eu fiquei na sala, andando de um lado para o outro, esperando Alex chegar.
Alex chegou em casa cerca de meia hora depois, vestindo um terno impecável. Assim que ele entrou pela porta, eu o peguei pelo colarinho com força, empurrando-o contra a parede:
— Você e o Henrique se conhecem de onde?
Alex tentou se soltar, surpreso:
— Ele é meu amigo, um investidor…
Eu o interrompi, quase gritando:
— Você não o conheceu sendo garçom do clube de putaria dele?
Ele me olhou por alguns segundos em silêncio, depois baixou a cabeça e murmurou:
— Você descobriu tudo…
Eu o soltei, ainda tremendo de raiva:
— Não. Ele disse que fará uma proposta para a Carol.
Alex se sentou no sofá, passou as mãos no rosto e na cabeça, visivelmente abatido, e começou a dizer:
Alex respirou fundo, passou as mãos no rosto mais uma vez e começou a falar, com a voz baixa:
— Eu tinha 18 anos e era apenas um motoboy. Porém eu fui demitido. Então um amigo meu me disse que tinha um clube de troca de casais que pagava muito bem. Eu apareci por lá e fui contratado.
Ele fez uma pausa e continuou:
— O Henrique frequentava lá com uma mulher, porém ela era casada e ele nunca foi o tipo de homem que ficava com uma mulher apenas. Mas com aquela mulher era diferente. O clube era de luxo, mas estava falindo. O Henrique comprou e investiu em melhorias… e passou a descontar a raiva que a mulher tinha feito nele. Por lá ele escolhia os casais e fazia um acordo de três meses em que a esposa seria dele. Ele manda nela e o marido fica com as suas garotas.
Eu o encarei, incrédulo:
— O quê?
Alex continuou:
— A Júlia é uma das garotas do Henrique. Ela e eu nos conhecemos no dia em que eu voltei a aparecer por lá, após minha carreira começar.
Eu engoli em seco e perguntei:
— Ele quer minha esposa por três meses?
Alex me olhou com seriedade:
— Não sei. Pode ser apenas uma troca… mas é difícil ser só isso.
Eu insisti:
— Tem como negar?
Ele balançou a cabeça:
— Tem… mas acho que você está nas mãos dele.