O Luburificador de conas!
O sol da tarde entrava suavemente pela janela da sala de estudos da Universidade Sénior do Porto, iluminando os cabelos prateados de Rosa Maria — ou Romi, como preferia ser chamada. Aos sessenta e oito anos, ela ainda mantinha um ar elegante, com seus vestidos floridos e sorriso tímido. Mas havia uma solidão em seus olhos que apenas as outras viúvas do curso compreendiam.
Como muitas de suas colegas, Romi tinha um marido que "já não dava uma para a caixa", como diziam entre risos contidos. O tempo havia suavizado os desejos dele, deixando nela uma saudade física que a envergonhava admitir. Até que conheceram João.
João, de cinquenta anos, era o mais novo da turma de história da arte. Mantinha uma vitalidade que contrastava com os outros homens da sua idade. Não demorou para que se tornasse o segredo mais bem guardado entre as senhoras — o lubrificador de conas, como brincavam em sussurros.
Naquela tarde, Romi convidou João para seu apartamento com o pretexto de ajudá-la com um trabalho sobre o Renascimento. Os livros estavam abertos na mesa da sala, mas as páginas permaneciam viradas há mais de uma hora.
—"Qual é a tua ideia, João?" perguntou Romi, os dedos tremendo ligeiramente ao ajustar o colar.
João sorriu, compreendendo a pergunta que não fora feita.
—"Sabes que não tenho propriamente a ginástica de uma garota de vinte anos..." disse ela, corando.
—"E eu não preciso que tenhas", respondeu ele, a voz suave como seda.
Ajoelhando-se diante dela, João gentilmente tirou-lhe as sandálias vermelhas de tiras, depois as meias de renda. Seus dedos deslizaram pelos tornozelos dela, fazendo-a suspirar. Quando finalmente removeu suas *slips* bege, Romi fechou os olhos, sentindo-se simultaneamente vulnerável e desejada como não se sentia há décadas.
—"Queres que eu coloque as pernas junto ao teu pescoço?" perguntou ela, em tom de brincadeira.
—"Ai! Tás mesmo doido!" riu ela, mas o riso transformou-se num gemido quando ele a beijou ali, com uma paciência que seu marido nunca tivera.
João envolveu-a então, não com a urgência de um jovem, mas com estocadas calculadas, profundas, que pareciam alcançar partes de sua alma há muito adormecidas.
—"Ai... ai João... fazes-me sentir uma miúda de vinte anos..." sussurrou ela, as unhas cravando-se suavemente em suas costas. —"Acho que te vais vir!"
E ele veio-se, enchendo-a não apenas de sêmen, mas de uma confirmação silenciosa: ela ainda era mulher, ainda era desejável, ainda podia sentir.
Odete era diferente de Romi — prática, direta, com um humor ácido que escondia um coração mais sensível do que admitia. Quando chegou sua vez de receber João em casa, já tinha tudo planejado.
—"Espera", disse ela, levantando-se do sofá. "Deixa-me baixar as meias e tirar a cueca. Não me sujes os sapatos, por favor!"
João observou, divertido, enquanto ela executava os movimentos com eficiência.
—"Bem, se for para me comeres o cú, é melhor chupá-lo primeiro para que ele se levante", instruiu, deitando-se de bruços. "É que tá morchinho..."
João obedeceu, e por dois minutos, o único som na sala foi o da respiração ofegante de Odete e seus gemidos abafados contra a almofada.
—"Mete!" ordenou ela finalmente. —"Ai, foda-se, caralho! Assim vais-me arreganhar toda!"
João investiu com estocadas rítmicas, encontrando um ritmo que fez Odete arquear as costas e agarrar os lençóis.
—"Não! Vais-me encher de porra! Caralho!" gemeu ela quando ele chegou ao clímax, mas seus dedos puxaram-no mais perto, não para afastá-lo.
Depois, deitados lado a lado, Odete acariciou o rosto de João com uma ternura que nunca mostrava às outras.
—"Obrigada", murmurou, tão baixo que ele quase não ouviu.
Nas semanas seguintes, João visitou outras — Maria das Dores, que chorou silenciosamente durante todo o ato; Amélia, que riu como uma rapariga; Julieta, que apenas segurou sua mão depois, como se temesse que ele desaparecesse.
Numa tarde de outono, as mulheres encontraram-se no café perto da universidade. Romi olhou para as amigas — cada uma com seus cabelos bem penteados, seus vestidos cuidadosamente escolhidos, seus sorrisos um pouco mais largos do que o habitual.
—"Ele vai embora no próximo mês", disse Odete de repente, mexendo o café sem olhar para ninguém.
—"A filha convidou-o para ir viver para Lisboa."
Um silêncio caiu sobre a mesa. Não era ciúme que as unia, mas uma gratidão compartilhada. João não era um amante no sentido convencional — era um lembrete, um reavivador, um homem que lhes devolvera, mesmo que temporariamente, algo que julgavam perdido.
—"Vamos fazer-lhe uma festa de despedida", sugeriu Romi, os olhos brilhando.
—"Com bolo e tudo."
—"E presentes", acrescentou Odete, com seu sorriso torto. —"Mas desta vez, ele é que recebe."
Riram, e no seu riso havia aceitação. João partilhara-se entre elas, lubrificando não apenas seus corpos, mas também suas almas ressequidas pela solidão. E quando ele partisse, levariam na memória não apenas o prazer físico, mas a doce lembrança de que, mesmo no outono da vida, ainda podiam florescer.
Presente inesperado
O apartamento no sétimo andar em Monte Burgos estava silencioso, exceto pelo som abafado do vento batendo contra as janelas. Elsa, recém completados dezoito anos, olhava para o pacote embrulhado em papel de seda azul sobre a cama. Não era um dia comum — era a fronteira entre a adolescência e a vida adulta, e ela esperava algo simbólico: talvez uma joia, um diário elegante, ou as chaves de um carro usado.
Sua mãe, Marta, entrou no quarto com um sorriso tenso nos lábios. Trazia nas mãos não um presente convencional, mas um pequeno frasco e um supositório.
— Vamos, querida. É parte do seu presente — disse Marta, a voz suave mas firme.
— O que é isso? — perguntou Elsa, os olhos arregalados de inocência.
— É um gel especial. Vai ajudar a relaxar, para que não doa tanto depois.
Elsa franziu a testa, confusa. A mãe sempre fora protetora, mas isso era estranho. Antes que pudesse questionar mais, Marta aplicou o supositório com mãos hábeis, enquanto sussurrava conselhos calmantes.
— Não faças força, Elsa. Respira fundo.
Mal tinha terminado, a porta do quarto abriu-se e entrou Artur, professor de história e pai de Elsa. Seu olhar era diferente — intenso, quase distante. Ele aproximou-se da cama, e Elsa sentiu um frio na espinha.
— Pai? — a voz saiu trémula.
Artur não respondeu. Em vez disso, começou a massajar seus ombros, depois suas costas, os dedos descendo até à zona lombar. Elsa tentou afastar-se, mas as palavras de Marta ecoavam:
—"Não faças força".
— Ai, está a doer! — gemeu Elsa, quando as mãos do pai pressionaram um ponto sensível.
— Relaxa, filha. Quanto mais tensa estiveres, pior será — disse Artur, a voz rouca.
Elsa fechou os olhos, tentando entender o que estava a acontecer. O gel começava a fazer efeito, uma sensação de calor espalhando-se. Artur continuou, seus movimentos tornando-se mais invasivos, até que Elsa percebeu, horrorizada, que ele estava a tentar penetrá-la no anús.
— Não! — gritou ela, as forças a falharem-lhe.
Mas já era tarde. Artur completou o ato, e Elsa sentiu-se invadida, traída. Um grito abafou-se na sua garganta quando ele gemeu:
— Acho que vou gozar! — gruniu Artur…
— Nããão! — o grito de Elsa ecoou no quarto, mas caiu no vazio.
O que se seguiu foi uma violação não apenas física, mas de toda a confiança e inocência. Quando Artur se afastou, deixando-a imóvel na cama, Elsa chorou silenciosamente. A mãe, Marta, entrou novamente, desta vez com um pano húmido e um creme branco.
— Isto vai acalmar a irritação — disse Marta, aplicando o creme com frieza clínica.
Elsa olhou para a mãe, e pela primeira vez viu não a protectora, mas uma cúmplice. O décimo oitavo aniversário tornara-se numa linha divisória sombria — não para a vida adulta, mas para uma realidade onde os monstros moravam em casa, e os presentes eram armadilhas.
Nos dias que se seguiram, Elsa recolheu-se dentro de si mesma. A família continuou as rotinas normais: jantares silenciosos, perguntas sobre a escola, conversas banais. Mas algo tinha mudado para sempre.
Uma noite, enquanto revisava livros de história — a mesma disciplina que Artur lecionava —, ela encontrou uma anotação na margem: "A liberdade não é dada, é conquistada". Sorriu amargamente. A frase soava como uma profecia.
No mês seguinte, Elsa candidatou-se a uma bolsa de estudos no norte do país. Quando a carta de aceitação chegou, ela empacotou suas coisas em segredo. Na manhã da partida, deixou uma nota breve na mesa da cozinha: "Aprendi que alguns presentes não se devolvem — fogem-se deles."
O comboio afastou-se de Monte Burgos, e com cada quilómetro, Elsa sentia o peso a diminuir. Olhou pela janela, o horizonte aberto à sua frente. Havia dor no passado, mas também a promessa de um recomeço. E, pela primeira vez desde o seu décimo oitavo aniversário, sentiu-se verdadeiramente adulta — não pela violação, mas pela coragem de reconstruir sua própria história.
