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Metamorfose da prisão: O Altar de Carne

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Da série Eterna prisão
Um conto erótico de Ellie
Categoria: Trans
Contém 4917 palavras
Data: 29/07/2026 06:25:10

Elias não caminhava, ele desfilava. Antes daquela noite fatídica, o mundo era o seu playground particular, um palco onde ele era o protagonista absoluto sob as luzes da alta sociedade. Aos 19 anos, ele possuía o tipo de beleza que parava o trânsito e abria as portas VIP das boates mais exclusivas da capital sem que precisasse dizer uma única palavra. Ele era a definição viva do termo "playboy": a pele era de um branco leitoso, quase translúcido, sem uma única mancha, cravo ou cicatriz, mantida sob o rigor de tratamentos dermatológicos semanais e cremes importados de Paris que custavam o salário mensal de um trabalhador comum. Seus olhos eram o seu maior trunfo — duas esmeraldas vibrantes e límpidas, tão intensas que pareciam irreais sob o sol, emolduradas por cílios longos, negros e naturalmente curvados que lhe conferiam um ar de inocência perversa, um convite silencioso ao pecado que ele sabia manipular com maestria.

Mas o que realmente o distinguia, o que era a sua marca registrada e o objeto de desejo em todos os círculos sociais, era o seu cabelo. Uma cascata de cachos negros, densos e brilhantes como obsidiana, que caíam perfeitamente até a altura dos ombros. Cada fio parecia ter sido esculpido individualmente por um artista renascentista; exalavam um perfume caro, uma mistura de sândalo, âmbar e baunilha que ele usava estrategicamente para seduzir e marcar território. Elias vivia entre lençóis de cetim de mil fios, carros esportivos que roncavam como feras domesticadas e a adoração cega de uma legião de seguidores que daria tudo por um segundo de sua atenção. Ele nunca soubera o significado da palavra "não" ou do esforço físico, até que o desejo de posse de sua ex-namorada se transformou em um veneno vingativo. Uma acusação falsa de estupro, sustentada por provas forjadas com o dinheiro da família dela e a influência de advogados caros, foi o suficiente para arrancar o "príncipe" do seu trono e jogá-lo no abismo úmido e fétido do Pavilhão 3.

Agora, o perfume de sândalo fora substituído pelo bafio asfixiante de amoníaco, suor rançoso, fezes acumuladas e o medo que exalava dos poros de centenas de homens amontoados. O som das trancas metálicas ecoava pelos corredores de concreto como o disparo de uma execução em massa. Elias foi empurrado para a "Masmorra", uma cela isolada nos fundos do bloco onde as câmeras estavam convenientemente cegas e a lei dos homens era substituída pela lei da selva. Trator, uma massa disforme de 120kg de pura brutalidade, músculos e cicatrizes de facadas antigas, o aguardava com um sorriso que não chegava aos olhos frios. O gigante agarrou o rosto de Elias com uma mão que fedia a fumo de rolo e desespero, apertando suas bochechas com tanta força que os lábios rosados do jovem se deformaram em uma careta de dor muda.

— O herdeiro chegou — zombou Trator, revelando dentes amarelados e falhados em uma gargalhada gutural. — Você tem pele de mulher, playboy. E olhos que dão vontade de estragar da forma mais suja que a mente humana pode conceber. Vamos ver do que essa esmeralda é feita.

Elias foi erguido do chão por quatro pares de mãos calejadas e violentas. Seus braços de tenista, definidos mas delicados, foram puxados para o alto até que suas articulações estalassem em protesto. Usando lençóis cinzas, encardidos e impregnados com o cheiro de morte e sémen de outros presos, eles o amarraram firmemente às grades superiores da cela. Ele ficou suspenso, apenas as pontas dos pés roçando o cimento frio e úmido, os músculos das panturrilhas tremendo de exaustão instantânea. Com um movimento violento, Trator rasgou sua camisa de linho italiano feita sob medida; os botões de madrepérola saltaram e ricochetearam nas paredes como granizo. Suas calças de grife foram arrancadas logo depois, deixando-o completamente nu perante a horda. Ele parecia uma estátua de mármore de um deus grego esquecida em um lixão de carne humana, uma pureza que implorava para ser maculada.

— O cabelo... vamos raspar essa vaidade pra ele aprender o lugar dele — sugeriu um detento magro e sádico, exibindo uma lâmina de barbear enferrujada.

Trator rosnou, cravando os dedos grossos nos cachos sedosos de Elias com uma posse maníaca. — Não. O cabelo fica intocado por ordem minha. É a única coisa que vai sobrar do que ele era. Vai ser a moldura da minha Boneca. Quero que ele sinta o peso dessa crina chicoteando as costas enquanto a gente cavalga nele até ele perder o juízo.

O batismo começou com o impacto seco da posse absoluta, uma aniquilação da masculinidade de Elias em segundos. Trator posicionou-se atrás dele, uma muralha de calor e odor corporal ácido. Sem qualquer aviso, lubrificação ou misericórdia, o gigante forçou a entrada, buscando o domínio total. Elias soltou um grito visceral que foi abafado pelas paredes de pedra fria, uma dor lancinante que parecia rasgar sua espinha ao meio, como se um ferro em brasa estivesse atravessando suas entranhas. Ele balançava freneticamente nas cordas, os pulsos em carne viva pelo atrito desesperado, enquanto Trator o usava com uma fúria primitiva. Elias sentia cada centímetro daquele pênis massivo e indomável rasgar o seu ânus até então intocável; o garoto que vivia de festas e champanhe sentia ali a sua masculinidade ser reduzida a pó. O pênis de Trator parecia não ter fim, empurrando-o contra as grades enquanto o gigante vibrava ao sentir o esfíncter do menino abraçar seu membro com o espasmo do choque. Quando Elias sentiu em seu corpo os pelos duros e o suor pesado do detento, ele acreditou que não podia piorar. Mas Trator, sem qualquer cuidado, começou a bombar freneticamente. Elias gritava de dor, mas os guardas passavam pelo corredor rindo; ele havia sido entregue ali exatamente para esse fim. Trator o destruiu física e psicologicamente por o que pareceu horas de agonia pura, até que o pênis dentro de si inchou e despejou um jato quente e fétido no fundo de suas entranhas. Elias achou que havia acabado, mas aquele era apenas o prólogo do seu longo dia de tortura.

— Agora, soltem a cadela para os outros se divertirem — ordenou Trator, bufando como um animal satisfeito, mas ainda faminto por humilhação.

As cordas foram cortadas bruscamente. Elias desabou no chão de cimento, colidindo com o joelho no chão duro, mas antes que seus pulmões pudessem sugar o ar fétido da masmorra, ele foi agarrado pelos longos cachos negros e forçado a ficar de quatro, na posição de uma fera submissa. Trator sentou-se em um banco improvisado à sua frente, exibindo-se, enquanto uma fila de detentos se formava na penumbra da cela. Seus olhos eram famintos e seus dentes estavam à mostra em sorrisos predatórios, uma matilha esperando para devorar o que restara da presa.

A humilhação total tornou-se um espetáculo de uso múltiplo, um circo de horrores biológico. Enquanto Trator segurava a cabeça de Elias pelos cachos como se fossem rédeas de um animal de carga, forçando-o a servi-lo oralmente com movimentos bruscos que o faziam engasgar e vomitar bile, outro preso — um homem fétido com hálito de carniça e dentes podres — o violava por trás com a mesma falta de piedade. Elias sentia-se um objeto oco, um receptáculo descartável para o sadismo coletivo de uma classe que ele sempre desprezara do alto de sua cobertura. O gosto metálico do sangue de seus lábios cortados e da gengiva ferida misturava-se ao calor salgado e viscoso dos fluidos dos agressores na frente, enquanto o fogo da dor dilacerante consumia seu ânus atrás em uma sucessão interminável de invasões.

Ao redor dele, a cela explodiu em uma celebração macabra. Os presos batiam canecas de alumínio nas grades ritmicamente, criando um som tribal, metálico e ensurdecedor que abafava seus soluços e súplicas por misericórdia. Eles assobiavam, gritavam insultos sobre sua origem rica, sobre sua herança e riam da agonia nos olhos verdes da "Rapunzel" que agora estavam inundados de lágrimas e fluídos.

— Olha como a Boneca chora esmeraldas de dor! — gritava um detento, masturbando-se freneticamente enquanto esperava sua vez na fila da carne. — Rebola essa raba de playboy pra nós, mostra o que você aprendeu nas festinhas da elite!

Um por um, eles se revezavam sem pausa, sem dar tempo para ele sequer fechar as pernas ou limpar o rosto. Elias sentia a alternância de corpos: uns frios e rápidos, outros quentes, pesados e lentos que pareciam querer esmagar seus ossos, mas todos carregados de um ódio de classe transformado em desejo sádico e violento. Ele sentia mãos brutas apertando seus mamilos até ficarem roxos e inchados, mordidas que arrancavam pedaços de pele de seus ombros e o peso constante da degradação absoluta. A dor física tornou-se um ruído de fundo, uma vibração constante e insuportável diante do colapso mental iminente. Elias tentava desesperadamente fugir para as memórias de sua vida de luxo, das festas ao pôr do sol em lanchas na marina, do toque suave de mulheres perfumadas, mas cada puxão violento em seu cabelo, cada tapa no rosto e cada nova entrada o trazia de volta ao pesadelo de concreto e sangue.

Ele perdeu a noção de quantos homens passaram por ele; dez, vinte, a contagem perdeu o sentido. O tempo dilatou-se, transformando minutos em séculos de tortura sistemática. O chão de cimento estava agora manchado de fluidos, suor, urina e sangue. A consciência de Elias começou a apagar, uma defesa misericordiosa do cérebro que se recusava a processar tamanha atrocidade; ele já não era mais uma pessoa com nome, CPF e história, era apenas um orifício, um pedaço de carne que existia para o descarte sádico daqueles monstros. Seus olhos verdes ficaram fixos no chão, opacos e vazios de qualquer brilho de vida, olhando para o nada enquanto ele desfalecia entre as pernas de um desconhecido, seu espírito finalmente quebrado, sua dignidade transformada em lama.

Trator ajoelhou-se ao lado da figura quebrada, trêmula e sangrenta, segurando uma seringa velha e reutilizada com uma agulha grossa, cheia de um líquido amarelado e turvo — um "coquetel" clandestino de hormônios veterinários, estrogênio puro e óleo mineral.

— O batismo de carne acabou, Boneca. Agora você é barro na minha mão — disse Trator, com uma voz carregada de uma promessa sombria e possessiva, cravando a agulha sem qualquer cuidado diretamente na nádega de Elias, que mal reagiu ao novo furo. — Agora, a gente vai começar a esculpir o que sobrou desse corpo de macho. Amanhã, você vai acordar sentindo seus mamilos queimarem como brasa, a sua pele vai começar a implorar por carinho... e não vai demorar muito pra esses quadris de playboy começarem a saltar pra fora. Vou te transformar em algo que ninguém lá fora vai reconhecer, e nem você vai querer lembrar que um dia foi homem.

Elias fechou os olhos pela última vez como homem, sentindo o veneno entrar em seu sistema como lava ardente que buscava cada glândula e cada célula, enquanto o som metálico, frio e definitivo da tranca selava sua sentença de cinco anos no abismo da feminilização forçada.

A primeira semana de Elias no Pavilhão 3 não foi medida pelo curso natural do sol ou das estrelas, mas por uma sucessão interminável e rítmica de ciclos de náusea profunda, espasmos de dor lancinante e o sabor persistente, quase indestrutível, de ferro, suor e humilhação. O tempo, que outrora era uma sucessão elegante de compromissos sociais, viagens de primeira classe e prazeres caros, tornou-se uma névoa espessa, cinzenta e pegajosa que parecia grudar nas paredes da cela e na sua própria alma. Essa realidade era pontuada apenas pelo estalido metálico e frio da grade abrindo e o comando áspero, gutural e soberano de Trator para que a "Boneca" se posicionasse. Elias não era levado para o banho de sol, para o refeitório ou para as visitas protocolares; ele fora privatizado de forma absoluta e cruel. Sua existência estava restrita ao fundo da cela, um espaço de dois metros quadrados que cheirava a mofo ancestral, fluidos corporais secos e ao desinfetante barato que mal conseguia mascarar a podridão humana latente. Ali, ele vivia de joelhos, com os pulsos permanentemente atados por cordas de nylon ásperas que já haviam criado sulcos profundos, purulentos e avermelhados em sua pele de mármore, forçando-o a uma postura de submissão eterna que destruía suas vértebras, sua postura de herdeiro e, por fim, sua dignidade.

A mente de Elias começou a fragmentar-se sob o peso de uma rotina que não oferecia um segundo sequer de trégua. Ele passou a dissociar com uma frequência assustadora, observando a si mesmo do teto da cela como se fosse um espectador passivo de um filme de horror gore. Ele via aquele rapaz de cachos negros e olhos de esmeralda, que outrora fora o centro gravitacional das atenções, ser reduzido a um mero móvel biológico, uma ferramenta de alívio para homens que ele sequer ousaria olhar no mundo lá fora. A dieta de Elias era uma paródia grotesca da nutrição: restos de quentinha fria, azeda e gordurosa, misturados à humilhação oral que se tornara sua principal função e razão de existir naquele ecossistema predatório. Ele era usado como um receptáculo humano, um objeto inanimado destinado a "limpar" os detentos que pagavam a Trator em maços de cigarro, cartões telefônicos ou drogas pesadas para terem cinco minutos de prazer brutal e sem limites com a "Rapunzel".

O sabor do desprezo era a sua única dieta constante e confiável. Seus lábios rosados, antes acostumados a vinhos de safras premiadas servidos em taças de cristal e ao toque de mulheres perfumadas, agora estavam permanentemente inchados, rachados e manchados pelo uso incessante e violento de uma fila de homens que não viam nele nada além de um buraco. Ele aprendera a técnica da "anestesia emocional": fechar os olhos e imaginar que era um manequim de plástico em uma vitrine fria, sentindo apenas o calor incômodo, o empuxo bruto das mãos dos agressores em sua nuca e o sufocamento constante enquanto sua garganta era explorada com sadismo. Cada vez que um preso terminava, Elias era forçado por Trator a "limpar" cada vestígio com a língua, um ritual de submissão animal que visava apagar sistematicamente qualquer resquício de orgulho que ainda pudesse restar em sua alma de herdeiro. Os sentimentos de asco eram tão profundos que ele já não conseguia mais vomitar; seu estômago aprendera a aceitar a degradação como o único combustível disponível para manter seu coração batendo.

No terceiro dia, os efeitos do "coquetel" clandestino injetado por Trator começaram a manifestar-se de forma agressiva e alienígena, traindo Elias por dentro. Ele acordava com febres intermitentes que faziam seus dentes baterem como castanholas e uma sensibilidade doentia, quase elétrica, nos mamilos. A pele das aréolas, antes pequenas e discretas, começou a escurecer para um tom rosado profundo e a expandir-se, latejando a cada batida do seu coração, como se estivessem tentando brotar da carne. Qualquer roçar da camisa rasgada contra o peito enviava ondas de um prazer doloroso, confuso e humilhante que o fazia soluçar de vergonha; era como se seu corpo estivesse sendo reconfigurado contra sua vontade, desenvolvendo uma biologia de fêmea sob uma estrutura de macho que se tornava mais macia a cada hora. Seus músculos, outrora sua maior vaidade de playboy, pareciam estar a derreter, transformando-se em uma massa gelatinosa, enquanto uma gordura indesejada começava a depositar-se silenciosamente em suas coxas e nádegas. Ele sentia seus quadris mais largos ao roçar no chão da cela, sua pele mais sensível ao toque, e cada nova carícia bruta de um preso o fazia odiar ainda mais o fato de que seu corpo começava a reagir quimicamente aos abusos, traindo seu ódio com arrepios involuntários.

Trator deleitava-se com cada gemido de confusão existencial de sua "Boneca". Todas as manhãs, ele desamarrava os pulsos de Elias apenas para forçá-lo a uma nova rodada de hormônios sádicos, administrados com um requinte de crueldade. A administração agora era feita misturando pílulas esmagadas em uma caneca de água suja ou, por vezes, em misturas ainda mais degradantes que Trator o obrigava a sorver de joelhos. — Bebe tudo, minha Boneca. Quero que você sinta o meu domínio descendo pela sua garganta enquanto o veneno vira curva no seu rabo — rosnava o gigante, segurando-o pela nuca e forçando o líquido goela abaixo até Elias engasgar. — Você está ficando macia e cheirosa, Rapunzel. O cheiro de macho e de testosterona está sumindo de você. Agora você cheira a cio, medo e submissão. Exatamente como eu planejei.

Os momentos exclusivos com Trator eram os mais aterradores e psicologicamente devastadores. Não era apenas a violência sexual bruta, mas a posse psicológica obsessiva que o gigante exercia. Trator passava horas penteando os cachos negros de Elias com um pente de plástico cujos dentes faltavam, puxando-os com força proposital para arrancar lágrimas que ele depois secava com beijos babados. Elias permanecia imóvel, com a cabeça apoiada no joelho suado e calejado de Trator, em uma paródia macabra de afeto doméstico que o enojava profundamente. Se ele se movesse ou se os soluços ficassem muito altos, o "carinho" era substituído instantaneamente pelo punho fechado ou por queimaduras de cigarro nas coxas que deixavam marcas circulares e escuras. Elias aprendeu a chorar em silêncio absoluto, as lágrimas escorrendo por entre os fios de cabelo e sumindo no chão de cimento poeirento. Ele começava a sentir, para seu próprio horror, uma dependência doentia daquele toque; na ausência de qualquer outra presença humana que não fosse para usá-lo como um pedaço de carne, a mão bruta e possessiva de Trator era a única coisa que confirmava que ele ainda possuía uma existência física, mesmo que fosse a de um brinquedo quebrado e vilipendiado.

Ao final da primeira semana, a despersonalização estava quase completa, como se a alma de Elias tivesse sido arrancada e substituída por uma substância maleável. Ele já não respondia mentalmente pelo próprio nome; o som de "Elias" parecia pertencer a um fantasma de uma vida passada que morrera no momento em que a tranca do Pavilhão 3 se fechou pela primeira vez. Ele atendia instantaneamente ao estalar de dedos de Trator ou ao apelido de "Rapunzel", sentindo o peso da cabeleira como um lembrete constante de sua servidão. Ele já não se lembrava da sensação de estar de pé com a coluna ereta, desafiando o mundo; seus joelhos estavam cobertos de crostas de feridas, pus e cicatrizes escuras por viverem em contato ininterrupto com o chão áspero. Ele era a Boneca da cela, o alívio de Trator, o objeto dos outros e a sombra de si mesmo. Seus olhos verdes, antes brilhantes e arrogantes, agora eram poços de vazio absoluto que refletiam apenas a escuridão da cela e a sua própria rendição ao inevitável.

Na oitava noite, o clima na cela mudou drasticamente, adquirindo uma solenidade ritualística e sombria. Trator não trouxe clientes, nem canecas com hormônios. Ele trouxe um kit de tatuagem artesanal feito com um motor de toca-fitas e agulhas de costura presas a uma caneta, exalando um cheiro forte e penetrante de tinta nanquim e álcool de limpeza. — Você está ficando bonita demais, Boneca, mas as pessoas lá fora ainda poderiam ver um homem se olhassem rápido demais para esse seu rosto — disse Trator, puxando Elias pelos longos cabelos e virando suas costas nuas para a luz fraca da lâmpada fluorescente. — Está na hora de colocar a minha marca definitiva em você. Vou cobrir essas suas costas de playboy com o meu nome e o símbolo da minha facção. Você vai ser um outdoor da minha posse... e eu vou começar pelo seu pescoço, pra todo mundo saber de quem é essa cadela quando você estiver de joelhos.

Elias sentiu o primeiro toque da agulha vibratória perfurando a pele sensível da nuca, e o som do motorzinho tornou-se a trilha sonora da sua marca definitiva de propriedade, enquanto a primeira letra do nome de Trator era cravada em sua carne para nunca mais sair, marcando o fim de qualquer esperança de retorno à vida que um dia ele chamara de sua.

A oitava noite no Pavilhão 3 não trouxe o silêncio pesado e opressivo de costume, mas sim o zumbido elétrico, agudo e insistente de uma agulha que parecia perfurar não apenas as camadas da derme, mas o próprio âmago do que restava da alma estilhaçada de Elias. Trator não se contentara com o amadorismo rudimentar das tintas de caneta e agulhas de costura amarradas com barbante; ele conseguira, através de uma rede complexa de subornos, cigarros e favores sexuais prometidos, que um tatuador profissional recentemente condenado — um homem cujas mãos antes decoravam celebridades e agora serviam ao crime — fosse transferido para a sua cela naquela noite. O homem trouxe consigo o seu "ganha-pão" clandestino: uma máquina rotativa contrabandeada, alimentada por uma bateria de rádio, que brilhava com um reflexo sinistro e metálico sob a luz mortiça, amarelada e oscilante da única lâmpada fluorescente do teto.

Elias, o antigo príncipe da elite paulistana, cujas maiores preocupações eram a marca do champanhe ou o destino do próximo cruzeiro, estava agora amordaçado com uma tira de lençol imunda, áspera e fétida, prensado contra o chão de cimento úmido e gélido enquanto o seu pescoço era oferecido como um sacrifício ritualístico num altar de concreto. A palavra "PROPRIEDADE" começou a ser desenhada em letras góticas, densas, negras e grosseiras, circulando a sua garganta como uma coleira de tinta indelével. A cada picada, Elias sentia o peso daquela palavra se tornando parte de sua anatomia, uma âncora que o prendia permanentemente ao fundo da hierarquia carcerária.

A dor durante a sessão era uma labareda constante, vibratória e implacável que consumia qualquer resquício de resistência ou orgulho. Sem qualquer tipo de anestesia, antisséptico ou pingo de misericórdia humana, cada incursão da agulha de calibre grosso, movida a milhares de rotações por minuto, parecia um corte de bisturi incandescente rasgando as camadas de uma dignidade que já estava em frangalhos. Elias gritava através da mordaça, um som abafado, gutural, úmido e desesperado que reverberava pelas paredes frias, descascadas e indiferentes da cela. As lágrimas quentes lavavam o seu rosto de porcelana, limpando caminhos na sujeira da cela, apenas para se misturarem ao sangue vivo que escorria pelo seu pescoço em fios viscosos que manchavam o chão de cinza.

Enquanto a agulha dilacerava a sua pele pálida e sensível, Trator mantinha uma mão possessiva, pesada, suada e cheia de calos sobre a sua cabeça, penteando os seus longos, densos e sedosos cachos negros com um óleo aromático barato e sintético que fedia a cravo, sebo e desespero. Era um contraste macabro, doentio e quase poético em sua crueldade: o carinho obsessivo e delicado com o cabelo, que Trator via como o símbolo da feminilidade de sua Boneca, e a tortura metódica, carniceira e desumana da carne. Elias sentia a sua masculinidade esvair-se a cada letra cravada; o homem chamado Elias estava a morrer em meio a espasmos de agonia pura, e em seu lugar, a "Boneca" estava a ser oficialmente batizada com sangue, nanquim e trauma.

— Olha só para este desenho, minha preciosa Rapunzel — sussurrava Trator, com o hálito quente carregado de tabaco barato e uma satisfação predatória contra o ouvido de Elias, que tremia incontrolavelmente. — Vai ser a coisa mais linda e valiosa deste pavilhão. Um tigre de força para te proteger dos outros, mas com o toque suave de uma fêmea para me servir em silêncio. Faz tudo de uma vez, não para nem por um segundo! Se ele apagar, acorda-o com água ou no soco! — ordenou ele ao tatuador, cujos olhos estavam fixos apenas no trabalho, ignorando olimpicamente o estado deplorável e o sofrimento do jovem sob suas mãos.

A sessão estendeu-se por dez horas excruciantes de um massacre estético e psicológico. O corpo de Elias entrou em estado de choque neurogênico; ele sofria espasmos violentos e involuntários que faziam os seus membros ricochetearem contra o cimento duro, obrigando Trator a sentar-se sobre as suas pernas com os seus 120kg de músculo e gordura para o imobilizar brutalmente, esmagando-o contra o chão. Por diversas vezes, o mundo de Elias escureceu completamente e ele desmaiou, o cérebro desligando por puro instinto de preservação diante da sobrecarga sensorial insuportável. Mas Trator não permitia o refúgio misericordioso do esquecimento; trazia-o de volta à realidade imediata com tapas brutos no rosto, puxões de cabelo que quase arrancavam o couro cabeludo ou despejando canecas de água suja diretamente nos seus olhos abertos e arregalados de pavor. Nas poucas vezes em que Elias conseguia focar a visão entre um desmaio e outro, ele via o rosto de Trator inclinado sobre si, exibindo um sorriso sádico, maníaco, vitorioso e quase apaixonado em sua loucura. Os olhos do gigante brilhavam com o prazer puro e destilado de quem esculpe uma obra-prima de sofrimento, deleitando-se com a submissão total, física e espiritual, da sua presa favorita.

A tatuagem expandia-se pelas suas costas com uma rapidez cruel e uma técnica impecável, seguindo o design de um tigre majestoso e feroz, mas com modificações que visavam a sua feminização total, irrevogável e pública. Onde na imagem original e na tradição marcial deveriam brilhar tons de vermelho agressivo, carmesim e marcial, o tatuador, seguindo ordens estritas e ameaças de Trator, aplicava uma tinta rosa vibrante, provocativa, quase neon e profundamente sugestiva. As escamas das serpentes que se entrelaçavam com o felino, simbolizando a traição da qual Elias fora vítima, e as folhas de ácer que caíam ao redor como se estivessem em chamas, foram todas preenchidas com esse tom de rosa choque. Isso transformava o que deveria ser uma marca de guerra e respeito num ornamento delicado, exótico, sexualizado e profundamente humilhante.

A pele de Elias, antes pura como leite, tratada com os melhores produtos do mercado e exibida em praias europeias, estava agora transformada num outdoor de posse permanente e irremediável. O contraste do rosa berrante e artificial contra a sua pele pálida, ferida e agora inchada era um grito visual constante de que ele agora era apenas um objeto de decoração viva, uma propriedade que podia ser marcada a ferro e fogo. Cada traço de tinta rosa que penetrava em suas costas era como um prego em seu caixão de homem; ele sentia a própria biologia sendo renegada, substituída por uma estética de servidão que Trator planejava com um detalhismo doentio.

Quando a última agulhada finalmente cessou, já sob a luz pálida da madrugada que se infiltrava pelas frestas, Elias era apenas um monte de carne trêmula, febril, coberta de fluidos e sem qualquer vontade própria. O tatuador limpou o sangue coagulado e o excesso de tinta rosa com um pano áspero embebido em álcool puro, o que arrancou o último grito rouco, agônico e lancinante do jovem antes de ele apagar definitivamente, com o sistema nervoso em colapso. Trator, satisfeito com o seu novo troféu de pele e sangue, jogou-o num canto da cela sobre um colchonete fino, encardido e fedorento, como se descartasse uma boneca de pano velha após uma brincadeira particularmente violenta.

Os dias que se seguiram trouxeram uma estranha, inquietante, pesada e perturbadora paz para Elias. Por ordem expressa de Trator, que queria que a "obra" ficasse perfeita para a exibição, Elias foi deixado de lado para a cicatrização da imensa e inflamada ferida colorida que agora eram as suas costas e o seu pescoço. Pela primeira vez desde que pisara naquele inferno, ele não foi usado por outros homens por cigarros, nem forçado a servir de joelhos durante horas a fio. O "descanso" era, na verdade, uma agonia silenciosa, solitária e introspectiva: o seu corpo ardia em febre alta, uma resposta imunológica ao trauma maciço e à tinta, enquanto a pele tatuada repuxava, secava e latejava como se estivesse permanentemente sob brasas vivas.

O simples ato de respirar fundo, expandir o tórax ou engolir saliva era um tormento que o fazia lacrimejar em silêncio. A crosta que se formava sobre o tigre rosa coçava e queimava, mas Elias estava proibido de tocá-la. Ele passava as horas em posição fetal, encarando a parede nua de concreto cinzento, sentindo a tinta rosa secar e selar permanentemente o seu destino como objeto. O isolamento forçado permitiu que ele processasse a extensão de sua queda; não havia mais volta. O homem que ele fora estava agora enterrado sob camadas de pigmento rosa; ele agora era, por dentro e por fora, a Propriedade de Trator,

Enquanto a última crosta da tatuagem rosa caía, revelando o tigre brilhante sobre a sua pele marcada, Trator aproximou-se com uma nova seringa, maior e mais carregada do que as anteriores. Ele não trazia comida ou água, apenas o agente químico da sua aniquilação final. — Acabou o tempo de cura, Boneca. Agora que a pintura está seca, vamos focar no que interessa de verdade para que o conjunto da obra fique harmonioso. — Ele segurou o queixo de Elias com uma força brutal, forçando-o a olhar para o seu sorriso predatório. — Daqui para a frente, o veneno vai ser diário, em doses duplas. Quero ver este peito de playboy a saltar e os teus braços a murcharem até não conseguires levantar uma colher sem tremer. A diversão a sério começa agora, e eu quero que tu sintas cada fibra do teu corpo a transformar-se naquilo que eu decidi que tu serias.

Elias não sabia, mas aquele seria o último dia em que sentiria o peso e a autonomia dos seus próprios músculos, antes de o estrogénio começar a sua lenta, metódica e dolorosa colheita de seis meses, transformando o seu vigor em vulnerabilidade e o seu grito em um suspiro de submissão total.

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Foto de perfil de Sayuri MendesSayuri MendesContos: 133Seguidores: 79Seguindo: 5Mensagem uma pessoa hoje sem genero, estou terminando medicina e resolvi contar a minha vida e como cheguei aqui, me tornei que sou depois de minhas experiencias, um ser simplismente inrrotulavel

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