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O QUARTO DAS ILUSÕES PERDIDAS

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Um conto erótico de Stegues
Categoria: Heterossexual
Contém 880 palavras
Data: 23/07/2026 15:13:06

O QUARTO DAS ILUSÕES PERDIDAS

Rio de Janeiro, 1891

— Parece-me que você é uma moça bem ingênua, Juliana. Sua mãe lhe ensinou como nascem as crianças?

— Claro, Dona Lurdes. Posso dizer?

— Diga.

— O homem coloca o membro de fazer xixi dentro do da mulher e solta uma sementinha.

— Exatamente. Mas esses órgãos têm outros nomes. Não sei se você os conhece.

— Não sei, não. Posso saber?

— Entre pessoas educadas, caso seja necessário tocar no assunto, diz-se "pênis" ou o apelido, "pirulito". Pessoas fora dos círculos sociais dizem "piça" ou "pau".

— Pau de madeira?

— Não. É porque ele fica duro como um pau, entende?

— Ah! Sim.

— E a nossa genitália chama-se "vagina", com vários apelidos; "xoxota" é o mais comum em conversas informais. Quando você se casar, descobrirá que, quando pirulito e xoxota se juntam, fazem coisas extraordinárias.

— Mas por que o pênis tem nome de pirulito?

— Você sabe o que é um pirulito, não sabe?

— Sei, é um doce.

— E você gosta de chupá-lo, não é?

— Com certeza.

— Pois bem, os homens gostam que as mulheres façam o mesmo com seus pirulitos. Compreende?

— Ah! Sim. Mas que gosto tem? A senhora sabe?

— Sei porque já experimentei. Não tem gosto de nada. Algumas mulheres fazem isso por dinheiro; outras, porque gostam do homem e querem lhe dar prazer. Quando você se casar, descobrirá tudo isso.

Juliana suspirou, como uma gatinha desanimada.

— Ah, Madame! Nem sei se vou casar. Acho-me feia. Não tenho os atrativos de que os homens gostam.

— Jamais pense assim — ralhou Madame Renê. — Existem homens que preferem as gorduchas, outros as magras, e há aqueles que não se importam com a constituição física, mas sim com o jeito, o olhar, a voz e o conhecimento de mundo. A maioria não suporta mulheres fúteis ou ignorantes. Por isso é importante estudar.

— Sim, senhora. Por isso mamãe me mandou aprender boas maneiras com a senhora, que é a melhor professora da capital do Reino.

— Não temos mais Reino, menina. Esqueceu que a monarquia acabou?

— Ah, sim! O Imperador foi para o exílio. Agora é a República.

— Isso. Aliás, Dom Pedro de Alcântara me presenteou com aquele conjunto de porcelana de Paris na cristaleira.

— Ouvi dizer que a senhora era amante dele. A senhora... chupou o pirulito dele?

Madame Lurdes Renê não se perturbou. Considerava Juliana uma garota sem malícia.

— Vamos mudar de assunto.

— Madame, eu não sou inteligente nem bonita. Como vou arrumar um namorado?

— Não importa. Você tem algo muito poderoso: sua xoxota. Pode não ter uma mente privilegiada, mas tem aquilo que o homem busca: algo quente e macio.

— E todas são iguais?

— Há pouca diferença no tamanho dos lábios.

— Lábios?

— Não importa o aspecto; elas são exatamente do tamanho e forma que eles precisam. Lembre-se: sua arma secreta está aí, escondidinha, pronta para dar o recado.

— Ai, Madame! Mamãe acha que a senhora é a melhor professora de etiqueta e moral do Rio de Janeiro. Ela pensa que estou aprendendo boas maneiras para o baile de gala no fim do mês.

— Eu me empolguei. Vamos voltar à lição: regras de etiqueta à mesa.

Após a aula, Juliana foi para casa. Morava com a mãe viúva na Rua do Ouvidor, próximo ao Café Locomotiva. As moradias eram quase idênticas naquele trecho: fachadas sem balcões e portas abrindo diretamente para a calçada. A mãe saíra para a costureira e aproveitaria para visitar a irmã em Santa Teresa. Sozinha, Juliana decidiu testar seus "poderes". Escolheu como cobaia o jovem Abel, que vendia jornais. Ele descansava nas escadas da tipografia enquanto esperava a impressão. Juliana acenou, e o rapaz prontamente atendeu.

— Entre. Preciso de uma opinião importante. Dela depende todo o meu futuro e meus sonhos.

Abel entrou. Juliana fechou a porta, conduziu-o ao quarto e, sem rodeios, levantou a saia.

— O que você acha dela?

Abel estacou, surpreso. Ficou tímido, mas não recuou. "Coisas estranhas e dificuldades aparecerão na sua vida", dissera seu pai uma vez. Abel conhecia o sexo apenas por gravuras proibidas vendidas sob o balcão das bancas. Sem entender as intenções da moça, perguntou:

— O que tem ela?

— É bonita ou feia?

— Não sei. Nunca vi outra para comparar, só em desenho. Feia não é.

— A minha não tem lábios grandes, é bonitinha, não?

— É, não é esbeiçada.

— Toque, para ver como é macia e quente.

Abel hesitou, mas colocou a ponta do dedo. No mesmo instante, sentiu o membro enrijecer. A sensação era nova e inebriante.

— Coloque mais — pediu Juliana.

Ela ainda não sentia nada, mas queria descobrir o mistério. Abel pressionou mais fundo, e o contato com o clitóris disparou um choque de prazer que percorreu o corpo da jovem. Ela pensou que talvez fosse melhor se ele usasse o pênis em vez do dedo, mas lembrou-se da "sementinha". Nove meses depois, o ventre cresceria, a mãe ficaria desolada e a vizinhança teria o que fofocar. Decidiu manter-se apenas no dedo de Abel. Mas faltava uma coisa.

— Quer que eu chupe?

— Chupar o quê?

— O pirulito.

Abel tateou os bolsos das calças, confuso.

— Não tenho nenhum pirulito aqui.

Naquele instante, a porta da frente rangeu. Era a mãe. Juliana abriu a janela dos fundos e ordenou que Abel fugisse. Ele saltou para o quintal e, antes de desaparecer, sussurrou: — Da próxima vez, eu trago um pirulito!

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Comentários

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3 estrelas garantidas novamente. Escreve muito bem!!!!

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