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3 - O preço do namoro

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Um conto erótico de Diego
Categoria: Gay
Contém 1178 palavras
Data: 16/07/2026 02:08:00

Eu conheço os amigos de Henrique numa noite de sexta, num bar que eles frequentam há anos, num bairro onde eu nunca teria parado por conta própria. São quatro: Rodrigo, Marcus, Felipe e um que eu não pego o nome direito na primeira vez, mas sei que não era brasileiro. Todos têm mais ou menos a idade dele, todos têm aquele jeito de ocupar espaço que parece vir junto com um certo tipo de vida, onde nada foi muito difícil por muito tempo.

Quando chegamos, Henrique cumprimenta cada um com abraço e tapas nas costas, com aquela facilidade de quem está em casa em qualquer lugar. Eu fico um passo atrás. Ele não me apresenta de imediato, e eu fico parado ao lado da mesa sem saber exatamente o que fazer com as mãos, até que um deles me olha e pergunta quem eu sou.

- Diego - Henrique diz, sem olhar pra mim, puxando a cadeira pra sentar. - Trabalha comigo.

Eu processo aquilo por um segundo.

Trabalha comigo.

Não é mentira, tecnicamente. Mas não é o que eu sou ali. E o jeito que ele diz, sem complemento, como quem apresenta alguém que estava passando e ficou.

Me sento do lado dele. A conversa começa entre eles e eu entro quando posso, que não é com muita frequência. Henrique fala, os outros respondem, as histórias são de lugares que eu não fui, de pessoas que eu não conheço. Eu ouço. Peço uma cerveja quando o garçom passa e Henrique olha pro meu copo de um jeito rápido, quase imperceptível, mas que eu já aprendi a identificar.

- Você não vai comer? - ele pergunta, mais para a mesa do que pra mim.

- Ainda não estou com muita fome.

- Pede alguma coisa. - Ele diz isso sem me olhar, com a voz de quem encerra o assunto. - Parece mau jeito ficar só com cerveja.

Eu chamo o garçom e peço o primeiro salgado que acho no cardápio. Rodrigo, que está do outro lado da mesa, me olha com uma atenção que eu não sei se é curiosidade ou outra coisa.

A noite avança. Em algum momento a conversa chega em trabalho, no escritório, e Marcus pergunta pro Henrique alguma coisa sobre a contabilidade. Henrique responde e depois, como se fosse só um comentário ele diz:

- O Diego cuida do operacional lá, café, essas coisas.

Alguém ri. Não é gargalhada, é aquele riso de quem achou graça sem querer demonstrar muito. Felipe olha pro seu copo. Rodrigo me olha de novo.

Eu não digo nada. Fico com a cerveja na mão olhando para a mesa.

A parte que eu não consigo explicar direito é o que acontece dentro de mim naquele momento. Tem raiva, tem vergonha, tem o impulso de dizer alguma coisa, de me levantar, de ir embora. Mas tem também medo. Medo de que se eu reagir, se eu criar qualquer tipo de atrito naquela mesa, eu vou sair dali e alguma coisa vai ter terminado. E eu não quero que termine.

Então eu fico quieto.

Mais tarde, quando a mesa está mais animada e a atenção está em outro lugar, Henrique se vira pra mim e coloca a mão no meu joelho por um segundo. Não fala nada. Só aquilo.

Eu não sei o que aquilo significa. Mas é o suficiente pra eu ficar até o final da noite.

No caminho de volta, no carro dele, eu fico quieto por um tempo. A rua passa do lado de fora e eu fico olhando sem ver muito. Henrique dirige com uma mão no volante, relaxado como sempre.

- Trabalha comigo - eu digo, sem fazer questão de disfarçar que fiquei chateado.

Ele não responde de imediato.

- É o que você faz.

- Eu sei o que eu faço. - Eu ouço minha própria voz e ela está mais firme do que eu esperava. - Mas eu não sou só isso.

Ele fica um tempo em silêncio, mas não tira o olho da rua.

- Diego, o que você queria que eu dissesse?

- Que eu sou seu namorado.

- Você quer que eu anuncie a minha vida pessoal para a mesa inteira?

- Não era anunciar nada, era...

- Chega. - Ele levanta a voz, que preenche todo o carro, como sempre acontece com todo o ambiente quando ele fala, mas com tom calmo - Você está procurando briga por causa de nada.

- Não é nada pra você - eu digo, mais baixo agora.

Ele não responde. Mas quando chegamos na casa dele e ele para o carro, fica parado um momento antes de sair e diz, sem me olhar:

- Você quer ir embora ou quer entrar?

Eu poderia ir embora. Tenho meu apartamento, tenho a chave no bolso. Eu poderia abrir a porta e pegar um ônibus e ir dormir na minha cama.

- Quero entrar.

Ele sai do carro sem comentar.

Eu entendo ali, naquele momento específico, que acabei de passar por algum tipo de linha. Não sei exatamente onde a linha estava, não sei o nome que se dá pra ela, mas sei que estou do outro lado agora. Sei que o que vai acontecer daqui em diante vai depender de quanto eu estou disposto a engolir, e que a resposta que eu acabei de dar diz muita coisa sobre esse quanto.

Eu saio do carro e entro com ele em casa.

Henrique pega um vinho, o que eu sei que é o preferido dele, serve uma taça pra ele e uma pra mim.

- Eu não gosto de expor minha vida íntima, Diego. Quero proteger o que é nosso. Amigos não precisam saber de tudo, o que importa é a gente saber o que temos. Você é o meu namorado e você sabe disso. E é só o que importa.

De certa forma ele tinha razão, como sempre.

Na semana seguinte, no escritório, Henrique passa pela minha mesa de manhã e coloca um copo de café em cima dos meus papéis sem olhar pra mim. Continua andando.

É o café que eu fiz, que eu sirvo pra todo mundo, devolvido pra mim de um jeito que não é gesto carinhoso, mas que também não é crueldade explícita. É alguma coisa no meio que eu não sei classificar, e que me ocupa a cabeça por tempo demais durante aquela manhã. Mesmo tantando falar com Henrique, ele passa o dia me ignorando e só falando menos que o necessário.

Rodrigo me manda mensagem mais tarde, pelo número que Henrique deu sem me perguntar. Diz que foi bom me conhecer, que a gente deveria sair de novo. Fico olhando pra ela por um tempo antes de mostrar pro Henrique, como faço com as coisas que não sei direito o que fazer.

Ele lê, devolve o celular.

- Responde que foi bom também.

Eu respondo.

Henrique não diz mais nada sobre isso, mas naquela noite, quando a gente está em casa, ele fica mais próximo do que o normal. Conversa mais, coloca o braço no meu ombro enquanto assiste alguma coisa, me beija e até me faz um cafuné. São gestos pequenos que não resolveriam nada pra maioria das pessoas, mas que pra mim, naquele momento, resolvem tudo.

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