"A primeira vez que ela me olhou com aquele desejo, não foi como filha, mas como uma mulher que havia esquecido que era desejada."
A casa de Mariana, minha filha, sempre foi silenciosa demais para alguém de trinta anos. O silêncio não era de paz, mas de negligência. Ela se casou com o Ricardo, um homem metódico e frio, que parecia ter esquecido que o corpo de uma mulher muda com o tempo, com as fases, com a vida. Mariana sempre foi curvilínea, mas nos últimos anos, o corpo dela expandiu, tornando-se um território de curvas generosas e pele macia que ela mesma aprendeu a odiar.
Ela se escondia em roupas largas, evitava espelhos e, principalmente, evitava o quarto. O casamento deles havia se tornado um acordo de convivência onde a intimidade era a primeira vítima.
Eu sempre fui próximo dela. Como pai, sempre quis que ela se sentisse a rainha do mundo. Ver aquela luz se apagar, vê-la murchar enquanto o corpo crescia, era insuportável.
Tudo mudou em um final de semana chuvoso, enquanto Ricardo estava em viagem a trabalho. Estávamos na sala, dividindo um vinho, quando ela desabou. Começou a chorar, falando sobre como se sentia invisível, sobre como o marido não a tocava há meses porque "ela não era mais a menina de antes".
— Eu me sinto um monstro, pai — ela soluçou, as bochechas vermelhas, o corpo tremendo sob o vestido de algodão.
Eu não pensei. Apenas agi. Aproximei-me e peguei a mão dela, sentindo a maciez daquela pele. Olhei nos olhos dela e disse a verdade:
— Você não é um monstro, Mari. Você é exuberante. Cada curva sua é um convite.
O choque inicial deu lugar a algo novo. O ar entre nós mudou, carregou-se de uma eletricidade proibida, mas necessária. Quando minha mão deslizou da mão para a cintura dela, apertando aquela carne farta que ela tanto tentava esconder, vi o suspiro que escapou de seus lábios. Não era de susto, era de fome.
O beijo começou lento, quase experimental, mas logo se tornou urgente. Quando a tiramos da sala e fomos para o quarto, o mundo lá fora deixou de existir.
Tirar a roupa dela foi como desempacotar um presente divino. Ela tentou se cobrir, a vergonha ainda lutando contra o desejo, mas eu não dei espaço para a dúvida. Beijei cada dobra, cada centímetro de pele quente, adorando a sensação daquela carne cedendo sob meus dedos.
— Você é perfeita — sussurrei, enquanto a sentia estremecer.
Quando finalmente nos unimos, foi como se um interruptor tivesse sido ligado. Não havia a hesitação do marido, apenas a força de quem sabia exatamente o que fazer com aquele corpo. Eu a possuí com uma intensidade que a fez esquecer qualquer insegurança. Cada movimento era sentido em dobro, a maciez dela amortecendo o impacto, o calor dela me envolvendo completamente.
Mariana gemia alto, soltando todo o peso daquelas noites solitárias. Ela se agarrava a mim, as unhas cravando nos meus ombros, descobrindo que aquele corpo, que ela julgava inadequado, era capaz de sentir prazeres profundos e avassaladores.
Terminamos exaustos, envoltos nos lençóis, com a respiração pesada. Ela sorria, não com a timidez de antes, mas com o brilho de quem havia sido redescoberta.
Eu sou um pai dedicado, e naquela tarde, dei a ela a coisa mais importante que um homem poderia dar: a certeza de que ela era, sim, absolutamente desejável. E, para mim, descobrir cada centímetro daquela mulher foi o maior prazer da minha vida.
