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Testamento de Uma Avó Perversa - Capítulo 4

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Um conto erótico de Maria, a Avó Perversa
Categoria: Heterossexual
Contém 3767 palavras
Data: 25/07/2026 15:01:15

O barulho metálico do trinco do banheiro girando demorou uma eternidade para vir. Quando a folha de vidro finalmente cedeu, o Miguel saiu de lá pisando com um cuidado extremo, em absoluto silêncio, como se o próprio chão estivesse prestes a quebrar sob os seus pés. Ele trazia os cabelos ainda úmidos grudados na testa, a pele do rosto completamente pálida e um olhar desnorteado de pavor, parecendo carregar o peso do mundo e da culpa nas costas. O guri manteve a cabeça baixa, evitando olhar em direção à cama a todo custo, tentando se fazer o mais invisível possível na penumbra da cabine.

​Eu já estava de pé, postada em frente ao espelho do armário, terminando de me arrumar para a noite. Tinha deixado o roupão de lado e vestia um vestido justo de tecido fluido, ajustando as alças nos ombros com gestos calmos e precisos, borrifando um pouco do meu perfume no pescoço e no colo. Fiz questão de manter a postura completamente serena e natural, sem lançar olhares carregados ou fazer qualquer tipo de comentário provocativo. Qualquer menção indireta ou sorriso maldoso naquele momento poderia acionar o alarme do guri e fazê-lo recuar de vez para dentro de uma concha de vergonha, e o meu objetivo era exatamente o oposto: deixá-lo cozinhar em paz, achando que o segredo dele continuava intocado.

​Pelo reflexo do espelho, vi os ombros dele ríspidos de tensão, o peito subindo e descendo acelerado enquanto ele tentava adivinhar se eu tinha sentido algo ou se o meu sono tinha sido tão profundo a ponto de me manter alheia à audácia dele.

​— Vai tirando essa samba-canção e veste uma calça com aquela camisa de linho que deixei separada. — comentei com o tom de voz suave, perfeitamente cotidiano, sem tirar os olhos do meu próprio reflexo enquanto ajeitava o brinco na orelha. — O jantar no salão principal já vai ser servido e eu não pretendo chegar atrasada.

​O Miguel deu um solavanco, sobressaltado apenas com o som da minha voz normal. Ele engoliu a seco, o gogó subindo e descendo com dificuldade, e concordou com a cabeça num gesto rápido e automático, incapaz de articular uma única palavra articulada.

​— Tá... tá bom, vó — ele murmurou num fio de voz quase inaudível, sem erguer os olhos.

​Ele se moveu pelo quarto feito um autômato, abrindo a mala com as mãos trêmulas. Evitando dar as costas de todo ou se expor mais do que devia, vestiu a calça e a camisa de linho às pressas, abotoando os botões com uma pressa desajeitada. Eu continuei o meu ritual de beleza diante do espelho, ignorando deliberadamente o constrangimento que exalava dos poros do moleque, dando a ele o espaço de que precisava para recompor a fachada.

​Quando terminei de ajeitar os cabelos e me virei de frente para ele, o efeito do meu visual no guri foi imediato e avassalador. O Miguel parou no meio do caminho com a fivela do cinto pela metade, a boca ligeiramente aberta e os olhos arregalados por trás das lentes dos óculos, completamente embasbacado.

​Eu sabia exatamente a imagem que estava projetando. Escolhera um vestido de seda pura num tom azul-noturno, com um caimento fluido que abraçava a curva avantajada dos meus quadris e marcava a minha cintura sem nenhum pudor. O decote em "V" bem desenhado valorizava a fartura dos meus seios maduros e deixava o colo avermelhado pelo sol em destaque, exalando um contraste irresistível com o brilho discreto do colar de pérolas. A maquiagem leve ressaltava os meus traços e o perfume de patchouli continuava pairando no ar, envolvente e denso. Ver a minha figura pronta para a noite, tão elegante quanto abertamente sensual, fez o sangue do moleque subir de vez para o rosto. Ele ficou paralisado, oscilando entre o pavor de ter me tocado há pouco e o fascínio absoluto pelo mulherão que estava diante dele.

​Apreciei em silêncio o pânico delicioso e o tesão estampado na cara do guri, satisfeita por ter alcançado exatamente o impacto que planejei. Quebrei o transe com uma expressão calorosa e impecável, dando dois passos na direção dele e oferecendo o braço para que ele me conduzisse até o corredor.

O restaurante principal do navio estava impecável, banhado pela iluminação dourada dos candelabros e pelo reflexo distante do oceano escuro. Como fomos os primeiros a descer, o garçom nos conduziu imediatamente a uma grande mesa redonda disposta para sete pessoas, indicando os nossos assentos lado a lado.

​Puxei a cadeira e me acomodei sem pressa, ajeitando o caimento fluido da seda azul-noturna e deixando o decote em "V" bem desenhado, enquanto o Miguel se sentava à minha esquerda, ríspido como um soldado prestes a ser julgado. As outras cinco cadeiras ao nosso redor continuavam completamente vazias, criando uma bolha de isolamento temporária no meio da vastidão do salão.

​Apoiei os cotovelos na mesa, cruzei os dedos sob o queixo e cravei o olhar no perfil do meu neto. Não dei trégua. Acompanhei de soslaio cada tremor, cada respiração curta que o guri soltava ao sentir a minha proximidade.

​O garçom aproximou-se, serviu duas taças do espumante mais refinado do navio e se retirou com uma mesura discreta, deixando-nos completamente a sós.

​— Um brinde à nossa noite, guri — murmurei num tom baixo, quase sussurrado, erguendo a minha taça na altura do peito sem desviar os olhos do rosto dele.

​O Miguel deu um salto sutil na cadeira. Pegou a taça dele com os dedos trêmulos, fazendo o cristal tilintar contra o meu num estalo seco, e virou o espumante de uma vez só, engolindo o líquido gelado numa única golada desesperada.

​— Calma, querido... assim o vinho sobe rápido — provoquei com um sorriso doce no canto dos lábios, enquanto o garçom, de longe, já notava a taça vazia e voltava para enchê-la novamente.

​— É que... está quente aqui dentro, não acha, vó? — ele gaguejou num fio de voz, passando a mão pelo pescoço e desafivelando o primeiro botão da camisa. O rubor na pele dele já descia pela garganta, derretendo o resto do seu controle em tempo recorde.

​— Quente? Acha mesmo? — deitei a cabeça um pouco para o lado, medindo-o de cima a baixo com uma lentidão calculada. — Eu estou achando o ambiente ótimo. Mas o quarto realmente estava mais fresquinho, né?

​O Miguel congelou com a garrafa de água que ia pegar, a mão travada no ar. O olhar dele cruzou com o meu de soslaio, tomado por um pavor silencioso.

​— A-como assim? — ele engoliu a seco, o gogó subindo e descendo com dificuldade.

​— Ora, lá na cabine estava um clima tão gostoso... — inclinei-me ligeiramente na direção dele, a voz descendo ainda mais de tom, aveludada e carregada de malícia. — Eu apaguei num sono tão pesado no ar-condicionado que nem senti o tempo passar.

​Ele levou a mão à testa, limpando uma película fina de suor que brotava na pele, e buscou a taça de espumante de novo, entornando mais da metade do conteúdo sem nem piscar.

​— É... o ar estava forte mesmo — ele murmurou para a toalha de mesa, sem coragem de encarar a minha figura arrumada ao lado dele.

​— Eu fico tão relaxada quando passo aquele hidratante... — retomei, deslizando as palavras devagar, cravando os olhos na orelha avermelhada dele. — Fico sem defesa nenhuma, um bloco de chumbo na cama. Dormi tão fundo de roupão solto...

​O Miguel se engasgou com o próprio gole, soltando uma tosse abafada e desesperada contra o guardanapo de pano.

​— Só espero que você não tenha reparado em nada inadequado enquanto eu estava "apagada" — soltei a fisgada final com um sorriso puramente inocente. — É que às vezes o cetim escorrega no colchão sem a gente perceber, sabe? O tecido é tão liso... — continuei, sussurrando quase colada no ouvido dele. — Se a gente não amarra bem o cordão, ele se abre inteiro por qualquer movimento involuntário.

​— Eu... eu não vi nada, vó! Juro... f-fiquei no meu canto! — ele gaguejou em pânico contido, o olhar vagando perdido pelas taças, completamente desmantelado pela minha proximidade física e pela vergonha.

​— Sei... que bom que você é um bom menino — respondi, soltando uma risadinha abafada. Inclinei o corpo mais para a frente, fazendo o decote do meu vestido se escancarar sob a luz dos candelabros bem ao alcance da visão periférica dele. — Homem jovem nessa tua idade se impressiona fácil com o que vê, né?

​O Miguel arregalou os olhos por trás das lentes, e a visão do meu peito fartamente exposto o fez travar os dedos na borda da toalha com tanta força que os nós das suas mãos ficaram brancos. Ele soltou um arquejo sufocado, ajeitando-se na cadeira como se o assento estivesse em chamas.

​Antes que ele pudesse articular qualquer resposta para sair daquela prensa, o som de passos e vozes animadas se aproximou da nossa mesa. O garçom retornou acompanhando os outros convidados. O jogo que até então era apenas nosso acabava de ganhar uma platéia inteira.

O garçom puxou as cadeiras à esquerda do Miguel para acomodar os primeiros convidados. Tratava-se de um casal na casa dos cinquenta anos com um ar inconfundivelmente austero, acompanhado de uma garota que aparentava exatamente a mesma idade do meu neto.

​Assim que se aproximaram da mesa, a menina mantinha uma postura curvada e uma expressão de puro tédio. No entanto, no segundo exato em que os olhos dela cruzaram com a figura do Miguel — recém-arrumado, de camisa de linho e o rosto ainda corado pelo espumante —, a fisionomia da garota mudou num estalo. A cara fechada se iluminou por completo. Ela ajeitou a coluna, deu uma rápida arrumada no vestido preto justo e cravou um sorriso abertamente interessado no meu guri.

​Sem cerimônia, ela puxou a cadeira e se acomodou logo à esquerda dele.

​Senti uma pontada fria e aguda na base do estômago ao ver a garota se instalar ali, tão perto dele. Um instinto primitivo de posse e um ciúme amargo incendiaram o meu sangue, mas me mantive imóvel. Eu estava na cadeira à direita do Miguel e precisei engolir a provocação em silêncio por enquanto. Diante daquela família tradicional, eu me manteria impecavelmente recatada.

​— Boa noite — o homem cumprimentou com voz grave e tom cerimonioso, estendendo a mão para o Miguel e depois para mim. — Sou o Carlos. Esta é minha esposa, Carmen, e nossa filha, Carol. Viemos de Curitiba. E vocês, de onde são?

​— Boa noite, Carlos, Carmen... prazer, Carol — respondi com a voz mais melodiosa, doce e respeitável do meu repertório. — Eu sou a Maria e este é o meu neto, o Miguel. Somos do interior de São Paulo. É a nossa primeira viagem juntos de navio.

​— Ah, avó e neto! Que coisa linda — D. Carmen comentou, ajeitando a armação dos óculos no nariz e sorrindo com profunda aprovação. — É tão raro ver jovens hoje em dia dedicando tempo para acompanhar os mais velhos. O Miguel parece ser um rapaz muito educado e centrado.

​— Um menino de ouro, Carmen — murmurei, mantendo as mãos pousadas sobre o meu colo de forma exemplar, adotando uma postura de pura compostura de senhora de família. — Tão atencioso... Ele cuida de mim com um carinho que me enche de orgulho.

​Carol, já devidamente instalada ao lado do Miguel, virou o corpo totalmente para ele, inclinando-se na cadeira para puxar assunto, ignorando o resto da mesa:

​— E você, Miguel? Tá achando a viagem legal? Tem uma balada jovem incrível no deque superior mais tarde... você devia ir.

​O Miguel piscou rápido, surpreso com a investida direta da garota, o rosto ainda queimando sob o efeito do espumante e do pânico que eu tinha acabado de causar nele.

​— Eu... ah, bem... — ele gaguejou, ajeitando os óculos no nariz, sem saber direito para onde olhar.

​— O Miguel é um rapaz muito tímido, Carol — comentei com uma voz suave e um sorriso maternal perfeitamente recatado, sem me alterar por fora, embora estivesse fervendo por dentro. — Ele prefere programas mais tranquilos. Disse que não me deixa sozinha por nada nesta viagem, não é, meu bem?

​— E-é... é sim, vó — o Miguel assentiu num fio de voz, engolindo em seco sob o peso do meu olhar doce, porém vigilante.

​— Que rapaz exemplar — Carlos elogiou, assentindo com a cabeça em aprovação moral. — A juventude hoje em dia está muito perdida com distrações fúteis, mas ver um neto com tanto respeito e devoção pela avó restaura a fé nas boas famílias.

​— Muito obrigada, Carlos — respondi com modéstia, abaixando levemente os olhos com elegância. — O respeito e a devoção dele por mim... realmente não têm preço.

Antes que o garçom pudesse servir uma nova rodada, passos apressados e uma gargalhada solta anunciaram a chegada dos últimos convidados. O casal vinha exalando uma energia vibrante e bronzeada, visivelmente alegres de quem passara o dia inteiro bebendo e aproveitando o sol à beira da piscina.

​— Boa noite, pessoal! Esperamos não ter atrasado o banquete! — o homem anunciou, com uma descontração contagiante que fez D. Carmen e o Sr. Carlos se ajeitarem na cadeira com uma rigidez imediata.

​Antes mesmo de se acomodar, o olhar do homem desceu rápido e certeiro sobre o meu vestido, demorando-se por um segundo guloso no meu decote em "V" antes de subir para os meus olhos com um brilho de puro interesse.

​O garçom ia puxando as cadeiras para eles, mas o sujeito agiu com uma astúcia impressionante. De forma extremamente sutil, ele segurou suavemente no braço da esposa e a guiou com um carinho aparentemente despretensioso para a segunda cadeira à minha direita. Com essa manobra calculada, ele garantiu para si a posição estratégica: sentar-se exatamente ao meu lado, colado a mim.

​— Eu sou o Roberto, mas podem me chamar de Beto — ele disse, com a voz grave e desinibida, acomodando-se ao meu lado e estendendo a mão para mim com um aperto firme e quente. — E esta é a minha esposa, Rosa. Somos do Rio.

​— Prazer, Beto, Rosa. Eu sou a Maria — respondi, sustentando o olhar dele com um sorriso elegante e contido, adotando a perfeita postura de uma mulher madura e refinada, enquanto sentia a aura de apetite que ele exalava. — Este ao meu lado é o meu neto, o Miguel.

​— Prazer a todos! — Rosa cumprimentou animada, acomodando-se ao lado do marido e ajeitando o vestido leve. — Gente, este navio é um espetáculo! Passamos a tarde nos drinques da piscina e quase perdemos a hora do jantar.

​— O importante é que chegaram a tempo de deixar a nossa mesa muito mais interessante — comentei com extrema cortesia, mantendo a voz mansa.

​Ao meu lado esquerdo, o Miguel continuava imóvel, imprensado entre a minha presença protetora e a garota Carol, que ainda buscava brechas para atrair a atenção dele. À minha direita, Beto ajeitava o guardanapo no colo, lançando-me olhares de ponta de mesa que não deixavam dúvidas sobre a sua apreciação.

​Com a mesa finalmente completa — o casal conservador e a filha rebelde à esquerda do Miguel, eu ao centro, e o casal liberal e animado à minha direita —, o garçom começou a servir os primeiros pratos. O jantar finalmente começara.

À medida que os pratos de entrada eram servidos, o clima na mesa ganhou uma vivacidade contagiante, puxada quase inteiramente pela presença magnética do casal carioca.

Beto e Rosa tinham a facilidade natural das pessoas do Rio para dominar uma conversa. Começaram a contar sobre os cruzeiros anteriores que já haviam feito, relatando episódios divertidos de festas que varavam a madrugada, amizades inusitadas feitas em alto-mar e noites em que simplesmente "deixavam a maré levar". As histórias soavam perfeitamente inocentes e leves para ouvidos desatentos.

Carlos e Carmen, o casal conservador de Curitiba, acompanhavam tudo com um fascínio quase hipnótico. Ficaram encantados com a espontaneidade da dupla, rindo das anedotas e fazendo perguntas sobre as rotas e os passeios nas paradas do navio. O ar austero deles parecia se dissolver diante do carisma de Beto e Rosa.

Eu, no entanto, escutava tudo com a antena ligada.

À medida que Rosa contava sobre uma viagem em que "cada um resolveu curtir uma ala diferente do navio e só se reencontrar no café da manhã", trocando um riso cúmplice e sem nenhum traço de ciúme com o marido, a ficha caiu. Por trás daquela fachada de casal moderno e bem-humorado, existia um acordo muito claro: um casamento aberto.

A confirmação velada veio nos detalhes. Beto não escondia o interesse. A cada história que contava, ele girava o corpo ligeiramente na minha direção, buscando os meus olhos, rindo com uma voz aveludada e lançando elogios sutis sobre a elegância das mulheres de São Paulo. O flerte dele era refinado, direto e perigoso, exalando um apetite que qualquer mulher experiente reconheceria a quilômetros. Em outro momento, um homem maduro e atraente jogando esse tipo de charme teria toda a minha atenção. Mas, ali, eu mal conseguia focar nas investidas de Beto. O meu radar estava completamente ligado à minha esquerda.

Carol vinha aproveitando o burburinho da conversa geral para avançar sobre o Miguel sem piedade. A garota inclinava o corpo sobre a mesa, apoiando o queixo nas mãos para ficar mais perto dele, rindo de qualquer palavra tímida que o guri soltava e roçando o ombro no dele sob o pretexto de prestar atenção nas histórias de Beto.

— Você devia tomar mais um pouco de espumante, Miguel... — Carol sussurrou só para ele, num tom baixo e arrastado, encarando os lábios do meu neto com um descaramento juvenil. — Pra perder essa postura de menino certinho.

Ver aquela garota agir como se o Miguel estivesse livre no mercado me fazia ferver por dentro. O guri estava rígido ao meu lado, completamente desmantelado entre o álcool que subia, a vergonha de ter sido pego por mim no quarto e o assédio direto da menina ao lado.

Ajeitei o guardanapo no meu colo com um gesto lento, mantendo o rosto sereno e o sorriso impecável para a mesa, enquanto o meu sangue queimava. Eu não podia fazer um escândalo diante do casal de Curitiba, mas tampouco deixaria aquela garota avançar mais um centímetro no meu território.

O garçom aproximou-se com a postura impecável de sempre, retirando os pratos principais e servindo as sobremesas: mousse de chocolate e taças de petit gâteau acompanhadas de sorvete de baunilha. O cheiro doce e quente invadiu o ar, renovando o clima da mesa.

À minha esquerda, Carol continuava implacável. Ao ver o prato do Miguel ser servido, a garota se inclinou, colando praticamente o ombro no dele:

— Hum, esse petit gâteau é perfeito, o recheio de chocolate vem quentinho por dentro — Carol disse com a voz arrastada, jogando um olhar descarado para o meu neto. — Eu adoro sobremesa bem lambuzada.

Ver a garota jogar charme barato pra cima do meu guri foi o limite. Era hora de puxar a rédea e trazer a atenção dele de volta para onde devia estar.

Apoiei os cotovelos na mesa e me inclinei um pouco para a frente, fazendo o decote do meu vestido de seda azul-noturna se projetar sob a luz dos candelabros. Com uma expressão perfeitamente serena por fora, mas com o olhar cravado no rosto corado do Miguel, lancei o anzol:

— Cuidado pra não se lambuzar, guri — comecei, a voz macia, parecendo apenas uma avó zelosa aos ouvidos de Carlos e Carmen. — Você passa o dia todo devorando doce e creme... aí chega de noite, fica nesse calor, sem conseguir nem respirar direito.

O Miguel congelou com a colher na metade do caminho. O olhar dele cruzou com o meu de soslaio, tomado de pânico. Ele entendeu na hora: o hidratante, a sensação do creme nas mãos e o pânico de ter sido pego.

— O problema... é que a mão fica toda melada e a gente nem sabe onde esconder depois — continuei num tom calmo, com um sorriso doce no rosto. — Né, meu bem?

O Miguel engoliu em seco. O rosto dele queimou num tom purpúreo tão forte que parecia que ia explodir. Ele abaixou a cabeça, soltando a colher no prato com a mão trêmula, completamente desmantelado. Carol piscou, sem entender nada daquela bronca velada.

Eu estava satisfeita com o efeito, mas o improviso tomou outro rumo.

Beto — que vinha me observando a noite toda e tentando pescar qualquer brecha com a malícia de quem tem casamento aberto — ouviu aquela conversa e interpretou de um jeito completamente diferente. Para ele, aquilo não era recado de avó, mas sim um desabafo cheio de intenção sexual de uma mulher madura e provocante.

Por baixo da toalha, sem que a esposa Rosa ou o casal de Curitiba pudessem notar, a mão grande e quente de Beto deslizou pela lateral da minha coxa direita. Ele subiu os dedos pela seda do meu vestido e apertou a minha carne com firmeza.

O toque audacioso fez um arrepio subir direto pela minha espinha. Não tirei a perna, nem me afastei.

Virei o rosto devagar para a minha direita e dei a Beto um olhar de canto — lento e cúmplice. Pela primeira vez na noite, soltei um sorriso de lado, discreto e carregado de mistério.

Meu foco continuava sendo dobrar o meu neto e fazê-lo se render à culpa e ao desejo naquela viagem. Mas sentir a pegada firme daquele homem ali, debaixo da mesa enquanto a esposa dele conversava do outro lado, acendeu uma ideia interessante na minha cabeça: se o meu guri travasse de vez pelo susto, eu já tinha um plano B muito bem encaminhado para esse navio.

Beto piscou para mim, dando um último aperto discreto na minha coxa antes de recolher a mão e erguer a taça em um brinde silencioso.

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