A boate parecia respirar no mesmo ritmo das madrugadas anteriores. As luzes percorriam lentamente o teto, dissolvendo os contornos dos rostos sob tons azulados e avermelhados, enquanto a música eletrônica fazia vibrar o chão sob os pés de quem dançava sem qualquer preocupação com a hora. Havia casais se formando em questão de minutos, copos erguidos em brindes silenciosos e sorrisos destinados a desaparecer antes mesmo do amanhecer.
Akira dirigiu-se ao bar e pediu o mesmo uísque de sempre. Levou o copo aos lábios e permaneceu observando a pista, mais por hábito do que por interesse. Depois de tantas semanas repetindo aquele ritual, aprendera que bastava esperar. Em algum momento, um olhar encontraria o seu.
Naquela noite, porém, foi diferente. Sentiu-se observado antes mesmo de perceber de onde vinha aquele olhar. Ergueu discretamente a cabeça. Poucos metros adiante, encostado a uma das colunas próximas ao bar, um homem segurava uma taça de vinho tinto com a naturalidade de quem parecia completamente indiferente ao movimento da casa. Era alto, elegantemente vestido, de ombros largos e postura impecável, como alguém que jamais precisara chamar atenção para ser notado. Os cabelos castanho-escuros, levemente ondulados, estavam penteados para trás de maneira despretensiosa, e a barba curta desenhava um maxilar firme, acentuando traços que pareciam cuidadosamente esculpidos. O rosto possuía uma beleza quase clássica, equilibrada por olhos escuros que observavam tudo com uma serenidade difícil de interpretar. Ele não sorria e também não desviava o olhar. Apenas sustentava aquele encontro silencioso entre dois completos desconhecidos.
Akira levou novamente o copo à boca. Quando tornou a olhar, o homem continuava ali, mas, dessa vez, um discreto sorriso surgiu no canto de seus lábios. Não havia provocação naquele gesto, muito menos pressa. Era um sorriso tranquilo, seguro de si, como se já soubesse que, cedo ou tarde, os dois acabariam se aproximando.
Foi Akira quem desviou o olhar primeiro. Incomodou-se consigo mesmo por sentir o coração acelerar por causa de um simples olhar. Aquilo não acontecera nas semanas anteriores. Todos os outros encontros haviam sido rápidos, previsíveis, quase mecânicos. Naquele instante, porém, havia alguma coisa diferente que ele ainda não conseguia explicar. Talvez fosse a calma daquele homem. Talvez a maneira como parecia ocupar o espaço ao redor sem disputar atenção com ninguém. Ou talvez existam pessoas cuja presença nos alcança antes mesmo da primeira palavra.
Quando voltou a erguer os olhos, o desconhecido já caminhava em sua direção. Parou ao seu lado no balcão. Pediu outra taça de vinho. Só então virou-se levemente para Akira.
— Noites barulhentas costumam ser as mais silenciosas para quem vem sozinho.
A voz carregava um sotaque italiano, discreto o bastante para despertar curiosidade sem denunciar imediatamente sua origem. Akira sorriu de lado.
— Você sempre começa conversas assim?
O homem deu uma pequena risada.
— Não.
Fez uma pequena pausa.
— Só quando encontro alguém que parece preferir ouvir a falar.
Akira arqueou levemente uma sobrancelha.
— Acertou.
— Imaginei.
Conversaram por mais tempo do que Akira costumava conversar com qualquer desconhecido. Falaram sobre música, sobre vinhos, sobre a cidade, sobre o frio que se aproximava. Curiosamente, nenhum dos dois demonstrou interesse em fazer as perguntas habituais que costumam acompanhar encontros entre estranhos. Não perguntaram profissão, não perguntaram idade, nem de onde vinham. Pareciam satisfeitos em existir apenas naquela noite. Quando Akira percebeu, já passava das 3:00 h da manhã e eles ainda conversavam. Somente quando já caminhavam em direção à saída o homem estendeu a mão.
— Damiano.
Akira apertou-a.
— Akira.
Do lado de fora, o ar frio do fim do outono envolveu os dois imediatamente. Caminharam alguns metros pela calçada enquanto conversavam sobre banalidades, até que Damiano apontou para um edifício de tijolos aparentes próximo de onde estavam.
— Moro ali.
Akira acompanhou o gesto.
O prédio era antigo, um antigo galpão industrial transformado em lofts residenciais, com grandes janelas de ferro escuro e paredes preservando marcas do tempo.
Damiano sorriu de lado.
— Tenho um vinho muito melhor do que o da boate.
Não havia insistência em sua voz, nem qualquer ansiedade. Era um convite feito com a naturalidade de quem realmente acreditava que a conversa ainda não havia terminado. Akira hesitou apenas por um instante. Depois assentiu e caminhou com o homem.
Subiram pelo elevador quase em silêncio. O apartamento ocupava um amplo espaço aberto, onde concreto aparente, vigas metálicas e madeira envelhecida conviviam com uma elegância discreta. Livros preenchiam uma estante que tomava quase toda uma parede, discos de vinil dividiam espaço com fotografias em preto e branco de cidades italianas, e um sofá de couro escuro voltado para enormes janelas permitia observar boa parte das luzes de Pittsburgh refletidas no rio. Nada ali parecia improvisado. Cada objeto ocupava exatamente o lugar onde deveria estar. Havia personalidade, mas nenhuma ostentação.
Damiano serviu duas taças de vinho. Conversaram mais alguns minutos diante da janela. Pela primeira vez em muito tempo, Akira percebeu que não pensara em Riku durante quase três horas. Aquilo o assustou. E, ao mesmo tempo, lhe trouxe um alívio silencioso.
— Venha — disse Damiano com delicadeza. — Quero lhe mostrar uma coisa.
Akira o acompanhou pelo corredor. O quarto mantinha a mesma linguagem do restante do apartamento: paredes de tijolos aparentes, iluminação indireta, móveis de madeira escura e uma cama ampla voltada para uma janela parcialmente coberta por cortinas de linho, através das quais entrava a luz difusa da cidade. O ambiente transmitia uma sensação inesperada de calma.
Damiano voltou-se para ele. Durante alguns segundos, nenhum dos dois disse palavra alguma. Havia momentos em que a linguagem perdia completamente a utilidade. Eles apenas permaneceram ali, próximos um do outro, deixando que a distância entre ambos diminuísse naturalmente.
Akira permanecia com as mãos nos bolsos, sentindo-se um pouco ansioso, já que aquela situação era diferente da sua rotina atual. O italiano o segurou com uma mão na cintura e com a outra na nuca e lhe beijou ardentemente, porém sem pressa. Isso fez com que Akira relaxasse aos poucos.
Enquanto o beijava, Damiano o conduziu até sua cama king size e deitou seu corpo sobre o dele, pressionando levemente a pelve, o que causou uma ereção forte em ambos em questão de segundos. Damiano gentilmente tirou a camisa de Akira e desceu até sua calça, abrindo-a lentamente. Quando notou o volume na cueca de Akira, ele se admirou com o volume em sua cueca boxer e a tirou, expondo um pênis robusto e grande, contrariando a crença popular sobre os asiáticos. Sua boca foi atraída ao membro e ele o engoliu de uma vez, fazendo o policial gemer instantaneamente. Damiano era um expert na arte da felação, e sabia do efeito que sua boca e sua língua causavam no membro de um homem. Por isso, gostava de olhar para eles para contemplar sua expressão de prazer.
E quando olhou para cima, seus olhos se encontraram com os de Akira, cuja expressão era de intenso prazer. Certificando-se de que não o faria gozar ainda, Damiano interrompeu o sexo oral e se despiu rapidamente. Akira ficou admirando seu corpo nu, seus músculos, a cor morena de sua pele, os pelos em seu peito, e seu enorme caralho: era um belo exemplar de rola de macho com 22 cm, erguida para cima em uma leve curvatura, com veias salientes, e um prepúcio, o qual ele puxou e expôs uma glande avermelhada e umedecida pelo líquido pré-gozo.
Damiano segurou seu mastro e o aproximou do rosto de Akira, que imediatamente abriu sua boca e o recebeu. Contudo, não o conseguia engolir a não ser até a metade. Mesmo assim, fez um ótimo sexo oral no italiano, deixando-o ainda mais teso, ainda mais duro, ainda mais sedento.
O italiano saiu da cama e pegou em seu criado mudo um frasco de lubrificante e preservativos. Ele observou a rola de Akira pulsante e a encapou e lambuzou do gel, e então sentou sobre ela, introduzindo-a aos poucos em seu cu totalmente sem pelos. Mesmo em meio a dor da penetração, seu tesão lhe manteve ereto o tempo todo. Quando a rola já estava completamente introduzida, ele ficou como que de cócoras e começou a “quicar” sobre o policial, e este lhe segurou na cintura e o fodeu com gosto.
Depois de alguns minutos, o italiano o conduziu a inverter os papéis. Akira se posicionou de joelhos sobre a cama e Damiano o penetrou por trás, com certa dificuldade, abraçando-o e beijando seu pescoço. O italiano começou com momentos lentos para que Akira se acostumasse com a sua rola, e aos poucos intensificou as estocadas.
Após vários minutos e várias posições, Damiano já preparava-se para o gozo. Então, montando-se sobre Akira, ele socou fundo e com força, e em instantes seu pau começou a pulsar intensamente, gozando grande quantidade de sêmen. Após o gozo, Akira ficou de joelhos na cama e lhe deu o pau, o qual ele abocanhou e o chupou com avidez.
— Goza... hmmm... na minha boca. Me dá leite! — Disse em meio aos gemidos.
Sentindo o pau enrijecer ainda mais, Damiano o abocanhou até senti-lo na garganta, e então recebeu cinco jatos fortes de porra que engoliu tudo. Eles então finalizaram com um beijo e carícias e seguiram para o banho.
Quando Akira deixou o apartamento, já perto do amanhecer, caminhou até o carro convencido de que jamais voltaria a encontrar aquele homem. Não trocaram telefone e nem combinaram outro encontro. Apesar de ter sido diferente, acreditava que Damiano se tornaria apenas mais uma lembrança entre tantas outras daquela fase de sua vida.
O destino, porém, já havia começado a escrever uma história muito diferente.
Continua...
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