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Pestilência - Angela

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Da série Pestilência
Um conto erótico de Haedrig
Categoria: Heterossexual
Contém 3221 palavras
Data: 18/06/2026 08:36:04

Mais uma convocação de Elana, aquilo estava virando uma rotina incômoda. Quando cheguei ao escritório, Maxim já estava lá. Permanecia imóvel diante da mesa, as mãos cruzadas atrás das costas, postura perfeita como sempre. Elana analisava alguns documentos.

— Sentem-se.

Obedecemos. Ela fechou a pasta que tinha em mãos e nos observou por alguns segundos.

— Antes de qualquer coisa, parabéns, a missão foi concluída com sucesso — continuou Elana. — Honestamente, não esperava que o problema fosse resolvido tão rápido.

Eu também esperava semanas de vigilância, perseguição e investigações. No fim, o stalker apareceu praticamente sozinho.

— Isso aconteceu por um motivo — Elana apoiou os cotovelos sobre a mesa. — Emoções tornam as pessoas vulneráveis, o homem passou meses se escondendo, observando, esperando. Foi cuidadoso durante todo esse tempo. Ela fez uma breve pausa.

— Mas bastou a obsessão falar mais alto para que ele cometesse um erro.

Os olhos dela pousaram em mim.

— Certo, Sangue?

— Certo — respondi.

Então ela virou o rosto para Maxim.

— Certo, Maxim?

— Certo, senhora — ela prontamente respondeu.

Elana assentiu, satisfeita.

— Ótimo. Então aprendam com isso.

O olhar dela permaneceu frio. Por algum motivo, senti que aquela lição não era apenas sobre o stalker, Elana abriu outra pasta.

— Maxim.

— Sim, senhora.

— Você vai retomar a caçada a Rocky.

Maxim estendeu a mão e recebeu alguns documentos.

— Novos esconderijos foram identificados.

Observei seu rosto, a expressão continuava neutra, mas havia algo ali, um pequeno incômodo, talvez irritação. Depois de tudo que havia acontecido, ela provavelmente esperava participar de algo mais importante do que perseguir uma única desertora.

— Entendido.

— Pode ir.

Maxim se levantou. Antes de sair, seus olhos encontraram os meus por um breve instante. Então ela deixou a sala, a porta se fechou.

— Você fica, vai me acompanhar em uma reunião.

— Entendido.

Nenhuma pergunta, nenhuma objeção, apenas aceitei como sempre.

Pouco tempo depois, deixamos o complexo, eu ocupava o banco de trás junto a Elana enquanto outro membro da organização dirigia. A paisagem urbana desapareceu gradualmente atrás de nós, prédios deram lugar a estradas vazias. Estradas deram lugar a campos e áreas isoladas.

O destino ficava longe, durante quase todo o percurso, Elana permaneceu em silêncio, nenhuma instrução ou explicação, o que não era normal para alguém como ela.

A mansão surgiu no horizonte depois de mais alguns quilômetros de estrada, mesmo à distância, já era possível perceber o tamanho da propriedade. Muros altos cercavam todo o terreno, câmeras ocupavam praticamente todos os pontos visíveis. Homens armados patrulhavam o perímetro em grupos organizados.

Quando atravessamos os portões, a sensação se tornou familiar, aquele lugar lembrava a organização de Elana, tudo ali transmitia controle, vigilância e poder. Guardas observando e obedecendo, prontos para matar caso recebessem uma ordem.

O carro parou diante da entrada principal, um homem de terno preto já aguardava nossa chegada.

— A Senhorita Angela está esperando.

Elana apenas assentiu, entramos. Corredores largos, pisos impecáveis, obras de arte caras espalhadas por toda parte. O segurança conduziu-nos até o último andar, parou diante de uma porta dupla, bateu duas vezes, uma voz feminina respondeu do outro lado.

— Entrem.

O homem abriu a porta, a sala era enorme. No centro, uma mesa longa de madeira escura, atrás dela, uma mulher girava lentamente em uma cadeira. Ela parou quando nos viu, um sorriso surgiu imediatamente, primeiro para Elana, depois para mim.

— Elana — o sorriso da mulher ficou ainda maior.

— Angela — Elana respondeu, seca.

As duas se encararam por alguns segundos.

— Trouxe o seu pet — os olhos de Angela pousaram sobre mim. — Nem precisava, não pretendo matar você hoje.

Elana ignorou a provocação como se não tivesse ouvido, aproximou-se da mesa. Angela levantou-se, as duas apertaram as mãos, sorrisos educados, olhares perigosos. Nada naquela interação parecia genuíno. Eu conhecia Angela apenas por rumores e histórias contadas, mas bastava olhar para ela para entender.

A mulher mais gananciosa que já pisou na face da terra, era assim que todos a conheciam. Ela sempre queria mais, dinheiro, influência, territórios, empresas, funcionários, poder. Se existisse algo que ela ainda não possuía, ela desejava possuir.

As duas sentaram-se, eu permaneci atrás de Elana.

— Então — disse Elana. — Por que fui chamada?

— Negócios — Angela apoiou os cotovelos sobre a mesa.

— Seja específica.

— Quero unir nossas organizações.

Por alguns segundos, aquilo pareceu razoável, uma cooperação.

— Seus recursos são excelentes, assim como seus agentes, nem vamos entrar no mérito da sua estrutura — o sorriso de Angela aumentou. — E tudo isso funcionaria muito melhor sob minha administração.

O silêncio tomou a sala, Elana não reagiu, nem eu. Angela recostou-se na cadeira.

— Você é competente, Elana, mas poderia ser ainda mais útil trabalhando para mim.

Aquilo não era uma proposta de parceria, era uma tentativa de aquisição. Angela queria absorver a organização inteira, queria que Elana respondesse a ela, queria transformá-la em subordinada.

— Não — a resposta de Elana veio imediatamente.

— Você nem me deixou terminar.

— Terminou sim.

— Não terminei — Angela apontou para mim. — Ainda existe ele.

Angela apoiou o queixo na mão.

— Eu também quero o seu cão de guarda.

De novo isso, de novo aquela raiva queimando dentro de mim. Angela me observou por alguns segundos, como se estivesse avaliando um objeto raro, algo valioso, algo que desejava possuir. Os olhos de Elana já possuíam a resposta que Angela não queria ouvir.

— É uma pena — Angela balançou a cabeça. — Comigo ele teria muito mais utilidade, também um tratamento melhor, fiquei sabendo que ele dorme num quarto qualquer e come a mesma comida que todos os outros.

Angela se sentou, rindo.

— Você tem que tratar bem seus cachorros, Elana, ou eles podem acabar se voltando contra você.

— O assunto acabou — a voz de Elana ficou muito mais fria, se levantando para ir embora.

Mas Angela não parecia interessada em encerrar, ela continuava me observando com aquele sorriso... senti vontade de atravessar a mesa e arrancar aquele sorriso do rosto dela com as unhas.

— Sabe, Sangue — Angela se levantou. — Se um dia se cansar da coleira da Elana, saiba que sempre haverá espaço no meu canil para você.

Senti o ódio subir imediatamente, por um instante, imaginei minhas mãos ao redor do pescoço dela. Imaginei o sorriso desaparecendo. Mas não me movi, permaneci controlado. Ao meu lado, Elana não demonstrou reação alguma.

Angela observou nós dois durante alguns segundos, esperava alguma coisa, qualquer reação. O sorriso dela vacilou, parecia finalmente entender que Elana recusaria qualquer oferta.

— Que pena — disse ela, recostando-se na cadeira. — Eu realmente acreditava que conseguiria convencê-la.

— Terminamos? — Elana não tirou os olhos de Angela nem por um segundo.

— Ainda há tempo para mudar de ideia.

Elana não respondeu, apenas virou as costas e começou a caminhar em direção à porta, eu a acompanhei.

— Elana.

A voz de Angela nos fez parar, minha mestra olhou por cima do ombro.

— Você ainda pode se arrepender dessa decisão.

Elana simplesmente voltou a andar. Saímos da sala acompanhados pelo mesmo segurança que nos receberam. Os corredores da mansão pareciam ainda mais parecidos com os da organização. Quando chegamos ao pátio principal, percebi algo que não havia notado na entrada, os homens de preto não estavam apenas patrulhando, estavam observando, aguardando qualquer vacilo nosso para disparar as armas que suas mãos apertavam.

A ameaça de Angela não era um blefe, ela realmente acreditava que poderia enfrentar Elana. Entramos no carro, nenhum dos dois falou durante os primeiros quilômetros. A estrada serpenteava por áreas isoladas, cercadas por mata e terrenos vazios.

— O que achou dela?

— Gananciosa.

Elana assentiu.

— Pode parar aqui — Elana dirigiu a palavra para o motorista.

Seus olhos percorreram a estrada, depois os arredores.

— O que foi? — perguntei.

— Mais adiante provavelmente existe uma armadilha.

Olhei para a estrada, não vi nada. Mas Elana raramente errava.

— Como sabe?

— Porque aquela mulher não faz nada por acaso.

Elana parecia inquieta desde que saímos da mansão de Angela, já imaginava que o orgulho foi ferido com as palavras da rival.

— Vamos mudar de rota — ela voltou o olhar para mim. — Você vai voltar.

Assenti.

— Elimine qualquer vestígio de Angela.

Era uma ordem, simples.

— Sim senhora.

Voltei sozinho, a estrada parecia mais curta no retorno. Os portões da mansão se abriram novamente quando me aproximei, os seguranças me reconheceram imediatamente. Alguns trocaram olhares discretos, outros levaram as mãos para perto das armas. Ignorei todos, entrando pela porta principal.

— Quero falar com Angela.

O silêncio que se seguiu foi imediato, um dos homens hesitou.

— Senhora Angela está ocupada.

— Avise que eu voltei.

A tensão aumentou no mesmo instante, ninguém parecia entender por que eu havia retornado sozinho. Ninguém além dela. Poucos minutos depois, um funcionário reapareceu.

— Ela vai recebê-lo.

Sorri internamente, claro que ia, fui conduzido até o mesmo escritório. A porta se abriu, Angela estava sentada atrás da mesa, sorrindo, radiante.

— Eu sabia — ela se levantou. — Sabia que voltaria.

Fechou a porta atrás de mim pessoalmente, nenhum segurança, nenhuma testemunha.

— Então você estava apenas esperando a oportunidade certa.

Permaneci em silêncio, Angela interpretou aquilo exatamente da que achou mais conveniente.

— Elana nunca soube valorizar o que possui — ela caminhou ao meu redor lentamente. — Sempre tão possessiva e controladora.

Parou à minha frente.

— Eu faria melhor.

Observei o ambiente, saídas, janelas, câmeras. Angela confundiu minha análise com interesse, seu sorriso aumentou.

— Está avaliando seu novo território?

— Talvez.

A resposta pareceu agradá-la, ela começou a falar incessantemente sobre como juntos, iríamos expandir os negócios, mais dinheiro, poder, influência. Quanto mais falava, mais evidente ficava, nunca era suficiente. Ela já possuía mais do que a maioria das pessoas conseguiria imaginar e mesmo assim queria mais.

— E você vai ser uma ferramenta extremamente útil — ela apontou para mim. — Um homem como você muda o equilíbrio de qualquer organização.

— Sou apenas uma pessoa.

— Não — Angela riu, balançando a cabeça. — Você é um recurso, um animal que vai avançar e destruir quem eu mandar.

Ela sequer me considerava uma pessoa, e sim um recurso, uma ferramenta, ou como me chamou, um animal.

— Elana nunca entendeu seu verdadeiro valor.

— E você entende?

— Melhor do que ela.

A resposta veio sem qualquer hesitação. Me sentei, fiz perguntas, ela respondeu todas, perguntei sobre as operações, planos, ambições. Sobre sua rivalidade com Elana, ela ingenuamente falava cada vez mais, ela baixou completamente a guarda.

— Admito que esperava mais resistência — disse. — Mas, no fim das contas, você é igual aos outros.

Não respondi, ela interpretou o silêncio como submissão.

— Eu sabia que aquela coleira dela não duraria para sempre.

Coleira. Apertei as mãos.

— Elana nunca mereceu você. — ela riu. — Mas não se preocupe. Eu vou cuidar muito melhor do meu novo cãozinho.

Olhei para ela, durante toda a reunião, durante toda a conversa, durante toda aquela encenação. Ela acreditou cegamente que estava me conquistando. Angela nunca percebeu o erro, ela acreditava que eu tinha voltado por ela, quando, na verdade, eu tinha voltado por causa de uma ordem.

Me aproximei dela, ela continuava sorrindo, minhas mãos alcançaram seu pescoço, Angela soltou uma pequena risada.

— Ah, então é assim que um animal demonstra afeto?

Não respondi, a pressão aumentou, o sorriso dela vacilou, os olhos reviraram, soltou um gemido. As mãos apertaram meus antebraços.

— Isso — o rosto foi ficando vermelho. — Aperta... mais forte...

A voz mal saiu da boca, as mãos dela foram direto para a sua buceta, começou a se masturbar freneticamente, num instante, gozou. Minhas mãos vacilaram, não esperava por aquilo. Ela cambaleou um pouco até encostar na mesa.

— Caralho... isso foi bom — ela ofegou, tentando recuperar o equilíbrio das pernas. — Pelo jeito Elana te usa como escravo sexual também, vamos nos dar bem.

E então ela partiu para cima de mim, as mãos dela trabalharam no meu cinto, na minha calça, até finalmente arrancar meu pau duro e pulsante para fora. A mão dela o envolveu, o polegar esfregando a cabeça já úmida de pré-gozo. Ao mesmo tempo, subiu a saia dela até a cintura, revelando a calcinha de renda preta já encharcada. A empurrei até chegarmos na mesa grande, ela apoiou as mãos e se sentou na mesa, me posicionei entre suas pernas. Com um movimento rápido, ela puxou a calcinha de lado e eu meti em sua buceta.

A entrada estava escorregadia e quente, recebendo meu pau inteiro em um só movimento. Angela gemeu alto, as costas se arqueando enquanto eu começava a foder com força. Ela apertou minha nuca enquanto se apoiava na mesa com a outra mão, ela gozou quase imediatamente, as paredes da buceta apertando meu pau nas contrações desordenadas. Continuei metendo, cada movimento meu provocava outra onda de prazer, outra contração, outro gemido. As mãos dela agarravam minhas costas, as unhas arranhando através da camisa enquanto ela gozava sem parar no meu pau.

Depois de vários minutos dessa intensidade, a virei de costas, a bunda arrebitada e perfeita apontada para mim. A saia estava amassada na cintura, a calcinha puxada para o lado expondo ambos os buracos, agarrei a cintura pequena e voltei a foderu sua buceta, parecia querer engolir cada centímetro. Ela olhou por cima do ombro, os olhos cheios de desejo.

— Fode o meu cu — pediu de forma sexy, ao mesmo tempo, autoritária.

Tirei meu pau e me agachei, abri a bunda com as duas mãos e comecei a chupar seu cu, enfiando a língua o mais fundo que conseguia. As pregas já estavam relaxadas, não ofereciam nenhuma resistência. Deixei uma bela quantidade de saliva, me levantei, enfiei em sua buceta com alguns metidas rápidas, logo tirei e direcionei até seu cu. Entrei devagar no começo, as pregas resistiram um pouco, mas logo cederam, permitindo que eu penetrasse centímetro por centímetro. Mas ela não queria devagar.

— Mais fundo — gemeu, empurrando o corpo contra mim. — Mais forte... me fode mais forte.

Puxei os dois braços dela para trás, usando-os como alavancas enquanto a enforcava um pouco mais, a pressão no pescoço combinando com o prazer anal. Dei alguns passos para trás, afastando-a da mesa, mantendo-a suspensa apenas pela força dos meus braços e pelo meu pau enterrado no rabo dela. Continuei fodendo enquanto ela gozava incansavelmente, cada movimento mais profundo que o anterior, cada gemido mais alto que o anterior. O corpo dela estava completamente entregue, uma marionete nas minhas mãos, respondendo a cada toque, cada puxão, cada estocada mais fundo no rabo.

Ela me olhava por cima do ombro, o cabelo grudado no rosto pelo suor, os dentes cerrados abafando os múltiplos gemidos, seu cu apertando meu pau incansavelmente.

No fim, seu cu apertado foi o suficiente para me fazer chegar no limite, continuei fodendo seu rabo quando comecei a gozar, enchi seu ânus de esperma, o líquido quente impregnando as paredes do cu enquanto as pernas dela tremiam em mais um orgasmo final. Soltei os braços dela e ela desabou suavemente sobre a mesa, o corpo ainda tremendo, as pernas flexionadas, sem força. O rabo vermelho e usado brilhando sob a luz da sala.

Vi minha porra escorrendo pelas pernas dela, até chegar no sapato, até pingar finalmente no chão.

Angela se sentou sobre a enorme mesa de madeira escura, ainda recuperando o fôlego. Uma perna cruzada sobre a outra, o sorriso satisfeito permanecia em seu rosto, enquanto ajustava o cabelo bagunçado. Eu terminava de me vestir em silêncio.

— Admito que esperava mais resistência — Angela comentou, me observando. — No final das contas, você foi bem fácil de convencer.

Não respondi. A ordem de Elana continuava ecoando na minha mente.

"Eliminar qualquer vestígio de Angela."

Era uma ordem simples, objetiva. Eu não teria dificuldades em cumprir isso de forma rápida. Terminei de ajustar a camisa.

— Não vai me responder? Ou está pensando demais? — Angela apoiou as mãos atrás do corpo sobre a mesa. — Isso é um defeito terrível para um animal como você.

Nos últimos dias, parecia que tudo estava saindo do meu controle, Rocky, Natasha, Maxim, agora Angela. Em algum momento eu havia começado a tomar decisões baseadas em coisas que não entendia, em emoções.

— Não precisa parecer tão preocupado — ela sorriu. — Você fez a escolha certa.

Escolha, a palavra me incomodou, escolhas são para pessoas que têm liberdade. Me aproximei lentamente, Angela observou minha aproximação sem qualquer preocupação, pelo contrário, parecia satisfeita.

Parei diante dela, Angela ergueu o queixo, meu olhar permaneceu fixo nela.

— Não me olha assim — o sorriso sumiu, o rosto se contorceu em nojo. — Quando eu estiver por perto, você abaixa a cabeça, entendeu?

As palavras dela se misturavam aos pensamentos que tentavam se formar na minha cabeça. Aquela ira crescia novamente, mas junto, uma tristeza.

— Ou vai passar um tempo no canil junto aos outros cachorros.

Natasha e Maxim me chamavam de cachorrinho, Angela falava de canis. E Elana...

Minha mandíbula travou. Elas são iguais. Elas são todas iguais.

Angela estendeu a mão e segurou meu queixo, o gesto foi casual.

— Não faça essa cara, estou começando a ter dó de você — ela sorriu.

Minha mão subiu lentamente, os dedos envolveram seu pescoço, Angela arqueou uma sobrancelha.

— Não toque em mim sem permissão.

Não afrouxei, não apertei, apenas permaneci imóvel. Angela soltou uma pequena risada.

— Está vendo? — ela levou a mão até meu pulso. — É exatamente por isso que você precisa de uma dona como eu.

Silêncio.

Senti alguma coisa em mim, algo finalmente se rompeu e Angela percebeu tarde demais. Minha respiração ficou ofegante, senti meu corpo inteiro queimar e tremer. O sorriso dela vacilou, a pressão dos meus dedos aumentou.

— Espera... — a voz saiu menos confiante. — Espera!

Continuei apertando, os dedos dela agarraram meu braço, ela começou a se debater. Na tentativa de se livrar de mim, arranhou meu rosto, um pouco de sangue escorreu, ela começou a me bater na medida que a distância permitia. Continuei apertando, sem nenhuma hesitação, apenas ódio.

Ela parecia entender que era o seu fim, mas estranhamente... ela sorriu. Um sorriso pequeno e desprezível.

— Maldito... cachorro... imundo...

Então apertei mais, até ouvir o estalo. Os olhos de Angela permaneceram abertos por alguns segundos, vazios, sem foco. Então seu corpo perdeu toda a força, os braços caíram primeiro, as pernas cederam logo depois.

Soltei seu pescoço, o corpo tombou da mesa e atingiu o chão com um baque pesado. Permaneceu imóvel, observei por alguns segundos. Não senti satisfação ou alívio, aquela ira ainda queimava dentro de mim, dentro do peito.

Olhei para Angela pela última vez, me virei e saí da sala. O corredor estava silencioso, os primeiros homens perceberam algo errado imediatamente, mas não tiveram tempo de reagir. O primeiro caiu antes mesmo de alcançar o rádio preso ao cinto, o segundo tentou sacar a arma.

Tarde demais.

Continuei caminhando, abrindo cada porta, manchando as paredes com sangue fresco, extinguindo qualquer vida que existia por lá. Nenhum deles sabia exatamente o que estava acontecendo, alguns tentavam lutar, outros tentavam fugir.

Não fazia diferença, a mansão inteira mergulhou em caos. Um por um. Andar por andar. Sala por sala. Quando tudo terminou, o silêncio havia voltado, caminhei pelos corredores agora vazios.

O cheiro de pólvora só não era mais forte que o cheiro de sangue que impregnava o ar. A mansão que poucas horas antes parecia uma fortaleza agora parecia um túmulo. Parei diante de uma enorme janela, a noite continuava escura do lado de fora.

Baixei o olhar, minha mão direita, o anel, passei o polegar sobre o metal. Imediatamente pensei em Rocky. Na forma como ela havia colocado aquele anel em meu dedo, na forma como sorria. Por um instante, fiquei parado.

Senti um frio momentâneo, meu peito não ardia mais naquele ódio escaldante. Só restou um vazio.

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Foto de perfil de HaedrigHaedrigContos: 24Seguidores: 22Seguindo: 7Mensagem Um cara comum que escreve histórias não muito condizentes com a realidade. Email: ghaedrig@gmail.com

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