Terminei, hoje, após cento e trinta e cinco punhetas, a minissérie nacional da prequela saloia de Eça de Queirós, “Os Maias”.
Fazia já um bom tempo que eu não encontrava algo intrigante para assistir — sobretudo nos momentos de solitude e contemplação.
As mulheres que me conhecem sabem que sou um cavalheiro de gostos refinados, capaz de comover-me até às lágrimas tanto com a apreciação de “À la recherche du temps perdu” de Proust como com a redescoberta, na World Wide Web, da cena clássica em que o cu doce e craquelado da srta. Tori Black é estourado com precisão atômica em “Tori, Tarra & Bobbi Love Rocco”.
Acredito que essa versatilidade de interesses — que, como se vê, abrangem da Pornografia à Literatura Clássica —, e também a minha sensibilidade artística, que transcende barreiras, fizeram que eu, num Santo dia, depois da Missa, descobrisse um inesperado apreço pelas telenovelas nacionais.
Bom, confesso que esperava mais e maior ferocidade nas cenas da Maria Monforte e da Maria Eduarda; quiçá também da Condessa de Gouvarinho, daquela Rachel quase-bíblica e da Encarnación quase-santa. Confesso, igualmente, que alimentei a esperança — como um homem casado — de ver um peitola, mínimo que fosse, da Maria da Cunha ou da Miss Sarah. Mas nada. E esse nada é um desrespeito monumental ao telespectador, pobre mecenas que deposita fé e esperma na teledramaturgia brasileira, recebendo em troca uma promessa vã.
O que salvou as horas cansadas que desperdicei, todas com o meu pau à mão à espera de uma boa e bem-filmada foda, foram as noventa-e-cinco punhetas que quebrei para a fodibilíssima Gertrudes, governanta do protagonista, que raramente vinha à tela.
O que me emputece na Televisão, essa putinha dissimulada, é que ela sabe provocar: insinua, rebola, mas fecha as pernas na hora H. O espectador, coitado, fica de pau na mão, esperando o “peitinho” que nunca vem, a xoxota que, que… Mas ela, "magnânima" e puritana, prefere dar-nos diálogos aristocráticos ao invés de xavascas (guedelhudas que fossem) — o que, sejamos francos, é como servir champanhe sem o caviar: falta o essencial.
Eça de Queirós, se levantasse da tumba, não bateria palmas; antes, bateria uma punheta (talvez duas), pediria um charuto, mijaria no tapete da produção e perguntaria onde caralhos enfiaram a putaria que ele espalhou pelo romance. Pois adaptar "Os Maias" sem dedos nos cus e nos bacalhaus é como fritar sardinha sem óleo: chia, mas não escorre.
