Cinthia tentou disfarçar, mas uma lágrima desceu pelos seus olhos. Tentou sorrir, mas o sorriso falhou.
- O que foi, meu amor, alguém lhe fez mal? – interpelei-a.
- Não, miga, não é nada disso. Desculpa. Não queria estragar a noite.
- Você nunca estraga nada, Cínthia, fala com a gente – reagiu André.
- Nada, gente, deixa, já passa. É que...
Cínthia não completou a frase, baixou os olhos constrangida.
- Vamos lá em casa, Cínthia - propôs André, já chamando o garçom para pedir a conta.
Enquanto isso, abracei minha amiga, que se aninhou no meu ombro.
Pagamos a conta e fomos para o apartamento do Demônio. Lá chegando, André abriu uma cerveja e Cínthia bebeu um gole com um semblante triste.
- Você quer nos dizer o que está acontecendo, gatinha? – perguntei.
- Droga, eu vou falar.
Fez uma pausa demorada e falou com a voz tremida, meio embargada.
- Eu até que tentei, meus amores. Tentei me interessar por alguém, mas não rolou. Puta merda, como eu vou falar isso?
- Fale do seu jeito, que nós te ouvimos – reagiu André.
- É que, que, que eu...
André esticou o braço e levou a mão ao seu rosto a acariciando.
- É que você...
- Eu só pensava em vocês.
- E isso é ruim? – intervim.
- O que você acha, Ana Clara?
Nova pausa.
- Aquelas coisas que eu vivi com vocês me marcaram muito. Muito profundamente, sabe? Eu nunca me senti assim com ninguém. De sentir falta, desejar estar junto, de fazer amor. Até de ser escrava, submissa, sinhá Cínthia e tudo mais.
Ela própria acabou rindo de seu comentário, no que a acompanhamos.
- Mas o que me marcou mesmo foi esse amor, esse acolhimento que eu recebi de vocês. Eu me senti realmente amada por vocês, entende? Fora que vocês me fizeram gozar pra caralho, como eu nunca gozei na minha vida.
Mais risadas.
- Enfim, Ana, André, é tudo tão perfeito quando eu estou com vocês, que eu não consigo me imaginar mais com ou desejar alguém. Não estou pedindo nada de vocês, só estou desabafando.
- Mas não foi só você que sentiu nossa falta, meu bem. Nós também sentimos muito a sua, não é, Amor? – me dirigi ao Demônio.
- Sim, Cínthia, é verdade. Você se lembra do que eu lhe disse antes de você viajar? Que você sempre será bem-vinda e que nós te amamos?
- Eu sei, André, eu acredito nisso. Eu sinto. Estou sentindo agora só pela energia de vocês, mas aonde isso vai me levar? Daqui a pouco, vocês vão se casar. Vocês são um casal. E eu? O que eu sou?
- Você pode ser nossa escrava – brinquei.
- Só se vocês prometerem me maltratar bastante e me pendurarem no tronco.
- Querida, o único tronco em que você vai ficar pendurada é no meu – brincou André.
Todos rimos um pouco e Cínthia já parecia mais descontraída. Então, decidi intervir.
- Você não acha, meu benzinho, que está pensando muito à frente? Não seria mais confortável você só viver o presente?
- Concordo – emendou o Demônio.
- E qual é o presente?
- O presente é você, miga. O presente que nós ganhamos, não é amor? – me dirigi ao Demônio.
- Sim, você é um presente, Cínthia. É valiosa para nós. Quando você está presente, nós já conversamos sobre isso, eu e a Megera, alegra nossas vidas. Por que a gente não deixa o que sentimos conduzir nossos caminhos? Você pode sempre estar conosco. Nenhum de nós sabe o que será o amanhã.
- E eu vou poder lamber bastante a sola dos seus pés – falei, com cara de tarada submissa – e você vai me obrigar a fazer DP com as cenouras.
- Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk – reagiu Cínthia - Só se você me bater e comer meu cu com o pau de borracha.
- Essa conversa já está mexendo com minha imaginação. Aliás, não é só a imaginação.
- Estou vendo que vou ter bastante trabalho para organizar esses fetiches sadomasoquistas de vocês – reagiu o Demônio, em tom de brincadeira.
- Você sabe que é nosso mestre e nosso senhor. Nós sempre aceitamos o que o senhor nos determina – brincou Cínthia.
- Seus desígnios são uma dádiva para suas escravas submissas, mestre – emendei.
André coçou a cabeça, simulando preocupação.
- Por que você não dorme conosco e passa o fim de semana com a gente? Vamos curtir esse reencontro. Depois, a gente vê no que vai dar. Sem sofrer com o que você nem sabe se vai acontecer.
- Por que, amor? Você não sabe se a gente vai se casar? – interpelei meu namorado, com carinha de sentida.
- Dessa parte eu não tenho a menor dúvida, princesa. Estou falando da Cínthia. Vai que ela encontre alguém especial, que seja digno, ou digna, de ter uma mulher como ela.
- Ou, se isso não acontecer, Cínthia, você pode ser nossa namorada mesmo depois que nós nos casarmos – emendei.
- Concordo que essa seja uma possibilidade caso você queira – confirmou o Demônio.
- Vocês querem dizer que estão me pedindo em namoro? – reagiu Cínthia com um sorriso incrédulo.
- Talvez, quem sabe? O que eu sei é que nós te amamos de verdade – respondi, segurando sua mão – Quem sabe a gente não se casa os três e forma um trisal?
- Menos, Ana Clara, controle sua imaginação, mas eu gostei da ideia de a Cínthia ser nossa namorada – reagiu André.
- Gente, é sério isso ou vocês estão brincando comigo? – interrogou Cínthia, com a expectativa e a dúvida disputando lugar em seu semblante.
- Por ora, você será nossa namorada por esse fim de semana, como foi naquele antes de você viajar. Depois a gente conversa. E já vou adiantando que ficaremos muito felizes se você aceitar – propôs o Demônio.
- E eu tenho outra escolha que não seja aceitar? Meu coraçãozinho apaixonado por vocês não me dá escolha – respondeu Cínthia, fazendo carinha de carente, que me deu vontade de pegar e apertar aquela gostosa.
Dei um beijo em sua mão e nos abraçamos.
- Então, vamos brindar a esse momento mágico – propôs nosso namorado.
Brindamos com cerveja mesmo, que era o que tínhamos para o momento. Estávamos sentados à mesa e ali permanecemos bebendo e trocando palavras de afeto. Eu estava feliz com os acontecimentos. André decidiu pedir uma pizza para que saboreássemos a noite. A conversa era sobre as loucuras que fizéramos juntos e sobre as que ainda poderíamos fazer.
Não nos pegamos até a hora de ir para a cama. O clima estava mais para amorzinho do que para tesão, mas isso foi só até a hora de ir para a cama. Decidimos que Cínthia dormiria no meio, como se fôssemos mesmo dormir antes de matarmos a saudade. Além do mais, nossa gatinha estava na seca a mais de um mês, tadinha. Deitamo-nos as duas só de calcinha e André só de cueca, nos cobrindo com um lençol leve.
Ficamos abraçados os três, com Cínthia no meio, trocando carícias e beijos quase inocentes, deixando o desejo ganhar forma, como uma panela no fogo baixo, que faz seu trabalho com lentidão e paciência. Em determinado momento, Cínthia estava deitada de lado, de frente para mim e começamos um beijo interminável, que foi incendiando meu corpo.
Vendo o clima esquentando, o Demônio começou a tirar nossas calcinhas, enquanto nos pegávamos com cada vez mais gosto, esfregando as coxas de uma na outra. Cínthia já dava gemidinhos e era possível sentir a eletricidade do seu corpo se entregando ao desejo. Então, empurrei-a de costas e subi em seu corpo, beijando e lambendo seu pescoço delicadamente, do jeito que as meninas fazem uma com a outra. Sua respiração foi se tornando ofegante e seu corpo executava movimentos típicos daquele nervosismo gostoso que dá quando o tesão está forte e alguém começa a nos torturar de prazer. Ainda mais quando é alguém por quem temos sentimentos profundos.
Eu já havia me tornado mestre nisso, pois sentia aquela tensão com quatro pessoas diferentes, incluindo ela, minha rainha, a quem queria oferecer todo prazer do mundo.
Deslizei minha mão pela lateral do seu corpo, apertei seu seio farto, que tinha aquele cheiro afrodisíaco de deusa, que eu até hoje não sei descrever. Acariciei seu mamilo durinho com a língua, fazendo seu corpo todo reagir, mas não só por isso. Àquela altura, o Demônio adorava seus pés, beijando e acariciando, deixando minha amiga toda aflita. Para deixá-la mais louca, deslizei minha mão para o meio de suas pernas e deixei que meus dedos tocassem sua bucetinha exposta.
Cínthia respirava cada vez mais descompassadamente e gemia de um jeito tão gostoso, que levava minha excitação ao extremo, fazendo minha buceta latejar gostoso. Não parei de torturar seu peitão delicioso. Ao contrário, comecei a mamar feito uma bezerrinha esfomeada.
- Uhn, ainnn, Ana Clara, que gostoso – choramingou e continuou com seus gemidinhos.
Passei, então, a torturar seus buraquinhos deliciosos, acariciando seu ânus, a entrada da sua vagina e seu grelinho, deixando-a cada vez mais molhada e sensível. Quando Cínthia se debateu nervosa, gemendo mais alto, percebi que o Demônio já estava no meio de suas coxas, dando beijos, lambidas e mordidas naquelas carnes maravilhosas da minha amiga. Quando percebi sua intenção, subi minha mão, acariciando sua barriguinha. Não demorou para que sua buceta virasse alvo da boca sagrada do Demônio, que fez Cínthia perder a compostura, tendo tremedeiras.
- Meu Deeeuuussss. Vocês vão me destruir assim – reagiu, se contorcendo como uma cobra, ora fazendo movimentos pélvicos e apertando o rosto do meu namorado com as coxas.
Depois de mamar em um dos seus peitões, iniciei uma tortura deliciosa do outro, enquanto minha mão seguia acariciando sua barriga, descendo até sua cintura, para depois percorrer a lateral do seu corpo, pacientemente levando minha amada à loucura. Enquanto mamava gostoso e ainda passava a linguinha em seu biquinho, Cínthia acariciava meu cabelo. Quando recebia estímulos mais prazerosos, chegava a forçar minha cabeça contra seus seios.
Como era de se esperar, com aquele exímio chupador de buceta (sei lá em que aquele Deus não era exímio) a torturando, não resistiu e gozou espremendo meu rosto contra seus seios de nervoso, emitindo sons que se assemelhavam a uma mistura de uivos, miados e rosnados.
Nem teve tempo de terminar de gozar, o Demônio puxou suas coxas, apoiando-as sobre as dele, ainda deitada, fazendo-as envolverem sua cintura. Às vezes, ele fazia essa posição comigo e eu sabia o efeito daquilo, porque o estímulo ao meu grelinho e ao meu ponto G eram simultâneos e contínuos. Nunca levei mais do que dois minutos para gozar naquela posição e era a única que o derrotava, que o fazia não conseguir controlar o gozo por muito tempo.
Além disso, aquela posição era extremamente sexy, com a mulher toda rendida, os quadris erguidos e repousados em suas coxas, suas mãos dominando nossos quadris. Eu ficava louca. Com Cínthia não foi diferente. Até parei de fazer o que estava fazendo para assistir àquela cena linda e muito excitante. Deu exatamente no que eu imaginava. Logo Cínthia já estava virando o rosto de um lado para o outro, dando gemidinhos agudos de prazer, mordendo o próprio dedo e tentando mexer os quadris para receber mais daquela sensação em suas paredes vaginais.
Não demorou a vir o desespero e ela gemeu o nome de André.
- Ai, caralho, vou gogogozaaaaarrrrr, aaaaaaahhhhhhnnnnn. Meeeuuuu Deeeeeuuuussssss.
André puxou seus quadris contra sua cintura, fazendo com que seu pau se enterrasse numa penetração profunda. Minha cara de excitação vendo aquilo devia estar impagável. Eu estava de joelhos, ao lado de Cínthia, me deliciando em ver aquela puta se acabando de tanto prazer, que André olhou para mim com aquela cara de “você é a próxima”, que eu entendi direitinho, mas respondi fazendo sinal de negativo com a cabeça.
- Hoje é ela – sussurrei, enquanto Cínthia se descabelava toda gozando no pau do Demônio.
Ele entendeu. Claro que o filho da puta sempre entendia. Cínthia estava a muito tempo na seca e nada mais justo que ganhar um chá da pica mais gostosa do Brasil. De mais a mais, que sacrifício tão nobre comer aquela Deusa, né? E é claro que eu ia ajudar no que estivesse ao meu alcance, mas, subitamente, me deu uma vontade de beber cerveja que não era comum. Deixei meu dono machucando minha amiga gostoso e fui pegar uma lata geladinha.
Engraçado, que eu nunca tivera exatamente a vontade de beber cerveja. Não achava ruim, mas também não achava nada demais, apenas bebia. Naquela madrugada, foi vontade específica. Saí peladinha do quarto, abri a geladeira e olhei com desejo para aquela lata. O primeiro gole desceu gostoso. Voltei para o quarto e já encontrei Cínthia de quatro, com a bucetinha sendo castigada pelo meu dono. Não dá para explicar o quão excitante era aquela cena. Eram dois corpos espetaculares executando uma coreografia. As mãos grandes, firmes e másculas do Demônio controlando a cintura da vadia safada, suas coxas firmes se chocando com aquele colosso de coxas dela. E aquele bundão balançando, assim como aqueles peitões.
Aproximei-me do Demônio e lhe ofereci a lata de cerveja. Ele bebeu com vontade, como se precisasse de combustível para dominar aquela égua puro sangue. Ainda me enlaçou pela cintura e meu beijou gostoso. Derramei um golinho de cerveja na entrada do reguinho de Cínthia. Com o líquido gelado descendo por aquele canal cheio de delícias, até entrar no seu cuzinho, começou a gemer alto. Então, o Demônio aumentou o ritmo e a força. Castigou aquele bundão perfeito com dois tapas caprichados e fez seu cabelo de rédea, levando-a a emitir sílabas soltas e trechos de palavras desconhecidas. Seu corpo tremia tanto e seus gritos foram tão desesperados ao gozar, que quase que eu fui junto.
O Demônio não aguentou. Olhou para mim com aquela cara de “vou gozar”. Eu cheguei perto e enfiei minha língua em sua boca. Que coisa mais erótica foi aquilo. Meu namorado gozando naquela potranca de quatro, enquanto eu o beijava, com ele gemendo na minha boca, até começar a urrar de prazer, tirando a pica e fazendo voar porra até no cabelo da Cínthia, deixando sua bunda toda lambuzada.
Ensandecida de ver aquela cena, larguei a cerveja na mão do Demônio e engoli seu pau com o gosto dele e da Cínthia, a buceta latejando horrores. Esperto, André percebeu minha excitação pelo jeito faminto que eu abocanhei seu pau. Não satisfeita, mantive Cínthia de quatro e lambi sua bunda lambuzada com a porra sagrada do meu dono, prolongando seu prazer. André, de uma vez só, enfiou dois ou três dedos na minha buceta. Eu juro que não consigo precisar a quantidade, só as roçadas inclementes no meu ponto G, sem contar que o polegar esfregava meu grelinho.
De tão faminta, lambi o cu e a buceta da Cínthia, que continuava gemendo, agora sob meu ataque implacável e faminto. Gozei praticamente respirando dentro do seu buraquinho, com a língua no seu grelo, gemendo alto dentro de sua buceta. Nossa! Dá calor até de lembrar.
Quando menos esperava, eu estava de quatro, incrédula, levando a rola do Demônio na buceta. Se ele já havia gozado, eu estava certa se concluísse que aquilo não terminaria rápido e eu ia gozar feito uma vaca. Ainda mais quando Cínthia, recobrada do transe, se enfiou embaixo de mim e começou a torturar meus dois seios sem parar, usando as mãos e a boca. A vadia apertava meus mamilos até com certa força, sugava meus seios com fome, dava lambidas deliciosas. Meu corpo entrou em transe com aqueles estímulos todos, tendo choques elétricos que me percorriam toda. Cheguei ao ponto de emendar uns dois ou três orgasmos um no outro. As sensações foram tão intensas, que, em certo momento, me desvencilhei dos dois e continuei gozando sozinha, esfregando o meu grelo e meus seios nervosamente, soltando aqueles gemidos curtos, que parecem acompanhar os espasmos do corpo. Minha cabeça chegava a rodar e doer levemente.
Fiquei um tempo sem forças para falar e não deixava nenhum dos dois me tocar, de tão sensível que estava meu corpo.
- Porra, vocês quase me matam de gozar, caralho – reagi, quando saí do transe e recobrei a voz, levando meus algozes às gargalhadas.
Deitei de bruços e adormeci feito uma pedra, deixando Cínthia se aproveitar do meu Demônio, que estava com uma fome danada naquele dia. Também, qualquer um reagiria assim com aquela gostosa da Cínthia só de calcinha, toda oferecida. E ainda tinha meu corpinho de deusa de bônus.
O Demônio dizia que eu ficava a cada dia mais gostosa. Que minha bunda, que já era perfeita, ganhava volume. Que me olhar pelada, de calcinha ou vestida de freira era insuportavelmente excitante. E não era da boca para fora, porque ele não desperdiçava uma única oportunidade de me levar para o inferno e sempre me comia com a fome de uma matilha de lobos. Além disso, vivia a me comer com os olhos, me deixando toda molhada, mesmo quando estávamos em lugares públicos.
A tensão sexual entre nós não baixava. Com a Cínthia no meio da história, a promessa era de caldeirão fervendo, ao ponto de explodir, mas a verdade é que tínhamos um dilema para solucionar. Como lidar com Cínthia? Lidar com Gabriel e Ayanna era fácil. Eles eram um casal, moravam longe e só precisávamos administrar o prazer de interagir com eles, para não sofrermos uma overdose, quando estávamos juntos. Porque aquilo era muito bom, cada segundo era precioso e saboreávamos cada lembrança, alimentando uma expectativa sufocante pela viagem ao Rio em fevereiro, dali a algumas semanas, que chegava a dar até nó no estômago.
E até nisso havia um problema. Cínthia passara um mês distante de nós. Ficou claro o quanto havia sido penoso para ela. Agora, a deixaríamos sozinha por mais um mês. E nós tínhamos muito receio de que ela sofresse. Aquela mulherona poderosa, linda, gostosa, inteligente e contagiante escondia uma porcelana frágil, que precisava ser cuidada. Palavras do Demônio, não minhas, com suas soluções poéticas para explicar as coisas.
Passamos aquele final de semana juntos, nós três. Cínthia foi para o clube conosco no sábado e se entrosou com nossas famílias. Minha mãe, discreta que só ela, perguntou se Cínthia não tinha namorado. Verdade seja dita, desde que levei Cínthia lá em casa, a quenga nunca estava namorando, mas fazia suas travessuras.
- Não, mainha, ela é minha namorada. Minha e do Demônio – respondi, agarrando a gostosa pela cintura.
- Quer dizer, então, que eu criei uma filha bissexual e poligâmica – respondeu minha mãe, em tom de brincadeira.
- Claro, mainha. Era para você ter tido um casal. Como você só teve eu, tenho que desempenhar os dois papéis – emendei.
- Eu te falei, Letícia, que esse seria o desfecho dessa trama. Essa menina vivia jogando futebol no meio dos meninos. Deu nesse híbrido de Ronaldinho Gaúcho com Gisele Bündchen – interveio meu pai, levando todos às gargalhadas.
Cínthia, de mulata, ficou cor de beterraba de tão envergonhada, mas acabou se descontraindo com o comentário do meu pai.
- André, meu filho, cuidado para não ter uma estafa. Você já trabalha, faz faculdade e treina. Qualquer coisa, conta com o painho aqui – se intrometeu o tio Paulo, pai do André.
- Tu não dá conta nem de mim. Com uma menina dessas, tá arriscado ir parar no pronto socorro com AVC – respondeu a tia Joana.
- Vai se acostumando, Cínthia, que esses coroas são assim, mas são gente boa – intervim.
- É verdade, mainha, que painho não tá dando mais no couro? - provocou André.
- Que nada! Ela fala mal do produto para ninguém querer levar. Assim, fica só para ela.
- Pô, tio, espero que isso seja verdade. Sabe como é essa coisa de hereditariedade, né? – brinquei.
- Tá vendo o que você arrumou, Joana? Agora a menina vai ficar com receio de casar com o André.
Duas coisas. Uma, é que as conversas eram assim mesmo quando nos juntávamos. A outra é que minha mãe certamente havia notado alguma coisa, aquela fofoqueira. O que não chegava a ser um problema. Se eu tinha a minha mente aberta e, aparentemente, o espírito livre, é porque fui criada para ser assim. Nem ela ousaria fazer qualquer objeção às minhas decisões acerca do que fazer com minha própria vida. Muito embora aquela víbora dominasse perfeitamente a arte de me manipular. Não fosse aquele empurrãozinho dela, talvez minha história com o Demônio nem existisse e eu não tivesse nada disso para contar.
Era como se fosse meu anjo da guarda. Sempre estava ali. Não perturbava, era companheira, mas intervinha na hora certa, com as palavras apropriadas e uma objetividade desconcertante.
Enfim, se eu lhe contasse abertamente as coisas que estavam acontecendo na minha vida, sobretudo a minha bissexualidade, certamente me perguntaria como eu me sentia com relação a isso, sem emitir qualquer juízo de valor. Também, perguntaria como o André lidava com isso e faria cara de espanto se soubesse que nós três dividíamos a mesma cama. Porém, Dona Letícia era discreta demais para perguntar. Da minha parte, o único drama com relação aquilo era como lidar com os sentimentos de Cínthia e estabelecer uma dinâmica funcional entre ela, eu e o Demônio.
A iniciativa partiu dela na noite daquele sábado.
- Amores, se vocês realmente quiserem que eu seja namorada de vocês, para mim basta, é suficiente. Vocês já demonstraram o que sentem por mim. Eu sei que não me veem como um brinquedinho, embora eu fosse adorar ser brinquedinho e escrava submissa de vocês – falou, fazendo caras e bocas.
Fez uma pausa para as risadas.
- Eu já fico muito feliz em saber que tenho vocês, que posso receber o calor, o carinho e a companhia impagável de vocês. Eu só não quero reivindicar algo que não me pertence, Ana Clara, André. Vocês são um casal maravilhoso e eu não quero ocupar um espaço que não é meu e eu não quero que seja.
Ouvimos, eu e André, sem protestar.
- Vocês não têm ideia de como eu sou apaixonada por vocês, mas vocês têm que ter o espaço de vocês como casal. Não quero nunca me sentir como uma intrusa ou incômodo. Quero ser alguém que traz a vocês só a paz e a felicidade que vocês me oferecem.
Fez uma pausa, como quem escolhe as palavras, recebendo toda nossa atenção.
- Então, meus amores, minhas vidas, eu só virei para vocês quando me chamarem, mas só quero que vocês me chamem quando realmente quiserem minha companhia, não para cuidar de mim ou me fazer sentir bem. Se cada um souber ocupar o seu lugar com dignidade e respeito, acredito que nós podemos ir longe. E eu não vou ficar magoada se vocês não me chamarem para passar um final de semanas com vocês. Eu quero deixar isso bem claro, mas acho que vocês entenderam.
- Entendi, meu amor. Você é tão digna quanto linda – reagiu André, beijando-lhe as mãos.
- E eu também sou apaixonada por você. Se depender de mim, vamos passar muito tempo juntos. Não é para lhe agradar ou coisa assim. É porque ter você conosco é bom pra caralho, sua quenga safada – emendei, tomando-a num abraço demorado, sentada em seu colo.
- Então, para celebrar esse momento, vou liberar vocês até amanhã para brincar de jogos de escravidão. Qual das duas vai ser a escrava?
- Eu – respondemos as duas ao mesmo tempo, eufóricas.
- Vocês duas são doentes – reagiu o Demônio com a cara mais debochada do mundo, antes de cair na gargalhada.