O despertador toca alto e insistente, um barulho metálico que corta o silêncio pesado do quarto. Eu abro os olhos devagar, a cabeça latejando, e me levanto cambaleando da cama desarrumada. O cheiro forte de café passado sobe pela fresta da porta e invade o ambiente abafado. Sou Anderson, dezoito anos, um metro e oitenta e dois, pele negra, corpo longo e magro com pouca musculatura aparente, ombros estreitos e braços finos. Meu cabelo está preso em dreads médios, um pouco bagunçados depois da noite mal dormida, e o rosto permanece fechado, a expressão séria de sempre, olhos pretos ainda meio turvos de sono. Dou um passo e o pé descalço pisa em cima de uma lata de cerveja amassada que ficou jogada no chão sujo; o metal frio e a lata se esmagando sob o meu peso me deixam puto na hora. Olho ao redor do quarto apertado: as paredes descascadas cobertas por posters rasgados de funk e alguns desenhos toscos, a cama de solteiro com o colchão afundado e o lençol cinza cheio de manchas, o chão coberto de roupas usadas, embalagens de salgadinho e mais umas duas latas vazias. Procuro com o olhar a calça jeans larga e a blusa de escola azul-marinho amassada que deve estar em algum lugar no meio da bagunça. Acho a calça jogada em cima da cadeira quebrada, visto ela de qualquer jeito, puxando o zíper com força, e me viro para a mesinha de canto onde o computador antigo ainda está ligado, a tela travada numa imagem congelada de um vídeo pornô que eu deixei rodando de madrugada. Aperto o botão de desligar com irritação, o monitor apaga com um estalo, e nesse exato momento a voz da minha mãe sobe do corredor, me chamando.
Minha mãe Lúcia é uma guerreira. Me criou sozinha a vida inteira e faz de tudo pra me agradar, mesmo quando a vida aperta. Naquela manhã ela tinha feito o café e já estava atrasada pro trabalho. Mal parava em casa porque tinha pegado um empréstimo no banco pra pagar as dívidas que meu finado pai, morto há poucos meses, tinha deixado pra trás. A gente mora num conjunto habitacional na Zona Norte de São Paulo. O apartamento é pequeno, de dois quartos, com parede de concreto aparente e pintura descascando em vários pontos. A sala é apertada, com um sofá velho de tecido rasgado e uma televisão de tubo num rack torto. A cozinha fica colada na sala, fogão de duas bocas, geladeira barulhenta e uma mesa de plástico onde a gente come. O banheiro é minúsculo, com box de plástico amarelado e chuveiro que às vezes só joga água fria. Meu quarto fica no fundo, e o dela do lado, os dois com janelas que dão pra um corredor interno escuro.
Eu pego a mochila depois que ela me beija na testa e diz, já calçando o sapato apressada:
— Filho, vou dobrar o horário hoje. Vai pra escola, não mata aula.
Eu abro o zíper da mochila e confiro o que tem dentro: um caderno usado, várias canetas sem tampa e o celular. Tomo o café quente em silêncio, engolindo rápido. A escola estadual fica a só dois quarteirões dali. Depois de uns minutos olho o celular e vejo que já são 7:15. Me levanto, jogo a mochila nas costas e saio.
Desço as escadas do prédio — o elevador, como sempre, está quebrado — e cruzo o portão de ferro enferrujado. Do lado de fora a rua já está em movimento. Motos passam acelerando alto, um ônibus lotado freia na esquina soltando fumaça preta, e algumas pessoas caminham rápido na calçada estreita, a maioria de uniforme ou de blusa de trabalho. Do outro lado da rua, as casas mais antigas ainda estão com as luzes apagadas. O cheiro de pão quente de uma padaria misturado com o cheiro de esgoto sobe no ar frio da manhã. Eu ajusto a alça da mochila no ombro e começo a andar em direção à escola.
Até que eu noto minha vizinha Camila e o marido dela, Sandro. Sandro tem trinta anos, um metro e oitenta e dois, pele branca, cabelo preto curto, olhos pretos intensos, corpo atlético de ombros largos, peito definido e braços fortes. Camila, também de trinta anos, um metro e setenta e sete, pele morena clara, cabelos pretos lisos caindo pelos ombros, olhos castanhos, corpo em ampulheta com seios grandes e pesados, cintura fina, quadris largos e uma bunda volumosa e redonda. Eles se beijam rápido na calçada. Sandro abre a porta do caminhão, sobe na cabine e liga o motor — ele é caminhoneiro e mal para em casa, some dias seguidos na estrada. Camila está de roupa de academia: um top preto justo que aperta e empurra pra cima aqueles seios grandes e pesados, deixando o volume generoso e o vale entre eles bem à mostra, e um short colado que marca cada curva da bunda carnuda e das coxas cheias, a tatuagem da serpente na perna esquerda quase toda visível. O short sobe quando ela se mexe, mostrando a parte de baixo da nádega. Meu pau de vinte centímetros já está duro pra caralho dentro da calça jeans, latejando e apertando contra o tecido só de olhar pra ela. Desde que Camila se mudou pro bairro há dois anos, eu nunca mais consegui parar de bater punheta pensando nela — toda noite, toda manhã, toda vez que a vejo na janela ou saindo de casa. Enquanto continuo andando, uma vizinha grita do outro lado da rua:
— Cadê sua filha, Camila?
Ela responde sem nem parar de ajeitar o top:
— Tá com a minha mãe!
Eu engulo seco, ajusto a mochila na frente pra esconder o volume, e sigo em direção à escola, a cabeça ainda cheia da imagem do corpo dela e o pau latejando a cada passo.
Eu chego na Escola Estadual Roberto Castro já com o coração acelerado e o pau ainda meio duro dentro da calça. O portão de ferro está aberto, os alunos se aglomeram na entrada, alguns atrasados como eu, outros já dentro conversando alto. O prédio é velho, de concreto cinza, com grade em todas as janelas e o pátio de cimento rachado. Entro passando pela catraca, mostro a carteirinha pro segurança sem nem olhar na cara dele e sigo pelo corredor barulhento até a sala do primeiro horário.
O professor já está na frente, um homem de uns quarenta e cinco anos, careca, barriga protuberante e voz grossa. Ele me encara quando eu entro atrasado e só balança a cabeça, anotando alguma coisa no diário. Eu me sento no fundo da sala, perto da janela.
Kailane já está lá. Minha namorada. Dezoito anos, negra de pele escura e lisa, corpo gostoso pra caralho: seios firmes e redondos, cintura fina, bunda grande e empinada que quase estoura a saia plissada do uniforme. O cabelo crespo está preso num coque alto, e os olhos pretos brilham quando ela me vê. Sem nem pedir licença, ela se levanta da carteira e vem sentar no meu colo, abrindo as pernas e acomodando aquele traseiro pesado em cima de mim. Sinto o calor dela através do tecido fino da calça.
— Tá atrasado, Anderson — ela fala baixo, colando a boca no meu ouvido. — Já são sete e trinta e dois. Se o Roberto passar teu nome de novo a gente leva suspensão, porra.
Eu só grunto, segurando a cintura dela pra ela não se mexer tanto e me deixar ainda mais duro. A aula do primeiro horário passa rápido e chata. No segundo horário é biologia, e o professor começa a falar de genética. Ele desenha no quadro aqueles quadrados de Punnett, explicando dominância e recessividade, como o gene do olho castanho é dominante sobre o azul, como a cor da pele e o tipo de cabelo são poligênicos, e como a probabilidade de um filho herdar determinada característica depende da combinação dos alelos dos pais. Fala de DNA, cromossomos, meiose, e a sala inteira boceja. Eu mal presto atenção. Kailane continua sentada no meu colo, rebolando de leve de propósito, e a cada movimento o meu pau lateja contra a bunda dela.
No meio da explicação chata, ela se inclina de novo e sussurra quente no meu ouvido:
— Vamos ao banheiro. Quero te mostrar uma coisa.
Eu e Kailane saímos da sala sem fazer barulho e seguimos pelo corredor até o banheiro feminino. Ela empurra a porta, olha pra trás pra ter certeza de que ninguém viu, e a gente entra. O cheiro de desinfetante barato e mijo antigo paira no ar. Kailane tranca a porta do box do fundo, se vira pra mim e começa a tirar a blusa do uniforme. Os seios firmes e redondos saltam pra fora do sutiã preto quando ela abre o fecho. Depois desce a saia e a calcinha de uma vez só. Fica completamente nua na minha frente. A buceta dela é depilada, lisa, os lábios carnudos e escuros, um fiozinho de tesão já brilhando no meio.
— Pode tocar… — ela sussurra, abrindo um pouco as pernas e puxando os lábios com dois dedos pra eu ver tudo. — Mas não pode me fuder. Você sabe que eu quero me casar virgem.
Eu fico duro pra caralho na hora. Meu pau de vinte centímetros lateja dentro da calça, apertando o tecido. Na minha cabeça eu penso: “virgem o caralho… essa porra já é bem rodada no bairro inteiro, já comeu geral, mas comigo vem com essa historinha de casar virgem”. Eu olho pra ela e falo baixo, a voz rouca:
— Você me deixa maluco, porra…
O volume na minha calça está evidente, o contorno grosso e longo marcando o jeans. Kailane sorri safada, se ajoelha no chão sujo do banheiro, abre meu cinto, puxa a calça e a cueca pra baixo num movimento só. Meu pau pula pra fora, preto, grosso, veias saltadas, a cabeça já brilhando de pré-gozo. Ela envolve os dedos na base, aperta, e enfia a boca quente nele. A língua quente e úmida passa devagar pela glande, depois ela engole quase metade, fazendo barulho molhado de saliva. Eu seguro os dreads dela e empurro um pouco mais fundo. Ela engasga, mas continua, chupando com força, a mão subindo e descendo no que não cabe na boca, cuspindo e babando no pau inteiro. O barulho úmido ecoa no banheiro vazio. Eu sinto o tesão subir rápido, as bolas pesadas, o pau latejando na garganta dela.
De repente a porta do banheiro bate com força.
— O que tá acontecendo aqui?!
A supervisora, uma mulher gorda de uns cinquenta anos, empurra o box e nos pega no flagra: eu com a calça no joelho, o pau duro e babado pra fora, e Kailane de joelhos, nua, com a boca ainda aberta. Ela grita, manda a gente se vestir na hora e nos leva direto pra diretoria.
O diretor, um homem calvo de gravata torta, já está de pé quando a gente entra. Olha pra Kailane nua por baixo da blusa mal abotoada e depois pra mim. Suspende ela na hora, três dias. Pra mim só dá um sermão longo e puto, puxando a minha ficha:
— Anderson, sua ficha já tá suja pra caralho. Mês passado você foi pego fumando baseado atrás da quadra. Antes disso, briga no intervalo que quase virou confusão generalizada. Falta injustificada demais, xingou professora no ano passado, foi flagrado roubando caneta da secretaria… e agora isso? Chupeta no banheiro feminino no meio da aula?
Ele tenta ligar pra minha mãe. O telefone toca, toca, e ninguém atende. Ela deve estar ocupada no emprego agora . O diretor resmunga, anota alguma coisa e me libera mais cedo.
— Sai daqui. E não quero te ver de novo essa semana.
São nove da manhã quando eu saio pelos portões da Escola Estadual Roberto Castro com a carta de suspensão amassada no bolso. Passo num bar da esquina, compro duas latas de cerveja gelada, dois Red Bull e um pacote de Doritos. Já penso em chegar em casa, ligar o Free Fire e bater uma punheta o resto do dia olhando porno.
A uma quadra da minha casa eu vejo Camila descendo de uma Hilux preta. Ela tá puta da vida, xingando o homem que está no volante, gesticulando com a mão. O short de academia sobe quando ela desce, mostrando quase a metade da bunda, os seios grandes balançando dentro do top apertado. Eu paro e fico observando. A Hilux arranca e some na esquina. Eu não consegui ouvir o que eles estavam discutindo, e isso me deixa irritado. Amasso o papel da suspensão com força e jogo no lixo da calçada. Camila ajeita a bolsa no ombro e começa a caminhar em direção à nossa rua. Eu sigo alguns passos atrás, o pau já endurecendo de novo só de olhar pra ela.
Após seguir Camila até a rua onde eu moro, o movimento já estava baixo. Poucos carros passavam, mas ainda tinha gente transitando por todo lado: umas duas mulheres no ponto de ônibus com sacola de feira, um motoboy acelerando, e alguns trabalhadores andando a pé de cabeça baixa, com a lancheira na mão. Camila para na padaria da esquina, entra, sai minutos depois com um saquinho de pão e some dentro de casa, fechando o portão atrás de si.
Eu subo as escadas do prédio, entro no apartamento vazio e jogo a mochila no sofá. Passo a manhã inteira deitado na cama com o celular, jogando Free Fire. Partida atrás de partida, o som dos tiros e das vozes dos meninos no fone enchendo o quarto silencioso. Só paro quando a fome aperta. Como qualquer merda que acho na geladeira — resto de arroz, uma salsicha e um ovo frito — e depois de almoçar caio de novo na cama. Durmo pesado por umas duas horas, o corpo mole de preguiça e de sono atrasado.
Quando acordo, já é final de tarde. O sol baixo entra pela janela meio aberta. Eu pego o notebook, abro um site de porno e coloco um vídeo de uma morena de seios grandes e bunda pesada sendo comida de quatro. Baixo a calça e a cueca de uma vez, meu pau de vinte centímetros já está semi-duro só de lembrar da Camila de manhã. Começo a bater devagar, a mão subindo e descendo o pau grosso e preto, a cabeça brilhando de pré-gozo. Aumento a velocidade, apertando mais forte, os olhos grudados na tela enquanto a mulher do vídeo geme e leva porrada. Imagino que é a Camila ali, com aquela bunda enorme e os seios balançando. Bato mais rápido, a respiração ofegante, até gozar forte, jatos quentes escorrendo pelos dedos e caindo no lençol manchado. Fico deitado olhando pro teto, o pau ainda latejando, e já penso em bater outra antes de escurecer.
No início da noite eu estou na janela do quarto quando vejo Camila saindo de casa com uma sacola na mão. Ela atravessa a calçada e entrega a sacola pra um cara alto, de uns trinta e poucos anos. A camisa dele tem o nome de uma pizzaria estampado no peito — a mesma pizzaria onde ela trabalhava de atendente antes de engravidar da filha de nove meses. Camila está de tomara-que-caia justo, preto, que aperta os seios grandes e deixa o colo e os ombros nus, a carne macia saltando pra fora do decote. O cara pega a sacola, fala alguma coisa baixa e atravessa a rua em direção à Hilux preta estacionada do outro lado. Sobe no carro e sai em disparada, sumindo na esquina.
Camila fica parada uns segundos olhando o carro sumir, depois vira e entra de volta em casa, fechando o portão.
Eu volto pro computador, abro um vídeo pornô qualquer e baixo a calça. Meu pau já está duro só de ter visto ela daquele jeito. Começo a bater, a mão subindo e descendo no pau grosso e preto, apertando a cabeça a cada vez. Na minha cabeça não sai a imagem: aquele cara da Hilux, a sacola, o tomara-que-caia apertado nos seios dela… e já é a segunda vez hoje que os dois se encontram. De manhã, quando eu saí da escola, vi a mesma Hilux preta. Agora de novo. O que porra esse cara tem a ver com a minha vizinha gostosa? Bato mais rápido, imaginando ela se curvando, os seios pesados balançando, a bunda marcada naquela roupa. Gozo forte, jatos quentes escorrendo pelos dedos, respiração ofegante.
Fico olhando a tela embaçada e penso baixo, ainda com o pau latejando na mão:
— Eu vou descobrir que merda está acontecendo.