Eram Quase 22 horas quando Naiara sente o celular vibrar na cabeceira ao lado da cama.Estava exausta,mas não conseguia dormir, sua mente em polvorosa pelos acontecimentos inesperados do dia. Com as mãos trêmulas, ela checou e apareceu a tela do zap com a mensagem “Jemerson adicionou você no grupo ‘Turma da Escuna’”. A primeira mensagem era do próprio.
Jemerson: Boa noite a todos. Aproveitando os números que Genildo me passou na noite de ontem, crio esse grupo para conversarmos sobre o “incidente” mais cedo.Este grupo é tão somente para auxiliar os mais afetados pela ocorrência e acalmar a todos,tentando encontrar uma possível resposta.
Beatriz: Como é que a gente vai se acalmar? Eu não consigo parar de tremer.
Breno: Beatriz, calma. A gente precisa pensar com clareza.
Cauê: Alguém aqui consegue explicar como isso começou? Porque eu ainda não tô acreditando que foi real.
Diego: Foi a tempestade. Eu vi os olhos de todo mundo... parecia que a gente tava possuído.
Iris: Não foi possessão, Diego. Foi medo. Medo e desespero. O corpo humano faz coisas que a mente não consegue processar. Acho que todos estamos em choque ainda,mas espero que isso vá aos poucos se dissipando.
Tony: Fico tentando entender onde tudo saiu do controle.
Naiara sentiu os olhos escorrerem em lágrimas.Com aquele grupo criado,parecia que isso levaria muitos e muitos dias pra se dissipar, se é que isso era possível. Ela digitava,apagava,digitava,apagava,até que enviou.
Naiara: Gente,estou me sentindo péssima. Tive que representar,junto com Dona Jamile,um cabedal de mentiras pra Genildo não perceber! E foi cruel,porque… fui muito convincente…e isso dói…O mais difícil para mim é olhar para ele como se nada tivesse acontecido. E ainda ter forças pra dizer que não houve nada...
As palavras de Naiara fizeram o grupo silenciar por um tempo,até que Scheila enviou no privado dela
“Você não está sozinha nessa.Pra tudo tem solução,acredite”
Jamile: Isso é o que mais dói… representar…fingir que tudo foi tranquilo… dissemos a ele que não houve passeio,que choveu muito e ficamos num mangue durante algumas horas. E ele…ele acreditou…não quisemos falar que houve uma horrorosa tempestade,senão ele ia fazer mais perguntas ainda.Amenizamos a situação… pro bem…não sei de quem…isso é cruel…demais.Passei a vida inteira tentando fazer as coisas certas. Hoje nem consigo organizar meus pensamentos. Somente na hora de encarar Genildo…Minha reação foi de pura proteção. Não sei se a mim ou a ele...
Bianca: Tia Jamile, a gente tava em estado de choque. Não tava pensando direito.Se
martirizar vai ser pior pra nós.O Genildo…ele pode viver sem saber disso…e nós temos que superar,não tem outro jeito!
Scheila: Exato.Vai ser dolorido, vai ser difícil, mas a gente vai superar.Jamile e Naiara…Contem comigo no que for,sei o quanto está difícil.Genildo deve falar sobre isso conosco,na faculdade…com o tempo as coisas vão dissipando.Houve um strike mental em todos,isso tem que ser levado em conta!
Tony: Imagino o peso que vocês duas estão carregando
Scheila: Todos nós vamos precisar aprender a conviver com isso.
Íris: É justamente por isso que esse grupo existe
Jemerson: Eu criei esse grupo pra isso. Pra gente se apoiar. Pra gente falar o que precisa ser dito, sem medo, sem julgamento. O que aconteceu na escuna... aconteceu. Não tem como desfazer. Mas a gente pode escolher como vai seguir em frente.Isso depende de um conluio,infelizmente.Não somos amigos,mas uma rede de apoio é preciso. Isso não vai durar pra sempre.
Íris: Jemerson tem razão. A culpa não vai adiantar. O desespero não vai adiantar. A gente precisa ser forte.
Scheila: O perdão de todos já é um passo. Se perdoar é o princípio. Enfrentei uma patologia séria,ficava imaginando qual foi minha participação nisso,se falhei no estilo de vida,mas não penso mais,a vida aponta rumos. E isso vai acontecer conosco,garanto.
As mensagens eram motivadoras,mas ainda era cedo pras coisas se acentuarem de fato, sem intercorrências.
Cauê: Professora Scheila tem razão. A gente precisa se perdoar. Não tem outro jeito.
Jemerson:Exato, e isso começa agora. Nesse grupo. Dizendo o que precisa ser dito. Chorando o que precisa ser chorado. E depois, a gente vai vivendo. Um dia de cada vez.
Bianca: A gente mal se conhecia...Parece estranho pensar que agora compartilhamos um segredo que nenhum de nós gostaria de ter.
Jamile: Vai ser bem difícil...
Naiara: Eu que o diga...
Scheila: Vocês duas conseguem. A gente vai ajudar.
Iris: Nós todas vamos ajudar. Ninguém fica pra trás.
Breno:Acho que vai ser um pouco menos difícil se ninguém precisar enfrentar isso sozinho.
Naiara sentiu o cansaço tomar conta do corpo. Ela digitou uma última mensagem antes de desligar o celular:
Naiara: Gente, minha cabeça gira como um parafuso, mas…obrigada por estarem aqui.
Jamile: Nós vamos passar por isso, Naiara. Juntas.
Scheila: Juntas.
Beatriz: Juntas.
Bianca: Juntas.
Tony: Juntos.
Cauê: Juntos.
Diego: Sempre.
Iris: Sempre.
Jemerson: Agora tentem descansar. Amanhã é um novo dia. E a gente vai enfrentar ele juntos.
Naiara ainda recebeu uma mensagem no privado de Jamile.
Jamile: Filha, é meu dever estar ao seu lado e de todos. O que precisar ser encarado, encararemos. Agora é refletir e encontrar um pouco de paz de espírito, é o caminho.
O sofrimento não ia ser apagado tão cedo. Mas o grupo trazia algum conforto, isso era perceptível.Não respondiam às perguntas que continuavam sem explicação. Mas, para aquelas onze pessoas que haviam sido unidos por um acontecimento que nenhum deles compreendia completamente, representavam o primeiro passo para enfrentar juntos o peso emocional que carregariam a partir daquele sábado.
Na segunda-feira,na faculdade,Genildo tinha aula com Beatriz, Cauê, e Breno.Obviamente,o passeio - ou o que sobrou dele - foi o papo.
Genildo: Quer dizer que o passeio naufragou?Já tô sabendo que teve chuva, trovão e tudo…
Aparentemente tranquilos,mas disfarçando nervosismo, tentaram manter o que parecia que tinha rolado.
Cauê: Velho, teve chuva, vento, uns trovões… Ficamos apenas papeando mesmo. Depois, demos uma volta na escuna, mas o mar não ajudava.
Beatriz: Acabou sendo chato. Estávamos no mar, e só o fato de estar navegando contava. Mas não teve nada de extraordinário.
Breno: É isso, nada de roteiros descobertos, nem tinha como. Dia bem cinza.
Os três até se surpreenderam das lorotas que contavam. De fato, a autoproteção era o mais importante.
Genildo: Porra, velho, realmente,pra quem não estava lá,imaginar ficar esse tempo todo sem fazer porra nenhuma,olhando o mar, hein?
Cauê: É, estando lá você bebe uma, conta uma piada, canta uma música…mas sem animação. Aliás, não tinha como fazer baderna. O clima mesmo tava no céu, não na escuna.
Genildo: Sei, é que bate aquela curiosidade, eu queria muito ir… enfim, parece que foi isso mesmo.
Os três já estavam mais relaxados. Todos faziam com que aquele passeio fosse algo bem chatinho. Justamente pra não dar muita corda.
Encontrou Scheila saindo de uma aula e também aproveitou pra comentar.
Genildo: Tudo bem,professora? O passeio acabou não saindo como deveria né?
Scheila deu um risinho sem graça,mas teve que também entrar na jogada.
Scheila: Oi, Genildo…é, não fez o sol que eu queria que fizesse, choveu, teve trovão, nos abrigamos num mangue. Olha, estar lá foi bom, pelo menos pra mim, que estava convalescente em casa. Me agradou estar no mar. Gostei muito de sua mãe, conversamos muito,enquanto os outros também faziam o mesmo.
Genildo não chegou a falar com Tony, nem Bianca. Também não passou no bar naquele dia, e portanto não viu Jemerson, Íris, e Diego.
Mas à noite, o grupo comentou sobre ter encontrado Genildo e a sensação de ter mentido.
Beatriz: Nossa, hoje me senti estranha, tendo que falar com Genildo algo que não foi bem como aconteceu de fato.
Cauê: Realmente é muito chato ter que enrolar um amigo… poxa, muito ruim mesmo
Naiara: Gente, imagina eu… dona Jamile… ter que passar a impressão de que foi algo normalzinho… é doloroso…
Scheila: Gente, agora é superar isso. Esse grupo não foi criado pra enganar Genildo,mas para encontrar formas de resiliência, criarmos coragem de encarar os fatos!
Jamile: Realmente, é algo muito dúbio… uma parte de mim acha necessário tudo isso, mas também é terrível omitir algo assim…
Jemerson: Gente, na vida a gente precisa manter algumas coisas conosco, sei que foi uma situação muito fora do comum, mas se quisermos ser pessoas melhores, precisamos aprender com isso, sairmos mais fortalecidos. Acho isso possível!
Naiara; Mas confiança é algo que conta muito num relacionamento… e eu não estou podendo oferecer isso a ele…
Íris: Naiara, pense da seguinte forma… nada partiu de você, nada foi arquitetado! Pense como algo que pode servir pra você manter a relação mais fortalecida, sem surpresas no futuro. Porque quando passarmos por qualquer dificuldade, todos podemos ser mais resilientes. Olha a tempestade que enfrentamos! Estamos vivos, e isso importa.
Tony: Não é evitar que isso nunca aconteceu. É acima de tudo preservar vidas e isso conseguimos, pois voltamos daquele diluvio. E agora é darmos sentido à sobrevivência.
Foram poucas as mensagens, mas podia se notar que havia saída para tudo. Só restava o tempo dizer a durabilidade.
Passado alguns dias, Bianca estava em uma plataforma de podcasts, coisa que ela ouvia de montão. De repente, encontrou algo que lhe chamou atenção. Era uma entrevista com uma psiquiatra, com pós-graduação em neurociência, que explicava as relações entre medo e prazer. Bianca resolveu ouvir o podcast e a cada palavra da cientista seu coração parecia sair pela boca. Logo depois, compartilhou o link no grupo
Bianca: GENTE, POR FAVOR! ASSISTAM ESSA ENTREVISTA! URGENTE!
Assim, seguia a entrevista com Dra. Luciana Penagross.
Doutora, tem surgido relatos de pessoas em situação de pânico coletivo que acabam desenvolvendo atividades interativas pouco convencionais… a senhora poderia explicar mais sobre esse fenômeno?
É um fenômeno fascinante e, ao mesmo tempo, profundamente humano. O cérebro,quando confrontado com o pavor extremo, entra em estado de hipervigilância. O sistema nervoso simpático é ativado — o famoso "luta ou fuga". Mas, em situações onde a fuga é impossível e a luta é inútil, o cérebro busca uma terceira via: a dissociação.A dissociação é um mecanismo de defesa. A mente se desconecta da realidade imediata para evitar o colapso psicológico. Nesse estado, a percepção do tempo, do espaço e até da identidade se altera. E é nesse espaço que o prazer encontra terreno fértil.Quando uma pessoa enfrenta uma situação de perigo intenso, principalmente quando acredita que pode morrer, o cérebro deixa de funcionar da maneira habitual. A parte responsável pelo raciocínio e pelas decisões pode perder espaço para mecanismos automáticos de sobrevivência. Nessa hora, a atividade sexual é uma porta de saída.
Poderia ser mais específica?
O sexo é uma das experiências mais primitivas e poderosas de regulação emocional que o corpo humano conhece. Quando estamos em pânico, os níveis de cortisol e adrenalina disparam. O corpo precisa de um antídoto — e a dopamina, a ocitocina, a serotonina, são os antídotos naturais. O sexo libera essas substâncias em massa. É como se o cérebro dissesse: "Não posso escapar do perigo, então vou criar um estado de prazer tão intenso que vou encobrir esse perigo”. Em situações de pânico extremo, a consciência racional é suprimida. O córtex pré-frontal, responsável pelo julgamento e tomada de decisão, é literalmente desligado pela amígdala, que assume o controle. As pessoas não estão pensando "eu quero transar com essas pessoas". Elas estão reagindo a um impulso primitivo de sobrevivência emocional. É tão involuntário quanto tremer de frio ou suar de medo. Nessa hora, onde o perigo é latente e a mente tenta vencê-lo, as convenções sociais de nada valem. Ética, moral, bom senso, esses valores não importam nesses momentos. E a libido aumenta muito, o sexo não é carinhoso. É intenso, desenfreado, visceral.
As pessoas não tem consciência do que estão fazendo?
As pessoas estão com um grau moderado de sobriedade. Quando você está no bar e acha que está bebendo demais,sua consciência diz pra você parar. Quando você bebe demais e passa a rir de tudo e fica desinibido, você conserva alguma lucidez. Ou seja, as pessoas envolvidas nesse evento sabem que estão fazendo algo, mas não tem consciência para discernir certo e errado. Elas já estão no embalo. Não há juízo quando o prazer toma conta de algo que já está em andamento.
E depois? Quando a situação de perigo passa, como as pessoas lidam com o que aconteceu?
Com culpa, vergonha e profundo desconforto. Porque a mente racional volta, e o que era um mecanismo de sobrevivência é reinterpretado como uma falha moral, uma traição, uma perda de controle. As pessoas se sentem sujas, envergonhadas. No entanto, há poucas possibilidades de trauma. O trauma aconteceria se as pessoas sucumbissem ao pânico, ai entrariam em colapso, desenvolveriam fobias e verificariam como aquilo foi traumático. Quando as pessoas estão “embriagadas” de dopamina e ocitocina, não ocorre isso. Aí depois, depende do caráter, da índole das pessoas, mas o psicológico estava alterado, não há como o indivíduo ter estresse pós-traumático, pois o prazer extremo acaba prevalecendo, além de haver a dissociação. Uma coisa é fundamental: Antes de julgar a si mesmo, procure compreender o contexto em que seu cérebro estava tentando sobreviver.
E como as pessoas podem superar isso?
Compreendendo o que aconteceu. Entendendo que não foi uma escolha consciente, mas uma resposta neurológica a um estresse extremo. O primeiro passo é o autoperdão. Depois, o diálogo — com quem viveu a mesma experiência, com profissionais, ou no próprio grupo participante. O segredo é deslocar a culpa da esfera moral para a esfera biológica. O corpo fez o que precisava fazer para sobreviver emocionalmente. Não há julgamento moral nisso. Pra encerrar, falo algo que pode ser bastante controverso. Não é vantajoso difundir isso para outras pessoas. O nível de compreensão para quem não experienciou isso é imprevisível e pode prejudicar as relações, ao invés de buscar honradez, porque pode ficar difícil acreditar no contexto e considerar que houve proveito, o famoso “tirar uma casquinha”, como se diz no popular. Existem cumplicidades nos padrões de convivência que podem não permitir que outras pessoas lidem com isso de forma sadia. Isso tudo que falo parte de estudos, que nem todos tem acesso. Portanto, melhor os próprios sujeitos que participaram da atividade sexual diluírem juntos o que ocorreu, afim de que a vida volte a fluir com harmonia.
O silêncio durou cerca de vinte minutos. Depois, as mensagens começaram a pipocar.
Beatriz: Meu Deus... isso explica TUDO.
Breno: Eu assisti duas vezes. É exatamente o que a gente sentiu!
Cauê: Quando Bianca anunciou, senti até medo. Vi o link, achei que era bobagem, mas não é!
Tony: Ela falou sobre o cérebro desligar o pensamento racional. Isso aconteceu comigo. Eu não tava pensando. Só tava... fazendo.
Jamile: Eu chorei o vídeo inteiro. Porque ela descreveu cada coisa que eu senti. A culpa. A vergonha. Mas ela disse que não é culpa nossa.
Naiara: Dona amile... eu tô tremendo aqui. É exatamente isso que a gente tava sentindo.
Scheila: Eu sou professora. Sempre achei que entendia de comportamento humano. Mas isso... isso me mostrou que eu não entendia nada. A gente não escolheu. O corpo da gente escolheu.
Iris: Eu não sabia que existia explicação científica pra isso. Nossa, foi tão bom ouvir um especialista, essa entrevista foi um achado!
Jemerson: O corpo da gente fez o que precisava fazer. Foi mais ou menos nisso que eu e mais algumas pessoas acreditavam!
Diego: Eu tava me sentindo um vagabundo, um traíra do caralho. E agora... ainda tô me sentindo estranho, mas menos pior.
Bianca: Eu tava me sentindo usada… mas ela disse que a gente não tava no controle... eu comecei a me perdoar.
Breno: Ela disse que o cérebro faz isso pra evitar trauma futuro. Que a gente pode até ter menos fobia… não foi isso?
Jamile: Eu nunca ia imaginar que uma psiquiatra ia me fazer sentir melhor. Tô me sentindo menos culpada. Ô glória...
Naiara: Quando olho pro Genildo, ainda me dá agonia.Mas sabendo que não foi uma escolha... que foi o cérebro... isso ajuda.
Cauê: E ela falou que isso não deve ser compartilhado. Olha aí, acho que isso alivia muito!
Beatriz: Sim, significa que a gente não precisa ter vergonha. A gente não é monstro. A gente só reagiu.
Jamile: A vergonha não some de uma hora pra outra, mas isso dá um acalanto… uma sensação boa de conforto.
Bianca: Eu passei a tarde assistindo isso e chorei. Mas depois, pela primeira vez, consegui dormir sem pesadelo.
Jemerson: Isso quer dizer que havia duas tempestades: uma meteorológica e outra dentro da gente.
Tony: Não sei se devia falar, mas... conviver com isso faz com que outras pessoas alheias não carreguem o fardo que a gente carregou.
Íris: Verdade, tem isso agora! Ninguém merece saber disso, deixar alguém por fora parece ser o mais sensato.
Naiara: Sei que vocês falam do Genildo. Ainda será difícil, mas tudo isso traz outra perspectiva.
Diego: Pô, agora tá mais fácil de encarar a coisa
Scheila: Isso é um alerta de que devemos começar a descarregar o fardo que está em nossas cabeças, ir tirando, a cada dia, uma quantidade, até nossa consciência estiver mais relaxada
Jemerson: Uma coisa que ela disse me chamou muita atenção. “Antes de julgar a si mesmo, procure compreender o contexto em que seu cérebro estava tentando sobreviver”
Íris: Acho que isso diz muita coisa…
Cauê: Bem, eu me sinto melhor agora. Tirei uma tonelada da minha cabeça.
Naiara: Isso traz sim um alivio, mas ainda é cedo pra isso ser totalmente resolvido. Isso depende de muita coisa, há pesos diferentes pra cada um.Compreender não significa apagar o que aconteceu.
Tony: Mas pode impedir que a culpa nos destrua.
Jamile: Sim. Ai depende do ritmo. Eu estou mais resignada.
Naiara: Não sinto que estou completamente em paz. Mas estou menos sozinha, isso é fato.
Jemerson: Pessoal, esse vídeo é só o começo, uma resposta boa. Vai caber a cada um assimilar isso e ir reconsiderando tudo o que passou. É um processo. Vejo o quanto foi importante a criação desse grupo. Pouco a pouco, vamos nos restabelecendo.
As concordâncias vieram com essas últimas frases de Naiara e Jemerson, que encerrava aquele momento mais sereno.A mensagem da Dra. Luciana ainda ecoava em cada um.
(continua...)