🚫 Propagandas te atrapalhando? Assine o plano premium por menos de R$3/mês. Saiba mais →

A Televisão Brasileira — ou, “Dissabores Modernos”.

Cansado destas propagandas? Assine por R$36/ano e navegue sem anúncios →
Um conto erótico de Otto Bergamaschi
Categoria: Heterossexual
Contém 398 palavras
Data: 29/07/2026 20:08:55
Última revisão: 29/07/2026 21:09:13

Terminei, hoje, após cento e trinta e cinco punhetas, a minissérie nacional da prequela saloia de Eça de Queirós, “Os Maias”.

Fazia já um bom tempo que eu não encontrava algo intrigante para assistir — sobretudo nos momentos de solitude e contemplação.

As mulheres que me conhecem sabem que sou um cavalheiro de gostos refinados, capaz de comover-me até às lágrimas tanto com a apreciação de “À la recherche du temps perdu” de Proust como com a redescoberta, na World Wide Web, da cena clássica em que o cu doce e craquelado da srta. Tori Black é estourado com precisão atômica em “Tori, Tarra & Bobbi Love Rocco”.

Acredito que essa versatilidade de interesses — que, como se vê, abrangem da Pornografia à Literatura Clássica —, e também a minha sensibilidade artística, que transcende barreiras, fizeram que eu, num Santo dia, depois da Missa, descobrisse um inesperado apreço pelas telenovelas nacionais.

Bom, confesso que esperava mais e maior ferocidade nas cenas da Maria Monforte e da Maria Eduarda; quiçá também da Condessa de Gouvarinho, daquela Rachel quase-bíblica e da Encarnación quase-santa. Confesso, igualmente, que alimentei a esperança — como um homem casado — de ver um peitola, mínimo que fosse, da Maria da Cunha ou da Miss Sarah. Mas nada. E esse nada é um desrespeito monumental ao telespectador, pobre mecenas que deposita fé e esperma na teledramaturgia brasileira, recebendo em troca uma promessa vã.

O que salvou as horas cansadas que desperdicei, todas com o meu pau à mão à espera de uma boa e bem-filmada foda, foram as noventa-e-cinco punhetas que quebrei para a fodibilíssima Gertrudes, governanta do protagonista, que raramente vinha à tela.

O que me emputece na Televisão, essa putinha dissimulada, é que ela sabe provocar: insinua, rebola, mas fecha as pernas na hora H. O espectador, coitado, fica de pau na mão, esperando o “peitinho” que nunca vem, a xoxota que, que… Mas ela, "magnânima" e puritana, prefere dar-nos diálogos aristocráticos ao invés de xavascas (guedelhudas que fossem) — o que, sejamos francos, é como servir champanhe sem o caviar: falta o essencial.

Eça de Queirós, se levantasse da tumba, não bateria palmas; antes, bateria uma punheta (talvez duas), pediria um charuto, mijaria no tapete da produção e perguntaria onde caralhos enfiaram a putaria que ele espalhou pelo romance. Pois adaptar "Os Maias" sem dedos nos cus e nos bacalhaus é como fritar sardinha sem óleo: chia, mas não escorre.

Curta uma leitura sem interrupções.
Conheça o plano sem propagandas (R$36/ano — menos de R$3/mês) →
Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 6 estrelas.
Incentive Otto a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.
Foto de perfil de OttoOttoContos: 2Seguidores: 2Seguindo: 1Mensagem Engenheiro Agrônomo e Crítico de Filmes Pornográficos.

Comentários

Cansado destas propagandas? Assine por R$36/ano e navegue sem anúncios →