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AS AVENTURAS DE DANIEL – Virada de jogo, Murilo levando pica do magnata, E o início do caos (EPISÓDIO 24)

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Um conto erótico de Jackson
Categoria: Gay
Contém 5351 palavras
Data: 18/07/2026 12:50:46
🤖 Texto produzido com auxílio de inteligência artificial

Ponto de vista do Murilo:

O Alan achou que podia me dar um gelo. Meus informantes já tinham me avisado que ele tinha antecipado a reunião de marketing com o Daniel e subido a serra para se enfiar em um chalé de clube privado com o moleque. Acordei no domingo com o ódio me corroendo. Consegui a localização daquele maldito clube e fui até lá. O confronto na recepção foi pouco; eu precisava arrancar o Daniel da vida do Alan de uma vez por todas, antes que aquele surfista de merda desmoronasse o controle que eu levei anos para construir sobre o meu urso de terno.

Assim que voltamos para São Paulo, o plano começou a rodar na minha cabeça. Liguei para um capanga de fora, um bicho bruto que o Alan nunca tinha visto na vida. O esquema era simples: eu pagaria uma nota para ele juntar uma gangue, encurralar o Daniel no meio da rua e dar uma surra nele que o fizesse mijar sangue e esquecer o nome do Alan.

Mas a minha mente é doentia. Eu queria mais. Queria amarrar o Daniel, simular um assalto no sigilo com o Alan, e fazer nós dois fodermos o rabo dele. O capanga riu no telefone: — Porra, chefe... eu gosto de buceta, caralho. Não sou viado… Mas eu tenho um parça de cela que é metido a machão, troncado, mas adora levar uma rola grossa em troca de nota. O cara é um monstro.

Fechei com o sujeito na hora. O cenário perfeito estava montado. No dia seguinte, passei na concessionária e arrastei o Alan comigo sob a desculpa de fazer uma varredura nas vendas de drogas perto de um galpão abandonado na periferia. Uma rua de terra batida, deserta, cercada de poeira e entulho.

De repente, quatro caras surgiram no meio da estrada com pedaços de madeira e barras de ferro. Parei o carro bruscamente. O Alan, sentado no banco do carona de terno e camisa social vermelha, travou o maxilar, os olhos injetados. — Fica no carro, Alan! Deixa que eu resolvo essa porra! — gritei, abrindo a porta.

O combinado com a gangue era eu simular uma luta física rápida, derrubar três e prender o último — o tal parça que adorava rola — para que o Alan saísse do carro, se sentisse o macho protetor e nós dois usássemos o refém para reviver os velhos tempos, quando fodemos o cu daquele policial corrupto na fronteira.

Mas o Alan é um brutamontes sem controle. No segundo em que os caras cercaram o carro, ele chutou a porta com tudo, partindo para cima da gangue feito um touro enraivecido. Ele começou a distribuir socos brutais de direita e de esquerda, quebrando os dentes dos caras. Eu tentei entrar no meio para guiar a cena e acabei levando um soco de verdade na cara. Caí no chão de terra, fingindo uma dor insuportável para fazer os outros três capangas correrem antes que o Alan os matasse.

Deitado na poeira, vi o Alan derrubar o último sujeito — o cara do trato — contra a parede de tijolos expostos do prédio abandonado. Me levantei cambaleando, segurando o rosto:

— Porra, Alan... o que a gente faz com esse filho da puta? — perguntei, limpando o sangue do lábio.

O Alan olhou para o cara rendido, a respiração pesada dele fazendo o peitoral largo subir e descer por baixo da camisa vermelha, os olhos brilhando com aquele sádico ódio do passado.

— Vai no porta-malas do carro, Alan. Pega as cordas de reboque. Vamos amarrar esse desgraçado lá dentro. Como nos velhos tempos.

Sorri de canto. Assim que o Alan se distanciou para ir ao carro, peguei o cara pelo colarinho e sussurrei rápido:

— Segue o combinado, caralho. Vou te amarrar na mesa ali dentro. Você sabe o que vai levar, né? — Demorou, chefe...

— o cara respondeu, com a voz rouca, olhando de soslaio para a bunda pesada do Alan de longe. — Esse teu parceiro de terno é um urso gostoso pra caralho. A rola dele é grande?

— É um monstro de mais de vinte centímetros. Prepara esse teu rabo que hoje você vai ser arrombado por dois machos.

Entramos no prédio abandonado. O teto tinha desabado, deixando a luz do sol da tarde entrar oblíqua pelas frestas, iluminando a poeira flutuando no ar. No centro do salão em ruínas, havia uma mesa de madeira maciça, suja de graxa e poeira. Joguei o cara ali de peito para baixo, amarrando os pulsos dele nas pernas de ferro da mesa com a corda que o Alan trouxe.

O Alan entrou no galpão tirando o paletó, jogando-o no chão sujo. A camisa social vermelha dele já estava marcada de suor debaixo dos braços e no peito. Ele desceu o zíper da calça social preta, libertando aquela jiboia cabeçuda de mais de vinte centímetros, latejando de puro ódio e tesão acumulado.

— Porra, Murilo... faz tempo que eu não sinto o calor de um cuzinho implorando por clemência — o Alan disse, batendo uma punheta rápida na rola dele, que já vertia gotas espessas de pré-gozo transparente. — Então vamos rasgar o cu desse desgraçado — respondi, arrancando a minha calça e deixando o meu pau de fora.

Me posicionei na frente da mesa. Peguei o meu pau que começava a endurecer e enfiei direto na boca do cara amarrado. Ele abocanhou com vontade, os olhos revirando de tesão. Atrás dele, o Alan deu uma cuspida brutal na palma da mão, melou a cabeça roxa do seu caralho enorme e começou a pincelar a entrada do cuzinho do cara. Com um empurrão de quadril violento, o Alan enterrou o pau inteiro até a base peluda. — Hummff! — o cara tentou gritar, mas o som morreu na minha boca, com a minha rola socando a garganta dele.

— Vai devagar, porra! — o cara gemeu abafado quando tirei o pau por um segundo.

— Devagar é o caralho! — rosnei, metendo a rola de volta na boca dele. — Aguenta firme que hoje você é o nosso banquete.

O Alan estava possuído. Ele segurava o quadril do cara com aquelas mãos gigantescas e calejadas, dando estocadas brutais, rápidas, o barulho úmido das peles se chocando ecoando pelo galpão abandonado: VRACO, VRACO, VRACO. O suor do Alan pingava nas costas do sujeito.

— Murilo... tira o teu pau da boca dele, agora é a minha vez de ser mamado, e a sua vez de foder esse rabo! — o Alan gritou, puxando o pau do cu do cara com um estalo.

Eu contornei a mesa, pronto para enfiar o meu pau naquele cu que já estava escancarado e babando a saliva e o suor do Alan. O Alan se posicionou na frente do cara, enfiando a tora dele na boca do sujeito amarrado, que chupava com desespero.

Eu me curvei sobre a mesa e enterrei o meu pau no cuzinho dele, comecei a bombar com força. O Alan continuava de pé, de calça arriada, com o tronco robusto curvado, batendo uma punheta enquanto me via foder o refém. Era uma foda doentia, cheia de cumplicidade criminosa.

Mas o que eu não esperava era a engenharia do Alan.

Do nada, o Alan tirou o pau da boca do cara. Ele deu a volta por trás de mim. Senti aquela carcaça de urso de 100 kg encostar nas minhas costas, o peito peludo dele pressionando a minha camisa de linho úmida. O cheiro de macho suado e testosterona dele me envolveu. Senti a cabeça do pau dele, quente e babada com a saliva do refém, começar a pincelar direto nas pregas do meu cu.

Meu coração quase parou. Fiquei completamente sem reação.

— Alan... o que você tá fazendo, porra? — tentei olhar para trás, mas o corpo dele me esmagou contra a mesa.

— Eu tô cansado de você achar que manda em mim, Murilo — a voz dele veio como um rosnado no meu ouvido. — Hoje você vai sentir o tamanho do teu erro.

Eu não levava rola no rabo desde a minha adolescência. Eu sempre fui o ativo dominador, o cara que controlava as rédeas. Tentei empurrar o corpo dele para sair de lá, mas o Alan é um brutamontes. Ele segurou os meus dois braços por trás, travando os meus movimentos, e com uma estocada seca e sem dó, ele enterrou metade daquela tora de mais de vinte centímetros no meu cu virgem.

— AHHH! CARALHO! TIRA ISSO! TIRA, ALAN! — gritei, a dor rasgando as minhas entranhas de uma vez só. O meu pau, que estava dentro do refém, amoleceu na hora. Comecei a suar frio de pânico.

— Tiro é o caralho, Murilo! Fica quietinho e aceita o teu macho! — o Alan rosnou, mordendo o lóbulo a minha orelha com força enquanto segurava a minha cintura com dedos de ferro.

Ele começou a socar. O caralho dele era largo demais, rasgando o meu cuzinho apertado sem nenhuma piedade. A camisa vermelha dele já estava encharcada de suor, colando na minha pele. O meu pau escorregou para fora do refém, me deixando completamente vulnerável. O Alan continuou me arrombando por trás, estocada por estocada, destruindo a minha pose de chefe do crime. O cara que eu tinha contratado para o assalto percebeu que a parada tinha virado assunto pessoal de casal; ele desamarrou os pulsos de leve (a corda estava frouxa), se soltou da mesa de mansinho e fugiu do galpão, deixando apenas nós dois no chão de poeira e suor.

A dor era insuportável no começo, mas o Alan sabia exatamente como mexer. A mão grande dele desceu por baixo da minha barriga, segurando o meu pau mole e começando a bater uma punheta rápida, apertada. O pau dele lá dentro começou a massagear a minha próstata com uma precisão cirúrgica.

Meu corpo deu um estalo. A dor aguda começou a se transformar em uma onda de calor elétrico que subiu pela minha espinha. O meu pau começou a crescer na mão dele, latejando de puro tesão masoquista.

— Isso, Murilo... sente a minha pica te rasgando por dentro... agora vira de frango assado nessa mesa que eu vou te arrombar de verdade — o Alan ordenou, puxando o meu corpo.

Eu tentei lutar, tentei xingar, mas eu estava completamente dominado pela força bruta daquele urso. Obedeci. Me deitei de costas na mesa suja, puxando as minhas coxas na direção do peito, escancarando o meu cuzinho vermelho e piscando para ele.

— Caralho, Alan... me fode... me rasga mais, seu brutamontes gostoso! — implorei, me entregando por inteiro à humilhação do prazer.

O Alan veio para cima de mim feito um trator. Ele enterrou o pau inteiro no meu rabo de uma vez só. Ele segurou as minhas pernas bem abertas e começou a dar estocadas brutais, rápidas: VRACO, VRACO, VRACO.

— Olha essa delícia de cuzinho apertado... como é bom ser abraçado por um cu quente de verdade... — ele gemia alto no galpão vazio, a saliva escorrendo da boca dele direto no meu peito.

A camisa vermelha dele estava tão encharcada que ele simplesmente puxou o tecido com as duas mãos, estourando os botões com força, deixando aquele peito monumental de pelos grossos exposto. Ele deitou por cima de mim, esmagando o peito dele contra o meu rosto. O cheiro de macho suado, poeira e porra me entorpeceu.

Eu urrava tão alto que, sem sequer tocar no meu próprio pau, o meu corpo entrou em colapso. Disparei vários jatos de porra que voaram alto, sujando a minha própria barriga e o peito peludo do Alan. Eu tremia inteiro, sentindo a próstata ser espremida a cada estocada violenta que ele continuava dando. O meu pau, logo após gozar, começou a endurecer de novo sob o efeito daquela fricção insana.

O Alan deu mais dez estocadas profundas, segurou a minha nuca e soltou um urro cavernoso. Senti o corpo dele tremer por inteiro por cima de mim e uma onda de porra quente e massiva inundar o meu rabo, enchendo o meu cuzinho até transbordar.

Ele desabou por cima de mim, com a respiração ofegante, o peito peludo colado no meu rosto suado. Sem tirar o pau de dentro de mim, ele voltou a bater uma punheta rápida no meu caralho duro e, em menos de um minuto, eu estava gozando pela segunda vez.

Ele tirou o pau de dentro de mim com um estalo úmido. Fiquei deitado na mesa, com as pernas bambas, incapaz de ficar em pé. O Alan se vestiu em silêncio, pegando a calça social e a camisa vermelha rasgada que cheirava a testosterona pura.

Me recompus, vestindo a minha roupa devagar, olhando para ele com uma mistura de ódio, medo e um tesão doentio que eu nunca achei que sentiria por outro homem:

— Porra, Alan... o que deu em você? — perguntei, com a voz fraca.

Ponto de vista do Alan:

Peguei a minha camisa social vermelha rasgada, que agora exalava o cheiro brutal do meu suor misturado com o suor do Murilo, e a joguei por cima dos ombros. Entreguei as roupas dele na mão. A cara do Murilo era de puro choque, incredulidade. Ele achava que me tinha na palma da mão com as ameaças do passado, mas o jogo tinha virado. Quem mandava naquela porra agora era eu.

Ele tentou se recompor, ajeitando o terno amarrotado, e veio na minha frente tentar me peitar, tentando recuperar a pose de alfa que eu acabei de destruir na mesa de madeira.

— Porra, cara... o que deu em você? Tá maluco? — ele esbravejou, tentando me enfrentar com os olhos vermelhos.

Dei um passo à frente, prensando o corpo dele contra a parede de tijolos. Meu rosto ficou a milímetros do dele, exalando o hálito quente da foda: — Você vai baixar essa marra agora, Murilo. Eu sei de tudo. Eu tenho informantes naquela agência que me contaram cada passo seu. Eu sabia que você ia tentar armar esse sequestro de merda, essa emboscada barata pra se fazer de herói. Eu deixei rolar só pra ver até onde a tua audácia de macho alfa ia.

O Murilo engoliu em seco, a palidez voltando ao rosto dele.

— E tem mais... — continuei, apertando o gogó dele com a minha mão grande.

— Eu sei que você tá foragido da sua cidade, caçado pelas gangues rivais, e veio tentar botar banca e se esconder no meu império de carros. A partir de hoje, você tá fodido. Literalmente fodido.

— Alan... não era a minha intenção... eu juro... — ele tentou gaguejar, o medo brilhando nos olhos.

— Cala a porra da boca! Você vai ficar caladinho — sussurrei direto no ouvido dele, mordendo a cartilagem.

— O jogo virou, Murilo. Você queria brincar de mestre comigo? Agora quem vai ser o brinquedinho de luxo é você. Na hora em que eu tiver vontade de comer esse teu rabo, você vai abrir as pernas e me dar sem reclamar. Entendido?

— E se eu não quiser? — ele tentou blefar, com a voz trêmula. — Vai me entregar pra a gangue rival? Vai trair a nossa parceria?

— Parceria é o caralho! — rosnei, apertando mais o pescoço dele.

— Você passou anos fofendo a minha mente, me chantageando, me manipulando como se eu fosse um moleque frouxo. Tudo mudou hoje. Se eu tiver que te entregar para os caras te picarem no meio da rua, eu entrego. Não testa a minha paciência, Murilo.

O Murilo desabou. Ele caiu de joelhos na poeira do prédio abandonado, bem na frente do meu zíper, com as mãos postas, implorando perdão com os olhos cheios de lágrimas de humilhação.

— Levanta dessa porra agora! — ordenei, puxando ele pelo colarinho.

— Vamos voltar pra a concessionária.

— O que... o que você vai fazer comigo, Alan? — ele perguntou, limpando o joelho sujo de terra.

— Segue tudo como antes. Você continua gerenciando o estoque das drogas e fingindo que é o meu sócio. Mas vê se não vacila, porque eu tenho olhos em cada canto de São Paulo.

Ele deu um passo à frente e tentou me beijar na boca, com aquele olhar doentio de quem estava apaixonado pela própria destruição:

— Eu sei que você ainda me ama, Alan... eu sei... Fiquei em silêncio. Não sei se era amor, ou se era apenas a sombra daquele passado sombrio que eu nunca conseguia arrancar de vez do meu peito. Mas o tesão por ele era real, uma química violenta de ódio e carne. Puxei o cabelo dele com força por trás, colando as nossas bocas com agressividade:

— Você vai me ter, Murilo. Mas vai ser sob as minhas regras. No meu tempo. No meu cu você não encosta. Agora você é a minha posse.

— Sim... meu macho... sim... — ele sussurrou contra os meus lábios.

No fundo, eu sabia que ele se enganava transando com a esposa ou com garotos no interior só para tentar esconder o que realmente era. Mas no final do dia, era a mim que ele queria de verdade.

Ponto de vista do DANIEL

A semana seguinte ao meu retorno do chalé foi um inferno de silêncio. O Alan tinha se afastado completamente, sem mandar uma mensagem, sem atender as minhas ligações de negócios. O orgulho me queimava por dentro; eu me sentia usado, um passatempo de fim de semana de um chefe de gangue que agora fingia que eu não existia.

Estava no final da tarde de quinta-feira. O sol de São Paulo estava se pondo na linha do horizonte, jogando aquela luz laranja e fria sobre o concreto do estacionamento subterrâneo da agência. Eu estava indo em direção ao meu carro para ir para casa.

De repente, escutei passos rápidos ecoando na rampa de concreto, bem atrás da fileira de SUVs pretas. Por ser um cara observador e viver com a guarda alta por causa dos negócios do Alan, o meu corpo entrou em alerta na hora. Dei passos largos, entrei no meu carro e bati a porta, travando os pinos. No retrovisor, vi três caras vestindo moletons pretos com capuz correndo na direção da minha traseira.

Liguei o motor, joguei a primeira marcha e arranquei, cantando pneu até a saída do estacionamento. Passei pela cancela e entrei na avenida principal. Mas o pesadelo estava só começando. No primeiro semáforo fechado na altura da Avenida Anchieta, duas motos de alta cilindrada emparelharam nas minhas duas portas. Os caras da garupa puxaram barras de ferro e começaram a desferir golpes violentos contra os vidros das janelas, tentando estourar o vidro temperado.

— Filhos da puta! — gritei.

Pisei no acelerador com tudo, furando o sinal vermelho e jogando o carro pelo corredor de ônibus. No retrovisor, vi as duas motos costurando o trânsito atrás de mim, os motores roncando alto. O pânico começou a subir na minha garganta. De repente, o vidro traseiro do meu carro explodiu em mil estilhaços com o estalo seco de tiros de pistola 9mm. Eles não queriam só me assustar; os caras estavam armados para me apagar no meio do trânsito.

Tentei ligar para o meu advogado pessoal no viva-voz, mas a ligação caía na caixa postal. As avenidas de São Paulo passavam como um borrão. Uma das motos acelerou, emparelhando na minha diagonal direita. O garupa virou o corpo de lado, esticando o braço com uma pistola preta apontada direto para a minha cabeça através do vidro lateral.

Entrei em desespero. Comecei a jogar o carro em zigue-zague para quebrar a mira dele. Acelerei o motor de 200 cavalos no limite e, com um movimento seco do volante, joguei a frente do meu carro com tudo contra a roda traseira da moto. CABRUM! A batida foi violenta. A moto foi arremessada contra o guard-rail, os dois corpos voando pelo asfalto como bonecos de pano. O meu capô dianteiro amassou inteiro, a fumaça do radiador subindo pelo para-brisa.

Não deu tempo de comemorar. Mais duas motos surgiram das travessas laterais, os caras disparando rajadas contra a minha lataria. TIRO! TIRO! TIRO! Me abaixei no banco do motorista, guiando o carro quase sem olhar para a pista, os estilhaços de vidro caindo nas minhas costas.

Peguei o celular com a mão trêmula de adrenalina e liguei para o Yohan. Ele atendeu no segundo toque:

— Daniel? O que tá acontecendo? Que barulho de tiro é esse? — a voz do coreano veio cheia de pânico.

— YOHAN! TÃO TENTANDO ME MATAR NA ANCHIETA! SÃO TRÊS MOTOS COM CARAS ARMADOS! TO ENVIANDO A MINHA LOCALIZAÇÃO EM TEMPO REAL PELO WHATSAPP! PEGA O CARRO E ME ENCONTRA! VOU TENTAR DESPISTAR ESSES DESGRAÇADOS! — gritei, jogando o celular no banco do carona enquanto segurava o volante com as duas mãos.

Uma moto emparelhou na minha esquerda, o cano da arma brilhando na janela. Em um ato de puro instinto de sobrevivência, joguei o carro com força total para a esquerda, tentando prensar a moto contra a mureta de concreto da rodovia. O impacto foi monstruoso. Consegui derrubar a segunda moto, mas a velocidade era alta demais. Perdi o controle da direção.

O carro rodou na pista, os pneus cantando no asfalto quente. Tentei pisar no freio, mas a lateral do pneu pegou na guia da calçada. O carro capotou.

O mundo virou de ponta-cabeça. Senti o meu corpo ser arremessado contra o teto do carro enquanto o metal se retorcia, o teto sendo esmagado contra o asfalto em um rastro de faíscas e barulho ensurdecedor de ferro raspando no chão. O carro parou de cabeça para baixo, no meio da pista, com o motor vazando óleo e fumaça.

Ponto de vista do YOHAN

Eu estava no escritório da agência finalizando os relatórios fiscais do Henrique quando o celular vibrou. Atendi, e o que ouvi arrancou a minha alma do corpo: o som do motor do carro do Daniel no limite, os estantes secos de tiros e os gritos desesperados dele pedindo ajuda. Dei um pulo da cadeira, o meu coração disparando a mil por cento, o suor frio escorrendo pela minha testa.

A chamada caiu com um estalo de colisão. O silêncio que se seguiu foi o pior momento da minha vida. Olhei para a tela: a localização dele no WhatsApp ainda estava ativa, mas o ponto vermelho estava parado na saída da Anchieta.

Fechei o notebook de uma vez, corri até a sala do Henrique, e abri a porta sem bater:

— Henrique, preciso sair agora! É uma emergência de vida ou morte com o Daniel!

O Henrique, vendo a minha palidez, e o meu desespero, apenas acenou com a cabeça:

— Vai, Yohan! Se precisar de qualquer coisa, me liga!

Corri pro estacionamento. Minhas mãos tremiam tanto que não conseguia acertar a chave na ignição do meu carro. Dei a partida, saí cantando pneu e comecei a furar cada semáforo vermelho da Zona Sul de São Paulo, as lágrimas quentes descendo pelo meu rosto. Eu não conseguia conceber a ideia de perder o Daniel. Ele era o meu parceiro de treino, o meu confidente, o cara que dividia os segredos do submundo comigo.

Quando me aproximei da localização, vi o trânsito parado e uma multidão de curiosos no meio da rodovia. Estacionei o carro de qualquer jeito no canteiro central e saí correndo, empurrando as pessoas. O som da sirene da ambulância já vinha cortando o vento ao longe.

Abri caminho entre as pessoas e meu estômago girou.

O carro do Daniel estava de cabeça para baixo, completamente destruído, com o para-brisa estourado. O Daniel tinha conseguido rastejar para fora da cabine amassada antes de apagar. Ele estava deitado de costas no asfalto áspero, com o peito liso e os braços cheios de cortes profundos e arranhões, o sangue escorrendo do supercílio e manchando o chão de pedra. Os olhos verdes dele estavam abertos, mas fixos no céu cinzento, sem nenhuma reação, completamente inconscientes pelo trauma da pancada na cabeça.

Ajoelhei ao lado dele, chorando de desespero, segurando a mão dele que estava fria:

— Daniel! Daniel, por favor, fala comigo! Sou eu, o Yohan! Acorda, porra!

A equipe médica chegou de uma vez, imobilizou o pescoço dele na maca e o jogou para dentro da ambulância. Entrei junto com eles, segurando o choro enquanto o paramédico colocava o oxigênio no rosto dele.

Chegando no hospital público da região, o cenário era um caos. A fila de triagem estava enorme, corredores cheios e poucos médicos para dar conta das emergências de bala e trauma. O desespero me consumia. Peguei o celular e liguei para o hospital particular de elite onde eu tinha o meu plano de saúde executivo da agência: — Preciso dar entrada em uma emergência de trauma agora! Meu namorado sofreu um acidente de carro grave! Estou transferindo ele em uma ambulância particular! — menti, usando o meu plano para salvar a vida dele.

Fiz o cadastro dele na recepção particular como meu dependente de união estável para agilizar tudo. Duas horas depois, o médico-chefe da UTI desceu com a prancheta na mão:

— Yohan? O Daniel está fora de perigo imediato. Não houve traumatismo craniano grave, apenas uma concussão forte e muitos cortes superficiais que já foram suturados. Mas devido à pancada e à perda de sangue, ele vai demorar algumas horas para recuperar a consciência total. Ele está recebendo uma transfusão, ele está no quarto 302.

Sentei na cadeira da recepção, cobrindo o rosto com as mãos. A adrenalina do resgate foi baixando, e o que sobrou no meu peito foi um ódio puro, destrutivo. Eu sabia quem tinha feito aquilo. O Alan. Aquela sombra maldita do crime que cercava o Daniel tinha mandado os capangas para calar a boca dele por causa do ciúme do Murilo.

Peguei as chaves do carro, e fui direto para a concessionária Império Motors.

Cruzei a porta de vidro da agência do Alan com o sangue nos olhos. A secretária tentou me parar na recepção, mas passei por ela feito um trem desgovernado. Arrombei a porta da sala da presidência do Alan com um chute.

O Alan estava sentado atrás da mesa de vidro, vestindo um terno cinza, discutindo uns papéis com um gerente. Ele olhou para cima, assustado com a minha invasão.

Eu não disse "oi", não disse "com licença". Dei três passos rápidos, apoiei o pé esquerdo na cadeira de couro e desferi um soco de direita com toda a força do meu corpo de academia bem no meio do maxilar do Alan.

POW!

O impacto foi seco. Mesmo o Alan tendo o dobro do meu tamanho de músculo e carcaça, o soco foi tão inesperado e carregado de ódio que ele perdeu o equilíbrio e caiu da cadeira giratória direto no carpete da sala.

— SEU COVARDE DO CARALHO! — gritei, com a voz embargada de fúria.

Os dois seguranças particulares dele cruzaram a porta na hora, me segurando pelos braços, me tirando do chão. Se não tivessem me segurado, eu teria pulado em cima do peito dele para terminar de quebrar a cara daquele urso.

O Alan se levantou devagar, limpando o filete de sangue que escorria da boca com as costas da mão, os olhos castanhos dele faíscando de puro ódio de rua. Ele veio na minha direção como um predador pronto para me esganar, apontando o dedo na minha cara:

— Você tá maluco, seu moleque do caralho? Quem você pensa que é pra entrar na minha sala e me agredir? Solta ele e deixa a gente sozinho agora! — ele ordenou pros seguranças, que bateram a porta ao sair.

O Alan me prensou contra a parede de madeira da sala, a mão grande dele segurando a gola da minha camisa com força:

— Agora me dá um bom motivo pra eu não quebrar o teu pescoço aqui mesmo, Yohan.

— Vai, seu covarde filho da puta! Faz comigo o que você tentou fazer com o Daniel na Anchieta! Termina o serviço! — gritei na cara dele, cuspindo de raiva.

O Alan arregalou os olhos. A mão dele que segurava a minha camisa afrouxou na hora. Ele deu um passo para trás, a expressão de raiva sumindo do rosto, sendo substituída por uma palidez repentina:

— O que... o que você tá dizendo? O que tem o Daniel?

— Para de se fazer de sonso, Alan! O teu plano sempre foi esse, né? Fingir que se importa com ele no chalé, dar o rabo pra ele, e depois mandar os teus capangas de terno darem uma surra e atirarem no carro dele pra afastar ele de vez!

— Que porra você tá falando, caralho? Seja direto! — o Alan gritou, a voz dele tremendo, o desespero começando a transparecer no tom agressivo.

— O Daniel tá no hospital da Zona Sul, Alan! Metade do corpo dele tá rasgado e o carro dele capotou na rodovia! Por pouco os teus caras não mataram ele hoje à tarde!

— Não... não pode ser... — o Alan deu dois passos para trás, batendo com as costas na mesa. O homem mais poderoso do submundo de carros parecia ter envelhecido dez anos em um segundo.

— Eu juro por tudo que é mais sagrado, Yohan... eu não fiz nada. Eu não sabia de nada disso...

As lágrimas começaram a descer dos olhos do Alan, sem que ele sequer fizesse som de choro. Ele estava estático, a pele pálida, os lábios tremendo de puro terror de perder o surfista. Vendo a reação dele, o meu ódio começou a dar espaço para a clareza. Ele estava falando a verdade. Não tinha sido o Alan. O mandante daquela porra, então foi o Murilo, por puro ciúme doentio.

— Se você não tem nada a ver com isso, então foi o teu ex de terno, o Murilo — falei, a voz mais baixa, mas ainda firme. — Duas motos encurralaram o Daniel na avenida, atiraram no vidro de trás e fizeram o carro dele capotar. O Alan escondeu o rosto nas mãos grandes, os ombros largos dele tremendo de dor:

— Onde... onde ele tá, Yohan? Por favor, me leva até ele... eu preciso ver se ele tá vivo...

— O Daniel precisa ficar bem longe de você, Alan — falei, com o olhar frio.

— Desde que você apareceu na vida dele com esse teu submundo, o Daniel tá vários problemas, e agora quase foi enterrado num caixão. Você quer salvar a vida dele? Então some. O Daniel não merece estar no meio desse caos podre que é a tua vida.

O Alan ergueu o rosto, as lágrimas limpando o sangue do maxilar. Ele olhou pra mim com um olhar que transmitia insegurança, que eu nunca achei que veria naquele gigante de terno:

— Se você me levar pra ver ele no quarto... eu prometo que eu sumo, Yohan. Eu prometo que me afasto, e não procuro mais ele. Você tem toda a razão... a minha vida é um caos, e ele é puro demais pra ser arrastado pra isso. Só me deixa ver se ele tá bem.

Pegamos o carro e fomos em silêncio para o hospital.

Entramos no quarto 302 de mansinho. O Daniel estava deitado na cama de linho branco, com vários curativos no peito e nos braços trincados de surfista. O rosto dele estava sereno, dormindo sob o efeito dos sedativos, com o braço esticado recebendo uma bolsa de sangue na veia para repor o que ele perdeu no asfalto.

Ficamos nós dois em pé, um de cada lado da cama, no silêncio do quarto de hospital que cheirava a éter e limpeza. O Alan esticou a mão grande, trêmula, e tocou de leve nos cabelos castanhos e lisos do Daniel, afastando uma mecha da testa dele com um carinho que me fez perceber que em meio ao caos deles dois, havia sim um amor recíproco entre eles, de um jeito diferente, mas ele o amava de verdade.

O Alan chorava discretamente, os ombros largos subindo e descendo, engolindo o soluço para não acordar o moleque. Ali, vendo aquela cena, entendi que o Alan realmente amava o Daniel com cada gota do seu sangue bruto. Mas o amor deles era um campo minado.

Depois de cinco minutos apenas velando o sono do Daniel, o Alan se inclinou, deu um beijo suave na testa do surfista, se virou para mim na porta do quarto e sussurrou:

— Obrigado por salvar a vida dele, Yohan. Cuida bem do meu garoto.

Ele cruzou a porta do quarto e sumiu pelo corredor escuro do hospital, deixando para trás o único homem que conseguiu desarmar o seu coração de ferro.

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