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Instinto primitivo - Gatuna

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Um conto erótico de Haedrig
Categoria: Heterossexual
Contém 6799 palavras
Data: 02/07/2026 09:36:19

Acordei cedo naquela manhã, antes mesmo de Kendra dar qualquer sinal de vida na casa. O sol ainda estava baixo, espalhando uma luz fraca por trás das árvores, fiz o café. Após alguns minutos, Kendra ainda não havia levantado. Fui até o quarto.

— Ei, não vai levantar não? — chacoalhei ela um pouco.

Sem resposta.

— Kendra? — chacoalhei de novo.

Ela se virou, ajustou a coberta e continuou com seu sono profundo. Lembrei que no dia anterior ela ficou até mais tarde organizando suas listas e estoques. Tomei café sozinho e então, saí direto para a garagem. Tinha coisas demais acumuladas ali, ferramentas fora do lugar, peças que ainda não tinham um destino definido, suprimentos que precisavam ser reorganizados depois das últimas saídas. Deixei a porta da garagem aberta para facilitar a entrada de luz e circulação de ar. O tipo de tarefa que, em outro momento, seria quase automático, mas que agora exigia uma atenção constante. O dia começou tranquilo, calmo até demais, foi isso que tornou o som tão fora de lugar, um clique metálico atrás de mim. Parei no mesmo instante, não virei a cabeça.

— Não se mexe — disse uma voz feminina, baixa, firme e sem hesitação.

Meu corpo inteiro travou por reflexo, o tipo de comando que não vem acompanhado de brincadeira. Principalmente quando o som do metal leve de uma arma sendo ajustado.

— Tá bom… — respondi devagar, levantando as mãos aos poucos.

— Comida — ela disse. — E água, agora.

— Aqui comigo não tem muita coisa.

Sem me virar, apontei para uma caixa ao lado, ainda tinha algumas latas e algumas garrafas de água.

— Tem mais no carro — completei. — Posso te mostrar.

Nenhuma resposta imediata. Só o som dela se movendo ao meu redor com muito cuidado e sem se expor.

— Não tenta ser esperto e fica parado — ela disse.

— Você que manda — respondi.

Ela não riu, não relaxou, mas também não atirou. Ouvi o som dela recolhendo o que estava na caixa. Depois veio outra ordem.

— Conta até cem.

— O quê?

— Conta até cem — ela repetiu, mais firme agora. — Se você se virar antes disso, eu estouro sua cabeça.

Fiquei imóvel por um segundo.

— Certo… cem… respirei fundo. — Entendi.

E então comecei a contar, não ouvi ela se afastando, ainda sentia a mira dela em mim.

— Olha… — falei, mantendo o tom neutro. — Se tá com fome assim, deve estar há um tempo na estrada, que tal abaixar a arma e conversar igual duas pessoas civilizadas?

Silêncio, voltei a contar. Nenhuma resposta, só a presença dela, constante, como uma mira invisível nas minhas costas.

— Não precisa disso — continuei. — Se tá precisando de ajuda, a gente pode se ajudar.

Voltei a contar, comecei a duvidar se ela realmente estava ainda ali atrás de mim, com a mira da arma apontada, mas não queria pagar para provar que estava certo, não queria levar um tiro ali mesmo.

— Cem — falei, terminando a contagem.

Virei devagar, não havia ninguém, ela já devia ter saído correndo há um tempo. Fiquei alguns segundos parado, analisando o ambiente, foi quando vi o movimento, uma sombra bem ao fundo, adentrando entre árvores e o mato alto, se engolindo na direção da floresta. Não consegui ver rosto, apenas o vulto, observei por mais um instante e reparei que a trajetória não era aleatória, era direta.

Sudoeste, provavelmente depois da linha do lago, memorizei aquilo sem pensar demais. O tipo de detalhe que o instinto grava antes de pensar em ter razão. Ela tinha vindo atrás de comida e sabia exatamente para onde voltar. Larguei tudo o que estava fazendo e entrei na casa.

— Kendra!

Ela apareceu na cozinha poucos segundos depois, assustada pelo tom da minha voz.

— O que aconteceu?

— Alguém esteve aqui.

— Alguém? — a expressão dela mudou, visivelmente com medo.

— E estava armada.

— Armada? — o rosto dela ficou branco.

Contei tudo o mais rápido possível nos mínimos detalhes, Kendra ouviu sem interromper.

— Ela te machucou?

— Não.

— Você viu quem era?

— Não exatamente.

— Era a pessoa que a Lana falou?

— Acho que sim, o padrão de comportamento se encaixa — respirei fundo e cocei o rosto. — Precisamos avisar Lana e Sofia.

Ela concordou imediatamente. Pouco tempo depois, já estávamos no carro, seguindo pela estrada de terra. Quando chegamos à casa delas, Lana estava trabalhando próximo às estufas, Sofia estava sentada em um banco de madeira ao lado lendo um livro. As duas perceberam na hora que havia algo errado.

— O que aconteceu? — Lana perguntou.

— Recebi uma visita da sua amiga — falei descendo do carro.

— Amiga?

— A que rouba água e comida.

Lana pareceu pensar por um tempo até se dar conta.

— Ah, sim, então era uma mulher? — Lana cruzou os braços, séria.

— Sim, e estava armada.

— E como ela te abordou? — Sofia veio ao nosso encontro.

— Ela me pegou de surpresa, estava de costas e ouvi o barulho da arma atrás de mim, ela mandou eu não me virar e pediu por água e comida — olhei para todas antes de continuar. — Depois pediu para eu contar até cem e me virar, mas ela já tinha fugido.

— Ela levou muita coisa? — Kendra perguntou.

— Não, o suficiente para ela se alimentar por dois ou três dias — encarei Lana, ela parecia pensativa.

— Então ela já vinha observando vocês também — Sofia falou.

— Ela pode estar observando nós quatro — Kendra apresentou certa tensão na voz. — Sei lá, ela pode estar de olho na gente nesse exato momento.

— Não — Lana respondeu imediatamente. — Não faz sentido, porque ela simplesmente não invadiu a sua casa e pegou o que queria?

— Isso pouparia trabalho para ela, muita comida para mais tempo — Sofia pareceu pensar também.

— Se ela simplesmente matasse Kendra e eu, poderia com a casa também — respondi.

— Mas se ela está observando a gente, com certeza saberia da Lana e da Sofia — Kendra quebrou o nosso pensamento.

— É, estamos aqui a mais tempo que vocês — Lana ainda parecia pensativa. — E se ela quisesse fazer isso, creio que já teria feito há muito tempo.

— Você parece estar pensando bastante nisso — cruzei os braços. — Quais as suas conclusões?

— Ou ela é muito covarde para enfrentar alguém e só rouba o que precisa, ou ela não tem munição.

Aquilo fez sentido, eu não tinha pensado por esse lado.

— Mesmo com a voz calma, ela parecia alguém desesperada — complementei.

— Alguém desesperado com uma arma continua sendo perigoso — respondeu Lana.

O grupo ficou em silêncio por alguns segundos, foi então que me lembrei do detalhe mais importante.

— Eu vi para onde ela foi.

Todos voltaram a atenção para mim.

— Não vi diretamente, só um vulto, correu para a floresta, sudoeste

— Tem certeza? — Lana perguntou.

— Quase.

Ela parou por um minuto, ficou encarando o chão.

— Vamos para dentro, está com o mapa?

— Está no carro.

As três foram direto para a cozinha enquanto eu fui até o carro, peguei o mapa e fui logo atrás delas. Poucos segundos depois, o mapa já estava aberto sobre a mesa da cozinha, Lana apoiou as duas mãos na madeira e olhou para mim.

Apontei a localização da nossa casa, depois a posição aproximada do lago, por fim, tracei a direção que havia observado. Lana acompanhou tudo em silêncio.

— Tem alguma coisa ali? — Sofia se inclinou sobre a mesa.

— Se ela correu nessa direção e está roubando comida há meses sem ser encontrada, precisa ter algum abrigo — Lana não tirou os olhos do mapa, passando o dedo em algumas localizações. — Aqui não, aqui também não, mas aqui...

Observei o ponto indicado, era uma área de mata mais fechada, do outro lado do lago, praticamente fora das rotas que costumávamos usar.

— O que tem aí? — perguntei.

— Antigas propriedades rurais, algumas casas.

— E você acha que ela está escondida lá?

— Se eu estivesse tentando sobreviver sozinha sem ser encontrada, seria um lugar para considerar um esconderijo.

— E agora? — Kendra olhou para mim.

— Agora a gente vai verificar — Lana fechou o mapa.

— A gente? — perguntou Sofia.

— Eu e ele — Lana apontou para mim discretamente.

— Por que vocês dois? Porque sempre vocês dois? — Sofia se exaltou um pouco.

— Porque ele viu a direção e eu sei rastrear — Lana se virou para a loira. — E nem adiantar ficar teimando que você vai junto, você iria atrasar a gente com as suas frescuras.

Sofia riu, não respondeu, aquilo era difícil de contestar.

— E se ela não estiver sozinha? — Kendra não pareceu gostar da ideia.

— Por isso que vamos armados e tomar o máximo de cuidado possível — Lana me encarou. — Certo?

— Certo — respondi na mesma hora.

— Isso ainda parece perigoso — Kendra apertou o braço, parecia com medo.

O silêncio voltou à mesa, Lana pegou o próprio revólver e verificou o tambor, depois olhou para mim.

— Eu vou pegar algumas coisas e depois vamos para a casa de vocês, saímos o quanto antes.

Kendra e eu esperamos no carro até Lana arrumar a mochila, ela apareceu junto à Sofia, as duas montaram no carro e voltamos para casa. Kendra me ajudou a arrumar algumas coisas, não sabíamos se a busca iria durar um dia ou mais, então ela carregou com comida, água. Me armei com o rifle, peguei um pouco de munição e fui de encontro a Lana, que aguardava na varanda.

Lana e eu saímos logo em seguida, senti o sol quente queimar a nuca, e ainda nem era meio dia. Ela carregava o revólver na cintura e uma faca presa na lateral da perna. Eu levei o rifle, nenhum de nós sabia exatamente o que encontrar, talvez uma sobrevivente desesperada, talvez uma armadilha, talvez alguém muito mais perigoso do que imaginávamos. Essa incerteza me deu um frio na barriga.

Seguimos pela margem do lago, contornando a área por onde eu havia visto o vulto desaparecer naquela manhã. A vegetação era mais fechada daquele lado, árvores altas formando sombras compridas entre os troncos, Lana caminhava alguns passos à frente, atenta, observando tudo. De tempos em tempos ela se abaixava para examinar o chão.

— Alguma coisa? — perguntei.

— Nada.

Continuamos, mais alguns minutos, mais alguns metros, nada. Ela voltou a observar o solo, depois suspirou.

— Se existem pegadas, estão velhas demais.

Seguimos avançando, foi então que avistei algo entre as árvores.

— Ali.

Lana ergueu os olhos, uma pequena cabana, escondida entre a vegetação, tão discreta que passaria despercebida se não estivéssemos procurando. As paredes eram antigas, parte do telhado parecia remendada com tábuas diferentes, paramos imediatamente.

— Acho que encontramos — murmurei.

Lana apenas assentiu, nos escondemos atrás de algumas árvores e passamos a observar, nenhum movimento, nenhum som, os minutos passaram devagar, até que um vulto surgiu entre as árvores, uma mulher, ela caminhava rápido olhando para os lados, carregava uma mochila nas costas, em poucos segundos alcançou a cabana e desapareceu pela porta. Lana me encarou.

— Pronto? — ela sussurrou.

Assenti, nos movemos imediatamente, aproximando-nos em silêncio, quando chegamos perto o suficiente, percebemos que a cabana tinha duas entradas, uma porta principal e outra nos fundos, além de duas janelas laterais. Lana sinalizou que ela iria pela frente e eu daria a volta. Nos separamos, contornei a construção devagar tentando não fazer barulho e evitando ficar escancarado nas janelas.

Quando alcancei a porta traseira, ouvi um estrondo vindo do interior, depois outro, barulho de móveis caindo e uma pancada seca. Corri e empurrei a porta, encontrei as duas no centro da cabana, paradas, uma apontando a arma para a outra. Lana de um lado e a mulher sentada no chão no canto da cabana, ofegante e com o nariz sangrando. Então ergui o rifle e apontei para ela, a primeira coisa que notei foi o cabelo da mulher, cortado no estilo Joãozinho.

— Abaixa a arma — falei.

A mulher nem piscou, olhou para mim e depois para Lana, continuou com o revólver apontado.

— Eu falei para abaixar — falei novamente.

Nada, mas para a minha surpresa, Lana abaixou a própria arma e então antes que eu pudesse a chamar de maluca, ela começou a rir.

— Você sabe que essa arma está descarregada, não é? — Lana continuou rindo. — Ela nem está com o dedo no gatilho.

A mulher permaneceu imóvel.

— Existem duas possibilidades — continuou Lana. — Ou você não sabe usar uma arma ou está sem munição.

Pela primeira vez vi hesitação no rosto da desconhecida, foi o suficiente para Lana avançar, rápido demais para qualquer reação, as duas colidiram, Lana agarrou o braço da mulher e torceu o punho dela, fazendo-a largar a arma. Ela tentou resistir, mas foi completamente dominada pela fabulosa leoa escarlate. Um joelho pressionando suas costas, uma mão prendendo o pulso. A mulher ainda tentou se debater, recebeu apenas mais pressão contra o piso.

— Corda — Lana olhou para mim. — Tem uma corda na minha bolsa, pega e amarra ela.

Relaxei com o rifle e o coloquei nas costas, peguei a corda na mochila que ainda estava em suas costas, poucos segundos depois a desconhecida estava com os pulsos amarrados atrás das costas, sentada no chão, respirando pesado e se debatendo furiosamente.

— Qual é o seu nome? — perguntei, me aproximando.

Nenhuma resposta.

— Você está sozinha?

Silêncio.

— Tem mais alguém aqui?

Nada, ela simplesmente desviou o olhar, como se eu nem estivesse falando.

— Vamos voltar — Lana falou enquanto guardava o revólver dela na cintura e verificando a arma da garota, contestando que realmente, estava sem munição.

— Carregando ela?

— Sim.

— Isso vai ser um inferno.

— Melhor do que deixar ela fugir.

Não pude argumentar, antes de sairmos, decidimos verificar o restante da cabana, talvez houvesse mais alguém ou mais suprimentos. Passamos pelos cômodos pequenos e nada.

— Tem mais alguém aqui? — perguntei novamente.

A mulher permaneceu calada, voltei para perto dela, a mochila estava caída ao seu lado, peguei.

— Não mexe nisso — a desconhecida esbravejou.

— Então você sabe falar — Lana se aproximou.

Ela fechou a cara imediatamente, abri a mochila, algumas peças de roupa, comida, uma garrafa de água e um celular. Peguei o aparelho, ainda estava com bateria, porém sem sinal.

— Deixa isso na bolsa — a voz dela saiu mais firme dessa vez.

Ignorei, continuei olhando. Foi então que encontrei um crachá preso entre alguns papéis, retirei.

— Brooklyn — li o crachá, logo abaixo tinha a função. — Você é médica?

Ela desviou o olhar.

— Nome bonitinho para uma ladra — Lana encarou ela novamente.

Guardei o crachá na bolsa dela, os suprimentos roubados estavam espalhados pela cabana, mesmo assim recolhemos tudo.

— Vamos — Lana foi em direção a porta.

Soltei um suspiro e depois me abaixei.

— Ei.

Brooklyn me encarou.

— Isso vai ser desconfortável para nós dois.

Antes que ela pudesse reagir, a coloquei sobre os ombros.

— Me solta! — ela se debatia.

— Agora resolveu conversar? — Lana ironizou.

— Me coloca no chão!

— Pode reclamar o caminho inteiro — respondi, já sabendo que realmente, seria um inferno carregar aquela mulher se debatendo e reclamando o caminho todo.

Ela respondeu com uma sequência de xingamentos que me fez rir, Lana apenas balançou a cabeça, rindo também. Então começamos a caminhada de volta.

O caminho de volta foi mil vezes pior, o sol escaldante junto com o fato de que aquela mulher não era tão leve quanto aparentava nos ombros, ainda por cima se debatendo. Cheguei ofegante em casa, sentia os ombros ardendo de dor.

Lana não perdeu tempo, puxou uma cadeira e logo a coloquei sentada, ela tentou fugir, obviamente tentaria, mas Lana passou a corda ao redor dela enquanto eu a segurava, apertou e amarrou os nós. Kendra observava em silêncio, claramente desconfortável, mas curiosa, Sofia encostou na parede como se aquilo fosse apenas mais uma situação interessante do dia.

Eu fiquei de pé, perto da mesa, Brooklyn manteve o olhar baixo.

— Vai falar agora? — Lana perguntou, cruzando os braços.

Silêncio.

— Você está há meses roubando nossas coisas — ela continuou. — Sua situação não está boa.

Brooklyn respirou fundo, mas ainda não respondeu.

— A gente só quer entender — Kendra deu um passo à frente.

— Se ela não quiser falar, podemos só decidir o que fazer com ela logo — Sofia soltou um bocejo.

Lana lançou um olhar de reprovação para Sofia, mas não comentou.

— Última chance — Lana disse, mais fria.

— Eu não estou aqui para brigar — Brooklyn finalmente ergueu o olhar, a voz baixa e cansada.

— Então começa explicando — falei.

Ela hesitou, por alguns segundos, parecia que ia voltar ao tratamento de silêncio.

— Eu estou sozinha.

— Sozinha mesmo? — Lana perguntou, ainda desconfiada.

Brooklyn apenas assentiu.

— Sem grupo? Sem ninguém? — Kendra perguntou.

— Não mais — Brooklyn balançou a cabeça em negativa. — Quando tudo começou, eu estava com um grupo, eu era médica, a gente tentou manter um ponto de apoio, tratava feridos, essas coisas, mas não durou muito.

— O grupo se separou? — Sofia, pela primeira vez, pareceu prestar atenção de verdade.

— Foi atacado — Brooklyn respondeu. — Eu me perdi deles depois disso.

— E desde então você está sozinha? — Kendra chegou mais perto, nitidamente mais empática.

— Sim — Brooklyn levantou o olhar por um instante. — Eu sobrevivi como dava, por isso roubava somente o necessário de vocês, me desculpem por isso.

— Roubar comida dos outros é o seu “necessário”? — Lana riu. — Se eu visse você roubando algo meu, daria logo um tiro em você.

Lana se aproximou e sacou a arma, apontando para a cabeça dela. A respiração de Brooklyn ficou mais pesada, ela apertou os olhos, todos ali parece que tiveram a mesma reação de espanto.

— Espera — Sofia tentou acalmar. — Ela não tentou nos matar e nem nos machucar, não precisa ser tão extrema.

Lana manteve o olhar fixo em Brooklyn.

— Ainda não, eu prefiro cortar o mal pela raiz antes que cresça e vire algo pior — Lana manteve a mira.

— Eu não quero nenhum conflito — Brooklyn engoliu em seco.

O silêncio voltou a dominar a sala, Lana ficou observando, pude ver uma lágrima escorrendo pelo rosto de Brooklyn. Kendra e Sofia estavam desconfortáveis com aquela situação. Me aproximei de lana e abaixei o braço dela.

— Chega — falei por fim. — Não precisamos disso.

Lana me encarou, Brooklyn finalmente respirou aliviada.

— Ela está sozinha, sobrevivendo como consegue e não atacou ninguém daqui.

— Isso não significa que ela seja confiável — Lana guardou a arma na cintura novamente.

— Não significa — concordei. — Mas se vocês estivessem na situação dela, não fariam o mesmo?

A sala ficou em silêncio novamente, Sofia e Kendra desviaram o olhar.

— Então o que você quer fazer? — Lana perguntou, não tirando os olhos dos meus.

— Se fosse eu, deixava ela aqui por uns dias, observando — Sofia deu um passo à frente.

— Acho… justo — Kendra concordou.

— Não concordo com isso — Lana não pareceu satisfeita, revirou os olhos. — Nem um pouco, isso vai dar merda

— Mas são três contra um, então tecnicamente... — Kendra começou a falar, mas logo parou.

Lana lançou um olhar para ela que a fez congelar, logo Kendra abaixou o olhar e recuou um pouco. O silêncio ficou pesado por alguns segundos, olhei para Brooklyn por um instante e depois para as três. Lana me encarava como se já soubesse que não ia gostar do que eu ia dizer, Kendra parecia dividida, mas mais inclinada a confiar, Sofia, como sempre, apenas curiosa para ver o resultado.

Respirei fundo.

— Vamos soltar ela — falei, finalmente.

— Você só pode estar brincando comigo — Lana revirou os olhos e virou de costas.

— Eu não vejo ela como uma ameaça — me aproximei da cadeira onde Brooklyn estava amarrada e comecei a desfazer os nós.

Kendra me olhou, surpresa, mas não discordou de imediato.

— Ela é só alguém tentando sobreviver — continuei. — Do mesmo jeito que a gente tentou.

— Tentando sobreviver roubando da gente há meses? — Lana soltou uma risada curta.

— Sim — respondi direto. — E ela não matou ninguém por isso.

— Eu acho justo, concordo com ele — Sofia se manifestou.

— Também acho — Kendra assentiu devagar.

Lana virou o rosto para as duas, mas logo voltou a me encarar, agora mais dura.

— Você não pode tomar decisões importantes assim, no impulso.

— Isso não foi impulso — respondi.

— Não deixa de ser uma decisão que pode colocar todo mundo em risco — Lana se exaltou um pouco.

— Eu entendo o risco — desfiz os últimos nós.

— Parece que não está entendendo porra nenhuma — ela disse.

— E se der errado a responsabilidade é minha — falei para o grupo inteiro.

— Ah, ótimo, isso resolve tudo — Lana rebateu num tom sarcástico.

Ignorei o tom dela, Kendra baixou o olhar por um instante, mas não protestou, Sofia deu de ombros.

— Essa é uma decisão que não cabe somente a você — Lana continuou me encarando.

— Não é isso — minha voz saiu mais firme, logo olhei para Brooklyn. — A gente não vai sobreviver aqui sozinho, isolado e desconfiando de todo mundo o tempo inteiro. Ela era uma estranha ontem, a gente também já foi estranhos um para o outro. E ainda assim estamos aqui.

Kendra assentiu devagar, Sofia sorriu de leve, como se aquilo fizesse sentido simples demais para discutir. Lana, por outro lado, não relaxou, mas também não respondeu. Brooklyn parecia estar esperando o resultado da nossa decisão.

A tensão na sala foi diminuindo aos poucos, como se ninguém soubesse exatamente em que momento parar de se encarar e simplesmente seguir em frente. Brooklyn ainda estava sentada, as mãos amarradas, mas agora com a postura um pouco menos defensiva.

— Obrigada — Brooklyn respirou fundo. — Por me deixarem ficar.

Ninguém respondeu de imediato, Kendra e Sofia deram um pequeno aceno com a cabeça, Lana continuou séria.

— Eu vou ajudar, eu prometo.

— Espero que sim — Lana respondeu, seca.

— Eu sou médica, consigo cuidar de ferimentos, doenças básicas, infecções… isso já ajuda bastante.

— Eu também sei primeiros socorros — Lana soltou um riso curto.

— Isso não é a mesma coisa — respondi antes que a tensão voltasse a subir.

— Funciona muito bem na maioria dos casos — Lana me olhou de lado.

— Na maioria — repeti. — Mas não em todos.

Ela ficou em silêncio por um instante, orgulhosa demais para concordar, mas inteligente demais para insistir. Kendra percebeu isso e soltou um pequeno suspiro, aliviando o clima sem dizer nada, Sofia já estava meio distraída, olhando pela janela. Brooklyn relaxou um pouco mais na cadeira.

— Eu também tenho experiência com logística — ela continuou. — Distribuição de suprimentos, organização de estoques… isso veio do hospital.

— Isso pode ser útil, eu que cuido dessa parte por aqui — Kendra comentou.

Lana apenas observava, sem comentar, me aproximei um pouco mais.

— E o celular? — me aproximei um pouco mais, desamarrando mãos e pés dela.

— Eu estava com um grupo no começo, tinha uma amiga comigo — Brooklyn passou as mãos nos punhos vermelhos onde estava amarrada. — No ataque, a gente acabou se separando.

— E o celular é para contato? — perguntei.

— Sim, chamadas, mensagens… qualquer coisa — ela se levantou.

— Mas isso não deveria funcionar mais — Kendra franziu a testa.

— Depende da região — Brooklyn balançou a cabeça. — Entre essa área e alguns pontos ao redor, ainda tem sinal fraco.

— Então você estava por aqui esse tempo todo? — Lana ergueu um sobrancelha.

— Sim — Brooklyn assentiu. — Eu passava por aqui, quando conseguia sinal… tentava contato. E aproveitava para procurar comida nas casas.

— A gente nem pensa mais em celular… — Kendra pareceu pensativa.

— É — Sofia riu. — Uma coisa tão inútil agora.

Lana ficou em silêncio, eu também. Perceber aquilo deixava tudo estranho, um aparelho que vivia nas nossas mãos, agora empoeirado nas gavetas.

— Ok, isso depois a gente conversa, você precisa de um banho — Kendra chegou perto de Brooklyn.

— B-banho? — Brooklyn pareceu surpresa.

— Sim — Kendra respondeu simples, já puxando ela pelo corredor a dentro. — Você vai ficar melhor assim.

— Eu vou voltar para casa — Sofia se espreguiçou.

Lana já estava indo junto, antes de sair, passou por mim, parou bem perto e baixou a voz.

— Tá feliz agora? — Lana deu um sorriso debochado. — Mais uma buceta para você foder.

Logo, as duas saíram.

Algumas semanas passaram, no começo, confesso que não conseguia confiar totalmente em Brooklyn o que ia completamente contra a minha decisão inicial, sempre que ela saía para buscar água, eu ia junto. Quando organizava os mantimentos, eu ficava por perto, se precisava procurar alguma ferramenta, eu acompanhava, não que ela reclamasse, muito pelo contrário, ela aceitava tudo com muita calma. Nunca questionava, nunca demonstrava irritação, parecia entender perfeitamente por que eu fazia aquilo.

Os dias foram passando, pouco a pouco, aquela vigilância deixou de ser necessária, Brooklyn realmente cumpriu a palavra, além de ajudar nos cuidados médicos, organizou nossos remédios, separou materiais por categoria, ensinou algumas coisas sobre higiene que nenhum de nós havia considerado e até reorganizou parte da despensa para evitar desperdícios. Era organizada, Kendra chegou a brincar dizendo que nossa casa parecia mais limpa depois da chegada dela.

Cerca de duas semanas depois, já no final de uma tarde fria, ouvi o ronco conhecido de um motor se aproximando pela estrada. A velha caminhonete de Lana, ela estacionou em frente à casa. Sofia apareceu logo atrás dela, segurando uma caixa de madeira, demorei alguns segundos para reconhecer, então lembrei, a caixa de vinhos que Lana e eu achamos na nossa primeira expedição.

Fazia tanto tempo que elas acabaram sendo esquecidas no meio de tantas outras preocupações. Pouco antes do anoitecer, reuni algumas madeiras secas no quintal e acendi uma fogueira. O frio daquela época do ano já começava a aparecer com mais força quando o sol desaparecia, as chamas cresceram devagar, logo todos estavam sentados ao redor. Improvisamos alguns bancos com troncos cortados, outros preferiram simplesmente se sentar sobre mantas estendidas na grama.

A comida daquela noite foi simples, carne seca, alguns legumes da plantação levemente cozidos pelo calor da fogueira, alguns pães que Kendra havia conseguido fazer, nada muito elaborado. Lana abriu as duas primeiras garrafas de vinho.

As garrafas passaram de mãos em mãos, cada um dando um gole direto da garrafa. O gosto era muito melhor do que eu imaginava, com isso, as conversas foram surgindo naturalmente, primeiro sobre a plantação, depois sobre a caminhonete que vez ou outra dava problema, depois sobre pequenos problemas do dia a dia. Com o passar das horas, acabamos falando sobre o passado, Sofia contou algumas histórias da faculdade, a maioria terminava com ela fazendo alguma besteira.

Kendra lembrou de algumas situações da escola, acabei descobrindo histórias dela que nunca tinha ouvido. Lana participou pouco, quando falava, normalmente fazia todo mundo rir sem nem perceber. Brooklyn permaneceu mais quieta no começo, só escutando, até que Sofia apontou para ela insistindo que ela contasse alguma história do passado. Começou contando um pouco sobre as atrocidades que já viu no pronto socorro, Brooklyn parecia realmente relaxada, ela ria, gesticulava enquanto falava.

Olhei discretamente para Kendra, ela também havia percebido, Brooklyn já não parecia a mulher assustada que encontramos na cabana, agora fazia parte do grupo, Lana pareceu aceitar ela, mesmo que não parecesse.

As garrafas foram secando, uma após outra, foi exatamente aí que Sofia começou a perder completamente a noção, tropeçando nas próprias palavras, mal conseguindo manter a postura reta ao sentar, pior quando tentou se levantar, se Lana não fosse rápida o suficiente, ela teria caído seco no chão. Kendra caiu na gargalhada, mas estava pior do que a loira.

Brooklyn ria tanto que precisou limpar uma lágrima do canto do olho. A conversa foi ficando cada vez mais aleatória, Sofia começou a inventar teorias completamente sem sentido, Kendra acompanhava todas, as duas pareciam competir para ver quem falava mais asneiras. Quando sobrou apenas duas garrafas, nenhuma das duas conseguia mais andar direito, entraram em casa praticamente abraçadas, alguns minutos depois, encontramos as duas largadas no sofá da sala. Sofia ocupava metade do móvel, Kendra usava a barriga dela como travesseiro, ambas em sono profundo.

Voltamos para perto da fogueira, agora restávamos apenas nós três, Lana, Brooklyn e eu. Com a ausência das duas arautas do caos, o clima ficou mais silencioso e tranquilo, as brasas estalavam enquanto o vento frio passava entre as árvores, alimentei o fogo com mais alguns troncos secos, Lana girava lentamente a garrafa nas mãos, Brooklyn observava o fogo.

— Nunca imaginei que fosse terminar assim — Lana quebrou o silêncio.

— Como? — perguntei.

— Cinco pessoas sentadas em volta de uma fogueira, bebendo como se o mundo lá fora não tivesse acabado — deu um gole no vinho.

— Também não imaginava — dei um gole na garrafa e passei para Brooklyn.

— Eu imaginava algo bem pior — Brooklyn pegou a garrafa, sorriu de canto.

— Você encontrou o pior — respondeu Lana. — Só teve sorte de encontrar a gente depois.

Brooklyn abaixou os olhos para as chamas, não respondeu. O silêncio voltou por alguns instantes, as brasas continuavam estalando, levantando pequenas faíscas que desapareciam no céu escuro.

— Ainda acho estranho confiar nas pessoas de novo — Brooklyn comentou. — Passei tanto tempo sozinha que às vezes acordo assustada quando escuto alguém andando pela casa.

— Isso passa — respondi. — No começo eu também estranhava dividir tudo com a Kendra.

— Eu não estranhava — Lana deu um riso curto. — Sempre preferi ter alguém cobrindo minhas costas.

— Mentira — rebati.

— Me chamou de mentirosa? — Lana arqueou uma sobrancelha.

— Você não confia em ninguém — disse rindo.

Lana ficou alguns segundos olhando para mim antes de dar de ombros, Brooklyn riu baixinho.

— Eu vou ver como aquelas duas estão — Lana arrematou o resto de vinho da garrafa e sumiu no breu dentro da casa.

Com isso, ficamos apenas Brooklyn e eu encarando as brasas do fogo, o silêncio foi confortável por um tempo, sem me preocupar ou desconfiar dela.

— E a sua amiga — quebrei o silêncio. — Teve alguma notícia?

— Não — o sorriso dela sumiu, logo veio o silêncio novamente, agora desconfortável para ambos. — Estou começando a achar que alguma coisa aconteceu com ela

— Já faz quanto tempo que vocês se separaram?

— Não sei, parei de contar enquanto tentava sobreviver.

— Faz quanto tempo desde a última vez que tentou ligar para ela?

— Eu tento todos os dias.

— E nada?

— Às vezes o telefone até encontra sinal... mas nunca recebi uma ligação. Também nunca apareceu nenhuma mensagem — Brooklyn balançou a cabeça, pegou um pequeno graveto do chão e começou a remexer as brasas. — Mesmo assim eu continuo carregando aquele celular.

Fiquei em silêncio, não havia muito o que dizer num momento como esse. Eu sabia como era, também perdi pessoas importantes assim como todos ali, então sabia que o silêncio poderia ser a melhor resposta.

— Eu tenho medo de desistir, sabe? — ela continuou. — Tenho medo de ela estar precisando de ajuda enquanto eu estou aqui vivendo em segurança.

Entendia exatamente o que ela queria dizer, enquanto existisse aquele aparelho guardado na mochila, existia uma pequena possibilidade de a amiga ainda estar viva, talvez perdida, talvez esperando exatamente a mesma ligação.

— Qual era o nome dela mesmo? — perguntei.

— Meg — ela sorriu de canto.

— Vocês eram amigas há muito tempo?

— Desde a faculdade, fizemos residência juntas, trabalhamos no mesmo hospital... ela era praticamente minha irmã — ela soltou uma risada fraca. — Engraçado, eu nem lembro da última conversa que tivemos antes de tudo acontecer.

O fogo estalou entre nós.

— Você acha que ela ainda está viva? — perguntei.

Brooklyn encarou as chamas por um longo instante, sem responder.

— Eu quero acreditar que sim — Brooklyn respondeu depois de um tempo.

Silêncio.

— Mas... — ela respirou fundo. — Cada dia que passa fica um pouco mais difícil.

— Se algum dia ela aparecer, ela vai ter onde ficar.

Brooklyn virou o rosto lentamente para mim, os olhos dela brilhavam com o reflexo da fogueira.

— Você faria isso?

— Faria.

— Mesmo sem conhecê-la?

— Não foi exatamente isso que fiz com você?

Ela ficou alguns segundos me encarando, então sorriu.

— Obrigada — os olhos dela se encheram de lágrimas, mas não chorou.

Antes que eu conseguisse responder, um gemido alto escapou do interior da casa, era de Sofia, nós dois olhamos automaticamente para a porta, outro gemido veio logo em seguida, ainda mais alto, agora de Kendra.

— Isso é normal? — Brooklyn arqueou uma sobrancelha.

— Sim — deixei uma risada escapar. — É normal sim.

— Mas a Kendra...

— Ela não é minha namorada, antes que pergunte — a interrompi antes que finalizasse a pergunta.

— Não é? — ela franziu a testa. — Que estranho, vocês agem como se fossem.

— É, mas não somos.

— Até dormem juntos.

— Dormimos no mesmo quarto para liberar o outro para você.

— Isso não me convence — Brooklyn riu de canto. — Meu quarto parecia bem abandonado quando cheguei por aqui.

— Ah, é?

— Uhum, e nem vou comentar sobre os barulhos que vocês fazem durante a noite.

— Barulhos? — fechei os olhos já imaginando o tipo de barulho que Kendra fazia.

— É, gemidos, os estalos quando você fode ela — ela agora riu um pouco mais alto. — Essa relação de vocês é estranha, porque não se assumem logo?

— Vamos mudar de assunto?

Mais gemidos escaparam do interior da casa, agora mais abafados, por um momento, ficou um silêncio entre eu e Brooklyn, somente com a sinfonia dos gemidos da Kendra e da Sofia preenchendo o ambiente ao redor.

— Que coisa chata — Brooklyn logo falou após um gemido estridente vindo de dentro da casa.

— O que é chato?

— Ficar ouvindo outras pessoas transando — ela se levantou e estendeu a mão para mim. — Que tal a gente se divertir um pouco também?

Minha mão foi de encontro a dela na hora, foi instintivo, como se concordasse de imediato. O sorriso dela foi grande, logo me puxando para dentro da casa, passamos pela sala, escada, corredor até chegar na porta do quarto, corremos como dois adolescentes indo perder a virgindade, ansiosos. A porta do quarto onde eu e Kendra dormimos estava entreaberta, vi de relance, Kendra e Sofia com o rabo arrebitado enquanto Lana se afogava, aproveitava a bunda das duas.

Ok, aquela cena foi interessante de se ver, queria ficar ali para espiar mais, mas Brooklyn continuava me puxando até chegar no quarto dela, onde imediatamente fechou a porta atrás de mim, tirou a blusa grossa e deixou cair no chão, vindo direto ao meu encontro. Brooklyn avançou em mim, senti seus peitos pressionando contra o meu enquanto as mãos subiam pelo meu pescoço, puxando meu rosto para baixo até encontrar os lábios dela, ela me beijava como se há meses estivesse reprimindo todo o desejo sexual

O sabor do vinho impregnava sua língua, doce e ácido ao mesmo tempo, se misturando com o meu enquanto ela me devorava. Podia sentir o desespero de Brooklyn, ela não estava apenas beijando, parecia estar reclamando, me consumindo, como se cada célula do meu corpo pertencesse a ela por direito. Seus dentes arranharam meu lábio inferior com uma leve dor aguda e deliciosa antes que sua língua mergulhasse novamente na minha boca, mais fundo.

Minhas mãos encontraram o tecido da roupa dela, sentindo o calor da pele por baixo enquanto a pressionava contra mim. Ela se afastou o suficiente para respirar, mas não o suficiente para quebrar o contato, seus olhos escuros e brilhantes me examinaram, antes que ela começasse a descer. Seus joelhos dobraram-se lentamente até que ficou ajoelhada diante de mim com o rosto na altura da minha calça.

Os dedos agilmente desabotoaram a calça e desceu o zíper, puxando a calça para baixo lentamente, minha pica saltou para fora, dura como pedra, batendo no rosto de Brooklyn que logo deu um sorriso largo ao sentir o calor da minha pica. O primeiro toque foram o dos lábios, um suave beijo, logo depois a ponta da língua dela na cabeça do meu pau. Um gemido baixo escapou da minha garganta enquanto ela circundava a glande, saboreando a gota pré-gozo que já se formava. Então, sem aviso, Brooklyn engoliu.

A sensação foi avassaladora, sua boca quente e molhada envolveu meu pau inteiro, seus lábios selando ao redor da base enquanto a ponta tocava o fundo da garganta dela. Não hesitou e nem engasgou, Brooklyn simplesmente tomou tudo, sua cabeça começando a se mover para cima e para baixo com um ritmo que era tortuosamente lento, mas incrivelmente intenso. Suas mãos não ficaram paradas, enquanto sua boca trabalhava meu pau, os dedos dela encontraram minhas bolas, massageando com uma pressão que fazia minhas pernas tremerem. Brooklyn alternava entre chupar meu pau inteiro e serpentear a língua na cabeça, fazendo padrões complexos que me deixavam sem fôlego. Então ela soltou meu pau e se abaixou um pouco mais.

Sua língua passou pelas bolas, deixando um rastro de saliva quente antes que ela as levasse para a boca, uma de cada vez. A sucção foi gentil, mas firme, seus dedos ainda trabalhando o corpo do meu pau enquanto mamava meus testículos. Então Brooklyn, sem aviso, se levantou rapidamente, tirou o resto da roupa e eu aproveitei para fazer o mesmo. Consegui uma ampla visão dos seus peitos médios, firmes e perfeitos, balançaram levemente com o movimento. O triângulo de pelos escuros entre as pernas dela estava perfeitamente aparado, e por um momento, eu apenas a admirei.

Brooklyn não deu tempo para mais observações, me empurrou até a cama me forçando a me deitar e com um pulo ágil, ela já estava em cima de mim, suas pernas se encaixando em volta do meu quadril enquanto suas mãos se apoiavam no meu peito. Sua buceta molhada escorregou pelo meu pau duro como rocha, os pelos dela roçando no meu abdômen com uma textura áspera e excitante.

Ela ajustou a posição, a mão dela guiando meu pau até a entrada dela, senti a entrada quente e molhada, Brooklyn olhou nos meus olhos enquanto descia lentamente, deixando cada centímetro do meu pau invadir. O calor dela era intenso, os músculos internos se contraindo ao meu redor enquanto ela se assentava completamente, os pelos da testa da buceta dela pressionando contra minha pele. Sinceramente? Não me lembro de foder uma buceta tão apertada quanto a dela.

Brooklyn começou a se mover, inicialmente devagar, balançando os quadris em círculos, depois aumentando o ritmo. Cada descida era acompanhada por um gemido que vinha do fundo da garganta, tão fundo quanto meu pau invadindo e abrindo sua buceta. O som ficou mais alto, mais insistente, até que Brooklyn estava gemendo abertamente, sem vergonha, sua voz ecoando no quarto enquanto meu quadril batia em sua bunda.

As quicadas de Brooklyn ficavam cada vez mais fortes, eu acompanhei os movimentos, ela descia e eu metia ao mesmo tempo, fodendo ela do jeito que merecia. Os gemidos dela eram tão altos que facilmente superavam os gemidos das outras três do quarto ao lado. A agarrei pelos quadris, controlando o movimento dela por um momento antes de invertê-la. Brooklyn caiu na cama de costas, as pernas se abrindo imediatamente para mim, me posicionei entre elas, entrando novamente com um movimento rápido e profundo que fez ela gritar.

Comecei a foder com força, cada metida fazendo a cama ranger e bater na parede. Os peitos dela balançavam com cada movimento, seus mamilos duros apontando para o teto. Suas pernas se enrolaram em volta da minha cintura, me puxando mais fundo a cada estocada, sentia também o mel escorrendo pelas minhas bolas a cada metida, não podia culpá-la, afinal, foram quantos meses sem foder? Quantas semanas ouvindo duas pessoas transando no quarto ao lado?

Depois de alguns minutos, mudei a posição, virando-a de quatro. Brooklyn se apoiou nos cotovelos, o rabo levantado parecia me chamar, convidando meu pau a invadir suas entranhas novamente. Me posicionei por trás e meti novamente, minhas mãos segurando os quadris dela enquanto a fodia com força. O som dos nossos corpos batendo ecoava pelo quarto, talvez pelo corredor, talvez pudessem ouvir até fora da casa, o ritmo primitivo e insaciável.

Foi então que percebi, a porta do quarto, que eu tinha certeza que Brooklyn havia trancado, estava entreaberta, e através dessa fresta, eu senti um olhar. Alguém estava nos observando. Por um momento, meu ritmo vacilou. Mas Brooklyn, sentindo a mudança, empurrou a bunda contra mim em protesto, pedindo mais. E então, algo estranho aconteceu, a ideia de sermos observados, em vez de me constranger, me excitou ainda mais. Era Lana? Sofia? Kendra? As três juntas?

Voltei a foder com o vigor renovado, mais forte, mais profundo. Brooklyn respondeu com gemidos mais altos, seu corpo se contorcendo sob o meu. Minha atenção ainda estava dividida entre o calor da buceta de Brooklyn, no som dos nossos corpos, e na certeza de que tínhamos uma plateia. Eu senti o orgasmo se aproximando, Brooklyn pareceu sentir também, porque ela começou a se mover mais freneticamente, os gemidos mais descompassados e desconexos, suas palavras se transformando em sons incoerentes de prazer.

Com um último movimento fundo em sua buceta, tirei rapidamente o pau e comecei a gozar, o primeiro jato atingiu o cuzinho, os próximos foram diretos em sua buceta, escorrendo até o clitóris e pingando no lençol. Fiquei ofegante por um momento, olhando para ela e ela me encarando por cima do ombro. Quando olhei para a porta, estava fechada, realmente, alguém viu tudo o que ocorreu entre Brooklyn e eu.

Me deitei ao lado dela e ela se ajeitou, passei o braço pela cintura.

— Vou dormir aqui, tudo bem? — sussurrei para ela.

— Sem problemas — ela sussurrou de volta, rindo. — Mas não me culpa se durante a madrugada eu te acordar.

— Se for do jeito que estou pensando, não vou reclamar.

Ela riu novamente, o sorriso sumiu pouco a pouco até dar lugar para o sono. Ela adormeceu em instantes, achei que estava tarde o suficiente e então, a acompanhei, adormeci também.

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É Haedrig é uma distopia dessa que estou procurando. Altos baquetes

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