Capítulo X
Na cocheira, imerso no completo escuro, quis acreditar que meu castigo se resumia a ficar sem ração e sem água. Por alguns minutos, me agarrei a essa esperança. Tinha que ser isso, afinal; Epona parecia ser muito profissional e não teria apenas se esquecido de mim. E, sim, Epona era mesmo muito profissional, mas hoje sei que, se essa fosse a punição, ela teria deixado isso claro antes e depois. Epona é, acima de tudo, metódica e, mesmo não tendo base para afirmar isso naqueles dias, de algum modo eu intuía essa resposta.
Se esse não era o castigo, se o castigo ainda viria a acontecer... o que seria? Tive a compulsão de roer as unhas — um hábito que eu jurava ter abandonado meses antes do meu encontro com Ártemis. Parei quando já havia começado... quando me lembrei de que agora eu tinha cascos, e que tentar roê-los me daria apenas mais um motivo para ser punido. A cocheira, que até então parecia um abrigo, tornou-se um claustro. Freei o impulso de levantar e comecei a imaginar o que Epona poderia fazer comigo.
Pensei que ela poderia me deixar sem comida e sem água por dias... Depois, pensei que ela poderia parar de falar comigo, mantendo-se mais fria, mais distante. Tive o ímpeto de levantar de novo, como se tivesse tido uma grande revelação: A coleira, é claro. Ela vai me dar um choque! Meu corpo tremeu por inteiro... mas, se fosse um choque, ela já o teria feito. Talvez estivesse receosa por eu estar molhado... porém, ela havia dito que, se eu fizesse algo de errado, tomaria um choque molhado...
Imaginei Epona segurando o controle, apertando o botão e rindo como ria de mim, só que com mais vigor, com mais ódio... Tive medo pela minha vida. Ou melhor, o homem temeu por sua vida; o Potro reagiu. Entrincheirado em minha cela, espremido contra as grades, meu tesão aumentava conforme eu imaginava menos a dor e mais o riso sádico de Epona apertando aquele botão. Apertando-o como um cão ou um gato que brinca com a presa, golpeando-a ritmicamente, em intervalos cruéis, para que ela pense que foi esquecida. A dor do atrito do metal contra o meu membro, que tentava se libertar de algum modo, aumentava ainda mais a minha ereção...
Após me dar choques repetidos, rindo cada vez mais alto, Epona caminharia até meu corpo caído e cozido. Com desprezo por mim, nojo da minha matéria pútrida, ela aplicaria pequenos chutes, apenas para ver se eu tinha algum espasmo, se ainda poderia tomar mais um choque... Irritada pela fragilidade da presa, que agora não sente mais dor com a eletricidade, Epona me estraçalharia, tentando extrair uma última e derradeira punição.
Começaria apertando com a bota a minha cabeça morta contra o chão, até rachá-la... Mas talvez eu ainda estivesse com um fio de vida, um último respiro. E eu começaria a ficar sem ar conforme ela aplicasse seu peso, sua força implacável em cima do meu crânio, até que, como uma melancia, a minha cabeça se partisse em duas. Não sei como, mas eu estava à beira de um orgasmo. Mesmo sentindo as feridas do meu pau se abrindo de novo com o atrito, eu poderia gozar a qualquer momento...
Foi então que me lembrei do caderno.
Após rir de mim com a palha no pênis, ela havia anotado algo no bloco, e devia ter anotado também quando eu me urinei... Devia estar registrando cada erro, cada fracasso meu...
Não, não, não, não. Levantei com tudo e bati a cabeça com violência contra o teto baixo. Comecei a gritar impropérios contra a minha Senhora. Os cachorros começaram a rosnar e, felizmente, seus latidos altos tornaram os meus insultos inaudíveis...
Eu havia descoberto tudo. Epona iria relatar para Ártemis que eu não consegui segurar meu próprio esfíncter... Minha Deusa se enojaria tanto de mim que nunca mais me apareceria, nem mesmo em meus sonhos.
Desabei a chorar. As lágrimas em profusão se misturaram com o sangue que escorria do corte na minha cabeça, e eu percebi: Epona não estava me preparando para Ártemis. Ela fazia tudo, o impossível, para me distanciar da minha Deusa... Urrei. Os cachorros voltaram a latir. O pesado cobertor, de repente, tornou-se uma camisa de força.
(Caligrafia diferente, ríspida, definitivamente pertencente a Noga)
"O porquinho aprendeu a fazer tanatose HAHAHA! NÃO VAI ESCAPAR DA PANELA!"
Capítulo XI
— Noite agitada, Potro... Vamos, o de sempre.
As palavras de Epona me tiraram do transe em que eu me encontrava. Eu não dormira.
Quando me reclinei para pegar meu pote, percebi que ele não estava lá. Epona abriu a porta.
— Venha, Potro, temos mais alguns exames a fazer...
Ela interrompeu a própria fala assim que comecei a engatinhar para fora... Na minha mente, ela já saboreava sua vitória sobre mim.
— Para, Potro. Que merda você fez aqui?
Ela apressou-se a investigar minha cabeça... Sem dúvida, escreveria em seu caderninho mais uma falha.
— E seu pau tá todo vermelho... que porra aconteceu aqui, hein? Isso tudo é tesão reprimido? Foi um corte pequeno na cabeça, mas... bom, mais exames. Vem logo que vou te dar banho primeiro.
Não tinha forças para manter a dignidade na derrota. Segui maquinalmente seus comandos, como se estivesse completamente dissociado daquela cena. Cada esfregada, cada cuidado com meus dentes, cada curativo... era o jeito dela de chutar um cadáver. Ela entregaria um relatório perfeito de sua parte; mostraria a Ártemis que tinha feito de tudo, mas que a matéria-prima era viciada. Falha.
— Tá, com isso você até que tá apresentável, potrinho... Não precisa levantar o pescoço, não. Você vai ficar sem meus mimos por agora, pois vamos ver se a pancada da noite não deu problema e, bom... temos que dar uma controlada nessa sua fúria de balançar os quadris à noite. Vem ao meu lado.
Ela assoviava como se estivesse cantarolando. Se tivesse sido justa comigo... se tivesse me falado do caderno, me mostrado o seu projeto... se tivesse me dado a oportunidade de entender o que eu deveria fazer...
— Achei que o barulho fosse você, Potrinho, mas os cachorros estão esquisitos. Temos nossos seguranças, mas... Bom, vai, entra aí e não me dá mais trabalho. Achei que já tivesse entendido que não era pra se levantar.
Ela balançou a cabeça. Para mim, ela já não conseguia conter a própria vontade de gritar: "Eu venci, Potro. Ártemis é minha!"
Epona mencionou algumas coisas sobre minha saúde, meu sangue... Algo estava inadequado. Claro que estaria.
— Tá, foram muitos exames e você se comportou melhor do que eu esperava.
Abriu um saco de ração e despejou em um pote.
— Os exames acabaram. De quatro, Potrinho. Vai lá comer enquanto eu termino de arrumar umas coisas e preparar algumas injeções para você... E bebe água também. Descuidamos disso. Até eu dar a ordem contrária, e se você prometer se esforçar para controlar sua vontade de mijar o máximo que conseguir, não vai ter problema se algum acidente acontecer. Não fica sem beber água!
Eu era tão patético assim? De competidor notado pela Deusa dela, eu havia me tornado "café com leite"? Pensei em desafiá-la... em pegar a comida com as mãos e levá-la à boca... Mas não daria esse gostinho a ela. Não renderia mais uma anotação para o seu maldito caderno.
De quatro e de costas, entre duas bancadas altas que passavam da minha cabeça, eu não podia ver o que Epona estava fazendo. Comia minha ração enquanto ouvia seus barulhos.
Queria poder barganhar com ela..., mas o que eu teria a oferecer, se ela já estava tão próxima a Ártemis?
— Potro, é só comer. Não pensa, não. Lembre-se: Ártemis me deu ordens para pensar por nós dois.
Querendo assegurar seu triunfo, Epona parecia conseguir ver por dentro dos meus pensamentos... Desarticulava no nascedouro qualquer ideia que pudesse impedir minha queda. Senti que estava prestes a chorar... Aumentei a velocidade da mastigação e engasguei. Engasguei feio.
Epona prontamente veio a meu encontro e, demonstrando uma força descomunal — só quem já tentou levantar um corpo que não colabora ou um cadáver entende o quão difícil isso é —, me ergueu, executando a manobra de Heimlich com perfeição.
Um pedaço de cenoura mais grosso havia ido pelo caminho errado e causado mais essa humilhação... Mais uma anotação. Desabei a chorar.
Epona deveria estar me insultando ou me ridicularizando inicialmente, mas o zumbido nos meus ouvidos não me deixou entender o que ela falava, até que sua voz finalmente cortou o meu desespero:
— Chorando, Potro? Chorando já? Não me fala que está arrependido de ter vindo para o Templo. Você começou tão bem... tão determinado...
Ela revirou os olhos. Estava mentindo.
— Ou tá chorando por saudades da sua Dona? É isso, Potrinho? Tá com saudades de Ártemis? Então faça por merecer, eu estou aqui para te treinar. Ártemis te quer como Cavalo... Ai, como você é difícil. Vamos ver se assim você pega no tranco: Ártemis te quer como o escravo sexual dela. Eu tenho que entregar você a ela apto a satisfazer nossa Deusa e, com todo o respeito, você é o meu maior desafio... Mas Ártemis confiou você a mim porque, seja lá o que ela viu em você, ela sabe que eu posso extrair. Vai, recolhe as lágrimas, bebe uma água e termina de comer.
Mordi a isca. Porque a isca era deliciosa. Saber que Ártemis viu algo em mim, e que Epona deveria ser capaz de trazer isso à superfície, era algo que restituía alguma parte do meu poder sobre Epona.
Talvez eu pudesse falhar, talvez não conseguisse entregar aquilo que minha Deusa queria..., mas, se caísse, cairia junto com Epona.
Voltei a comer. Voltei a sorrir. A cera de minhas asas ainda não tinha derretido; as sombras eram apenas as pesadas paredes do labirinto a tampar o Sol!
— Isso, Potro, agora parado. Vou aproveitar essa bunda sua e aplicar logo duas injeções para dar um ânimo a você. Vai doer bem menos que sua cabeça, hahaha. Até nisso eu vou ter que pensar, Potro... que você corre o risco de se matar só porque esqueceu que tem quatro pernas e quis sair andando que nem gente!
Sorri. As injeções eu nem senti. Epona era de fato muito competente; ela poderia tirar de mim o que Ártemis queria.
— Toma a água que coloquei aí do lado... Toma com calma, vai, não quero ter que te levantar de novo, não.
Ouvi Epona mexendo em algumas coisas, como se estivesse guardando o que havia pegado, e, de repente, ouvi um clique metálico diferente. Olhei tentando entender o barulho, mas, sem ângulo de visão, só vi Epona ajustando seu uniforme.
— Potro, agora vamos voltar pro Estábulo, deu de laboratório por hoje.
Voltamos. Reparei, no entanto, que Epona estava inquieta. No centro do Estábulo, onde ela havia deixado minha coleira e meu cinto de castidade, paramos. Ela pegou o cinto e foi colocá-lo em mim... e parou.
Epona pareceu distante, como se tivesse percebido algo. Imaginei que se tratasse da ereção que eu estava tendo e que tornaria a colocação do cinto muito difícil — ainda mais se ela não quisesse correr o risco de piorar os ferimentos.
Deixando o cinto de volta no chão, ela disse:
— Quer saber, Potro? Fica de pé... Isso, agora fica de frente. Seguinte: não quero mais você fodendo o chão e nem se machucando mais. Suas ereções passam por mim primeiro, mas eu entendo que a natureza não se curva, se adapta. Vou deixar você gozar. Não duvido nada que você se aliviava com pornografia barata; vai se aliviar para mim, aqui, na minha frente.
Eu estava tão cheio de tesão que parecia um sonho...
— Não pensa, caralho! Eu penso. Você se masturba... Vou te dar um estímulo visual, tá bom?
Epona removeu o casaco e o atirou ao chão. Vestia uma regata branca e sutilmente transparente por baixo. Seus seios ficaram completamente marcados, mas não expostos. Seu abdômen revelava treinamento físico regular. Seus olhos me encaravam por completo.
Ela era a predadora me olhando como uma presa — mas uma presa que deveria ser conduzida para A Predadora. Tive a impressão de ser um frango assando enquanto era vigiado por uma cadela faminta.
Acelerei o ritmo. Estava quase lá... Só não havia chegado ainda porque não tinha o costume de me masturbar em pé.
Ela havia percebido que o momento daquilo acabar estava próximo. E, levando a mão esquerda às costas, falou:
— Vai, meu Potro, mostra o quanto de desejo você sente por essa Senhora! Aposto que nunca viu pessoalmente alguém como eu... Aposto que esse seu pintinho só se aproximou de mulheres em papel ou na tela, hahahaha... Fala para mim: você só se deitou com alguém porque pagou, né? De que adianta ter um instrumento se quem controla ele é tão ridículo? Hahahaha. Vai, seu Potro vadio, não para, não para de jeito nenhum até eu falar! Mesmo quando você gozar, hein!
Epona revelou o que estava em suas costas: era um revólver. A arquitetura levemente desnivelada do chão — para facilitar o escoamento de água para fora do Estábulo — permitia que eu e ela estivéssemos praticamente na mesma altura, considerando o meu corpo levemente curvado, necessário para a masturbação.
Ela levou o cano da arma até a altura da minha cabeça... Era assim que ela iria se vingar de mim? Ela desviou alguns centímetros e tudo foi muito rápido. Não sei o que houve primeiro: se o disparo, minha ejaculação ou o barulho do corpo pesado que caía na entrada do Estábulo.
Eu tremia por completo, após dias sem ejacular, ao mesmo tempo em que meu ouvido zunia e eu via a indiferença com a qual, com um único disparo, ela havia ceifado uma vida. Minha ereção não diminuíra, nem ela havia pedido para que eu parasse de me masturbar.
(Caligrafia diferente, provavelmente pertencente a Ártemis)
"Engodo caudal; como víboras predam aves."
(Caligrafia diferente, definitivamente Noga)
"Vocês duas podiam parar de conversar pelos espaços do caderno e resolver isso na cama. HA HA HA HA."