O Autor do Meu Desejo – Pós-Capítulo Final: O Último Conto (Parte Final)

Um conto erótico de Charlie Taylor
Categoria: Heterossexual
Contém 2977 palavras
Data: 15/06/2026 06:28:23

Sábado, 3h da manhã

A suíte presidencial estava em silêncio agora, apenas o som da névoa batendo nos vidros e o ronco baixo do aquecedor quebravam a quietude. O ar ainda carregava o cheiro denso de sexo, suor, esperma, perfume misturado, velas de baunilha queimando até o fim. As pétalas de rosa que antes formavam um coração perfeito sobre os lençóis brancos agora estavam espalhadas, amassadas, algumas grudadas na pele suada dos três corpos que ocupavam a cama desfeita.

Os lençóis de algodão egípcio estavam enrugados além de qualquer reparo, manchados em vários tons que iam do vinho ao leite. Um dos travesseiros havia caído no chão durante a madrugada, assim como a lingerie preta de Olivia, o sutiã de renda agora pendurado no abajur, uma das ligas enroscada nos pés da cama, as meias arrastão jogadas em direções opostas. A banheira de hidromassagem ainda borbulhava suavemente, esquecida, sua água agora morna e com vestígios de espuma de banho que nunca chegaram a usar.

Olivia estava no meio da cama, seu corpo moreno contrastando com a brancura dos lençóis amassados. Sua cabeça repousava no peito de Charlie, subindo e descendo no ritmo de sua respiração que aos poucos voltava ao normal. A mão direita dela descansava sobre a coxa esquerda de Ricardo, os dedos traçando círculos lentos e inconscientes na pele ainda úmida de suor. Os pelos negros de sua buceta estavam despenteados, alguns fios grudados nas coxas pela umidade que ainda não secara completamente. Seus mamilos, ainda doloridos das mordidas e sucções da noite, roçavam suavemente o peito de Charlie a cada respiração.

Os três corpos nus estavam espalhados como peças de um jogo que havia terminado, Charlie recostado na cabeceira, um braço envolvendo os ombros de Olivia, o outro abandonado sobre o estômago; Ricardo deitado de lado, uma perna estendida sobre a coberta, o braço dobrado sob a cabeça; Olivia entre eles, servindo como o elo físico entre os dois homens que haviam passado a noite competindo por sua atenção.

A respiração dos três ainda estava ofegante, mesmo depois de quase uma hora desde o último orgasmo. O corpo de Olivia tremia em espasmos residuais de quando em quando, lembranças físicas do que acontecera repetidas vezes ao longo das horas.

– Foi um bom final – Ricardo murmurou, sua voz rouca pelo uso excessivo durante a madrugada, de tanto gemer, xingar, ordenar e confessar. Seus dedos traçavam distraidamente a curva da cintura de Olivia, descendo pelo quadril, subindo pela costela, um toque tão leve que parecia a carícia de uma pena.

– Melhor do que eu merecia.

Charlie riu, um som baixo e sem amargura, a primeira vez na noite que ele produzia qualquer ruído que não fosse um grunhido de prazer ou uma ordem. Sua mão livre encontrou o cabelo de Olivia, os fios morenos agora completamente desfeitos do coque que usara na chegada, espalhados sobre o peito dele como uma cortina esvoaçante.

– Ninguém aqui merecia nada – ele disse, os dedos enrolando um fio de cabelo dela, soltando, enrolando de novo.

– Só escolhemos. Cada escolha, cada erro, cada acerto. Ninguém nos deu nada. A gente construiu. A gente destruiu. A gente reconstruiu.

– A gente sujou as mãos – completou Olivia, erguendo o rosto do peito de Charlie. Seu olhar moreno encontrou primeiro os olhos azuis do marido, depois os olhos castanhos do amante. Havia algo diferente em seu rosto agora, não era mais a mulher culpada do início do ano, nem a provocadora que entrara na suíte vestida de vermelho. Era alguém que havia atravessado algo e saído do outro lado.

– E agora?

A pergunta pairou no ar como fumaça. E agora. As palavras que carregavam o peso de tudo o que ainda não fora dito, de todas as perguntas que haviam sido adiadas.

O silêncio que se seguiu foi pesado, diferente dos silêncios anteriores. Não era tensão, não era raiva, era algo mais próximo da resignação, ou talvez da paz. O som do aquecedor parecia mais alto agora, o barulho da névoa batendo nos vidros como se o tempo estivesse passando lá fora enquanto dentro da suíte ele havia parado.

– E agora – Ricardo respondeu finalmente, sentando-se na cama com um movimento que pareceu custar-lhe uma energia que já não possuía. Os lençóis escorregaram de seu corpo, revelando as marcas que Olivia deixara em suas costas, arranhões vermelhos que formavam um mapa irregular, alguns profundos o suficiente para terem sangrado levemente.

– Agora eu vou embora. Dessa vez de verdade.

Ele passou a mão pelo rosto, afastando os cabelos grisalhos da testa, e Olivia notou pela primeira vez como ele parecia cansado, não apenas do fim de semana, mas de um ano inteiro carregando o peso do que fizera e do que perdera.

– Sem bilhetes, continuou, a voz mais firme agora, como se estivesse fazendo uma promessa não apenas a eles, mas a si mesmo.

– Sem mensagens. Sem joguinhos. Sem aparecer onde não fui chamado.

Ele se levantou da cama, e o ar frio da suíte pareceu atingi-lo em cheio, seus mamilos se contraíram, seus músculos se tensionaram, mas ele não se apressou. Em vez disso, caminhou até a poltrona de couro onde sua pasta ainda estava, abrindo-a com movimentos lentos e deliberados.

Olivia observou cada gesto enquanto Charlie permanecia imóvel, seu braço agora apenas descansando ao lado do corpo. Ela sentia o calor do marido contra suas costas, mas seus olhos estavam fixos em Ricardo, na forma como ele vestiu a cueca boxer primeiro, puxando o elástico sobre os quadris estreitos; depois a calça social azul marinho, que ele abotoou com dedos trêmulos; depois a camisa branca, que ele vestiu sem desabotoar primeiro, passando a cabeça pelo decote num gesto quase infantil.

Cada peça de roupa parecia um adeus. Cada botão abotoado, cada dobra ajustada, cada suspiro que escapava de seus lábios enquanto se arrumava era uma página sendo virada em um livro que estava chegando ao fim.

Quando ele finalmente se vestiu, o terno agora impecável, os sapatos pretos reluzindo sob a luz fraca do abajur, o cabelo penteado com os dedos, ele se virou para encará-los.

Olivia ainda estava nua na cama, os lençóis cobrindo apenas suas pernas, seus seios expostos, os pelos negros de sua buceta visíveis entre as coxas abertas. Charlie não havia se movido, continuava recostado na cabeceira, nu também, seu membro agora flácido mas ainda impressionante contra a coxa, o torso marcado pelas unhas de Olivia e, em alguns lugares, pelas de Ricardo durante os momentos de maior intimidade.

Na porta, Ricardo hesitou. Sua mão pousou na maçaneta de metal escovado, mas não a girou imediatamente. Seus ombros subiram e desceram numa respiração funda, e quando ele falou, sua voz estava diferente, mais suave, mais vulnerável do que Olivia jamais ouvira.

– Charlie – chamou.

O marido de Olivia ergueu os olhos. Não havia desafio neles agora, nem triunfo, nem mesmo a frieza calculada das horas anteriores. Havia apenas uma curiosidade neutra, como se Charlie estivesse esperando para ver que tipo de despedida Ricardo escolheria.

– Cuida dela – Ricardo disse, o pedido saindo num sopro quase inaudível.

– Do jeito que eu nunca soube. Do jeito que eu nunca mereci. Mas que ela sempre mereceu.

E então ele se foi.

A porta fechou com um clique suave, o som da fechadura ecoando no silêncio da suíte como um ponto final. Olivia ouviu seus passos no corredor, primeiro firmes, depois mais rápidos, depois desaparecendo na direção do elevador.

O silêncio que ficou foi diferente de todos os outros. Era um silêncio de alívio, de término, de um ciclo finalmente fechado.

Charlie puxou Olivia para mais perto, seus braços envolvendo-a por trás, seu nariz enterrando-se em seu cabelo moreno.

– Acabou, ele murmurou contra sua nuca.

– Realmente acabou.

Olivia fechou os olhos, sentindo as lágrimas queimarem atrás das pálpebras, não de tristeza, mas de uma estranha mistura de alívio, gratidão e uma ponta de nostalgia pelo que nunca poderia ser.

– Acabou, ela repetiu, os dedos encontrando os de Charlie e se entrelaçando sobre seu estômago.

Lá fora, a névoa continuava dançando contra os vidros, e o dia ainda nem havia começado a clarear.

Domingo, 10h

A luz do sol entrava pelos vidros da sacada como uma benção dourada, rompendo a névoa que envolvera a serra durante toda a noite. Os raios matinais dançavam sobre o carpete felpudo da suíte, iluminando as partículas de poeira que flutuavam no ar e revelando a desordem da noite anterior, os lençóis amassados, as pétalas de rosa secas espalhadas pelo chão, a lingerie preta ainda pendurada no abajur como uma bandeira de guerra.

Olivia despertou aos poucos, seus sentidos voltando um a um. Primeiro o tato, a maciez do algodão egípcio contra sua pele nua, o frescor do lençol do lado da cama onde Ricardo dormira, agora vazio e frio. Depois a audição, o canto distante de um pássaro lá fora, o ruído suave do aquecedor desligando, e então, o melhor de todos: o som familiar da xícara de café sendo pousada sobre a mesa de vidro da varanda.

Ela abriu os olhos lentamente, a luz clara da manhã fazendo-a piscar. Por um momento, o medo a atravessou como uma faca fria, e se Charlie também tivesse ido embora? E se ele tivesse acordado durante a noite, revisto suas escolhas, decidido que afinal não poderia suportar o que acontecera?

Mas então sentiu o cheiro.

Café. Forte, encorpado, com aquela nota de chocolate que ele sempre escolhia. E, misturado a ele, o perfume amadeirado do sabonete do hotel, Charlie já tinha tomado banho. O alívio foi tão intenso que quase a fez rir sozinha na cama.

Ela se espreguiçou como um gato acordando de uma longa sesta, os músculos doendo deliciosamente em lugares que ela nem sabia que existiam. Seu corpo moreno estava marcado por completo, mordidas no pescoço, arranhões nos quadris, manchas roxas nos seios onde os dedos dos dois homens haviam apertado com mais força do que deveriam. Olhou para os pelos negros de sua buceta e viu que estavam despenteados e grudados, alguns ainda úmidos de memórias que ela não tentaria apagar.

Sentou-se na cama, os lençóis escorregando para revelar seus seios nus. O sol incidia diretamente sobre seus mamilos doloridos, e ela gemeu baixo, não de dor, mas de prazer residual, como se seu corpo ainda estivesse processando tudo o que acontecera nas últimas doze horas.

Foi então que viu Charlie.

Ele estava na varanda, recostado na grade de ferro forjado, vestindo apenas a calça de linho clara da noite anterior, aberta, descalço, o torso ainda úmido do banho recente. Seu cabelo castanho estava molhado, penteado para trás com os dedos, algumas mechas caindo sobre a testa. O sol das montanhas incidia sobre seus ombros largos, destacando os músculos que ela conhecia tão bem, as marcas que ela mesma deixara em sua pele na noite anterior, arranhões nas costas, uma mordida no ombro esquerdo, manchas roxas nos quadris onde ela o apertara com as coxas.

Nas mãos, duas xícaras fumegantes de porcelana branca. Ele não estava olhando para ela, seus olhos azuis estavam fixos na paisagem lá fora, nos pinheiros cobertos de névoa que se estendiam até onde a vista alcançava, nas montanhas que pareciam tocar o céu.

Olivia levantou-se da cama, sentindo o carpete felpudo sob seus pés descalços. Seu corpo moreno estava completamente nu, as marcas da noite anterior expostas sob a luz do dia, e ela não fez nada para se cobrir. Não havia mais vergonha. Não havia mais segredos. Havia apenas a verdade do que acontecera, do que eles escolheram viver.

Ela caminhou até a porta de vidrio que dava para a varanda, deslizando-a com um movimento suave. O ar frio da manhã atingiu sua pele nua, fazendo seus mamilos se contraírem instantaneamente, sua buceta se arrepiar, os pelos se eriçarem contra o vento.

– Ele foi embora, Olivia disse, aproximando-se de Charlie, sua voz ainda rouca de sono e de uso excessivo na noite anterior.

– Eu sei. Charlie entregou-lhe uma das xícaras, seus dedos roçando os dela num toque que durou mais do que o necessário. Ele tomou um gole do próprio café, a veia do pescoço pulsando enquanto engolia.

– Sonhei com ele a noite toda. Com os dois.

Olivia ergueu a xícara até os lábios, sentindo o líquido quente escorrer por sua garganta. O café estava perfeito, forte, amargo, exatamente como ela gostava. Seus olhos não deixavam os de Charlie enquanto bebia, tentando ler o que se passava por trás daquela expressão calma.

– Com os dois? – ela repetiu, confusa. – Mas nós somos só nós dois.

Charlie baixou a xícara, colocando-a sobre a grade da varanda. Sua mão livre encontrou a cintura de Olivia, puxando-a para mais perto, até que seus corpos nus se tocassem, os seios dela pressionando o peito dele, o calor de sua buceta irradiando através pele.

– Sonhei com a gente – ele explicou, seus dedos traçando a curva de suas costas, descendo até as nádegas, apertando com força.

– Com o que éramos antes de tudo isso. E com o que nos tornamos depois.

Olivia sentou-se em seu colo num movimento fluido, suas pernas nuas envolvendo sua cintura, os pés cruzados atrás de suas costas. A posição a abriu completamente – sua buceta pressionava o tecido da calça de linho, sua entrada úmida roçando contra o volume que já crescia sob o pano.

Ela tomou mais um gole de café antes de pousar a xícara ao lado da dele, agora ambas vazias sobre a grade da varanda, o vapor subindo em espirais douradas sob o sol da manhã.

– E o que você sonhou? provocou, seus dedos deslizando pelo peito dele, descendo pelo abdômen, encontrando o botão da calça e desabotoando-o com uma lentidão deliberada.

Charlie beijou seu pescoço, seus dentes roçando a pele marcada, exatamente onde Ricardo havia deixado a mordida mais profunda na noite anterior. A língua dele percorreu o caminho da marca, como se estivesse apagando-a, reescrevendo-a, reivindicando-a como sua.

– Sonhei que a gente escrevia um novo conto, ele murmurou contra sua pele, os lábios descendo para o ombro, para a clavícula, para o espaço entre os seios.

– Dessa vez sem traição. Sem segredos. Sem omissões.

Olivia arqueou as costas quando sua boca encontrou um dos mamilos, sugando com força suficiente para fazê-la gemer, o som ecoando na varanda aberta, carregado pelo vento da montanha. Seus dedos se enroscaram nos cabelos molhados dele, puxando-o para mais perto, como se quisesse fundir seus corpos num só.

– E como seria esse conto? – ela perguntou, a voz saindo mais rouca do que pretendia, mais ofegante do que gostaria de admitir.

Charlie ergueu o rosto, seus olhos azuis queimando contra os dela com uma intensidade que a fazia sentir-se completamente nua, não apenas de corpo, mas de alma. Suas mãos apertaram os quadris dela com força, as digitais cavando a pele morena exatamente onde os arranhões de Ricardo ainda estavam vermelhos.

– Ainda estou escrevendo, ele disse, os lábios roçando os dela, o hálito quente e misturado ao café.

– Cada dia é uma página nova. Cada noite é um capítulo diferente.

Ele a levantou nos braços num movimento brusco, seus músculos se contraindo sob o peso dela, e Olivia amava isso, amava como ele era forte, amava como ele a carregava como se ela não pesasse nada. Caminhou de volta para dentro da suíte, seus pés descalços pisando nas pétalas secas que ainda estavam espalhadas pelo carpete, deixando um rastro de destruição por onde passava.

Quando ele a deitou na cama, na mesma cama desfeita onde passaram a noite, nos mesmos lençóis manchados que testemunharam tudo, seus olhos não se desviavam dos dela. Ele se desfez da calça de linho num movimento rápido, o tecido caindo no chão como uma casca desnecessária, revelando seu corpo por completo – o abdômen, as coxas fortes, e entre elas, o membro já duro e latejante, apontando para ela como uma promessa.

– Mas o final – Charlie continuou, inclinando-se sobre ela, seus braços apoiados de cada lado de sua cabeça, seu corpo cobrindo o dela como um cobertor de calor e desejo, o final vai te surpreender.

Ele a penetrou devagar, tão devagar que Olivia podia sentir cada centímetro, cada veia, cada pulsação enquanto ele entrava nela. Seus dedos se agarraram aos seus ombros, suas unhas cavando a pele, sua boca se abrindo num gemido que não tentou conter.

Charlie começou a se mover dentro dela com uma cadência que não era mais de posse, nem de competição, nem de vingança. Era uma cadência de amor, lenta, profunda, deliberada. Seus olhos não se fechavam, não se desviavam, ele a observava enquanto a amava, enquanto a preenchia, enquanto a lembrava de quem eles eram.

– Eu te escolho, ele sussurrou contra seus lábios, as palavras se perdendo entre beijos e respirações ofegantes.

– Todos os dias. Todas as noites. Todas as vezes.

Olivia sentiu as lágrimas escorrerem pelos cantos dos olhos, não de tristeza, mas de uma alegria tão avassaladora que seu corpo não sabia como conter. Seu homem. Seu marido. Seu autor. Aquele que a conhecia em cada camada, em cada falha, em cada pedaço escuro que ela tentava esconder, e que ainda assim a escolhia.

Naquele momento, com o sol da serra iluminando seus corpos entrelaçados, com o cheiro de café e baunilha e sexo ainda pairando no ar, Olivia compreendeu algo que nenhum livro, nenhum conto, nenhuma fantasia poderia ensinar.

O verdadeiro final feliz não era sobre esquecer o passado. Não era sobre apagar os erros ou reescrever a história.

Era sobre acordar ao lado de alguém que viu o seu pior, e que ainda assim escolhe ficar.

Era sobre saber que algumas fantasias mereciam ser vividas até o fim... e que a melhor fantasia de todas era aquela que se tornava real todos os dias.

Todos os dias.

Todas as noites.

Todas as vezes.

Fim.

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