Estaciono meu carro em frente ao bar. Era 00:27, tenho tempo suficiente para me divertir. Não que hoje eu tenha hora para voltar para casa, hoje meu passe é para madrugada inteira, afinal era um dia especial. Saio do carro e entro no estabelecimento, à procurando dele. Olho por todo o ambiente, o lugar está quase vazio, mas os ali presentes curtiam muito o sertanejo que tocava. Não reconheço os cantores do rádio, todos parecem iguais para mim, mas na hora de dançar pouco importa, os dois amigos bêbados que dançavam juntos era a prova disso. "Amigos" com aspas, é claro, conheço esse tipo de homem, foi comecei assim também. Uma hora estamos dançando e na outra estamos nos chupando. E quando menos esperar você vai estar indo se encontrar com ele em um bar velho de esquina. Específico? Eu sei, mas aqui estou eu.
Vejo uma silhueta familiar jogando sinuca sozinho no canto do bar. Antes de ir até ele, vou até o barista comprar duas garrafas de cerveja.
— Duas da boa pra mim, Zé. Geladas no caso. — o nome do dono do bar nem era José, era Daniel, ou algo assim, mas ninguém liga.
Ele entrega três garrafas para mim.
— Toma, essa outra é por conta da casa, fiquei sabendo das novidades.
Quem diz que mulher é fofoqueira não conhece homem, que racinha fofoqueira miserável.
— As notícias se espalham rápido aqui, não é? — digo — Acho que isso merece mais que uma, me faz as três de graça logo, Zé.
— Agora você não depende da mulher, pode pagar isso que eu sei. — o velho diz rindo.
Pego as três cervejas depois de pagar todas só de raiva, aquela seria a última vez que eu ia pisar ali, é melhor eu não sair com dívidas.
Encontro ele curvado sobre a mesa tentando fazer alguma jogada. Encosto as garrafas geladas nas costas deles, o assustando. Ele se vira para mim, me encarando com os grandes olhos castanhos que tinha. Um sorriso se forma abaixo do bigode levemente grisalho dele.
— Olha só, quem é vivo sempre aparece. — diz Maurício.
— Você deu uma sumida também, vim aqui nesses últimos dias e não te encontrei.
— Não sou vagabundo que nem tu, tava trabalhando. — ele pega a garrafa de minha mão sem eu sequer oferecer.
Pego o taco da mão dele e continuo a jogada que ele fazia.
— Não me diga que não chegou a você? Até o Zé, sabe. — comento.
Maurício pega outro taco e começa a jogar comigo enquanto bebe cerveja.
— É verdade, então? Conseguiu um emprego? — pergunta com um sorriso.
— Sim. — bebo um gole da minha bebida — No São Bernardo 6°. E já começo semana que vem.
— São Bernardo? Acho que meu sobrinho estudou lá. Meio longe da sua casa, tinha outras escolas mais perto para você entrar. — diz marcando um ponto no jogo.
— Foi a única que me aceitou. — minto — E nem é tão longe, de carro tudo é rápido. — minto outra vez.
Ele marca outro ponto.
— Realmente. Sabe, estou feliz por você. — marca outro ponto, encaçapando todas bolas — Ganhei.
Maurício vira a garrafa, bebendo todo o conteúdo presente nela.
— Lógico, tinha quase nenhuma bola sobrando. — justifico minha derrota — Mas parabéns.
— Parabéns digo eu, você tá trabalhando de novo. Sabia que ia conseguir rápido, você é muito inteligente. — ele me elogia outra vez com um sorriso ainda maior no rosto.
Finalizo minha garrafa e abro a terceira, dando um grande gole antes de entregar o resto para ele.
— Sou isso e muito mais, Maumau. Mereço uma comemoração à altura. — dou uma piscada para ele e sigo para o banheiro, o deixando sozinho na mesa de sinuca.
Entro no banheiro e lavo meu rosto enquanto espero Mauricio aparecer, ele conhecia bem o código, então chegaria segundos depois. Dito e feito. A porta se abre e um homem branco de bigode grosso e cabelos acinzentados adentra o recinto.
— Maumau.
Gemo quando ele me abraça por trás e me beija no pescoço. Viro o corpo e entrego minha boca para receber mais um beijo. Maurício passa sua língua pelo meu pescoço antes de me beijar, os lábios dele se encostam nos meus e nossos pelos faciais se entrelaçam enquanto trocamos carícias.
— Adoro quando me chama de Maumau. — Maumau confessa.
Ele movimenta a língua com força em minha boca, está sedento por mim. Por mim e qualquer homem que se oferecesse para matar sua libido aposto, se eu demorasse mais não duvido que Maumau estaria entre as pernas de Zé agora. Minha relação com Maurício era apenas sexual, nem poderia chamar isso de amizade, confesso. Era sexo e nada mais.
— Eu sei. — respondo mordendo o lábio dele.
Maumau desce a mão para minha virilha e começa a desabotoar minha calça, mas o impeço.
— Espera, eu disse que queria uma comemoração à altura, já cansei de boquetinho escondido no banheiro. — puxo a cabeça dele para trás pelos cabelos.
— Quer me foder de novo? Tá com saudade desse rabo?
Maumau pega minha mão e a põe na bunda dele sobre a calça.
— É, mas aqui não, bora pro meu carro. Tô com camisinha lá.
— Vai me comer no carro? Aqui tem mais espaço. — diz se ajoelhando em minha frente.
— No carro também, mas tava pensando em uma cama. — explico enquanto ele beija a cabeça do meu membro sobre a calça.
Está difícil controlar os gemidos.
— Sou mulher não tá em casa? — Mauricio pergunta tirando a boca da minha calça.
— Não está, mas não é pra lá que vamos. Tem um motel aqui, fiz uma reserva pra gente.
Mauricio levanta assustado.
— Motel? Essas coisas são caras, Roger.
Seguro o rosto dele com ambas as mãos.
— Olha, com esse emprego não vou conseguir manter essa rotina de bebida e sexo contigo. Essa pode ser nossa última noite, então quero aproveitar o máximo que posso de ti, então foda-se o dinheiro! — solto seu rosto — Além do mais, já tá pago. Eu vou contigo ou arranjo outro, e você sabe que consigo fácil. Vem ou não?
Me encara após ajeitar as próprias calças. Afaga seus cabelos por um tempo, pensando, eu imagino. Põe a mão em meu ombro e finalmente se decide.
— Podemos começar no carro?
Dou um sorriso de canto.
— Desde que você não goze nele, não quero meu carro sujo e nem ir pro motel só pra tomar banho. Vai pagar tua conta logo, safado!
Maurício cavalga em mim com força. O som da bunda dele batendo em meu saco e coxas eram altos, o que me deixa com ainda mais tesão. Mal escuto nossos gemidos, mas sabia que não eram menos baixos. Gosto de gemer bastante no sexo, transei tantas vezes no sigilo que poder gemer sem medo era algo especial, nem em casa tenho esse privilégio. Passo minha mão na cara de Maurício e enfio dois dedos em sua boca, ele os aceita de imediato.
— Se gosta, né Maumau? Não se cansou de chupar hoje não?
— Só quando cê me der leite. — ele responde entre gemidos com meus dedos nos lábios.
Eu teria se não tivesse me segurado muito no carro. Brinquei com ele, mas no fim eu que quase queimei a largada. Ainda tentava tirar o carro do estacionamento quando Maumau abaixa minha calça e começa a me pagar um boquete. Iniciou devagar, apenas beijando a glande, porém, logo aumentou o ritmo e enfiou meu cacete inteiro na garganta. Ele continuou nisso por todo o trajeto, só para depois que o aviso que estávamos chegando. Todos vão para o motel para transar, mas passar pela portaria já com um pau na boca é sacanagem. Confesso que o fiz parar talvez alguns metros mais cedo, pois senti que ia chegar ao ápice. Não deveria ter concordado em ter preliminares no carro, eu sabia o quanto o boquete dele me afetava, me esforcei muito para não largar o volante e forçar a cabeça dele em meu dote. Não que Maumau precisasse de ajuda, contudo sempre gostei de me sentir no controle da situação, dominar me dava um prazer descomunal e Maumau adorava ser dominado. Por isso, quando entrei no quarto o joguei contra a parede com toda minha força e caí de cara em seu cu de imediato. A bunda dele, diferente da minha, tinha poucos pelos, mas os que tinham me agradavam muito. Essa textura áspera junto com o sabor salgado de seu ânus criava uma combinação a qual me embriagava em segundos. Maurício se masturbava rápido enquanto eu me deliciava com seu rabo, conhecendo-o, sabia que logo iria gozar, então parei e me deitei na cama, deixando-o se recompor e guiar a transa por alguns minutos no ritmo dele. Assim, ele retirou nossas roupas e pôs uma camisinha em meu pênis, me permitindo finalmente entrar nele. E foi dessa maneira que começamos de vez a transa, com uma cavalgada.
Entre gemidos e devaneios, retomo nossa conversa:
— Vai ter que se esforçar mais pro leite do teu macho sair, Maumau.
Ele reduz a força das sentadas, mas acelera o ritmo como resposta. Desço minha mão pelo seu corpo branco, não chegaria a dizer que ele era malhado, porém levando em conta a idade que tinha, quarenta e oito se não me engano, estava mais do que em forma. Continuo passando meus dedos pelo peitoral e barriga, chegando em seu pinto flácido, o agarro e decido estimulá-lo. Imagino que em questão de segundos estaria duro e os gemidos de Maurício confirmam minha tese. Sigo em um ritmo acelerado, tal qual as sentadas dele, transformando seu pequeno e mole pintinho em um caralho de verdade, com uma glande rosinha e bastante molhada.
— Bate pra mim, bate! — Maumau suplica.
Com a mão direita o masturbo e com a esquerda agarro sua bunda, retomando o controle na cama. Assim, Maurício para de quicar e eu movimento meu corpo para dentro dele, em um ritmo ainda mais rápido e forte que antes. Ele geme alto, de uma maneira como nunca tinha visto, normalmente era mais contido, entretanto agora está tomado por inteiro pela luxúria. Está gemendo não só por hoje, mas também por todas as vezes que fodemos no silêncio da noite naquele banheiro de bar. E quem sabe, pelas noites que não iríamos mais ter, eu estou pelo menos.
— Ah, ahhhhh, ah! Roger, para, eu vou gozar!
— Goza, Maumau! Adoro te ver gozando, seu puto! — digo metendo o mais fundo possível nele.
O corpo de Maurício treme enquanto solta um último e longo gemido, em seguida diversos esguichos brancos saem dos dezesseis centímetros que portava entre as pernas. Sua porra não suja minha mão, diferente do meu peito e rosto, que se sujam bastante, principalmente o peito. O corpo de Maurício desaba em cima de mim, tento beijá-lo, mas ele ainda está em êxtase. Por isso, levo minha boca para seu pescoço e continuo a penetrá-lo de maneira mais lenta, respeitando o estado em que se encontra.
— Desculpa. — ele diz tentando recuperar o fôlego — Te sujei todo.
Esfrego meu rosto sujo de esperma no dele, iniciando um beijo feroz.
— Retribuído. — respondo.
— Mas eu quero me sujar com a sua, isso sim. — Maurício diz voltando a rebolar seu rabo.
— Com a minha o quê, Maumau?
Aumento a velocidade de minhas metidas, retornando o som do bater de meus ovos na bunda dele.
— Sua po... — ele tenta responder, mas é interrompido pelos próprios gemidos.
Agarro o corpo dele e o jogo com força na cama. Antes que ele pudesse reagir, abro suas pernas e sigo o fodendo com o máximo de força que tenho.
— Roger!
Ele grita meu nome apertando o lençol enquanto revira os olhos, perdendo o controle total do próprio corpo. Maumau está completamente retido.
— Minha o quê, Maumau?!? — grito.
— Sua porra... — ele responde, mas o som dos nossos corpos era mais alto.
— Minha o quê, caralho? Grita seu arrombado!
— Sua porra!!! — Maumau grita.
Percebo que seu pênis já está ereto outra vez.
— Repete! — ordeno
— Sua porra, cacete!!! Goza na minha cara, Rogério!
Sinto meu corpo reagindo e tiro meus dezenove centímetros de dentro dele.
— Por que não disse antes, Maumau?
Retiro a camisinha e me sento em seu peito, masturbo minha rola e rapidamente ejaculo no rosto dele. Maurício abre a boca, recebendo uma boa quantidade do grosso líquido branco que saia de mim em sua língua.
Por incrível que pareça, não gemi ou se gemi, não ouvi nada. Assim como Maumau, fui tomado por um sentimento após alcançar o ápice, porém, diferente dele, não era êxtase. No primeiro segundo foi, mas depois foi algo ainda mais forte, me peguei possuído pela culpa. Culpa por estar traindo minha mulher outra vez. Culpa por estar acabando com minha família. Culpa por ser uma pessoa ruim. E acima de tudo, culpa por não sentir remorso nenhum por isso.
Volto a realidade escutando um som semelhante à voz de Maurício.
— Disse algo? Desculpa, tô me recuperando ainda. — explico ficando de pé na cama.
— As horas.
Reparo na barriga melada e cansaço em seu rosto. Sua rola está mole de novo, havia gozado pela segunda vez.
— Meu celular tá do seu lado da cabeceira, eu acho.
Maurício se estica e pega o aparelho, olhando a tela por alguns segundos.
— Toma. — diz me entregando o telefone — Tô sem óculos, não consigo ver os números.
Me assusto com o comentário. Ouvir isso me fez lembrar o quão pouco sabia dele. Conheci seu corpo como ninguém, mas não sabia quem era, onde trabalhava ou sequer seu nome completo. Apesar de tão íntimos, éramos desconhecidos um para o outro.
— Não sabia que usava óculos.
— Não sabia que tinha um filho. — retruca.
Me assusto ainda mais com esse comentário, então percebo o que fiz. Olho para a tela do meu celular e dou de cara com meu papel de parede, uma foto minha com um garoto pouca coisa mais baixo que eu. Dou de cara com uma foto minha com meu filho.
— Pode ser eu e qualquer adolescente aqui. — digo a primeira coisa que vem à mente.
— Com a sua cara? Duvido. — ele responde.
Me sinto péssimo outra vez. Me sento na beirada da cama e limpo meu pau naquele lençol barato. Observo a aliança em meu dedo enquanto seguro meu pênis flácido e noto a ironia da imagem. Ali estão os reflexos das minhas duas prisões: o casamento e a promiscuidade.
Maurício passa a mão nas minhas costas.
— Não me disse as horas. — ele diz
Olho para o celular mais uma vez.
— 03: 28.
— Nossa, tá tarde. — diz se levantando.
— Sim.
Ficamos em silêncio
— Ei, relaxa. Eu não tô bravo, esquece isso e bora tomar um banho. Tenho que voltar para casa, trabalho de manhã. — Mauricio explica.
— Claro, claro.
Ele percebe minha rispidez.
— Quer no chuveiro ou na banheira? Podemos nos divertir um pouco mais na banheira.
Observo a foto com meu filho estampada no fundo do meu celular.
— Você que sabe. — digo.
Maurício caminha até a banheira do quarto, não o vejo mais, porém escuto o som da torneira ligada. Eu o sigo, triste para encerrar nossa bela e última noite.