AVISO AOS LEITORES: Este capítulo está muito grande porque ele é uma fusão de dois capítulos pra história chegar logo no arco do futebol.
CRONOLOGIA: Os eventos narrados aqui acontecem nos dias 30 de julho de 2025 (quarta-feira) a 31 de julho de 2025 (quinta-feira).
Meu nome é Jonas. Sou um professor universitário comum de 46 anos. Essa história começou sobre quem ia comer a minha vizinha evangélica, Rebecca. Mas ela acabou migrando pra outra série e essa história passou a ser mim. Para ler sobre a Rebecca atualmente, leia “Passando a Vara nas Vizinhas. Ou Não.”.
O nosso capítulo começa imediatamente após o final do capítulo anterior.
Depois do treino, descobri que quase tudo em mim podia doer ao mesmo tempo. Meu joelho latejava por causa do parkour, os braços estavam duros do rapel, as costas ainda ardiam pelos arranhões da Carolina e a lombar reclamava. E ainda passara a hora do almoço sendo derrubado no tatame. Ao meu lado, a Lorena dirigia satisfeita, já de banho tomado no dojo.
— Você está quieto — disse Lorena, sem tirar os olhos do trânsito. — Você caiu melhor no final.
— Meu joelho discorda.
— Todo mundo cai. O importante é saber como cair pra poder se levantar.
Paramos numa farmácia, onde comprei mais analgésico, gel para dor, esparadrapo e isotônico. Quando voltei, Lorena estava encostada no carro, mexendo no celular.
— A Carolina mandou dizer que encerra o trabalho antes da gente chegar. Ela vai deixar a porta aberta.
— Vocês duas são muito organizadas.
— Alguém precisa ser.
Chegamos ao prédio perto das 15h. No elevador, apoiei as costas na parede enquanto Lorena ajeitava o cabelo diante do espelho. Ela me observou pelo reflexo.
— Você vai mesmo voltar ao jiu-jitsu semana que vem?
— Dei a minha palavra.
O sorriso dela perdeu um pouco da provocação.
Quando chegamos ao apartamento da Carolina, a porta estava apenas encostada. Ela apareceu pouco depois das 15h, ainda de óculos, usando regata e uma calça confortável. O cabelo escuro estava preso de lado. A regata deixava evidente o volume dos seios grandes e firmes. A pele levemente bronzeada, o rosto bonito e atento e a eterna expressão crítica no rosto julgando as minhas ações não-exatamente éticas. Ela olhou pro meu estado, depois pra Lorena e começou a rir.
— Eu queria ter estado pra ver.
— Eu quase morri.
— Deixa de drama! — esnobou Carolina.
Sentei na poltrona, enquanto a Lorena sentava no sofá e olhava a sacola da farmácia.
— Ele me pediu em namoro hoje cedo — soltou Carolina.
A Lorena parou de mexer na pomada e virou o rosto para mim.
— Pediu?
— Pedi.
— Você pediu a Carolina em namoro, mas eu não?
— Por mim, eu namoraria vocês duas.
A frase saiu sem brincadeira. A Lorena ficou me olhando e a Carolina perdeu o sorriso por um instante. Eu sabia que tinha feito a proposta num momento impróprio, mas a vontade continuava.
— E a Cinthia? — perguntou Lorena.
— Ia saber de tudo, claro. Eu nunca escondo nada dela. Ela autorizou o que já existe entre nós. Se isso virar namoro, vai ser conversado direito com ela, sem mentira e nem omissões.
A Carolina se sentou ao lado da Lorena. As duas ficaram de frente para mim, coordenadas demais pra minha tranquilidade.
— Você entende que namoro não é só aparecer para transar e ir embora depois? — perguntou Carolina. — Eu trabalho, tenho minhas rotinas, meus interesses e não quero virar um intervalo gostoso na agenda de homem casado.
Lorena continuou, mais direta:
— E eu tenho amigos, esportes, hobbies, trabalho e uma vida inteira que não vai diminuir para caber em você. Você mal aguentou três dias vendo como é a minha vida.
Passei a pomada no joelho roxo enquanto elas falavam. O cheiro mentolado destruiu qualquer aparência de sedução que eu ainda pudesse sustentar.
— Eu sei que não seria fácil — respondi. — Não pedi porque achei simples. Pedi porque não quero tratar isso como uma brincadeira com prazo para acabar.
A Lorena parou de sorrir. Carolina me estudou com mais calma.
— Se eu aceitasse uma maluquice dessas, ainda iria acabar no mesmo prazo que combinamos — disse Lorena. — Neste contrato, não tem aditivo de prorrogação, meu querido.
— Que seja eterno enquanto dure.
A Carolina mexeu no cabelo e respirou fundo. Pela primeira vez naquele dia, fiz a coisa sensata.
— Vocês não precisam responder agora. Só queria deixar esta carta na mesa.
A Lorena me olhou com desconfiança.
— E o que nós ganharíamos namorando você?
— A prova de que eu não quero só sexo e que eu não querer diminuir a vida de vocês pra facilitar a minha. Compromisso, lealdade, carinho.
A Carolina abaixou os olhos, contendo um sorriso. A Lorena chegou mais perto e parou diante de mim.
— Mas quem disse que a gente quer algo além de sexo vindo de ti?
— O fato de ambas terem pedido pra eu conhecer e acompanhar a vida das duas.
— Touché.
Ela segurou meu queixo e me beijou. O beijo começou leve, mas terminou com uma mordida no meu lábio. A Carolina se levantou e ficou ao lado da poltrona, observando com um sorriso curto. A Lorena sentou no meu colo sem pedir licença. Meu corpo protestou, mas minhas mãos foram direto pra cintura dela.
— Doeu? — perguntou Lorena.
— Bastante.
Ela fez menção de levantar. Eu a segurei antes.
— Mas fica.
Ele soltou um sorriso satisfeito, menos debochado do que de costume. A Carolina assistiu curiosa.
— Você reclama, mas não larga — comentou.
— Tenho qualidades contraditórias.
A Lorena ajeitou o corpo no meu colo. O calor dela e as coxas firmes apoiadas sobre mim acabaram com a pouca resistência que eu ainda fingia ter.
— A gente ainda não respondeu sobre namoro — disse Carolina.
— Eu sei.
— Mas você sustenta a proposta?
— Sustento.
A Lorena passou a mão pela minha nuca.
— Primeiro, sexo. Depois, vemos isso de namoro.
A Lorena aproximou a boca da minha e sorriu daquele jeito que sempre anunciava problema. Quando me beijou, a Carolina encostou a mão no meu ombro e ficou perto o bastante para deixar claro hoje ia ser a três.
A Lorena começou a rebolar no meu colo devagar. O peso dela sobre mim fazia minha lombar reclamar, mas o cheiro dela acabava com qualquer argumento racional. A Carolina ficou ao lado da poltrona, assistindo e esperando sua vez. Eu estava fisicamente destruído, mas meu pau discordava disso.
— Olha só — disse Carolina ao ver o volume se formar na minha calça. — O morto está ressuscitando.
A Lorena riu contra a minha boca e rebolou de novo, dessa vez fazendo questão de esfregar a buceta coberta pelo short bem em cima do meu pau. Segurei a cintura dela com as duas mãos, e ela segurou meus ombros, pressionando sem força demais porque percebeu a dor nas minhas costas. Aquilo quase me desmontou mais que a sacanagem. A Lorena podia ser sádica, mas prestava atenção em mim. Isso me deixava mais vulnerável do que qualquer buceta molhada.
— Você aguenta? — perguntou ela, bem perto da minha boca.
— Aguento.
Beijei a Lorena com força. Ela correspondeu com língua, mordida e uma risada baixa, daquelas que vinham quando ela estava no controle e fingia que eu estava. As minhas mãos desceram pra bunda dela. A bundinha da Lorena era firme, arredondada, com aquela projeção discreta e gostosa que combinava com o corpo magro e atlético dela. Apertei com vontade, e ela respirou fundo no meio do beijo.
A Carolina se aproximou mais. Os peitões dela marcavam a regata, os bicos duros aparecendo no tecido. A Lorena segurou meu rosto e me fez olhar para ela de novo.
— Ei. Foco.
— Mandona.
— E você gosta.
— Gosto.
Ela sorriu, mas havia um rubor leve no rosto. Puxei a camiseta dela para cima. Ela levantou os braços, deixando que eu tirasse. Por baixo, usava top esportivo. A Carolina soltou um assobio baixo.
— Gostosa!
— Você também é, meu amor — respondeu Lorena, sem perder a pose.
— Vocês duas estão tentando me matar de formas diferentes.
A Lorena desceu do meu colo e tirou o short. A calcinha pequena apareceu, colada na buceta. As coxas dela eram torneadas e fortes, com aquela definição de quem corria, lutava e pulava muros por diversão. Ela voltou pro meu colo só de top e calcinha, sentando devagar, agora com menos tecido entre nós. Meu pau já estava duro o bastante pra lutar por espaço na cala.
— Não acredito que você ainda consegue — disse Lorena, olhando pra baixo.
— Eu te esvaziei hoje cedo — disse Carolina.
— Você tentou.
A Carolina riu. A Lorena me deu um tapa de leve na cara, mais provocação do que agressão.
— Não elogia outra mulher enquanto eu estou no teu colo.
— Ela está do seu lado e você acabou de chamar ela de gostosa.
— Pior ainda.
A Carolina veio por trás da poltrona e inclinou meu rosto para ela. Beijou minha boca por cima do ombro da Lorena, com a língua lenta, mão no meu queixo. A Lorena rebolou no meu colo enquanto a Carolina me beijava. A combinação acabou com o pouco juízo que eu fingia ter.
— Vocês vão mesmo fazer isso comigo? — perguntei, quando a Carolina soltou minha boca.
— Você pediu duas namoradas — disse Carolina. — Estamos avaliando.
— Precisamos de uma prova prática de que você dá conta de duas ao mesmo — completou Lorena.
A Lorena abriu a minha calça e enfiou a mão por dentro da cueca. Quando segurou o meu pau, perdeu por um instante o sorriso. A mão dela subiu e desceu devagar, testando, sentindo que eu estava duro de verdade apesar do cansaço.
— Você é um absurdo — disse ela.
Ela me beijou de novo. A Carolina contornou a poltrona, sentou no sofá diante de nós e ficou assistindo. O jeito como mordia o canto da boca me derretia e entregava muito sobre ela. Ela gostava de assistir.
Passei a mão por baixo da calcinha da Lorena. Ela prendeu a respiração quando meus dedos tocaram a sua buceta. Estava molhada. Ela tentou manter a cara de superioridade, mas falhou quando enfiei dois dedos devagar.
— Porra, Jonas... — disse ela, baixinho.
— Toda valente, mas tremendo com dois dedos.
— Vai se foder.
— Eu vou TE foder.
Ela tentou responder, mas eu movi os dedos dentro dela e usei o polegar para tocar seu clitóris por cima. A resposta veio com a bunda rebolando no meu colo, a mão apertando o meu ombro e a respiração falhando. Beijei o pescoço dela, depois subi pra boca. A Carolina observava em silêncio.
— Olha pra Carolina — falei no ouvido da Lorena. — Ela gosta de ver você gemendo.
A Lorena olhou e a Carolina sorriu.
— Continua — disse Carolina, com voz baixa.
A Lorena fechou os olhos e rebolou nos meus dedos. Tirei o top dela com ajuda dela. Os seios pequenos e firmes ficaram livres, com aréolas escuras grandes e mamilos salientes. Chupei um, depois o outro, enquanto continuava dedilhando sua buceta. A Lorena jogou a cabeça para trás e puxou meu cabelo.
— Desgraçado...
— Minha putinha atleta.
Ela gemeu mais forte.
— Repete.
— Minha putinha atleta.
A Carolina levantou do sofá e veio até nós. Passou a mão pelo rosto da Lorena com carinho e segurou o queixo dela.
— Você fica linda assim.
A Lorena a encarou meio sem graça, meio excitada.
— Vai se foder também.
— Daqui a pouco — respondeu Carolina.
Aquilo acendeu a Lorena de vez. Ela puxou minha cueca pra baixo, fazendo o meu pau explodir pra fora, e começou a me masturbar, ainda sentada no meu colo, ainda sendo dedilhada. O corpo dela fazia movimentos curtos, sem conseguir decidir se queria gozar nos meus dedos ou me fazer perder o controle primeiro. Essa disputa, eu venci.
— Me come logo!
Olhei para Carolina.
— Camisinha?
— No criado-mudo.
A Lorena riu e levantou do meu colo. Eu me ergui com dificuldade, e as duas riram da minha cara quando precisei apoiar a mão na poltrona.
— O macho dominador está precisando de guincho — disse Carolina.
— O macho dominador foi espancado no tatame por uma psicopata.
— Uma psicopata gostosa — corrigiu Lorena.
— Isso nunca esteve em dúvida.
Fomos pro quarto da Carolina aos trancos. A Lorena me puxava pela mão e a Carolina vinha atrás. No quarto, a Lorena me empurrou na cama, tirou de vez a minha calça e a minha cueca, mas eu a puxei pela cintura antes que ela tentasse comandar tudo. Ela caiu por cima de mim rindo, depois me beijou com vontade. A Carolina ficou ao lado da cama, tirando a regata. Quando os seios grandes dela apareceram, cheios, com aréolas escuras e bicos duros, o meu pau deu outro sinal de que tinha vontade própria.
— Nem disfarça que mamar aqueles peitões — disse Lorena.
— Disfarçar seria falta de respeito.
A Carolina tirou a calça e ficou só de calcinha. A buceta dela marcava o tecido, e o risquinho de pelos aparecia por baixo. Ela veio pra cama e beijou a Lorena primeiro. As duas se beijaram por cima de mim, corpos inclinados, bocas abertas, uma mão da Carolina no rosto da Lorena, a mão da Lorena descendo pra coxa dela. Eu fiquei olhando por alguns segundos, porque há cenas em que um homem inteligente cala a boca e agradece a Deus.
— Tá olhando o quê? — perguntou Lorena, sem tirar a boca da Carolina por completo.
Peguei a camisinha e coloquei com menos dificuldade do que esperava. A Lorena percebeu meu esforço e segurou meu pau, ajudando a ajeitar. Depois subiu em mim, afastou a calcinha pro lado e guiou a cabeça do meu pau até a buceta.
Ela desceu devagar, me encarando. A buceta dela me engoliu aos poucos, quente e apertada, fazendo nós dois prendermos a respiração. A Lorena fechou os olhos, apoiou as mãos no meu peito e começou a se mover em cima de mim, primeiro com cuidado por causa das minhas dores, depois ganhando ritmo. A visão dela montando meu pau era absurda. Cintura fina, barriga seca, seios firmes balançando pouco, coxas fortes controlando tudo, bunda subindo e descendo.
— Caralho — gemi. — Você é muito gostosa.
— Eu sei.
A Carolina subiu na cama ao lado e beijou a Lorena enquanto ela cavalgava. A mão dela desceu pela barriga da Lorena e foi até o clitóris, fazendo a Lorena travar por um segundo em cima de mim.
— Carolina... Porra...
— O acordo era contra um — disse Carolina. — Nunca combinamos quem seria o “um”.
A Lorena acelerou. A minha lombar protestou, mas a buceta dela apertando meu pau e a mão da Carolina brincando nela me fizeram esquecer o suficiente para continuar. Segurei a bunda da Lorena com as duas mãos e ajudei no movimento, puxando-a para baixo a cada descida. Ela gemeu mais alto e Carolina mordeu o pescoço dela.
— De quem é essa buceta? — perguntei, sem pensar.
A Lorena abriu os olhos, vermelha e excitada, e sorriu, safada.
— Tua.
O som da entrega bateu direto no meu pau. Segurei mais forte a bunda dela e comecei a meter com mais intensidade, dentro do que meu corpo ainda permitia. A Lorena perdeu o ritmo por um instante e deixou que eu comandasse. A Carolina percebeu e sorriu.
— Calem a boca — disse Lorena, mas a voz saiu quebrada.
Ela estava perto. Eu senti na buceta apertando, no jeito como as coxas tremeram, na respiração presa. Segurei o rosto dela e a fiz olhar pra mim.
— Aceita ser minha namorada?
Ela riu sem acreditar, ofegante.
— Você é completamente maluco.
— Sou maluco, sim. Mas me responde.
A Carolina ficou quieta. A Lorena tentou continuar rebolando, mas eu segurei a cintura dela, mantendo-a em cima de mim, o meu pau enterrado nela.
— Jonas...
— Aceita ser minha namorada?
Ela me encarou, com o rosto molhado de suor, cabelo grudando no pescoço, os olhos brilhando de tesão.
— Aceito.
— Aceita o quê?
— Aceito ser tua namorada, seu filho da puta.
Meti mais fundo. Ela gozou quase na mesma hora, gemendo alto, apertando o meu pau com a buceta e enterrando as unhas no meu peito. A dor veio junto com o prazer e eu quase xinguei, mas ela estava tão linda gozando em cima de mim que preferi beijar sua boca. A Lorena tremeu inteira, rindo e gemendo, enquanto a Carolina a segurava pela nuca e beijava seu pescoço.
— Pronto — disse Carolina, com um sorriso baixo. — Agora, temos uma namorada oficial.
— Cala a boca — repetiu Lorena, sem força nenhuma.
A Lorena não saiu de cima de mim de imediato. Ficou parada por alguns segundos, ainda tremendo, com a buceta apertando meu pau em espasmos curtos e os olhos meio perdidos de tesão. A Carolina, ao lado, passava a mão pela coxa dela e sorria. Eu segurei a cintura da Lorena e a ajudei a sair devagar, porque o meu corpo estava destruído demais para qualquer movimento brusco, e ela caiu de lado na cama, ofegante, suada, linda e irritantemente satisfeita.
— Você pediu no pior momento possível — disse Lorena, tentando recuperar a pose.
— E você aceitou.
— Eu estava gozando.
— Aceitou.
— Filho da puta.
A Lorena tentou me chutar de leve, mas eu segurei a perna dela e beijei a parte interna da coxa. Ela parou de rir na hora. A pele dela eriçou, a coxa firme sob minha boca, e a buceta continuava molhada, aberta de leve depois de ter me engolido. Subi com a boca pela virilha e chupei a buceta dela de novo, só para sentir o gosto, só para ver aquela gostosa perder a força por causa da minha língua. A Lorena respirou fundo e levou a mão ao meu cabelo.
— Jonas...
— Quer que eu pare.
— Se parar agora, eu revogo o aceite!
Continuei chupando até ela gozar alto mais uma vez. Depois, segurei a bunda dela com as duas mãos e a virei de bruços. A Lorena resistiu por reflexo, mas a Carolina segurou a mão dela com um sorriso safado e isso bastou para ela ceder. A bunda da Lorena não era enorme, mas era firme, redonda, bem desenhada, com aquela projeção discreta e gostosa de mulher atlética. De bruços, com a cintura fina e as costas arqueadas, ela ficava ainda mais indecente. Separei as nádegas com os dedos e vi o cuzinho dela, fechado, intacto, apertado, uma provocação perfeita bem ali na minha frente. O meu pau deu um solavanco dentro da camisinha.
— Jonas — disse Lorena, com um tom de aviso.
— Eu não vou fazer nada que você não queira.
Passei a língua pela buceta dela primeiro, lambendo a umidade que escorria, e depois subi devagar até o cuzinho. A Lorena travou. O corpo inteiro dela ficou rígido por um segundo, e a Carolina arregalou os olhos, interessada demais para fingir indiferença. Encostei a língua na entrada apertada, lambi de leve, depois com mais pressão, sentindo o calor dela e a contração involuntária do cuzinho contra a minha boca. A Lorena soltou um gemido baixo, quase raivoso, enfiando o rosto no travesseiro.
— Porra... — ela gemeu. — Jonas, caralho...
— Primeira vez que alguém faz isso?
Ela demorou para responder. Aquela demora me disse tudo.
— Cala a boca e continua.
Chupei e lambi o cuzinho dela com calma, segurando a bunda firme, sentindo a tensão dela virar tesão aos poucos. A Lorena empurrava a bunda contra o meu rosto sem querer admitir que estava fazendo isso. Cada vez que minha língua entrava, o corpo dela eriçava e as mãos dela apertavam o lençol com força. A Carolina observava sentada ao lado, os peitões subindo e descendo com a respiração mais pesada.
Eu ri contra a bunda da Lorena, e ela gemeu de novo, irritada por gostar. Levantei o corpo, segurei o meu pau pela base e esfreguei a cabeça na buceta dela. A Lorena rebolou, esperando que eu entrasse de novo, mas subi devagar e encostei a cabeça do pau na entrada do cuzinho. Só encostei, sem pressionar. O corpo dela inteiro reagiu.
— Jonas... — disse ela, agora sem pose nenhuma.
— Isso aqui é meu também?
Ela virou o rosto o suficiente para me olhar por cima do ombro. Os olhos castanho-mel dela estavam úmidos de tesão, a boca entreaberta, o cabelo grudado no rosto. A Lorena, que me chamava de fraco e covarde desde segunda, parecia prestes a perder a cabeça por causa da cabeça do meu pau roçando no seu cuzinho virgem.
— Não brinca com isso — disse ela.
Não fiz nada e esperei. A entrada apertada contraía e relaxava, como se ela estivesse considerando a hipótese. Os próximos segundos decidiriam tudo.
— Mete — disse Lorena, baixo.
— O quê?
Ela fechou os olhos, como se tivesse raiva de si mesma.
— Mete, porra.
A Carolina ficou imóvel ao lado. Além de excitada, ela tinha entendido que a Lorena tinha decidido atravessando uma linha importante.
— Não faz essa cara agora que tu quer me enrabar desde o primeiro dia! Mete logo antes que eu mude de ideia!
Pressionei de leve mais uma vez, só o bastante para sentir o cuzinho dela ceder quase nada, aquele mínimo que bastou para meu pau pulsar. Eu queria. Queria mesmo. Mas eu tinha responsabilidades com aquelas duas e tirei o pau dali, soltando sua bunda.
A Lorena ergueu a cabeça na hora.
— Que porra você está fazendo?
— Não.
— Como assim, não?
— Não vou comer teu cu agora.
Ela virou mais o corpo, indignada e excitada, com a bunda ainda empinada.
— Você passou dias falando que queria o meu cuzinho, filho da puta!
— E eu Quero. Quero muito. Quero tanto que quase fiquei burro de vez. Mas não temos lubrificante aqui. É a sua primeira vez, eu estou cansado, você está no tesão talvez por impulso. A sua primeira vez precisa ser feita direito.
A Carolina me olhou diferente. A Lorena, por outro lado, ficou furiosa.
— Você está recusando o meu cu?
— Estou adiando.
— Adiando é o caralho! Perdeu o meu cu pra sempre!
— Eu vou comprar um lubrificante de marca boa. E outro dia, quando eu tiver 100%, a gente faz direitinho. Sem pressa e sem machucar. De um jeito que você curtir e querer outras vezes. Porque hoje não ia ser legal;
A Lorena ficou me encarando, ainda ofegante, com aquela cara de quem queria me bater e me beijar ao mesmo tempo.
— Se não me comer agora, não vai ter outro dia!
Dei de ombros, com mais calma do que eu sentia.
— Então, nunca vou comer o seu cuzinho.
— Você é insuportável!
Ela ficou quieta. Carolina passou a mão pelo cabelo da Lorena, num gesto carinhoso, e isso acabou de desmontar a pose dela. A Lorena baixou o rosto no travesseiro de novo, resmungando alguma coisa que parecia “filho da puta”. Eu me inclinei e beijei a bunda dela, prometendo que voltaria, depois lambi a buceta mais uma vez, arrancando um gemido curto.
— Outro dia, eu volto cuzinho — sussurrei.
— Vai sonhando.
— Estou namorando você. Isso é um sonho já.
— Eu te odeio.
— Mas é minha namorada.
Ela me mostrou o dedo do meio por cima do ombro, e a Carolina riu. Beijei a coxa da Lorena, subi pela bunda, dei um tapinha e depois me afastei.
A Carolina tomou o lugar dela antes que eu pudesse pensar em descanso. Tirou a calcinha, subiu em mim e me olhou como se estivesse avaliando uma peça danificada.
— Você ainda aguenta?
— O que o corpo não aguenta, o orgulho dá um jeito.
Ela guiou meu pau até a buceta dela e desceu com lentidão. A Carolina tinha um jeito diferente de transar. Menos impulso, mais domínio. A buceta quente dela me recebeu com força e ela respirou fundo quando sentou até a base. Os peitões balançaram e eu segurei sua cintura marcada, sentindo seu peso sobre mim. A Lorena, ainda deitada ao lado, passou a mão pela coxa da Carolina e depois pelos peitões dela.
— Dois contra um, lembra? — disse Lorena. — Como namorada do Jonas, é meu dever fazer se tornar uma agora também.
— Se você vem no pacote... — respondeu Carolina, beijando a Lorena na boca.
A Carolina começou a se mover. Devagar no começo, rebolando em cima do meu pau, usando a própria buceta para me provocar. Ela mantinha os olhos nos meus, como se quisesse me ver perder o controle antes dela. A mão da Lorena subiu até os seios da Carolina, apertando e brincando com os mamilos. A Carolina gemeu, fechou os olhos por um instante e depois voltou a me encarar.
— Você mal está se aguentar e ainda quer namorar nós duas ao mesmo tempo? — comentou ela.
— Quero.
— Vai dar conta?
— Vou tentar.
— Tentar não basta.
— Então vou dar conta.
Ela sorriu. Segurei a bunda dela e puxei o seu corpo para baixo, entrando mais fundo. A Carolina gemeu e apoiou as mãos no meu peito.
— Cuidado com as marcas — disse ela, cínica.
— Você fez metade delas.
— E vou fazer mais.
— Eu sei.
A Carolina inclinou o corpo e me beijou. Os seios grandes encostaram no meu peito dolorido e eu gemi de dor e tesão ao mesmo tempo. Ela riu contra a minha boca. A Lorena, ao lado, continuou apalpando a Carolina, depois desceu a mão até onde nossos corpos se encontravam. Quando os seus dedos tocaram o clitóris da Carolina, ela perdeu a pose por um segundo.
— Ah, porra...
— Gostou? — perguntou Lorena.
— Continua.
A cena ficou mais quente do que eu tinha forças para administrar. A Carolina montada no meu pau, Lorena siriricando a buceta dela enquanto mamava seus seios, eu segurando a bunda da Carolina e tentando não morrer antes da próxima estocada.
A Carolina começou a acelerar. A buceta dela apertava o meu pau em ondas curtas. Ela estava perto, mas tentava segurar, porque a Carolina gostava de controle até quando queria perder o controle.
— Jonas... — disse ela, ofegante. — Não para.
Ela mordeu o lábio e rebolou mais forte. A Lorena olhou pra mim como se soubesse o que eu estava prestes a fazer.
— É agora! Pede ela em namoro! — perguntou Lorena.
A Carolina abriu os olhos.
— Traição!
Segurei a cintura dela e fiz a Carolina parar em cima de mim, com meu pau todo dentro.
— Carolina, aceita ser minha namorada?
A Carolina ficou imóvel por um segundo. A expressão dela misturou irritação e tesão. Nós três sabíamos que pedir uma mulher em namoro na hora do orgasmo era ridículo, ainda mais sendo eu um homem casado. Mas era o meu jeito de ser, sou um cara ridículo. Infelizmente.
— Jonas, você tem um problema sério com timing.
— Tenho. Responde.
— Você quer mesmo isso? Ser meu namorado? Com tudo que isso implica?
— Quero.
— Com a Cinthia sabendo de tudo e sem nenhuma mentira entre nós quatro?
— Sim.
A Lorena sorriu ao lado dela.
— Responde logo, Carolina. Ele vai morrer antes do sim.
A Carolina riu, mas o riso quebrou num gemido quando a Lorena mexeu os dedos na buceta dela de novo.
— Porra, Lorena...
— Responde.
A Carolina olhou para mim, respirando pesado.
— Aceito.
— Aceita o quê?
— Aceito ser tua namorada, Jonas. Agora mete antes que eu mude de ideia.
Obedeci. Segurei a bunda dela e meti com o que ainda tinha de força. A Lorena continuou tocando a Carolina, e o corpo dela cedeu rápido. A Carolina gozou em cima de mim, gemendo, agarrando meu peito, a buceta apertando meu pau de um jeito que quase arrancou meu gozo junto. Aguentei por teimosia.
Quando a Carolina terminou de tremer, ela desceu de cima de mim e se deitou do outro lado. Por alguns segundos, fiquei entre as duas, de pau duro, exausto e ofegante. A Lorena passou a mão pelo meu peito. Carolina, ainda ofegante, olhou pra baixo.
— Você ainda não gozou.
Puxei a Carolina para um beijo, depois a Lorena. As duas se aproximaram, me cercando, mãos no meu corpo, bocas se alternando na minha, pele contra pele. Eu não tinha mais explosão, então elas assumiram mais o ritmo. A Lorena montou de novo por alguns minutos, depois a Carolina. As duas pareciam se divertir em me ver tentando segurar o gozo enquanto o corpo já tinha desistido.
— Vai gozar, Jonas? — perguntou Lorena, no meu ouvido.
— Vou.
— Então goza pensando nas tuas duas namoradas — disse Carolina.
Gozei dentro da camisinha com um gemido rouco, segurando a cintura da Lorena enquanto a Carolina beijava meu pescoço. Saiu menos do que a minha reputação gostaria, mas o meu corpo já tinha sido drenado por dias de sexo e esporte. Ainda assim, o orgasmo veio forte, comprido, arrancado do fundo, deixando as minhas pernas fracas e o meu cérebro sem sinal. Quando acabou, fiquei jogado na cama.
— Só isso? — provocou Lorena, rindo.
— Tadinho — disse Carolina.
— Eu nem sei como consegui dar conta das duas, pra ser sincero.
As duas começaram a rir.
— Nós sabemos — disse Carolina.
— Por isso, a gente pegou leve — revelou Lorena. — Pra você durar alguns orgasmos nossos ao menos.
— Como você parecia estar só o pó da rabiola, usamos o plano B e resolvemos dar uma forcinha pra que você conseguisse levar a outra pro orgasmo.
Olhei um pouco derrotado em minha virilidade pras duas. Me perguntava se essa pena era um bom sinal ou o prenúncio de ser largado.
A Lorena tirou a camisinha com cuidado, deu um nó e jogou no lixo do banheiro. Quando voltou, trouxe uma toalha úmida e jogou em mim.
Ficamos deitados os três por um tempo, exaustos. A Carolina de um lado e a Lorena do outro. A Lorena parecia mais quieta do que o normal, passando os dedos pelo meu braço. A Carolina apoiou a cabeça no meu peito, com cuidado para não acertar um roxo.
— Então — quebrei o silêncio. — O acordo é o seguinte: a Cinthia é minha esposa, e vocês duas são minhas namoradas.
As duas trocaram um olhar de cumplicidade. Eu conhecia aquele olhar. Significava que elas já tinham antecipado alguma armadilha.
— A gente deixou bem claro que, se você quer que nós duas sejamos suas namoradas, então vai tem que ser namoro completo — sentenciou Lorena. — Não vamos ser namoradas de sexo e sexo.
— Vai ter que ser nosso namorado em todos os quesitos — completou Carolina. — Romântico quando tiver que ser romântico, presente quando tiver que ser presente, ouvindo nossos dilemas, indo aos nossos programas, aguentando nossas rotinas e dando conta de nós na cama sem sumir depois de gozar.
— Eu já aceitei tudo isso.
— A gente quer tudo que tem direito como namorada, Jonas — disse Lorena. — Apoio emocional, conversas, carinho, ouvido amigo. Não é só ir com a gente pros cantos, não.
— Estar ao nosso lado na saúde e na doença. Na alegria e na tristeza — disse Carolina. — E nada de bancar o canalha. Seus dias de relacionamento aberto acabaram. Queremos fidelidade.
— Já tem eu, Carolina e Cinthia — acrescentou Lorena.
— É mais do que o que você merece.
— Qualquer outra é traição.
Ok... Eu ia queimar o quadro do plano de comer da turma da academia. Tudo bem. Depois, ia precisar mandar uma mensagem pra Alessandra cancelando nosso acordo do boquete semanal. Sem problemas. Porque eu ia ter DUAS namoradas super-gostosas comigo.
— E eu mantenho minha parte de me retirar ao final da sexta da semana que vem — disse Lorena.
Ok. Eu ia ter DUAS namoradas super-gostosas por uma semana, mas depois ainda teria UMA namorada super-gostosa.
A Lorena ergueu o dedo de novo.
— E tem mais. Se é um namoro de verdade, você vai ter que assumir a gente.
— A Cinthia já sabe.
— Não estamos falando só da Cinthia — respondeu Carolina, com um sorriso maquiavélico. — Estamos falando da sua família.
Olhei de uma pra outra.
— A minha família inteira?
— Esposa, filho e sogro — disse Lorena. — Você vai ter que nos assumir e nos explicar pra eles.
Dei uma pequena risada pensando no que a Rebecca e o seu Raimundo iam falar no jantar da família.
— E aí? Vai arregar? — desafiou Lorena, meio vitoriosa.
— Porque eu só vou acreditar que você nos considera suas namoradas de verdade quando nos apresentar à sua família como tal — concluiu Carolina.
— E apresentar a gente pros seus colegas de trabalho.
Eu devia ter imaginado o que elas estavam tramando, mas o erro da Lorena foi esticar a corda pra tentar me assustar demais.
— Tudo bem — respondi.
As duas perderam o sorriso ao mesmo tempo.
— Como assim, tudo bem? — perguntou Lorena.
— A gente marca um jantar lá em casa. Nós sete. Eu, Cinthia, meu filho, seu Raimundo, vocês duas e a Rebecca, que tá morando conosco. Apresento oficialmente vocês como minhas namoradas. Sem mentira e sem eufemismo. Minhas namoradas em um poliamor consensual.
A Carolina piscou várias vezes.
— Jonas...
— Vocês queriam namoro completo, então eu me comprometo a fazer tudo que um namoro exige. Incluindo assumir vocês duas em público e arcar com as consequências.
— Você está blefando — disse Lorena.
— Não estou.
— Você vai mesmo falar pra Rebecca e pro seu filho que está namorando nós duas? — perguntou Carolina, agora mais séria.
— Sim. Vou falar com cuidado e com o respeito que todos merecem. Vocês querem ser assumidas e isso é realmente justo.
O silêncio voltou mais pesado. A Lorena e Carolina trocaram outro olhar, agora menos vitorioso. A Carolina puxou o lençol até a cintura. A Lorena sentou na cama, ajeitando o cabelo, com a expressão de quem não sabia o que fazer.
— Vocês podem na segunda às 19h?
— Segunda eu... talvez tenha coisa — disse Lorena.
— Coisa?
— Trabalho.
— Lorena, você é a dona da empresa.
— Justamente por isso pode ter coisa.
A Carolina pigarreou.
— E tem outro ponto. Talvez seja cedo para envolver família.
— Foi ideia de vocês.
— Mas... Mas... — disse Lorena.
— Mas tem a reciprocidade, né?
As duas olharam para mim com desconfiança.
— Se vocês são minhas namoradas e eu tenho que assumir vocês pra minha família, isso significa que vocês estão dispostas a me assumir como seu namorado pras famílias e amigos próximos de vocês também, certo?
O silêncio foi lindo.
— Somos um pouco velhinhas pra sair apresentando namorado pros pais — inventou Lorena.
— Até casada eu já fui — emendou Carolina. — Ninguém se importa mais pra quem eu dou. Precisa de apresentação não...
— Lorena, mas e o Rogério e a Jéssica? Você vai contar pra eles está namorando comigo, né?
A Lorena abriu a boca, fechou, depois fez uma careta.
— O Rogério é complicado.
— Ele é seu melhor amigo, quase irmão.
— Exatamente por isso é complicado. Ele vai fazer uma intervenção em mim até eu te largar.
— E a Jéssica?
— Não. Ela vai fazer muitas perguntas.
— Terrível, uma amiga fazendo perguntas.
Virei pra Carolina.
— E você? Vai contar pra Sarah e pro Érico, né?
A Carolina olhou pro teto.
— A Sarah é minha prima.
— Isso costuma facilitar.
— No caso dela, complica. A vida deles já está caótica demais pra eu soltar essa bomba neles.
— Então, resumindo: eu tenho que apresentar vocês para minha esposa, meu filho, meu sogro e pra minha amiga visitante.
— Na verdade, é pra excluir a Rebecca também — acrescentou Lorena.
— Mas vocês não querem me assumir nem sequer pros amigos vizinhos que vocês visitam todos os dias como se eles fossem protagonistas de uma sitcom.
— Não foi isso que a gente disse — falou Lorena.
— Foi exatamente isso que vocês disseram, só que com mais covardia e melhor maquiagem.
A Carolina estreitou os olhos.
— Olha quem está chamando alguém de covarde.
— Especialista reconhece especialista.
A Lorena jogou um travesseiro em mim.
— Ai.
— Mereceu.
As duas ficaram quietas de novo. A Lorena deitou de lado, apoiando a cabeça na mão. A Carolina se aproximou e passou a unha de leve pelo meu peito, evitando as marcas mais sensíveis.
— Talvez a gente precise de um pouco mais de tempo — disse Carolina.
— Traduzindo: vocês querem que eu assuma o risco primeiro.
— Sim.
— Sim.
— Finalmente, honestidade.
— Jonas, você pediu a gente em namoro no meio de uma transa — disse Carolina. — Tá todo mundo igual aqui. E você é o mais complicado. Primeiro, tu resolve teus BOs. Quando a gente acreditar, faz a nossa parte.
— Ou só a Carolina, se demorar mais que uma semana e meia — completou Lorena.
Respirei fundo e olhei pras duas. A parte racional de mim sabia que elas estavam se esquivando. A parte canalha achava divertido. A parte idiota e sentimental gostava do fato de elas não terem recuado do namoro, só da exposição pública.
— Tudo bem — falei. — Eu assumo vocês pra minha família primeiro. Mas vou cobrar a reciprocidade.
— Justo — disse Carolina.
— Eventualmente — completou Lorena.
A Carolina se inclinou e me beijou. A Lorena veio logo depois, beijando minha boca por cima dela, num gesto bagunçado que virou risada. Ficamos os três embolados na cama, exaustos e ainda excitados.
— Segunda às 19h — falei, só para testar.
— Vamos conversar sobre isso — disse Carolina.
— Péssimo sinal.
— Excelente sinal — disse Lorena. — Significa que ninguém fugiu ainda.
A Lorena sorriu e se aconchegou no meu lado. Carolina apoiou a perna sobre a minha, e eu gemi de dor.
— Foi mal — disse ela, rindo.
Fechei os olhos por um instante, sentindo as duas grudadas em mim. O meu corpo estava acabado e a minha vida tinha acabado de ficar mais complicada. Ainda assim, quando a Lorena beijou meu ombro e a Carolina passou a mão pela minha barriga, pensei que tudo valia a pena.
Depois de um bom banho e todos nos arrumarmos, passamos no meu apartamento para falar com a Cinthia. A Lorena e a Carolina quiseram ir comigo porque, depois de aceitarem o namoro, não fazia sentido deixar a conversa para depois.
A Cinthia estava na sala, de short de dormir e camiseta. Olhou para nós três e entendeu tudo com rapidez irritante.
— A brincadeira virou namoro?
A Carolina apertou a alça da bolsa. A Lorena olhou pra estante.
— Virou.
— Pelas minhas contas, tinham duas possibilidades até quinta: ou as duas viriam te devolver reclamando que o produto perdeu a validade ou você as convenceria a evoluir pra um namoro poliamoroso.
— Eu sou tão previsível assim?
— Querido, você sempre dá nome sério às coisas quando começa a se apegar.
Nós contamos toda a história dos últimos dias pra ela. Expliquei que tinha pedido as duas em namoro, que ambas tinham aceitado e que nada seria escondido de ninguém. A Cinthia ouviu sem interromper e sem parecer surpresa. Mesmo assim, havia firmeza na postura dela. A Lorena e a Carolina perceberam rápido que a compreensão da minha esposa não significava ausência de limites.
— Eu aceito — disse Cinthia. — Prefiro tudo falado com clareza. Mas o acordo das duas semanas continua. Nesta semana, ele dorme na casa da Carolina. Na próxima, na casa da Lorena. Depois, volta a morar comigo. Vocês podem namorar, transar e fazer os programas de vocês. Mas a casa dele é e sempre vai continuar sendo aqui. Ele é só emprestado pra vocês duas.
— Justo — disse Lorena.
— Combinado — respondeu Carolina.
A Cinthia se levantou e me deu um beijo rápido, mas íntimo.
— Tudo certo pra sexta? — perguntou.
— Sim.
Ela sorriu com um olhar que me faria desistir de tudo imediatamente se ela pedisse. Mas ela só aproximou o rosto do meu ouvido e sussurrou.
— Eu avisei...
— Eu sei.
— Você ainda não percebeu no que se meteu, querido...
— Confia em mim.
— Eu posso destruir aquele seu quadro ridículo?
— Por favor.
Ela se afastou pra mim rindo, como se tivesse antecipado algo que eu ainda não havia.
— Agora vão que eu tenho planos pra esta noite.
Antes de sairmos, ela olhou pra Lorena e Carolina.
— Tragam ele vivo.
— Vamos cuidar dele — respondeu Carolina.
A Lorena apenas sorriu, e aquilo me preocupou mais do que qualquer frase dela.
Às 18h, desci com a Lorena e a Carolina pra uma noite de exercício que esperava ser leve e protocolar. Eu já estava com o joelho latejando, os braços doloridos e a lombar lembrando cada momento dos últimos dois dias. Elas iam ter piedade de mim.
A Lorena estava de top justo e legging colada, o cabelo preso alto, a barriga seca aparecendo inteira. As coxas torneadas preenchiam a legging sem esforço, e a bunda firme, redonda e empinada mexia a cada passo. A Carolina também usava top e legging. A cintura marcada e a bundinha ficavam bonitas no tecido escuro, mas os seios grandes presos no top chamavam o meu olhar toda vez que ela respirava mais fundo. As duas estavam gostosas, animadas e fisicamente preparadas.
Quando o elevador abriu na portaria, vi a amiga da Lorena, Lisandra, alongando perto do balcão. Ela usava top e legging pretos de corrida. Alta, muito clara, cabelo loiro preso, barriga plana e pernas longas. A legging apertava a bunda grande e levantada dela, que era um rabão difícil de ignorar mesmo com duas namoradas ao lado. O seu Geraldo estava atrás do balcão.
— Boa noite, seu Geraldo — disse Lorena, animada.
A Lisandra apontou pra Lorena.
— Ela me convidou pra dar uma corridinha noturna na praça. Diz que lá é seguro, ventilado e refrescante.
Deixei escapar um som baixo, quase como um pedido de socorro.
— Ele não parece convencido — comentou seu Geraldo.
A Carolina riu.
— O Jonas tem ajudado muito eu e a Lorena nas últimas semanas. Aniversário, clube do livro, sugestões de bons filmes e peças... Então, a gente resolveu retribuir. Ajudar ele a deixar de ser sedentário, perder a barriguinha de chope, antes que fique como... como...
— Como a minha barrigona — sugeriu seu Geraldo, rindo.
Sorri por educação. A minha barriguinha era pequena ainda, mas já tinha idade suficiente pra reconhecer um aviso do destino. O Carlos estava diminuindo a dele com disciplina, enquanto eu deixava a minha decidir quando comprava G.
A Lorena cruzou os braços, apertando ainda mais o top.
— E ele nos prometeu — enfatizou como uma sentença. — Disse que topava tudo que a gente sugerisse durante a semana.
Eu olhei pra Lisandra e pro seu Geraldo. Havia momentos em que mentir era o que restava.
— Tô animado, sim.
— Anima mais — provocou Carolina. — Vão ser só algumas voltas.
— E promete pelo menos se esforçar — completou Lorena. — Quero que você prometa que vai dar o seu melhor pra correr no nosso ritmo sem desistir enquanto sobrar forças.
A Lorena sabia exatamente o que estava fazendo. Ela podia ter me incentivado, mas preferiu arrancar uma promessa formal diante de testemunhas. Respirei fundo. O meu joelho reclamou antes mesmo da resposta.
— Prometo.
— Então bora — disse Lorena, puxando a Lisandra.
Saímos os quatro. A Lorena e Lisandra foram na frente, conversando e rindo. A Carolina caminhou ao meu lado nos primeiros metros.
A praça ficava a poucos minutos do condomínio, ampla, arborizada e movimentada naquele horário. Havia gente correndo no circuito externo e casais caminhando devagar. A Lorena fez um alongamento rápido. A Lisandra acompanhou com facilidade, flexível, as pernas longas esticando dentro da legging preta. Quando se inclinou para tocar o tênis, a bunda grande ficou apertada no tecido. Eu olhei por reflexo e recebi uma cotovelada leve da Carolina.
— Nem começou e já está desperdiçando energia.
Ela deu um sorriso curto, ajeitou o próprio cabelo e começou a trotar ao lado da Lorena. Nos primeiros minutos, ainda consegui me esforçar. Mas o ritmo delas era firme e constante, sem consideração por quarentões lesionados. A Lorena ia na frente. A bunda dela subia e descia dentro da legging num movimento compacto, firme, muito gostoso de ver. A Lisandra corria ao lado dela como se tivesse saído para tomar ar. O top segurava os seios pequenos e o rabão balançava mais a cada passada.
A Carolina ficou mais perto no início. Os seios grandes se moviam presos pelo top a cada passada, e a camiseta leve que ela levara amarrada na cintura escondia a bunda. Ela corria sem parecer sofrer, respirando direito, controlando o ritmo e me observando de tempos em tempos.
— Endireita as costas — disse ela, quando percebeu que eu começava a correr curvado.
Assenti.
— Não acelera nas retas pra tentar acompanhar a Lorena. Vai no seu ritmo.
Assenti. Ela voltou a correr um pouco à minha frente.
Na primeira meia hora, eu ainda tinha pensamentos organizados. Na segunda, tudo se reduziu a joelho, pulmão e a parte de trás das coxas. A Lorena e a Lisandra conversavam durante a corrida. Conversavam! Como se aquilo fosse um passeio! A Carolina entrava na conversa sem perder o fôlego. Eu só conseguia responder com ruídos quando alguma delas olhava para trás.
— Ele ainda está vindo — comentou Lisandra, depois de mais uma volta.
— Ele prometeu — respondeu Lorena.
— Depois, nós duas vamos ter uma conversa bem séria sobre as suas péssimas escolhas de vida — disse Lisandra.
Eu estava dando o meu melhor por essas duas e, ainda assim, era meramente visto como uma “péssima escolha” pelas amigas delas.
A Minha camiseta já estava encharcada. O suor descia pelos olhos, e a dor no joelho tinha encontrado novas amigas nas panturrilhas. Mesmo assim, continuei. Agora, eu queria provar pra elas (e pra mim mesmo) que eu era digno e não a porra de uma péssima escolha. A Lorena não transou comigo porque tava bêbada.
Perto das 19h, elas fizeram uma pausa curta para água. Curta para elas significava o tempo necessário para eu me apoiar num banco e descobrir que levantar depois seria pior do que continuar correndo. A Lorena tomou água e se aproximou, com o rosto apenas levemente corado. Sem nenhum sinal de que já tivesse percorrido distância suficiente para ganhar uma medalha.
— Como está?
— Ainda estou vivo.
— Você ainda está falando. Está bem.
A Lorena me emprestou um gole de água e depois a Carolina fez o mesmo. As duas puxaram a minha orelha dizendo que eu deveria ter trazido uma garrafa e falando da importância da hidratação. A Lisandra ajeitou o rabo de cavalo.
— Mais algumas voltas antes de eu ir?
Meu corpo queria abraçar aquela mulher e agradecer por marcar um final ao meu tormento.
Mas em vez de baixar a pegada, elas mantiveram um ritmo que chamavam de moderado e que, para mim, parecia o passo de fuga de incêndio. A Lorena passava por mim, dava meia-volta correndo de costas por alguns metros e voltava para perto da Carolina e da Lisandra. Exibia fôlego de sobra. A Carolina evitava me deixar muito para trás, mas não diminuía o bastante pra parecer que estávamos correndo junto. A Lisandra era tão anormal em fôlego e vigor quanto as outras duas.
Quando deu 20h, elas finalmente diminuíram o passo perto da saída da praça. Parei depois de alcançá-las, apoiando as mãos nas pernas e respirando pela boca.
— Eu vou indo, gente. Amanhã tenho aula cedo — disse Lisandra, ajeitando a legging na cintura.
— Foi ótimo você vir — respondeu Lorena, abraçando-a.
A Carolina também se despediu dela. A Lisandra me olhou com uma expressão de quem sabia a verdade e me julgava.
— Estou de olho.
Depois, ela foi embora andando em direção ao condomínio ou à parada de ônibus. Pensei que a saída dela significaria o fim daquela maratona. Mas isso foi outra demonstração da minha dificuldade em interpretar a Lorena.
— Mais um pouco — disse ela, já retomando o passo.
— “Mais um pouco” quanto?
— Até ficar bom.
— Para quem?
A Carolina pegou a minha mão por um instante, puxando-me para começar a correr de novo.
— Anda. Você ainda consegue.
Continuamos em volta da praça, agora só nós três. A Lorena e a Carolina estavam ótimas. O suor fazia a pele delas brilhar, mas os corpos continuavam respondendo sem queda visível de ritmo. As coxas fortes da Lorena pareciam feitas praquilo. A Carolina, apesar de ter uma aparência mais macia, corria com resistência irritante.
Passamos das duas horas de corrida disfarçada de caminhada. Depois passamos de um ponto em que perdi a capacidade de medir tempo sem consultar algum aparelho. Eu só sabia que as minhas pernas começavam a falhar em pequenas ameaças. De vez em quando, meu joelho dava uma fisgada forte. A Carolina percebeu e me examinou sem parar completamente.
— Se a dor ficar aguda, você fala.
A Lorena voltou até nós, caminhando de costas por alguns passos.
— Quer parar?
A pergunta era sincera. O problema era que a maldita promessa que fiz na portaria e o meu orgulho querendo provar pras duas que eu não era inferior a elas.
— Ainda tenho força.
A Lorena sorriu com carinho.
— Então continua comigo.
Continuei. Já devia estar perto do horário em que todas as pessoas sensatas já tinham jantado quando reduzimos o ritmo. Eu mal distinguia alívio de colapso. Saímos do circuito da praça caminhando, e eu acreditava que seguiríamos de volta pro prédio. A Lorena, porém, parou na calçada e olhou para algo do outro lado da rua. A fachada estava iluminada, havia música saindo de dentro e algumas pessoas treinando perto da entrada.
Ela apontou com animação renovada.
— Olha! Uma academia nova de crossfit.
Eu enxuguei o rosto com a barra da camiseta.
— Excelente. Vamos desejar boa sorte de longe e ir embora.
Fomos até mais perto e a Carolina olhou o espaço através da vidraça.
— Parece que estão fazendo aula inaugural.
— Bom pra eles.
A Lorena começou a atravessar a rua. Eu nem cheguei a me surpreender. A Carolina segurou meu braço e me levou junto.
O lugar estava cheio, com cheiro de borracha e equipamento novo. Havia gente terminando uma turma e outras pessoas preenchendo cadastro na recepção. Um instrutor veio falar conosco. Ele usava a camiseta do lugar justa nos ombros, tinha o sorriso fácil de quem estava acostumado a conquistar qualquer mulher na base do sorriso e se movia como se exercício nunca lhe tivesse cobrado preço algum. Eu, ao lado dele, devia parecer uma versão futura arruinada de qualquer campanha contra sedentarismo.
O olhar dele passou por mim em velocidade máxima e pousou na Lorena e Carolina.
— Primeira vez aqui? A aula-teste está começando agora. Posso mostrar o box para vocês duas antes.
A Lorena sorriu por educação.
— A gente viu a placa e resolveu entrar. Ele vai testar.
Apontou pra mim. O instrutor olhou na minha direção como quem descobria um objeto deixado no lixo.
— Ele também pode fazer.
— Sou iniciante — avisei. — E já corri mais do que devia hoje.
— Fica tranquilo. A gente vê até onde dá.
O instrutor logo me ignorou e continuou falando com elas. Perguntou se treinavam juntas, elogiou o condicionamento da Lorena depois de ouvi-la falar de corrida e puxou conversa com a Carolina sobre a aula. As duas respondiam sem alimentar nada. Mas os braços dele estavam coçando pra tocar em ambas.
A Lorena olhava pro espaço, curiosa com os equipamentos. A Carolina continuava prestando mais atenção em mim do que nele.
Fizemos um aquecimento que, na minha opinião, já teria servido de aula completa. Enquanto eu tentava acompanhar os movimentos, a Lorena e a Carolina faziam tudo com facilidade. O instrutor circulava perto das duas, olhando direto pra bunda fingindo que era postura, corrigindo coisas que não pareciam precisar de correção pra tocar nelas, sorrindo demais e encontrando pretextos pra conversar.
Quando tivemos uma pausa para água, ele tentou de novo.
— Vocês treinam em algum lugar fixo? Eu podia passar uma rotina para vocês. Ou a gente podia conversar depois da aula, comer alguma coisa por aqui.
A Lorena bebeu água antes de responder.
— Obrigada, mas a gente tem namorado.
A Carolina completou, tranquila:
— A gente só veio treinar mesmo.
O sorriso dele ainda ficou no rosto, só que perdeu o calor.
— Claro. Sem problema.
Eu estava bebendo água alguns passos atrás com um sorriso bobo. Elas tinham dito “a gente tem namorado.” Tudo bem que elas tinham evitado dizer que o namorado era o homem pingando suor perto de um ventilador, mas ouvir aquilo mesmo assim me deu uma satisfação incrível. Qualquer migalha pública parecia declaração solene.
O instrutor bateu palmas para chamar a turma e anunciou o treino. Eu não entendi metade dos nomes, então passei a depender das demonstrações. Começou com agachamentos segurando uma bola pesada, arremessando-a alto contra a parede a cada subida. A Lorena fez o movimento com postura boa, as pernas trabalhando firmes por baixo da legging. A Carolina sofreu um pouco mais no começo, ajustou o corpo e logo entrou no ritmo.
Eu, depois de algumas repetições, descobri que havia uma diferença desagradável entre pernas cansadas e pernas que não respondiam mais.
— Mais fundo no agachamento, Jonas — disse o instrutor, parando ao meu lado. — Você consegue.
— Essa informação é nova para mim.
Ele não riu. Mandou que eu continuasse até completar a quantidade que tinha escrito no quadro, enquanto outras pessoas passaram pro próximo exercício. A Lorena percebeu que eu estava ficando para trás e veio diminuir perto de mim.
— Não precisa acompanhar o ritmo de ninguém.
— Ele parece achar que preciso.
— Olha para mim. Você quer parar? A gente para, sem problemas.
Continuei porque a Lorena estava ali e porque eu era orgulhoso demais para largar a bola. Quando terminei, meus ombros já tremiam.
Eu não sabia se aquela aula era sempre tão bruta para iniciantes. Sabia apenas que, depois da Lorena e Carolina cortarem as asinhas dele, cada exercício reservado a mim parecia exigir uma dívida que eu desconhecia.
O instrutor me mandou pra uma caixa, onde eu precisava subir e descer rápido, intercalando com burpees no chão. A minha ideia de inferno sempre fora mais abstrata. Naquele momento ganhou piso emborrachado e música alta.
A Carolina apareceu ao meu lado entre uma repetição e outra.
— Não tenta pular se o joelho doer. Sobe com cuidado.
— Ele mandou saltar.
A Lorena interveio.
— Eu nós estamos mandando não estourar os teus joelhos.
Obedeci as duas. O instrutor viu e veio até nós.
— Se ele quiser completar, precisa manter intensidade.
A Carolina passou a toalha no rosto e o encarou, séria. Talvez entendendo que ele tava descontando em mim que elas não o acharam suficientemente atraente pra cogitar trair o namorado.
— Ele vai completar sem se machucar.
O homem olhou pra elas, depois pra mim.
— Tudo bem. O tio de vocês faz só no seu limite.
O tom dele deixava claro que o meu limite era uma ofensa pessoal de tão baixo pra ele.
— Ele não é o nosso tio! — corrigiu Lorena. — Ele é o nosso...
Hesitação.
— Vizinho.
— Amigo.
Vieram uma barra que eu precisava erguer do chão até acima da cabeça e um trenó pesado para puxar pelo piso. Eu já tinha perdido a capacidade de sentir vergonha do meu estado. O suor pingava do queixo. Meus braços queimavam. Lorena e Carolina faziam a sequência própria da turma e voltavam para conferir se eu permanecia consciente.
Em algum momento, sentei no chão durante uma pausa e fiquei olhando as duas. Lorena estava ofegante, mas sorrindo, os cabelos soltando fios do rabo de cavalo, a barriga chapada marcada de suor. A Carolina prendia o cabelo de novo, o top colado nos seios grandes, as coxas firmes ainda suportando bem o treino. O instrutor se aproximou delas com outra orientação, agora estritamente profissional. O fora tinha sido bem dado.
— Levanta, Jonas — chamou ele. — Última parte.
— Essa frase já foi dita duas vezes.
— Agora vale.
A última parte envolveu remar numa máquina até meus braços amolecerem e depois empurrar uma carga pelo chão. Eu não tinha força pra reclamar em frases completas. O mundo ficou restrito ao movimento seguinte. Puxar. Respirar. Dar mais um passo.
A Carolina ficou perto de mim na máquina, contando baixinho. A Lorena se posicionou na chegada do percurso com a carga, abaixada, as mãos nos joelhos, olhando para mim.
— Vem. Acaba isso e vamos pra casa.
Empurrei. Cada passo puxava uma dor nova da perna. Quando cheguei perto dela, quase deixei a carga cair sobre meus pés. A Lorena segurou o meu rosto com as duas mãos, suada e feliz.
— Acabou.
— Mentira?
— Dessa vez, não.
Sentei no chão sem nenhuma elegância. O instrutor me entregou uma garrafa de água e disse que eu tinha ido bem pra primeira aula, mas a segunda ia ser mais pesada. Eu o odiei com sinceridade. A Carolina agradeceu com educação e foi buscar nossas coisas. A Lorena ficou ao meu lado até eu conseguir levantar.
A Carolina olhou cinco vezes procurando alguém conhecido que pudesse nos ver. Ao ver que estávamos “incógnitos”, deu um sinal pra Lorena. As duas olharam pro instrutor chamando atenção dele e me abraçaram com um olhar que não precisava dizer quem era o namorado delas e quem escolheram em vez dele. A primeira vitória da noite. E a única.
Era bem tarde quando saímos, com a rua já bem mais vazia. Eu não caminhava sozinho de maneira convincente. A Lorena colocou o meu braço sobre o ombro dela. A Carolina fez o mesmo do outro lado. As duas estavam cansadas do treino, mas tinham condições de sustentar parte do meu peso. Eu estava perto de descobrir se era possível dormir andando.
Durante o caminho, elas falaram menos. A brincadeira tinha cedido lugar a uma atenção mais cuidadosa. A Carolina apertou a minha mão por cima do braço dela.
— Você foi até o fim.
— Tenho péssimo instinto de sobrevivência.
A Lorena ajeitou meu braço no ombro, evitando que eu pisasse torto.
— Você tem inúmeros defeitos, Jonas. Não saber quando é saudável desistir é um deles.
Eu não sabia se elas se importavam comigo ou se elas só queriam me manter vivo pra que eu continuasse sofrendo.
Quando chegamos ao portão do condomínio, eu mal estava ajudando na caminhada. A Lorena e a Carolina praticamente me carregavam, com um braço meu sobre os ombros de cada uma. A minha cabeça pendia pra frente, a camiseta colada ao corpo, as pernas obedecendo só porque cada uma delas puxava de um lado.
Assim que entramos, vi a Letícia perto da portaria. Ela estava recém-chegada do estacionamento, arrumada para sair, usando um vestido preto curto e justo que marcava a cintura fina e a bunda arredondada. As coxas grossas apareciam inteiras abaixo da barra, e o salto deixava as pernas ainda mais chamativas. O cabelo castanho estava solto. Em qualquer outra noite, eu teria gastado alguns pensamentos indecentes nela. Mas agora, consegui apenas reconhecer que estava muito gostosa antes de quase tropeçar no próprio pé.
O seu Geraldo levantou da cadeira assim que nos viu. A Letícia se virou inteira para olhar.
— Oxente — disse seu Geraldo. — Que foi isso, minha gente?
— Gente, o que aconteceu com ele? — perguntou Letícia.
A Lorena respondeu, toda animada, como se estivesse chegando de uma caminhada leve.
— Nada demais, seu Geraldo. A gente só deu umas voltas na praça, como tinha falado.
— Umas voltas... — resmunguei, a voz arrastada. — Quatro horas correndo que nem quem tá perdendo o ônibus.
Eu não estava oferecendo medição oficial do tempo. Naquele ponto, a corrida tinha ocupado todas as eras conhecidas pela humanidade.
— Aí, depois a gente encontrou uma academia de crossfit que acabou de inaugurar — completou Carolina, tranquila. — Eles tinham aula-teste grátis. Foi ótimo.
— Ótimo pra quem? — suspirei. — Uma hora e meia no inferno.
A Lorena deu de ombros.
— Eles pegaram leve. A gente avisou que você era sedentário, um pouquinho acima do peso, que nunca tinha feito isso...
— O instrutor entendeu que era o treino mais avançado — suspirei, sem forças pra me indignar. — Eu não tenho mais joelhos!
— Ah, deixa de drama, Jonas. Foi até revitalizador — disse Carolina, sorrindo.
A Letícia mordeu o lábio para segurar o riso. Eu teria me ofendido, mas não tinha forças.
— Vocês duas parecem ótimas...
— Tranquilíssimas — disse Lorena. — De boa total.
— A gente entendeu o que a Larissa e a Alessandra veem no crossfit — concordou Carolina.
— E essa dorzinha, Jonas, amanhã passa — continuou Lorena. — Uma noite de sono resolve. Talvez amanhã doa um pouquinho, mas é só o músculo se acostumando.
Ao pensar em amanhã, a Letícia franziu a testa, preocupada.
— Professor, você vai estar bem pra aula amanhã?
— Aula? Que horas é a aula amanhã mesmo?
— A minha aula contigo é 8h da manhã — respondeu Letícia.
— Ai meu Deus...
— Mas você me contou que, nas quintas, dá aula das 8h às 16h, lembra?
Deixei o meu peso cair ainda mais sobre Lorena e Carolina. As duas absorveram o movimento com uma firmeza que me humilhou um pouco.
— Ai meu Deus...
O seu Geraldo olhava para mim com compaixão do meu sofrimento. A Lorena se ajeitou melhor para me segurar.
— A gente vai levar ele até o apartamento. Do jeito que tá, sozinho, ele não chega nem no elevador.
O seu Geraldo pigarreou.
— Ah é, minhas queridas, os elevadores estão em manutenção até amanhã umas 8h.
A Carolina nem piscou.
— Sem problema. A gente vai de escada.
Arregalei os olhos. A palavra entrou em mim como violência física.
— Escada?!
— Exercício leve — provocou Lorena.
— Vocês me odeiam — disse quase chorando.
— Se a gente te odiasse, te largava pra dormir aqui no hall, sozinho e com frio — respondeu Carolina.
Eu sabia que aquilo era carinho no idioma das duas. Preferia que falassem carinho no idioma convencional, deitado num colchão e sem degraus envolvidos.
Enquanto elas se ajeitavam pra seguir, Lorena teve um estalo. Eu senti a mudança no corpo dela antes de ouvir a voz e antevi que aquilo acabaria em mais alguma tragédia para mim.
— Gente! O jogo! Amanhã é o jogo! O time do Rogério contra o do Enéias! E o Rogério ainda não fechou o time. Ele precisa de mais um homem...
Ela olhou para mim, com um sorriso provocador.
— Você faria esse sacrifício pelos amigos?
Antes que eu respondesse, a Lorena e a Carolina se entreolharam. Eu conhecia bem aquele olhar agora. Era o instante em que duas mulheres gostosas e inteligentes decidiam usar o meu tesão, o meu afeto, a minha palavra e o nosso vínculo eterno em duas vias contra a minha capacidade básica de autopreservação.
— E por nós? — perguntaram quase juntas.
Meu corpo inteiro implorou por um não. Meus joelhos queriam greve. Eu tinha acabado de correr tempo demais, sobreviver a uma aula montada pelo demônio e descobrir que ainda precisaria subir 22 andares de escada. Também tinha duas namoradas olhando para mim, esperando para ver se a minha promessa aguentava fora da cama.
Suspirei fundo, os ombros caídos, o corpo inteiro doendo e a alma derrotada.
— Faço...
As três comemoraram ali mesmo, baixinho, rindo, batendo palminha. A Letícia parecia encantada com a minha ruína. O seu Geraldo me olhava como se eu fosse louco. A Lorena abriu um sorriso satisfeito. A Carolina apertou meu braço com carinho suficiente pra parecer recompensa.
Depois disso, a Letícia nos acompanhou até as escadas. Ela substituiu a Carolina por um tempo me segurando. A ideia era as três se revezarem me subindo escada acima.
Começamos a subir os dois primeiros lances de escada. Eu tentei ajudar com alguma dignidade. Logo passei a ser transportado com participação simbólica. A Carolina mantinha o meu braço firme quando o joelho ameaçava ceder. A Lorena me puxava degrau acima. A Letícia substituía uma das duas a cada três lances ou me segurava caso eu tropeçasse.
Na metade da subida, a Letícia decidiu que a minha vida estava fácil demais e aumentou a dificuldade:
— A gente está levando o Jonas pro apartamento de qual das duas?
A Lorena e a Carolina pararam e a Carolina respondeu quase sempre pensar.
— Pro meu. Por quê?
Só depois disso, as duas arregalaram os olhos e entenderam que a Letícia tinha sacado tudo sobre nós três ali na portaria mesmo.
— Peraí, como você desco...
A Letícia olhou para nós três e responde com naturalidade.
— Ele já me comeu várias vezes antes de comer vocês duas. Mas isso seria melhor de contar em particular, em vez daqui. No apartamento da Carolina, a gente continua.
Vocês já sentiram o olhar de duas mulheres que queriam te matar com requintes de crueldade? Multiplique por dez e vai ter uma noção do olhar que recebi da Lorena e da Carolina depois delas ouvirem isso.
O silêncio seguinte piorou a subida. Eu estava sem força pra montar minha defesa e, para ser honesto, defesa nenhuma prestava. Eu tinha mesmo omitido todo o meu histórico com vizinhas e conhecidas delas.
A Lorena retomou a subida puxando o meu braço com mais força. A Carolina passou a me apoiar com um cuidado bem menos carinhoso. Quando o meu joelho bateu num degrau, a Lorena me segurou antes da queda, mas a voz dela saiu dura.
— Presta atenção, Jonas.
A Letícia apertou meu braço num aviso silencioso para eu ficar quieto e continuou subindo. Obedeci porque qualquer coisa que eu falasse poderia criar motivo pras duas me largarem escada abaixo.
Quando chegamos ao 22º, passei a me sentir no corredor da morte. A Carolina abriu a porta, a Lorena me empurrou para dentro com pressa e, assim que a porta fechou, as três me cercaram. Achei que viria conversa.
A Lorena chutou a minha canela, a Carolina acertou a minha bunda com o pé e a Letícia também me chutou. Tropecei e caí no chão enquanto as três me cercaram e continuaram me chutando com força suficiente pra doer, mas não forte o bastante que não deixassem que ainda estavam se contendo.
— Essa é por comer amigas em paralelo e omitir esse “detalhe” pra gente de novo — disse Lorena, me chutando.
— Essa é por fazer pose de homem de palavra enquanto deixa bomba escondida embaixo do tapete — disse Carolina, acertando a minha bunda com outro chute.
— Essa é por ter me enrabado trocentas vezes e nunca ter ido correr na praça comigo — disse Letícia, me chutando na panturrilha.
— Ai. Estou lesionado.
— Mas é um canalha! — disse Lorena.
— Uma coisa não anula a outra — disse Carolina.
— Eu não mereci isso.
Ouvir isso, fez elas passarem a me chutar com mais força ainda. Nas costas, na barriga, nas pernas.
— Talvez um pouco — admiti.
Elas finalmente me deram misericórdia. Depois da sessão de chutes, fui jogado no sofá. Fiquei ali, deitado torto, tentando recuperar fôlego, enquanto as três ficaram em pé na minha frente. A conversa ia ser pior que qualquer treino.
— Agora você vai explicar — disse Carolina, calma demais.
— Vai explicar direito — acrescentou Lorena.
Tentei sentar e falhei na primeira tentativa. Consegui na segunda, com um gemido. A Letícia sentou numa cadeira e olhou para as duas.
— Deixa que eu resumo pra vocês. Nós fizemos alguns acordos. No primeiro, o Jonas comeu eu e o Antônio por duas tardes inteiras em troca de passar a gente na disciplina que a gente bombou.
A Lorena olhou pra mim, depois voltou pra Letícia.
— O Antônio? O Antônio, teu ex-namorado da rola quilométrica que parece Photoshop?
— Ele mesmo.
A Carolina arregalou os olhos.
— O Antônio comeu o Jonas?
— Infelizmente, não — respondeu Letícia. — O Antônio só deu o cuzinho, mas o Jonas comeu ele várias e várias vezes naquelas tardes.
As duas olharam pra mim.
— Ele tirou a nossa virgindade anal naquela tarde. Foi... inesquecível.
Eu era um homem morto.
— O segundo acordo foi uma troca de casais. A Cinthia passou uma semana com o Antônio. Eu passei uma semana com o Jonas. O verdadeiro acordo era dele me ajudar com um intensivão no TCC em troca de muito sexo. A gente passou uma semana trepando e trabalhando no meu TCC. Era trabalho, sexo, trabalho, sexo, trabalho, sexo. Ele me comeu de todas as maneiras possíveis, em todas as posições que vocês imaginarem, em todos os cantos do apartamento dele. Foi uma semana e tanto.
A Carolina já estava olhando pro faqueiro.
— Mas antes que uma das duas venha querer capar ele, quero que saibam que foi minha iniciativa trocar o TCC por sexo. Foi eu quem propus. Ele cumpriu o que prometeu me ajudando a começar e terminar ele naquela semana e eu fiz a minha parte. Eu sabia exatamente no que tava me metendo, todo mundo saiu ganhando e não vou fingir arrependimento.
As duas olharam para mim e poucas vezes estive tão próximo da morte.
— Continua, Letícia — pediu Lorena.
— Ah, e também teve a Alessandra.
— A Alessandra? — perguntou Lorena. — A nossa amiga Alessandra?
— Ela mesma. O Jonas e ela tem um acordo de sexo de uma coisa que ele ajudou ela anos atrás. Então, ela faz um boquete nele uma vez por semana.
— Mas a gente vai parar! Eu não vou descumprir o acordo de fidelidade! Vou falar com...
— Cala a boca, Jonas! — disse Carolina.
— Continua, Letícia! — disse Lorena.
— Teve um dia naquela semana em que eu, a Alessandra e o Jonas passamos o dia inteiro trepando loucamente e revisando o TCC. A Cinthia sabe de tudo isso.
A Letícia apontou pra mim, sem pena.
— Ah, e teve uma coisa naquele dia. Ele fez um acordo, tipo pacto, comigo, a Alessandra e a Cinthia. A ideia era nós irmos passar um final de semana numa casa de praia em que nós três seríamos as putinhas do harém dele.
A Carolina arregalou os olhos.
— Como é?
— Isso mesmo que você ouviu — disse Letícia. — Um fim de semana numa casa de praia com o Jonas bancando o sultão dono de um harém. A Cinthia, eu e a Alessandra obedecendo. Mas antes, ele precisava encontrar uma quarta mulher para completar o grupo. Porque ele queria um harém de quatro mulheres.
A Lorena cruzou os braços.
— Então, o nosso querido Jonas queria um harém? Muito interessante...
— Segundo o nosso acordo, a quarta mulher tinha que ser uma ex-aluna dele.
Aí, a merda explodiu de vez. A Carolina ficou imóvel. Eu vi a ficha caindo no rosto dela antes dela falar. O olhar foi da confusão pro entendimento, depois pra indignação.
— Eu?
A Lorena olhou para ela.
— Pelo visto, ele já tinha uns planos a longo prazo pra ti.
A Carolina virou devagar pra mim.
— Tudo isso, esse tempo todo, foi porque você me queria pra completar a porra de um harém de fim de semana?
Respirei fundo. Qualquer resposta seria ruim, mas silêncio seria pior.
— A ideia já existia antes de você e Lorena me enquadrarem.
— Que frase maravilhosa — disse Lorena. — “A ideia existia.”
— Eu vou te chutar de novo! — disse Carolina.
Era uma boa ideia pensar numa retirada estratégica.
— Eu preciso tomar banho — falei, levantando com dificuldade. — Depois continua-
A Lorena apontou pro meu peito.
— Banho rápido. Você não vai fugir da conversa.
— Não vou fugir — respondi, arrastando as pernas.
No chuveiro, a água quente bateu e o meu corpo quase chorou de alívio. Lavei o rosto, respirei e ouvi as vozes na sala atravessando a porta.
Eu não conseguia entender tudo, mas as três estavam contando TUDO o que eu tinha feito com elas umas pras outras, sem omitir nenhum detalhe. Desde o defloramento anal da Letícia até o ritual de vínculo eterno com gozada no rosto e pedido de namoro, passando pelos pedidos pra Letícia e Alessandra colarem velcro para mim. Tudo. Elas agora sabiam tudo que eu tinha aprontado. Até a conversa com a Letícia na academia quando olhei pra Lorena e pra Carolina pela primeira vez. Elas só não invadiram o banheiro e me lincharam porque os planos delas eram mais sádicos.
— O que me dá mais raiva é que, se a gente tirar o harém e esse lance de obediência, a casa de praia era uma boa ideia — disse Carolina.
— Sim — respondeu Lorena. — Irritantemente boa.
— Faz tempo que eu não vou à praia — comentou Carolina. — Eu gosto de praia, de sol, mar, ficar bronzeando sem pressa.
— Eu não surfo faz muito, muito tempo — disse Lorena. — Eu ia gostar. Praia, surfe, bronze, corrida na areia...
— E os barzinhos? — acrescentou Letícia. — Eu adoro a vida noturna nas cidades no litoral.
— A gente está mesmo cogitando isso? — estranhou Lorena.
— Por que não? — respondeu Letícia. — Eu prefiro o diabo conhecido que um desconhecido. E, agora, ele é completamente um leão sem dentes pra nós três.
— E isso daria uma boa lição nele... — disse Carolina.
— Com certeza, daria... — concordou Lorena, com uma satisfação perigosa na voz. — Mas eu não quero fazer parte de um harém. Isso é machista e degradante.
— Minha amiga, você topou um quadrisal por duas semanas — lembrou Letícia. — Já tá num harém com outro nome. Se acha tão machista assim, ressignifique a casa de praia.
As duas pareceram muito interessadas na ideia da Letícia.
— Ele disse que quer ir com quatro mulheres passar um final de semana numa casa de praia. A gente entrega exatamente isso pra ele, mas em troca, ele vai ter que fazer tudo que a gente quiser. Nossa companhia e apoio moral e emocional pelo tempo que a gente tiver lá.
— É uma boa ideia.
— É uma excelente ideia.
Socorro...
— Então, quem iria? — perguntou Carolina. — Nós três e a Cinthia?
— Isso.
— Vamos chamar a Alessandra também — sugeriu Lorena.
— Melhor não — cortou Letícia. — Ela tá numa fase meio lésbica-dominadora e, com certeza, vai tentar levar vocês duas pra cama.
— Nossa.
— É chato, mas eu realmente recomendo que vocês duas liguem as defesas ao máximo com ela.
Pelo visto, eu não fui o único que sofreu exposed...
— Vocês duas topam a minha ideia? — perguntou Letícia.
— Ele precisa de uma lição por ter se aproximado de mim pensando num harém — disse Carolina.
Eu não fiz isso! Digo, não exatamente. Eu não estava pensando diretamente num harém na hora.
— Ele precisa de uma lição por ter comido quatro de nós — disse Lorena. — E o solteiro mais gostoso do prédio. Que desperdício de rola.
— Se ajuda, o Antônio gostou muito. Abriu um novo leque de experiências pra ele.
— O Jonas vai apanhar quando sair desse banheiro — completou Lorena.
Desliguei o chuveiro antes de ouvir detalhes de qualquer vingança futura. Vesti uma roupa e voltei pra sala. A Carolina estava sentada no braço do sofá, séria, mas menos pronta para me bater. A Lorena permanecia de pé, os braços cruzados sobre o top e os cabelos ainda presos, com curiosidade misturada à raiva. A Letícia parecia satisfeita por ter posto a verdade em pratos limpos.
A Letícia interveio antes que elas falassem.
— Garotas, eu tenho que ir. Concordo com a raiva de vocês, mas lembrem-se que ele tecnicamente não quebrou nenhuma palavra que deu pra vocês. Todo mundo tem um passado e eu não julgo o dos outros porque não quero que me julguem pelo meu. E o principal: vocês escolheram entrar num acordo com ele sabendo que o Jonas é... o Jonas.
A Lorena descruzou os braços.
— Eu ainda estou muito brava e, em circunstâncias normais, tudo acabaria agora mesmo. Mas a Letícia foi uma boa advogada de defesa e eu e a Carolina concordamos em te dar uma trégua até depois do jogo amanhã.
Pelo visto, o meu desempenho na partida indicaria se o futuro me reservaria uma casa de praia na melhor das hipóteses, um pé na bunda duplo na mais provável ou a exposição pública de todos os meus pecados e o fim da minha reputação no pior.
Assenti em silêncio. A Letícia se despediu da Lorena e Carolina, e saiu. Quando ficamos só nós três, recostei com cuidado no sofá. Eu tinha excedido toda a capacidade de tolerância delas agora.
Assustadoramente, em vez das duas me matarem, elas agiram normalmente pelo resto. Quando percebi, estava deitado entre as duas na cama, todo dolorido. Isso era mais assustador do que se elas quisessem me bater. A facada viria quando eu não esperasse.
Foi quando, o meu celular vibrou. A Lorena alcançou o aparelho antes de mim. A Carolina olhou por cima do ombro dela e abriu um sorriso quando entendeu o plano. Eu tentei estender a mão, mas Lorena afastou o celular com facilidade.
Ela desbloqueou o aparelho, porque claro que o meu código era um J, e começou a digitar. A Carolina ficou lendo e rindo, enquanto eu apenas assistia à minha reputação ser usada contra mim.
[ROGÉRIO]: “Jonas, ainda está de pé pra amanhã?”
[JONAS]: “ROGÉRIO!!! 🔥”
[JONAS]: “Soube que o Miguel caiu fora amanhã. Se ainda tiver vaga, eu jogo no lugar dele. Faço QUESTÃO!”
[JONAS]: “E já aviso: vou no ataque. Porque comigo é assim. Meu esquema é 0-0-10, ATAQUE TOTAL. Sem medo do adversário e muito menos do amanhã!”
[ROGÉRIO]: “Valeu, Jonas. Com você agora sim fechei os 11. Time completo.”
[JONAS]: “Então fechado. Amanhã vou estar lá e vou dar tudo de mim. E jogo pra ganhar.”
A Lorena enviou a última mensagem e colocou o celular sobre meu peito, satisfeita.
— Pronto. Agora ele acredita que você está cheio de energia.
— Ele vai acreditar que eu tive algum tipo de surto.
A Carolina riu encostada no meu ombro.
— Parece um preço pequeno pra pagar pelo nosso perdão, não?
A Lorena apoiou a cabeça no meu ombro e disse com todo o sarcasmo do mundo:
— Estou orgulhosa de você.
Eu queria responder, mas estava cansado demais.
— Ia esquecendo! — disse Carolina, quase do nada. — O beijo de boa noite.
— É mesmo! — respondeu Lorena — Um namoro sem beijo de boa noite não é namoro.
Me empolguei, mas só a tempo de ver as duas se sentarem na cama, se beijarem na boca na minha frente, desejando “boa noite” e deitarem, cada uma de um lado, de costas pra mim. Só consegui mesmo fechar os olhos e dormir.
Acordei na quinta-feira às 5h40. A primeira coisa que senti foi a lombar. A segunda, o joelho direito. Depois vieram as coxas, os ombros, os antebraços, o peito arranhado e a lateral do corpo que tinha encontrado o tatame.
Do outro lado da cama, a Lorena dormia atravessada. Estava de barriga pra baixo, com uma perna esticada pro meu lado e a outra dobrada, ocupando mais espaço do que parecia fisicamente possível pra uma mulher daquele tamanho. O lençol tinha descido até a altura da cintura, deixando expostas as costas lisas, a linha firme da bunda coberta por um shortinho de dormir e parte das coxas fortes. O cabelo escuro estava espalhado no travesseiro. Dormindo, ela parecia tão fofa e linda.
A Carolina já tinha acordado há algumas e já estava trabalhando no escritório. Eu me virei com cuidado, tentando sair da cama sem acordar a Lorena. Bastou apoiar o pé no chão pro joelho reclamar com uma pontada seca. Prendi o gemido na garganta pra não acordar uma ou incomodar a outra.
A Lorena se mexeu, puxou a minha parte do lençol e se espalhou ainda mais no colchão, expondo a curva da bunda firme sob o short curto. Estava sofrendo, mas o sofrimento valia a pena. Nem em um milhão de anos, duas gostosas assim me aceitariam em condições normais.
Tomei banho, passei pomada no joelho, nos antebraços e uns roxos na coxa e me troquei com as roupas que estavam no quarto de hóspedes. Ainda tinha um bom tempo, decidi fazer café da manhã pra mim e pras duas.
Não era altruísmo puro. A Carolina já tinha demonstrado que comida decente valia pontos. E a Lorena era incapaz de fritar um ovo sem inutilizar a frigideira. Se eu precisava encarar duas namoradas ainda irritadas com a descoberta sobre a Alessandra, Letícia, Antônio, acordos de troca de sexo por nota, casa de praia e outras coisas, era melhor agradar elas com a melhor comida que pudesse fazer com o que tinha disponível.
Abri a geladeira da Carolina tinha ovos, queijo minas, goma de tapioca, requeijão, mamão, duas bananas maduras e um pote pequeno de manteiga. No congelador, encontrei meia embalagem de pão de queijo. Não era um banquete planejado, mas dava para montar um bom café da manhã.
A porta do escritório abriu às 6h35. A Carolina apareceu de calça de moletom fina, camiseta clara e os óculos de aro fino no rosto. A camiseta marcava os seios grandes, cheios, ainda sem qualquer preocupação em esconder a forma deles. Mesmo cansada de uma manhã de trabalho com europeus, ela olhou a mesa já arrumada, depois olhou pra mim.
— Você fez tudo isso?
— Pensei que seria melhor conversarmos depois de comer.
A Carolina serviu café e provou um gole antes de responder.
— Comida boa não apaga o que você omitiu.
— Eu sei.
Ela assentiu, ainda séria, mas deixou a caneca sobre a mesa e se serviu de uma tapioca. Tirei os ovos do fogo e passei para uma travessa. Pra Lorena, deixei um copo de suco, porque ela tinha bebido água como uma caminhoneira depois de me destruir no crossfit e talvez acordasse querendo açúcar.
— Carolina, sobre ontem...
— Não começa antes da Lorena acordar. Eu não vou ter a mesma conversa duas vezes.
— Eu não ia me justificar. Ia dizer que entendo a raiva de vocês.
— Entende porque nós sabemos. Antes disso, estava bastante confortável.
Não havia resposta boa. Eu me limitei a assentir.
A Lorena apareceu poucos minutos depois, com cara de sono e uma camiseta larga da Carolina cobrindo quase todo o shortinho. As pernas nuas eram longas e firmes. Os seios médios marcavam discretamente o tecido quando ela se inclinou para olhar a mesa e a bunda redonda e atlética continuava chamando atenção.
— Você prometeu me ensinar a cozinhar.
Ela se sentou, pegou uma tapioca e ovos. Deois, comeu um pedaço de banana. Parecia satisfeita apesar da raiva que ainda pretendia manter.
— E vou cumprir.
— Ótimo. Mesmo que o namoro acabe hoje à noite, na semana que vem, você vai ser a minha Ana Maria Braga particular, me ensinando tudo.
— Vínculo eterno — relembrou Carolina. — Você prometeu.
Assim que a Carolina terminou metade do café, colocou a caneca na mesa e soltou.
— A gente ainda está com raiva — disse Carolina.
— Eu sei.
— Eu ainda estou com vontade de te bater — acrescentou Lorena. — E só não fiz porque seria covardia.
Terminamos o café com uma trégua imperfeita. Lavei a louça e a frigideira enquanto as duas organizavam o resto do meu dia.
A Carolina precisava voltar ao escritório, e a Lorena ainda teria de esperar um pouco antes de sair pro próprio apartamento sem virar alvo de fofoca. Como o elevador continuava parado até as 8h, ficou decidido que eu sairia primeiro e ela usaria a escada mais tarde, evitando qualquer coincidência excessivamente explicativa.
Peguei a mochila e fui até a porta. Tentei me aproximar da Carolina, mas ela levantou a mão antes que eu chegasse à boca dela.
— Ainda sem beijo.
A Lorena, sentada no sofá, se adiantou.
— Comigo também.
Aceitei a punição sem discutir e saí. O elevador tinha um aviso colado na porta: EM MANUTENÇÃO. PREVISÃO DE RETORNO: 08H00.
Suspirei sem acreditar que teria que descer VINTE E DOIS andares de escada a pé tão cedo. Cheguei ao térreo suado e com os joelhos pedindo socorro. Aí, lembrei que ainda tinha mais um lance de escada. Empurrei a porta do estacionamento às 7h18. Parei pra recuperar o fôlego, encontrando a minha vaga vazia. O carro continuava com a Cinthia e eu podia ter ficado no térreo e pedido Uber lá.
Foi quando ouvi uma voz conhecida gritando meu nome e acenando. Era a Letícia, a delatora safada, encostada no seu Fiat Pulse, com o celular na mão.
Ela usava uma calça jeans justa e uma blusa simples que marcava seu corpo sem esforço. A Letícia tinha pernas grossas, musculosas, feitas para chamar atenção mesmo parada. A bunda arrebitada era larga, redonda e alta, daquele tipo que fazia qualquer calça parecer comprada um número menor. Os seios firmes apareciam discretamente sob a blusa, e os cabelos castanhos, longos.
— Bom dia, professor.
— Bom dia. O que você está fazendo aqui?
Ela ergueu a chave do carro.
— Te esperando pra te dar carona.
Suspirei.
— Eu fui designada pra garantir que você não invente nenhuma emergência acadêmica conveniente, tenha uma pane moral ou seja acertado por bolas de gude, boliche ou de handebol antes da partida de hoje de noite.
Fechei os olhos por um instante.
— A Lorena e a Carolina pediram isso?
— Eu me voluntariei. E fazia tempo que não tenho um tempinho a sós com meu grande amigo.
Era normal isso parecer metade ameaça e metade rancor?
— Entra no carro.
Eu não tinha argumento e nem carro. Fui pro lado do passageiro. A Letícia entrou, ligou o carro e me analisou rapidamente.
— Caralho. Elas destruíram você mesmo.
— Tive uma semana cheia.
— Eu soube. Respeito máximo pelas duas. Quisera eu ter pensado nisso...
Quando ela saiu, ajustei o banco pra trás, apoiei a cabeça e fechei os olhos. Se eu conseguisse dormir uns 15 minutos no trânsito, talvez pudesse dar aula parecendo apenas cansado, em vez de morto.
O som do carro explodiu em Ramones antes que eu completasse três respirações.
Pedi pra Letícia abaixar, pensando em dormir alguns minutos, mas ela só reduziu o volume quando decidiu que eu já estava acordado o bastante para ser interrogado.
— A Lorena e a Carolina me contaram umas coisas interessantes ontem. Gostei do juramento de vínculo eterno.
Suspirei, lembrando do que a Carolina disse na terça.
— Aposto que você riu das duas porque eu não inventei nada tão ridículo assim na tua vez.
— Pelo contrário, eu fiquei ofendida. Depois de tudo que houve entre nós, eu saí com as mãos abanando enquanto as duas mal chegaram e ganharam “Jonas tendo que adular elas pelo resto da vida”.
— Não pensei nessa parte do vínculo quando inventei ele...
— Eu quero o mesmo vínculo. Com a frase completa e com as mesmas regras.
Suspirei. Era o que me faltava.
— Você lembra da parte da promessa que diz que você também vai ser obrigada a ser legal comigo pra sempre?
— E eu sou legal contigo. Até te dou carona.
— Você me entregou pra elas ontem!
— Elas iam descobrir uma hora ou outra. E elas mereciam descobrir. — respondeu Letícia, sem drama e sem chance de contra-argumentos. — Além disso, você queria tanto uma casa de praia com a Cinthia e três gostosas. Eu te consegui essa casa de praia ontem, seu ingrato.
Olhei pra ela sem responder e ela percebeu que tava conversando com um sonâmbulo. Ela abaixou a música.
— Vai, dorme. Você vai precisar de energia pro futebol.
Fechei os olhos. Mal tive tempo pra uma piscada e já estávamos na universidade. A Letícia me acordou. Agradeci que ela foi cuidadosa o suficiente evitar onde doía.
— Professor. Chegamos.
Abri os olhos e levei alguns segundos para lembrar onde estava.
— Obrigado pela carona.
— Às 16h, eu te pego na porta da sala.
— Não precisa ficar me vigiando o dia inteiro.
— Você tem histórico de achar brechas em acordos.
Saí do carro com a mochila e a Letícia me acompanhou até o prédio, um pouco atrás, provavelmente evitando que parecesse que tínhamos chegado juntos.
A aula das 8h era justamente pra turma em que ela estava. Modelagem de Componentes de Sistemas Elétricos de Potência, duas horas de conteúdo que eu dominava bem o suficiente pra ensinar mesmo com o corpo destruído. Entrei na sala com a postura mais reta que consegui. Não funcionou completamente. Um aluno da primeira fileira percebeu meu jeito de andar.
— Professor, machucou a perna?
Coloquei o material sobre a mesa e liguei o computador.
— Academia.
— Sedentário é fogo.
Quase toda a turma caiu na gargalhada e eu comecei a aula antes que perguntas adicionais comprometessem minha reputação, enquanto memorizava os que não riram pra poupá-los da minha vingança.
Às 10h, outra turma. Entre uma sala e outra, sentei por 7 minutos na minha sala e quase dormi com a testa sobre uma pilha de provas. O celular vibrou com notificações do grupo que a Cinthia tinha criado naquela manhã. Ela escolheu um nome que deixava claro o quanto estava se divertindo com toda aquela situação.
[QUARTETO FANTÁSTICO]
[CAROLINA]: “E ele também lavou toda a louça antes de sair.”
[CINTHIA]: <Emoticons de gargalhada>
[CINTHIA]: “@Jonas, não esqueça: EU TE AVISEI!”
Das 10h às 12h, lecionei sentado boa parte do tempo, alegando que queria discutir um exercício em formato mais próximo. A desculpa era boa o bastante pra alunos cansados, que aceitam qualquer método que reduza a chance de chamada ao quadro. Meu corpo agradeceu.
Quando o relógio marcou meio-dia, eu não queria almoço. Queria minha sala, a porta fechada, o ar-condicionado e uma hora e meia de sono profundo. Talvez uma refeição líquida, algo que pudesse consumir sem levantar a cabeça da mesa.
— Jonas! — ouvi a voz da Alessandra atrás de mim.
Fechei os olhos por meio segundo antes de me virar. A Alessandra vinha ao lado da Natália, as duas carregando bolsas e uma urgência que não combinava com meu plano de tirar um cochilo.
A Alessandra vinha de calça escura e blusa de mangas curtas. Loira, cacheada, clara, com pintas discretas nos braços, seios médios e firmes, cintura desenhada e uma bunda cheia que a calça marcava sem delicadeza. As coxas robustas denunciavam treino regular. A Natália vinha ao lado, ruiva, de jeans escuro e camisa leve dobrada nos antebraços. Tinha seios médios, pernas fortes e uma bunda grande, redonda e empinada, construída por corrida, trilha e academia. Ela era gostosa num nível que exigia disciplina. O pior era o jeito correto e gentil.
— Oi, Alessandra. Natália.
— Você está livre agora? — perguntou Natália.
A resposta honesta era “não, porque eu preciso muito dormir, nem que seja no chão da minha sala”. A resposta profissional saiu antes.
— Até as 14h, sim.
— Ótimo — disse Alessandra. — Vamos buscar o Everaldo no hospital. Ele ganhou alta e está sem carro.
— Eu?
— Você — respondeu Alessandra. — A Natália vai dirigir. Eu preciso passar lá porque estou com os documentos do afastamento temporário dele e você conhece melhor a distribuição das disciplinas.
A Natália parecia realmente preocupada.
— Ele está bem?
— Machucou o joelho, o punho e levou uns pontos — respondeu Natália. — Recebe alta agora, mas não pode dirigir.
A Alessandra ajeitou a pasta de documentos contra o corpo.
— Primeiro, o incidente do Maurício com a bola de boliche. Agora, o Everaldo com bolas de gude. Estou com medo de ser atingida por uma bola de basquete na nuca.
Fomos até o carro da Natália. A Alessandra sentou na frente porque precisava orientar o caminho até a saída mais rápida. Eu fiquei atrás, agradecendo silenciosamente a oportunidade de encostar a cabeça no banco por alguns minutos.
Não dormi. A Natália aproveitar todo o caminho pra falar sobre trabalho. Falou projetos, as aulas e a melhor forma de reorganizar um cronograma caso Everaldo precisasse se afastar por alguns dias. A Alessandra respondia de boas, mas eu só fazia comentários pontuais, evitando demonstrar que metade da minha consciência estava quase dormindo.
— Ele tinha ficado responsável por revisar os dados do lote inicial — disse Natália, parando num sinal. — Se precisar, eu posso assumir essa parte e redistribuir as reuniões.
— Você já está com a maior parte do projeto nas costas — falei. — Lembra do que nós conversamos sobre “se sacrificar pela equipe significa que o resto da equipe está te sacrificando”?
— Eu sei, mas a entrega não pode atrasar porque alguém se machucou.
— Pode, sim, se o custo for você assumir o trabalho de todo mundo — respondeu Alessandra, sem dureza, porém firme. — O Everaldo pode muito bem fazer a parte dele sentado e participar das reuniões em videochamadas.
Natália deu um sorriso curto.
— Eu dou conta.
— Teimosa.
— Teimosa.
Alessandra olhou para mim pelo retrovisor. Revirei os olhos discretamente. Ela fez o mesmo. A Natália era muito boazinha e dava conta de muita coisa em detrimento próprio. Justamente por isso, pessoas como Everaldo aprendiam depressa a encostar nela.
Chegamos ao hospital pouco depois das 12h20. Na recepção, a Natália falou com a atendente e nos levou até a ala onde Everaldo aguardava alta.
Ele estava sentado numa cadeira de rodas, com band-aid na testa, tala no punho esquerdo e duas joelheiras. Ainda assim, mantinha o cabelo ajeitado. Ao ver a Natália, abriu um sorriso muito mais animado do que abriu para mim e Alessandra.
— Você veio!
— Eu disse que viria. Vamos resolver sua alta e te deixar em casa.
Ele sorriu e a olhou como se tivesse recebido uma declaração muito mais íntima do que proferida.
— Você ficou comigo ontem até os exames. Queria te agradecer quando eu melhorar. Um jantar, só nós dois.
A Natália nem ouviu direito, recebendo a pasta da enfermeira e entregando a caneta para ele assinar.
— Não precisa. Usa o dinheiro com fisioterapia e segue o tratamento direito.
— Podia ser só um café, então. Fora do departamento.
— Não gosto de sair sozinha com colega de trabalho.
A resposta foi educada e clara o suficiente pra qualquer um com compreensão básica de linguagem. O Everaldo pareceu ouvir apenas a parte em que ela continuava falando com ele.
— Se você quiser, pode passar lá em casa depois para revisar os dados do projeto.
— Você está machucado e medicado. Descansa. Eu organizo isso com os outros professores.
A Alessandra conferiu os documentos pra esconder o sorriso. Eu fiz o mesmo com a alça da mochila. Eu juro pra vocês que a Natália não estava se fazendo de desentendida, ela estava sendo apenas educada.
— Eu não queria te sobrecarregar.
— Então descansa e se recupera logo.
Era extraordinário. Cada tentativa dele terminava com uma resposta gentil, mas impossível de aproveitar. Mesmo assim, a Natália não aparentava enxergar qualquer flerte. Para ela, era apenas um colega machucado falando demais.
A enfermeira entregou as últimas orientações e informou que ele poderia deixar o hospital. A Natália empurrou a cadeira de rodas até a saída. A Alessandra caminhou ao lado dela com os documentos. Eu fui alguns passos atrás, mancando discretamente lembrando que a Natália não era tão rígida sobre “não sair com colegas” se fossem aqueles que ela considera amigos de verdade, como o Carlos e a Alessandra, com quem ela muitas vezes ia pra academia sozinha.
No corredor, ouvi uma voz urgente atrás de mim.
— Maca passando!
Tentei sair pra direita. Meu joelho respondeu tarde. Uma maca conduzida por duas enfermeiras passou rápido demais e a lateral metálica bateu na minha bunda e na parte de trás da coxa. Perdi o equilíbrio e fui de encontro à parede, segurando a mochila antes que ela caísse.
— Desculpa, senhor! Emergência! — gritou uma das enfermeiras sem parar.
— Tudo bem.
A Alessandra me acudiu e a Natália parou um instante e veio na minha direção.
— Bateu o joelho?
— Atingiu regiões menos nobres.
A Natália prestou atenção no meu estado e arregalou os olhos.
— Você ainda vai jogar hoje nesse estado?
— Prometi que entraria em campo.
Ela sorriu, admirada de verdade.
— Caramba, Jonas. Eu não sabia que você levava promessa tão a sério. A Eliana estava certa sobre você ser um cara incrível!
Atrás dela, a Alessandra se controlou pra não cair na gargalhada.
— Você vai ser foda hoje! Aposto que vai fazer gol e tudo!
Isso! Mais pressão...
A Alessandra se aproximou um olhar quase cruel.
— Concordo com a Natália. Depois de tudo isso, desistir agora seria desperdiçar um espetáculo.
— Fico feliz com a solidariedade das duas.
— Todos os professores deveriam ser como o Carlos e você — disse Natália.
— Eu sou que nem eles — disse Everaldo, quase desesperado. — Eu posso jogar.
— Você vai descansar hoje! — ordenou Natália voltando pra perto da cadeira de rodas.
Continuei andando, tentando não parecer dolorido. Me mantive mais perto da parede, longe da rota principal das macas. A estratégia funcionou por aproximadamente 40 segundos. Na curva pra saída lateral, um alarme soou em algum ponto do corredor e outra equipe apareceu empurrando uma maca em velocidade. Desta vez, consegui ver. O problema era que Everaldo estava de um lado, uma senhora parada com andador do outro e o meu joelho decidiu que a manobra de recuo era facultativa.
A maca acertou o meu braço e a lateral do meu corpo. Girei, tropecei no próprio pé e acabei sentado no chão do hospital, com a mochila caída ao lado. A equipe passou, e uma enfermeira ainda conseguiu soltar um pedido de desculpas apressado.
Fiquei alguns segundos olhando pro piso brilhante. Alessandra cobriu o rosto com a mão. A Natália veio imediatamente me ajudar a levantar. O Everaldo, na cadeira de rodas, me olhava como se eu estivesse fazendo de propósito pra roubar a atenção da ruiva.
— Como alguém pode ser acertado por duas macas em menos de um minuto? — disse Alessandra, cobrindo a boca para não rir.
A Natália e a Alessandra me ajudaram a levantar.
— Você consegue andar? — perguntou Natália.
— Consigo. Só estou mais dolorido do que antes.
Ela só não sabia o quão dolorido eu já estava antes.
— Amanhã, você vai ter uma história lendária pra contar na sala dos professores — disse Natália, com um sorriso animado.
A Alessandra me entregou a mochila.
— Com certeza, vai ser uma história.
No estacionamento, acomodamos Everaldo no banco traseiro do carro da Natália. Alessandra sentou ao lado dele para impedir que o joelho ficasse numa posição ruim e, talvez, para calar a boca dele se ele começasse a falar besteira dando em cima dela. Eu fui na frente com Natália. Durante o caminho até o prédio dele, o Everaldo insistiu mais duas vezes em oferecer agradecimentos pessoais.
A Alessandra fechou os olhos pra não revirar. Eu olhei pela janela pra evitar que Natália notasse a minha expressão. Quando deixamos Everaldo no prédio, ele ainda tentou segurar a mão da Natália por tempo demais ao se despedir. Ela retirou a mão para ajustar a alça da própria bolsa e chamou o porteiro para auxiliá-lo até o elevador.
— Qualquer problema com o atestado, manda no e-mail do departamento — disse ela. — Melhoras.
— Obrigado por tudo, Natália.
— Imagina. A gente se vê quando você estiver liberado.
Ele foi embora com uma expressão de quem acreditava ter avançado romanticamente. Assim que o porteiro levou a cadeira de rodas pra dentro, a Alessandra fechou a porta do carro e soltou um suspiro longo.
— Você tem uma paciência admirável, Natália.
— Ele está machucado. Deve estar carente e meio abalado.
Eu e Alessandra trocamos olhares. Havia coisas que só deveriam ser ditas quando a Natália estivesse preparada para ouvir, e aquele não era o dia.
— Você assumiu um monte de responsabilidade que devia ser dele — falei, escolhendo um caminho menos direto.
— É temporário. Se ele melhorar rápido, volta pro cronograma.
— E, se não melhorar, nós redistribuímos de forma justa — disse Alessandra. — Justa para você também.
A Natália assentiu, embora não parecesse convencida de que precisava ser protegida da própria disposição.
Voltamos pro campus perto das 13h35. A Alessandra insistiu que eu pegasse um sanduíche e um suco no café do prédio porque, segundo ela, eu já estava com aparência suficientemente ruim sem acrescentar desmaio por fome.
A aula da tarde foi menor e mais aplicada. Isso me permitiu sentar na mesa e propor exercícios. Os alunos perceberam meu estado, claro.
Às 16h, encerrei a última aula com a sensação de ter completado um expediente inteiro carregando alguém morto nas costas, sendo que o morto era eu mesmo. Quando abri a porta, a Letícia estava encostada na parede do corredor, bolsa no ombro e chave do carro na mão. A camiseta leve marcava os seios firmes, a cintura fina e a linha das coxas grossas dentro da calça. A bunda alta e redonda dela continuava sendo uma das coisas mais difíceis de ignorar naquela universidade, especialmente para um homem que já a conhecia nua.
— Vamos. Nem pensa em se trancar na sua sala.
— Eu só queria sentar dez minutos.
— Você senta no carro.
Me resignei. A Letícia me acompanhou pro estacionamento como uma carcereira.
— Eu vou ao jogo. Não preciso ser escoltado.
— Precisa, sim. Parte de você deve ter passado o dia pensando em como fugir do jogo sem quebrar sua palavra.
Não discuti porque ela estava certa esse paradoxo. Entramos no carro e ela deu partida. Quando o departamento sumiu de vista, ela voltou ao assunto.
— E quanto ao juramento de vínculo eterno?
— Letícia, você quer que eu esporre na tua cara?
— Você já esporrou na minha cara 17 vezes e eu não ganhei nada com isso.
— Você CONTOU?
— Claro que eu contei. Você não contou quantas vezes me comeu?
Somando tudo, 46 vezes...
— Letícia, eu não posso esporrar na sua cara. Eu prometi às duas que não daria em cima de mais nenhuma mulher além delas e da Cinthia.
— E se conseguir uma autorização especial delas? Eu não quero que você me coma. Só quero o vínculo.
— Você quer me amarrar a você.
— Mas levando uma esporrada enquanto você fala um juramento todo sério deve ser tão ridículo que dá a volta que é engraçado.
— Meu Deus, Letícia...
— Você. Me. Deve!
— Tá bom! Tá bom! Eu faço o juramento do vínculo! Mas só vai ter esporrada se as duas permitirem! Eu não quero elas com raiva de mim.
— Você nunca se preocupou se eu ficaria com raiva de ti...
— Eu não sabia que você não estava gostando! Você não contou!
— Você me comeu 38 vezes em uma semana! Se tivesse ido com menos sede ao pote, eu teria curtido e poderíamos ser amigos coloridos até hoje!
Silêncio.
— Desculpe.
Silêncio.
— Eu pensei que uma mulher tão linda nunca olharia pra mim em condições normais. E quis aproveitar enquanto não acabava.
— Eu também estou sendo crítica demais. Muito do que rolou foi ideia minha e você está certo sobre eu não ter dito nada. Não posso exigir que você me tratasse como amiga colorida quando eu mesma agia como putinha insaciável.
— Mas por que estamos discutindo com o carro parado?
Foi quando notei que a avenida travou por causa de uma colisão. O aplicativo indicou um desvio que estava igualmente parado e, quando finalmente avançamos, pegamos um bloqueio parcial devido a obra emergencial. Já estávamos há 40 minutos numa viagem de 25.
— Manda mensagem para elas avisando que estamos presos no trânsito — disse ela.
— Você pode mandar. Elas parecem confiar mais em você hoje.
— Estou dirigindo.
Peguei o celular.
[QUARTETO FANTÁSTICO]
[JONAS]: “Saí da faculdade com a Letícia. Trânsito parado. O mapa prevê chegada depois das 18h.”
[LORENA]: “Ela está garantindo que você chegue?”
[JONAS]: <Áudio> — Estou com ele e não vou deixar fugir — disse Letícia, no áudio que ela me fez gravar e mandar.
[CAROLINA]: “Obrigada. Quando chegarem, ele sobe direto.”
[CINTHIA]: “Ele tende a procurar cama quando está cansado. Não deixem deitar antes do jogo.”
[JONAS]: “Vocês me odeiam.”
[LORENA]: “Chega vivo e reclama depois.”
O trânsito andou aos arrancos. Em algum ponto, cochilei novamente, apesar da música que a Letícia voltou a colocar em volume moderado. Acordei quando o carro passou por uma lombada e as minhas costas protestaram.
— Você dormiu uns 20 minutos.
— Foi o melhor momento do meu dia.
— Não se preocupe. Tá lento, mas eu vou dar um jeito de chegarmos a tempo.
Eu estava com medo da partida. Em condições normais, eu já seria humilhado. Do jeito que estava, parecia óbvio que a Lorena e a Carolina só queriam me fazer de alvo da risada de todo mundo enquanto o time adversário fazia bobinho em mim e terminariam o “namoro” em seguida. Depois de algum tempo, falei sem tirar os olhos da rua.
— Você quem devia jogar hoje. Você está em condições físicas muito melhores que a minha.
— Eu vou jogar, seu bocó.
— Hein?
— Eu, Lorena, Carolina... Quase todas as garotas vão jogar. Mas fizemos um trato de sermos as reservas porque o Rogério teve um leve acesso de machismo e quis um time titular masculino. Por isso, eu tenho que garantir que tanto você quanto eu cheguemos a tempo.
Ok. Meu queixo tinha ido pro chão agora. Só faltavam ter chamado o seu Raimundo pra fechar o banco de reservas.
— Eu não sou próxima do Rogério e da Jéssica. Mas esse jogo importa pro Carlos e pra Eliana e eles são especiais pra mim. E a Rebecca, a Carolina e a professora Natália também se voluntariaram. Então, é claro que eu iria.
A REBECCA JOGA FUTEBOL DESDE QUANDO?
— Por isso, professor, confia em mim. Aguenta uns 30 minutos, um tempo. O resto pode deixar comigo.
Quase chorei de gratidão.
— Essa foi a coisa mais romântica que alguém me disse nas últimas semanas...
Chegamos ao condomínio às 18h31. O trânsito havia comido todo o intervalo que eu imaginava pra cochilar. Subimos junto no elevador, ela parou no andar dela e eu segui até o 22º. Quando a porta do elevador abriu, a Carolina estava no corredor, diante da porta do apartamento. Passei pela porta e larguei a mochila no sofá.
— Eu preciso dormir uns 15 minutos.
— Não vai dormir agora. Vai tomar banho, vestir o uniforme, beber isso e comer uma banana. Se você deitar agora, não vai levantar.
Ela me entregou um copão de vitamina que bebi sem discutir muito. Depois, fui ao banheiro. Tirei a roupa devagar, olhando os novos danos: uma mancha roxa na coxa atingida pela maca, outro ponto dolorido no braço e o joelho ainda inflamado. Entrei no chuveiro e deixei a água cair, sem gastar tempo demais. A Carolina tinha razão sobre o sono. Se eu me deitasse, talvez só acordasse no sábado.
No banho, tentei organizar mentalmente o que viria. Eu definitivamente não era bom de jogar futebol e, por isso, evitava passar essa vergonha há décadas. Mesmo jovem eu era ruim.
Se eu tivesse sorte, passaria o jogo longe do Enéias, Pedro e os outros bonitões do outro time. Se tivesse azar, eles brincariam de me fazer tropeçar em mim mesmo enquanto era driblado diante da minha esposa e das minhas namoradas. Eu já imaginava a bola passando entre as minhas pernas enquanto o Enéias corria com cara de galã, todo mundo ria da minha cara e as duas me largariam por um homem mais adequado pra elas.
Saí do banheiro usando uma toalha na cintura. A Carolina já estava vestida com o uniforme do time. Tudo preto, camisa de gola simples, detalhes brancos discretos na gola, mangas e no escudo, short preto e meias pretas. O tecido ficava justo no corpo dela, e o número 15 aparecia no short e costas. Quando ela virou para pegar a joelheira, vi CAROLINA escrito nas costas. Ela tinha deixado sobre a cama o meu uniforme com JONAS e o número 9. Ao lado estavam as meias, a joelheira elástica, o spray para dor e uma banana.
— A Lorena comprou a joelheira — explicou.
Vesti o uniforme. O número 9 parecia uma piada cruel com a minha falta de intimidade com a bola. Sentei na beirada da cama. A Carolina se agachou diante de mim para ajustar a joelheira, e a proximidade dela mexeu comigo apesar da dor. A camisa preta grudava nos seios grandes quando ela se inclinava. Ela pressionou a lateral do meu joelho com cuidado.
— Aqui dói?
— Bastante.
— Então presta atenção. Depois do jogo, gelo. Se inchar ou piorar, nós vamos ao ortopedista amanhã.
Ela aplicou spray no joelho, depois me entregou a banana.
— Come.
— Assim, seco?
— Você queria fondue antes de jogar?
Comi sentado na cama enquanto ela arrumava uma bolsa pequena com isotônico, uma toalha, gelo instantâneo e o spray. O celular vibrou. Era uma mensagem da Lorena.
[LORENA]: “O que achou do uniforme?”
[JONAS]: “Admito que estão bem profissionais. Pensei que todo mundo ia levar sua própria camisa.”
[LORENA]: “Besta.”
[LORENA]: “Eu e o Rogério encomendamos os uniformes na terça. Todo mundo tem camisa personalizada, número certo e short no tamanho certo.”
[LORENA]: “Bem. Menos a Tatiana. Ela entrou no lugar da Eliana na noite de quarta. Já tínhamos comprado os uniformes, então ela vai usar uma camisa do tamanho da Eliana.”
Isso significava bastante folgada na frente, mangas e do lado.
[LORENA]: “Minha foto pra você parar de reclamar antes do jogo.”
Vieram duas selfies em seguida. Frente e costas. A Lorena estava de uniforme completo. Camisa preta, short preto e meia preta, com detalhes brancos na gola e nas mangas. O cabelo preso deixava o rosto livre. Nas costas, LORENA 17.
[LORENA]: “Eu vou com o Rogério e a Jéssica pro jogo. Não me espere.”
[LORENA]: “E também não vou te assumir lá não. Se comporte lá, viu?”
A Carolina leu as mensagens e soltou uma risadinha.
— Considerando tudo, até que ela está carinhosa contigo.
Às 19h05, eu estava vestido, alimentado o bastante para não desmaiar de imediato e com a joelheira ajustada. A camisa preta com JONAS 9 pesava mais no juízo do que no corpo. A Carolina conferiu a bolsa com isotônico e gelo instantâneo. Ligou para Lorena no viva-voz.
— Estamos saindo em dez minutos.
— Ótimo — respondeu Lorena. — Estou levando um kit de primeiros socorros reforçado.
Suspirei. As duas realmente estavam preparadas pra rir do meu martírio. E terminar em seguida. As selfies da Lorena provavelmente foram a forma piedosa dela me deixar material pra punheta depois que eu me recuperar da humilhação.
— Jonas — chamou Carolina. — Vem.
Hesitei.
— Tá com medo?
Antes que eu respondesse, ela ficou me olhando como quem finalmente tinha me entendido mais do que eu gostaria. Veio até mim e segurou o meu rosto com as duas mãos, firme o bastante para me obrigar a olhar para ela.
— Você está com medo de passar vergonha.
Meu primeiro impulso foi tentar desviar, porque sempre preferi esconder minhas fraquezas antes que alguém esfregasse o dedo nelas com sal.
— Estou — admiti. — Eu vou virar um meme, o palhaço do condomínio.
— Jonas, olha pra mim. Me escuta. O que acontecer naquele campo não vai mudar o que eu penso de você.
Ela parou, pensou e apertou o meu rosto um pouco mais.
— Quer dizer, vai mudar se você trair os nossos amigos e começar a fazer gol contra para ajudar o Enéias. Aí, você é um homem morto.
— Justo.
— Fora essa trairagem, você não precisa ser másculo, fodão e muito menos bola para mim. Eu nem gosto de futebol! E a Lorena também não! Eu não vou te largar nem te emascular porque você é ruim nisso. Só de entrar em campo e tentar ajudar, você já vai estar fazendo a sua parte. Por isso, respira e se acalma. Eu não quero um herói, mas alguém que tente de verdade.
Respirei fundo porque ela mandou, e porque eu precisava.
— Melhorou?
— Um pouco.
— Então vamos.
— Ainda sem beijo?
— Depois do jogo. Dependendo do comportamento.
Saímos do apartamento às 19h18. O elevador chegou rápido, milagre raro naquele condomínio. Entrei ao lado da Carolina, segurando o isotônico e a sacola. Ela apertou o botão do térreo. Nós estávamos indo pra partida.
Pois bem, leitor. No próximo capítulo, uma partida de futebol e uma longa cena de ménage. Ou não.
Perguntas:
1) O que vocês estão achando da saga do Everaldo adulando a Natália? Tá sendo engraçado ele passar tanta vergonha ou já deu hora da Natália dar um fora e definitivo nesse mala?
2) Entre a bondade abnegada da Natália em tentar ajudar todos os colegas e o pragmatismo frio do Jonas e da Alessandra, quem vocês acham que está certo ou menos errado?
3) Como é unânime que ninguém vai querer que a Lorena assume/apresente o Jonas pro Rogério e Jéssica, até porque o namoro começou com data pra acabar, vou resumir a pergunta à Carolina: A Carolina deve apresentar o Jonas como seu “namorado” pra Sarah, Érico e a tia Rute?
4) A Lorena deve terminar o “““namoro””” com o Jonas no prazo combinado, mas quais consequências a longo prazo dessas duas semanas bem loucas e intensas vocês acham que seriam interessantes de manter em ambos?
5) O que acharam das ações da Letícia?
Coloquem nos comentários para o que vocês torcem que aconteçam nos próximos capítulos. Em breve, teremos a continuação.
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O arco da partida de futebol vai ser publicado entre os dias 26 de junho a 05 de julho, porque eu quero aproveitar e publicar dentro da Copa do Mundo (até para ser temático).
Ele vai compreender os seguintes capítulos (já na ordem de publicação):
* Eu, minha esposa e nossos vizinhos – Parte 21
* Passando a Vara nas Vizinhas. Ou Não. - Capítulo 18
* Quem Vai Comer a Advogada Evangélica? - Capítulo 16
* Eu e Minha Esposa Pulamos a Cerca... E o Caos Explodiu - Parte 14
* Louco para enrabar a professora ruivinha, enrabei o volante contador primeiro (Série do Antônio - Parte 05)
* Eu, a esposa gostosa do meu chefe e os vizinhos deles - Parte 03
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TIME DO ROGÉRIO
1 — Vinícius (gol)
2 — Érico
3 — Wagner
4 — Tiago
5 — Dênis
6 — Roberto
7 — Rodolfo
8 — Rogério
9 — Jonas
10 — Carlos (c)
11 — Antônio
12 — Andréia (gol)
13 — Sarah
14 — Jéssica
15 — Carolina
16 — Rebecca
17 — Lorena
18 — Natália
19 — Letícia
20 — Raimundo
21 — Tatiana
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TITULARES:
Vinícius; Érico, Wagner, Tiago e Roberto; Dênis, Rogério, Rodolfo e Carlos; Jonas e Antônio.
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TIME DO ENÉIAS
1 — Sílvio (gol)
2 — William
3 — Amarildo
4 — Donizete
5 — Gilmar
6 — Leandro
7 — Pedro
8 — Almir
9 — Gerônimo
10 — Enéias (c)
11 — Cleber
12 — Fernando (gol)
13 — Luiz Alberto
14 — Netinho
15 — Daniel
16 — Armando
17 — Silva Junior
18 — Alberto Síndico
19 — Douglas
20 — Alexsandro
21 — Assis
22 — Lucas
23 — Emerson
24 — Cleiton
25 — Rafael
26 — Henrique
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TITULARES:
Sílvio; William, Amarildo, Donizete e Leandro; Gilmar e Almir; Gerônimo, Cleber, Pedro e Enéias.