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A Mineira Subiu o Morro

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Um conto erótico de Camila
Categoria: Heterossexual
Contém 5591 palavras
Data: 24/07/2026 17:04:49

Ajustei a postura e o sorriso no espelho do fundo da loja, conferindo se a regata de seda azul não tinha marcado o suor. O ar-condicionado aqui no shopping do Rio é forte, mas o estoque é um abafamento só. O movimento na terça-feira à tarde estava baixo. Olhei para a vitrine e vi apenas o fluxo de pessoas passando pelo corredor, ninguém nem parava para olhar os manequins.

Cássia e Bia estavam encostadas no balcão principal, mexendo no celular, enquanto a Juju, que é a mais nova de nós quatro, organizava uma arara de vestidos curtos. Eu me aproximei delas. Sou a única mineira do grupo, então às vezes ainda me perco nas gírias ou na velocidade com que elas falam, mas o clima entre a gente é bom. Já saímos alguns sábados para beber ali na Barra após o expediente, o suficiente para eu saber quem está devendo no cartão e quem está enrolada com ex.

"E aí, o que vocês vão arrumar nesse final de semana?" Juju perguntou, soltando um cabide e olhando para nós com uma cara de quem tinha fofoca guardada.

"Vou cedo na academia para liberar o resto do dia para o Leo." Respondi, passando a mão pela cintura da minha calça off-white. "Ele quer ir ao cinema ver o Toy Story novo."

"Pois eu vou curtir." Juju anunciou, toda animada. Claramente só perguntou para poder contar isso. "Vou sair com aquele garoto que eu comecei a conversar no Instagram."

"Aquele bonitão das fotos no Vidigal?" Cássia finalmente entrou na conversa, guardando o celular na bolsa.

"Ele mesmo. Ele mora lá em cima, na parte alta. Vou subir para um churrasco na casa da família dele no domingo."

O anúncio me deu um nó no estômago. Eu travei por um segundo, mas disfarcei pegando uma fita métrica que estava em cima do balcão. No Rio, elas falam de "subir a favela" como se estivessem falando de ir à padaria. Para mim, que vim de uma cidade do interior de Minas, a palavra "favela" ainda me traz uma carga de perigo, de algo que a gente evita a todo custo. Eu pensava no Leo, no meu filho, e não conseguia imaginar a segurança de namorar alguém que vive em um lugar onde o jornal mostra operação policial todo dia.

"Mas Juju... lá no morro mesmo?" Perguntei tentando manter a voz neutra, sem deixar transparecer o que eu realmente achava.

"É, ué. Qual o problema?" Ela riu, percebendo meu tom. "O clima lá é outro, Camila. A vista é a melhor do Rio e o churrasco é de verdade."

Eu vi a Cássia e a Bia concordarem, dando risada e perguntando se o rapaz tinha amigos solteiros. Eu preferi ficar calada. Se eu falasse o que passou pela minha cabeça, que eu achava uma loucura ela se envolver com um "favelado" e se colocar em risco, eu ia ser a preconceituosa. Elas nasceram aqui, entendem essa dinâmica de um jeito que eu, com meus trinta anos e minha cautela de mãe solteira, não consigo aceitar.

Senti minhas coxas roçarem uma na outra quando mudei o peso do corpo de uma perna para a outra. Aquela conversa me deixou desconfortável. Voltei a organizar as blusas de algodão na prateleira de baixo, focando no trabalho para não precisar comentar mais nada. Na minha cabeça, eu só conseguia pensar que, por mais que eu vivesse no Rio há anos, certas coisas eu nunca ia achar normaisA semana passou voando entre o vai e vem de cabides e as metas de vendas que a gerente não parava de cobrar. Eu já tinha até esquecido o assunto do namorado da Juju, até que, na quinta-feira da outra semana, durante o horário de almoço no refeitório apertado do shopping, ela soltou a bomba.

"Sábado agora tem baile lá em cima. O convite tá feito, quero as três comigo. Sem desculpas!"

Senti um calafrio subir pela espinha. Cássia e Bia começaram a planejar o visual na mesma hora, falando sobre qual body usar e se o salto seria muito perigoso para subir a ladeira. Eu fiquei ali, mastigando minha salada com frango, sentindo o peso do silêncio no meu lado da mesa.

"Ih, olha a cara da Camila." Juju riu, me cutucando. "Vai dizer que tem desenho com o Leo de novo?"

"Pior que não." Respondi, tentando forçar uma naturalidade que eu não tinha. "Esse é o final de semana que o Leo vai passar com o pai. Eu ia... sabe como é, aproveitar para dar uma geral no apartamento."

As três me olharam como se eu tivesse falado grego.

"Ah, não! Você está muito enfiada em casa, mineira." Bia decretou. "Precisa ver o que é o Rio de verdade, sentir o grave no peito."

Eu tentei pensar em qualquer outra desculpa. Eu não queria parecer a chata, a medrosa ou, pior, a preconceituosa que elas achavam que eu era por ser de fora.

"Vai ser tranquilo, Camila!" Juju insistiu, baixando o tom de voz de um jeito mais sério. "O meu namorado é respeitado lá. Ninguém encosta em quem tá com a gente. É só música e cerveja gelada."

Olhei para as três. Elas pareciam tão seguras, tão adaptadas àquela realidade que, para mim, ainda parecia um cenário de filme de ação. Sem o Leo em casa para me dar o álibi perfeito de "mãe dedicada", eu me vi acuada.

"Tá bom, eu vou." Soltei, antes que pudesse me arrepender.

O grito de comemoração delas quase chamou a atenção do pessoal da limpeza. Eu sorri por fora, mas por dentro, minha cabeça já estava projetando mil situações de risco. Voltei para o balcão da loja sentindo que tinha acabado de assinar um contrato com o perigo, pensando seriamente se eu tinha alguma roupa que não me fizesse parecer uma turista assustada no meio do morroEntregar o Leo para o Murilo no sábado de manhã foi mais difícil do que o normal. Ver o sorriso do meu filho, pulando no colo do pai, me deu um nó no peito. Ele não fazia ideia de que, poucas horas depois, a mãe dele estaria subindo um morro para um baile de favela.

Fiquei observando os dois da porta do prédio. O Murilo é o único motivo de eu ter trocado Minas por esse caos do Rio de Janeiro. A nossa história parece roteiro clichê: nos conhecemos há seis anos, no Carnaval de Ouro Preto, em meio àquela loucura de blocos e ladeiras. Foi um romance de Carnaval que gerou um resultado permanente. Uma gravidez e uma mudança de estado.

Nós tentamos morar juntos quando cheguei, mas a convivência não sobreviveu à realidade fora da festa. O relacionamento acabou, mas eu decidi ficar. Mesmo sozinha, construí minha rotina como vendedora e criei minhas raízes aqui por causa do Leo.

"Juízo, Camila. Qualquer coisa me liga." Murilo disse antes de eu entrar no carro.

Ele não sabia para onde eu ia e eu preferia manter assimSubi para o meu apartamento e encarei o guarda-roupa. Eu precisava de algo que valorizasse meu corpo, aquelas curvas que ganhei depois dos trinta e que as meninas da loja tanto elogiavam, mas que não me fizesse parecer um alvo fácil. Minha mente ainda estava cheia de alertas, mas o compromisso estava selado. Tomei um banho demorado, tentando lavar o nervosismo, sabendo que, naquela noite, a vendedora de roupas discreta daria lugar a uma mulher que eu mesma ainda não conhecia totalmente.

Olhei no espelho do quarto e demorei a me reconhecer. A roupa que escolhi parecia pertencer a uma Camila de outra vida, uma que não passava os dias dobrando blusas em shopping ou correndo atrás de criança. Faziam anos que eu não me vestia de uma maneira tão ousada e reveladora.

Optei por um short jeans curto, daqueles que eu guardava no fundo da gaveta, e um top preto que deixava boa parte da barriga e das costas à mostra. Ao prender o cabelo em um rabo de cavalo alto e passar um batom mais escuro, o impacto foi imediato.

A academia e a falta de uma dieta rígida tinham transformado meu corpo. O short, que antes ficava folgado, agora estava completamente preenchido. Minhas coxas estavam grossas e marcadas, e o quadril parecia ter dobrado de tamanho. As curvas que eu tentava disfarçar com a alfaiataria no trabalho estavam ali, gritando no espelho. De fato, percebi que meu físico tinha ficado bem chamativo assim, com um volume que eu não tinha aos vinte anos, mas que impunha um tipo diferente de presença.

Passei um perfume forte e peguei minha bolsa pequena, sentindo um frio na barriga que não era de ansiedade, mas de puro estranhamento. Eu parecia uma mulher pronta para o caos do Rio, bem distante da mineira discreta que o Murilo conhecia. Ajustei a alça do top, respirei fundo e saí de casa antes que a coragem me abandonasse de vezO Uber me deixou exatamente onde o asfalto termina e a confusão começa. Desci do carro e o impacto foi imediato. O barulho de motos passando, o cheiro de comida de rua e aquela iluminação precária que eu só via de longe. Eu ainda estava processando o caos do pé do morro quando avistei as meninas perto de uma lanchonete.

Assim que me aproximei, o assunto entre elas morreu. As três ficaram me encarando por uns segundos, com os olhos arregalados.

"Gente, mas o que é isso?" Juju exclamou, vindo na minha direção com um sorriso enorme. "Camila, você escondeu esse corpo esse tempo todo atrás daquelas calças de vendedora?"

"Mulher, você está absurdamente gostosa!" Bia completou, me dando um giro. "Olha essas pernas, olha esse quadril. Se eu fosse você, andava de short curto todo dia."

Eu senti minhas bochechas queimarem, mas o elogio delas serviu como uma dose de adrenalina. A insegurança que eu senti no espelho de casa começou a dar lugar a uma sensação de poder que eu não experimentava há anos.

"Vamos logo antes que eu desista." Respondi rindo e tentando disfarçar o nervosismo.

Começamos a subir a ladeira a pé. O baile não seria muito alto, então o esforço físico era pequeno, mas a experiência visual era intensa. Eu olhava para os lados, vendo a vida pulsando nas vielas, as pessoas sentadas na porta de casa, o movimento das motos desviando da gente com uma habilidade impressionante.

Juju, que ia na frente guiando o grupo, olhou para trás e não perdeu a oportunidade de alfinetar com carinho: "Olha só a mineira subindo o morro! Quem te viu, quem te vê, hein, Camila?"

Eu soltei uma risada alta, genuína. O ar condicionado do shopping e as preocupações com o Murilo e o Leo pareciam estar em outro planeta agora. A vibração do lugar era contagiosa e, pela primeira vez na semana, o medo deu espaço para a curiosidade. Ajustei o top, senti o peso firme dos meus passos na subida e pensei que, finalmente, aquilo poderia ser realmente divertido. Talvez o Rio tivesse camadas que eu ainda precisava desvendar.

O grupo da Juju já estava à espera perto da entrada do baile. Eram quatro rapazes, todos muito novos, com aquela estética de quem vive o morro: correntes de prata, cortes de cabelo impecáveis e um jeito de falar que ocupava todo o espaço. O namorado da Juju fez as apresentações e o clima era de total entrosamento.

Fiquei imediatamente consciente da minha idade. Eu tinha 30 anos e os meninos pareciam estar na casa dos 20. Eu era a mais velha ali e, por um momento, me senti uma intrusa, a "tia" que decidiu se aventurar. Mas a forma como eles olharam para nós e especificamente para mim rapidamente mudou essa percepção.

Os cumprimentos foram os típicos do Rio. Abraços rápidos e os dois beijinhos no rosto. Quando chegou a minha vez de cumprimentar o último deles, o Douglas, o tempo pareceu dar uma esticada. Ele era o mais novo do grupo, com uma energia que parecia elétrica.

Ele me deu uma "secada" firme, percorrendo meus olhos até minhas pernas com uma desfaçatez que me deixou sem ar por um segundo. Ao me cumprimentar, ele não ficou só nos beijinhos, ele sorriu e deslizou a mão pelo meu quadril. Foi um toque possessivo e muito mais baixo do que a etiqueta de um primeiro encontro sugere. Senti o calor da mão dele na borda do meu short jeans e meu corpo, que eu achava estar sob controle, respondeu com um arrepio imediato.

"Prazer, Camila." Ele disse, com uma voz baixa que quase se perdia no som que vinha lá do fundo.

Eu não recuei. Apenas sustentei o olhar, sentindo o peso daquela mão e o impacto que minhas novas curvas estavam causando naquele garoto. A segurança que eu tinha buscado no espelho de casa agora estava sendo testada na prática, e a sensação de ser desejada por alguém tão jovem e tão audacioso era algo que eu não esperava sentir naquela noite.

Entramos no coração do baile e o som era ensurdecedor. A batida do funk não era apenas ouvida, era sentida no peito, fazendo tudo vibrar. No início, eu ainda me sentia deslocada, olhando em volta com aquela cautela de quem espera um problema a qualquer momento. Mas a multidão era um mar de gente dançando, e ninguém parecia se importar com a minha presença ali.

O grupo, de forma quase instintiva, acabou se dividindo. Juju e o namorado sumiram na frente, seguidos pela Cássia e pela Bia com os outros rapazes. Quando percebi, eu estava ali, no meio daquela massa de gente, com o Douglas.

Ele não pediu licença. Ele se posicionou logo atrás de mim, mantendo uma distância mínima. Começamos a dançar e, conforme a primeira cerveja gelada ia descendo, a tensão nos meus ombros começava a sumir.

Douglas dançava com uma naturalidade impressionante, guiando o ritmo sem precisar dizer uma palavra. Em certo momento, ele aproximou o rosto do meu pescoço para falar por causa do barulho: "Sabia que você ia se soltar, mineira. O corpo não mente."

Eu sorri, sentindo o hálito dele e o calor que emanava daquela proximidade. Minhas mãos, que antes seguravam a bolsa com força, agora buscavam os próprios cabelos, soltando o rabo de cavalo.

Eu estava suada, o short jeans parecia ainda mais apertado conforme eu me movia, e a sensação de estar sendo "vigiada" e desejada pelo Douglas ali no meio da multidão me dava uma liberdade que eu não sentia há anos. A noite estava apenas começando, mas a barreira do preconceito e do medo tinha ficado em algum lugar lá embaixo, na ladeira que subimos.

A música mudou para um batidão mais pesado e eu senti meu corpo responder por conta própria. A cerveja já tinha feito o efeito de apagar o resto de timidez que sobrava e a vibração do som no chão parecia subir pelas minhas pernas. Sem pensar muito, eu me virei de costas para o Douglas e comecei a rebolar, descendo devagar conforme o ritmo pedia.

O contato foi imediato e firme. Senti a pressão dele contra a minha bunda, acompanhando cada movimento que eu fazia. Douglas não hesitou, ele espalmou as mãos no meu quadril, apertando com força, e depois subiu uma delas até o meu ombro, me puxando para trás, colando minha bunda nele.

"Você é muito mais perigosa do que parece, Camila." ele sussurrou no meu ouvido, a voz rouca por causa do som alto.

Eu fechei os olhos, sentindo o calor da pele dele e o atrito dos nossos corpos no meio daquela multidão suada. O volume das minhas curvas, que eu tanto tentei entender no espelho de casa, agora parecia ter um propósito ali. A gente se esfregava sem pressa, em um ritmo que parecia ignorar todo o resto do baile. Por alguns minutos, o barulho das outras pessoas, os gritos e o movimento em volta sumiram. Parecia existir apenas o toque da mão dele no meu ombro e a forma como o corpo dele se encaixava perfeitamente no meu.

No meio do mar de corpos suados e luzes piscando, meus olhos focaram em Cássia e Bia a poucos metros de distância. Ambas estavam completamente entregues, trocando beijos vorazes com os rapazes que as acompanhavam. A cena foi o estopim que faltava. Sem pensar, eu girei no mesmo lugar, ficando de frente para o Douglas.

Nossos corpos continuaram próximos, mas agora o contato era visual e direto. Eu o encarei, sentindo o suor escorrer pelas minhas têmporas enquanto a batida do funk parecia ditar o ritmo do meu coração. Douglas tinha a pele negra retinta, escura como a própria noite ao redor do morro, o que criava um contraste vibrante com o cabelo descolorido que ele exibia.

Enquanto nossos olhos se travaram, um turbilhão de pensamentos rápidos atravessou minha mente. Ele não tinha absolutamente nada a ver com o meu tipo ideal de homem. Douglas era muito mais novo, vinha de uma classe social e de uma realidade que eu sempre olhei com receio, e fisicamente ele era o oposto do que eu costumava buscar. Era baixo e tinha um porte franzino, quase delicado.

Mesmo assim, nada disso importava. Ali, naquela encarada que parecia durar uma eternidade, eu não conseguia enxergar as diferenças. O que eu sentia era uma eletricidade bruta. Eu estava doida para sentir o beijo dele, ignorando qualquer lógica ou julgamento que a Camila de ontem teria feito.

Não precisamos de uma única palavra. Douglas inclinou o rosto levemente e eu fiz o mesmo. Nossos lábios se encontraram no meio da multidão, um beijo quente e urgente que selou minha entrega definitiva àquela noite no Rio de Janeiro.

O beijo começou lento, mas a intensidade subiu rápido. Em pouco tempo, as línguas se embolavam com uma urgência que me fez esquecer completamente onde eu estava. Douglas não perdeu tempo. Enquanto me beijava, ele passeou as mãos pelo meu corpo, sentindo o contato direto da pele na minha cintura, onde o top terminava. O contraste do calor das mãos dele com a minha pele arrepiada me deixou tonta. Ele desceu a mão e deu um aperto forte, possessivo, na minha bunda por cima do jeans, me puxando ainda mais para perto.

Eu estava entregue àquela sensação quando, de repente, uma voz aguda furou a bolha de batidão e prazer: "Que isso, hein, mineira!" Era a Juju. Ela passou por nós de mãos dadas com o namorado, exibindo um sorriso de orelha a orelha e aquele olhar de "eu sabia".

Eu me separei do beijo num solavanco, sentindo o rosto queimar instantaneamente. No entanto, não me afastei dos braços do Douglas, deixei que ele continuasse ali, me segurando pela cintura, servindo de apoio. Olhei para a Juju e para as outras meninas que vinham logo atrás, rindo de pura vergonha, mas com uma felicidade que eu não conseguia e nem queria esconder.

A Juju se aproximou mais, tentando falar por cima do som ensurdecedor, e sugeriu que todo mundo fosse para o barraco do namorado dela continuar a festa.

Eu não respondi nada para ela de imediato. Em vez disso, olhei bem no fundo dos olhos do Douglas. Ele não precisou abrir a boca; o jeito que ele me encarava, com uma vontade que parecia atravessar o barulho e a multidão, dizia tudo o que ele queria fazer. E eu queria o mesmo.

Olhei para a Julia e a resposta veio sem esforço. Eu queria continuar com ele, só nós dois.

"Pode ir, Ju. Eu vou ficar por aqui com o Dougla." Eu disse, sentindo uma firmeza que nem eu sabia que tinha.

A Juju fez uma cara de choque, totalmente impressionada com a minha atitude. Ela riu e deu de ombros, vendo que eu tinha mesmo me jogado na noite.

"Tá certa! Aproveita, então." Ela gritou enquanto se afastava. "Qualquer coisa manda mensagem, hein!"

Cássia e Bia passaram logo atrás, soltando aquelas gracinhas de sempre sobre eu tomar cuidado e não esquecer de contar tudo depois. Em poucos segundos, as três sumiram no meio da massa de gente e o mundo voltou a ser só eu e o Douglas.

Ele me puxou para perto de novo, me envolvendo com os braços, e eu senti cada curva do meu corpo pressionada contra o dele. Ali, no meio de todo mundo, mas sem as minhas amigas por perto, eu me senti estranhamente mais segura e muito mais livre. Voltamos a nos beijar, dessa vez com calma, como se o baile todo estivesse acontecendo só para a gente.

O Douglas se inclinou, com o rosto bem próximo ao meu, e fez a proposta que eu estava esperando desde que nossos corpos se encostaram pela primeira vez.

"Quer ir pro meu barraco?" Ele perguntou, direto, sem rodeios.

"Eu quero!" Confirmei sem hesitar nem por um segundo."

Ele entrelaçou os dedos nos meus e fomos abrindo caminho entre a multidão. Senti o olhar de algumas pessoas, mas não me importei. Eu só queria sair daquele barulho e ficar sozinha com ele. Andamos por algumas vielas estreitas, subindo mais um pouco, entre escadas e becos que pareciam um labirinto, até que ele parou diante de uma porta de madeira simples.

"É simples, mas é a minha casa." Ele anunciou ao abrirmos a porta.

Entramos e o cenário era exatamente o que eu imaginava. Paredes ainda no tijolo aparente ou com um reboco grosseiro, móveis antigos e uma televisão de tubo no canto da sala. Não tinha o porcelanato nem o ar-condicionado do meu apartamento ou da loja onde passo o dia. Mas eu não estava nem um pouco preocupada com luxo. Eu estava ali por ele, pela adrenalina daquela aventura e pela quebra total da minha rotina de mãe e vendedora.

Olhei para ele, que parecia um pouco sem jeito por um instante, e decidi tomar a iniciativa.

"Vem aqui!" Disse puxando com força pela gola da camisa, trazendo para perto para continuarmos exatamente de onde tínhamos parado lá no meio do baile.

Fomos caminhando aos beijos, tropeçando um no outro naquele espaço apertado até chegarmos no quarto dele. O ambiente era o reflexo de uma vida dura e simples. Uma cama de solteiro encostada na parede com um lençol já gasto pelo tempo e um travesseiro manchado. No canto, vi uma cômoda antiga que parecia ter vindo de algum brechó de segunda mão e uma mesinha de cabeceira pequena. Na parede, um espelho estreito refletia a luz fraca que vinha do corredor.

Nada daquilo me desanimou, pelo contrário, parecia aumentar a autenticidade daquela entrega.

Ainda no calor dos beijos, começamos a arrancar as roupas um do outro com uma pressa que beirava o desespero. Minhas mãos, acostumadas a dobrar tecidos finos na loja, agora só queriam sentir a pele dele. O top preto e o short jeans caíram no chão, seguidos pela camisa dele, em meio a movimentos atrapalhados e respirações ofegantes.

Acabamos caindo na cama de solteiro, que rangeu sob o nosso peso. Ali, ficamos apenas de roupa íntima, nos encarando por um segundo antes de o contato recomeçar. As curvas do meu corpo, que eu tanto observei no espelho de casa antes de sair, agora estavam totalmente expostas e pressionadas contra o porte franzino do Douglas. Eu podia sentir cada batimento do coração dele contra o meu, e o cheiro de suor e perfume barato que pairava no quarto só tornava tudo mais real.

O Douglas não perdeu tempo, e o silêncio do quarto, quebrado apenas pelo som distante do grave do baile que ainda ecoava lá fora, tornava cada toque mais intenso. Eu estava deitada naquele lençol gasto, sentindo a respiração dele pesada contra o meu pescoço, enquanto os dedos dele, negros e firmes, começaram a deslizar pela minha barriga. O contraste era gritante. A pele dele, escura como a noite que nos cercava, movendo sobre a minha pele clara, que parecia brilhar sob a luz fraca que vinha da sala.

Ele subiu as mãos devagar, sentindo a textura da minha pele até encontrar a renda do meu sutiã. Eu tinha escolhido um conjunto de renda preta, com detalhes em transparência que, no espelho de casa, pareciam quase proibidos para uma mãe de trinta anos. Douglas soltou o fecho com uma habilidade que me fez soltar um suspiro baixo, e o peso dos meus seios finalmente ficou livre das amarras do tecido. Ele parou por um segundo, apenas admirando o volume e as curvas que a luz revelava, antes de descer as mãos novamente para a minha cintura.

A calcinha era do mesmo conjunto, uma peça de renda larga nas laterais para não marcar os quadris, mas que agora parecia minúscula diante das minhas coxas grossas. Eu senti o calor das pontas dos dedos dele engancharem no elástico da renda preta, puxando para baixo com calma, centímetro por centímetro. Cada movimento fazia minha pele arrepiar, e o contraste visual dos dedos negros dele contra a minha pele clara era algo que eu nunca imaginei desejar tanto. Quando ele finalmente terminou de me despir daqueles últimos pedaços de tecido, eu me senti completamente exposta, sem nenhuma barreira entre a vendedora mineira e o desejo bruto daquele garoto do Rio.

“Caralho, você é muito gostosa!” Ele disse admirando a minha nudez.

Eu não queria mais preliminares, estava molhada o sudiciente.

“Meu come então, vai!” Pedi parecendo ter esquecido que a gravidez no carnaval havia dado uma lição sobre proteção. Eu gosto do natural, cru, pele na pele. E nada mais selvagem do que fazer isso com um garoto daquele no barraco de uma favela.

Douglas me girou e puxou o meu quadril para que ficasse no ar.

“Filho da puta…” Eu xinguei baixo numa risadinha. De quatro é a mina posição favorita.

A mão dele, pesada e quente, espalmou-se contra a base da minha coluna, me pressionando para frente enquanto a outra puxava minha cintura, ajustando o encaixe com uma precisão bruta. O contraste visual continuava ali, hipnotizante. A mão escura dele cravada na curva clara do meu quadril, os dedos deixando marcas temporárias na minha pele macia que denunciavam a força do desejo.

"Cuidado com o que pede, mineira." Ele sussurrou perto do meu ouvido, a voz carregada de uma malícia que me fez arrepiar da nuca até os pés.

Sem mais palavras, ele enfiou o pau em mim. O contato foi imediato e intenso, uma invasão que me fez arquear as costas e soltar um gemido longo, enterrando o rosto no travesseiro para abafar o som. Era exatamente o que eu queria, senti cada centímetro daquela pica.

Douglas não se segurou. O estalo do tapa ecoou pelas paredes de madeira do barraco, um som seco que deixou a marca vermelha dos dedos dele instantaneamente estampada na minha bunda.

"É isso que você quer, é? Sua safada!" Ele rosnou.

Ele me segurou com mais força, os dedos cravando na carne do meu quadril enquanto recuava e investia com uma violência rítmica e profunda. Eu sentia cada estocada como uma onda de choque. Apertava os lençóis com as mãos, sentindo-me pequena e, ao mesmo tempo, poderosa por despertar aquela bestialidade nele.

"Isso... fode! Fode com força!" Eu gritava, a voz embargada pelo tesão, jogando para longe qualquer postura de mãe de família ou vendedora educada. "Me come, seu desgraçado!!"

As palavras que eu proibia meu filho de sequer ouvir saíam da minha boca com uma facilidade assustadora, temperadas pelo meu sotaque mineiro que ficava mais arrastado conforme o ápice se aproximava.

"Que mulher é essa?!" Ele grunhiu, a voz carregada de um desejo bruto enquanto me olhava de cima. "Olha essa bunda."

Eu estava totalmente entregue, sentindo os dedos negros dele cravados no meu quadril, me segurando com uma força que eu nunca tinha sentido antes.

"Isso, caralho! Fode essa buceta!" Eu gritei, sentindo ele me preencher com uma violência rítmica que me tirava o fôlego. Eu apertava os lençóis com força, sentindo o suor dele pingar nas minhas costas.

O contraste da pele dele com a minha, ali naquele vai e vem frenético, me enlouquecia. Eu sentia cada estocada no fundo, e quanto mais ele usava a força, mais eu queria que ele me tratasse daquele jeito selvagem.

"Filho da puta!" Eu xinguei, soltando uma risada de puro êxtase no meio dos gemidos. "Meu Deus, que pau gostoso!"

Eu usava todos os nomes que eu proibia em casa, todas as palavras sujas que guardava no fundo da mente, jogando tudo na cara dele. Ele respondeu me puxando pelo cabelo, forçando meu rosto para trás para que eu visse o estrago que ele estava fazendo.

"Você é muito piranha, Camila!" Ele rosnou no meu ouvido, o hálito quente me arrepiando toda. "Você vai me enlouquecer, caralho!"

O som da carne batendo, meus gemidos descontrolados e os xingamentos pesados transformaram aquele barraco num vulcão. Eu só conseguia empurrar meu quadril contra o dele, querendo cada centímetro, querendo que aquele momento de pele na pele nunca terminasse.

No momento em que ele largou o meu cabelo, minha cabeça pendeu levemente para o lado e meu olhar esbarrou no espelho pequeno, meio manchado, que ficava pendurado na parede de madeira. Ali, naquela moldura estreita, eu pude assistir a nossa foda de um ângulo que me tirou o pouco de sanidade que ainda restava.

Minha bunda balançava violentamente a cada estocada, e a marca vermelha do tapa que ele tinha me dado brilhava no espelho, um troféu da nossa selvageria.

Assistir aquela cena, ver a minha própria vulnerabilidade e o desejo bruto dele refletidos ali, foi o gatilho final. Uma onda de calor insuportável começou a subir das minhas pernas, contraindo cada músculo do meu corpo.

"Puta que pariu, Douglas... eu vou..." Minha voz falhou

Meus olhos se fixaram na imagem no espelho enquanto meu corpo entrava em colapso. O orgasmo veio como uma explosão, me fazendo arquear as costas e apertar os músculos internos contra ele com uma força desesperada. Eu assisti a mim mesma perdendo o controle, o rosto contorcido de prazer, enquanto sentia a pele dele queimar contra a minha, nos fundindo naquele barraco até que nada mais no Rio de Janeiro importasse.

Douglas não me deu trégua. Mesmo depois do meu corpo relaxar pelo orgasmo, ele continuou o ritmo implacável, aproveitando que eu ainda estava sensível e pulsando em volta dele. Eu sentia cada estocada ecoar lá no fundo, mas a consciência começou a voltar junto com o fôlego. Lembrei do peso das escolhas passadas, de como o carnaval tinha mudado a minha vida, e não podia deixar a história se repetir ali, no meio do morro.

Eu olhei por cima do ombro, os cabelos suados grudados no rosto, e fiz o pedido com a voz ainda trêmula:

"Goza fora, por favor..." Implorei, fixando meus olhos nos dele.

Ele parou por um segundo, os músculos secos do peito subindo e descendo com rapidez. Douglas saiu de dentro de mim com um estalo úmido e desceu da cama. A diferença de altura e porte ficava clara ali: eu, com meu corpo sobre o colchão, e ele, franzino e ágil, em pé no chão.

"Vem cá" Ele disse, a voz rouca, já com a mão firme no pau negro que latejava de tesão. "Me dá essa boquinha."

Eu não pensei duas vezes. A ideia dele era perfeita, uma forma de selar aquela noite sem riscos, apenas com o prazer proibido. Me arrastei até a beira da cama e me ajoelhei diante dele. Meus olhos ficaram na altura daquela pele escura e quente. Abocanhei apenas a ponta, sentindo o gosto metálico e salgado do desejo dele, enquanto ele começou a se masturbar ferozmente.

Douglas gemia baixo até que o corpo dele estancou. Senti o jato quente atingir o fundo da minha garganta. Ele jorrou com vontade, e eu engoli tudo, sentindo o sêmen dele descer enquanto ele finalmente relaxava, deixando a cabeça pender para trás em um último grunhido de vitória. Naquele momento, no silêncio do barraco, só existia o som da nossa respiração pesada e a certeza de que aquela mineira nunca mais seria a mesma.

O Douglas desabou no colchão como se tivesse corrido uma maratona, o corpo franzino e suado finalmente cedendo ao cansaço. Eu não aguentei e soltei uma risadinha baixa, vitoriosa, vendo que tinha sugado até a última gota de energia do garoto. Sem cerimônia, me deitei ao lado dele.

A cama era pequena demais para nós dois, o que nos forçou a um encaixe inevitável. Ficamos ali, espremidos, a minha pele clara ainda quente colada à pele escura dele, sentindo o suor secar enquanto nossos braços se entrelaçavam por instinto. Era um contraste bonito de se ver, mesmo na penumbra do barraco: o meu corpo mais largo, cheio de curvas, acolhendo o jeito magro dele.

O silêncio que se instalou foi absoluto, interrompido apenas pela respiração dele que, aos poucos, foi se acalmando. Era engraçado pensar que a gente mal se conhecia fora dali. Se fôssemos tentar conversar sobre o dia a dia, sobre o trabalho na loja ou sobre a vida no morro, talvez o assunto morresse em dois minutos. Nossas melhores e mais profundas frases foram ditas entre gemidos e xingamentos, na crueza daquela transa selvagem. Mas, para mim, aquilo era o suficiente. Eu não precisava de declarações ou de papo furado. O peso do braço dele sobre a minha cintura e o calor do corpo dele contra o meu eram tudo o que eu buscava. Fechei os olhos, sentindo o cheiro de sexo e de noite carioca, perfeitamente em paz por passar as próximas horas ali, protegida naquele abraço improvisado, no topo da favela.

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