Os olhos de Carla abriram subitamente. Ela encarou o teto. A luz difusa que iluminava o quarto fazia tudo parecer um grande caleidoscópio. Por alguns segundos ela achou pouco familiar toda aquela atmosfera que parecia um sonho no paraíso das fadas e demorou dois longos instantes para reconstruir a cena na própria mente.
As pequenas formas coloridas que manchavam as paredes do quarto dançavam ao sabor do vento, projetando figuras que captavam a luz do sol. Tudo saía do sino de vento psicodélico que seu tio Felipe havia lhe dado de presente na noite anterior.
Carla pendurou a parafernália na janela. O objeto possuía vários tubos ocos suspensos, algumas esferas de vidro colorido e detalhes brilhantes nas extremidades de cada componente. Produzia um tilintar suave e melódico. O design parecia saído de uma feira mística piegas.
Ela o pendurou ali por ter sido um presente de seu tio favorito, o irmão mais novo de seu pai. Tio Felipe. Ou simplesmente tio Fê.
Acordada e observando as figuras coloridas dançarem pela parede, Carla tirou um momento para pensar. O vento espalhava o som da bugiganga pelo quarto e aquilo tinha um efeito quase hipnótico.
Ainda não estava convencida de que queria sair da cama.
Apenas aproveitava o instante e pensava na presença do tio.
Ele veio passar alguns dias com a família. Talvez quinze. Talvez trinta. Ainda era uma incógnita.
Sua mãe contou uma semana antes, pouco antes de Carla sair para a faculdade.
Quando soube que o tio Fê ficaria hospedado em casa por um longo período, sentiu reações estranhas percorrerem seu corpo. Um frio no estômago, o coração acelerado, a boca seca.
Na ocasião, apenas pegou as chaves do carro e caminhou em direção à porta. Segundos antes de sair, olhou para trás e respondeu à mãe, ignorando momentaneamente o parque temático sensorial em que seu corpo havia se transformado.
— Tranquilo, mãe, vai ser ótimo. Eu amo o tio Fê e a tia Márcia.
Então saiu para assistir às aulas antes que a mãe pudesse explicar que o motivo da hospedagem era justamente a separação de Felipe e Márcia.
Até a chegada do tio, Carla evitava pensar nas sensações daquele dia. Preocupava-se mais com a rotina da casa.
Desde que o pai morreu, oito anos antes, ela não convivia diariamente com uma figura masculina.
A diferença de idade entre ela e Felipe era de apenas doze anos. Ele era fruto do segundo casamento de seu avô. A dinâmica entre os dois oscilava entre tio e sobrinha, amigos de infância, primos distantes, irmãos improvisados.
Nem Carla sabia exatamente como definir.
Naquela manhã, enquanto observava o presente que ganhou, a música produzida pelo objeto pareceu mudar de ritmo.
Tudo ficou lento.
As figuras coloridas começaram a se transformar em borrões luminosos enquanto Carla cerrava os olhos.
Em meio às imagens que pareciam conduzi-la por um túnel para o País das Maravilhas, as manchas de luz começaram a assumir uma forma.
Uma silhueta.
Um homem.
Uma sombra.
Uma distorção criada pela refração dos vidros coloridos.
Como um sonho estranhamente lúcido.
A figura não a assustava.
Pelo contrário.
Os cilindros metálicos tocados pelo vento criavam uma trilha sonora familiar e acolhedora.
Carla tinha certeza de que estava sonhando.
Sentia apenas o calor daquela presença.
Uma familiaridade difícil de explicar.
Quase uma saudade.
Uma sensação de algo conhecido, como se aquilo fosse comum em algum universo.
O calor tocou sua perna, subiu pelas coxas.
O peso em seu corpo se tornou mais sensível, tinha um perfume amadeirado, uma presença tão gostosa que parecia amor.
Ela sentiu o próprio corpo pesado, imóvel, como se estivesse presa entre o sono e a vigília.
Então, de repente, uma rajada de vento abriu violentamente a cortina.
O sino de vento explodiu em sons desordenados.
Carla despertou.
Sentou-se na cama assustada.
Estava sozinha.
Ainda sentia o calor.
A respiração acelerada.
E uma estranha melancolia por algo que não conseguia nomear.
Três segundos depois do vendaval que a arrancou daquele que parecia o melhor sonho de sua vida, ouviu batidas na porta.
— Tá tudo bem, Carlinha? Ouvi um barulho estranho.
Era Felipe.
Atento aos sons da casa vazia.
Atento até demais, pensou ela...
Carla abriu a porta.
Ainda estava assustada, como quem desperta de um pesadelo.
Olhou para os olhos do tio e, por um instante quase impossível de medir, sentiu algo diferente.
Não era admiração.
Não era respeito.
Não era apenas afeto.
Era uma sensação confusa e inesperada, era tesão!
Ela o abraçou impulsivamente, ainda sob efeito do sonho.
Felipe a acolheu com delicadeza.
Por alguns segundos permaneceram em silêncio.
Carla apoiou a cabeça em seu ombro.
— Eu estava sonhando. O vento derrubou seu presente e eu acordei com um susto.
Ela riu, sem graça.
Felipe continuava sério, genuinamente preocupado.
Quando os olhares dos dois se encontraram novamente, algo mudou no ar.
Um volume começou a crescer dentro da cueca samba canção de Felipe.
Carla sentiu o volume duro e se contraiu, quente.
Ela não se assustou. Em vez disso, pressionou o quadril para frente, esfregando a buceta contra o pau inchado do tio.
O atrito fez o pau dele pulsar mais forte, e ela sentiu o tecido da camisola molhar ainda mais. Felipe soltou um gemido baixo, quase inaudível, mas não a soltou.
Sua mão desceu pelas costas dela até parar na curva da bunda, apertando com força. Os dedos dele afundaram na carne macia, puxando Carla mais para perto.
— Desculpa… é um reflexo natural dos homens da manhã — ele murmurou, a voz rouca, mas o corpo não se moveu.
Carla sentiu a buceta latejar. O líquido quente escorria pelas coxas.
Não era reflexo. Era real.
Ela levantou uma perna e envolveu o quadril de Felipe, fazendo o pau dele tocar ainda mais fundo sua buceta molhada.
O atrito direto fez os dois ofegarem. Felipe inclinou o rosto, os lábios quase tocando os dela, mas parou no último segundo. Carla não recuou.
Ela moveu o quadril devagar, esfregando a buceta contra o pau dele em movimentos circulares, sentindo cada pulsação através do tecido fino.
O pau dele ficou ainda mais duro, forçando contra a buceta dela. Carla gemeu baixinho, sentindo o clitóris pulsar e esfregar contra a cabeça quente do pau do tio.
O calor entre as pernas dela era insuportável. Ela queria mais. Queria sentir a pele dele, queria que ele tocasse por baixo da camisola.
Felipe abriu a bunda dela com força, os dedos quase alcançando a buceta molhada por trás. O toque dele era possessivo, desesperado, parecia um urso faminto.
Carla se afastou só o suficiente para olhar nos olhos dele novamente.
Seus mamilos estavam duros, roçando contra o tecido fino da camisola.
O olhar de Felipe desceu até eles, e ele lambeu os lábios sem perceber.
O pau dele deu outro pulo forte, Carla sentiu o pau dele babar, molhando o tecido da cueca, transferindo para a buceta dela.
Ela pensou em se desvincilhar. Em vez disso, ficou ali, o corpo colado ao dele, sentindo o pau dele pulsar contra sua buceta ensopada.
O líquido quente escorria pelas coxas dela.
Felipe respirava ofegante, o peito subindo e descendo pesado. A mão dele subiu pelas costas dela, os dedos traçando a espinha até alcançar a nuca.
Ele segurou a cabeça dela, inclinando para trás, expondo o pescoço. Seus lábios roçaram a pele sensível ali, não um beijo, mas algo mais quente, mais perigoso.
— Carla, eu vou perder o controle... ele sussurrou, a voz rouca de desejo.
Ela respondeu com outro movimento do quadril, esfregando a buceta contra o pau dele com mais força.
O atrito fez o clitóris dela latejar, e ela sentiu o orgasmo se aproximando só com aquele contato. Felipe gemeu novamente, o som baixo e animalesco.
Sua mão livre desceu até o peito dela, acariciando o mamilo duro através da camisola. O toque fez Carla arquear as costas, pressionando o corpo inteiro contra o dele.
O pau dele era tão duro que parecia prestes a rasgar a cueca. Carla sentiu a cabeça grossa pressionada contra sua entrada faminta, o tecido fino da cueca e da camisola eram a única barreira.
Ela se movia em círculos lentos, sentindo cada veia, cada pulsação. Os líquidos deles se misturaram, criando uma umidade escorregadia que facilitava o atrito.
Felipe segurou o mamilo da sobrinha entre os dedos, beliscando de leve. Carla gemeu mais alto, o som ecoando pelo corredor.
Ela queria que ele a levasse para o quarto, que a deitasse e a fodesse ali mesmo, sem pensar nas consequências. O desejo era tão forte que ela mal conseguia pensar.
Tudo o que importava era o pau dele contra sua buceta, as mãos dele em seu corpo, o calor que subia por sua espinha.
Eles ficaram ali por longos segundos, o corpo colado, o desejo explodindo entre eles. Só quando o sino de vento tocou novamente, quebrando o transe, Felipe recuou, se virou e saiu sem falar mais nada.
Mas o olhar dele prometia que isso era apenas o começo...