“O Portal de Pixels”
A chuva batia forte contra a janela do quarto de Tiago, criando uma cortina de som cinzenta que isolava seu pequeno apartamento do resto do mundo. Aos 22 anos, ele costumava buscar refúgio na nostalgia dos videogames antigos para escapar da rotina cansativa. Naquela noite de sexta-feira, o plano era simples: ligar o Super Nintendo que herdara de um tio e revisitar as florestas tropicais de Donkey Kong Country.
Sentado na beira da cama, vestindo apenas uma cueca velha e gasta, Tiago observava seu próprio reflexo na tela escura da TV de tubo antes do jogo iniciar. Ele era um jovem gordinho, de pele muito clara e completamente depilada — uma vaidade da qual não abria mão, adorando a sensação de sua pele macia e lisa ao toque. Seus cabelos pretos e lisos caíam levemente sobre a testa, emoldurando seus olhos castanhos e expressivos. Embora às vezes se sentisse um pouco inseguro com suas curvas macias, ele tinha orgulho do próprio corpo, incluindo o membro de 12 centímetros que repousava adormecido por baixo do tecido de sua cueca.
Ele soprou o cartucho cinza com o clássico ritual de todo retrogamer, encaixou-o no console e empurrou o botão Power.
O logotipo da Rareware brilhou na tela. A música tema, com suas batidas de tambor e guitarras sintetizadas, preencheu o quarto. Tiago sorriu, ajeitando o corpo macio no colchão e segurando o controle cinza. Ele apertou Start.
Foi exatamente nesse milésimo de segundo que o mundo enlouqueceu.
O televisor de tubo soltou um estalo ensurdecedor, como o de um chicote elétrico. A tela azulada não apagou; em vez disso, expandiu-se. Um vórtice de luzes brilhantes e tridimensionais, em tons de verde e marrom, começou a sugar o ar do quarto. Tiago tentou soltar o controle, mas seus dedos pareciam colados ao plástico cinza. O magnetismo era irresistível. Ele foi puxado para frente, seu corpo deslizando pela cama até ser engolido por completo pela barreira de vidro da TV.
Ele gritou, mas o som foi abafado por uma cacofonia de sintetizadores de 16 bits que ecoavam diretamente dentro de sua mente.
Quando Tiago finalmente abriu os olhos, a primeira coisa que sentiu foi o cheiro de terra molhada e a umidade densa de uma floresta tropical. O chão sob suas costas não era o colchão macio, mas sim tábuas de madeira rústicas e gigantescas.
Ele sentou-se rapidamente, o coração martelando no peito como um tambor de guerra. O céu acima dele estava coberto por uma copa de árvores colossais, com folhas verdes tão vibrantes que quase pareciam irreais. O ar estava carregado com o som de pássaros exóticos e o farfalhar da vegetação.
— Mas que porra... onde é que eu tô? — sussurrou, a voz trêmula.
Ao olhar para si mesmo, o choque foi ainda maior. Ele não estava mais de cueca velha. Agora, usava um boné vermelho ajustado perfeitamente em sua cabeça, cobrindo parte do cabelo preto liso. Seu torso gordinho e macio estava coberto por uma camiseta larga e vermelha, incrivelmente confortável. Vestia também uma bermuda amarela de tecido leve e, por baixo dela, uma cueca box vermelha que abraçava suas coxas grossas e claras. Nos pés, meias amarelas esticadas até o meio das canelas e um par de tênis vermelhos com solado branco.
— Eu sou... o Diddy Kong? — balbuciou, passando as mãos pelo tecido da camiseta e descendo até a pele macia de suas coxas depiladas, que estavam expostas pela bermuda amarela. Ele ainda era ele mesmo — o mesmo corpo fofinho, a mesma pele incrivelmente lisa e sem um único pelo —, mas com as roupas icônicas do parceiro de Donkey Kong.
— Ei! Quem está aí? — Uma voz forte, madura e ligeiramente assustada ecoou de trás de uma pilha de caixas de madeira gigantescas, marcadas com a sigla “DK”.
Tiago deu um salto, seu corpo gordinho movendo-se com uma agilidade surpreendente que ele definitivamente não tinha no mundo real.
De trás das caixas, surgiu um homem. E que homem.
Tiago prendeu a respiração. O desconhecido era um monumento de pura masculinidade. Parecia ter cerca de 25 anos, era visivelmente mais alto que Tiago e ostentava um corpo extremamente musculoso e esculpido. Seus ombros eram largos, o peito era largo e desenhado, e o abdômen exibia gomos definidos que pareciam esculpidos em mármore. A pele dele, assim como a de Tiago, era clara e completamente depilada, sem qualquer pelo para esconder os contornos perfeitos de sua musculatura. O cabelo preto estava penteado em um topete impecável e robusto, e os olhos castanhos brilhavam com uma mistura de confusão e alerta.
Suas vestimentas eram no mínimo peculiares — e extremamente provocantes. Ele estava completamente sem camisa, exibindo o peitoral musculoso e definido em toda a sua glória. No pescoço, trazia uma gravata vermelha clássica com as letras “DK” bordadas em amarelo. Vestia apenas uma bermuda curta marrom que marcava seus glúteos firmes e deixava à mostra um elástico de cueca vermelha que contrastava com a pele clara de seu quadril. Calçava meias amarelas e tênis marrons esportivos.
Tiago não pôde deixar de notar o volume impressionante que se desenhava sob o tecido da bermuda marrom e da cueca vermelha do homem. Mesmo em repouso, o volume ali era monumental, sugerindo um membro que facilmente passaria dos 18 centímetros. Tiago engoliu em seco, sentindo uma onda repentina de calor subir por suas bochechas.
— Quem é você? — perguntou o musculoso, dando um passo à frente. Seus olhos varreram o corpo de Tiago, detendo-se por um segundo na silhueta gordinha, nas pernas perfeitamente lisas e no contraste do boné vermelho. Havia algo de muito atraente naquela maciez depilada do rapaz mais jovem, e o homem de topete pareceu notar isso.
— Eu... eu me chamo Tiago — respondeu, tentando manter a voz firme, embora seu coração estivesse disparado por mais de um motivo. — Eu estava no meu quarto jogando videogame e... de repente fui puxado para cá. Onde estamos?
O homem musculoso arregalou os olhos. O espanto em seu rosto deu lugar a uma compreensão quase inacreditável.
— Você também? — ele perguntou, a voz descendo um tom, tornando-se mais calorosa. — Cara... meu nome é Denis. Eu estava no meu apartamento em São Paulo, jogando Donkey Kong Country no meu emulador. Teve um clarão na tela do meu computador e... acordei aqui há uns dez minutos. Olhei para mim mesmo, vi essa gravata, essa bermuda...
Denis passou a mão pelo peito musculoso, seus dedos deslizando sobre a pele lisa e sem pelos de seu abdômen definido, um gesto que fez Tiago desviar o olhar por um segundo para não parecer óbvio demais na sua cobiça.
— Nós estamos dentro do jogo, não estamos? — Denis continuou, olhando ao redor para a floresta hiper-realista que os cercava. — Olha para esse lugar. É a cabana do Donkey Kong. Nós estamos na plataforma de madeira onde o jogo começa.
Tiago olhou ao redor e a ficha finalmente caiu. A cabana de madeira rústica, as folhagens gigantescas, a névoa tropical ao fundo... Eles estavam literalmente no primeiro cenário do clássico de SNES.
— Se nós estamos aqui... e estamos vestidos como o Donkey e o Diddy... — Tiago começou, o raciocínio lógico de gamer se ativando. — Isso significa que, para sair, nós temos que...
— Zerar o jogo — completou Denis, um sorriso de canto se formando em seus lábios bem desenhados. Ele deu mais um passo na direção de Tiago, diminuindo a distância entre os dois. O calor que emanava daquele corpo musculoso e seminu era quase palpável na umidade da floresta. — Seis mundos. Dezenas de fases. E um jacaré gigante no final esperando por nós.
Tiago olhou para Denis — para os braços fortes, o peito definido que subia e descia calmamente, a pele impecavelmente lisa que parecia implorar para ser tocada, e aquela bermuda curta que deixava muito pouco para a imaginação. O medo inicial daquela situação bizarra começou a ser sutilmente substituído por uma excitação elétrica e inédita.
— Bom... — Tiago sorriu de volta, ajeitando o boné vermelho na cabeça com um charme tímido que fez Denis fixar o olhar em seus lábios. — Pelo menos eu tenho um bom parceiro para essa aventura.
Denis soltou uma risada baixa e rouca, um som que vibrou no peito de Tiago. Ele estendeu a mão grande e forte para o jovem gordinho.
— Vamos nessa, Tiago. Juntos até o fim.
Quando as mãos se tocaram, a pele perfeitamente lisa de Denis contra a pele igualmente macia de Tiago enviou uma corrente de eletricidade que não tinha nada a ver com pixels ou videogames. Era pura e real atração física. A jornada deles estava apenas começando.
Continua...