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República Viracopos 08 - Aulas particulares e conversas difíceis

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Um conto erótico de Márcio
Categoria: Gay
Contém 3329 palavras
Data: 09/07/2026 22:53:44

Os dias seguintes foram um turbilhão silencioso dentro de mim. Por fora, eu tentava manter a rotina normal: acordar cedo, tomar café rápido na cozinha, ir para as aulas carregando a mochila pesada, voltar para casa no fim da tarde, cozinhar algo simples (geralmente salada, arroz, feijão e uma carne que eu conseguia fazer sem errar muito) e tentar estudar até tarde da noite. Mas por dentro, minha cabeça não parava quieta nem por um segundo.

Cada canto da república agora carregava uma memória viva. A cozinha onde vi o Paulo fodendo a menina encostado na bancada, suado e com a bermuda baixa, me vigiando com os olhos mesmo sem dizer nada. A sacada onde eu tinha conversas até altas horas, onde o ar parecia sempre mais pesado quando alguém se aproximava. O banheiro onde o Rafa me pegou de jeito, me imprensando contra a parede fria enquanto a água do chuveiro caía sobre nós. Até o meu próprio quarto parecia diferente — a cama onde eu deitava e ficava relembrando tudo, o cheiro de suor e sexo ainda grudado em alguns lençóis imaginários que eu não tinha coragem de lavar.

Era como se a casa inteira tivesse ganhado vida própria, como se as paredes sussurrassem lembranças toda vez que eu passava. Eu me pegava parado no corredor, olhando para uma porta fechada e sentindo o corpo reagir antes mesmo da mente processar. Estava ficando difícil separar o que era desejo, o que era culpa, o que era empolgação e o que era medo de estar indo rápido demais.

Na quinta-feira à noite, depois de um dia especialmente exaustivo de aulas, eu me arrastei até a sacada. Sentei na rede velha, que rangia de leve com meu peso, e comecei a balançar devagar. Acendi um cigarro — algo que quase nunca fazia, mas que ultimamente ajudava a acalmar os pensamentos acelerados (era isso ou cachaça). O céu estava escuro, com poucas estrelas visíveis por causa das luzes da cidade. O ar ainda estava quente, úmido, mas tinha uma brisa leve que trazia o cheiro de terra molhada de uma chuva fina que tinha caído mais cedo. Fechei os olhos por um momento, sentindo o vento passar pelo rosto e pelo peito.

Não demorou muito para o Rafael aparecer.

Ele saiu do quarto sem camisa, como de costume, só de bermuda preta de tactel que marcava o corpo grande. Caminhou até a sacada devagar, descalço, e sentou na cadeira de plástico ao meu lado. Ficou em silêncio por quase um minuto inteiro, só olhando a vista escura da cidade, os cotovelos apoiados nos joelhos. O silêncio não era desconfortável — era quase respeitoso. E eu, sempre que o via sem camisa, não conseguia evitar de pensar como ele era gostoso.

— Mineirinho… tá fumando agora? — perguntou finalmente, com a voz baixa e calma, quase um sussurro. Tirou um maço de cigarro do bolso e acendeu um também.

— Só hoje — respondi, dando mais uma tragada curta. — Tô com a cabeça um pouco cheia.

Ele assentiu devagar, sem me pressionar. Ficamos mais um tempo em silêncio. Eu sentia o cheiro dele, sabonete misturado com o suor natural da pele quente. Depois de um tempo, ele falou, ainda olhando para frente.

— Eu tenho reparado que tu tá diferente esses dias. Mais quieto que o normal. Mais… pensativo. Tá rolando alguma coisa que eu deveria saber? Não precisa contar se não quiser, mas… eu tô aqui se precisar desabafar. Sem julgamento.

“Alguma coisa que eu deveria saber?” Nós não tínhamos nenhum compromisso, mas mesmo assim ele insistia em querer cuidar de todo mundo.

Suspirei fundo, apagando o cigarro no cinzeiro improvisado com lata de cerveja. Conversar com o Rafa sempre tinha um peso diferente dos outros. Ele podia ser bruto, mandão e possessivo às vezes, mas quando queria, sabia ouvir de verdade. Era como se ele desligasse o modo “alfa” e ligasse outra versão dele.

— Não sei explicar direito — comecei, a voz saindo mais baixa do que eu esperava. — Desde que cheguei aqui, tudo mudou muito rápido. Eu vim pra recomeçar a vida, pra sair do armário devagar, pra viver coisas novas sem medo… e acabou que tá acontecendo tudo de uma vez. Transas, sentimentos, ciúmes, conversas… Às vezes fico pensando se não tô me perdendo no meio disso, se não tô indo rápido demais e vou acabar me machucando. Ou machucando alguém.

Rafael era o único com quem eu desabafava de boa, tínhamos nos tornado amigos desde o primeiro dia, depois que transamos a primeira vez. Eu já havia contado a ele sobre as outras fodas com o pessoal da república. Não havia por que esconder, ele já estava manjando tudo mesmo.

O Rafa ficou olhando para o horizonte por um longo tempo antes de responder. A brisa mexia levemente com cabelo curto dele.

— Eu entendo mais do que tu imagina, Márcio. Quando eu cheguei aqui, também foi assim. Casa cheia de cara, todo mundo solto, todo mundo bonito e disponível… é fácil se deixar levar pela onda. Eu mesmo demorei pra encontrar meu equilíbrio. No começo eu queria tudo ao mesmo tempo, depois me sentia vazio. Tu não precisa se cobrar tanto. Aqui ninguém tá julgando. Eu gosto de ti. Não só pela parte física. Gosto de conversar contigo, de te ver aprendendo a se soltar, de te ver descobrindo quem tu é de verdade. Tu é inteligente, tu é gente boa… e tu merece viver isso tudo se sentindo culpado.

Ele pausou, respirou fundo e continuou com a voz mais baixa.

— Às vezes eu fico me perguntando se não tô sendo egoísta contigo. Eu sei que sou intenso, que gosto de ter controle… mas eu não quero te sufocar. Se precisar de espaço, ou de alguém pra conversar sem segundas intenções, é só falar. Eu tô aqui. Mesmo que já tenha rolado coisas entre nós, eu consigo separar. Não quero ser mais um que te deixa confuso.

Rael era de longe a pessoa quem eu mais tinha intimidade na república, sabíamos separar as coisas e ele sempre queria me proteger do jeito dele, mesmo eu sendo mais velho. Conversamos por quase uma hora alí. Ele se abriu um pouco sobre a pressão que sentia em casa, sobre ter que ser o “homem da casa” desde cedo, sobre como às vezes se sentia confuso com as próprias vontades e desejos. Foi uma conversa honesta, sem pressa, sem flerte. No final, ele esticou o braço e apertou meu ombro com firmeza, a mão quente e pesada.

— Qualquer coisa, tô aqui. De verdade. Não some não, Mineirinho.

Ele se levantou devagar, deu um último olhar longo pra mim e entrou.

Fiquei sozinho na sacada mais um tempo depois que o Rafa entrou, o coração mais leve, mas ainda cheio de pensamentos. A brisa leve da noite ajudava a acalmar um pouco a cabeça, mas o corpo ainda estava inquieto. Aquela conversa tinha sido boa, honesta, do tipo que eu raramente tinha com alguém. O Rafa conseguia ser intenso pra caralho, mas também sabia ser um amigo de verdade quando queria. Suspirei, terminei a última lata de cerveja e decidi entrar. A casa estava silenciosa, só o som baixo de um jogo vindo de longe.

Passei pela cozinha pra deixar a lata no lixo e tomar um copo d’água. Foi quando ouvi a voz do Paulo vindo da sala.

— Papito, ainda acordado? Vem cá um minuto.

Ele estava sentado no sofá maior, pernas abertas, controle do videogame na mão, mas a tela pausada (pessoal da república era viciado em videogame). Usava só uma bermuda de tactel cinza que marcava bem as coxas e o volume natural. O cabelo loiro-escuro arrepiado, aquele sorriso de malandro que iluminava o rosto inteiro. Paulo tinha 1,85m, corpo sarado de quem jogava bola e fazia academia sem exagerar, peito liso com alguns fios loiros, braços definidos e um jeito descontraído que contrastava com a malícia que eu sabia que existia por baixo.

Sentei na poltrona ao lado. Ele desligou o videogame completamente e virou o corpo pra mim.

— Tava te observando na sacada com o Rafa. Conversa séria, hein? Você tá com cara de quem tá carregando o mundo nas costas de novo.

Dei de ombros, tentando disfarçar.

— Só reflexões de alguém do interior, mano. Faculdade, república, tudo novo… às vezes bate uma pressão.

Ele riu baixo, daquele jeito que fazia a gente relaxar sem querer.

— Pressão é o que não falta aqui. Mas você tá se saindo bem, Papito. Cozinhando pra gente, ajudando com as matérias que você tem facilidade, se soltando aos poucos… Eu vi como você mudou desde o primeiro dia. Tá mais solto, mais… presente. Gosto disso.

O olhar dele demorou um pouco mais no meu peito, descendo discretamente. Eu senti o calor subindo pelo pescoço. Paulo sempre foi direto, mas nunca havia sido tão aberto assim comigo.

— Sabe… depois daquela noite que você me viu na cozinha com a mina, eu fiquei pensando em você. Não consegui tirar da cabeça a sua cara de tesão olhando a gente. Fiquei duro de novo só de lembrar.

Meu pau reagiu na hora dentro da bermuda. Tentei disfarçar, mas ele percebeu e sorriu mais largo.

— Relaxa, ninguém vai aparecer agora. Ramon tá dormindo com fone, os outros já capotaram. E eu tô louco pra te dar uma aula particular, de veterano pra calouro. O que acha?

Não precisei responder com palavras. Levantei e fui até ele. Paulo me puxou pro sofá, me fazendo sentar no colo dele. O beijo veio calmo no começo, quase preguiçoso, mas com intenção. A boca dele era quente, a língua explorava devagar, saboreando. As mãos grandes subiram por baixo da minha camisa, sentindo os pelos do meu peito, apertando de leve os mamilos. Eu gemi baixo contra a boca dele.

— Porra, você é gostoso demais, Márcio — murmurou, mordendo meu lábio inferior. — Urso peludinho, curto demais. Vamos pro meu quarto. Quero te sentir com calma.

Fomos pro quarto dele. Assim que a porta fechou, o clima mudou. Paulo me imprensou contra a parede, beijando meu pescoço, descendo pro peito. Tirou minha camisa devagar, lambendo cada pedaço de pele exposta, chupando os mamilos com paciência enquanto as mãos apertavam minha bunda por cima da bermuda.

— Tira tudo — ordenou baixinho, voz rouca.

Tirei a bermuda e a cueca. Meu pau estava duro, latejando, cabeça já melada. Paulo se afastou um pouco pra me olhar inteiro, mordendo o lábio.

— Caralho… olha esse corpo. Parrudo, peludo, pau grosso babando… vem cá.

Ele me guiou pra cama, me deitando de costas. Tirou a própria bermuda. O pau dele era grosso, veioso, com uma cabeça rosada que brilhava. Não era o maior da república, talvez igual ao meu, mas tinha um formato perfeito e um saco pesado pendurado. Ele se deitou por cima de mim, rolas se esfregando, e voltou a me beijar com mais fome.

A pegada do Paulo era diferente dos outros. Ele não tinha pressa. Beijava, lambia, mordia devagar, explorando cada parte do meu corpo como se quisesse decorar. Desceu beijando minha barriga, lambendo o caminho de pelos até chegar no pau. Lambeu a cabeça devagar, saboreando a baba, depois desceu pela extensão toda, chupando as bolas uma por uma, lambendo o períneo.

— Você baba pra caralho… delícia — disse antes de engolir meu pau até o fundo. A boca dele era quente, molhada, ritmada. Ele chupava com vontade, mas sem afobamento, olhando pra mim o tempo todo, olhos castanhos cheios de tesão.

Eu gemia, segurando a cabeça dele. Ele tirou meu pau da boca com um plop molhado e sorriu.

— Agora vira. Quero sentir esse cu peludinho.

Me colocou de quatro. Abriu minha bunda com as duas mãos e cuspiu direto no buraco. A língua quente atacou em seguida — lambidas longas, circulares, depois enfiando fundo, fodendo meu cu com a língua enquanto uma mão me masturbava devagar. Eu empinava, gemendo no travesseiro.

— Tá gostoso, Papito? — perguntou, enfiando um dedo lubrificado com saliva. Depois outro. Girava, abria, acertava minha próstata com precisão. — Quero te abrir bem devagar. Quero que você sinta cada centímetro.

Ele passou vários minutos me preparando: língua, dedos, mais cuspe, elogiando o tempo todo como meu cu apertava, como eu gemia, como minha bunda peluda era perfeita pra ele. Quando eu já estava tremendo de tesão, implorando baixinho, ele pegou uma camisinha e lubrificante na gaveta.

— Vou te comer gostoso agora. Relaxa pra mim.

Posicionou a cabeça grossa e foi empurrando devagar. Centímetro por centímetro. Eu sentia ele me abrindo, me preenchendo. Quando entrou todo, parou, deitando o peito nas minhas costas, mordendo minha nuca.

— Isso… aperta minha rola. Tá apertado pra caralho.

Começou a estocar devagar, fundo, ritmado. Cada metida acertava minha próstata. O som molhado preenchia o quarto. Ele mudava de posição com calma: me virou de lado, uma perna minha levantada, estocando enquanto me beijava e masturbava. Depois me colocou por cima, me fazendo cavalgar devagar, mãos na minha cintura, guiando o ritmo.

— Rebola gostoso… isso, Papito. Mostra pro veterano como você aprendeu rápido.

Eu rebolava, subia e descia, sentindo ele todo dentro de mim. O tesão foi crescendo devagar, intenso. Paulo suava naquela noite quente, gemia rouco, elogiando meu corpo o tempo todo — meus pelos, minha bunda, meu pau babão.

Trocamos mais uma vez. Ele me colocou de quatro, subiu por cima e meteu fundo, socando com mais força agora. Uma mão no meu pescoço, a outra punhetando meu pau no mesmo ritmo.

— Vou gozar, mano… goza comigo.

Gozei primeiro, jatos fortes no lençol, cu apertando ele. Paulo gemeu alto, estocou mais fundo e gozou dentro da camisinha, pulsando forte.

Caímos lado a lado, ofegantes. Ele tirou a camisinha, deu um nó e me puxou pro peito dele, passando a mão nas minhas costas.

— Porra, Márcio… você é viciante. Isso aqui vai virar rotina, hein?

Conversamos baixinho por um tempo, rindo de besteiras, até que o sono veio. Dormi ali mesmo, colado nele, sentindo o cheiro de sexo e suor no ar.

Os dias seguintes à conversa na sacada com o Rafa e o sexo com Paulo foram marcados por uma tensão silenciosa que eu conseguia sentir no ar da Viracopos. Era como se a república tivesse ganhado camadas invisíveis. Por fora, continuávamos sendo sete caras dividindo casa, comida, cerveja e roques. Por dentro, havia uma hierarquia clara que ninguém falava em voz alta, mas que todos sentiam.

Os veteranos — Paulo, Carlos, Mário e Yuri — ocupavam naturalmente o topo. Eles decidiam o tom das noites, definiam as regras não escritas, aplicavam (ou perdoavam) trotes e, principalmente, controlavam o fluxo de informações e de corpos. Nós, os calouros (eu, Ramon e Rafael), estávamos na base dessa pirâmide. E eu, por ser o mais velho entre todos, ocupava uma posição estranha: respeitado pela idade, mas ainda tratado como novato.

Ramon era o mais evidente “protegido”. Com seus 18 anos recém-completados, cara de moleque e energia infinita, ele era visto por todos como o caçula da casa. Os veteranos, especialmente Carlos e Mário, tinham um instinto quase paternal com ele. “Ninguém mexe com o Ramon”, eles diziam quando alguém de fora fazia piada. Mas dentro de casa, essa proteção tinha um preço: Ramon era constantemente zoado, mandado fazer coisas (comprar gelo, limpar a sacada, ajudar na cozinha). O que ninguém sabia, ou não prestávamos atenção, era que Ramon não tinha nada de inocente. Apesar de tudo isso, Ramon era bonito e bom de lábia, o moleque sabia o que queria e sabia conseguir, principalmente mulheres, era o pegador na república.

Rafa, apesar de ser calouro como nós, já começava a mostrar força. Alto, grande, com aquela presença de macho alfa, ele não aceitava facilmente ser tratado como novato. Brigava de igual pra igual com os veteranos em algumas discussões e protegia o espaço dele com firmeza. Isso criava uma tensão interessante: ele era calouro, mas não se comportava como um.

Eu me encontrava no meio desse jogo. Mais velho que todos, mais sensato que Yuri, mais reservado que Mário. Os veteranos me respeitavam, mas ainda me testavam. E eu, depois de tudo que já tinha rolado, começava a entender que poder ali não era só sobre quem era veterano — era sobre quem conseguia controlar o desejo dos outros e navegar nas entrelinhas.

Naquela sexta à noite a casa estava cheia. Tínhamos feito um roque interno pequeno: cerveja, som, alguns amigos dos outros (eu ainda não tinha nenhuma amizade relevante na faculdade). Ramon, como sempre, estava animado demais, já um pouco alto, rindo de tudo. Ele tinha virado o centro das zoações dos veteranos.

— Ramon, vai ali comprar mais gelo pra gente — mandou o Mário, com um sorriso preguiçoso.

— Por que sempre eu? — reclamou o caçula, mas já se levantando.

Paulo, sentado na mureta, deu uma risada.

— Porque você é o mais novo, moleque. Hierarquia existe por um motivo. Aprende logo.

Ramon resmungou, mas obedeceu. Ele sempre obedecia. Nós dois não éramos muito próximos, mas eu achava ele legal. Quando ele saiu, o clima na sacada mudou sutilmente. Paulo virou o corpo na minha direção.

— Você vê isso, né Papito? — disse baixo, só pra eu ouvir. — A gente protege ele, mas também mantém ele no lugar. É assim que funciona aqui. Os mais novos servem, aprendem… e depois sobem. – ele falava como se estivesse domesticando animais.

Olhei pra ele. Paulo tinha um talento especial pra falar verdades desconfortáveis com naturalidade.

— E eu? E o Rafa? — perguntei.

Paulo deu de ombros.

— Você é perigoso. Mais velho, calado, observa tudo. Os caras te respeitam, mas ainda querem te colocar no lugar. Já o Rafa… ele não aceita o lugar dele tão fácil. Isso vai dar problema bonito.

Rafa, que estava sentado na rede um pouco mais afastado, pareceu sentir que falávamos dele. Levantou e veio sentar mais perto, sem dizer nada, só marcando presença. A dinâmica ficava clara: os veteranos no comando, Ramon como o caçula protegido/explorado, Rafa como o calouro rebelde que desafiava a hierarquia, e eu no meio de tudo — o observador que já tinha provado o gosto de quase todos os lados.

Quando Ramon voltou com o gelo, o papo voltou a ficar leve. Quando estávamos todos juntos isso acontecia. Mas a tensão permaneceu. Mais tarde, quando a maioria já tinha ido dormir, fiquei na sacada com Paulo e Rafa. Ramon tinha capotado no sofá da sala.

Paulo olhou de longe para a porta da sala onde Ramon dormia, depois para nós dois.

— O moleque ainda acha que a república é só festa. Não entende ainda que aqui todo mundo quer alguma coisa do outro. Poder, sexo, proteção, status. Ou só estudar em paz de vez em quando.

Ele se virou para Rafa:

— Você, por exemplo, não gosta de ficar embaixo, né? Quer subir rápido. E você, Papito… tá aprendendo a navegar no meio disso tudo.

Rafa deu um meio-sorriso desafiador, mas não respondeu. Paulo continuou, olhando para mim.

— Eu gosto de ver até onde cada um vai. Sem ordem direta. Quero ver quem escolhe subir na hierarquia… e quem prefere ficar sendo desejado. – ele dizia como se fosse um rei.

Ele se levantou, deu um tapa leve no meu ombro e outro no de Rafa, quase como uma bênção sarcástica.

— Boa noite, calouros. Aprendam rápido.

Ficamos eu e Rafa sozinhos na sacada. De novo. Ele acendeu um cigarro e ficou em silêncio por um tempo.

— Esses veteranos acham que mandam em tudo — murmurou. — Mas eu não vim pra ser cachorro de ninguém. Nem pra ficar embaixo o tempo todo.

Olhei pra ele. Rafa exalava força, mas ainda receoso. Assim como eu. A dinâmica de poder estava clara: os veteranos controlavam o jogo, mas nós, os calouros, estávamos aprendendo a jogar também — cada um do seu jeito.

Deitei na cama mais tarde pensando nisso tudo. A Viracopos não era só uma república de estudantes. Era um microcosmo de desejos, hierarquias e lutas por espaço. E eu, no meio dessa teia, começava a entender que poder nem sempre era sobre ser veterano.

Às vezes era sobre decidir até onde você estava disposto a descer… ou subir.

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Foto de perfil de Ma M.Ma M.Contos: 8Seguidores: 39Seguindo: 4Mensagem Um puto atrás de diversão.

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