A visita da filha Marta
Mario e Dorotea são um casal feliz…viviam na margen sul do tejo mas a sua vida não estava completa…aguardavam com esperança pelo mês de Julho…sua filha Marta viria visita-los a Portugal…
O avião pousou sob um céu limpo e tórrido de Lisboa em seu m~es de Julho. Mario e Dorotea aguardavam, lado a lado, no saguão de desembarque, os dedos entrelaçados num gesto hábito de décadas. Dois anos. Fazia dois anos que não viam Marta, a filha única, que fora estudar artes em Londres. A saudade era um peso doce no peito de ambos.
Quando ela surgiu, arrastando duas malas enormes e com uma mochila às costas, Dorotea soltou um pequeno grito contido. Não era apenas a mudança — a Marta que partira tinha longos cabelos castanhos, iguais aos dela. A que regressava trazia uma cabeleira cortada ao ombro, com madeixas de um azul elétrico e vibrante.
— Nossa filha! — exclamou Dorotea, os olhos arregalados, entre o choque e a vontade de rir. — Você pintou o seu cabelo de azul!
Mario, sempre o pacificador, colocou uma mão no ombro da mulher.
— São modernices, Doroteia. Coisas de jovem. — Puxou Marta para um abraço forte, cheirando o perfume diferente dela, algo amadeirado e estranho. — Estás linda. Estás em casa.
No carro, a conversa fluiu, mas era superficial. Marta falava dos museus, dos concertos, da energia da cidade. Mario ouvia, com um sorriso, mas notava algo novo nos olhos da filha. Uma confiança mais afiada, uma luz diferente. Ela tinha 22 anos agora. Já não era a rapariga inocente que partira.
Dorotea preparara um banquete: pato com laranja, o prato favorito de Marta. A mesa estava posta com a melhor louça, as velas acesas. Riram, partilharam histórias seguras. Marta falou de amigos de todo o mundo, de projetos artísticos ousados. Falou de liberdade, uma palavra que usou várias vezes, com um brilho especial no olhar. Mario sentiu um friozinho na nuca. Que liberdade seria essa?
Cansados da viagem e da emoção, foram cedo para os quartos. A casa, outrora cheia do ruído de uma adolescente, recaía no seu silêncio conjugal habitual. Mas Mario não conseguia dormir. A imagem do cabelo azul da filha, da sua postura descontraída, dançava-lhe na mente. Levantou-se, em silêncio, para não acordar Dorotea, que dormia profundamente ao seu lado, e dirigiu-se à cozinha por um copo de água.
A luz do frigorífico iluminava a figura de Marta, já ali, encostada ao balcão, a beber água diretamente de uma garrafa. Estava com uma camisa de dormir larga cor de rosa com umas letras que diziam “Knock me up” que traduzido é “emprenha-me”.
— Também sem sono? — perguntou Mario, a voz rouca do cansaço.
Marta virou-se e sorriu, um sorriso largo e fácil que ele não lhe conhecia. — Londres estraga o ritmo. A cidade nunca dorme.
Mario serviu-se de água. O silêncio da casa era profundo, quase palpável.
— E então? — perguntou ele, tentando soar descontraído. — Essa tal liberdade Londrina… é tudo o que dizem?
Marta encostou-se ao balcão, estudando-o. Os seus olhos, tão parecidos com os da mãe, pareciam ver através dele.
— É mais. Muito mais. Aqui tudo é tão… preso. Tão previsível.
— A tua mãe e eu somos felizes com a nossa previsibilidade — retorquiu Mario, defensivo.
— Eu sei que são. — Ela baixou a voz. — Mas não fales da mãe agora. Estamos só nós os dois. Como antigamente, quando eu era pequena e vinhas buscar-me a medo à cozinha.
Mario sentiu um nó na garganta. Ela lembrava-se daquilo.
— Em Londres — continuou Marta, o tom suave, quase hipnótico — aprendi que há muitas maneiras de duas pessoas se conectarem. De aliviarem a tensão. De… partilharem algo que só pertence a elas.
— Marta… — a voz de Mario saiu como um aviso, mas fraco, sem convicção.
— Não faças de sonso, pai — sussurrou ela, aproximando-se. A luz fraca acariciava a linha do seu queixo, o contorno dos seus lábios. — Vi o modo como me olhaste no aeroporto. Não era só surpresa. Era curiosidade.
— Isso é absurdo. És a minha filha!
— Tenho 22 anos. Sou uma mulher. E a mãe está a dormir que nem uma pedra, como sempre depois do comprimido que toma.
— Deu mais um passo. A proximidade era eléctrica. — Aqui ninguém sabe de nada. Só nós. Dois adultos.
O mundo de Mario, tão arrumado e seguro, desmoronava-se. Cada palavra dela era um convite proibido, um mergulho num abismo que ele nem sabia existir dentro de si. O amor paternal, puro e protector, entrou em curto-circuito com algo primitivo e adormecido. O "não" morreu-lhe nos lábios, substituído por um silêncio cúmplice, pesado de desejo e culpa.
Marta interpretou o silêncio. Sem pressas, como se executasse um ritual conhecido, deslizou para o chão diante dele. Os seus movimentos eram fluidos, confiantes. Mario não se moveu. Paralisado, viu as suas próprias mãos tremerem enquanto ela, com uma delicadeza devastadora, desabotoou-lhe as calças de pijama.
O que se seguiu foi um turbilhão de sensações que apagou a razão. O toque dos seus lábios, inicialmente hesitante, depois decidido. O som abafado, íntimo, no silêncio da cozinha. O calor que lhe subiu do ventre, aniquilando todos os protestos morais. Mario fechou os olhos, as mãos a enterrarem-se no cabelo azul, agora não como um pai, mas como um homem desesperado, rendido a um prazer tabu. Quando a explosão final chegou, foi com um gemido abafado, uma rendição total que o deixou vazio e transformado.
Marta ergueu-se, limpando os lábios com as costas da mão. Nos seus olhos não havia arrependimento, apenas um brilho triunfante e perigoso. Sem dizer uma palavra, puxou a sua camisa de dormir por cima da cabeça. Por baixo, não trazia nada. A luz suave modelou o seu corpo jovem, uma afirmação silenciosa e poderosa da sua oferta.
Agora era a vez de Mario. O desejo, uma vez libertado, era uma fera incontrolável. A vergonha e a culpa ainda lá estavam, num canto da mente, mas eram abafadas pelo rugido do sangue e pela visão diante de si. Ajoelhou-se. O sabor dela era salgado e doce, uma geografia proibida que ele explorou com uma devoção que o aterrorizou. Os gemidos baixos de Marta, as suas palavras soltas e obscenas ecoavam nas paredes frías encuanto Mario lhe satisfazia os caprichos fazendo-lhe um saboroso cunilingus, eram um combustível que alimentava o fogo, reescrevendo a história da sua relação ali mesmo, no chão frio da cozinha familiar.
A consumação foi brutal em sua intensidade. Quando Mario a levou contra o balcão da cozinha, o mármore frio sob as suas costas, foi um acto de posse e de rendição simultânea. Cada estocada era um pecado gravado no corpo, cada suspiro de Marta um hino à sua própria perdição. Ela envolvía-lhe o pescoço com as pernas, os pés descalços a balançarem no ar, incrédulo. A linguagem que ela usava, crua e exigente, era de uma estranha que o dominava completamente. Quando ela sussurrou, com os lábios colados ao seu ouvido,
—"Enche-me, pai! —enche-me a cona de porra!", o clímax foi uma convulsão de puro êxtese e autodestruição.
Ficaram parados por um momento, o ar pesado com o cheiro do seu sexo e do segredo monstruoso. A respiração aos poucos acalmou. A realidade, como água gelada, começou a infiltrar-se.
Marta deslizou do balcão, os movimentos agora mais lentos. Vestiu a camisola, endireitou-a. Quando olhou para ele, o brilho feroz dera lugar a uma serenidade calculista.
— Vais contar à mãe? — perguntou, a voz neutra, quase casual, enquanto ajustava o cabelo.
Mario, ainda a tremer, a consciência a regressar em ondas de horror, abanou a cabeça. As palavras não saíam.
— Boa. — Ela aproximou-se e deu-lhe um beijo rápido, seco, nos lábios. Um beijo de cumplicidade. — Ainda tenho uma semana aqui. Isto… foi bom. Podemos repetir. Sempre que a mãe adormecer.
Mario apenas assentiu, num gesto mecânico. Ela sorriu, aquele mesmo sorriso fácil e despreocupado, e saiu da cozinha, desaparecendo no corredor escuro que levava ao seu quarto de infância.
Mario ficou sozinho. Olhou em redor: a mesa onde jantaram em família horas antes, as cadeiras vazias, o resto do pato com laranja no frigorífico. O sabor dela ainda estava na sua boca. O cheiro deles impregnavam o ar. Desceu ao chão, as costas contra o balcão, e enterrou o rosto nas mãos. Não chorou. Sentia-se demasiado vazio para isso. Sentia-se como um estranho dentro da sua própria pele, dentro da sua própria casa. O amor que sentira por Marta durante 22 anos estava agora irremediavelmente contaminado, misturado com algo negro e viscoso que ele não sabia nomear.
Lá em cima, Dorotea dormia. Inocente. Confiante. Do outro lado do corredor, a sua filha, a sua amante de uma noite, adormecia também, provavelmente com um sorriso nos lábios.
E Mario, o homem, o pai, o marido, ficou sentado no chão da cozinha, a guardar sozinho o segredo que, sabia, começara a devorá-lo por dentro. A visita da filha tinha trazido uma nova perpectiva. E com ela, terminara também o homem que ele era.
Um dia prazerouso na praia
O calor abrasador do verão português pesava sobre a casa como um cobertor pesado. Mario, sentado na sala de estar, sentia uma inquietação que não conseguia explicar. A rotina do casamento com Dorotea havia se tornado previsível, e ele ansiava por algo que quebrasse a monotonia. Foi então que se lembrou do pequeno comprimido azul que um colega de trabalho lhe dera meses atrás, dizendo que "dava um ânimo".
Com um suspiro, levantou-se e dirigiu-se à casa de banho. O comprimido azul rolou na palma de sua mão antes de desaparecer com um gole de água. Meia hora depois, já na cama ao lado de Dorotea, sentiu um calor estranho percorrer seu corpo, seguido por uma excitação intensa e inesperada.
Dorotea, meio adormecida, murmurou ao sentir seu movimento:
—"Agora? Queres pinar agora?"
Sem cerimônias, Mario baixou-lhe as cuecas. O contato foi mais abrupto do que pretendia, e Dorotea soltou um gemido surpreso:
—"Foda-se, Mario... isso tá rijo pra caralho!"
Valentes estocadas se seguiram, até que, num impulso, Mario mudou de posição. Dorotea gemeu quando sentiu a pressão em um lugar diferente:
—"Foda-se, Mario... aí não... isso doi!"
—"Aguenta-te que depois já gozas bastante", ele sussurrou, começando a massagear-lhe o clitóris enquanto mantinha seu ritmo. A dor inicial de Dorotea transformou-se gradualmente em uma sensação nova e intensa.
—"Puta que pariu, nunca me senti assim", gritou ela, as pernas tremendo incontrolavelmente. Mario conduziu-a a um orgasmo simultâneo, anal e vaginal, tão intenso que deixou ambos sem fôlego. Exaustos, viraram-se de costas e adormeceram quase imediatamente, sem trocar uma palavra sobre o que acontecera.
No dia seguinte, o calor continuava insuportável. A família decidiu fugir para a praia. Marta, a filha de 22 anos, vestira um bikini cavado e um pareo leve que flutuava ao vento. A tensão entre pai e filha era palpável desde que chegaram à areia.
Após alguns minutos sob o sol escaldante, Marta anunciou:
—"Mãe, vou dar um passeio!"
—"Então Mario vai contigo!", respondeu Dorotea, sem levantar os olhos do livro.
Era exatamente o que Marta esperava ouvir. Desde a noite anterior, ouvira os gemidos abafados vindo do quarto dos pais, e uma curiosidade proibida acendera-se dentro dela. Afastaram-se até uma zona isolada da praia, onde apenas o som das ondas quebrava o silêncio.
—"Vai, Mario, me come aqui na areia", disse Marta, colocando-se de quatro e empinando a bunda com uma ousadia que surpreendeu até ela mesma.
Mario nem hesitou por um segundo, mas a memória da noite anterior ainda pulsava em suas veias. Afastou a lateral do bikini dela e penetrou-a sem delicadeza.
—"Vai... fode...", ela sussurrou entre dentes cerrados, antes de acrescentar:
—"tira e mete no cú".
—"Tens a certeza?", perguntou Mario, sua voz um misto de alarme e excitação.
—"Vai, cabrão, rebenta-me toda!"
—"Sua puta de merda!", ele rosnou, cedendo aos instintos mais sombrios.
—"Gostas pouco gostas!"
A cada investida, as pernas de Marta tremiam, não apenas de prazer físico, mas da vertigem de estar cruzando um limite que nunca deveria ter sido transposto.
—"Puta que pariu, Mario...", ela gemeu, perdendo completamente o controle.
—"Vem-te dentro do meu cú!"
Mario entregou-se ao clímax com um rugido abafado, esvaziando-se dentro dela. Quando terminaram, um silêncio pesado desceu sobre ambos. Levantaram-se em silêncio e entraram na água salgada para se lavar, evitando o contato visual.
—"Nem uma palavra com sua mãe, Dorotea", disse Mario finalmente, sua voz carregada de culpa.
—"Tá descansado, este é o nosso segredo, pai", respondeu Marta, o título "pai" soando estranho e dissonante após o que acontecera.
Voltaram para junto de Dorotea, que sorriu inocente ao vê-los aproximarem-se.
—"Aproveitaram o passeio?", perguntou.
—"Sim, mãe", respondeu Marta, evitando os olhos do pai.
No carro de volta para casa, o silêncio era mais eloquente do que qualquer confissão. Mario olhou pelo retrovisor e viu Marta olhando fixamente pela janela, seu rosto um mosaico de emoções conflitantes. Dorotea segurava a mão dele no colo, completamente alheia ao segredo que agora habitava o espaço entre eles.
À noite, quando Mario se deitou ao lado de sua esposa, o peso de sua traição dupla — contra sua mulher e contra sua filha — apertou seu peito como um torno. Do quarto ao lado, ouviu Marta chorar silenciosamente, e soube que seu ato de um momento destruíra para sempre algo que nunca poderia ser reparado.
O comprimido azul não era mais necessário. A excitação que buscara transformara-se em uma prisão permanente, e o calor do verão português nunca mais lhe traria o mesmo conforto.
Regresso a Londres
O avião atravessava as nuvens cinzentas sobre o Canal da Mancha quando Marta fechou os olhos, tentando afogar o turbilhão de pensamentos que a assombravam Duas semanas haviam se passado, mas o peso na consciência das suas infedilidades com Mario parecia aumentar a cada dia que se aproximava da capital britânica.
Regressar à vida londrina após uma visita a Portugal tinha sido sua decisão, uma tentativa de retomar a normalidade após meses complicados…
Marta regressou a Londres com o coração pesado. As duas semanas em Portugal, junto da família, tinham sido um bálsamo após o término de um relacionamento longo e desgastante. Agora, o apartamento no bairro de Camden parecia-lhe estranhamente silencioso e amplo. A solidão, que antes era uma companheira tolerável, transformara-se num eco constante.
Naquela sexta-feira, a quietude tornou-se insuportável. Decidiu sair. Não procurava romance, apenas um pouco de barulho humano, a sensação de fazer parte de um todo, mesmo que anónima. Vestiu um pouco preto simples, pôs uns brincos compridos e dirigiu-se a uma danceteria movimentada em Shoreditch, um local que frequentara noutros tempos.
A música era alta, o ambiente carregado de energia. Marta sentou-se ao bar, pedindo um copo de vinho. Observava os casais a dançar, os grupos de amigos a rirem. Bebeu um copo, depois outro, deixando que o calor do álcool afastasse as pontas mais agudas da sua melancolia. Foi então que reparou neles.
Estavam junto à pista, dois homens altos, de sorrisos descontraídos e uma presença magnética que parecia atrair olhares. Falavam entre si em inglês, mas com um sotaque que lhe soou familiar – moçambicano. Um deles, de nome Samuel, como mais tarde soube, aproximou-se para pedir-lhe um isqueiro. O outro, Gimy, juntou-se à conversa. Eram charmosos, inteligentes, e fizeram-na rir com histórias das suas aventuras em Londres. A conversa fluiu com uma naturalidade que Marta não sentia há meses. Prometiam uma noite de diversão, de esquecimento. E ela, vulnerável e ávida por sentir-se desejada, deixou-se levar pela corrente.
Foram para o apartamento deles, um *flat* moderno no último andar de um edifício com vista para as luzes da cidade.
Marta estava num apartamento ali com dois estranhos que tinha conheçido na danceteria...e a noite prometia ser de sexo intenso e duro...
Continuaram a beber um whisky suave, a conversa tornou-se mais íntima, os toques mais ousados. No calor do momento, na ânsia de se perder em sensações físicas que silenciassem a mente, Marta permitiu que a noite seguisse um curso precipitado.
—Well vamos nos despir, diz Samuel para Marta enquanto lhe tirava seu vestido preto comprido...
E Gimy foi tirando a roupa de Marta também...Samuel a pegou ao colo e enfiou-lhe o enorme caralho no cú:
—What the fuck! — gemeu ela...
—Vais levar comigo também...Samuel a penetrou enfiando também o penis na sua cona...as estocadas eram violentas...Marta nunca tinha experimentado uma dupla penetração...e estava sendo bem fudida por dois caralhos avantajados africanos...
—Ai seus caralhos..."you gonna destroy all my holes" gemia ela...
—Well you dirty whore! — gritaram…eles não se aguentam e despejam imensa porra branca espessa e cremosa dentro do cú e cona de Marta...a imensa porra escorria-lhe pelas virilhas...depois por volta das cinco da manhã a deixaram no seu apartamento...
As memórias do que se passou a seguir eram um turbilhão de pele, calor e um arrependimento que começou a germinar mal a euforia inicial se dissipou. Foi uma ligação intensa, anónima, tudo aquilo que ela pensara querer naquele momento de fraqueza, mas que ao amanhecer a deixou com um vazio ainda maior.
Na manhã seguinte, acordou sozinha na cama desfeita. Os homens já tinham partido para os seus compromissos, deixando apenas um bilhete amigável em cima da mesa da cozinha. Sentiu-se usada e nua, apesar de vestida. A dor de cabeça latejava, mas era a angústia no peito que a dominava. Tomou um pequeno-almoço ligeiro, mas o estômago revoltou-se quase de imediato. Correu para a casa de banho, dominada por náuseas violentas.
Um frio percorreu-lhe a espinha. O seu ciclo era regular como um relógio suíço, mas estava atrasado. Tentou afastar o pensamento, atribuindo o mal-estar ao álcool e ao stresse. No entanto, o instinto, aguçado e maternal, sussurrava-lhe uma verdade que ela não queria ouvir.
Com mãos trémulas, foi a uma farmácia local. O passeio pareceu interminável. Em casa, seguiu as instruções do teste de gravidez com uma precisão clínica, o coração a martelar-lhe os ouvidos. O tempo de espera foi uma eternidade. E então, apareceram. Duas linhas azuis, nítidas e inquestionáveis.
O mundo desfocou-se. Sentou-se no chão frio da casa de banho, a fitar aquele pequeno dispositivo de plástico que lhe mudara a vida. *Grávida*. O cálculo mental foi automático e devastadorador: duas semanas. A noite em Shoreditch. Não havia margem para dúvidas. O feto que se desenvolvía em seu útero tinha como progenitor seu próprio pai...
Um soluço convulso escapou-lhe.
—"Foda-se", sussurrou para o vazio, as lágrimas a começarem a correr em silêncio. "Que merda de situação."
A primeira pessoa em quem pensou foi na mãe. Doroteia, o seu porto seguro, a voz da razão e do amor incondicional, mesmo a centenas de quilómetros de distância. Com os dedos a tremer, marcou o número.
— Mãe? — a voz saiu-lhe quebrada.
— Marta? Filha, que se passa? Estás a chorar?
— Mãe… estou… estou grávida.
O silêncio do outro lado da linha foi profundo. Depois, a voz de Doroteia, contida mas cheia de preocupação:
— Mas como é que isso aconteceu, minha filha? Pensava que tomavas a pílula…
— Eu tomava… acho que… não sei, mãe. Acho que falhou. Ou então eu falhei. Não sei. — A confusão e a culpa entrelaçavam-se nas suas palavras.
Doroteia suspirou, um som carregado de experiência e de um amor prático.
— Bem, ouviste-me. Quero que venhas para Portugal. Já. Não quero a minha filha grávida e sozinha aí longe. Arranjas um voo, vens para casa. Tens o bebé aqui, com a tua família à volta. Vamos tratar de tudo.
A ordem era clara, e Marta, submersa em pânico, agarrou-se a ela como a uma tábua de salvação. Sim, ir para casa. Para o cheiro a mar e a alecrim da casa da mãe. Para os braços dela.
Desligou a chamada com uma pontinha de alívio, mas o peso no peito não aliviou. Havia uma verdade ainda mais complexa a fermentar dentro de si, uma que mal ousava formular. O progenitor da criança que crescia no seu ventre era Mario seu pai. A vida que agora carregava era fruto de um momento de fraqueza, de fuga, de uma busca desesperada por conexão que resultara numa consequência permanente.
Sentou-se à janela, a olhar para a cidade cinzenta. A vida, em poucas horas, dividira-se num "antes" e num "depois". O "antes" era uma mulher independente, um pouco perdida, a tentar refazer-se. O "depois" era um turbilhão de medo, responsabilidade e uma pergunta assustadora: como construir um futuro para dois, quando as fundações do presente eram tão frágeis e marcadas por um erro?
Marta pousou a mão ainda plana sobre o ventre. Lá dentro, minúsculo e alheio a todo este drama, um novo coração começava a bater. E ela, apesar do medo, do arrependimento e da incerteza absoluta, sentiu, pela primeira vez, um fio ténue de algo que se assemelhava a proteção. A jornada que tinha pela frente era aterradora, mas não a faria sozinha. Tinha a mãe. E, de alguma forma inexplicável, já tinha alguém para amar…
Marta grávida e puta faminta…
A barriga de Marta crescia, redonda e firme, um segredo visível que pendia sob seus vestidos de algodão. De dia, a casa na Rua das Acácias respirava uma normalidade sufocante: o cheiro de café, o rádio da cozinha sintonizado em uma novela, os passos conhecidos de Dorotea entre os cômodos. Mas à noite, quando as luzes se apagavam e o silêncio do subúrbio descia, os ruídos começavam. Sussurros abafados, gemidos contidos, o rangido ritmado do velho colchão de solteira no quarto de Marta.
Dorotea fingia dormir. Colada à porta do corredor, ouvindo cada som, cada respiração ofegante que atravessava a madeira. A raiva era um nó na garganta, mas a vergonha era maior. Como não tinha visto? Como tinha permitido que aquilo acontecesse sob seu próprio teto? A gravidez da filha, que deveria ser um mistério doloroso, agora tinha um autor conhecido demais. Mario, seu marido. O pai de Marta.
Naquela noite, porém, algo estalou dentro dela. O gemido prolongado de Marta, seguido pelo rosnado baixo e familiar de Mario, foi a gota d’água. A farsa já não cabia mais naquela casa. A coragem, ou talvez o desespero, brotou de um lugar profundo e amargo. Ela se levantou da cama, envolveu-se no roupão desbotado e dirigiu-se ao corredor. Os ruídos continuavam, implacáveis.
Com a mão trêmula, Dorotea bateu na porta, não uma batida tímida, mas um golpe seco que ecoou na escuridão.
— Vocês não param? — sua voz saiu mais alta do que pretendia, carregada de uma fadiga milenar. — Não têm vergonha?
O movimento dentro do quarto cessou. Um silêncio pesado desceu. Então, a porta se abriu alguns centímetros. Marta estava lá, envolta em um lençol, seu rosto iluminado pelo abajur fraco, os olhos brilhando com uma emoção que Dorotea não conseguiu decifrar. Não era medo. Era algo mais complexo, quase um desafio.
— Há lugar para ti, mãe — disse Marta, e um sorriso estranho, cansado, tocou seus lábios.
Dorotea ficou paralisada. O que ela tinha ouvido? O ar pareceu sair de seus pulmões.
— Como… como assim? — balbuciou, sua fúria dando lugar a um confuso pavor.
Marta abriu a porta um pouco mais. A cena dentro do quarto era íntima e perturbadora. Mario estava sentado na beira da cama, a cabeça entre as mãos, não olhando para ninguém. A atmosfera era carregada de culpa, mas também de uma estranha resignação.
— É isso — continuou Marta, sua voz suave, quase hipnótica. — Podíamos… partilhar. Ficar tudo em família. Acabar com os segredos. Com a mentira.
Dorotea olhou para o rosto da filha, para a curva de sua barriga, para o homem que era marido e pai. Sentiu uma revolta violenta, mas também uma solidão tão profunda que a deixou tonta. A oferta era monstruosa, um abismo. Mas a alternativa — voltar para seu quarto vazio, fingir surdez para o resto de sua vida — pareceu, naquele instante, ainda mais insuportável.
Não foi desejo. Nunca poderia ser. Foi uma capitulação. Um ato de guerra passivo e desesperado. Se não podia vencê-los, talvez… talvez pudesse se juntar a eles, e naquele ato bizarro, reivindicar algum fragmento de poder, de pertencimento, mesmo que perverso.
Com movimentos mecânicos, como se estivesse fora de seu próprio corpo, Dorotea despiu o roupão. Deixou-o cair no chão do corredor. Depois, com dedos frios, desabotoou o vestido de dormir, deixando-o escorregar por seus ombros. A brisa noturna tocou sua pele, e ela sentiu-se incrivelmente velha e vulnerável.
Entrou no quarto. O cheiro era denso, íntimo. Marta se deitou na cama, abrindo espaço.
— Deixa-me ficar por baixo — sussurrou Marta, sua voz um fio.
Marta se acomodou por baixo da buceta de Dorotea chupando-a num 69 lindo e expondo também a sua buceta para sua mãe chupar, e Dorotea deitou-se por cima, num espaço exíguo. O contato de sua pele com a da filha foi um choque. Ela fechou os olhos com força. Sentiu a mão de Marta guiar seu rosto, e um instinto primitivo e maternal tomou conta — ou foi uma distorção dele. Em um ato que era tanto cuidado quanto profanação, Dorotea buscou consolar, de uma maneira terrivelmente errada, a filha que estava perdida. Seus próprios gemidos eram de dor, não de prazer.
—Deixa-me eu ficar por baixo...diz Marta incorporando-se por baixo da buceta de Dorotea ao mesmo tempo que oferecia-lhe a sua para ser chupada...
—Vai chupa-me puta! faz tempo que me querias chupar! diz Marta gemendo...
Dorotea chupava a buceta de Marta e gemia enquanto Mario se ajeitava para lhe comer o anus...
—Ai cabrão, agora só queres comer o cú!
—Vai...puta..não faças força...e metia gostoso naquele cú de 45 anos de Dorotea...
—Vai mãe não pares de me chupar, vou me vir! — gemia Marta já quase a gozar num intenso orgasmo...
—Toma, porra sua puta! grita Mario esvaziando seu sémen dentro daquele anus saboroso...
Mario observava, imóvel, um fantasma em sua própria história. Quando finalmente se moveu, foi com uma lentidão de sonâmbulo. O toque dele em Dorotea foi estranho, desconhecido, mesmo depois de décadas de matrimônio. Ela virou o rosto para o travesseiro, engolindo um grito. Não havia paixão ali, apenas a consumação de uma tragédia que já estava escrita há muito tempo.
A noite seguiu, um turbilhão de corpos e emoções em colisão. Gemidos se misturavam a suspiros de angústia. O orgasmo de Marta foi um choro abafado. A culminação de Mario foi um suspiro rouco de alívio e vergonha. Quando tudo acabou, caíram de lado, os três, exaustos. Não pelo sexo, mas pelo peso esmagador do que tinham feito.
A escuridão os envolveu. Ninguém falou. O silêncio era mais denso do que antes. Dorotea olhou para o teto, sentindo os corpos quentes de sua filha e seu marido contra o seu. A barreira havia sido cruzada. Não havia mais volta. O segredo não estava mais escondido atrás de uma porta; agora habitava o centro da cama, entre eles, respirando o mesmo ar viciado.
Ela sabia, com uma clareza fria, que aquilo não se repetiria da mesma forma. O que acontecera não era o início de um novo arranjo, mas o epílogo grotesco de um antigo desmoronamento. A família que ali estava, entrelaçada na penumbra, já estava morta. O que restava eram apenas os fantasmas, condenados a habitar juntos a casa silenciosa da Rua das Acácias, carregando para sempre o peso daquela noite em que tudo, finalmente, se despedaçou.
Assinado Marta…
