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Deixei a esposa grávida sozinha no ultrassom porque precisei dar o rabo pro meu cunhado

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Um conto erótico de Will Seuq
Categoria: Gay
Contém 4906 palavras
Data: 05/07/2026 10:43:34

Viver duas vidas é meio foda, mas meio que não tem jeito para alguns. Tipo eu, Paulo Henrique, trinta e oito anos, médico, casado, aparentemente hétero e bem-sucedido em todas as esferas. Quem dera! Eu gosto mesmo é de pica, de ser submisso e de servir um macho. Só que eu nasci em 1988, fui criança e cresci numa época e, principalmente, numa família em que ser gay poderia (e seria, no meu caso) inaceitável. Meu pai, apesar de médico e super reconhecido na profissão, tinha uma das cabeças mais fechadas que já vi. Homens precisam ser alfas, mandar, prover e não demonstrar nenhum tipo de fraqueza, jamais. Mulheres precisam ser betas, esposas dedicadas, recatadas e obedientes. Um absurdo, eu sei, mas se vocês soubessem como funcionam muitas das lindas e modernas famílias da alta sociedade, iriam se chocar.

Por isso que digo que não tive outro jeito. Cresci representando o macho que meu pai sempre me exigiu, desde que aprendi a andar e falar. Tenho um metro e oitenta, sou forte, corpo super em dia, jogo futebol e, enfim, não poderia ser mais padrão. Entreguei tudo que ele queria e mais um pouco desde sempre. Perdi a virgindade em um bordel, com uma puta velha, gorda e feia, performei sexo com todas as mulheres que pude, desde a adolescência, e formei uma família com uma esposa troféu, que claramente não me amava, só queria meu dinheiro e meu sobrenome, então me aceitou sem nenhuma condição. E segue, engolindo tudo como uma lady, sem nunca reclamar.

Ainda que não me refira a aceitar o Paulo Henrique gay, lógico, porque disso ela (nem qualquer outro) nunca nem desconfiou. Ela aceitou, sim, o marido tóxico, machista, preconceituoso, muitas vezes grosseiro e que trai, muito, porque isso também é parte do papel, parte do acordo tácito que nós estabelecemos no início do relacionamento. Esse é o personagem que interpreto em quase todo o tempo, para ela, para a família, no trabalho e nos meus círculos sociais.

Só mudo de faceta, para ser eu mesmo, quando peso bem o risco de me entregar. Tento ser frio e calculista, sempre. Não é fácil, pelo contrário, mas a gente aprende com o tempo, a medir os perigos, mesmo quando começa a ter uma vida dupla tardiamente. Quer dizer, eu sempre soube que era gay. Na escola, eram os meninos que eu observava de canto durante a educação física, porque desde o início eles que me chamavam atenção. Os corpos grandes, mais desenvolvidos, os pelos, as mãos e pés grandes, imponentes. E assim foi com o tempo. A primeira vez que fiquei de pau duro e precisei bater uma punheta foi vendo uma cena de sexo em um filme, mas não pela transa ou pela mulher, e sim pela forma como aquele cara fazia. Ele era grande, bruto, peludo, a sequência da transa era intensa. Aquilo me despertou de uma forma que nunca tinha acontecido. Depois disso, minhas punhetas na adolescência passaram a ser para os homens sem camisa em revistas, os galãs descamisados da Globo e os modelos que posavam em embalagens de cuecas. Meus pornôs logo que a internet se popularizou, muito bem camuflados, eram todos gays. Nas minhas primeiras transas com mulheres, eu ficava duro porque eram eles que eu imaginava durante toda aquela sessão de tortura. Homens me pegando, com força. Assim que eu aprendi a interpretar. Fui pegando o jeito aos poucos, controlando o que eu queria desempenhar e tornando meu personagem cada vez mais crível. Mas eu demorei muito para ter coragem. Fui lerdo.

Quando entrei na faculdade, as coisas começaram a mudar. Os caras, já adultos, mexiam muito com meu íntimo e meus desejos. Eu via eles com as meninas e queria estar no lugar delas. Mas eu tinha muito medo e várias vezes chorei por conta disso. Depois, me masturbava. Só que chegou um momento em que punheta não ajudava mais.

Então, eu descobri o prazer anal. Um dia, vi um marmanjo que eu achava um gostoso dedando uma colega numa festa, descaradamente, pra quem quisesse ver, enquanto ela se contorcia na mão dele. Parecia delicioso. Aquela cena foi um estímulo para que eu me explorasse. Corri para casa naquela madrugada. Sozinho. Um dedo, dois dedos e rapidamente eu socava três dedos no cu para conseguir gozar. Depois, vieram os dildos. Ainda na faculdade. Fiz a compra do meu primeiro pela internet, morrendo de medo. Pedi a entrega em uma agência de correios de outra cidade, afastada, onde eu pudesse buscar, sabendo que se eles descobrissem o que era a minha compra, poderiam até me julgar, mas nunca me alcançar.

Até o final da faculdade, aos vinte e cinco, meu prazer eram os pornôs e os meus dildos, pequenos, grandes, grossos... Guardados a sete chaves na minha casa, que, àquela altura, já era só minha. Foi nessa mesma época que comecei um relacionamento sério pela primeira vez. Antes de sair para encontrar a minha namorada, eu socava um caralho de borracha no rabo e gozava como se não houvesse amanhã. Depois ia interpretar. É verdade que meu namoro não durou mais de um ano, mas eu não fiquei solteiro por muito tempo. Emendei logo depois com a que seria minha futura esposa. Só que eu não queria casar, de jeito nenhum. Meu pai é que queria um casamento. E forçou o quanto pode. Compromisso, famílias se conhecendo, noivado, exigência de aliança, festa de arromba e cerimônia de casamento. Tudo, empurrado direta ou indiretamente por ele.

Lembro que, na véspera do casamento, aos vinte e sete, foi quando eu surtei de vez. Digo surtei, porque meus amigos inventaram uma despedida de solteiro idiota, cheia de vagabundas contratadas para eu aproveitar antes de ter uma mulher para sempre. Uma noite cheia de ideias e objetivos que me causavam arrepios. Me davam nojo. Mas eu fui naquela festa, como sempre, transei, bebi, cheirei e achei tudo uma merda. Estava meio grogue, mas profundamente apavorado com o dia seguinte e o que seria da minha vida. No meio da madrugada, todo mundo já estava louco, então aproveitei para meter o pé. Em vez de voltar para casa, pensei em fugir.

Dirigi loucamente por uma BR durante quase uma hora. Quatro cidades depois da minha. Parei em um posto para abastecer e porque eu iria me matar se continuasse. Precisava demais respirar. Só que notei nos primeiros minutos que aquele ambiente era mais do que isso. Era um ponto de prostituição, de mulheres e homens, a céu aberto e sem nenhum pudor.

Um cara da minha idade, provavelmente, colocou para dentro do carro uma menina que sabe-se lá se tinha dezoito anos (torci muito para que sim, porque pensar o contrário era perturbador demais). Enquanto isso, outras ficaram ali, de saia curtíssima esperando os seus clientes como um monte de manequins em exposição numa vitrine decadente. Minutos depois, uma senhora, cinquentona talvez, parou dirigindo uma caminhonete mais cara do que a minha. Bem mais cara. Um rapaz jovem, forte, posturado, estilo garotão gostosão, meio surfista ou skatista, com um corpo escultural, se aproximou do veículo, já dando uma pegada no volume no meio das pernas. Falou com ela pela janela, de pertinho. Riram, ela ofereceu o cigarro e ele deu um trago. Terminaram a conversa com um selinho. Prestei melhor atenção naquilo. Logo em seguida, ele entrou no banco de trás do carro e, então, eu vi pela janela ainda aberta. O michezinho jogou o corpo e o rosto para o banco da frente, deu um beijo na mulher, virou para o lado e meteu a língua na boca de um senhor que estava no banco do passageiro. Mas meteu a língua mesmo, um puta beijaço. Aquilo fez um choque percorrer todo o meu corpo no mesmo instante.

Foi como se uma espécie de eletricidade tivesse me “ligado”. Acendido todo o meu corpo. Eu estava no banco do motorista, parado no estacionamento do posto e tudo aquilo acontecendo ao meu redor. Primeiro pensei em dar partida e sair correndo dali, acabar com a tentação. Mas o que fiz, depois, em um impulso, foi sair do carro. E travei, ao lado do veículo, em pé. Por um breve instante, o suficiente para aquela figura se aproximar:

— Procurando diversão, mano?

Demorei a assimilar ele, ao meu lado, e a pergunta. Um cara mais velho do que eu. Da minha altura. Com alguns músculos, talvez, não tão definidos quanto os meus. Apesar disso, com uma pose bem mais intimidadora, voz grossa, jeito expansivo. Cabelo escuro, olhos interessados e interesseiros, barba feita e mais espessa do que a minha. Um sorrisinho, meio fechado, debochado e canalha.

Consegui, sim, reparar em tudo isso, mas não soube como respondê-lo. Então, ele pigarreou e insistiu, um pouco mais impaciente:

— Tá procurando o quê aqui?

Tentei balbuciar alguma coisa, mas não foi nada inteligível. Então, ele se deu conta, riu e aproveitou:

— Tô entendendo. Primeira vez que o doutor vem procurar macho aqui, né?

— Nã-

— Tudo bem, te manjei quando te vi de longe — ele me interrompeu e me olhou dos pés à cabeça. — Não chega muito viado granfino, assim, boa pinta por aqui. Só quem já é cliente fixo — deu de ombros.

Abusado. Porém, um abuso que me paralisava cada vez mais, deixando ele jogar sozinho.

— Se liga, vou fazer uma oferta de atendimento vip: cem pratas a hora, piroca de vinte e um centímetros, beijo na boca, deixo tu mamar na moral e vou te currar forte, mas de camisinha. Se quiser levar no pelo, é o dobro. Ah, e a leitada na boca é cortesia, doutor — riu, de canto.

A sinceridade me deixou ainda mais atônito. Não pela prostituição em si – afinal, perdi a virgindade em um puteiro tão nojento quanto aquele lugar. O que me deixou sem reação foi que ele assumiu desde o início que eu era gay e o que buscava ali.

— Pegar ou largar, doutor. Tô perdendo outros clientes — me repreendeu, já ameaçando sair.

— Nunca fiz isso — soltei rápido, porque foi o que passou na minha cabeça.

Realmente não sabia o que fazer, mas algo me impelia a não perder a chance. Talvez, fosse a minha única.

— Nunca deu o cu ou nunca deu pra um GP? — me olhou de cima a baixo de novo.

— Os dois — admiti, tímido, dessa vez.

Me olhando, assentiu e pôs a mão sobre o volume da calça, dando uma pegada leve, que eu acompanhei com os olhos.

— Tô acostumado com iniciante, doutor. Tu não vai se arrepender — chegou mais perto, enquanto eu também andei, até bater as costas no carro.

Sem que ninguém parecesse nos olhar, aquele cara pôs uma mão na minha cintura e a outra no meu ombro. Nós dois em silêncio, enquanto ele escorregava pelo meu braço. A mão dele chegou a minha e me conduziu ao volume na calça jeans.

— Pega, doutor, sente e vê se tu gosta — me instruiu.

Era firme, mas eu tirei a mão rápido:

— Aqui, não — pedi, olhando nos olhos dele.

— Bora, então — esticou o braço, sem sair da minha frente, e abriu a porta do carro.

Olhei ele mais uma vez, mas desisti de pensar. Foda-se. Apenas caminhei, devagar, e entrei no lugar do motorista. Em silêncio. Enquanto isso, ele deu a volta e se sentou no banco do passageiro. Só que eu não dei partida.

— Vamos pra onde?

Dei de ombros. Sem saber.

— Se quiser, tem um matinho ali na frente — sugeriu, rindo. — Ou tem um motel, virando a esquina. Só não sei se faz o estilo do doutor...

Não tinha um catálogo de opções e eu não teria a minha primeira vez no mato, então, liguei o carro e seguimos pela rua. Minha cabeça fervilhava e eu não conseguia juntar lé com cré. Mil coisas na minha mente.

— Paulo Henrique — disse.

— Oi?

— Meu nome é Paulo Henrique. Não precisa me chamar de doutor.

Ele sorriu.

— Mas eu posso?

A provocação me fez virar o rosto para ele. Pela primeira vez, consegui esboçar um sorriso também.

— Aqui, ó — me interrompeu. — A entrada do motel é aqui. É bem bagaceiro, mas eles tão acostumados. Ninguém vai estranhar nada ou querer saber se tu levou ferro. Só querem o preço do quarto — me explicou, com a expertise de um especialista.

Estranhamente, isso me fez confiar nele. Então, acessei o motel. O portão, de ferro, com a pintura toda malfeita, meio enferrujado se abriu e uma coisa que parecia uma guarita estava à frente. A recepcionista do local, completamente blasé, acenou para ele com a cabeça, como faria com qualquer conhecido, e mal me olhou:

— Cinquenta reais por hora. O quarto 12 tá vago — me estendeu o braço com a chave. — Acerta na saída, só dinheiro ou Pix.

— É o penúltimo — meu “prestador de serviço” me guiou.

Por fim, entramos em uma espécie de box ou garagem coberta. No fundo, uma escada que ligava ao que deveria ser o quarto no andar de cima.

Saímos do carro e quando nos olhamos, ele tomou a iniciativa:

— E, então, doutor, qual o teu desejo?

Lembrando, foi um grande momento. Refleti rapidamente. Eram tantos desejos. Mas como um bom principiante, o que consegui dizer soou meio ridículo para a ocasião:

— Qual o seu nome?

— Johnny — respondeu de bate-pronto. — E tô aqui pra fazer tudo que tu quiser.

— Deixa eu ver?

Ele se aproximou, me deixou prensado no carro mais uma vez. Chegou muito perto mesmo. Respirou o mesmo ar do que eu.

— Vai em frente.

Olhei para fora daquela garagem que não tinha porta. Era só uma baia para o carro. Ali, ainda estávamos vulneráveis.

— Quer ir lá pra cima?

Assenti e, então, subimos as escadas. O quarto era pobre e não muito limpo. Tinha uma cama comum, com lençóis e travesseiros duvidosos, mas bem estendidos. Um ar-condicionado de décadas atrás e que não deveria ter sido limpo desde que foi comprado. Luzes fracas, amarelas e meio falhando. Uma televisão velha e um frigobar, que, destoando do resto, não parecia tão velho. O que eu imaginei ser o banheiro, estava com a porta de madeira, mal pintada, fechada.

Quando, já naquele quarto, ele se virou para mim, eu encarei a verdade:

— Não sei o que dizer ou fazer. Eu nunca fiz isso...

— Relaxa, doutor — ele chegou perto e colocou as duas mãos sobre os meus ombros. — Eu sei tratar um rabo virgem e o teu, desse tamanho, é o ideal pra dar uma brincada.

Em seguida, me puxou pela mão. Sentou na beira da cama, de pernas abertas, bateu na coxa e me ordenou:

— Agora, ajoelha aqui na minha frente.

Fui, prontamente.

— Muito bom. Obediente.

— O que tu quer?

Olhei para ele, de baixo.

— Você pode tirar a camisa?

Riu.

— Tira você.

E essa foi a chave para que eu colocasse minhas mãos nos braços dele e sentisse. Fortes, torneados. Passeei por eles e levantei a camisa. Tirei. Um peitoral largo, com alguns pelos mal aparados surgiu. Não era malhado, mas estava longe de ser feio. Um corpo de marido. Uma constatação que aumentou muito o meu tesão. Um homem de verdade, ali, à minha disposição, para o que eu quisesse. Passei as mãos, senti bem. Percorri todas as partes daquele torso e dos braços, já desnudos.

— Gosta, doutor?

Balancei a cabeça em afirmação. Ele gargalhou do meu encantamento.

— E disso aqui? — pôs a mão sobre o próprio volume, agora, mais acumulado, denunciando uma possível ereção ou o começo de uma. —

Já viu uma piroca ao vivo?

Neguei.

— Quer ver? Tira!

Coloquei minhas mãos, abri o botão e o zíper da calça, como se minha vida dependesse disso. Baixei ela e a cueca, meio atropelado. Um caralho grande, mais moreno do que ele, com pentelhos aparados, meia bomba e com a glande coberta, surgiu. Era maior que o meu. Fiquei hipnotizado.

Ele passou a mão pelo meu rosto e cabelos. Repousou ela no meu queixo e conduziu meu olhar do meio das pernas dele para os próprios olhos.

— O doutor quer ser minha namoradinha ou minha puta?

Bom, estava no inferno mesmo, então optei por abraçar o capeta. Disse a verdade, agora com menos pudor:

— Puta.

Ele soltou uma risada, de predador. A mão grande no meu queixo passeou de novo pelo meu rosto, como se fizesse um carinho. Abruptamente, ele a retirou e, na sequência, deu um belo de tapa na minha cara. O resto foi história.

Eu nunca tinha apanhado de ninguém que não fosse meu pai. E jamais na cara. Doeu e me chocou um pouco, mas me fez sentir um tesão gostoso como nunca tinha experimentado.

— Puta de verdade leva pica e porrada — avisou, segurando meu queixo de volta e chegando perto. — E pede mais.

Naquele dia que eu descobri.

Levei muitos bofetões na cara, fosse para me incentivar, enquanto eu estava chupando o pau dele, ou para me avisar que não deveria usar os dentes no boquete. Depois, fiquei de quatro e senti pela primeira vez um caralho de verdade invadir meu cu. Devagarinho. Mesmo com a camisinha, era muito diferente de um dildo. A sensação, a intensidade, a puxada de cabelo, o soco na costela, o pezão na minha cara e as orientações no meu ouvido:

— Rebola, cadela!

Ah, como eu rebolei. Sai de lá ardido e sentindo o gosto da porra dele na minha língua. Voltei para casa leve. No outro dia, casei e aproveitei a festa como se nada tivesse acontecido.

Ainda voltei ao Johnny algumas vezes. Inclusive no dia em que retornei da lua de mel. Levei ele a motéis caros e a muitos chinfrins, o que eu aprendi a gostar mais. Do sexo sujo e sacana. Dei pela primeira vez, pra ele, sem capa. Levei dele a minha primeira leitada no rabo. Uma delícia. Tivemos um tempo legal. Descobri muitas coisas e muito sobre mim mesmo. Nunca soube o nome real dele e, claro, nunca deixei de pagar. Até mais do que deveria. Gostava de pagar. Descobri apenas que ele era oito anos mais velho do que eu. Tinha trinta e cinco na época e uma filha. Era um GP experiente e famosinho na região dele.

Também nunca falei muito da minha vida, lógico. Ele soube apenas que eu vivia uma fachada de hétero e era casado. Mas aprendeu direitinho a me tratar. Como um submisso. Me batia, me humilhava e me fodia com força, pra me arregaçar mesmo. Tudo que eu não gozava com minha esposa no início do meu promissor casamento, eu gozei com ele clandestinamente. Mas ele foi só o meu primeiro. O cara que me viciou.

Quando Johnny resolveu dar no pé, acho que levado para outro estado por um cara mais velho que se dispôs a bancá-lo, fiquei triste. Poderia ter sido eu a tirá-lo daquela vida. Fazer dele meu homem oficialmente, mas eu não tinha essa coragem. Então, o que me sobrou foi começar a me virar. Cheguei a sair com garotos de programa de outras cidades. Tive boas fodas com alguns, ruins com outros. Fui roubado e apanhei sem ser no sexo, o que eu não curti, claro, mas me ajudou a “pegar a maldade”.

Depois, descobri os congressos. Eles eram meu refúgio. Em muitos, não precisava nem ir atrás dos caras. As próprias indústrias farmacêuticas tinham modelos de book azul para atender a médicos influentes nessas ocasiões. Aproveitei muito, garotos de todas as idades, cores, alturas e tipos. Também passei a inventar mais viagens e ir para outros estados dar o cu em paz. Quando não tinha os congressos, conseguia prostitutos e machos por aplicativo. Dei em motéis, hotéis, festas, carros e até de orgias enormes eu participei – o que foi uma delícia, diga-se de passagem.

Com oito anos de casado, já estava experiente e lidava com essa vida dupla perfeitamente. Conseguia, inclusive, ousar bem mais. Nesse período, cheguei a ter um amante fixo e que estava relativamente próximo da minha vida verdadeira. O Jorge era vigilante do meu condomínio, trabalhava para uma terceirizada. Fodemos pela primeira vez na sala da minha casa, quando minha esposa tinha ido visitar a mãe e não paramos mais. O pai de família, de quase cinquenta anos, alto, com barriguinha de chope, peludo e bem-dotado, estilo amigão de todo mundo, era um tarado dos maiores, putão de verdade e curtia uma boa vida. Ganhava de mim todos os presentes que queria. Em troca, me transformou na segunda mulher dele. Dia sim, dia não, ele estava no condomínio. Dia sim, dia não, eu dava um jeito de dispensar minha mulher e ele me comia. Em todos os cômodos da casa, inclusive na cama que eu dormia e transava com ela. Mamei ele e tomei leitada dentro da portaria, com ele atendendo aos vizinhos. Fui currado no salão de festas, em pezinho, no banheiro. Sentei nele, numa cadeirinha, dentro da salinha minúscula do almoxarifado. E fui dedado com violência em pleno jardim do condomínio. Aproveitei muito aqueles momentos.

Depois, pelo Jorge, aluguei até um flat, a dois quarteirões da minha casa. Lá, eu servia ele como esposa mesmo. Mentia para minha mulher e meus pais que tinha compromisso no hospital, mas estava lá: cozinhando para o Jorge, cuidando a cerveja dele para estar sempre gelada e tratando aquele homem como um rei. Massagens nas costas, nos pés... Pica e pica no meu rabo. Foi naquele flat também que o meu amante me ensinou a dar de calcinha. Passei a levar rola sempre com uma calcinha diferente. Tanguinha, fio dental, rendinha. Rosa, lilás, vermelho. Fiz uma coleção delas.

— Essa bunda gorda, de calcinha, engolindo meu salame, ainda vai me fazer te engravidar, sua gostosa — me dizia sempre que gozava dentro e esvaziava o saco no meu cu.

Como eu queria! E olha que eu tentei! Não só com ele. Nunca abandonei minhas viagens. Nem as fodas casuais que apareciam. Me tornei um viciado em pica e leitada no rabo. Estudava, trabalhava, lidava com meus problemas e os fodidos da minha família, tinha até alguns bons momentos. Porém, minha vida só era feliz e tinha sentido mesmo quando estava servindo a algum macho.

Apesar de tudo isso, não fui eu que engravidei. Foi minha mulher, que queria um filho e tinha o apoio dos meus pais, obcecados por um neto.

Aos trinta e oito, minha vida virou de cabeça para baixo mais uma vez e eu surtei, de novo. Numa semana, descobrimos a gravidez. Um mês depois, meu pai bateu as botas e foi para o inferno. Poucos dias adiante, o Jorge foi pego traficando para a molecada do condomínio, foi demitido e sumiu do mapa, fugido. Mas eu mal tive tempo de sentir toda aquela montanha-russa. É que, no primeiro trimestre da gestação da minha esposa, com a minha vida ainda de cabeça para baixo, veio o Caio, para tornar tudo mais louco ainda.

Era o novo namorado da minha irmã mais nova. Foi um baque. Porque, muito embora eu emulasse os comportamentos nojentos do desgraçado do meu pai, a Paulina era quem reproduzia todos eles com gosto. Um xerox. Eu era o mais velho. Ela, a mais nova. Tínhamos mais de dez anos de diferença, mas ela ainda assim conseguia ser muito mais retrógrada. Conservadora, crente, frígida, feia e, até então, devia ser malcomida também. Por isso, meu choque quando ela chegou com aquela lapa de macho na nossa casa, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Caio tinha vinte e cinco anos, era moreno, um pouco mais baixo do que eu e tinha um corpo escultural. Personal trainer, mantinha aqueles braços fortes, mãos enormes, coxas e pernas grossas, além de um abdômen sem pelos, que não era simplesmente malhado, e sim moldado pelos exercícios. Largo, peitudo, daqueles que a gente precisa segurar para não meter a mão. E o melhor: tinha personalidade. Era o alfa que eu emulava a muito custo. Voz grossa, sacana, espaçoso, bruto. Um puta de um macho tesudo. Top de linha.

Quando eu vi ele pela primeira vez, em um jantar na casa da minha mãe, precisei me esforçar muito para não babar e dar bandeira. Meu cu não parou de piscar por um segundo. Tive que ir ao banheiro me dedar para tentar abaixar meu fogo. Só que não adiantou. Eu estava em um momento vulnerável e coloquei na cabeça que precisava que ele me comesse. Só isso poderia me trazer paz. Dei para muitos machos depois daquele dia, mas nenhum era como eu esperava que fosse com ele. Fiquei completamente obcecado pelo meu cunhado.

Descobri onde ele trabalhava, morava, com quem saía e me aproximei da minha irmã o quanto pude, para monitorá-lo. Convidava mais os dois para a minha casa. Churrascos e almoços à beira da piscina, só para ter o puto com a sunga entupida de rola bem diante dos meus olhos. Ia com mais frequência à casa dela. Adorava achar cuecas usadas dele no banheiro e respirar o cheiro daquele saco. Cheguei a roubar uma em um momento de fraqueza. E trabalhei ativamente para minar aquele namoro ridículo.

Um belo de um traíra, eu sei, mas eu estava pouco me lixando. Paulina não gostava de mim, nem eu dela. E muito menos o Caio dela. Vi isso quando comecei a saber que o namoro tinha inúmeras brigas, algumas incentivadas por mim. Não que a fodida da minha irmã fosse fácil, como já disse. Ela era o diabo e, mesmo assim, ele se submetia. Ficou claro que minha irmã dava ao Caio a mesma coisa que eu dava aos caras que me comiam na rua: grana. Era o que sustentava o relacionamento. E, se ela poderia dar, eu também poderia.

Pensei muito sobre aquele desejo. Seria a minha cartada mais arriscada ao longo dos meus trinta e oito anos, porque não tinha jeito seguro de matar minha vontade. Se ele me denunciasse, diante de qualquer insinuação minha, estava ferrado. Ainda assim, mandei um foda-se para o resto do mundo e arrisquei tudo por aquele garotão de vinte e cinco anos, com cara de macho safado. O primeiro passo foi num dia, sorrateiramente, quando peguei no celular da minha irmã o contato dele.

Noutro, depois de um almoço na casa da minha mãe, quando estávamos todos, eu até cheguei a dar uma indiretas, sutilmente. A sós, de canto, elogiei os músculos dele, o corpo, o porte, a virilidade. O macho se fez de desentendido, mas eu sabia que não era. Naquele dia, Paulina acabou dando um chilique enorme por um motivo muito idiota e eu senti, pela primeira vez, que ele poderia roer a corda e dar no pé daquela cilada. Talvez, o dinheiro não estivesse compensando. Era o meu agora ou nunca, então, chamei no WhatsApp.

Tentei ser direto, sem precisar escrever que queria que ele me desmontasse em pica. Comecei falando mal da minha irmã, claro, depois elogiando ele. Deixei claro que ele não merecia ser tratado daquele jeito. Que merecia alguém dedicado a cuidar dele, satisfazer necessidades e desejos de qualquer tipo que ele tivesse. Caio não era otário. Já tinha entendido muito antes o papo e deu corda. Falamos um pouco e chamei ele, então, para ir ao flat, que eu ainda mantinha alugado. Um convite para beber apenas.

De início, recebi uma negativa. Uma cena, claro. O garotão fez doce, mas não parou de me dar conversa. Cheguei a mandar para a academia que ele trabalhava um relógio que ele, “despretensiosamente”, comentou estar querendo. Mil e duzentos reais não era nada para ter aquele homem. Naquele dia, ganhei uma foto dele de cueca branca, pau meia bomba e pesadão, corpo todo suado, no vestiário da academia, com o relógio no pulso. Que delícia. Precisei pausar um atendimento na minha clínica, ir até a sala que eu não usava, socar um consolo no cu e gozar olhando aquela foto. Tamanho era meu desespero pelo meu cunhado.

Dias depois, ele que me chamou no WhatsApp. Me comentou, mais uma vez muito inocentemente, sobre dívidas que tinha e não conseguia pagar. Senti que viria o golpe e iria pegá-lo no contra-ataque. Dezessete mil reais foi o pedido. Respondi na hora que poderia pagar, mas ele precisaria ir até o flat para conversarmos pessoalmente sobre isso. Online, ele também não demorou para aceitar. Me disse que tinha a tarde livre. A única naquela semana. Era uma quarta-feira. Exatamente o dia do ultrassom de oito meses da minha esposa. Eu já tinha deixado a tarde livre para acompanhá-la, como fazia em quase todos os meses, ainda mais na reta final.

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