Paixão na Linha

Um conto erótico de Casal Tatuíra
Categoria: Heterossexual
Contém 1508 palavras
Data: 15/06/2026 14:58:35

Eu me chamo Maria Amélia. Tenho quarenta e nove anos, sou morena, casada há mais tempo do que consigo lembrar e, como toda mulher que já viveu o suficiente, carrego no peito uma solidão que cheira a café requentado e roupa lavada com sabão de barra. Meu marido é um homem decente, pago as contas, não bate, não bebe em excesso. Mas decente não é o mesmo que vivo. E eu, Deus me perdoe, ainda estou viva.

Foi em fevereiro ou março de 2024, não lembro direito, que ele apareceu. Antônio. Motorista de ônibus, quarenta e quatro anos, casado também, com aquele olhar de quem carrega o mundo nas costas e ainda arranja forças para sorrir para uma passageira qualquer. Eu pegava a linha dele quase todos os dias. No começo era só bom dia, boa tarde, um comentário sobre o trânsito infernal. Depois virou conversa. Depois virou falta.

A gente trocava mensagens no WhatsApp como dois adolescentes envergonhados. Tudo respeitoso, no início. Eu ria sozinha no sofá quando via o nome dele piscando na tela. Meu marido via televisão do lado, alheio, como sempre. E eu sentia uma coisa que já nem sabia que existia: saudade de alguém que não era da minha casa.

Um dia desci no ponto final, perto do supermercado. Ele precisava ir ao banheiro, eu precisava fingir que não estava esperando por aquilo. Na despedida, esperei no estacionamento coberto, longe do olhar das vizinhas, da família, do moralismo, o beijo aconteceu. Rápido, quase roubado. Mas que beijo, meu Deus. Um selinho que queimou a boca inteira. Desde aquele dia, eu não conseguia mais olhar para ele sem sentir o corpo reagir. A boca secava, as pernas fraquejavam. Safadeza? Talvez. Mas era mais que isso. Era fome.

Ele mudou de linha, mas eu arranjava jeito de vê-lo passar. Eu parava no barzinho, tomava meu café devagar, esperando o ônibus dele surgir no fim da rua. Quando me via, eu mandava um beijo de longe. Um gesto pequeno, quase ridículo para quem olhasse de fora. Para mim, era um grito. Queria que ele descesse do ônibus, queria que ele me agarrasse ali mesmo, na calçada, na frente de todo mundo. Mas a gente não faz isso. A gente sofre bonitinho, em silêncio.

Ontem, cinco de outubro, feriado estadual. Os dois trabalhando. Marcamos de nos encontrar. Comemos alguma coisa, conversamos, rimos. E quando chegou a hora de nos despedir... ai, meu São Benedito. Os beijos vieram diferentes. Mais fundo. Mais molhado. Senti o corpo dele contra o meu, duro, urgente. Fiquei molhadinha na hora, confesso sem vergonha nenhuma. Beijamos como quem se afoga e encontra ar na boca do outro. Ele estava armado, eu sentia. E eu queria. Queria que ele me levasse para qualquer lugar, que fizesse amor comigo — porque não seria sexo, não com ele. Seria amor mesmo, daquele que rasga a alma e deixa a gente nua por dentro.

Eu sei que ele me deseja. Sei que sonha em me ter inteira. E eu desejo o mesmo. Cada encontro fica mais perigoso, mais gostoso, mais impossível. Meu casamento é uma casa sem fogo. O dele também, pelo que conta. Dois infelizes que se encontraram no meio do caminho e descobriram que ainda conseguem sentir o coração bater mais forte.

Vamos lá em casa, não tem ninguém - ele sugeriu.

Tremi, titubeei. Eu queria ir com ele, ficar pelada, suja e suada com ele no meio de mim, dentro de mim. Mas tive medo, e se uma vizinha visse, se a mulher aparecesse, o que seria?

Safado... A mão dele desceu sem piedade, apertou minha buceta por cima da calça fina, e eu gelei inteira. Um frio de fogo subiu pela espinha, as pernas bambearam, o corpo traiu a alma. Suspirei fundo, um gemido rouco que saiu da garganta como confissão de pecado. Fechei os olhos e me entreguei ao beijo que veio em seguida, molhado, bruto, faminto.

Quando a boca dele se afastou um centímetro, ainda com o cheiro dele grudado em mim, eu sussurrei, a voz trêmula de tesão e vergonha:

— Vamos.

A casa era simples, o quarto pequeno mas limpinho. Os lençóis alvos, imaculados, esticados como altar de igreja. Um leito sagrado, pronto para ser profanado pela grande pecadora que eu era: eu, a deusa pagã, a puta, a vagabunda sem remorso. Ah, me perdoem os moralistas, as velhas de terço na mão, as frígidas — era exatamente isso que eu queria. Queria ser a puta do motorista. A cadela que ele catava na rua, metia no quarto, usava, sujava, se aliviava dentro e depois descartava como um trapo molhado de porra e suor.

Queria ser outra. Não a esposa, não a amada, não a santa mãe da casa. Queria ser a amante. A fêmea de pernas abertas, a boca suja, a buceta quente e traidora que pinga de tesão só de ouvir o ronco do ônibus dele se aproximando. Queria que ele me pegasse sem piedade, sem poesia, sem futuro. Que me fodesse como se fode uma mulher da vida, com força, com raiva, com aquela fome bruta de quem também carrega o inferno dentro do peito.

Ah, e foi tudo o que eu esperava, e mais sujo ainda. Mal passei da soleira da porta, ele me agarrou por trás como um animal que fareja a fêmea no cio. A boca quente grudou no meu pescoço, os dentes roçando a pele, e eu senti o mastro dele — duro, latejante, vivo — encaixar-se entre meus quadris, roçando a fenda da bunda por cima da roupa. A macheza dele. Aaahhh. que macheza. As mãos grandes percorreram meu corpo como quem toma posse do que já era dele por direito de desejo. Seguraram meus seios com força, apertando, amassando, e eu rebolei contra ele, cadela no cio, roçando, esfregando, gemendo baixo como quem pede perdão e pede mais.

Minha calça se abriu — não sei se foi a mão dele ou a minha, louca de pressa — e deslizou pelas pernas, caindo no chão como uma bandeira rendida. Virei-me, arranquei a camiseta, os seios túrgidos saltando no sutiã, quase rasgando o pano. Os olhos dele estavam injetados, vermelhos de sangue e tesão, o olhar do macho que já não pensa, só come. Ele me jogou na cama com um empurrão bruto e terno ao mesmo tempo. Despiu-se rápido, feroz. E ali estava o membro: lindo, reto, roxo de raiva, cheio de veias grossas pulsando como cordas de um violino do diabo.

Não quis nada entre nós. Arrancou minha lingerie com os dentes quase, e me possuiu. Entrou inteiro, de uma vez, com ferocidade, com luxúria, com aquele grito rouco de “puta” que me acertou mais fundo que o pau. E eu fui a safada que fazia tempo não era — a vagabunda, a cadela, a amante sem vergonha. Ele ria e grunhia, metendo fundo, bruto, suado, mas completo na atenção: cada estocada era um incêndio, cada mão no meu corpo sabia onde doía e onde queimava de prazer. Eu gritava, arranhava, rebolava por baixo dele, recebendo o pecado inteiro, gozando como uma condenada que finalmente aceita o inferno.

Gozei uma, duas, três vezes. Gemi, gritei, chorei — lágrimas misturadas com suor, com porra, com a vergonha que ainda queimava no fundo da alma. Minhas pernas tremiam como as de uma condenada na forca, o corpo inteiro convulsionando, arfando, pedindo misericórdia e pedindo mais. Eu era um trapo molhado, uma puta desfeita, entregue.

Então ele, como o lobo que marca território com o cheiro da fêmea, gozou. Não um pingo, não uma cusparada tímida de marido cansado. Não. Foi um jorro grosso, um copo cheio, transbordante, quente como lava do inferno. Senti o esperma dele queimando dentro da minha buceta, enchendo-me até o fundo, escorrendo pelas coxas, melando os lençóis alvos que agora eram testemunhas sujas do nosso adultério.

Aquele calor me invadiu como uma bênção e uma maldição ao mesmo tempo. Eu apertava as paredes por dentro, querendo guardar tudo, querendo que ele me marcasse para sempre. A vagabunda dentro de mim ria, satisfeita. A mulher casada chorava baixinho, sabendo que depois viria o arrependimento, a culpa, o cheiro dele ainda grudado na pele quando voltasse para casa.

Mas naquele instante, com a porra dele escorrendo entre minhas pernas, eu me sentia viva. Completamente, obscenamente viva.

Às vezes penso no que estamos fazendo. Penso na moral, na Igreja, nos filhos, na vergonha. Depois penso na boca dele, no jeito que me olha, no tesão bruto e terno que a gente tem um pelo outro. E concluo, como diria o velho Nelson: a vida é suja, a paixão é suja, o desejo é sujo. Mas é a única coisa que, de vez em quando, ainda nos faz sentir limpos.

Eu sou Maria Amélia. Morena, quarenta e nove anos, casada e, pela primeira vez em muito tempo, completamente viva. E cada vez que o ônibus dele se aproxima, eu sei: o pecado está chegando. E eu, que os céus me perdoem, não quero que ele passe.

Se você gostou, comente, se não gostou comente também, queremos melhorar. Considere deixar três estrelas. Obrigado.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 9 estrelas.
Incentive Casal Tatuíra a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários

Foto de perfil genérica

Lindo conto, deliciosa declaração de uma esposa mal amada, de uma mulher mal e pouco comida, degustada pelo maridão já mais pra lá do que pra cá. Ela viva, quente cheia de desejos, vontades e muito tesão, bucetinha sempre viva, acesa, pedindo carinho, querendo um afago e claro, sempre tem alguém que pode suprir essa deliciosa necessidade e ainda bem que encontrou e a entrega foi total e integral, que bom, que gostoso, que delicia, parabéns.

votado com louvor.

0 0
Foto de perfil genérica

A vida é suja, a paixão é suja, o desejo é sujo. Mas é a única coisa que, de vez em quando, ainda nos faz sentir limpos.

0 0