O barulho metálico do trinco do banheiro girando demorou uma eternidade para vir. Quando a folha de vidro finalmente cedeu, o Miguel saiu de lá pisando com um cuidado extremo, em absoluto silêncio, como se o próprio chão estivesse prestes a quebrar sob os seus pés. Ele trazia os cabelos ainda úmidos grudados na testa, a pele do rosto completamente pálida e um olhar desnorteado de pavor, parecendo carregar o peso do mundo e da culpa nas costas. O guri manteve a cabeça baixa, evitando olhar em direção à cama a todo custo, tentando se fazer o mais invisível possível na penumbra da cabine.
Eu já estava de pé, postada em frente ao espelho do armário, terminando de me arrumar para a noite. Tinha deixado o roupão de lado e vestia um vestido justo de tecido fluido, ajustando as alças nos ombros com gestos calmos e precisos, borrifando um pouco do meu perfume no pescoço e no colo. Fiz questão de manter a postura completamente serena e natural, sem lançar olhares carregados ou fazer qualquer tipo de comentário provocativo. Qualquer menção indireta ou sorriso maldoso naquele momento poderia acionar o alarme do guri e fazê-lo recuar de vez para dentro de uma concha de vergonha, e o meu objetivo era exatamente o oposto: deixá-lo cozinhar em paz, achando que o segredo dele continuava intocado.
Pelo reflexo do espelho, vi os ombros dele ríspidos de tensão, o peito subindo e descendo acelerado enquanto ele tentava adivinhar se eu tinha sentido algo ou se o meu sono tinha sido tão profundo a ponto de me manter alheia à audácia dele.
— Vai tirando essa samba-canção e veste uma calça com aquela camisa de linho que deixei separada. — comentei com o tom de voz suave, perfeitamente cotidiano, sem tirar os olhos do meu próprio reflexo enquanto ajeitava o brinco na orelha. — O jantar no salão principal já vai ser servido e eu não pretendo chegar atrasada.
O Miguel deu um solavanco, sobressaltado apenas com o som da minha voz normal. Ele engoliu a seco, o gogó subindo e descendo com dificuldade, e concordou com a cabeça num gesto rápido e automático, incapaz de articular uma única palavra articulada.
— Tá... tá bom, vó — ele murmurou num fio de voz quase inaudível, sem erguer os olhos.
Ele se moveu pelo quarto feito um autômato, abrindo a mala com as mãos trêmulas. Evitando dar as costas de todo ou se expor mais do que devia, vestiu a calça e a camisa de linho às pressas, abotoando os botões com uma pressa desajeitada. Eu continuei o meu ritual de beleza diante do espelho, ignorando deliberadamente o constrangimento que exalava dos poros do moleque, dando a ele o espaço de que precisava para recompor a fachada.
Quando terminei de ajeitar os cabelos e me virei de frente para ele, o efeito do meu visual no guri foi imediato e avassalador. O Miguel parou no meio do caminho com a fivela do cinto pela metade, a boca ligeiramente aberta e os olhos arregalados por trás das lentes dos óculos, completamente embasbacado.
Eu sabia exatamente a imagem que estava projetando. Escolhera um vestido de seda pura num tom azul-noturno, com um caimento fluido que abraçava a curva avantajada dos meus quadris e marcava a minha cintura sem nenhum pudor. O decote em "V" bem desenhado valorizava a fartura dos meus seios maduros e deixava o colo avermelhado pelo sol em destaque, exalando um contraste irresistível com o brilho discreto do colar de pérolas. A maquiagem leve ressaltava os meus traços e o perfume de patchouli continuava pairando no ar, envolvente e denso. Ver a minha figura pronta para a noite, tão elegante quanto abertamente sensual, fez o sangue do moleque subir de vez para o rosto. Ele ficou paralisado, oscilando entre o pavor de ter me tocado há pouco e o fascínio absoluto pelo mulherão que estava diante dele.
Apreciei em silêncio o pânico delicioso e o tesão estampado na cara do guri, satisfeita por ter alcançado exatamente o impacto que planejei. Quebrei o transe com uma expressão calorosa e impecável, dando dois passos na direção dele e oferecendo o braço para que ele me conduzisse até o corredor.
O restaurante principal do navio estava impecável, banhado pela iluminação dourada dos candelabros e pelo reflexo distante do oceano escuro. Como fomos os primeiros a descer, o garçom nos conduziu imediatamente a uma grande mesa redonda disposta para sete pessoas, indicando os nossos assentos lado a lado.
Puxei a cadeira e me acomodei sem pressa, ajeitando o caimento fluido da seda azul-noturna e deixando o decote em "V" bem desenhado, enquanto o Miguel se sentava à minha esquerda, ríspido como um soldado prestes a ser julgado. As outras cinco cadeiras ao nosso redor continuavam completamente vazias, criando uma bolha de isolamento temporária no meio da vastidão do salão.
Apoiei os cotovelos na mesa, cruzei os dedos sob o queixo e cravei o olhar no perfil do meu neto. Não dei trégua. Acompanhei de soslaio cada tremor, cada respiração curta que o guri soltava ao sentir a minha proximidade.
O garçom aproximou-se, serviu duas taças do espumante mais refinado do navio e se retirou com uma mesura discreta, deixando-nos completamente a sós.
— Um brinde à nossa noite, guri — murmurei num tom baixo, quase sussurrado, erguendo a minha taça na altura do peito sem desviar os olhos do rosto dele.
O Miguel deu um salto sutil na cadeira. Pegou a taça dele com os dedos trêmulos, fazendo o cristal tilintar contra o meu num estalo seco, e virou o espumante de uma vez só, engolindo o líquido gelado numa única golada desesperada.
— Calma, querido... assim o vinho sobe rápido — provoquei com um sorriso doce no canto dos lábios, enquanto o garçom, de longe, já notava a taça vazia e voltava para enchê-la novamente.
— É que... está quente aqui dentro, não acha, vó? — ele gaguejou num fio de voz, passando a mão pelo pescoço e desafivelando o primeiro botão da camisa. O rubor na pele dele já descia pela garganta, derretendo o resto do seu controle em tempo recorde.
— Quente? Acha mesmo? — deitei a cabeça um pouco para o lado, medindo-o de cima a baixo com uma lentidão calculada. — Eu estou achando o ambiente ótimo. Mas o quarto realmente estava mais fresquinho, né?
O Miguel congelou com a garrafa de água que ia pegar, a mão travada no ar. O olhar dele cruzou com o meu de soslaio, tomado por um pavor silencioso.
— A-como assim? — ele engoliu a seco, o gogó subindo e descendo com dificuldade.
— Ora, lá na cabine estava um clima tão gostoso... — inclinei-me ligeiramente na direção dele, a voz descendo ainda mais de tom, aveludada e carregada de malícia. — Eu apaguei num sono tão pesado no ar-condicionado que nem senti o tempo passar.
Ele levou a mão à testa, limpando uma película fina de suor que brotava na pele, e buscou a taça de espumante de novo, entornando mais da metade do conteúdo sem nem piscar.
— É... o ar estava forte mesmo — ele murmurou para a toalha de mesa, sem coragem de encarar a minha figura arrumada ao lado dele.
— Eu fico tão relaxada quando passo aquele hidratante... — retomei, deslizando as palavras devagar, cravando os olhos na orelha avermelhada dele. — Fico sem defesa nenhuma, um bloco de chumbo na cama. Dormi tão fundo de roupão solto...
O Miguel se engasgou com o próprio gole, soltando uma tosse abafada e desesperada contra o guardanapo de pano.
— Só espero que você não tenha reparado em nada inadequado enquanto eu estava "apagada" — soltei a fisgada final com um sorriso puramente inocente. — É que às vezes o cetim escorrega no colchão sem a gente perceber, sabe? O tecido é tão liso... — continuei, sussurrando quase colada no ouvido dele. — Se a gente não amarra bem o cordão, ele se abre inteiro por qualquer movimento involuntário.
— Eu... eu não vi nada, vó! Juro... f-fiquei no meu canto! — ele gaguejou em pânico contido, o olhar vagando perdido pelas taças, completamente desmantelado pela minha proximidade física e pela vergonha.
— Sei... que bom que você é um bom menino — respondi, soltando uma risadinha abafada. Inclinei o corpo mais para a frente, fazendo o decote do meu vestido se escancarar sob a luz dos candelabros bem ao alcance da visão periférica dele. — Homem jovem nessa tua idade se impressiona fácil com o que vê, né?
O Miguel arregalou os olhos por trás das lentes, e a visão do meu peito fartamente exposto o fez travar os dedos na borda da toalha com tanta força que os nós das suas mãos ficaram brancos. Ele soltou um arquejo sufocado, ajeitando-se na cadeira como se o assento estivesse em chamas.
Antes que ele pudesse articular qualquer resposta para sair daquela prensa, o som de passos e vozes animadas se aproximou da nossa mesa. O garçom retornou acompanhando os outros convidados. O jogo que até então era apenas nosso acabava de ganhar uma platéia inteira.
O garçom puxou as cadeiras à esquerda do Miguel para acomodar os primeiros convidados. Tratava-se de um casal na casa dos cinquenta anos com um ar inconfundivelmente austero, acompanhado de uma garota que aparentava exatamente a mesma idade do meu neto.
Assim que se aproximaram da mesa, a menina mantinha uma postura curvada e uma expressão de puro tédio. No entanto, no segundo exato em que os olhos dela cruzaram com a figura do Miguel — recém-arrumado, de camisa de linho e o rosto ainda corado pelo espumante —, a fisionomia da garota mudou num estalo. A cara fechada se iluminou por completo. Ela ajeitou a coluna, deu uma rápida arrumada no vestido preto justo e cravou um sorriso abertamente interessado no meu guri.
Sem cerimônia, ela puxou a cadeira e se acomodou logo à esquerda dele.
Senti uma pontada fria e aguda na base do estômago ao ver a garota se instalar ali, tão perto dele. Um instinto primitivo de posse e um ciúme amargo incendiaram o meu sangue, mas me mantive imóvel. Eu estava na cadeira à direita do Miguel e precisei engolir a provocação em silêncio por enquanto. Diante daquela família tradicional, eu me manteria impecavelmente recatada.
— Boa noite — o homem cumprimentou com voz grave e tom cerimonioso, estendendo a mão para o Miguel e depois para mim. — Sou o Carlos. Esta é minha esposa, Carmen, e nossa filha, Carol. Viemos de Curitiba. E vocês, de onde são?
— Boa noite, Carlos, Carmen... prazer, Carol — respondi com a voz mais melodiosa, doce e respeitável do meu repertório. — Eu sou a Maria e este é o meu neto, o Miguel. Somos do interior de São Paulo. É a nossa primeira viagem juntos de navio.
— Ah, avó e neto! Que coisa linda — D. Carmen comentou, ajeitando a armação dos óculos no nariz e sorrindo com profunda aprovação. — É tão raro ver jovens hoje em dia dedicando tempo para acompanhar os mais velhos. O Miguel parece ser um rapaz muito educado e centrado.
— Um menino de ouro, Carmen — murmurei, mantendo as mãos pousadas sobre o meu colo de forma exemplar, adotando uma postura de pura compostura de senhora de família. — Tão atencioso... Ele cuida de mim com um carinho que me enche de orgulho.
Carol, já devidamente instalada ao lado do Miguel, virou o corpo totalmente para ele, inclinando-se na cadeira para puxar assunto, ignorando o resto da mesa:
— E você, Miguel? Tá achando a viagem legal? Tem uma balada jovem incrível no deque superior mais tarde... você devia ir.
O Miguel piscou rápido, surpreso com a investida direta da garota, o rosto ainda queimando sob o efeito do espumante e do pânico que eu tinha acabado de causar nele.
— Eu... ah, bem... — ele gaguejou, ajeitando os óculos no nariz, sem saber direito para onde olhar.
— O Miguel é um rapaz muito tímido, Carol — comentei com uma voz suave e um sorriso maternal perfeitamente recatado, sem me alterar por fora, embora estivesse fervendo por dentro. — Ele prefere programas mais tranquilos. Disse que não me deixa sozinha por nada nesta viagem, não é, meu bem?
— E-é... é sim, vó — o Miguel assentiu num fio de voz, engolindo em seco sob o peso do meu olhar doce, porém vigilante.
— Que rapaz exemplar — Carlos elogiou, assentindo com a cabeça em aprovação moral. — A juventude hoje em dia está muito perdida com distrações fúteis, mas ver um neto com tanto respeito e devoção pela avó restaura a fé nas boas famílias.
— Muito obrigada, Carlos — respondi com modéstia, abaixando levemente os olhos com elegância. — O respeito e a devoção dele por mim... realmente não têm preço.
Antes que o garçom pudesse servir uma nova rodada, passos apressados e uma gargalhada solta anunciaram a chegada dos últimos convidados. O casal vinha exalando uma energia vibrante e bronzeada, visivelmente alegres de quem passara o dia inteiro bebendo e aproveitando o sol à beira da piscina.
— Boa noite, pessoal! Esperamos não ter atrasado o banquete! — o homem anunciou, com uma descontração contagiante que fez D. Carmen e o Sr. Carlos se ajeitarem na cadeira com uma rigidez imediata.
Antes mesmo de se acomodar, o olhar do homem desceu rápido e certeiro sobre o meu vestido, demorando-se por um segundo guloso no meu decote em "V" antes de subir para os meus olhos com um brilho de puro interesse.
O garçom ia puxando as cadeiras para eles, mas o sujeito agiu com uma astúcia impressionante. De forma extremamente sutil, ele segurou suavemente no braço da esposa e a guiou com um carinho aparentemente despretensioso para a segunda cadeira à minha direita. Com essa manobra calculada, ele garantiu para si a posição estratégica: sentar-se exatamente ao meu lado, colado a mim.
— Eu sou o Roberto, mas podem me chamar de Beto — ele disse, com a voz grave e desinibida, acomodando-se ao meu lado e estendendo a mão para mim com um aperto firme e quente. — E esta é a minha esposa, Rosa. Somos do Rio.
— Prazer, Beto, Rosa. Eu sou a Maria — respondi, sustentando o olhar dele com um sorriso elegante e contido, adotando a perfeita postura de uma mulher madura e refinada, enquanto sentia a aura de apetite que ele exalava. — Este ao meu lado é o meu neto, o Miguel.
— Prazer a todos! — Rosa cumprimentou animada, acomodando-se ao lado do marido e ajeitando o vestido leve. — Gente, este navio é um espetáculo! Passamos a tarde nos drinques da piscina e quase perdemos a hora do jantar.
— O importante é que chegaram a tempo de deixar a nossa mesa muito mais interessante — comentei com extrema cortesia, mantendo a voz mansa.
Ao meu lado esquerdo, o Miguel continuava imóvel, imprensado entre a minha presença protetora e a garota Carol, que ainda buscava brechas para atrair a atenção dele. À minha direita, Beto ajeitava o guardanapo no colo, lançando-me olhares de ponta de mesa que não deixavam dúvidas sobre a sua apreciação.
Com a mesa finalmente completa — o casal conservador e a filha rebelde à esquerda do Miguel, eu ao centro, e o casal liberal e animado à minha direita —, o garçom começou a servir os primeiros pratos. O jantar finalmente começara.
À medida que os pratos de entrada eram servidos, o clima na mesa ganhou uma vivacidade contagiante, puxada quase inteiramente pela presença magnética do casal carioca.
Beto e Rosa tinham a facilidade natural das pessoas do Rio para dominar uma conversa. Começaram a contar sobre os cruzeiros anteriores que já haviam feito, relatando episódios divertidos de festas que varavam a madrugada, amizades inusitadas feitas em alto-mar e noites em que simplesmente "deixavam a maré levar". As histórias soavam perfeitamente inocentes e leves para ouvidos desatentos.
Carlos e Carmen, o casal conservador de Curitiba, acompanhavam tudo com um fascínio quase hipnótico. Ficaram encantados com a espontaneidade da dupla, rindo das anedotas e fazendo perguntas sobre as rotas e os passeios nas paradas do navio. O ar austero deles parecia se dissolver diante do carisma de Beto e Rosa.
Eu, no entanto, escutava tudo com a antena ligada.
À medida que Rosa contava sobre uma viagem em que "cada um resolveu curtir uma ala diferente do navio e só se reencontrar no café da manhã", trocando um riso cúmplice e sem nenhum traço de ciúme com o marido, a ficha caiu. Por trás daquela fachada de casal moderno e bem-humorado, existia um acordo muito claro: um casamento aberto.
A confirmação velada veio nos detalhes. Beto não escondia o interesse. A cada história que contava, ele girava o corpo ligeiramente na minha direção, buscando os meus olhos, rindo com uma voz aveludada e lançando elogios sutis sobre a elegância das mulheres de São Paulo. O flerte dele era refinado, direto e perigoso, exalando um apetite que qualquer mulher experiente reconheceria a quilômetros. Em outro momento, um homem maduro e atraente jogando esse tipo de charme teria toda a minha atenção. Mas, ali, eu mal conseguia focar nas investidas de Beto. O meu radar estava completamente ligado à minha esquerda.
Carol vinha aproveitando o burburinho da conversa geral para avançar sobre o Miguel sem piedade. A garota inclinava o corpo sobre a mesa, apoiando o queixo nas mãos para ficar mais perto dele, rindo de qualquer palavra tímida que o guri soltava e roçando o ombro no dele sob o pretexto de prestar atenção nas histórias de Beto.
— Você devia tomar mais um pouco de espumante, Miguel... — Carol sussurrou só para ele, num tom baixo e arrastado, encarando os lábios do meu neto com um descaramento juvenil. — Pra perder essa postura de menino certinho.
Ver aquela garota agir como se o Miguel estivesse livre no mercado me fazia ferver por dentro. O guri estava rígido ao meu lado, completamente desmantelado entre o álcool que subia, a vergonha de ter sido pego por mim no quarto e o assédio direto da menina ao lado.
Ajeitei o guardanapo no meu colo com um gesto lento, mantendo o rosto sereno e o sorriso impecável para a mesa, enquanto o meu sangue queimava. Eu não podia fazer um escândalo diante do casal de Curitiba, mas tampouco deixaria aquela garota avançar mais um centímetro no meu território.
O garçom aproximou-se com a postura impecável de sempre, retirando os pratos principais e servindo as sobremesas: mousse de chocolate e taças de petit gâteau acompanhadas de sorvete de baunilha. O cheiro doce e quente invadiu o ar, renovando o clima da mesa.
À minha esquerda, Carol continuava implacável. Ao ver o prato do Miguel ser servido, a garota se inclinou, colando praticamente o ombro no dele:
— Hum, esse petit gâteau é perfeito, o recheio de chocolate vem quentinho por dentro — Carol disse com a voz arrastada, jogando um olhar descarado para o meu neto. — Eu adoro sobremesa bem lambuzada.
Ver a garota jogar charme barato pra cima do meu guri foi o limite. Era hora de puxar a rédea e trazer a atenção dele de volta para onde devia estar.
Apoiei os cotovelos na mesa e me inclinei um pouco para a frente, fazendo o decote do meu vestido de seda azul-noturna se projetar sob a luz dos candelabros. Com uma expressão perfeitamente serena por fora, mas com o olhar cravado no rosto corado do Miguel, lancei o anzol:
— Cuidado pra não se lambuzar, guri — comecei, a voz macia, parecendo apenas uma avó zelosa aos ouvidos de Carlos e Carmen. — Você passa o dia todo devorando doce e creme... aí chega de noite, fica nesse calor, sem conseguir nem respirar direito.
O Miguel congelou com a colher na metade do caminho. O olhar dele cruzou com o meu de soslaio, tomado de pânico. Ele entendeu na hora: o hidratante, a sensação do creme nas mãos e o pânico de ter sido pego.
— O problema... é que a mão fica toda melada e a gente nem sabe onde esconder depois — continuei num tom calmo, com um sorriso doce no rosto. — Né, meu bem?
O Miguel engoliu em seco. O rosto dele queimou num tom purpúreo tão forte que parecia que ia explodir. Ele abaixou a cabeça, soltando a colher no prato com a mão trêmula, completamente desmantelado. Carol piscou, sem entender nada daquela bronca velada.
Eu estava satisfeita com o efeito, mas o improviso tomou outro rumo.
Beto — que vinha me observando a noite toda e tentando pescar qualquer brecha com a malícia de quem tem casamento aberto — ouviu aquela conversa e interpretou de um jeito completamente diferente. Para ele, aquilo não era recado de avó, mas sim um desabafo cheio de intenção sexual de uma mulher madura e provocante.
Por baixo da toalha, sem que a esposa Rosa ou o casal de Curitiba pudessem notar, a mão grande e quente de Beto deslizou pela lateral da minha coxa direita. Ele subiu os dedos pela seda do meu vestido e apertou a minha carne com firmeza.
O toque audacioso fez um arrepio subir direto pela minha espinha. Não tirei a perna, nem me afastei.
Virei o rosto devagar para a minha direita e dei a Beto um olhar de canto — lento e cúmplice. Pela primeira vez na noite, soltei um sorriso de lado, discreto e carregado de mistério.
Meu foco continuava sendo dobrar o meu neto e fazê-lo se render à culpa e ao desejo naquela viagem. Mas sentir a pegada firme daquele homem ali, debaixo da mesa enquanto a esposa dele conversava do outro lado, acendeu uma ideia interessante na minha cabeça: se o meu guri travasse de vez pelo susto, eu já tinha um plano B muito bem encaminhado para esse navio.
Beto piscou para mim, dando um último aperto discreto na minha coxa antes de recolher a mão e erguer a taça em um brinde silencioso.
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• Saga Principal
• O Mundo é Meu! – Amor em Família: Prólogo
• O Mundo é Meu! – Amor em Família: Vol. I – A Madrasta
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• Série Derivada
• A Madrasta – Volume I: Quem Planta Colhe
• A Madrasta – Volume II: Paixão Desenfreada
• A Madrasta – Volume III: Desejo Por Um Fio
• A Madrasta – Volume IV: Em Nome do Pai
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