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A Saga de Otávio 10 – Coração e tesão é reino que não se governa…

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Um conto erótico de Xandão Sá
Categoria: Gay
Contém 7671 palavras
Data: 25/07/2026 14:20:33

Otávio acomodou-se na poltrona 29A do ônibus leito que sairia de Natal às 22h30 rumo a Fortaleza. O carro não estava cheio e, apesar de não ter conseguido comprar uma poltrona individual, o que permitia mais conforto, imaginou e torceu para que a poltrona ao seu lado continuasse vazia tal e qual ele tinha visto no mapa da bilheteria quando comprou sua passagem. Ele vestia uma calça de moletom grafite e uma camiseta básica cinza, o corpo, modificado pela atividade física regular desde que ingressou na polícia, agora ganhava o charme de ficar mais encorpado a medida em que se aproximava dos 28 anos.

A pele ainda trazia o bronzeado pelo tempo que morou em Manaus e que se mantinham pelo sol praiano de Natal, revestiam como couraça a tensão pela abstinência autoimposta. Depois das últimas semanas fodendo adoidado com Rodrigo e Juliana, ele decidiu dar um tempo sem tocar em ninguém. Queria se estabelecer em Natal sem nenhuma situação nova, para se concentrar na missão de ser pai que estava para acontecer brevemente. Por outro lado, Alice, grávida de sete meses, usava a barriga como escudo perfeito para evitar fazer sexo. Ele estava se convencendo de que ela definitivamente não gostava e também começava a achar que o problema não era (com) ele, talvez ela fosse frígida como sugeriu Rodrigo. De todo modo, talvez por estar mais perto de Fortaleza, mesmo ela lhe negando uma vida sexual normal como todo casal, ele se sentia culpado só de pensar em trair o compromisso que tinham, então o jeito era se virar na punheta.

O ônibus ia começar a rodar quando o motorista brecou e voltou a abrir a porta. Pouco depois entrou um cara alto, idade acima dos 30 anos, barba bem aparada e cabelo curto escuro, que andou por todo o corredor até parar ao lado da poltrona de Otávio e perguntar, apontando para o assento vazio ao lado:

— Com licença, é o 28B?

Otávio confirmou com a cabeça e o cara sentou-se, enquanto mentalmente Otávio lamentava a perda de espaço e a chance de se espalhar pelas duas poltronas para dormir tranquilo a noite inteira. Depois que o rapaz acomodou sua mochila no bagageiro acima, ao lado da mochila de Otávio, ele se sentou, pedindo desculpas e se apresentando ao mesmo tempo:

- Murilo, prazer, e desculpa perturbar seu sossego. Quase perco o ônibus, o táxi demorou e o motorista era lento que Deus o livre.

Otavio riu e foi se contagiando pelo jeito expansivo e conversador do seu vizinho de poltrona. Logo os dois estavam numa conversa animada e em menos de vinte minutos descobriram as coincidências absurdas: ambos transferidos de órgãos federais para Natal, Otávio na PF e Murilo fiscal do Ministério do Trabalho, ambos com esposas em Fortaleza, ambos fazendo o mesmo sacrifício de viajar a cada quinze dias. Murilo já era pai de dois, Otávio estava perto de estrear na carreira, muitas resenhas sobre as dores e delícias da paternidade. Riram solto. A química foi imediata, natural, de dois caras héteros casados que se reconheciam na mesma solidão.

Em Açu, na primeira parada longa, desceram juntos para beber uma água, um café e usar o banheiro. Pararam lado a lado nos mictórios. Após alguns segundos mijando, Otávio tentou resistir, mas involuntariamente deu aquela manjada de soslaio. Murilo tinha um pau grosso, meio curvo pro lado esquerdo, e mesmo mole pareceu pesado, com a glande rosada aparecendo por baixo da pele que Murilo arregaçou para mijar. Ao levantar o olhar, percebeu Murilo manjando a rola dele e Otávio botou isso na conta de que todo homem tem uma curiosidade natural de comparar o pau com o dos outros. Nenhum dos dois disse nada, foi tudo muito rápido, mas algo ficou no ar. Guardaram as rolas e voltaram para o ônibus falando de assuntos variados.

De volta aos assentos, com o silêncio dentro do ônibus a conversa ficou mais baixa, mais íntima, para não perturbar o sossego dos outros passageiros. O cansaço chegou e decidiram tentar dormir. Apagaram as luzinhas individuais. A maioria dos passageiros já dormia. Murilo esticou as pernas e, “sem querer”, encostou a coxa musculosa na de Otávio. Este não afastou. Algum tempo depois, Otávio foi despertado do cochilo ao sentir a mão grande de Murilo descendo e pousando em sua coxa, apertando de leve. Otávio sentiu o pau endurecer instantaneamente dentro do moletom. Ficou imóvel, coração acelerado.

A mão subiu devagar até o volume evidente. Dedos experientes apertaram o cacete latejante por cima do tecido. Otávio respirou fundo e, finalmente, virou o rosto. Seus olhos se encontraram no escuro. Não havia mais fingimento. Murilo sorriu de canto e, com habilidade, baixou o cós da calça de Otávio. O pau dele ainda preso na cueca, foi puxado para fora, duro como pedra, veias pulsando, cabeça brilhando de pré-gozo.

— Porra… que rola — murmurou Murilo quase sem som.

Ele se inclinou e, sem hesitar, engoliu o pau de Otávio até o fundo. A boca quente, molhada, sugava com fome. Otávio agarrou o cabelo dele discretamente, mordendo o lábio para não gemer alto enquanto mantinha o olhar alerta para o corredor atento a algum passageiro se levantar e vir ao banheiro ao lado dos assentos deles. A língua de Murilo girava na glande, descia pelo freio, chupava as bolas pesadas enquanto a mão masturbava o eixo grosso. O som molhado e baixo da chupada preenchia o espaço entre eles.

Otávio não aguentou muito. Puxou Murilo para cima e sussurrou:

— Bora pro banheiro...

Os dois se levantaram e entraram no banheiro como ninjas. O fundo do ônibus sacolejava no balanço da estrada. Murilo sentou-se no assento sanitário e voltou a mamar Otávio enquanto se punhetava. Depois de uma mamada esfomeada que quase leva Otávio a gozar, ele sinalizou que queria se levantar e trocaram de posição. Foi a vez de Otávio se fartar de chupar aquela piroca grossa, torta, pesada e cheirosa. Após intensa trocação de mamadas, Otávio, já entregue ao tesão que tinha auto reprimido nos últimos meses, decidiu cair de vez na putaria e se curvou oferecendo o rabo pro cara que ele tinha acabado de conhecer. Se era pra voltar a ser um putinho, uma vadia, que fosse logo bem cachorra. Calças e cuecas já tinham descido até os pés, Murilo cuspiu na mão e passou no próprio pau devidamente encapado por uma camisinha providencial, retirada do bolso (depois da foda, Otávio perguntaria sobre isso e Murilo respondeu de um jeito maroto: “a gente nunca sabe quando pode precisar…”). Otávio empinou ainda mais a bunda firme e peluda, aguardando a enrabada. Murilo cuspiu novamente, dessa vez direto no cu de Otávio, e começou a esfregar a rola grossa no anel apertado. Empurrou devagar. Otávio gemeu baixinho quando a cabeça da pica entrou, abrindo-o lentamente. Comedor de cu experiente, centímetro por centímetro, o pau grosso de Murilo invadiu o cu quente e apertado de Otávio até as bolas encostarem no seu cuzinho.

— Caralho… tá apertado pra porra — grunhiu Murilo no ouvido dele.

Começou a foder. Estocadas firmes, ritmadas, o som das peles batendo abafado pelo ronco do motor. Otávio segurava na bancada com a minúscula pia a frente, gemendo baixo enquanto o pau de Murilo acertava sua próstata repetidamente. O prazer era cru, animal. Murilo segurava os quadris dele com força, metendo fundo, o suor escorrendo.

Otávio reclamou que tava ficando cansado. Mudaram de posição. Murilo se sentou no assento sanitário e Otávio se sentou no colo dele, de costas, e desceu devagar engolindo aquela rola toda. Rebolou gostoso, subindo e descendo, o cu piscando em volta do pau grosso. Murilo puxou a cabeça de Otávio para trás e se beijaram pela primeira vez — um beijo molhado, urgente, línguas se enrolando enquanto Otávio cavalgava, até que Murilo pediu pra ficarem em pé novamente. Otávio se curvou e Murilo meteu a rola de vez, começando a socar, agora mais rápido, segurando uma perna de Otávio para cima. O pau de Otávio babava pré gozo no banco. Estava perto.

— Vou gozar… — avisou Otávio.

Murilo acelerou, metendo fundo e forte. Otávio gozou primeiro, jatos grossos e brancos espirrando no chão e no sanitário do cubículo convertido em banheiro. Ao gozar, o cu apertou violentamente em volta da rola de Murilo, que grunhiu e gozou logo em seguida, enchendo a camisinha com porra quente e abundante. Ficaram conectados, pulsando, recuperando o fôlego, até que desengataram, Murilo saiu na frente enquanto Otávio falou que ia dar uma ajeitada na bagunça.

Ao voltar para sua poltrona, Murilo o puxou para uma nova sessão de beijos, dessa vez mais calmos, saboreando o balé das línguas, lábios roçando, descoberta de texturas e sabores, até que o cansaço bateu de vez e ambos dormiram, agarrados como um casal de namorados.

Foram acordados pela freada do ônibus. Era a parada de Mossoró, 15 minutos, anunciou o motorista. No meio da madrugada, foram ao banheiro masculino vazio do posto e nem precisaram do pretexto de mijar, ambos queriam putaria e sem preliminares, Murilo fodeu Otávio novamente, contra a pia, olhando no espelho enquanto estocava fundo, uma mão tapando a boca dele para abafar os gemidos e a outra segurando as ancas pra rola entrar toda. Uma foda nervosa, rápida, feito dois coelhos. Gozaram de novo, dessa vez Murilo gozou primeiro e Otávio rebolou em sua pica até gozar. Ajeitaram-se na pressa e voltaram pro ônibus suados e respirando acelerado. O motorista, à porta do ônibus, parecia só estar esperando os dois e olhou para eles com uma cara de interrogação, mas nada disse. Apenas deixou evidente sua desconfiança.

Já quase amanhecendo, a poucos quilômetros de Fortaleza, foram despertados pelos primeiros raios de sol e no banco onde estavam sentados, tiveram a terceira rodada. Dessa vez mais lento, quase preguiçoso. Otávio de lado, olhando pra janela, Murilo também de lado, atrás dele, metendo devagar, mordendo seu pescoço, sua nuca, dizendo baixarias sussurradas:

- Rebola na minha pica, putinho... aperta esse cu gostoso no meu pau e pisca, vai, prende ele com teu rabo… vai safado… rebola, vai… se não fosse a camisinha eu te engravidar pra tu chegar em casa e beijar tua esposa com o cu leitado, minha porra escorrendo dele e melando tua cueca… meu putinho gostoso…

Gozaram quase juntos, Murilo enchendo a camisinha que foi ao banheiro jogar na lixeira junto com o papel higiênico que Otávio usou para se limpar. Quando o ônibus estacionou na rodoviária de Fortaleza, perceberam o olhar claramente desconfiado, quase acusatório, do motorista, mas fizeram cara de paisagem, desviaram o olhar. Provavelmente, ele já devia ter visto acontecer outras vezes. Com suas pequenas bagagens nas mãos, os dois trocaram números.

— Quando voltar pra Natal… me telefona — disse Murilo, com um sorriso safado.

Otávio chegou em casa cansado, a cara amassada e o cu dolorido, tanto tempo sem dar, levou três roladas numa noite e de uma pica deliciosamente grossa, curva, pegava ele de jeito. Alice o recebeu amorosa, com beijos e abraços carinhosos e o despachou pro banho enquanto preparava o café da manhã. Debaixo do chuveiro forte, Otávio passou os dedos pelas pregas machucadas, sentiu o leve inchaço, a dorzinha gostosa e ficou de pau duro, teve vontade de bater uma ali, mas era melhor sossegar o facho, Alice lhe esperava para tomar café.

O restante do final de semana foi dedicado a providenciar coisas que ainda faltavam pro quarto do bebê e para rever parentes. O tempo passou voando e no domingo a noite, Otávio fez o trajeto de volta, dessa vez sozinho, Murilo tinha dito que só voltaria na segunda durante o dia.

Duas semanas depois, em Natal, quando achava que aquele encontro tinha sido lance de uma vez só, o telefone do apto tocou, ele pensou que era Fonseca, tinham ficado de conversar, mas o colega e mentor disse que era mais seguro falarem fora dos telefones da superintendência, mas era Murilo. Ouvir a voz grossa dele fez o coração de Otávio disparar, começaram a conversar e o novo amigo logo mostrou sua atitude assertiva:

- Cara, bora se ver, aí a gente bota os assuntos em dia, toma uns goró, esse fim de semana não fui pra Fortaleza, você também não, então temos dois dias pra resenhar…

Combinaram o horário e ele apareceu no apartamento estilo estúdio onde Otávio morava, vestindo bermuda de brim, camisa escura e sandálias de couro, bem verão. Foram a um bar ali mesmo em Ponta Negra e passaram a tarde bebericando caipirinhas, comendo petiscos e trocando ideias, contando histórias, Murilo explicou que ao retornar foi enviado ao sertão potiguar em ações de fiscalização, por isso a ausência e nesse clima de camaradagem, viram o sol se pôr, a tensão sexual palpável, até que Otávio fez o convite óbvio:

- Bora lá pra casa…

Entraram no apartamento se agarrando, os beijos começaram ainda no elevador, os dois de pau duro, cheios de tesão. Uma vez pelados, deitaram na cama e passaram a noite de sábado transando sem pressa: chupadas profundas, 69 demorados, Otávio sendo arrombado de quatro na cama, depois cavalgando enquanto Murilo o masturbava. Gozaram várias vezes, sujando lençóis, peito, rosto, o cestinho de lixo do banheiro se enchendo de camisinhas recheadas de porra. Dois caras casados, héteros na aparência, descobrindo o quanto precisavam daquilo para aguentar a distância e a gravidez que seguia em Fortaleza.

A proximidade aumentou, passaram a se falar mais frequentemente, a combinar passeios, a tentar conciliar agendas para irem e voltarem juntos de Fortaleza, até que Murilo um dia propôs:

´- topa dividir a gasolina e a direção? A gente pode ir e voltar de carro de vez em quando. Assim a gente vai e volta com mais liberdade e conforto.

Nessa tocada, seguiram pelas próximas semanas, a intimidade crescendo, até que o telefone avisou: Alice entrara em trabalho de parto. Otávio ligou pra Murilo que o levou pro aeroporto, pegou o primeiro voo disponível pra Fortaleza e foi viver a mais nova aventura: ser pai!

Quando segurou Theo pela primeira vez em seus braços, Otávio foi tomado por uma emoção que ele nunca imaginara sentir. Aquele corpinho pequeno, cheiroso, dengoso, era vida gerada por ele, continuidade, uma forma de seguir no mundo através do outro. Amou seu filho desde o primeiro momento em que o viu. De Fortaleza avisou o chefe e conseguiu a concessão de antecipar mais um período de férias, além da que já tinha deixado de sobreaviso, junto com licença para ficar o maior tempo possível. Assim, foram os três primeiros meses da vida de pai, ajudando Alice a cuidar do bebê, junto com sua mãe e sua sogra que se mudaram para o apartamento para revezar com ela nos cuidados com o neném. Alice tinha bastante leite, o que ajudava a colher e encher as mamadeiras para alternar com a amamentação e assim dar um descanso à mãe. Fora isso, tinha o lado chato de receber visitas, fazer sala para os parentes, enfim…

O bacana foi que o nascimento do filho serviu de pretexto para introduzir Murilo e Leticia no círculo de amizades dele e Alice. As esposas gostaram uma da outra e gostaram de saber que os maridos tinham um amigo casado em Natal para se fazerem companhia, já que Letícia, ciumenta, detestava a ideia de Murilo ter amigos solteiros, podiam levar ele pro mau caminho, a amizade com Otávio foi saudada como uma sorte, o casamento dela e Murilo estava a salvo, mal sabia ela…

Quando chegou a hora de ir embora, Otávio chorou desconsolado. Era muito doloroso ter que voltar pra Natal e perder o convívio diário com seu filhotinho lindo. Theo crescia saudável, um trocinho gorducho, lindo, dormia bem, chorava pouco, uma benção de filho. Murilo se organizou para vir de carro naquele final de semana, assim voltaria juntos. O trajeto foi feito entre lamúrias de um pai babão e angustiado. Murilo respeitou o momento e não fez menção a nenhuma sugestão com conotação sexual, ele tinha feeling pra saber que ainda não era o momento para voltarem ao assunto.

Alguns dias após o retorno a Natal, Otávio estava arrumando as coisas no pequeno apartamento quando o celular vibrou. Reconheceu o número de Murilo, atendeu com um sorriso na voz:

— E aí, sumido? Qual a boa?

- A boa tá aqui dura na minha mão, com saudade de uma certa boquinha gulosa que deixa ela ainda mais dura pra machucar um cuzinho apertado que eu adoro…

O coração de Otávio deu um salto ouvindo aquilo. “Porra, que saudade da rola dele”, pensou, mas era mais que isso. Aceitou imediatamente o convite para se encontrarem, mas Murilo não quis ir direto pra fodelança, disse que tinham a noite inteira pra curtir, antes queria dar uma passada num barzinho pé na areia. A conversa fluía fácil, risadas altas, toques “acidentais” no braço, no joelho. Quando o bar fechou, foram direto para o apto de Murilo dessa vez. Mal fecharam a porta e já estavam se devorando.

Murilo empurrou Otávio contra a parede, ajoelhou e engoliu o pau dele com fome. Chupava fundo, babando, olhando para cima com aqueles olhos escuros cheios de desejo. Otávio segurou a cabeça dele e fodeu sua boca com estocadas curtas e grossas, batendo no fundo da garganta. Depois virou Murilo de quatro na cama, cuspiu no cu dele e meteu devagar, sentindo o anel apertado ceder centímetro por centímetro até suas bolas encostarem na bunda musculosa.

— Caralho, Otávio… me fode gostoso — gemeu Murilo, empinando mais.

- Porra, até que enfim, achei que você nunca ia liberar esse rabo pra mim…

- Ué, você nunca pediu… Rabo não se oferece, se conquista, mas você é vacilão, cansei de esperar você querer lascar meu rabo com essa chibata… anda, vem, me come, de hoje tô querendo que você me arregace…

Otávio sabia que sua rola exigia cuidados, sutilezas, preparo. Caiu de boca no rabo de Murilo e lambeu aquele cuzinho de todos os modos, provocou o máximo pra deixar Murilo alucinado. Depois pegou a camisinha extra larga que Fonseca tinha trazido dos Estados Unidos e enviado pra ele pelo malote. Bem mais confortável que as nacionais, apertava menos, mas ainda assim dava aquela sensação de aprisionamento. Lubrificou bastante com o gel que Murilo lhe estendeu, depois passou no seu rabo e encaixou a pica. Foi pressionando, a rola vencendo a resistência e pouco a pouco o pauzão de Otávio foi invadindo o cu de Murilo. Sempre que ele dava sinais de desconforto, Otávio parava, acariciava as costas do parceiro, dava beijinhos na nunca, sussurrava palavras de encorajamento e paixão ao pé do ouvido até que completou a missão.

Uma vez todo enfiado, deu um tempo, ficou parado, fazendo carinho em Murilo, vendo sua pele se arrepiar, ele gemer até que começou a dar uma reboladinha e Otávio entendeu que ele tava pronto. A partir daí meteu forte, segurando os quadris, o som molhado das estocadas enchendo o quarto. Quando gozou, encheu a camisinha até quase transbordar. Tirou o pau devagar, arrancou a camisinha, prendeu a ponta e jogou no chão enquanto virava Murilo e passava a chupar o pau dele até o amigo gozar na sua boca, jatos quentes e grossos que ele guardou na boca até a rola de Murilo parar de pulsar. Levantou-se e foi ao banheiro cuspir aquela fartura de porra na pia, lavou a boca e voltou pra cama. Se beijaram apaixonadamente, Murilo tinha ficado siderado com a experiência de dar para “o maior pau que ele já viu na vida”, como fazia questão de frisar. Nesse clima de intimidade profunda, dormiram abraçados e acordaram tarde no dia seguinte. Tomaram banho juntos, foram na padaria saborear um café gostoso e de lá ao apartamento de Otávio para ele vestir roupas limpas.

Curtiram o sábado na companhia um do outro, almoçaram juntos num restaurante de frutos do mar, caminharam pela praia de Ponta Negra ao entardecer, conversando sobre tudo: trabalho, frustrações e dificuldades do casamento, questões com as esposas, medos da paternidade. Havia uma cumplicidade natural, como se se conhecessem há anos. Riam das mesmas piadas idiotas, gostavam dos mesmos filmes, tinham opiniões parecidas sobre política e vida. Os encontros se repetiram. Toda vez que Murilo permanecia em Natal, ou quando Otávio tinha algum tempo livre durante a semana, estavam juntos, já que, por conta do filho, ele passou a ir para Fortaleza todo final de semana. O sexo continuou intenso, mas ganhou camadas novas.

Uma noite, depois de um cinema, voltaram ao estúdio bêbados de cerveja e desejo. Murilo, que tinha voltado a ser o ativo da relação, criou coragem:

— Quero sentir você de novo hoje...

Otávio ficou surpreso e excitadíssimo. Depois daquela primeira vez, Murilo tinha dito que tinha adorado a experiência, mas não sabia se ia aguentar dar pra ele de novo. Então, Otávio voltou a se o passivo da relação sem reclamar. Ele gostava, Murilo lhe comia de um jeito muito especial, sendo mais alto, o encaixe era perfeito.

Colocou Murilo de barriga para cima, levantou suas pernas e lambeu aquele cu peludinho com devoção — língua girando, penetrando, chupando até Murilo gemer como uma puta. Depois encapou e lubrificou o próprio pau (grande, grosso, veioso) e foi entrando devagar. Murilo agarrou os lençóis, rosto contorcido de dor e prazer.

— Devagar… porra, tinha esquecido o quanto essa rola é enorme… — ofegava.

Quando Otávio estava todo dentro, começou a estocar. Primeiro lento, depois mais fundo e ritmado, batendo na próstata. Murilo redescobriu um prazer que parecia ter esquecido: o pau dele babava sem parar enquanto era arrombado. Gozou sem tocar no próprio cacete, jatos longos que molharam sua barriga. Otávio gozou logo depois, enchendo a camisinha que quase vazou.

A partir dali os papéis se inverteram com naturalidade. Eram versáteis de verdade. Uma noite Otávio era o macho dominador, fodendo Murilo contra a parede do banheiro até ele pedir arrego. Na outra, Murilo prendia os pulsos de Otávio na cabeceira da cama e o comia de lado, mordendo seu ombro enquanto metia fundo, sussurrando no ouvido dele o quanto gostava de senti-lo apertado.

Emocionalmente, os dois navegavam em território perigoso e delicioso. Otávio se pegava pensando em Murilo durante a semana, sorrindo sozinho no trabalho. Sentia culpa quando falava com Alice no telefone — ela radiante com Theo começando a engatinhar, os primeiros dentinhos aparecendo —, mas a culpa se dissolvia quando estava com Murilo. Era como se, pela primeira vez, ele tivesse alguém que realmente o via inteiro: o policial sério, o pai ansioso, o marido dedicado e, por trás de tudo isso, o homem com desejos que não cabiam mais na caixa de “hétero casado”.

Murilo confessou certa noite, depois de um sexo lento e suado em que ficaram de conchinha, pau ainda dentro:

— Nunca pensei que ia sentir isso por outro cara. Não é só foder… é gostar de estar contigo. De verdade.

Não deram nome. Não falavam em “namoro”. Mas era isso. Namoravam sem dizer. Passeavam de mãos dadas discretamente na praia de noite quando viam que estavam sozinhos naquele paraíso, dividiam cerveja no mesmo copo, dormiam abraçados. Otávio descobriu que gostava de fazer café da manhã para Murilo. Murilo começou a deixar uma escova de dentes no estúdio.

A ligação se aprofundava tanto quanto o sexo ficava mais selvagem. Numa tarde chuvosa, transaram por quase três horas seguidas: boquete 69, Murilo cavalgando Otávio com vontade, depois Otávio fodendo Murilo de quatro enquanto batia na bunda dele, marcando a pele. Gozaram três vezes cada um, exaustos, suados, rindo de puro prazer.

Deitados na cama bagunçada, Murilo passou os dedos no peito de Otávio e murmurou:

— A gente tá fodido, né?

Otávio riu baixo, puxou-o para mais perto e respondeu:

— Tá. Mas tô gostando pra caralho dessa foda toda.

Duas semanas depois do último encontro intenso, Murilo desceu novamente para Natal. Dessa vez ficou quatro dias inteiros. No segundo dia, enquanto os dois tomavam café da manhã nus na pequena cozinha do estúdio, o celular de Murilo tocou. Os celulares não eram desenvolvidos como hoje, mas já informava o nome e o nº na tela: Letícia. Murilo hesitou por um segundo, olhou para Otávio com uma expressão que misturava culpa e resignação, e atendeu:

— Oi, amor. Tudo bem por aí?

Otávio ficou em silêncio, observando a conversa, que era o que lhe cabia. Letícia e Murilo eram casados há nove anos. Dois anos mais nova que ele, tinha 32 anos, era professora do curso de História da universidade estadual. Ela era uma mulher bonita, Otávio ficou bem impressionado quando a encontrou pela primeira vez em Fortaleza: morena de pele clara, cabelos lisos longos, corpo cheio mas bem cuidado, com quadris largos e seios generosos. Diferente de Alice, que era mais contida e intelectual, Letícia, embora também fosse do meio acadêmico, era extrovertida, carinhosa e, segundo a queixa de Murilo, ciumenta e um tanto carente. Murilo sempre dizia que ela era “uma ótima mulher”, mas que o sexo entre eles tinha esfriado muito nos últimos anos — principalmente depois que ela teve o segundo filho e ele descobriu o gosto por homens. Aliás, esse assunto era evitado por Murilo, todas as vezes que foi perguntado sobre sua primeira experiência gay, ele desconversava. Otávio sabia que havia algo complicado ali mas respeitava a reticência do amigo em se abrir em relação a isso.

Enquanto Murilo falava ao telefone, Otávio se levantou devagar, caminhou até ele e se ajoelhou entre suas pernas. Murilo arregalou os olhos, mas não o impediu. Otávio pegou o pau ainda mole do amante na boca e começou a chupar devagar, olhando para cima com malícia.

— Sim… tô bem. O trabalho aqui tá tranquilo… — Murilo tentou manter a voz normal, mas sua respiração mudou quando Otávio engoliu ele inteiro, a garganta apertando a cabeça da rola.

— Não, nada não… só acordei agora. Saudade de você também.

Letícia continuou falando sobre o dia a dia em Fortaleza, sobre a reforma da cozinha que queria fazer, sobre sentir falta dele na cama. Murilo acariciava o cabelo de Otávio enquanto era chupado com devoção, o pau endurecendo completamente na boca quente. Quando a ligação finalmente terminou com um “te amo, volta logo”, Murilo jogou o celular no sofá e gemeu alto:

— Seu filho da puta… você é louco.

Otávio sorriu com o pau dele na boca, tirou ele todo babado e respondeu:

— Senti saudade do teu gosto.

Murilo puxou Otávio para cima com força, beijou-o com fome, sentindo o próprio gosto na língua do amante. Catou uma camisinha no bolso da bermuda, empurrou Otávio de costas sobre a mesa da cozinha e meteu de uma vez, sem piedade. O cu de Otávio, já acostumado, recebeu a rola grossa com facilidade. Murilo fodeu com raiva e tesão, estocadas profundas e fortes, a mesa rangendo.

— Você gosta disso, né? De me fazer trair a Letícia bem na cara dela… — grunhia, dando tapas na bunda de Otávio.

— Gosto mais ainda de saber que você pensa em mim quando tá com ela — rebateu Otávio, gemendo.

Murilo gozou dentro dele com um rugido. Depois virou Otávio, ajoelhou e retribuiu o boquete até o amigo gozar em sua garganta.

A introdução de Letícia na equação trouxe uma nova camada de complexidade emocional. Murilo falava dela com carinho genuíno — não era um casamento ruim, apenas incompleto. Ela representava a vida “normal”: a casa, os planos de verem os filhos crescerem, as festas de família, o desejo de reunir a família de vez na mesma casa, na mesma cidade. Otávio, por sua vez, sentia uma pontada estranha de ciúme quando Murilo mencionava o nome dela. Ciúme que ele não tinha direito de sentir, mas que estava lá.

Mesmo assim, o laço entre os dois só se fortalecia. À noite foram ao teatro assistir a uma peça local. Durante o espetáculo, Murilo segurou discretamente a mão de Otávio no escuro. Depois do teatro, voltaram para o estúdio e fizeram amor de forma diferente: lento, quase romântico. Murilo deitou de lado, levantou uma perna e deixou Otávio entrar devagar por trás. Ficaram assim por muito tempo, estocadas longas e profundas, beijando-se no pescoço, Otávio masturbando o pau grosso de Murilo no mesmo ritmo.

— Eu gosto demais de você… — murmurou Murilo, quase contra a vontade, enquanto gozava nos lençóis.

Otávio gozou dentro dele logo depois, abraçando-o forte, sentindo o peito apertado. Nenhum dos dois disse a palavra “namoro”, mas os gestos já eram de namorados: Murilo deixando roupas no estúdio, Otávio guardando o vinho preferido dele, os dois planejando o próximo fim de semana juntos como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Letícia existia. Alice existia. As maternagens, os compromissos, as mentiras… tudo existia. Mas dentro daquele estúdio em Natal, Otávio e Murilo construíam um mundo só deles — perigoso, intenso, profundamente íntimo e viciante.

E a cada reencontro, ficava mais difícil imaginar um futuro sem isso.

Naquela mesma noite, depois do sexo lento e profundo, os dois ficaram deitados na cama, suados, o ar pesado de sêmen e intimidade. Otávio traçava círculos preguiçosos no peito de Murilo. O silêncio, antes confortável, de repente parecia carregado.

— Às vezes eu me pergunto que porra a gente tá fazendo — murmurou Murilo, olhando para o teto. — Eu amo a Letícia. De verdade. Ela não merece isso.

Otávio sentiu um aperto no peito. Ele também amava Alice. Amava a mulher que lhe deu seu primeiro filho, a doutoranda dedicada que estava construindo um futuro com ele. E mesmo assim ali estava, com o cu ainda latejando do pau de outro homem, sentindo o cheiro dele na própria pele. Essa era a essência da dupla traição: não era apenas trair as esposas. Era trair também a imagem que tinham de si mesmos.

Para Otávio, a evolução da sua relação com Murilo trouxe a dimensão da traição, que ele não tinha sentido tanto com as transas eventuais. Nem mesmo seu vínculo com Peixoto, que permanecia até hoje, ainda que se encontrassem raramente, quando ele era chamado a Brasília, tinha gerado um conflito psicológico tão profundo, até porque ele via Fonseca como um mentor, nada mais que isso. Um parceiro de foda e amigo. O que perturbava Otávio e fazia ele ir e vir na sua jornada de autoaceitação era o fato de que ele sempre se viu como um homem de palavra, responsável, protetor. Agora, com Alice, isso se amplificava isso: ele era o pai além do marido. Cada viagem a Fortaleza era um misto de amor genuíno e culpa dolorida. Quando Alice embalava o bebê diante dele, Otávio sentia lágrimas nos olhos — não só de emoção, mas também de culpa vergonhosa.

Porém, com Murilo ele experimentava algo que nunca tivera: desejo sem esforço, aceitação total, uma cumplicidade que ia além do corpo. O sexo com Murilo não era só físico; era validação. Ser desejado por outro homem forte, ver Murilo se entregar completamente (gemendo, pedindo para ser arrombado, gozando sem tocar no próprio pau), alimentava um ego masculino que a rotina matrimonial não alcançava mais. Aliás, desde que o bebê nasceu, ele não fez sexo com Alice, todas as vezes que procurou, ela deu alguma desculpa.

A forma como ela o evitava na cama, tornava a racionalização automática: “Não estou abandonando Alice. Isso é só sexo que ela não quer me dar. É diferente.” Mas a mente não se engana por muito tempo. O que ele sentia por Murilo já não era “só sexo”. Era afeto. Era paixão. E essa verdade o aterrorizava.

Murilo carregava outra camada. Letícia era carinhosa, presente, queria mais um filho. Era a “mulher certa”. Ele se sentia um monstro por desejar outro homem com tanta intensidade. A culpa aparecia especialmente depois do orgasmo — o famoso “cair na real”. Nesses momentos, ele se via como um traidor, um mentiroso, quase um predador.

Mas o desejo era mais forte. Quando Otávio o penetrava devagar, olhando nos seus olhos, Murilo se sentia visto. Não como o profissional competente, o marido estável, mas como um homem com fome, com buracos emocionais que Letícia, por mais que amasse, não conseguia preencher. Ser passivo com Otávio também trazia uma entrega psicológica poderosa: abrir o corpo e a mente para outro homem significava abandonar, por alguns minutos, o papel de “macho provedor” que ele carregava em casa. A cumplicidade na culpa era outro vínculo presente entre os dois.

Alguns dias depois, após um almoço tranquilo à beira-mar, eles voltaram ao estúdio. A conversa fluiu para o tema inevitável.

— Eu me sinto um merda quando falo com ela — confessou Murilo, tirando a camisa de Otávio. — Mas quando tô com você… parece que tudo faz sentido.

Otávio o beijou com urgência, como se o beijo pudesse apagar a culpa. Empurrou Murilo na cama e desceu chupando seu corpo inteiro: mamilos, barriga, virilha. Engoliu o pau grosso até o fundo, babando, engasgando, olhando nos olhos dele. Depois subiu, posicionou-se por cima e desceu devagar, empalando-se na rola grossa de Murilo.

— Porra… — gemeu Otávio, sentindo-se aberto, preenchido, dominado.

Ele cavalgou com vontade, o pau imenso batendo na barriga de Murilo a cada descida. As estocadas eram brutais, acertando sua próstata sem piedade. Murilo gozou primeiro, Otávio sentiu sua rola pulsando dentro dele. Desmontou da cavalgada que deu, o virou de quatro e terminou fodendo Murilo com força, segurando o quadril dele, gozando fundo enquanto mordia seu ombro.

Deitados novamente, colados, veio a parte mais perigosa: a honestidade.

— A gente tá construindo alguma coisa aqui — disse Murilo baixinho. — E quanto mais a gente constrói, mais a gente destrói lá em Fortaleza. Isso tem nome, né? Dupla traição. Traímos elas… e traímos também a versão “boa” de nós mesmos.

Otávio ficou em silêncio por um tempo, passando os dedos pelos cabelos de Murilo.

— Eu sei. E o pior é que eu não quero parar. Pela primeira vez na vida eu me sinto… inteiro. Com você eu não preciso fingir nada. Nem que sou só hétero, nem que sou só marido, nem que sou só pai. Eu sou tudo isso. E sou também isso aqui.

A psicologia da dupla traição era perversa: quanto maior a culpa, maior o prazer. O risco alimentava a paixão. Cada ligação para as esposas se tornava uma performance. Cada “te amo” dito para Alice ou Letícia carregava um peso maior — porque era verdade e mentira ao mesmo tempo.

Eles temiam o futuro. Sabiam que as mentiras teriam que se tornar mais sofisticadas. Sabiam que, em algum momento, algo iria rachar. Mas naquele momento, abraçados no estúdio pequeno de Natal, com o cheiro de sexo no ar e o coração acelerado, os dois escolheram continuar traindo. Porque parar significaria trair a si mesmos — e isso, agora, parecia ainda mais insuportável.

O futuro chegou. Quase três anos se passaram. A relação entre Otávio e Murilo havia se tornado o eixo central da vida emocional e sexual de ambos, mesmo sem nunca ter recebido um nome oficial. Alice e o filho deles (Theo, agora com três anos) moravam em Fortaleza, onde Otávio ainda mantinha o apartamento e ia religiosamente a cada quinze dias. Letícia, por sua vez, continuava em Fortaleza, cada vez mais dependente emocional de Murilo, que inventava plantões e pretextos para só ir a Fortaleza nos finais de semana combinados com Otávio. As chances de transferências seguiam imprecisas e inalteradas mas Fonseca deu uma nova esperança a Otávio. Com o crescimento de Fortaleza, aeroporto ampliado, novos voos internacionais, a chance de abrir mais vagas na superintendência de lá era real e ele tinha possibilidades de se dar bem na concorrência interna pelas vagas que, certamente, seriam muito disputadas. Para Murilo até apareceu uma vaga mas para o Cariri e ele preferiu ficar em Natal para estar perto de Otávio.

Eles tinham chaves um do outro. Dormiam juntos quatro ou cinco noites por semana. Faziam amor com a intimidade de casados e a fome de amantes proibidos. Eram versáteis, safados, cúmplices. Mas a sombra da traição continuava rondando: crises de culpa, silêncios pesados, promessas silenciosas de que “um dia” algo teria que mudar.

Num final de semana em que Otávio teve que ir sozinho para Fortaleza, uma viagem não programada, de última hora, Alice estava com febre alta e ele correu pra lá para ajudar, tanto para cuidar dela, como do filho, deixar isso nas mãos dos sogros seria insensibilidade e falta de compromisso dele. Ligou para o chefe que o liberou, a Superintendência não tinha muita demanda naquele momento, então foi tranquilo. Se sentindo sozinho, Murilo saiu para correr na praia de Ponta Negra. Na ida, sentiu que alguém estava olhando para ele. Um cara moreno, másculo, malhado, estava se alongando e mal disfarçando o interesse em Murilo. Rolou uma troca de olhares, uma pegada na rola mas Murilo seguiu em frente, ainda que a excitação da conquista tenha lhe trazido quase uma nostalgia de quando estava solteiro. Ao pensar dessa forma, tomou um susto, ele de fato colocava Otávio no compartimento do relacionamento amoroso. Talvez por isso, tenha sido o impulso da rebeldia tomando conta da sua mente. Fez o percurso de volta desejando reencontrar o rapaz que lhe paquerou e não deu outra. Não foi preciso muita encenação para começarem a conversar: Rafael, 29 anos, corpo definido de quem malha pesado, pele morena, sorriso fácil, vindo do interior do Rio Grande do Sul para assumir um cargo na Receita Federal em Natal.

A paquera começou leve, foram comer um açaí, papo fluido, risada. Terminou com Rafael de quatro no sofá do apartamento de Murilo, sendo arrombado sem piedade durante horas. Murilo, que ultimamente vinha sendo bastante versátil com Otávio, fodeu Rafael com um misto de tensão e tesão. Como se ele quisesse expiar todo o complexo sentimento que sua relação com Otávio tinha trazido para sua vida. Rafael respondeu com intensidade e volúpia. Foderam o fim de semana inteiro: na cama, no chuveiro, na varanda à noite. Murilo gozou mais vezes do que conseguia contar, sentindo-se desejado de forma nova, perigosa. Rafael não era só sexo. Era leveza. Não tinha esposa, não tinha filho, não carregava culpa. E agora moraria em Natal.

Quando Otávio voltou, percebeu na hora que algo estava diferente. Murilo parecia ausente, distante, menos disponível, inventava compromissos. O sexo continuava bom, mas faltava a entrega total de sempre. Otávio sondou, Murilo desconversou. A desconfiança virou certeza. Numa quinta-feira à noite em que ele convidou Murilo para ir ao cinema e ele recusou alegando cansaço, Otávio teve a intuição de ficar de tocaia. Viu Murilo chegar com Rafael. Esperou quase 20 minutos eternos, coração disparado, mistura tóxica de fúria, dor e algo que ele não sabia definir, uma espécie de excitação sombria. Enfim, tomado de coragem mas com as mãos geladas e o coração batendo na garganta, se dirigiu ao apartamento, ouviu o silêncio colando o ouvido a porta, raciocinou “estão no quarto” e entrou com a própria chave, silenciosamente, abrindo a porta meticulosamente. O apartamento estava iluminado só pela luz baixa do quarto. Os gemidos chegavam claros até a sala. Otávio caminhou até a porta entreaberta e viu. O cara, que ele ainda não sabia o nome, estava de quatro no meio da cama, completamente nu, empinando a bunda enquanto Murilo o fodia com força. O pau grosso e brilhante de Murilo entrava e saía do cu do rapaz, que gemia alto, rosto enterrado no travesseiro:

— Isso… caralho… mete mais fundo… me arromba…

Murilo, de costas para a porta, alheio a presença de Otávio, segurava os quadris dele com firmeza, dando estocadas potentes, suado, falando baixo:

— Gostoso pra porra esse cu… você nasceu pra levar rola, hein Rafa?

Otávio sentiu o mundo girar. Dor aguda no peito. Tontura. Ânsia de vômito. Arrepios percorrendo o corpo, pensou em sair correndo mas as pernas tinham virado chumbo, não conseguia se mover. Seguiu assistindo incrédulo a foda sideral dos dois e, aí, começou acontecer algo completamente fora de cogitação: ele estava sentindo uma excitação brutal. Seu pau ficou duro latejando a cada socada de pica de Murilo no cu do tal do Rafa. Lágrimas e tesão ao mesmo tempo. A percepção do tesão trouxe a Otávio um misto de raiva e culpa. Ele não podia continuar ali. Ele precisava fazer alguma coisa. Então ele empurrou a porta, abrindo ela de vez. O rangido da dobradiça tirou os dois da luxúria da foda. Os dois congelaram. Rafael apavorado sem entender que era aquele homem no apartamento do seu peguete.

— Otávio… — Murilo arregalou os olhos, pânico puro no rosto.

Rafael saiu de baixo dele imediatamente, e se encolheu na cama, sem saber o que fazer. Se Murilo conhecia aquele cara, então a história era outra e ele não tinha ideia de como lidar com aquele flagrante. O pau de Murilo ainda duro, a camisinha brilhando de lubrificante e dos fluidos corporais do rabo de Rafal, surpreendentemente, não amoleceu.

Durante aqueles cinco segundos o silêncio foi ensurdecedor. Otávio fechou a porta atrás de si, encostou-se nela e respirou fundo. Armado de uma determinação que ele não sabia existir dentro dele, falou com a voz rouca e grave:

— Continua.

Murilo piscou, confuso diante daquela ordem.

— O quê?

— Eu mandei continuar — disse Otávio, tirando a camisa devagar, o pau marcando forte na calça. — Quero ver.

Rafael, sem entender nada, mas excitado com a tensão, olhou para Murilo. Este, tremendo de vergonha, tesão e medo, assentiu devagar. Rafael voltou a ficar de quatro e Murilo meteu novamente, mais devagar agora, olhando para Otávio. Murilo gemeu, olhos fixos no amante traído. Otávio tirou o resto da roupa, sentou-se na cama, junto da cabeceira e começou a se masturbar devagar, assistindo o homem que amava possuindo outro. Um estranho. Um cara do qual ele nunca tinha ouvido falar. Há quanto tempo? Como começou? De onde eles se conheciam? A torrente de pensamentos não cortava a conexão de Otávio com a cena devastadora e eroticamente insana. Murilo gemia mais alto, quase em desespero, alternando o olhar entre Otávio e Rafael. Quando Rafael passou a rebolar mais rápido e gozou, jatos fortes no lençol, Murilo gozou também, dedos cravados feito garras no quadril de Rafael.

Antes que se mexessem e desabassem sobre o colchão, Otávio se levantou, aproximou-se, segurou o rosto de Murilo e o beijou com força, quase com raiva.

— Agora eu vou te comer — ordenou.

Murilo, ainda com o pau cheio de porra dentro de Rafael, saiu meticulosamente e nem tirou a camisinha, apenas ficou de quatro e esperou, dócil. Otávio meteu nele com tudo. Rafael assistia, surpreso e excitado. Otávio gemia alto, puto, excitado, destruído. Fodia com ódio enquanto Murilo aceitava seu castigo como quem pede perdão com o corpo. Gozaram quase juntos, enquanto Rafael se masturbava assistindo.

Um novo silêncio ensurdecedor se estabeleceu. Otávio e Murilo desabaram juntos, engatados, sobre o colchão e ficaram respirando pesado. Sem saber o que fazer e como lidar com tudo aquilo, Rafael fez menção de se levantar, pegar suas coisas e ir embora. Otávio não deixou:´

- Fica aí, a gente precisa conversar.

Rafael sentou-se novamente. Veio o desfecho que ninguém esperava. Sentados na cama, os três suados e nus, afastados um dos outros, Otávio olhou para Murilo com lágrimas nos olhos, mas voz firme:

— Eu te amo, seu filho da puta. Faz três anos que eu te amo. E eu sei que você também me ama. Mas isso aqui — apontou para os três — me mostrou que a gente não aguenta mais viver mentindo pra todo mundo e fingindo que é só “nós dois escondidos”.

Ele respirou fundo.

— Ou a gente termina agora… ou a gente para de fingir que é monogâmico. Eu não aguento mais a culpa de trair Alice e saber que você tá traindo Letícia e ainda por cima traindo o que a gente tem. Quero algo real. Mesmo que seja doentio. Mesmo que seja complicado.

Murilo chorou. Pela primeira vez em três anos, chorou de verdade. Rafael, quieto, só observava. Era o elemento novo, sem passado, sem culpa. Depois de um longo silêncio, Murilo segurou a mão de Otávio:

— Eu não quero te perder. Mas também não consigo mais viver só na mentira. Talvez… a gente precise repensar tudo.

Três meses depois, Rafael havia se tornado parte da equação. Não como namorado dos dois, mas como um terceiro fixo — alguém com quem podiam ser livres, sem o peso das esposas. Otávio e Murilo continuavam o relacionamento principal, mais maduro e honesto um com o outro. Passaram a administrar as mentiras para Alice e Letícia com outra postura, sem terminar os casamentos, mas sustentando a distância e o afastamento como evidência da relação de cada um com sua esposa. Alice não se queixava, estava tão devotada ao papel de mãe que ter o marido em casa a cada 15 dias não era de todo mal. Já Letícia esperneava, choramingava, ligava, reclamava e Murilo desconversava, as vezes se exasperava e brigava, reconheceu a crise no casamento e chegou um dia a propor que a saída era abrir a relação mas a reação de Letícia foi tão forte, ela gritava “quem é a vagabunda? Eu vou a Natal quebrar essa rapariga no pau” que Murilo cortou um dobrado até fazer ela se acalmar e voltar ao padrão de lamúria e desconfiança. Cada um com sua cruz…

Os três se encontravam frequentemente, circulavam entre suas casas com total intimidade, cumplicidade e confiança. Às vezes só Otávio e Murilo. Noutras só Murilo e Rafael e até Otávio e Rafael tiveram seus momentos a sós. O rapaz, exclusivamente passivo, se sentia privilegiado ter dois machos pauzudos daqueles lhe comendo com regularidade. E quando se reuniam os três, a festa era certa. O sexo se tornou mais livre, exploratório e, estranhamente, menos culpado. A dupla traição evoluiu para uma tripla negociação de desejos, plena de camaradagem, numa época em que ainda não se falava em trisal.

Otávio, certa noite, deitado entre Murilo e Rafael, murmurou:

— Nunca imaginei que a dor de te pegar me traindo com esse gostoso aqui – ele parou para beijar Rafael. - ia me trazer pra mais perto de você.

Murilo beijou seu ombro e respondeu:

— Nem eu. Mas aqui estamos.

A saga não acabou. Apenas mudou de forma. Mais aventureira. Mais verdadeira. Mais complexa quando Otávio, na manhã seguinte, recebeu duas notícias que iram mudar radicalmente sua vida: saiu a transferência para Fortaleza e Alice estava grávida novamente.

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Foto de perfil de Xandão SáXandão SáContos: 60Seguidores: 232Seguindo: 139Mensagem Um cara maduro, de bem com a vida, que gosta muito de literatura erótica e já viu e viveu muita coisa para dividir com o mundo.

Comentários

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Muito bom mesmo, que tesão da porra. Continuo afirmando que adoraria encontrar um Otávio para ter como amante. Ele é muito foda. Gostoso, adora trepar e ainda por cima é versátil. UAU. Um sonho delicioso.

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