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Caderno Vermelho. Primeiro Volume

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Um conto erótico de Escravo 43
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 1854 palavras
Data: 13/07/2026 03:49:09

Era um dia como outro qualquer... Como outro qualquer não, tinha tudo para ser um dia ruim. Acordar cedo, pegar as coisas, ir para a aula a pé e voltar a pé. Estava um pouco gordinho e meus pais queriam que eu fizesse mais atividade física para perder uma barriguinha que começava a se formar.Além dessa enfadonha caminhada, teria que ficar à tarde para o estágio.

Sempre fui um bom aluno, mas o mundo do trabalho não era meu forte. Não era um mau estagiário, mas estava longe de ser bom. Nas aulas eu me destacava de uma turma fraca; não estava, no entanto, entre os melhores.

Sim, leitores, eu era perfeitamente mediano, ordinário. Estatura de 1,77, pele branca, olhos escuros e cabelo curto. Não tinha nenhum grande dote, exceto um: um pênis de 18 cm e bastante grosso ("o mais grosso entre aqueles que tive o prazer de ver em vida" dizia ela). Mas não havia remédio: tinha de ir para a faculdade, atravessar o dia e, com sorte, chegar em casa antes de todos no fim da tarde para poder usar o DVD e assistir a um filme pornô que havia comprado e ainda não tinha tido a chance de ver (ou melhor, me masturbar assistindo).

Perdoem-me a digressão, mas quem assiste a um filme pornô para ver o filme? Acho que ninguém. No entanto, foi-me dado papel e caneta, além da esperança de que alguém transcreveria o que está escrito neste caderno caso eu escrevesse algo enquanto passo o tempo aqui... Pensei em fazer um relato glorioso... Pensei em escrever algo útil, algo belo, algo valioso... Mas sou extremamente sem valor para isso. Ademais, já faz anos e anos que vivo desse jeito; parece que, por bem ou por mal, eu estava condenado a escrever um relato erótico. Quem sabe aqui, mais pelo que vivi do que pelo meu gênio, eu possa me destacar.

Voltando: peguei as coisas e fui para a faculdade. O dia, felizmente, não estava muito quente. Pensei que o dia poderia ser melhor, dada a feliz surpresa após semanas de intenso calor. A faculdade até que foi razoável, mas o estágio foi péssimo. Final de mês, metas deveriam ser batidas e a culpa do fracasso era mais uma vez jogada nas costas dos estagiários. Ouvi muitos gritos e xingamentos. No final, completamente cansado e humilhado, comecei a voltar para casa, já sabendo que provavelmente não chegaria a tempo para aproveitar o momento sozinho.

A caminhada, no entanto, estava agradável. Meu amigo havia faltado por estar doente — parte do trecho da volta eu fazia com ele —, mas, a despeito da ausência de companhia, uma brisa agradável, anúncio de tempestade, tornava a caminhada de retorno mais amena.

Demorei a me dar conta de que o caminho estava muito deserto, bem mais do que o comum. Talvez as donas de casa que a essa hora estariam do lado de fora, fazendo suas fofocas e esperando seus maridos e filhos voltarem, estivessem ocupadas recolhendo a roupa para evitar a vindoura chuva, e por isso não havia ninguém na rua. Isso, no entanto, não explicava a ausência de cachorros e seus latidos.

De algum modo, o silêncio estranho já anunciava que algo estava prestes a mudar drasticamente. Notei alguns segundos antes do principal acontecimento de minha vida que algo estava diferente. Em meio ao monte de "nada" que talvez subconscientemente eu já tivesse percebido, passou um carro muito diferente.

Meu bairro não era empobrecido, mas também não era um bairro de ricos. Nos limites da saída da cidade, era um bairro de classe média, com terrenos baratos em uma zona afastada, mas com acesso à pista, o que facilitava para muitos trabalhadores, pois a cidade era pequena e muita gente trabalhava nas cidades vizinhas, mais desenvolvidas. Um carro assim era completamente atípico. Perdoem-me se não posso dar uma descrição melhor, mas, afora ser prata e estrangeiro — visivelmente importado —, não posso dar nenhuma outra especificação...

Fiquei imaginando o que um carro assim estaria fazendo nesse fim de mundo. Mas, daí a pouco, ele passou de novo, igualmente rápido.

Percebi então que a rua estava muito calma e, por algum motivo que não sei explicar, senti que precisava acelerar meu passo, pois senão não chegaria em casa... Não tinha forças para correr e nem medo o suficiente para tirar forças da adrenalina... Mas acelerei o passo. Então, antes que eu chegasse ao fim do quarteirão, antes de conseguir cruzar a rua, o carro passou de novo e parou entre mim e a calçada.

Parei, olhei para todos os lados e não havia uma alma na rua. Pensei em me virar e correr, mas o vidro do passageiro abaixou e revelou uma deusa. Cabelos longos e dourados, um rosto gentil e arredondado; estava com óculos escuros e uma roupa muito estranha, mas certamente de grife (talvez até por isso).

— Garoto, preciso de uma ajuda. Acho que me perdi, poderia me ajudar?

Sua voz era doce, mas decidida. Não parecia uma donzela, e sim uma caçadora. Tinha as belezas de um arcanjo e também o seu pulso. Congelei... O que mais poderia fazer diante de tal criatura? Era como olhar para o sol sem ter se preparado para isso, se é que há preparo para olhar para tão poderoso astro sendo uma criatura tão minúscula.

— Ei, garoto! Estou falando com você! Pode me ajudar?

Ainda sem voltar a mim, mais pela força dos fortes que domina a alma vulgar, balbuciei:

— Claro... Claro, como posso ajudar?

— Aproxime-se aqui, não quero ficar gritando.

Aproximei-me enquanto ela continuou a falar:

— Estava querendo encontrar um amigo que não vejo faz tempo. Ele morava aqui, mas agora não encontro sua casa. Conhece o João?

Estava muito próximo da porta do passageiro; seu perfume inebriante me impedia de perceber claramente seu sotaque. Falava português fluentemente, mas não era brasileira.

— Conheço alguns. Saberia me dizer qual o sobrenome? Meu vizinho se chama João Victor Valentin, seria ele por acaso? Entreguei sem me dar conta o que ela queria, mas bastaria que ela dissesse "entre no meu carro" que, a esse ponto, eu entraria. Estava completamente hipnotizado. Era mais patético que um gafanhoto macho, posto que este ao menos goza antes de ser devorado.

— É esse mesmo, garoto. Não me diga que ele é seu vizinho! É uma cidade bem pequena, né?

Balancei a cabeça afirmativamente. Imaginei, no entanto, que fosse um engano, um caso fortuito de nomes idênticos. Meu vizinho já era um idoso, quase nunca saía de casa e definitivamente não podia fazer parte do mundo daquela Deusa.

— Escuta, estou vendo que você está sozinho, voltando para casa com esse vento de chuva. Não quer uma carona? Já que vou para lá, até me facilita se você me ensinar a chegar.

Hesitei, não por qualquer senso de preservação. Hesitei porque eu não era parte do mesmo mundo que ela. Eu podia não saber o que fazer diante dela, mas ela sabia me ler perfeitamente. Engrossou a voz e disse:

— Suba já, garoto! Não tenho tempo a perder e quero chegar na casa do João antes da chuva!

Como uma mosca, voei para a teia e entrei. A primeira coisa que notei foi sua roupa completamente incomum. Estava vestindo peças que cobriam-lhe praticamente o corpo todo, com exceção do cabelo, do rosto e de um decote em V invertido que revelava seios de tamanho levemente avantajado. Mais um dos dons que ela recebeu da Natureza e que me deixaram completamente paralisado e com uma ereção gigantesca. Mal tive tempo de colocar o cinto e ela deu partida.

Sem perguntar qualquer direção, seguiu reto em direção à saída do bairro e à pista. Estava muito impactado e excitado para falar qualquer coisa. Conforme avançamos na pista, eu murmurei uma ou duas tentativas de falar algo. Falar que ela errava o caminho. Falar que ela não deveria correr tanto. Minto se disser que pensava em minha segurança...

Na terceira vez que ensaiei falar algo, ela fez um gesto levando o dedo à boca e pedindo silêncio. Suas unhas um pouco longas e com um esmalte carmesim chamaram-me a atenção. Por um brevíssimo instante, pensei nas garras de uma leoa, ensanguentadas ao agarrar o dorso de sua presa.

Ela parou o carro no acostamento, com tamanha precisão que me chamou a atenção.

— Garoto, é o seguinte: eu não costumo fazer isso, mas vou fazer porque sei quando tenho alguém nas palmas de minhas mãos, mas ao mesmo tempo adoro saber que se entregam por mim. Não estamos muito longe de seu bairro, vinte minutos a pé você consegue chegar lá. Se quiser descer do carro e seguir sua vida nessa cidade de merda, pode descer. Mas saiba que você nunca vai ser nada na vida. Você não se destaca em nada, não é nada e nunca vai ser nada. De pessoas como você esse planeta está cheio. No entanto, você pode decidir ficar aqui no carro comigo. Se ficar, saiba que nunca mais terá sua vida. Você será para sempre meu e, como Ícaro, por voar tão perto do Sol, vai ter uma queda horrorosa e dolorosa. É o preço que gente tão pequena tem que pagar para chegar próximo de pessoas como eu. O que vai ser?

Eu não conseguia tirar os seios dela da cabeça, não conseguia pensar em nada que não fosse seu doce aroma. Ela abaixou levemente os óculos e pude ver seus olhos azuis, profundos e brilhantes.

— Seu corpo já deu a resposta, garoto. E devo admitir que, ao menos, seu pau parece ser uma delícia.

Fiquei encabulado e disse, como se estivesse tentando esconder dela a minha visível ereção. Como se ser pego de pau duro olhando para tão bela figura fosse um crime vil e repulsivo...

— Perdão, perdão... Eu quero ir com você...

Ela falou de maneira dura:

— Não sei... Você está começando a parecer um péssimo negócio. Melhor descer do carro, garoto.

— Não quero descer, quero ficar.

— Não quer ficar não, nem está pensando. Está apenas embaraçado porque peguei você olhando para meus peitos.

— Perdão, mas eu quero ir com você.

— Pensa que, ao vir comigo, você poderá tocar esses peitos? Pensa que alguém ridículo como você terá alguma chance de fazer algo afora me olhar e me servir? Sua pretensão me insulta, desça do carro!

— Não! Por favor, não me faça voltar para casa! Não me faça descer deste carro! Eu quero ir com você, ainda que não seja para fazer outra coisa que não te servir.

Ela parou, olhou-me e disse:

— Gosto assim, que peça "por favor" e que seja grato por agora eu dar sentido a sua patética existência.

Ela desceu a mão para pegar algo em sua porta. Era um comprimido.

— Abra a mão.

Abri, e ela disse:

— Agora pegue a garrafinha de água na sua porta e tome o comprimido.

Hesitei um pouco.

— Lembra do que disse: agora sua vida é minha e eu decido o que faço com ela. Tome rapidinho e não fale mais nada. Aproveite a viagem e se despeça em silêncio de todos os seus amigos e parentes!

Eu tomei o comprimido e, em alguns minutos, apaguei...

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