Era o outono do século 9 d.C., faltavam aproximadamente cinco luas cheias para o solstício de inverno quando eles vieram pela floresta como um bando de lobos ferozes dizimando todos e tudo que encontravam pela frente, inclusive nossa casa numa pequena aldeia no noroeste da Germânia, localizada ao leste do trecho norte do Rio Reno onde as legiões romanas XVII, XVIII e XIX montaram um enorme acampamento com algo entreelegionários para, à semelhança do que já vinham fazendo ao se deslocarem rumo ao norte conquistando territórios, dominarem a região. Só não contavam com uma emboscada chefiada pelo general Arminius que as dizimou através de uma aliança composta por tribos germânicas. Foi a maior derrota e a mais vergonhosa que os romanos sofreram, perdendo 10% de sua força bélica total. Em Roma, os governantes impediram que o povo soubesse da derrota catastrófica, receando que isso abalaria a confiança dos dirigentes e lançasse dúvidas quanto a capacidade dos exércitos defenderem a população.
Não foram apenas os romanos que perderam muito naqueles três dias de batalha. Eu, minha mãe e dois irmãos fomos arrancados de nossa casa antes deles a incendiarem, enquanto meu pai lutava no campo de batalha. Eu havia completado meu décimo solstício de verão quando vi, aterrorizado, as chamas consumindo a casa de madeira onde sempre me senti seguro, aquecido nos invernos rigorosos diante da lareira de pedras e da proximidade dos meus entes mais queridos. Apesar da chuva que caía, as labaredas consumiam as paredes numa voracidade desmedida, transformando-as em cinzas, enquanto na clareira diante dela, minha mãe nos mantinha sob seus braços.
As casas ao redor da pequena clareira na floresta estavam tendo o mesmo destino, e os gritos e choro desesperados enchiam a tarde de um sentimento lúgubre. Algumas mulheres, também cercadas pelos filhos, que gritavam mais alto e protestavam negando a se calar, tiveram o peito transpassado por lanças, ou as cabeças decepadas pelas espadas, gerando um terror que ia tomando conta de quem ainda estava vivo.
Dois legionários enormes se aproximaram da minha família encolhida num pequeno monte sob a chuva inclemente. Minha mãe suplicou por clemência quando um deles, com apenas uma das mãos, me ergueu pelas vestes, enquanto eu esperneava no ar tentando me soltar. Eu não ia me entregar sem luta, meu pai me ensinou a ser corajoso diante das dificuldades e dos piores momentos da vida, e aquele era um desses momentos. A minha braveza divertiu os legionários que começaram a me atirar de um para o outro como se eu fosse uma pelota de trigon. Entre me lançar com a mão direita e me apanhar com a esquerda eu aproveitava para cravar os dentes naquelas mãos enormes, o eu me fez levar algumas bordoadas.
Quando a derrota das legiões já se mostrava iminente e certeira, começou a debandada desenfreada, porém sem não antes me levarem consigo, arrancando-me à força dos braços da minha mãe que implorava para não me matarem. Não o fizeram ali, embora talvez tivesse sido melhor, diante do que o futuro me reservava.
Passou-se mais de um solstício de inverno numa longa jornada em direção ao sul, na qual eu e mais uma leva de garotos com aproximadamente a mesma idade seguíamos de acampamento em acampamento em carroças que mais pareciam gaiolas, e nós, animaizinhos enjaulados e assustados. No fim da jornada eu me encontrava num lugar mais quente, com dias mais claros e ensolarados, com um mar imenso de cor azul que se fundia à distância com o céu. As carroças que nos transportavam pararam diante de uma grande construção de pedra, praticamente uma fortaleza. Ali fomos descarregados com mercadoria, sem desconfiar que viveríamos os piores anos de nossas vidas naquele lugar, vigiados dia e noite, restritos a obedecer cegamente, forçados a executar todo tipo de tarefas independente de nossas compleições físicas, e tratados como o que seríamos dali em diante, escravos das elites romanas, negociados a peso de ouro nos mercados em praça pública.
Alguns de nós foram emasculados naquela clausura, muitos não sobreviveram ao procedimento. Fui miraculosamente poupado, talvez por ter um pintinho pequeno que parecia não oferecer nenhuma ameaça. Porém, o melhor amigo que fiz naquele lugar, e que tinha um porte bem mais avantajado que o meu, me defendendo e protegendo dos demais garotos, não teve a mesma sorte. Ele agonizou durante uma semana sobre um catre duro coberto e protegido das noites frias por alguns trapos. Eu fugia durante a noite para ir ter com ele, me deitava ao seu lado tentando aquecer o corpo que a cada dia me parecia mais frio. Num alvorecer, antes de eu voltar para o meu alojamento, ele não despertou quando o toquei. Seu rosto lívido e inerte tinha uma expressão sombria que não respondia ao meu chamado, a infecção do procedimento vencera a batalha e o tirou de mim. Chorei agarrado a ele como jamais havia chorado antes. Agora estava só, não tinha mais ninguém.
Passei sete solstícios de inverno naquele lugar antes de ser levado a um mercado de escravos, onde meu corpo definido, a pele imaculadamente branca e lisinha, os cabelos levemente cacheados cor de mel e os olhos de um azul intenso renderiam um bom valor pela excentricidade do biotipo nórdico. Recebi um novo nome, Titus, em substituição ao dado pelos meus pais, Simon. Tinham me ensinado de tudo, como servir a um senhor, como andar com graça imperceptível, como falar num tom baixo e submisso, como aceitar tudo sem jamais questionar ou demonstrar qualquer contragosto, como executar diversas tarefas com agilidade e precisão me fazendo o mais invisível possível. Por ter assimilado tudo com rapidez e me comportado sempre sujeito as regras, fui poupado de muitas surras e castigos.
A multidão lotava a grande praça onde tudo parecia acontecer. O sol brilhava com força no auge do verão. Sobre um palanque de madeira no centro da praça, com nada além do subligaculum de linho amarrado à cintura que mal cobria meus genitais, eu estava sendo apalpado sem pudor por todos que se interessavam na minha aquisição. Eu havia comido pouco do mingau de cevada ralo no ientaculum por estar apreensivo com a minha eventual venda, pois era a primeira vez que ia ser exposto no mercado de escravos. Minha barriga parecia estar colada nas costelas e roncava, por mais que eu tentasse suprimir os ruídos. Já dava como certo que não teríamos o prandium naquele dia, e minha fome teria que esperar até a cena no final da tarde. O mercador que nos negociava tinha como principal característica a avareza, não cedendo nos valores, não aceitando menos do que julgava ter dispendido conosco acrescido do lucro exorbitante que queria ter. Apesar disso, o grupo de rapazes que ele havia trazido naquele dia, começava a diminuir aos poucos. Cada venda era seguida de um sorriso vitorioso que ele celebrava sem disfarçar.
No meio da tarde, restava apenas eu e dois outros rapazes, os que ele havia imputado os maiores valores. Eu começava a ver as imagens borradas diante dos olhos, suava muito devido ao calor, já não sentia mais a barriga, apesar dos ruídos persistirem.
- Acho que estou passando mal! – disse ao mercador, quando as coisas à minha volta começaram a girar.
- Não se atreva a desmaiar na frente dos clientes, isso só vai te desvalorizar! É em você que mais pretendo lucrar hoje! Você há de se haver comigo se me causar prejuízo! – ameaçou, antes de colocar uma caneca de água nas minhas mãos.
Fui arrematado por um senhor de rosto encarquilhado, barba e cabelos grisalhos pela maior soma do dia. Ele estava me levando para casa nos arredores da cidade quando caí estatelado no chão, o que o fez praguejar, antes de tudo escurecer diante dos meus olhos.
Acordei num aposento junto ao sótão atulhado de objetos com dois enormes janelões trazendo luminosidade para o ambiente e projetando sombras nas paredes caiadas de branco. Estava deitado sobre uma cama, a mais confortável sobre a qual já havia me deitado depois de ser arrancado da minha família. Minhas têmporas latejavam e o oco na barriga havia aumentado. O velho entrou quando estava tentando me levantar, ainda bastante zonzo.
- Aquele miserável vai me pagar caro por ter me vendido uma mercadoria doente! – exclamou, quando me viu. – Quantas vezes já perdeu os sentidos? Não minta, ou faço picadinho de você!
- Nunca, senhor! Foi a primeira vez, juro! Senti muito calor e comi pouco esta manhã. – respondi.
- Está falando a verdade? Eu tenho como descobrir se estiver mentindo! – retrucou desconfiado.
- Juro, senhor!
- Bem, então basta colocar alguma coisa no estômago para ver se essa aparência melhora. – eu concordei com um aceno de cabeça.
Ele ficou me observando enquanto eu devorava o pedaço de pão e as duas coxas de galinha que colocou na minha frente.
- Santo Deus, há quanto tempo não faz uma refeição descente? Parece que é a primeira vez que vê comida na sua frente, moleque! – afirmou rindo. Não tive tempo de responder, ainda não havia terminado de comer tudo.
Nos dias que se seguiram descobri que não teria muita coisa a fazer naquela casa que mais parecia um pardieiro de tão desleixada que estava. Meu senhor, Arturo, era mestre-pintor e dava aulas para alguns estudantes naquele cômodo em que despertei e que ficou sendo meu quarto. Daí o tanto de objetos que havia espalhados pelo ambiente, e mais um tanto de obras espalhadas atulhando a casa.
- Você vai servir de modelo para os meus aprendizes! Estou lhes ensinando a desenhar e pintar criaturas mitológicas e seu corpo é perfeito para esse tema. – disse, quando lhe perguntei quais seriam minhas tarefas.
A casa vivia cheia durante todo o dia com o entra e sai de alunos, com pessoas interessadas em adquirir as obras que ele produzia quando passava horas isolado numa sala do térreo junto ao jardim. Eu passava a maior parte do dia pelado, ora sentado numa cadeira ou banqueta, ora apoiado numa das colunas que sustentavam o telhado, ora deitado num catre com tiras de tecido soltas sobre meu corpo. O mais difícil foi aprender a ficar imóvel, quando minha vontade era sair para o jardim, ficar perto da fonte onde a água despencava num cantarolar tranquilo, ganhar a rua para explorar os arredores, ou simplesmente me movimentar pela casa sem parecer uma estátua sem vida.
- Você exagerou nos genitais, ele os tem bem pequenos, observe bem, o pinto é mais curto do que mostra seu esboço, precisa evidenciar o prepúcio que esconde a glande; o escroto é mais globoso e também está maior do que na realidade. – dizia ele ao instruir um dos aprendizes. – Lembre-se do que ensinei sobre anatomia, você o está observando por uma vista lateral, atente para as linhas pronunciadas do músculo vasto lateral que é bem estruturado, para o bíceps da coxa que tem um contorno mais pronunciado, e para o glúteo máximo que é bem mais carnudo e proeminente do que você desenhou. – instruía outro, corrigindo as falhas que faziam.
Ao me deitar à noite, toda musculatura parecia desgastada como se eu tivesse corrido uma maratona, não raro acordava com câimbras doloridas que me faziam perder o sono. Eu não queixava, tinha um teto sobre a cabeça, refeições decentes á mesa e relativamente poucas tarefas a executar. O Arturo também não era muito exigente e nunca me pediu nenhum favor sexual, o que haviam me ensinado a aceitar sempre que solicitado e jamais me recusar a fazer o quê quer que meu senhor determinasse.
Até então eu continuava virgem, apesar de o mercador que me adquiriu dos legionários romanos haver tentado violar meu cuzinho algumas vezes. Para minha sorte, durante essas tentativas, sempre foi interrompido por alguém ou algum assunto que exigia mais de sua atenção. Alguns dos garotos que também haviam sido capturados e que não tinham sido emasculados também tentaram saciar seus instintos estimulados pelos hormônios entre as minhas nádegas polpudas. Porém, ou acabaram sendo flagrados pelos vigias e denunciados ao mercador, ou foram desestimulados de seus intentos pelos socos do meu amigo antes de ele falecer.
Fazia três anos que servi de modelo e realizava pequenas tarefas para o Arturo quando ele me vendeu para o general Gaius Aureus Aquino, um militar que apesar de jovem (tinha 32 anos quando me comprou) comandou um grande exército que ajudou a manter sob o domínio romano muitos territórios da Dalmácia conquistados anteriormente subjugando exércitos revoltosos. Isso o fez cair nas graças do Imperador Carolíngio Carlos Magno que fez dele um homem rico e poderoso.
O Arturo não teve como se recusar a fazer o negócio quando o general Gaius me viu retratado num quadro feito por um dos alunos do Arturo e exposto numa feira de arte. Ele logo perguntou quem era o modelo retratado nu com enormes asas feito um querubim assentado entre nuvens. O autor da obra lhe deu as coordenadas de como chegar ao mim, ou melhor, ao meu dono. O Arturo afirmou que eu não estava à venda, mas o general insistiu, fez pressão, quase uma ameaça e ofereceu uma quantia irrecusável para me levar para sua casa, um imenso palacete que mesmo depois de cinco anos ainda estava em construção no meio de uma área imensa nos arredores da capital. Ele colocou os olhos em cima de mim pela primeira vez enquanto eu posava para um grupo de alunos no ateliê iluminado pelo sol dourado de uma tarde de primavera. Tudo que cobria minha nudez era uma tira estreita de linho branqueado que ia do ombro esquerdo, caía displicente pelo torso escondendo o mamilo e adentrava entre as coxas cobrindo meus genitais. Os alunos faziam esboços e pintavam em silêncio, com o olhar fixo no meu corpo. Uma brisa fresca entrava pelas janelas abertas e me ajudava a manter a imobilidade.
Eu o vi de soslaio assim que adentrou ao estúdio, sua figura grande e imponente me distraiu por alguns segundos fazendo minha musculatura se retesar, o que desagradou alguns alunos que estavam justamente captando os detalhes dos músculos das coxas e dos braços. O olhar dele me penetrou fundo, como se eu todo fosse transparente e ele pudesse enxergar dentro e através de mim.
Meu dono voltou a repetir que eu não estava à venda, no entanto, não sei o que o general falou em voz baixa que o deixou tenso e irritado. Recebeu a pequena bursa de couro com as mãos trêmulas, o que fez as moedas nela contidas tilintarem. O Arturo fez um sinal na minha direção me chamando, os alunos bufaram.
- Este é o general Gaius, seu novo dono. – disse o Arturo, me encarando com um olhar pesaroso. – Pegue seus pertences e o acompanhe! Adeus, Titus! Seja um bom garoto como sempre para comigo. – disse, visivelmente comovido. Eu tive vontade de o abraçar, mas me contive; não era lago que um escravo podia fazer, especialmente na frente de estranhos.
O general não abriu a boca durante todo o trajeto até sua casa. Eu sentia um aperto no peito, estava cheio de incertezas, tinha medo do que ele faria comigo, e já tinha aprendido que jamais teria um futuro planejado por mim. Tudo que me esperava era desconhecido e dependia da vontade e das ordens de outros.
O palacete era a coisa mais suntuosa que eu já havia visto. Salões amplos com piso de mármore, colunas trabalhadas sustentavam o teto em arco, paredes revestidas de afrescos emuita, muita luz natural iluminando o interior de todos os aposentos. Meu olhar maravilhado percorria tudo devagar, observando cada detalhe até eu notar a presença de um senhor de meia idade ao meu lado.
- Este é Laio, o responsável pelos escravos da casa! – disse o general. – Ele o instruirá sobre tudo que precisa saber para exercer a sua função. Obedeça-o, se tiver alguma dúvida, pergunte a ele que a esclarecerá.
- Venha comigo garoto! É Titus, não é? É um nome horrível, mas isso pouco importa! Basta que siga minhas orientações, obedeça e não crie problemas, pois já tenho serviço o bastante administrando essa corja toda. – sentenciou o Laio, me encarando com um misto de desprezo e pena.
- Sim, senhor! Farei tudo que me mandar! – devolvi, seguindo seus passos largos e apressados. – Não é meu nome verdadeiro. Passaram a me chamar assim depois de me tirarem da minha família. – esclareci.
- Como eu disse, isso pouco importa! Ninguém aqui está interessado na sua história, só naquilo que deve fazer. – retrucou ele, sem nenhuma empatia.
- E o que exatamente devo fazer? Quais são as minhas obrigações?
- Só fale quando requisitado, essa é a primeira e mais importante regra! No devido tempo vou lhe dizer o que deve fazer e o porquê de estar nessa casa. Por hora, cale-se, pois sua tagarelice me irrita. – devolveu ele
Fui conduzido a uma ala do palacete que não era exatamente a ala dos serviçais mais baixos, me alojaram num quarto com outros três rapazes um pouco mais velhos do que eu, que de imediato me examinaram da cabeça aos pés com um pouco de desdém.
- É esse o rapaz que vai servir o general? – perguntou um deles
- Isso não é da sua conta, Tibério! – respondeu de pronto o Laio. – Todos vocês, tratem de instrui-lo sobre a rotina da casa e como se comportar diante de convidados quando das festas. Não quero desavenças entre vocês. O primeiro que me criar problemas vai sentir o peso do meu chicote até aprender a se comportar, entendido? Especialmente você, Adriano, trate de se dar bem com o Titus, ou dessa vez vou deixar bem mais marcas no seu lombo do que da última vez. – o rapaz para quem ele dirigiu a palavra baixou o olhar, se recolheu e acenou com a cabeça. Fosse lá o castigo que recebeu, parece que ainda não tinha se restabelecido dele.
Meu outro companheiro de quarto chamava-se Severus, foi o único que sorriu para mim. Ele tinha uma cara de safado, de quem sabe como burlar regras e procurar diversão no meio daquela opressão toda. Depois que o Laio nos deixou, também pude constatar que era bastante desbocado, que falava muitos palavrões e sacanagens, quase todas de cunho sexual, como se esse assunto dominasse sua mente suja.
Eles se apresentaram aos poucos, claro que não revelando muita coisa, mas o bastante para eu me sentir entrosado, ou quase isso. Foi como fiquei sabendo que os três eram encarregados de divertir e servir os convidados do general durante as festas e banquetes que promovia com certa regularidade.
- E o que fazem para divertir os convidados, dançam, fazem magicas, cantam ou algo assim? – perguntei ingênuo, extraindo três gargalhadas eloquentes.
- De onde você vem, garoto? Como servia seu antigo dono? – perguntou abismado o Severus.
- Eu posava! Posava para os alunos do meu mestre, que lhes ensinava pintura. – respondi inocente.
- Só isso? – questionou o Tibério.
- Sim, basicamente isso. Às vezes eu saía para comprar telas, tintas e pinceis, e eventualmente tinha que arrumar o ateliê. – esclareci.
- Seu dono nunca lhe pediu nada além disso? Nunca foi para cama com ele? Ele nunca te usou sexualmente? – indagou surpreso o Adriano.
- Não! Claro que não! Eu nunca fiz isso!
- Caralho, que sortudo! – exclamou o Tibério. – Nós divertimos e servimos os convidados do general fazendo sexo com eles, de todas as formas que você pode imaginar, a criatividade deles é imensa. Eu engoli em seco, acabara de descobrir quais seria minha função naquela casa. O pavor se abateu sobre mim a ponto de eu empalidecer e sentir uma vertigem.
- Não vou fazer isso! Prefiro morrer! – balbuciei choroso.
- Não seja tolo! Você não tem opção, é fazer sexo com eles ou morrer, pois é isso que farão se você se recusar. Caia na real, você é um escravo, não decide o que podem ou não fazer com você. Lembre-se das palavras do Laio – obedecer e não criar problemas – e pode estar certo, quando ele decide pegar aquele chicote você vai sentir na pele o quanto ele pode ser perverso.
- Titus, venha comigo! – ordenou o Laio que adentrou ao quarto feito um furacão. Eu soltei um grito e comecei a tremer, achando que tinha chegado a hora de eu fazer sexo com um homem.
- Que reação é essa, moleque? Parece que viu um fantasma! O general quer vê-lo, trate de vestir uma das túnicas que lhe dei. Deve usá-las toda vez que for se apresentar diante do general, entendido? – a voz do Laio me pareceu ainda mais ameaçadora.
- Eu não quero! Por favor, tudo menos isso! Faço tudo que me mandar, mas não vou deixar ninguém tocar meu corpo! – desatei a falar.
- O que deu em você? O que foi que falaram para ele, seus imprestáveis? O garoto está a ponto de ter uma sincope! – os três se entreolharam e começaram a rir. – Venha, não tenho tempo a perder, mas vocês podem esperar, quando eu voltar vamos ter uma conversinha nada agradável, seus veados de merda! Anda garoto, ninguém vai tocar em você .... por hora!
Eu corri atrás dele feito um cachorrinho, através dos corredores e salões, até ele me deixar frente a frente com o general e uma garota que devia ter a minha idade e estava tão ou mais apavorada do que eu.
Ela se chamava Junia, tinha um rosto angelical, um corpo franzino e dois olhos que, apesar do medo, não perdiam um lance do que se passava a sua volta. Ela havia chegado ao palacete naquele mesmo dia, poucas horas antes, depois da cerimonia de casamento com o general. Ela parecia uma ovelha perdida, não ousava olhar para aquele homem imenso, abrutalhado, cuja voz retumbava ecoando entre as paredes como um trovão. Como eu, ela também era uma aquisição do general, não como escrava, mas como esposa, o que nos dias que corriam não era muito diferente. Mulheres não podiam ter opinião, não expressavam livremente o que pensavam ou sentiam, desde pequenas eram instruídas a obedecer sem questionar.
A Junia tinha saído do cabresto do pai para ser conduzida pelo do marido. Sabia exatamente qual seria a sua função naquela casa, dar filhos, descendentes para aquele homem que só havia visto duas vezes antes de se casar. Tudo que sentia por ele era paura, temor e indiferença. Ela havia crescido cercada por meninas, nunca teve contato com os meninos, só os havia visto a distancia e trocado umas poucas frases com dois de seus primos. Aprendeu que tinha que ser submissa aos homens, que após o casamento seu corpo não lhe pertenceria mais, seria propriedade de seu marido para que ele fizesse dele o que bem desejasse.
Como todas as mulheres, temia o dia em que seria usada pela primeira vez, pois ninguém ousava falar sobre isso, nem as mães, nem as irmãs que já haviam passado pela noite de núpcias. Só rumores circulavam pelas alas dos empregados, onde mulheres mais velhas descreviam os horrores que os homens praticavam com seus corpos. A Junia sabia que a vez dela tinha chegado, que o general ia usar seu corpo virgem para fazer nele a prole que o distinguiria entre os pares. Ela não seria nada além de uma reprodutora, cuja obrigação seria a de gerir aquela casa e cuidar dos filhos que ele lhe fizesse, mantendo-se longe das vistas de visitas às quais o general não queria que tivesse intimidade.
Quando nossos olhares se cruzaram, a Junia e eu sabíamos aquele homem ia nos usar a seu bel prazer, que nossa obrigação seria satisfazer suas vontades e nos mantermos invisíveis e prestativos. Foi por isso que simpatizei com ela, e, ao que parece, ela comigo. A sina que nos unia naquele destino involuntário, fez com que nos afeiçoássemos um ao outro.
- Esta é minha mulher, Junia! Este é, como é mesmo que se chama, rapaz? – indagou a voz grossa do general.
- Titus, senhor! – balbuciei, com os lábios trêmulos.
- Sim, claro, Titus! Quero que sejam companheiros, que passem horas juntos fazendo sabe-se lá o que pessoas como vocês fazem para passar o tempo. – ela e eu voltamos a nos encarar e acenamos positivamente com a cabeça. Voltei para junto dos meus três companheiros com um sorriso largo e aliviado.
- Como foi? - perguntou o Severus.
- Pela sua cara o encontro com o general deve ter sido bom! – exclamou o Adriano
- Sim, foi! – respondi. – Agora sei qual é a minha função nessa casa. Devo distrair a esposa dele, fazer-lhe companhia! Meus temores se foram, ainda bem! Não terei que fazer o que vocês fazem, estou me sentindo até mais leve. – afirmei
- Você é mesmo um tonto, garoto! Você ainda não atinou que vai ser o substituto dela quando o general quiser fazer sexo e ela estiver indisponível por alguma razão? Acorda, ele vai te usar como usa a esposa quando quiser se satisfazer sexualmente. – disse o Severus. Voltei a sentir o medo sufocando meu peito. Se isso fosse verdade, eu estaria perdido, e tinha que arrumar uma maneira de fugir daquilo.
- Está colocando medo na cabeça do garoto, Severus! Não seja tão cruel, ao que parece ele ainda é virgem e não sabe do que os homens são capazes. – recriminou o Adriano.
- É verdade isso, Titus, você é virgem? – perguntou o Severus, cheio de malícia
- Não quero falar sobre isso! – respondi
- Ele é virgem! – divertiram-se os três quando o Tibério fez a afirmação.
- Então prepare-se! O primeiro caralho no cu dói muito, ainda mais se for de um sujeito feito o general que, ao que parece por seu tamanho e força, deve ter o pauzão que não deixa uma prega sequer intacta. – disse o Severus, enquanto se divertiam com a minha cara apavorada. – Ainda me lembro quando cheguei aqui na mesma condição de virgem íntegro e fui pego pelo capitão da guarda. Ele enfiou aquela estrovenga enorme no meu buraquinho sem dó nem piedade e, apesar dos meus gritos e súplicas, só parou de me foder quando terminou de se saciar no meu cu. Fiquei quase uma semana andando todo arrombado, mal podendo fazer minhas necessidades fisiológicas. – acrescentou, numa revelação que me deixou horrorizado.
O capitão da guarda era um homem enorme, forte, perto dos quarenta anos, mal encarado e que andava sempre carrancudo como se estivesse de mal com o mundo. Ele acompanhava o general no dia em que ele me comprou, e não gostei da maneira como ele olhou para mim. Parecia que ia me devorar.
- Nem me fale! O capitão é de deixar qualquer um com as pregas rasgadas! – exclamou o Adriano, sacudindo-se todo como se estivesse a sentir a gana do capitão no ânus.
Ele tinha a fama de gostar de garotos, além dos três, o capitão já tinha fodido outros serviçais da casa, mesmo contra a vontade deles. Daí o temerem e fugirem dele assim que o viam. Eu mesmo sentia um arrepio quando ficava diante dele, daquele olhar cobiçoso que chegava a doer.
- Eu até gosto dele! – afirmou o Severus, com um risinho safado. – Já me acostumei com o jeito bruto dele, e adoro sua pegada forte, o tanto de porra que ejacula a cada gozo, e como é reconfortante sentir os braços dele envolvendo o corpo.
- Isso não conta, Severus! Você se delicia com qualquer macho que enfie a caceta no seu rabo! – afirmou o Tibério.
- Não é para isso que estamos aqui? Servir os machos, dar prazer a eles!
- Não vou me sujeitar a isso! – exclamei determinado. – Só de pensar nisso, tenho calafrios!
- Pois então prepare-se, pois vai viver tendo calafrios! – caçoou o Severus, os fazendo rir.
A confirmação de que meu corpo seria usado da mesma maneira que o dos três veio naquele mesmo dia quando o Laio me chamou e me levou a um aposento da casa que mais se parecia com uma casa de banhos, e era. Paredes e piso revestidos de mármore, uma enorme banheira do mesmo material ocupava o centro do salão, e por ela corria um fluxo de água ligeiramente tépida que havia sido canalizado de uma fonte termal, o que gerava um vapor que deixava uma nevoa pairando no ar.
- Preste muita atenção no que vou lhe instruir! Toda vez que for solicitado pelo general, deverá cumprir previamente esse ritual, sem deixar nenhum passo de lado, entendeu? – começou o Laio.
- Sim senhor!
- Pois bem! Vai começar se banhando tenho especial cuidado com as partes íntimas. Toda vez que fizer suas necessidades fisiológicas vai se limpar com o tersorium seguida de uma lavagem anal. Vai fazer no mínimo três a quatro clisteres injetando essa mistura de água e azeite de oliva até a água sair transparente. Em seguida, vai ter a ajuda de um serviçal que vai espalhar e massagear seu corpo com óleos aromatizados. O general tem preferência pelos óleos de juniper e manjerona, portanto, deve usar pelo menos um deles. Depois, vai se cobrir com uma dessas togas, prendendo-a à cintura com apenas um único e frouxo nó, fácil de ser desfeito. Adentrará aos aposentos do general e, a partir daí, seguirá fielmente as ordens dele, até que ele o dispense. Você entendeu tudo, Titus? Não me cause aborrecimentos, não quero ser repreendido pelo general por você não se mostrar dignamente preparado e pronto para o servir. – sentenciou, sem meias palavras e imperativo. Isso não deixava nenhuma dúvida, conforme o Severus havia mencionado, eu estava ali para levar o cacete do general no cuzinho.
Minha primeira ideia, assim que o Laio me deixou, foi subir ao telhado do palacete e me atirar lá de cima, assim todos os meus problemas estariam definitivamente resolvidos. Cheguei até o beiral do telhado, olhei para baixo e tive a certeza de que a queda seria fatal. Só não contava que um soldado da guarda, pois sempre havia vários deles espalhados pela propriedade, me visse intentando o suicídio. Ele deu o alarme e, minutos depois, eu estava sendo resgatado por um par de braços musculosos e fortes que me arrancou de lá como se eu fosse um passarinho. Nem preciso mencionar que o Laio quase fez o serviço por mim quando lhe fui entregue ainda meio desnorteado.
- Estou vendo que você vai me causar muitos problemas, garoto! Mas, eu sei como lidar com animais selvagens e bravios e coloca-los na linha, pode esperar, você vai estar mais manso que um cordeirinho em poucas semanas. – asseverou numa ameaça que me fez regelar.
Para piorar, a Junia gritou e gemeu pelo menos umas três vezes durante a noite de núpcias, ao se pega pelo general. Ninguém instruía as moças quanto a primeira noite com um homem, era um tabu que passava de geração em geração, deixando-as à mercê da sorte e da disposição dos maridos. Quando muito, ouviam conversas veladas de serviçais, ou de pessoas de classe mais baixa, de como transcorria a nox nuptialis quando se dava o rito consummatio matrimonii através do defloratio que as fazia passar da condição de virgo para matrona, que suplícios eram obrigados a ser suportados e no que costuma resultar o coitus, cujo objetivo primordial era a procriação. Aparentemente, a Junia foi pega de surpresa, totalmente desinformada de seu papel de esposa que ia além da mera exposição em público ao lado do marido. O que tinha que acontecer nos bastidores lhe foi sumariamente ocultado.
- O general está em ação! – exclamou lascivo e debochado o Severus quando ouvimos os ruídos que a Junia soltava enquanto estava sendo fodida pelo marido num aposento do mesmo corredor onde ficava nosso quarto. O pânico tomou conta de mim, apesar da noite quente, eu tremia da cabeça aos pés. – Logo, logo é você que vai estar nessa posição, Titus! Já dá para ter uma ideia do que te espera! – emendou, caçoando do meu pavor.
Não houve uma noite sequer daquela semana em que os gemidos da Junia não preenchessem as noites silenciosas. Em nenhuma delas preguei o olho, parecia que estava acontecendo comigo, embora eu não fizesse a menor ideia de como era ser enrabado por um homem.
O bom nisso tudo era que eu não estava sendo solicitado pelo general. Passaram-se dez semanas sem eu ser requisitado, o que me fez pensar que talvez nunca seria chamado para me submeter a esse papel.
A Junia não tinha com quem desabafar, e acabou me elegendo como seu confidente. Eu entrava em pânico com os relatos dela de como era ser usada pelo general, do quanto ele era insaciável, de como seu corpo ficava exaurido depois de ele ter se satisfeito.
- Não quero ouvir mais nada! Guarde isso para si! – dizia eu
- E com quem eu vou desabafar, só tenho você de confiança? Não me abandone, ser mulher não é fácil, sabia? – queixava-se ela, que não sentia nada por aquele homem que a possuía com uma voracidade desmedida.
- Você não o ama? Dizem que quando se ama a pessoa, tudo fica mais suportável, mais prazeroso. – argumentei.
- Fui tirada do jugo do meu pai para o desse homem. Não tive escolha, fui jogada de uma casa para a outra como se isso fosse uma dádiva à qual eu deveria ser eternamente grata. Mas, eu estou detestando cada um dos meus dias nessa casa. – afirmava ela, antes de cair no choro que eu acalentava tomando-a nos braços e garantindo que dias melhores viriam, que o tempo resolveria tudo, embora eu mesmo duvidasse disso. Ela se acalmava e ficava cada vez mais ligada a mim.
Onze semanas depois da noite de núpcias, a Junia entrou em desespero. Ela mandou me chamar e estava mais agoniada do que nunca, depois que recebeu a visita da mãe, com quem passou praticamente do dia inteiro desabafando. Suas regras vão vieram durante todo esse período e a mãe levantou a hipótese de ela estar grávida. Enquanto a mãe entrava num estado de euforia, a pobre infeliz se lamentava do infortúnio que se abateu sobre seu destino.
- Posso estar grávida! Minha mãe acha que estou. Na verdade, ela tem certeza. O que será de mim agora, Titus? Sei que gerar um filho é arriscado, muitas mulheres morrem ao parir, ou logo depois, ou mesmo antes. As que sobrevivem a uma gravidez são afortunadas, tem seu status elevado e reconhecido. Eu não quero morrer, Titus! Não quero morrer por esse homem ter entrado no meu corpo, não quero ter filhos, só quero a minha vida de volta. – argumentou ela, agarrando-se a mim como se eu fosse sua tabua de salvação.
- O general vai ficar feliz! Há de dar tudo certo, confie! Você vai ter bebes lindos como você, Junia! Não pense no pior. – devolvi para a encorajar, enquanto eu mesmo começava a temer as consequências daquela gravidez.
Para a poupar, o general ia requisitar meus serviços. Seria eu a satisfazer os desejos sórdidos e libidinosos daquele homem que só pensava em seu próprio prazer. Passei duas noites em claro depois que a notícia da Junia estar grávida ter se espalhado pelo palacete. Não se falava noutra coisa da cozinha aos estábulos, a notícia correu ligeira.
- Chegou sua hora, meu caro Titus! – exclamou o Severus com uma alegria cínica. – Agora você vai conhecer a outra função daquilo que os homens carregam entre as pernas. Esteja preparado, pelo porte do general, você vai sofrer um bocado toda vez que ele te usar. – emendou sarcástico.
- Pare de assustar o garoto, Severus! – disse o Adriano. – Se o Laio souber que você está colocando essas caraminholas na cabeça dele, vai se arrepender, sabe disso! E, além do mais, pode ser que o Titus venha a gostar de sentir um macho dentro do cu dele. Nós aprendemos a gostar, por que não se daria o mesmo com ele? – questionou.
- Eu não vou gostar! Não vou deixar ninguém tocar em mim naquele lugar! – afirmei obstinado.
- Você não tem escolha, conforme-se! – argumentou o Tibério. – Dê-se por feliz de ainda estar inteiro. Veja a minha situação e a do Severus, fomos emasculados a revelia da nossa vontade e lançados nas mãos dos homens que só querem se aproveitar dos nossos corpos jovens, esculturais e rijos. Nunca tivemos escolha, era se submeter ou ser obrigado a trabalhos forçados nos quais nunca se fica velho, pois os escravos que são empurrados para eles morrem cedo. – argumentou.
- Pois eu prefiro um trabalho desses para me livrar logo dessa vida infeliz. – respondi.
- Titus, o general está te requisitando! – informou o Laio, poucas horas depois, quando o sol começava a se pôr no horizonte. – Lembre-se do que lhe ensinei! Não me apronte nada que enfureça o general! Se a minha cabeça rolar, a sua vai junto, não se esqueça! Só para garantir, vou pedir ao capitão da guarda que coloque dois soldados na sua cola, pois sei que você é cheio dos truques.
Preparei-me conforme o ensinado. Não parava de tremer, parecia que meu corpo ia convulsionar a qualquer momento. Quando estavam me passando óleo aromatizado com alecrim pelo corpo, tentei escapulir saindo correndo por um corredor, mas mal tinha deixado o aposento, topei com o corpão parrudo de um soldado que se excitou com a minha nudez ficando com o pauzão duro ao me conduzir de volta à sala de banho, enquanto eu me debatia em seus braços musculosos. Avisado da minha rebeldia, o Laio veio ter comigo e, mesmo antes de pronunciar qualquer palavra, me acertou uma bofetada no rosto que o deixou marcado e quase me desequilibrou.
- O que foi que eu falei, garoto? Está me desafiando? Eu ainda acabo com você qualquer hora dessas, entendeu? – vociferou, espumando de raiva.
- Eu não quero ir! Me mande fazer qualquer outra coisa, seja lá o que for, mens isso! – implorei.
- O general te comprou para isso, e é isso que você vai fazer! – retrucou.
Eu nunca tinha estado nos aposentos do general, e me abismei com o luxo que imperava em cada canto. O chão era coberto por mosaicos sofisticados. Havia um cheiro almiscarado no ar, um cheiro que eu já havia sentido em alguns homens, um cheiro agradável, para dizer a verdade. Ele não estava quando adentrei empurrado por um serviçal que se retirou em seguida fechando a porta. Meu coração estava quase saltando pela boca, eu estava todo arrepiado. A túnica de linho alvejado e quase transparente parecia queimar minha pele. Me encolhi todo, pernas juntas, braços cruzados sobre o peito, com o olhar fixo na porta pela qual o general ia entrar. Quando a ouvi ranger e se abrir lentamente, senti tudo rodando a minha volta e as pernas completamente moles.
O general trajava uma toga escarlate que chegava pouco abaixo de seus genitais e estava aberta deixando o peitoral imenso e peludo exposto. O caminhar dele na minha direção era firme de decidido. Suas pernas e coxas estavam revestidas por músculos enormes debaixo dos pelos abundantes e negros. Era um homem imenso, altivo, seguro de si. A expressão dele não mudou, apenas o olhar adquiriu um brilho cobiçoso quando focou na minha silhueta curvilínea e harmoniosa debaixo da túnica posicionada contra a última luminosidade que penetrava pelas janelas, deixando-a ainda mais transparente. Ele levou a mão entre as pernas e apertou o pauzão que se enrijecia excitado. Não cheguei a vê-lo, mas percebi que estava crescendo numa ereção vigorosa.
- É Titus, não é, meu rapaz? – a voz dele, como no dia em que o vi pela primeira vez, retumbou feito um trovão e me deixou ainda mais apavorado.
- Sim, senhor! – respondi, sentindo a boca seca.
- Debruce-se sobre o espaldar do lectus e afaste as pernas! – ordenou secamente, desamarrando o cordão trançado que fechava sua toga.
Meus pés enraizaram no chão quando a toga se abriu e meus olhos se depararam com o tamanho do caralhão que pendia entre suas coxas. Eu nunca tinha visto nada igual. Ele crescia a olhos vistos dando uns pinotes, e se transformando numa clava que emergia do chumaço de pelos pubianos feito uma estaca.
- Está esperando o quê? Faça o que mandei! Debruce-se! – voltou a ordenar.
O lectus não estava mais distante que três passos, mas me pareceram léguas até eu chegar a ele e me debruçar sobre o espaldar forrado. Agarrei-me a ele e afastei as pernas ficando numa posição vulnerável. Eu não parava de tremer, os espasmos percorriam todo meu corpo retesando-o a ponto de a musculatura doer. O general se aproximou, levantou a túnica e a jogou sobre meus ombros, deixando a bunda completamente exposta. Um ruído agudo escapou da minha boca quando senti as mãos pesadas dele deslizando sobre as nádegas.
- Você é delicioso, garoto! Tão carnudo, macio e durinho! – exclamou, num sussurro rouco.
Ele ficou amassando os glúteos carnudos e volumosos por um bom tempo, afastando-os de quando em quando para admirar o reguinho liso e a preciosa e rosada rosquinha cravada fundo dentro dele. Era inexplicável o que eu estava sentindo, pavor era certo; mas havia uma sensação estranha que o acompanhava, algo indescritível que eu ainda não sabia se era bom ou ruim.
De repente, soltei um gritinho e me estremeci todo, o general enfiara um dedo no meu cuzinho e o rodopiava assanhado dentro dele. Os esfíncteres travaram automática e fortemente ao redor do intruso, provocando outra sensação inusitada.
- Vejo que valeu cada um dos quatro Solidus de ouro que paguei por você! Esse buraquinho quente e úmido está me deixando maluco! – afirmou, empurrando o dedo cada vez mais fundo no meu cuzinho.
Ele chegou mais próximo, senti as coxas peludas dele roçando minha bunda e se encaixando em sua virilha, enquanto a cabeçorra do cacetão cutucava minhas preguinhas. Me levantei num rompante e corri em direção a porta pela qual havia entrado.
- Volte aqui, rapaz! Me obedeça, volte já para cá! – berrou o general, segurando o caralhão completamente duro e excitado do qual ainda consegui ver cabeçorra estufada e lustrosa brilhando e vertendo um fio viscoso de pré-gozo. – Volte imediatamente para cá, seu veadinho desaforado! Não pense que vai escapar depois de me deixar nesse estado, o pau chega a doer de tão duro! Volte para cá ou mando jogá-lo aos leões, seu veadinho atrevido! – berrava ele, sem saber o que fazer com aquele caralhão grosso e insaciado que segurava na mão.
Por sorte a porta se abriu e eu ganhei o corredor numa corrida alucinada, ouvindo os berros zangados dele e os passos ligeiros de dois soldados vindo no meu encalço. Minha vida dependia dessa corrida, por isso dei tudo que podia até chegar ao jardim, driblando os soldados por entre as sebes até chegar aos limites da propriedade e enveredar por uma estrada cascalhada rumo ao não sei onde. O importante era correr, correr o mais que podia, correr para o mais distante dali.
A noite caiu e os soldados me perderam de vista. Escondi-me num rochedo, sem fôlego e com as pernas sentindo câimbras. Estava exausto, mas pelo menos continuava com o cuzinho íntegro. À medida que a noite avançava o frio me impedia de cair no sono camuflado nas reentrâncias do rochedo. Quando a alvorada começou a despontar, fui vencido pelo cansaço. Cheguei a sonhar, não um pesadelo, mas um sonho lúdico e lascivo no qual sentia o dedo libertino do general se movendo insidiosamente entre as minhas pregas anais.
Meu rosto foi sendo tomado por uma quentura prazerosa, quando abri lentamente os olhos senti que o sol batia sobre a minha pele e, me deparei com os dois soldados parados na minha frente. Fui agarrado antes de conseguir ficar em pé, e levado à força de volta para o palacete, sendo palpado com luxúria e cobiça enquanto me debatia procurando me safar daquelas mãos enormes e fortes dos dois soldados. Fui despejado feito um saco diante do general, que estava mais carrancudo do que nunca. Com uma ordem imperiosa, ele dispensou todos que estavam ao redor, inclusive o Laio que tentava se justificar pelo meu comportamento.
- Venha comigo! – ordenou, dirigindo um olhar zangado na minha direção. Como sempre, obedeci, até porque já estava sendo rebelde o bastante para irritar qualquer um.
- Vai me jogar para os leões? – perguntei, seguindo-o até seus aposentos.
- É bem provável! – respondeu, sem me encarar. – Por que fugiu? Não te explicaram o porque de você estar nessa casa?
- Fiquei com medo! – respondi sincero. – Explicaram, mas eu preferiria fazer qualquer outra coisa que não .... – interrompi a resposta, pois não sabia como dizer que não queria dar o cu.
- Medo do quê, de mim?
- Sim! Quer dizer .... da coisa enorme que o senhor tinha nas mãos. – confessei. Ele precisou se segurar para não rir.
- Achou meu pau enorme? – para que ele tinha que perguntar isso, eu já não admiti que era enorme?
- Sim! – respondi baixando o olhar ao sentir que tinha corado.
- Vem cá e tirei essa túnica suja e rasgada!
- Eu não quero .... – fui interrompido com a mão dele se fechando ao redor do meu braço e me conduzindo na direção da sala de banho.
Ele desamarrou o nó do cordão que mantinha a túnica fechada e a fez deslizar lentamente pelos meus ombros ao me desnudar, deixando-a cair aos meus pés. O olhar de fascínio parecia me penetrar até os ossos, e tinham novamente aquele brilho libidinoso que me arrepiava inteiro.
- Entre na banheira! – hesitei, mas entrei. – Onde esteve esse tempo todo, está com a pele coberta de picadas de insetos. – observou, passando suavemente a mão sobre as pintas vermelhas deixadas pelas picadas.
- Me escondi no rochedo da estrada que leva a Fiumicino.
- E que raios foi fazer ali? Achou mesmo que conseguiria fugir dos soldados? – indagou, surpreso com minha ousadia.
- Já disse, fugir! – ele voltou a rir, mas dessa vez não disfarçou.
- O medo foi tão grande assim?
- Foi! Quer dizer, é!
Sentei-me na banheira, o fluxo de água morna amenizou o ardido das picadas dos insetos e, por uns breves segundos, achei que podia relaxar. Mas então, o general tirou a roupa e o caralhão ainda flácido, mas ameaçador, voltou a me assustar. Ameacei sair da banheira, mas ele me impediu.
- Nem pense em sair daí!
- O que vai fazer comigo? Prefiro que me jogue aos leões de uma vez!
Ele entrou na banheira e se alojou atrás de mim com as pernas bem abertas quase envolvendo as minhas. A tremedeira tomou conta de mim quando o senti fechando os braços ao redor do meu tronco e o puxando contra o peitoral largo e quente dele.
- É a primeira vez que vejo um escravo sexual ter tanto medo, você está tremendo! – disse ele, junto a minha orelha, o que fez minha nuca arrepiar. – Você é lindo e muito gostoso! Sua bundinha dura e polpuda é uma tentação sem tamanho. Quero entrar dentro dela! – afirmou, apertando o biquinho saliente do meu mamilo excitado.
Não respondi nada, sabia que minha voz não ia sair, e o deixei continuar a se apossar do meu corpo com aquelas mãos que o percorriam cheias de desejo. De repente, ele fechou a mão ao redor do meu queixo, puxou minha cabeça contra seu ombro e juntou sua boca à minha. Eu quase desmaiei ao sentir o sabor da saliva dele se misturando à minha e a língua duelando lascivamente com a minha. Foi bom, tenho que admitir. Maravilhoso, para ser mais sincero, não fosse por um único detalhe. O pauzão dele ficou duro durante o beijo prolongado, e eu o senti roçando perigosamente meu reguinho.
Sou obrigado a admitir que os braços vigorosos do general e seu tronco maciço e quente transmitiam muita segurança, algo que eu não experimentava há muito tempo. Duas lágrimas mornas desceram pelo meu rosto antes que eu as pudesse reter.
- Está chorando? O que está acontecendo? – perguntou ele.
- Nada! – respondi num murmúrio sufocado.
- Ninguém chora por nada! Anda, me diz o que está acontecendo agora! – exigiu.
Fiquei com vergonha de dizer que o abraço dele estava me recordando de época em que minha mãe me abraçava antes de me mandar para a cama, ou de como meu pai me apertava contra seu peito ao se sentar ao meu lado para contar uma história antes de eu dormir. Essa lembrança feliz era tudo que me restava deles e, por uns instantes, aquele abraço do general me devolveu essa mesma felicidade.
- Saudades dos meus pais! – respondi com franqueza, o que o fez saber que minha trajetória de vida fora brutalmente mudada por alguém como ele, um comandante de exército que expandia e assegurava o domínio romano sobre outros povos.
- Você está seguro comigo, Titus! Eu te prometo que vou cuidar de você sempre, que nunca vou te machucar! Você não precisa ter medo de mim! – exclamou, num tom de voz sereno.
- Nem mesmo quando me jogar aos leões? – indaguei, mais confiante.
- Nem mesmo quando eu te lançar aos leões! – respondeu rindo.
Precisei escorregar um pouco para frente, pois o caralhão dele já estava tão duro que se insinuou entre as bandas carnudas da minha bunda. Ele me puxou de volta, me fazendo sentar em seu colo.
- Vou colocar meu pau inteiro no seu cuzinho! Estou desesperadamente precisando aninhar meu cacete nesse rabão tesudo. – afirmou.
- Não vou aguentar! O senhor prometeu não me machucar! – balbuciei
- Quem enfiou na sua cabeça que não vai aguentar levar uma rola no cu? Vai aguentar sim, é só saber como enfiar ela dentro de você, e isso eu sei fazer com muita habilidade, pode ter certeza. Vire de frente para mim e senta no meu colo, senta devagar, deixando seu peso cair sobre a minha rola. – orientou. Obedeci apesar de mal conseguir controlar a tremedeira.
Frente a frente com aquele macho enorme e parrudo, encarando seu rosto másculo, senti que podia confiar nele e, enquanto ele me segurava pela bunda, afastando as nádegas e abrindo meu reguinho, fui vagarosamente sentando sobre aquela estaca que estava apontada sobre a minha fendinha anal. Um pluft abafado pela água ecoou quando a cabeçorra do caralhão atravessou meus esfíncteres. Eu gritei, o general me segurou com mais força para que não escapasse e focou seu olhar dominador em mim. À medida que meu peso fazia minha bunda baixar sobre o colo dele, a estaca grossa e quente ia afundando na minha carne, dilacerando-a, abrindo-a para alojar o cacetão latejante que deslizava progressivamente para dentro de mim. Eu gania sentindo o cuzinho rasgar, me agarrava aos ombros musculosos dele para suportar a dor lancinante que se espalhava pela pelve.
O general não me impedia de ganir e gemer, isso o estava excitando ainda mais, e o fazia puxar minhas ancas para baixo para que o cacetão afundasse mais rápido, até o talo, na maciez úmida do meu cuzinho.
- Tesão de garoto apertado! Você é delicioso Titus! Um tesão da porra, seu veadinho! – grunhia ele em meio ao tesão crescente.
- Ai meu cuzinho, general, está doendo! Eu disse que não ia aguentar! – balbuciei choroso.
- A dor já vai passar, acredite! É só no começo, depois vai sentir prazer! – devolveu, afagando meu rosto contraído pela dor. Eu duvidei, pois quanto mais aquele pauzão afundava em mim, mais eu sentia as entranhas se dilacerando e a dor aumentando.
Suas mãos se fecharam envolvendo meu rosto, ele o puxou contra o dele e me beijou voraz e voluptuosamente e, de súbito a dor foi amenizando. Quanto mais eu sentia o sabor da saliva dele, menos dor eu sentia; acompanhado de um repentino prazer que crescia dentro de mim a cada pulsada potente que o pauzão dava. Comecei a cavalga-lo por instinto, gingando a pelve para frente e para trás ao mesmo tempo que quicava sobre o colo dele. Meu cuzinho travou em volta do pauzão grosso e, quanto mais ritmo eu imprimia, mais ele apertava a estaca me fazendo sentir prazerosamente preenchido.
- Isso tesudinho do rabão estreito, cavalga a pica do teu macho, cavalga veadinho! Vou encher esse cuzinho de porra! – murmurava ele entre grunhidos de prazer.
O Gaius não me mentiu, aquilo que eu estava sentindo era prazer, um prazer crescente que jamais havia sentido. Voltei a me agarrar a ele e a retribuir carinhosamente seus beijos quentes carregados de lascívia. Nem percebi que meu pinto havia enrijecido e que algumas contrações no saco me levaram a gozar, fazendo os grumos de porra flutuarem a superfície e serem carregados pelo fluxo da água percorrendo a banheira.
- Gozou, seu veadinho tesudo do caralho! Foi, gozou com a minha rola entalada no cu, seu putinho gostoso do caralho? Confia em mim agora? Eu não disse que ia sentir prazer? Agora me faz gozar no seu rabo, tesudinho! Quero encher esse cuzinho de porra, te inseminar! Vem cá, beija teu macho e me faz gozar! – pediu, antes de eu colar minha boca na dele e receber duas estocadas fortes antes de ele urrar e começar a se despejar no meu ânus arregaçado.
Ainda permanecemos um bom tempo na banheira, uma parte em silêncio, logo após o gozo, quando suas mãos voltaram a deslizar sobre a minha pele, amassar meus mamilos saltados, contornar meu pescoço e rosto a cada beijo que trocávamos. Eu acariciava os braços peludos dele, aconchegado em seu colo enquanto o pauzão amolecia vagarosamente no meu cuzinho esporrado.
Passei o restante do dia na companhia dele, pois não me liberava e ficava me agarrando a todo instante, o que nos levou a transar mais três vezes até a noite cair e eu a passar em sua cama, cobrindo-o de carícias e beijos que ele recebia se entregando feito um gato manhoso.
- Quando estivermos sozinhos, quero que me chame pelo nome, Gaius! Nada de senhor, de general, entendeu? – ordenou.
- E de meu macho, posso te chamar de meu macho? – perguntei ousado, depois de descobrir o prazer que um homem viril como ele podia me proporcionar.
- Ah, seu putinho! Já assimilou que sou seu macho, foi? Vem cá que eu vou te dar mil motivos para me chamar de seu macho! – devolveu satisfeito e sorrindo, quando se lançou sobre mim e tornou a enfiar o pauzão sedento no meu buraquinho recém esfolado.
A barriga da Junia não parava de crescer, ela caminhava feito uma pata desengonçada e me queria ao seu lado o tempo todo, quando me fazia longos relatos de como era horrível sentir o corpo se transformando. Eu tentava incutir coragem e otimismo, mas ela parecia não os assimilar.
- Ele está te requisitando? – perguntou certa tarde, quando estava particularmente sensível e chorando por qualquer coisa.
- E isso importa? Não pense nisso! Como não pode estar com você, ele me exige às vezes. – respondi, omitindo que estávamos transando cada dia mais e com mais intensidade e desejo de ambas as partes.
- Para mim importa! Eu gostaria que ele só fizesse aquelas coisas com você, não comigo! Veja em que estado ele me deixou! Eu nunca quis ter ou estar com um homem! Mas nós mulheres não temos escolha, temos que nos conformar, temos que ser as reprodutoras que todos esperam que sejamos. Eu detesto a minha vida, Titus! Detesto! – desabafou, caindo novamente no choro com a cabeça deitada no meu ombro. – Você ao menos não vai sentir uma coisa crescendo impunemente dentro de você, te causando náuseas, desconforto e dores.
Não diga isso, Junia! Gerar um filho é quase uma benção! Pense quando estiver segurando seu bebe no colo, toda mulher sonha com isso, eu acho! – argumentei.
- Então porque não experimenta ficar grávido? Vai mudar de opinião em pouco tempo! – eu ri do absurdo de suas palavras. Contudo, quando voltamos a ficar em silêncio sentados no jardim entre os limoeiros e oliveiras que espalhavam seu perfume pelo ar morno da tarde, uma imagem descabida da minha barriga dilatada abrigando um serzinho que o Ganius implantou em mim, surgiu no meu pensamento. Ele a acariciava com um sorriso abobalhado e feliz, e eu sentia uma conexão impar com aquele homem.
Os gritos da Junia parindo, ao lado da mãe e das parteiras ecoou durante horas pela casa. A cada grito eu sentia o corpo estremecer, como se o sofrimento dela me perpassasse. Os serviçais corriam pelos corredores trazendo isso e aquilo, o que aumentava o tumulto e a agonia de que estava fora daquele quarto. Ao anoitecer os gritos cessaram por um longo tempo, algo não transcorria como devia. Até um médico foi chamado às presas. Como quase todos, tratava-se de um ex-escravo grego que ganhara a liberdade por seus conhecimentos adquiridos na prática e que os romanos ainda não dominavam com a mesma maestria. Ele entrou fazendo reverencias ao general, ciente de sua posição inferior, mas manteve uma expressão digna ao fazê-lo. Quando saiu, a expressão havia mudado, estava derrotado e cabisbaixo ao anunciar que mãe e bebe não sobreviveram ao parto. Assim a Junia entrou para as estatísticas das mulheres desafortunadas que não sobreviviam à gravidez, algo bastante comum nos dias que corriam, e que já não causava mais espanto em ninguém, deixando apenas a dor para os mais diretamente envolvidos.
Não dava para saber se o comportamento intrusivo do Gaius nos dias que se seguiram foi sua maneira de vivenciar o luto duplo, ou se apenas estava se mostrando forte e indiferente ao que aconteceu. Nem mesmo eu, que já tinha aprendido a decifrar e compreender suas expressões, conseguia saber o que se passava em seu íntimo.
- Quer conversar? – perguntei, quando o encontrei sentado pensativo no jardim, já tarde da noite.
- Não! – a resposta foi seca e tão firme que não insisti.
- Quando quiser, estou aqui para você! – afirmei, pegando uma de suas mãos entre as minhas.
- Eu sei, foi para isso que te comprei! – devolveu num tom de voz bruto.
Não me importei, sabia que ele estava pondo a raiva para fora, e esse foi o primeiro sinal do quanto a morte da Junia e do bebê o havia afetado. Passou duas semanas sem me tocar, me afastando do quarto e recusando minhas carícias. Apesar disso, eu me fazia presente, me aproximava dele, tocava-o com suavidade, observava-o com um olhar terno e fazia tudo que sabia ser de seu agrado, intrometendo-me na cozinha para pedir que lhe preparassem o que gostava de comer.
- Apaixonou-se por ele, não foi? – perguntou-me um dia o Severus que continuava a me azucrinar sempre com o mesmo tema – minhas relações sexuais com o general – que pareciam diverti-lo.
- Não sei, talvez! Não sei o que é se apaixonar, nunca senti isso antes! – respondi sincero. – Sei que gosto dele de um jeito que não sei explicar.
- E qual veadinho não gostaria de um macho como o general? Aquilo deve ter um pauzão de alucinar qualquer cu! – retrucou com malicia.
- Não é disso que gosto nele!
- Ah, fala sério, seu puto sortudo! Você chega aqui, não precisa aceitar o assédio de nenhum outro homem que não o general, é escancaradamente o preferido dele a ponto de trocar o sexo com a esposa para o fazer apenas com você, e quer me convencer que o pauzão que eu imagino que ele tenha não seja o motivo disso? – indagou
- É mais do que isso, não é só o pauzão, é ele todo! – devolvi, percebendo ao mesmo instante que o Gaius estava mais impregnado em mim do que nos momentos em que seu caralhão estava atolado no meu cuzinho, ou que seu esperma morno formigava na ampola retal.
- Não confunda as coisas, garoto! – exclamou de súbito o Laio que se meteu na conversa quando veio me avisar que o Gaius estava me chamando. – Você jamais vai passar de um escravo, um escravo que está aqui para satisfazer as necessidades carnais do general enquanto ele sentir algum tipo de atração por você. Quando isso acabar, só os deuses para saber o que será de você! – emendou em tom de vaticínio. – Agora vá, não o deixe esperando, ele anda mais irritado do que nunca!
- Onde esteve que não o vi o dia todo? Com quem está andando? A Junia não está mais aqui para te manter distante de mim. Não quero precisar te chamar toda vez que o quiser ao meu lado. – desatou a esbravejar quando fui ter com ele.
- Me quer ao seu lado? – perguntei num murmúrio sensual. – Pensei que queria espaço para pensar e digerir tudo o que se passou nas últimas semanas. – acrescentei, me aproximando dele e espalmando a mão sobre o peitoral maciço para afagar os pelos sedosos entre os mamilos, e percorrendo com as pontas dos dedos a trilha que levava à virilha.
- Sabe que sim! Foi para isso que te .... – cobri os lábios dele com o dedo impedindo-o de continuar.
- Sei que foi para isso que me comprou, por isso estou aqui, só para você! – afirmei, encarando-o com doçura. Num rompante, ele colou a boca na minha e entrou com as mãos por baixo da minha túnica amassando freneticamente as carnes abundantes e quentes das minhas nádegas.
- Preciso de você, veadinho! – ronronou, ao enfiar ávido a mão no meu rego liso e estreito.
Fui me ajoelhando a seus pés, abrindo simultaneamente suas vestes até conseguir pegar no caralhão pesado e o acariciar juntamente com o sacão globoso e peludo. Sentia-o latejar na minha mão enquanto endurecia e parte do prepúcio que cobria a cabeçona arroxeada se retraía expondo-a já melada de pré-gozo. Com a ponta da língua toquei delicadamente o orifício uretral pelo qual o visgo salgado escorria, envolvendo lentamente toda a glande com os lábios até ouvir o gemido de êxtase do Gaius. Chupei-o com desvelo e gula, enquanto ele se contorcia e grunhia meu nome entre os dentes cerrados. Mal cabia a cabeçorra estufada na minha boca por mais que eu a abrisse, ele então agarrou minha cabeça e a afundou nos pentelhos densos ao mesmo tempo que estocava o pauzão na minha garganta. Tive que me agarrar às suas coxas para não sufocar e, quatro estocadas depois, ele gozou na minha boca. Foi a primeira vez que ejaculou seu esperma leitoso na minha boca e eu me delicie com seu sabor amendoado e alcalino. O Gaius me observava mamando seu leite viril com o rosto resplandecendo de satisfação.
- Está mamando seu macho, moleque veadinho? Então mama meu leite, mama tesudinho! – ronronava enquanto se despejava num gozo abundante.
- Gosto do seu sêmen, Gaius! Você é delicioso, todo delicioso! Gosto de você, Gaius! – afirmei, ao terminar de lamber a porra espalhada pelo caralhão duro.
- E eu de você, moleque putinho! E eu de você! – asseverou, me aconchegando em seu tronco sólido.
Cerca de um ano depois, o palacete recebeu uma nova moradora, a que seria, para todos os fins, a nova esposa do general, a mulher que ele apresentaria aos seus pares e à sociedade, a mulher incumbida de lhe dar herdeiros.
Dalila era mais velha que a Junia, tinha vinte e seis anos quando desposou o Gaius, embora não sentisse nada por ele. Estava velha para os padrões convencionais das moças casadouras. Era a única solteira das quatro filhas de uma das famílias nobres mais influentes que, à época, disputavam o poder e a governança em Roma contra o Papa. Como o Papado dependia fortemente da proteção dos imperadores francos do Sacro Império Romano-Germânico, casar uma filha com um general que tinha seu exército a serviço do Papa podia mudar seu posicionamento político para trabalhar a favor das famílias nobres locais que almejavam o poder. O Gaius sabia das intenções por trás desse casamento, mas não era isso que importava para ele. Seu objetivo único eram os herdeiros, uma vez que isso garantiria seu status.
Nessas condições a Dalila entrou na vida dos habitantes do palacete, ume mera reprodutora, uma vez que o Gaius também não sentia absolutamente nada por ela. Ela se sujeitou a esse papel de esposa para afastar os rumores de que estaria apaixonada por um primo clérigo e que já não era mais virgem. Parte disso era verdade, a paixão pelo primo era inegável, mas sempre foi apenas platônica. Coube ao Ganius deflorá-la num ato que a fez desprezá-lo para sempre.
Ela conhecia plenamente meu papel naquela casa e não se importou, até se mostrou grata por não ter que compartilhar a cama com o homem pelo qual não sentia nada além de desdém e desprezo por ele ter lhe privado do amor pleno e carnal com o primo. Pariu um garoto lindo, forte e rechonchudo um ano depois do casamento, a quem deram o nome de Karolus. Dois anos depois, pariu um segundo, tão formoso quanto o primeiro, o Desiderius. Ela não se apegou a nenhum dos dois, deixando-os aos cuidados de governantas desde a tenra idade.
Eu e ela tínhamos um relacionamento amistoso, até mais sincero e profundo do que ela tinha com o Gaius, talvez por eu a livrar da conjunção carnal com o general. Enquanto isso, eu me peguei de amores pelos dois garotos que tinham traços inegáveis do pai, e me faziam invejar a sorte que ela teve de poder gerar os herdeiros desse macho por quem eu me encontrava perdidamente apaixonado, a despeito de minha condição de escravo. Após o nascimento do Desiderius, o Gaius não a procurou mais, e a Dalila se transformou numa figura decorativa, destituída até da governança do palacete, servindo apenas para aparições ao lado do general em eventos e ocasiões importantes.
Eu sabia que a Dalila o detestava, mas não sabia o que ele sentia por ela, uma vez que era a mãe de seus filhos. A paixão por ele me deixava enciumado, e eu não conseguia esconder esse sentimento, mesmo compartilhando diariamente o leito conjugal com o Gaius que, por direito seria dela. Nunca ousei perguntar quais eram seus sentimentos por mim. Afinal, escravos sabiam que para seus donos, não valiam mais que que outro qualquer objeto da casa, não se tinha sentimentos por eles, não eram dignos disso.
Surpreendentemente, à medida que o Karolus e o Desiderius cresciam, tornando-se dois meninos levados e inquietos, a relação entre o Gaius, eles e eu se tornava mais íntima e afetuosa. Os garotos me respeitavam, procuravam apoio em mim quando o pai os castigava, não adormeciam antes de eu os colocar na cama e lhes contar alguma estória ou ouvir seus relatos cheios de imaginação, sabedores do amor que eu sentia por eles e que, era recíproco. A mãe era fria e distante com eles, pois simbolizavam o que ela mais odiava, aquele casamento forçado por conveniência e a não realização de seu grande e único sonho, viver plenamente o amor com o primo.
- Eles te vereram! – disse displicentemente o Gaius uma noite quando me juntei a ele na cama depois de ter colocados os meninos para dormir. – Tanto quanto eu! – acrescentou, no instante em que puxou meu corpo nu contra o dele, o que não só me surpreendeu como me levou a acreditar que ele também me amava.
- Sim, acho que sim! Eu os amo, e muito! Desde que entraram na minha vida, encontrei mais uma razão para viver. – afirmei.
- E quanto a mim, o que sente por mim, Titus? – a pergunta me pegou desprevenido. Qual seria a reação dele se eu dissesse que o amava, me expulsar de seu convívio, me vender antes que alguém começasse a falar sobre sua relação carnal com um escravo que, embora não fosse um tabu na época, podia, mesmo assim, criar desconfianças, falatórios e julgamentos equivocados? Ele esperou pela resposta que demorou a vir enquanto eu criava coragem para dizer a verdade. – O que sente por mim, Titus? É tão difícil responder a essa pergunta? – exigiu.
- Eu ... eu ... sou completamente apaixonado por você, Gaius! – respondi. – Não se zangue comigo, sei que não passo de um escravo, que não tenho o direito de afirmar uma coisa dessas, que fui comprado para satisfazer seus desejos carnais, e é o que vou continuar fazendo enquanto você me quiser.
- É só isso que espera de mim, sexo?
- Não! Mas não ouso pedir mais!
- Eu me encantei por você no primeiro dia em que te vi, por isso te comprei, para que fosse apenas meu. Quando descobri que nunca haviam tocado em você antes, foi um dos dias mais felizes da minha vida, pois esse privilégio seria meu. A primeira vez que te penetrei, que senti você me acolhendo carinhosamente em seu corpo, me apaixonei por você e, a cada dia que passa esse sentimento só cresce. A minha posição exige que eu tenha uma mulher como parceira, mas meu verdadeiro e único parceiro é você. É quem me compreende, quem atura meus rompantes, quem me traz paz e felicidade.
- Eu te amo, Gaius! Nunca amei alguém assim com tanta intensidade, especialmente porque já não me lembro mais exatamente o que sentia pelos meus pais. – afirmei, quando ele amparava uma lágrima que descia pelo meu rosto.
- Faz tempo que estou pensando em lhe conceder a liberdade, mas sempre tive receio que ao adquiri-la, fosse me abandonar. E eu já não sei mais viver sem a sua companhia, sem esse corpo entrelaçado ao meu, sem suas carícias e seus cuidados e, muito especificamente, sem a maciez quente e úmida do seu cuzinho encapando eu cacete.
- Escravo ou liberto, jamais vou deixar de te amar! – asseverei, antes de sentir a pegada forte dele me trazendo para dentro de seus braços e as preguinhas se abrindo para dar passagem à cabeçorra que deslizava sorrateira e obstinada para o fundo do meu rabo. – Ai macho, meu cuzinho! – gani ao sentir o cu sendo arregaçado pelo pauzão grosso.
- Veadinho tesudo do caralho, você deveria ser punido pelo que faz comigo! Quando estou dentro de você, vejo esse olhar doce me encarando e sinto sua carne rija e trêmula encapando meu caralho, não sei quem é escravo de quem. Nesses momentos sou eu quem se sente seu escravo, atado ao desejo de ser o centro de sua atenção e das tuas carícias, e essa é a melhor sensação que já senti. – devolveu ele, antes de eu o beijar, lambendo sua língua, capturando seus lábios entre os dentes e erguendo a pelve para o cacetão dele afundar até o talo no meu cuzinho para receber seu gozo viril, pegajoso e morno, enquanto me desmancho num orgasmo indescritível e prazeroso.
Minha liberdade não mudou o rumo da minha vida, apenas me fez ser reconhecido como um cidadão sem grilhões físicos, uma vez que a paixão que nos unia tinha a mesma função.