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Desejo enlouquecedor pelo primo do interior

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Um conto erótico de Flora Ezra
Categoria: Heterossexual
Contém 1811 palavras
Data: 23/07/2026 03:08:53
Última revisão: 23/07/2026 03:27:31
Assuntos: Heterossexual

Quando soube que Levi teria de passar três dias no apartamento de meus pais, me senti estranha. Nao era como se eu detestasse ele; jamais havia tido problemas com o meu primo, mas me incomodava a ideia de ter de ser amigável com um caipira. Porque era isso que Levi era para mim, até então: um rapaz fadado a passar a vida inteira lidando com plantações de milho no extremo sertão do nordeste, compreendendo as mudanças climáticas apenas observando o céu, amando o mesmo tipo de mulher que todos os homens do sertão amam. Eu estava incomodada com a futura estadia dele em minha casa, e foi aí que cometi um erro que mudou todo o curso do que viria a seguir. Pois, quando papai me contou sobre o meu primo precisar dormir alguns dias, por motivos de exames médicos na capital, eu disse:

— Como alguém como o Levi precisaria de consulta médica? Esses caras da roça não pisam em médico nunca, e não deveriam mesmo, nasceram pra sofrer e pra aprender a gostar de sofrer sem ir atrás de ajuda.

Como se uma força houvesse eletrizado seu corpo, papai me deu um tapa no rosto, e gritou:

— Você devia, antes de verbalizar um pensamento mesquinho e infantil desses, lembrar que este seu pai também veio do mesmo local que o Levi. Ele vai ser recebido aqui, sim. — E, olhando para mim e para mamãe: — E coitada de quem maltratar aquele menino.

Meu pai se afastou lentamente de nós, parecendo magoado com aquela coisa que eu havia exposto por pensar alto demais.

— Levi é um menino de ouro. Ai de quem mexer com ele! — disse.

II

A voz de papai sempre se torna mais alta e contagiante quando ele está diante de pessoas queridas, então, quando a porta de nossa casa foi aberta na manhã seguinte e ouvi sua voz ecoar pelos quartos como um abraço deslizante, eu soube que meu primo havia chegado.

— Mas tá um gigante, um titã! — Elogiou papai, as mãos nos ombros de Levi, que ainda estava tímido e inseguro.

De mala na mão esquerda, Levi estava diante de nós. Era um rapaz de grande estatura e largura de ombros, com belos braços queimados de sol. A quem o observasse mais que dois minutos não escaparia a atraente mistura de ingenuidade e virilidade. Levi tinha jeito de garoto e energia de patriarca.

— No interior não tem dessas frescuras que a gente tem aqui na capital, não é mesmo, Levi? — indagou mamãe, os olhos fixos na jaqueta gasta do rapaz. — Lá se come melhor, porque se come combinando fartura com comida natural, da terra.

Sendo uma mulher criada em cidade grande, mamãe também desprezava os homens excessivamente rurais. Papai havia sido uma exceção, e apenas porque, quando o conhecera, ele já estava lapidado o suficiente.

— Seja bem vindo, Levi — disse eu, ainda sonolenta.

III

Após o jantar, fiquei a sós em casa. Mamãe havia se ausentado, alguma reunião qualquer entre a ala feminina da igreja; papai havia levado Levi para tomar alguma coisa nos bares da rua.

Me senti como sempre me sentia quando as portas de casa se fechavam e eu me sabia inteiramente sozinha. Me senti deliciada por aquela solidão que toda mulher deseja usufruir quando ainda não tem meios de morar sozinha, me livrei do sutiã, desci a calcinha, e me permiti vestir apenas o short e a camisa de dormir, sem nada por baixo. Liberdade.

Já estava bastante relaxada no sofá, com meus dedos percorrendo ao redor dos seios arrepiados, quando ouvi algo caindo no chão, próximo à pequena cômoda do abajur.

— Meu Deus! — gritei, retirando rápido a mão dos seios e me endireitando no sofá. — O que diabos você faz aqui? Papai disse que ia levar você pra sair. Pare de olhar pra mim!

— Nao estou olhando — disse. — Meu tio esqueceu, devia tá de cabeça cheia e esqueceu de me levar.

Olhei para o rosto dele e assenti. Papai era capaz de esquecer até de beber água.

— Bom, e por que não saiu sozinho? Sabe andar sozinho feito homem, né?

Minha zombaria saiu dos lábios antes que eu pudesse me lembrar da ameaça de papai.

— Sair sozinho não me agrada.

— Sei, sei. Mas aqui é tudo diferente, não é como no interior, onde existem aqueles grupinhos, todo mundo andando junto, parecendo que tão se protegendo da fofoca que viria se fossem vistos andando a sós ou em casal.

— Você é meio burra sobre as pessoas que vivem no sertão, né?

— Burra? Do que está falando?

— Você está aí, falando um monte de idiotice sem tamanho, querendo explicar coisas que não precisam ser explicadas. Pensa que não notei seu olhar e o olhar de sua mãe em cima de mim logo que cheguei? Notei sim, e quer saber? Pouco me importa e não me machuca.

Eu estava sem voz, paralisada.

— Mas continue com suas ideias imbecis sobre as pessoas de minha terra, sobre gente que vive do que planta e do que colhe. Vocês aqui se matam em escritório e empresa dos outros, sendo pau mandado, e querem ofender quem faz dinheiro da maneira mais digna que existe: na terra!

Pensei no que papai faria se soubesse que eu havia motivado aquela revolta de Levi. Mas, agora, já não me sentia apenas com medo de uma repreensão de meu pai; eu estava também triste por ser vista sob aquele ângulo feio, como alguém perverso. Eu queria que Levi me visse de maneira melhor.

— Olha, Levi, eu não quis ser malvadinha. Não quis mesmo, não falei aquilo com intenção ruim.

— Falou sim. — Sorriu sem abrir os lábios, com os olhos baixos. — Topa me apresentar algum bar aqui perto?

— Você quer sair comigo? Não me acha uma imbecil arrogante?

— Acho. Mas vai servir como guia turística.

IV

Havíamos esgotado nossas forças com aquela avalanche de doses e drinques. Levi, resistente como um touro, encarara todas as cachaças mais assustadoras, todas as bebidas que mais repeliam os rapazes da capital.

— Vocês deveriam ter vergonha de apresentar isso como cachaça! — zombou ele, já bêbado, olhando pro barman. — Cachaça que não faz nem beliscão na garganta! Próxima vez que eu estiver aqui, trarei uma autêntica "derruba cangaceiro".

— Isso lá existe, homem! — riu o barman. — Cachaça com esse nome nunca vi. E cangaceiro nem existe mais.

— Vai ver. Vou trazer, mas você vai prometer tomar um gole. Prometa!

— Prometo.

Levi, com o rosto avermelhado pelos efeitos do álcool, me puxou para junto de si, e disse, ainda olhando pro homem do bar.

— Você vai ver como nem mesmo aquela cachaça consegue me derrubar. Minha namorada pode testemunhar, diga a ele, minha princesa, se existe cachaça neste mundo que conseguiria me jogar no chão.

Nesse momento, o estômago de Levi roncou alto. Ele tremeu enquanto ainda me enlaçava com seus braços, e então me largou e correu ao banheiro.

— O cangaceiro, ao que parece, foi derrubado — disse o barman, rindo baixinho. — Derrubado pelo perfume de uma mulher!

V

Quando voltamos para casa, meus pais há muito já estavam dormindo. O bilhete que eu havia posto na geladeira já fora retirado, indicando que eles sabiam que eu e Levi havíamos saído juntos e podiam ficar tranquilos. Imaginei a cara de papai ao ler aquilo, reconhecendo minha letra e sem poder conceber a imagem da filha arrogante com o primo roceiro.

— Levi, deite de uma vez! Aqui no sofá mesmo, anda.

— Espera, espera. Tá faltando alguma coisa.

Eu comecei a retirar os sapatos dos pés dele,enquanto seu corpo embriagado se entortava todo no sofá.

— Não esqueceu de nada, você tá precisando dormir.

— Espera aí! — Ele levantou do sofá num pulo, me assustando. — Esqueci sim.

Eu estava ajoelhada, na mesma posição em que havia ficado para retirar os sapatos dos pés de Levi. Mas agora, com ele de pé, meu rosto estava próximo demais de onde não deveria estar.

— Esqueci de escovar os dentes.

— Deixe isso para amanhã, Levi. Ninguém vai reclamar de seu hálito de cachaça ruim.

— Então você não liga? Que ótimo para mim!

Sem hesitar um segundo sequer, Levi me apertou contra seu corpo e me beijou profundamente, como se tivesse medo do que o álcool poderia esvaziar de coragem quando começasse a sair na urina. Sua língua grande e quente invadia minha boca e tornava minha língua submissa, forçando-a a recuar para que a dele me penetrasse boca adentro. Quando suas mãos tocaram meus seios, os movimentos de seus dedos eram desastrados, mas inegavelmente talentosos em seu tesao. Em alguns segundos, eu já estava com o nariz enfiado em seu pescoço moreno, apreciando a mistura de cachaça prateada, perfume masculino amadeirado e um sutil cheiro de noite sertaneja cheia de grilos e calor.

Ele me tomou em seu braços e me deitou no sofá. Com cuidado, me livrou de minha saia e de minha camiseta. Quando percebi que sua boca iria se colocar no meio das minhas pernas, virei o rosto em direção ao aveludado das almofadas, para impedir que um gemido acordasse a casa.

Levi, como se meu corpo fosse tipo único e incrível de pinga, me engoliu com sede, enfiando sua língua e trazendo-a de volta para fora, e depois percorrendo ela em toda aquela extensão já trêmula. Sentindo sua boca me chupar, parecia a mim que minha vagina se lubrificava em compartimentos inéditos, que se abria para o desejo que apenas o homem certo causaria. Eu queria Levi dentro de mim, me fazendo sua.

Então, com impaciência e ardor, arranquei Levi do meio das minhas pernas e o fiz deitar sobre mim. Ele voltou a me beijar, lambendo meu pescoço, mordendo minhas orelhas até doer, apertando minha cintura. Endireitou o pau dentro de mim e então começou a avançar lentamente para minhas profundezas delicadas.

A velocidade se elevou, até o ponto em que eu já não podia conter os gemidos por conta própria. Levi, então, passou a não parar mais de beijar, mantendo sempre sua boca na minha, e os gemidos de paixão e desejo nasciam e morriam dentro de nossas bocas e gargantas. De repente, seus movimentos enfraqueceram e senti o esperma quente invadir meu corpo da mesma maneira que sua língua fazia no meu rosto. Levi me fazia sua em todos os lados de meu corpo.

Cochilamos brevemente, tomando o devido cuidado de nao ferrar no sono ali, pelados na sala. Fui levada nos braços para meu quarto, e ele se despediu de mim com um beijo demorado e ainda quente de tesao. Por fim, ele voltou para o quarto de visitas.

Ofegante e rendida, eu pensei em papai e não consegui esconder um sorriso. Papai não acreditaria em nada daquilo nem em mil anos! Eu própria não estava acreditando em tudo que eu sentia vontade de fazer, mas eu realmente estava sentindo.

Ciente de que pediria a papai, durante a manhã, para viajar para o interior com Levi, fechei os olhos e adormeci.

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