A proximidade do perigo tinha um efeito anestésico. O quarto de hóspedes onde eu dormia ficava colado ao dela. Uma única parede me separava da cama onde Alessandra repousava sob o efeito de seus sedativos caros. Eu sentia o eco do perfume de baunilha negra dela na minha própria pele. Um fantasma olfativo que me mantinha alerta. Meus batimentos cardíacos estavam lentos. Quase normais.
Então, o trinco da porta estalou.
A fresta de luz do corredor revelou a silhueta rápida que invadiu o quarto. O cheiro doce e sintético de frutas vermelhas e absinto cortou a neutralidade do ar instantaneamente. Alice fechou a porta com as costas, trancando-a com pressa. Ela vestia um short doll rosa de seda com detalhes de renda no decote e na barra. O tecido grudava na silhueta dela. O cabelo loiro platinado, longo e volumoso, caía em desalinho sobre os ombros pálidos.
— Você ficou louca? — perguntei em um sussurro tenso.
Ela sorriu de canto. Um sorriso sarcástico, inquieto.
— Ela está apagada na cama dela — Alice disse, dando dois passos rápidos na minha direção. — Mas se você estiver com medo, pode ir lá acordá-la.
Eu não esperei. Levantei-me da cama em um impulso. Segurei o braço dela com força, sentindo a textura extremamente macia e fria da pele de seus bíceps. Puxei-a em direção à porta. Minha intenção era arrastá-la para fora dali antes que a presença dela arruinasse o frágil equilíbrio daquela casa. Ela era jovem, rebelde e perigosa demais para os meus nervos.
Alice resistiu. Ela fincou os pés descalços no chão e, com um movimento brusco e inesperado, empurrou meu peito com as duas mãos. O impacto me jogou para trás. Minhas costas bateram contra a parede áspera do quarto. O barulho foi abafado, mas o susto me paralisou. Antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, ela avançou. Alice me prendeu contra a parede, apoiando as mãos espalmadas ao lado da minha cabeça. O olhar dela era insolente, fixo e julgador.
— Você a obedece tão fácil assim? — ela sussurrou, a respiração acelerada contra o meu pescoço. — Ela é velha, Miguel. A pele dela é fria. Eu sou quente. Sinta.
Ela não me deu tempo para responder. Alice ajoelhou-se diante de mim com uma rapidez quase felina.
O short doll rosa subiu, revelando a brancura quase doentia das coxas grossas e arredondadas. Meus olhos desceram para o topo da cabeça dela, onde o loiro platinado brilhava sob a luz da janela. Alice abaixou meu short com gestos ansiosos e bruscos. Suas unhas arranharam meu abdômen. Quando ela me libertou, sua boca quente e úmida me envolveu de uma só vez.
O contraste térmico foi violento. O calor interno da boca dela colidiu com o ar condicionado do quarto. Alice usava os lábios carnudos com uma voracidade desesperada, sugando-me com força enquanto suas mãos seguravam minhas coxas para me manter firme contra a parede. Ela olhou para cima sem interromper o movimento. Aqueles olhos azuis e gélidos me encaravam com um desafio mudo. Ela queria ver a minha ruína no meu rosto.
— Ela faz isso? — Alice perguntou, afastando-se por apenas um segundo, ofegante. — Ela se ajoelha para você? Não faz. Ela é orgulhosa demais para se sujar assim. Eu não me importo.
A comparação ácida disparou meu fluxo de adrenalina. A humilhação implícita e a excitação se misturaram na minha garganta. Alice voltou a me envolver com a boca, aumentando o ritmo, usando o arco do cupido marcado de seus lábios para criar uma fricção apertada e implacável. Meus dedos se enterraram no cabelo volumoso dela, puxando-o com força. Eu estava quase perdendo o controle. A ruína estava a segundos de distância.
Percebendo a minha iminente perda de controle, Alice interrompeu o ato abruptamente. Ela ergueu-se com um salto. O sorriso dela era puramente vitorioso.
— Ainda não — ela sussurrou, a voz carregada de uma ansiedade trêmula.
Ela segurou a barra do short de seda rosa e o puxou para baixo, jogando-o no tapete. Alice subiu na cama com movimentos rápidos e impulsivos. Ela se posicionou de quatro sobre os lençóis brancos, arqueando as costas de forma obscena.
A visão era de uma perfeição anatômica que me fez perder o fôlego. A bunda de Alice, volumosa, firme e de uma brancura impecável, apontava na minha direção; as duas nádegas arredondadas se afastavam ligeiramente pela posição, revelando a entrada de sua vulva úmida e rosada por baixo. A pele pálida do quadril largo brilhava de leve com o suor frio que começava a brotar. Entre as coxas claras, a fenda exibia uma viscosidade natural que refletia a penumbra do quarto. Os seios médios dela balançavam livres sob a blusa curta do short doll, os mamilos pequenos e rígidos quase tocando o colchão.
Aproximei-me da cama como um animal atraído pelo cheiro de frutas vermelhas e perigo. Subi atrás dela. Segurei os quadris largos de Alice com as duas mãos, cravando os dedos na carne macia para imobilizá-la.
— Olhe para trás — ordenei em um sussurro ríspido.
Ela virou o rosto por cima do ombro pálido. Os olhos azuis estavam dilatados, famintos.
— Me fode — ela pediu, a voz em um clamor desesperado de posse. — Mostre que você me quer mais do que ela.
Eu a penetrei de um só golpe.
O impacto físico fez a cama ranger de leve, um som que ecoou como um trovão na minha mente paranoica. Alice soltou um gemido agudo e sufocado contra o travesseiro. A fenda dela era extremamente apertada, uma parede muscular quente que me esmagava a cada movimento. Eu comecei a me mover com violência, ignorando qualquer cuidado. O ritmo era caótico, ditado pela urgência do medo e pela juventude explosiva dela.
A bunda volumosa dela batia contra o meu quadril com um som úmido e ritmado. A cada estocada profunda, a musculatura das nádegas dela se contraía, prendendo-me ainda mais naquele calor febril. Eu segurava a cintura fina de Alice com tanta força que sabia que deixaria marcas roxas na manhã seguinte. Marcas que ela faria questão de exibir para a mãe se tivesse oportunidade.
— Eu sou melhor... não sou? — ela arquejou, as palavras saindo rápidas, quase sem fôlego. — Diga que sou melhor que ela. Diga...
Eu não respondi. Minha resposta foi um puxão de cabelo que forçou a cabeça dela para trás, expondo a linha do pescoço pálido. Eu a queria calada, mas a urgência dela me alimentava. O suor de nossos corpos se misturava, o cheiro de absinto se tornando cada vez mais denso, sufocando o fantasma da baunilha negra de Alessandra que ainda pairava no corredor.
A biologia do desejo me arrastou para o limite. Os espasmos internos da vulva de Alice começaram a se intensificar, apertando-me em ondas rápidas e desesperadas. Ela se agarrou aos lençóis com as unhas, arqueando a bunda ainda mais alto, oferecendo-se inteira para o meu colapso. O prazer veio como uma descarga elétrica violenta, arrancando-me o fôlego. Eu me esvaziei profundamente dentro dela, mantendo meu corpo pressionado contra o dela até que o último espasmo cessasse.
Ficamos imóveis. O único som no quarto era o da nossa respiração desordenada.
Alice desabou de lado nos lençóis, ofegante. Ela não parecia cansada; parecia triunfante. Ela puxou o top do short doll para cobrir os seios, mas deixou as pernas pálidas e a vulva úmida expostas. O sorriso sarcástico voltou aos lábios carnudos enquanto ela me encarava na penumbra.
— Nós vamos repetir isso. — Alice sussurrou, a voz cheia de uma malícia infantil e perversa. — Mas no closet dela. Enquanto ela estiver no banho. Você vai tremer de medo, Miguel. E vai ser delicioso.
Ela se levantou, recolheu o short de seda rosa do chão e caminhou em direção à porta com seu andar rápido e impulsivo. Ela destrancou o trinco sem fazer barulho e escorregou para o corredor escuro, desaparecendo como um espectro.
Deitei-me de costas na cama bagunçada. Minhas mãos ainda tremiam levemente. Eu estava no centro de um furacão doméstico, usado como arma de guerra entre a mãe narcisista e a filha rebelde. E o pior era a certeza absoluta de que, na noite seguinte, eu aceitaria o convite de Alice no closet. Sem qualquer hesitação.
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