Acreditei, com toda a pureza do meu coração, que a minha missão nessa vida era ser freira. Desde a adolescência, o véu e o hábito me pareciam o único caminho possível. Não havia malícia em mim. Não havia segundas intenções com nenhum homem. Muito menos com uma mulher. O corpo era apenas um vaso sagrado, feito para rezar, trabalhar e se oferecer a Deus. O desejo era uma palavra que eu mal compreendia, algo distante, quase inexistente.
No dia em que atravessei os portões do convento, o silêncio me acolheu como um abraço. A madre superiora me recebeu com um olhar calmo, quase maternal. Seus olhos escuros pareciam profundos demais para a idade que ela aparentava. A voz era baixa, firme, e cada palavra ecoava com uma autoridade suave que me fazia baixar a cabeça em respeito.
— Bem-vinda, filha — disse ela, tocando levemente meu ombro. O contato foi breve, mas o calor da mão dela atravessou o tecido do meu hábito e ficou gravado na pele.
Nos primeiros dias, tudo era rotina: orações, trabalhos domésticos, silêncio. Eu me dedicava com fervor. Mas a madre tinha o hábito de me chamar para conversas particulares no final da tarde, no pequeno escritório cheio de livros antigos e cheiro de incenso. Ela me fazia sentar perto dela, às vezes tão perto que nossos joelhos se tocavam sob a mesa.
— Você é muito jovem ainda — murmurou um dia, enquanto minha mão tremia ligeiramente ao virar as páginas de um livro de orações. — O corpo também precisa aprender a escutar.
Eu não entendia. Baixava os olhos, envergonhada, sentindo um calor estranho subir pelo pescoço. Ela sorria de leve, como quem guarda um segredo.
As semanas passaram. As conversas se alongavam. A madre começava a desfazer o véu depois das orações noturnas, deixando os cabelos escuros soltos sobre os ombros. Um dia, enquanto me ajudava a arrumar o altar, seus dedos deslizaram pela minha nuca, sob o véu, num gesto que parecia inocente… e não era.
— A pele responde, não responde? — perguntou baixinho, tão perto que o hálito quente tocou minha orelha.
Eu engoli em seco. O coração batia forte demais. Não sabia o que responder. Apenas balancei a cabeça, confusa, sentindo um formigamento entre as pernas que nunca havia sentido antes.
Ela não acelerou. Foi devagar. Dia após dia. Um toque mais demorado no braço. Um olhar que demorava nos meus lábios quando eu rezava. Uma noite, chamou-me ao quarto dela sob o pretexto de conversar sobre minha vocação. A porta se fechou com um clique suave. O quarto era simples: uma cama estreita, um crucifixo na parede, a luz de uma vela tremulando.
— Tire o véu — ordenou, com a mesma voz firme das missas.
Obedeci. Os cabelos caíram soltos. Ela se aproximou, desfez o hábito com dedos experientes, peça por peça, até eu ficar apenas de camisola fina. O frio da noite tocou minha pele descoberta. Eu tremia, não de frio.
— Você nunca foi tocada — afirmou, mais do que perguntou.
— Nunca, madre…
Ela se ajoelhou na minha frente, as mãos subindo pelas minhas coxas, abrindo-as com gentileza. O hábito dela raspava contra minha pele. Quando a boca quente tocou o tecido da minha calcinha, um gemido escapou de mim, baixo, assustado. Eu não sabia o que era aquilo. Só sabia que o corpo inteiro ardia.
Nas noites seguintes, a sedução se aprofundou. Ela me ensinou a beijar. A língua dela deslizava lenta, paciente, ensinando a minha a responder. As mãos exploravam meus seios, apertando os mamilos até eu arquear as costas. Eu ainda tentava rezar mentalmente, mas as orações se desfaziam em suspiros.
Foi numa madrugada silenciosa que ela me mostrou o que eu nunca imaginei. Depois de me despir completamente, a madre tirou o próprio hábito. O corpo dela era maduro, curvas firmes, seios pesados, a pele pálida sob a luz da vela. Ela me deitou na cama estreita e se posicionou sobre mim, abrindo minhas pernas com as próprias.
— Assim — sussurrou, a voz rouca de desejo. — Sinta.
Ela encaixou o sexo dela contra o meu. A pele molhada se encontrou. O calor foi imediato, intenso. Ela começou a se mover, devagar no início, o clitóris dela esfregando o meu em círculos lentos, precisos. O atrito era úmido, quente, cada movimento enviando ondas de prazer que eu não sabia nomear.
Eu gemia, as mãos agarradas aos lençóis. A inocência se quebrava a cada esfregada. O cheiro de sexo se misturava ao de incenso. Ela acelerou o ritmo, os quadris girando, pressionando mais forte. Nossos fluidos se misturavam, o som molhado preenchendo o quarto. Eu empurrava de volta, instintiva, buscando mais daquele atrito delicioso.
— Isso… assim… — ela ofegava, os seios balançando sobre os meus. — Sinta como a vida é completa, filha.
O orgasmo veio como uma onda que me tirou o ar. O corpo inteiro tremeu, as coxas se fechando contra as dela, o prazer irradiando do centro até a ponta dos dedos. Ela não parou. Continuou esfregando, mais rápido, mais urgente, até gozar também, o corpo rígido sobre o meu, um gemido longo e profundo escapando dos lábios.
Depois, ela me beijou com ternura, limpando o suor da minha testa.
— A vida é muito mais complexa… e muito mais completa do que a gente imagina.
Eu ainda tremia, a inocência em frangalhos, o corpo marcado pelo prazer que ela havia despertado. E, pela primeira vez, não me arrependi.