O silêncio daquela casa vazia era diferente. Tinha o peso de um crime não descoberto. Meu pai viajara naquela mesma manhã. Um congresso de negócios em SãoPaulo. Uma semana inteira longe. Eu devia sentir alívio. Mentira. Eu sentia uma náusea morna, aquela que precede os piores erros da nossa vida. A lealdade filial é um conceito confortável, inventado para quem precisa dormir em paz à noite. Bobagem. O sangue é apenas um fluido quente que nos trai na primeira oportunidade.
Subi a escada de mármore branco. Os degraus pareciam frios sob as solas dos meus pés descalços. A escuridão do corredor era densa, interrompida apenas por um filete de luz amarelada que escapava por debaixo da porta do quarto principal. O quarto dele. O quarto dela. O cheiro de baunilha negra e couro já dominava o ar antes mesmo que eu tocasse a maçaneta. Era o aroma de Alessandra. Uma fragrância que se impregnava na minha pele e me denunciava nas manhãs seguintes.
Empurrei a porta lentamente. O trinco não fez barulho.
Ela estava de pé, perto da janela de vidro que dava para os jardins secos da propriedade. Alessandra vestia uma camisola curta e um robe longo, ambos de uma seda vermelha tão intensa que parecia sugar a pouca iluminação das arandelas. O tecido escorria pelas curvas dela como sangue fresco sobre o mármore. O cabelo loiro platinado, repicado em camadas rebeldes, caía sobre os ombros esbeltos, criando um contraste quase irreal com o vermelho.
Ela não se sobressaltou com a minha entrada. Obviamente. Ela sabia exatamente o momento em que eu cruzaria aquela linha.
— Você demorou — ela disse.
A voz dela era lenta. Pausada. Cada palavra calculada para perfurar a minha suposta resistência.
— O corredor estava escuro — eu menti.
Eu não tinha medo do escuro. Tinha medo do que acontecia quando as luzes se apagavam com ela.
Alessandra virou-se devagar. O caminhar sinuoso e cadenciado fazia a seda sussurrar contra suas coxas. O rosto oval, com aquela mandíbula suave e as maçãs perfeitamente definidas, exibia um sorriso contido, de canto de boca. Um sorriso que me lembrava o tempo todo que ela era a dona do tabuleiro. Ela me encarou. Aqueles olhos azuis, frios e penetrantes, fixaram-se nos meus. Era um olhar invasivo, desconfortável, que parecia arrancar minhas defesas uma a uma.
— Seu pai ligou quando pousou — ela afirmou. — Perguntou por você.
Senti um espasmo no estômago. A menção ao meu pai era o preço que ela me cobrava pelo prazer. Uma humilhação sutil.
— O que você disse? — perguntei.
— Que você estava no seu devido lugar — ela respondeu.
Ela deu mais um passo. A distância entre nós desapareceu. O calor que emanava dela colidiu com a minha pele fria. Alessandra estendeu a mão direita. O toque foi preciso, de posse. Ela segurou meu queixo com uma firmeza surpreendente para dedos tão delicados. Suas unhas perfeitamente lixadas pressionaram a minha mandíbula, imobilizando-me. Eu não tentei recuar. Eu era um viciado diante de sua dose diária, incapaz de qualquer reação que não fosse a submissão voluntária.
— Você me pertence esta noite, Miguel — ela sussurrou.
A frase erótica veio firme. Dominante. Ela ditava o ritmo ali. Ela sempre ditava.
Com a outra mão, Alessandra puxou o cinto do robe vermelho. A seda se abriu, revelando a camisola que mal cobria o busto e a cintura, desenhando a silhueta que me assombrava nos meus piores pesadelos. A pele dela era extremamente clara, com uma textura macia que parecia porcelana quente. Eu queria tocá-la. Meus dedos tremiam. Alcancei a cintura dela, mas Alessandra segurou meus pulsos com força, forçando meus braços para trás do meu corpo.
— Não — ela ordenou. — Eu conduzo.
Ela me empurrou em direção à cama de casal. Caí de costas contra os lençóis de linho egípcio. O contraste térmico entre o tecido fresco e o calor febril que subia pelo meu pescoço era quase doloroso. Alessandra subiu na cama logo em seguida. Ela se posicionou sobre mim, ajoelhada, o robe vermelho espalhado ao redor dela como uma poça de luxúria. O cheiro de baunilha negra se tornou sufocante, preenchendo meus pulmões até que eu não conseguisse pensar em mais nada.
Minha respiração falhou quando ela desceu as mãos pelo meu peito, rasgando qualquer resquício de moralidade que eu ainda fingia ter. As pupilas dela estavam dilatadas, mas o olhar permanecia cirúrgico, analítico. Ela estudava a minha ruína. A submissão absoluta tem uma lógica perversa: é o conforto anestesiante de não ter que escolher. Nas mãos de Alessandra, eu não precisava de vontade própria. Eu era apenas um instrumento.
Ela deslizou a camisola vermelha para cima e a removeu lentamente pela cabeça, expondo o próprio corpo à luz fraca. A visão era de uma crueza anatômica devastadora. Os seios dela, fartos e pesados, caíram livres; eram duas esferas de uma brancura quase azulada, onde pequenas veias finas desenhavam caminhos discretos sob a pele translúcida. As aréolas eram largas, de um tom rosado escuro, e os mamilos já estavam completamente rígidos e erguidos, contraídos pelo contraste térmico do ar do quarto. O peso do busto oscilava levemente a cada respiração pausada que ela dava.
Desci os olhos pela cintura estreita até o quadril largo, onde o contraste da pele alva se acentuava. O quadril se abria em uma curva arredondada e farta. Quando ela se ajoelhou sobre mim, a bunda dela, volumosa e firme, pressionou-se contra as minhas coxas; a musculatura das nádegas era densa, moldando uma silhueta pesada que contrastava com a fragilidade aparente de suas costas eretas. Entre as coxas grossas e claras, a vulva dela se revelou de forma explícita. Os grandes lábios, delicados e perfeitamente simétricos, estavam entreabertos, brilhando com uma umidade espessa e natural que escorria pela fenda rosada. O capuz do clitóris parecia ligeiramente intumescido, pulsando de forma sutil sob a luz fraca.
Meus batimentos cardíacos martelavam contra as minhas costelas. A boca dela, com aqueles lábios finos e perfeitamente delineados, encontrou a minha de forma abrupta. Não houve delicadeza. Foi uma colisão úmida, quente, onde ela ditou o ritmo, invadindo minha boca com a língua de forma possessiva enquanto suas mãos mantinham meus ombros pressionados contra o colchão.
O suor começou a brotar na minha testa, misturando-se ao perfume dela. Eu sentia o calor e a umidade da vulva dela pressionando diretamente a minha coxa através do tecido da minha calça, que ela tratou de abrir com movimentos escassos e precisos. Ela não desperdiçava energia. Cada gesto tinha uma finalidade.
— Olhe para mim — ela exigiu, a voz firme perto do meu ouvido.
Abri os olhos. Os olhos azuis dela estavam a centímetros dos meus, gélidos e famintos.
Alessandra se moveu, descendo o corpo sobre o meu com uma lentidão torturante. O impacto físico me fez arquear as costas quando sua fenda úmida engoliu meu membro de uma só vez. A pressão interna foi imediata. As mãos dela voltaram a me imobilizar pelos ombros, empurrando-me de volta para o linho. O calor ali dentro era insuportável. Uma fricção biológica que ignorava qualquer culpa. A respiração dela começou a falhar de leve, mas ela não perdeu o controle. Ela mantinha o ritmo constante, cadenciado, subindo e descendo com o peso da bunda redonda martelando contra meu quadril, uma firmeza que me levava ao limite a cada segundo.
Meus músculos se contraíram em um espasmo involuntário. O prazer era uma pontada violenta, quase punitiva. Eu queria acelerar, queria assumir o controle daquela dança insana, mas sempre que eu tentava erguer o quadril, Alessandra exercia uma pressão firme contra o meu peito, mantendo-me exatamente onde ela queria. Eu era o brinquedo de sua vaidade narcisista. E o pior era que eu amava aquela humilhação.
O ápice nos alcançou quase ao mesmo tempo. Alessandra soltou um suspiro pausado, os músculos da vulva se contraindo ao redor de mim em ondas de uma pressão absurda, ordenhando-me com uma força quase mecânica. Ela fechou os olhos por apenas dois segundos, a única concessão ao descontrole que se permitiu em toda a noite. Depois, o olhar penetrante voltou a focar no meu rosto, testemunhando o meu colapso enquanto eu me esvaziava sob ela, vendo o suor brilhar em seus seios pesados que ainda arfavam.
O silêncio retornou ao quarto, pesado e carregado de traição.
Alessandra não se levantou. Ela deslizou lentamente para o lado, deitando-se de costas sobre os lençóis bagunçados. A pele dela, ainda brilhando de suor, contrastava com a brancura do linho. Ela puxou uma ponta do lençol para cobrir apenas a cintura, deixando os seios fartos expostos, os mamilos ainda rígidos no ar condicionado do quarto. Ela virou o rosto na minha direção. O olhar azul continuava afiado, despido de qualquer calor romântico, mas carregado de uma diversão cruel.
Ela soltou uma risada curta, quase um sopro de ar pelo nariz.
— Fico pensando no seu pai — ela disse, a voz extremamente pausada, quase saboreando as palavras. — Ele sempre se gaba de ter o controle de tudo nesta casa. Da empresa. De mim. De você.
Ela estendeu um indicador e traçou uma linha lenta pelo meu peito úmido, descendo até a cicatriz perto da minha costela.
— Imagine a cara dele se soubesse onde o filho dele passa as noites enquanto ele viaja — ela continuou, o tom carregado de um cinismo cortante. — Ele provavelmente morreria de orgulho da nossa... união familiar. Você não acha?
O estômago me deu um nó. A imagem do meu pai empalidecendo diante da verdade passou pela minha mente como um relâmpago incômodo. A culpa tentou se instalar, mas foi imediatamente sufocada pela onda residual de prazer que ainda anestesiava meu cérebro. Eu odiava o que fazíamos. Eu odiava o fato de que ela usava o nome do meu pai como um chicote para me manter sob seu controle. Mas eu não conseguia ir embora.
— Você é desprezível — eu disse.
Alessandra sorriu, o canto dos lábios subindo naquela expressão de escárnio que eu conhecia tão bem. Ela se inclinou, sussurrando perto do meu ouvido, o hálito quente com cheiro de baunilha me arrepiando a nuca.
— E mesmo assim você está aqui, Miguel. Na cama dele. Comigo. E nós dois sabemos que na próxima noite, você vai bater nessa porta novamente.
Ela se afastou e fechou os olhos, pronta para dormir, como se nada tivesse acontecido. Virei-me para o outro lado, encarando a escuridão do quarto. Ela estava certa. Não havia salvação, não havia saída e nem desejo de fuga. O silêncio da casa vazia era o nosso cúmplice. E a promessa implícita da noite seguinte era a única coisa que me mantinha respirando.
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O objetivo desta série é entregar contos rápidos e antológicos para apresentar o universo de "O Mundo é Meu!" e os personagens que fazem parte dele, sem enrolação.
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• Saga Principal
• O Mundo é Meu! – Amor em Família: Prólogo
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• Série Derivada
• A Madrasta – Volume I: Quem Planta Colhe
• A Madrasta – Volume II: Paixão Desenfreada
• A Madrasta – Volume III: Desejo Por Um Fio
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