Depois de tudo o que tinha acontecido na minha vida, eu já não era mais aquele garoto tímido que evitava olhar diretamente para uma mulher.
Talvez eu tivesse mudado.
Ou talvez estivesse apenas tentando recuperar o tempo que achava ter perdido.
Poucos dias depois do show, já com as últimas provas encerradas, saí com o pessoal da faculdade. Estávamos eu, Gustavo, Aline e Lucas. Éramos quase sempre nós quatro nos rolês, embora Lucas e eu tivéssemos alguns segredos que os outros dois nem imaginavam.
Sentamos em um bar próximo à faculdade para beber e jogar conversa fora. Contei por cima sobre a dra. Sandra, os olhares durante o show e a estranha impressão de que ela estava interessada em mim. Não tinha acontecido nada de verdade, mas omiti o quanto aquela situação tinha mexido comigo. Lucas percebeu que eu estava escondendo detalhes, mas não falou nada. Eu gostava de contar apenas o suficiente para deixá-lo curioso. Dizia que não queria mais aquelas coisas, mas continuava provocando, só para ver a reação dele.
Eu e ele costumávamos falar sobre nossas experiências. Gustavo e Aline, por outro lado, quase nunca comentavam nada.
Depois de algumas bebidas, resolvi provocá-los.
— Vocês dois ainda são BV?
Os dois responderam "não" ao mesmo tempo.
— Então provem.
Aline riu.
— Provar como, Caio?
— Se vocês sabem beijar mesmo, beijem um ao outro.
Gustavo olhou para ela. Aline olhou para ele, deu um sorriso curto, como se também estivesse esperando que ele tomasse alguma iniciativa. Durante alguns segundos, achei que os dois mandariam eu cuidar da minha vida.
Mas então eles se aproximaram.
E se beijaram.
Não foi um selinho de brincadeira. Foi um beijo demorado, daqueles que fazem todo mundo ao redor perceber que já existia alguma coisa guardada ali.
Eu sabia que Gustavo gostava dela havia algum tempo. Talvez só não soubesse como chegar. Nada que uma bebida e um pouco de incentivo não resolvessem.
Aline segurou o rosto dele e continuou beijando. Quando vi os dois daquele jeito, fiquei com vontade de dar um beijo triplo.
Na verdade, não queria apenas beijar...
Comecei a imaginar nós três transando. Os dois tinham corpos bonitos, e eu nem sabia se começaria beijando o corpo dela ou o dele.
Fiquei olhando por tempo demais.
Lucas percebeu e cutucou meu braço.
— Disfarça, Caio. Você está comendo ela com os olhos.
— Pior que fiquei com tesão. Queria comer os dois de outro jeito — respondi, mais baixo.
Lucas riu.
Desviei o olhar, meio sem graça, mas aquilo dizia muito sobre quem eu estava me tornando.
Alguns meses antes, eu mal conseguia conversar com uma garota sem ficar nervoso. Agora, bastava alguém me despertar interesse para eu começar a imaginar alguma putaria. E, quanto mais proibida parecia a situação, mais excitado eu ficava.
Talvez a quantidade de segredos que eu carregava tivesse mudado a maneira como eu enxergava tudo.
Depois de mais algumas bebidas, fomos embora.
Em parte do caminho, fiquei sozinho com Lucas. Ele esperou os outros se afastarem antes de perguntar:
— Quando você vai lá em casa jogar novamente?
Eu já sabia o que "jogar" significava para nós dois.
O pior era que eu tinha gostado daquele jogo.
— Não estou mais curtindo essas coisas, não — respondi.
Lucas soltou uma risada.
— Claro que não.
— Estou falando sério.
— A Júlia ainda está esperando você ir lá jogar com ela.
Eu sabia que provavelmente era mentira. Lucas gostava de usar a irmã para me provocar, principalmente depois de perceber o quanto eu ficava desconcertado quando ela entrava no assunto.
— Qualquer dia eu apareço lá para ver se ela quer jogar mesmo.
Eu nem sabia se realmente iria. Só gostei de ver o sorriso que aquela resposta provocou nele.
Depois que Lucas foi embora, continuei meu caminho sozinho.
Talvez eu recusasse seus convites porque ainda queria fingir que aquela parte de mim tinha ficado para trás. Com mulheres, tudo parecia mais simples. Eu não precisava explicar nada para ninguém, muito menos para mim mesmo.
Na condução, comecei a trocar olhares com uma garota. Ela olhava, eu sorria, ela desviava o rosto e depois olhava novamente. Antigamente, aquilo teria terminado apenas nisso.
Mas eu já não era mais tão tímido.
Começamos a conversar. O nome dela era Amanda. Conversa vai, conversa vem, acabamos nos beijando. Um beijo gostoso e intenso, mão boba vai, mão boba vem, e ela correspondia a tudo.
Meu pau ficou duro dentro da calça. Do jeito que a pegação estava esquentando, parecia que a gente acabaria transando ali mesmo.
Eu queria convencê-la a descer comigo, mas o ponto dela chegou. Ela se despediu e foi embora.
Não pedi telefone, rede social nem qualquer forma de contato.
Foi apenas aquilo.
Um beijo entre duas pessoas que provavelmente nunca mais se encontrariam.
Achei excitante e bizarro ao mesmo tempo.
Durante aquelas férias, situações assim começaram a acontecer com frequência. Eu flertava com praticamente todas as mulheres que demonstravam algum interesse.
Algumas correspondiam. Outras deixavam claro que não queriam nada, e eu seguia minha vida.
O que mais me excitava era quando conhecia duas amigas e conseguia ficar com as duas sem que uma soubesse da outra.
Eu beijava uma em um dia e, pouco tempo depois, estava beijando a amiga dela, imaginando o que aconteceria se as duas descobrissem ou se estivesse com as duas.
Em algumas ocasiões, uma delas sabia, mas fingia que não. Talvez também gostassem daquela pequena sensação de perigo. Talvez soubessem exatamente o que eu estava fazendo e apenas estivessem usando aquilo para se divertir também.
Teve uma vez que fiquei com duas irmãs. Essas sabiam de tudo. Eu beijava uma e mandava chamar a outra. Nesse caso, ficou só nos beijos mesmo, nada de sexo.
Muitas vezes, o que me excitava nem era a mulher em si. Era saber que existia outra história escondida por trás daquela.
Foram as férias em que mais fiquei com mulheres.
Algumas queriam alguma coisa séria.
Eu não queria.
Naquela época, eu dizia que estava apenas aproveitando a vida. Hoje acho que também estava tentando provar alguma coisa para mim mesmo.
Foi durante essas férias que conheci Lívia. Uma baixinha, branquinha e ruiva. Tinha um jeito delicado que contrastava com algumas das mulheres com quem eu vinha saindo.
Saímos algumas vezes antes disso. Lívia falava da faculdade, da família e dos planos que tinha para o futuro. Eu gostava de ouvi-la, mas, naquela fase, quase tudo acabava virando fantasia sexual na minha cabeça. Ela parecia confiar em mim mais do que eu merecia.
Certo dia, levei-a para casa.
Lívia parecia tímida, mas correspondia aos beijos. Aos poucos, a pegação foi esquentando, e comecei a passar a mão nos seios e na bunda dela.
Fui tirando sua roupa bem devagar.
Quando ela ficou nua na minha frente, quase perdi o controle.
O corpo dela era delicado. A bucetinha rosinha, com pelos ruivos, parecia ainda mais bonita do que eu tinha imaginado.
Que tesão.
Já fui tirando minha roupa, querendo penetrá-la na mesma hora.
Foi então que Lívia me segurou e contou que ainda era virgem. Disse que gostava de mim, mas não queria transar naquele momento.
Eu estava com o pau duro e morrendo de vontade de sentir aquela bucetinha apertada, mas respeitei.
Continuei beijando seu corpo. Chupei os seios pequenos, desci pela barriga e abri novamente suas pernas.
Comecei com beijos lentos, passando a língua ao redor antes de tocar diretamente nela.
Lívia se contorcia de vergonha e prazer.
Quando passei a língua por sua bucetinha, ela soltou um gemido baixinho e tentou fechar as pernas.
Eu apertei suas coxas e abri novamente as pernas dela e continuei.
Ela era gostosa demais.
Chupei devagar, sentindo seu gosto, até sua bucetinha ficar completamente molhada. Lívia segurava minha cabeça e rebolava de leve contra minha boca, ainda tentando controlar os gemidos para ninguém ouvir.
Quanto mais ela tentava ficar quieta, mais vontade eu sentia de fazê-la gemer.
Passei a língua por toda ela, chupei seu clitóris e continuei até sentir seu corpo se contrair. Lívia apertou minhas mãos, prendeu a respiração e gozou na minha boca.
Fiquei ali mais alguns segundos, chupando devagar, querendo aproveitar até o último gosto.
Depois de um tempo, ela precisava ir embora, então se vestiu e foi.
Eu fiquei deitado, ainda de pau duro, pensando no corpo delicado, nos pelos ruivos e naquela bucetinha.
O problema era que eu já tinha combinado de encontrar outra mulher naquela tarde.
Naquele momento, nem pensei em cancelar. Pelo contrário. A ideia de receber outra mulher logo depois de Lívia começou a me excitar.
Ela era uma garota com quem eu já havia saído algumas vezes. Entre nós não existia promessa, romantismo nem expectativa de relacionamento. Quando liguei dizendo que estava sozinho e cheio de tesão, ela aceitou aparecer.
Não demorou nem dez minutos.
Ela chegou usando uma roupa simples, mas eu já sabia muito bem o que existia por baixo. Uma negra, um pouco gordinha e deliciosa. Ela gostava de falar sacanagem, não tinha vergonha nenhuma do próprio corpo e sempre chegava sabendo exatamente o que queria. Essa gostava de foder e sabia fazer tudo gostoso. Talvez fosse uma das mulheres mais experientes com quem eu já tinha saído.
Na época, fiz uma coisa que considerei excitante.
Nem fiz questão de me limpar depois que Lívia saiu.
Quando a outra chegou, ainda estava com o gosto da Lívia na boca. Beijei-a daquele jeito, sem contar nada.
Ela não fazia ideia.
Para mim, aquilo fazia parte do segredo.
Enquanto a beijava, pensava que ela estava sentindo o gosto de outra mulher na minha língua. Isso me deixou ainda mais excitado.
Fomos tirando a roupa rapidamente.
Ao contrário de Lívia, ela não queria nenhuma preparação demorada. Abriu as pernas, puxou-me para perto e pediu que eu metesse logo.
Eu ainda estava pensando na ruivinha.
Pensava no corpo branco e delicado enquanto socava com vontade naquela outra mulher. Pensava na bucetinha rosinha enquanto segurava a cintura dela e metia cada vez mais forte.
Ela gemia alto demais.
Parecia querer que todos os vizinhos soubessem que estava sendo comida.
Precisei tapar sua boca.
— Geme baixo, porra.
Ela ria por baixo da minha mão e rebolava com mais força, como se quisesse justamente o contrário.
A ideia de estar com uma mulher ainda carregando o gosto da outra me deixava enlouquecido. Eu metia pensando em Lívia, no que não tinha acontecido e em como seria tirar sua virgindade.
Quando gozei, fiquei parado por alguns segundos, respirando com força.
Eu tinha gozado, mas não tinha tirado Lívia da cabeça.
Nós ainda nos encontramos algumas vezes, mas ela acabou descobrindo que eu saía com outras mulheres.
Não sei exatamente quem contou. Talvez alguém tenha nos visto. Talvez eu mesmo tenha deixado alguma pista. Naquela época, eu já estava acumulando tantas mulheres e tantos segredos que começava a ficar difícil lembrar o que tinha contado para cada uma.
— Eu fui só mais uma para você? — ela perguntou.
Respondi que nunca tinha prometido exclusividade.
— Talvez não — ela disse. — Mas você também nunca deixou claro que estava saindo com várias ao mesmo tempo. Deixou que eu acreditasse que comigo era diferente.
Eu não respondi. No fundo, sabia que ela tinha razão.
— Você deixaria as outras para ficar apenas comigo?
Eu poderia ter mentido.
Naquela fase, mentir já estava começando a ficar fácil para mim.
Mas disse que não queria ficar com uma só.
Ela então disse que não queria mais me ver.
Fiquei chateado, mas não corri atrás. Naquela época, meu orgulho falava mais alto do que qualquer sentimento.
Pensei principalmente que tinha perdido a oportunidade de transar com ela. Não parava de lembrar do corpo delicado, dos gemidos baixos, do gosto dela e de tudo o que ainda queria fazer.
Ficava imaginando como seria penetrá-la pela primeira vez.
Como seria meter naquela bucetinha e, quem sabe, no cuzinho.
Como ela gemeria.
Como olharia para mim depois.
Hoje percebo que o que perdi não foi apenas uma possibilidade de sexo.
Lívia tinha confiado em mim.
Eu, por outro lado, estava tão preocupado em recuperar o tempo perdido que comecei a enxergar as pessoas como histórias para acumular.
Anos depois, encontrei-a por acaso.
Lívia caminhava de mãos dadas com outro rapaz. Passou perto de mim sem demonstrar qualquer sinal de reconhecimento.
Talvez realmente não tenha me reconhecido.
Talvez apenas tenha fingido.
Meu primeiro pensamento foi vulgar.
Olhei para os dois juntos e pensei:
"Ele deve estar fodendo gostoso aquela bucetinha rosa."
Imaginei Lívia nua, abrindo as pernas para ele e gemendo daquele mesmo jeito baixinho.
Senti ciúme e tesão ao mesmo tempo.
Depois fiquei me perguntando por que aquela ainda era minha primeira reação.
Eu havia mudado bastante desde os tempos em que era virgem e tímido.
Mas talvez não tivesse amadurecido na mesma velocidade.
Aquelas tinham sido as férias em que mais acumulei histórias.
Também foram as férias em que comecei a perceber que todo segredo acaba deixando alguma coisa para trás.
