Continuando...
- Então é isso. - Concluiu o Dr. Nunes, explicando em parte como seria aquela sociedade.
- Eu não vou aceitar isso! Vocês estão me roubando...
- Creio que você está nos acusando de algo que não deveria, Sra. Juliana. - Disse o Dr. Lima de forma bem séria, quase enérgica.
- E como o Senhor explica isso o que está acontecendo?
- Pelo que fui informado, a empresa precisava expandir e melhorar sua infraestrutura, mas não tinha capital pra isso. Correto, Dr. Nunes?
- Correto, Dr. Lima. A solução mais acertada era criar novas cotas, pra facilitar a entrada de novos sócios, e assim teríamos capital, mas pra isso, deveríamos diluir as suas ações, Sra. Juliana, porque estava no contrato da sua sociedade com o Sr. Ricardo. Você assinou, não se lembra?
- Eu assinei muitas coisas. Não me lembro disso.
- Como a Senhora está de saída, essa medida também serve pra proteger o outro sócio fundador, que poderia perder o mando da empresa, tendo em vista que ele possui uma parte menor da sociedade.
- Isso é um absurdo! - Falei mais alto, batendo a mão na mesa.
- Calma, Ju! Quer um pouco d'água? - Perguntou Ricardo, querendo amenizar as coisas.
- Você armou isso pra mim, Ricardo. Por que?
- São só negócios, Ju. Eu tinha que proteger os meus interesses, e os da Noel Buffet também.
- Parece cruel, mas ele está certo, Sra. Juliana. Com a nova divisão de cotas, será possível comprar a sua parte, sem prejudicar a empresa financeiramente.
- O Senhor, Dr. Nunes, é advogado do pai do Ricardo. Eu não confio mais no Senhor. Vou contratar um novo advogado.
- É seu direito, mas fizemos tudo de acordo com os contratos. Eu jamais colocaria a minha reputação em jogo. Posso lhe assegurar disso.
- E quanto vale a minha parte agora? Por quanto poderei vender?
- Por 80 mil reais. - Retrucou Dr. Nunes, me dando mais uma folha pra eu analisar.
- Isso é muito pouco. Com certeza valeria uns 200 mil reais...
- Você está sonhando, minha cara... - Disse o Sr. Palhares, se manifestando pela primeira vez.
- Ju, eu sinto muito... Sei que você deu o sangue e a sua alma nesta empresa, e eu vou honrar isso. A Noel Buffet será grande... Você vai ver... - Testificou Ricardo, puxando pra si a responsabilidade.
- Nós faremos o seguinte. Eu e o Sr. Palhares iremos fazer uma transferência pra sua conta agora no valor de 60 mil reais. Essa será a nossa parte. - Explicou o Sr. Magalhães, tentando ser objetivo e prático.
- Os outros 20 mil serão depositados por mim. - Concluiu o Dr. Lima.
- E quem está comprando esse parte?
- Óbvio que sou eu, né Jujuba... quer dizer, o meu pai, mas quem irá administrar sou eu. - Falou Gisele, piscando pra mim, com aquele sorriso de quem já venceu a guerra.
- E se eu não aceitar essa venda? - Perguntei ao Dr. Nunes, que ficou pensativo por um minuto, e em seguida respondeu.
- Veja bem, Sra. Juliana, se acaso tomar essa decisão, será pior ainda, porque com a nova distribuição de cotas, o Ricardo juntamente com Sra. Gisele, e os Senhores Palhares e Magalhães terão a maioria das cotas, ou seja, terão um poder de decisão, independente da sua vontade.
Senti muita raiva e olhei pra cada um deles, vendo que todos estavam satisfeitos com a resolução, exceto pelo Dr. Nunes, que estava visivelmente chateado.
- Então, Dona Juliana? Faremos negócio? - Perguntou Sr. Palhares, sorrindo com satisfação.
- Vocês não me deixaram outra saída. Eu jamais poderia esperar isso de vocês. Sempre fui correta e justa, mas vejo que nada adiantou.
Arrumei minhas coisas, peguei a minha bolsa e fui até a porta, mas antes de sair falei a todos.
- O Ricardo sabe os meus dados bancários. Espero o pagamento de vocês até o meio dia. Espero que todos estejam satisfeitos, e pensem que o mundo dá voltas. Lembrem-se disso.
Saí da sala de reuniões e fui me despedir da Katia, Anita e alguns funcionários.
Com 80 mil seria quase impossível abrir uma nova empresa do jeito que eu queria e falei isso com Anita e Katia, que entenderam a situação.
Falei a elas pra não saírem da empresa ainda, até eu conseguir juntar mais capital, com um novo empréstimo.
Fui pra casa, totalmente desiludida, e por três vezes, quase bati com o carro.
A primeira coisa que eu fiz foi deitar na cama e chorar sem parar...
A minha vontade era dar um chute no saco de cada um deles, mas isso não mudaria nada. A Noel Buffet não era mais minha e não tinha o que fazer.
Uma hora depois recebi uma notificação no celular, informando que os depósitos tinham sido feitos.
Katia ainda me ligou, perguntando se a transação havia sido feita e eu informei que sim. Ela ainda disse que sentia muito, e confirmou que continuaria de olho pra mim, informando as notícias que achasse relevante.
Agradeci novamente e desliguei o celular. Fiquei sem falar com ninguém por três dias.
Sozinha no apartamento, sem sair pra rua, com o celular desligado. Era como se eu estivesse de luto por algum familiar.
Minhas olheiras estavam enormes, pois eu não conseguia dormir direito, tendo sonhos e pesadelos estranhos.
Durante o dia, eu chorava até não ter mais lágrimas. Eu só parava quando o sono vencia e eu conseguia tirar um cochilo.
Os dias foram passando e eu continuava trancada em casa. Fiquei dois dias sem tomar banho, até que eu não aguentei o meu próprio cheiro.
Os mantimentos em casa foram acabando, mas por sorte o mercado fazia delivery. Eu só tinha que abrir a porta e pegar com o entregador.
Eu também pedi lanches por delivery, aliás, isso se tornou um hábito.
As mensagens no celular eu ouvia, mas não respondia ninguém.
Muita gente querendo saber o que aconteceu, mas eu resolvi deixar pra lá.
O primeiro mês passou em câmera lenta, mas o segundo mês passou voando.
Acabei conhecendo uma vizinha numa dessas aberturas de porta para receber o entregador e acabei fazendo amizade.
Seu nome era Pâmela e ela era bem mais nova do que eu. Ela morava sozinha e trabalhava como promoter.
A casa dela estava sempre animada com música alta e resenhas.
Como assim paredes não são tão grossas, também pude ouvir suas transas. Ela era fogosa e gostava de uma sacanagem.
Numa das vezes eu acho até que ela estava com mais de uma pessoa transando.
Meu passatempo se tornou ver séries e filmes. Eram tantas opções...
Foi num dia desses, maratonando série, que ouvi a campainha tocar.
Era Pâmela. Ela usava um shortinho de lycra tão pequeno, que provavelmente era menor que uma de minhas calcinhas. O top que ela usava era bem pequeno e apertado, fazendo com quem os seios dela ficassem empinados.
- Vizinha, eu estou com um problema em casa. Desligaram a minha água, pra fazer um conserto, e eu acabei deixando roupa acumulada pra lavar. Teria como eu tomar banho na sua casa?
Fiquei ali olhando pra aquela garota, que não deveria ter mais do que 20 anos, admirando a ousadia dela em sair de casa com aquele tipo de roupa.
- Desculpa... estou te pedindo esse favor, mas a gente nem se conhece. Qual o seu nome?
- O meu é Juliana.
- Meu nome é Pâm...
- Pâmela, eu sei... Já ouvi muito esse nome. - Falei, cortando ela, percebendo que isso foi meio bizarro.
- A gente já se conhece de algum lugar? É que eu acabo conhecendo tanta gente na minha profissão, que as vezes fica difícil decorar rostos e nomes.
- Não é isso. É que as paredes são finas e a gente acaba ouvindo certas coisas.
- Desculpa mais uma vez. Acho que estou atrapalhando o seu sossego, com as minhas festinhas.
- Elas são bem animadas...
- As vezes até demais, kkkkk
Ficou um silêncio no ar e ela voltou a perguntar sobre o banho, e eu disse que podia.
- Muito obrigada!!! Você salvou a minha vida... Já volto. Vou só pegar a minha toalha.
Fiquei observando ela ir em casa, e quando ela virou de costas, pude ver a sua bundinha, que estava quase toda a mostra naquele micro short.
Ela não tinha vergonha de andar assim pelos corredores do prédio.
Em poucos minutos ela voltou, com uma toalha e uma nécessaire.
- Fique a vontade. Pode demorar no banho o tempo que quiser...
- Obrigada, Juliana. Prometo que não vou demorar.
Fiquei na sala ouvindo música e pensando na vida, até que ela sai do banheiro enrolada na toalha e com os cabelos molhados.
- Que banho ótimo! Seu chuveiro é uma delícia. Acho que vou tomar banho aqui mais vezes, kkkkk
- Se você quiser, pode vir...
- Opa! Amanhã eu venho novamente... mas falando sério, é bem capaz que eu precise mesmo, por mais um dia ou dois.
- Sem problema. Mi banheiro, Su banheiro.
Ela riu do que eu falei e ficamos conversando durante um tempo. Ela me falou que era promoter e que tinha 22 anos, mas se ela me falasse que tinha 19 ou 18, eu acreditaria.
- E eu acabei vindo parar aqui em Nova Iguaçu, porque eu acabei dando pro melhor amigo do meu pai.
- Menina!!!
- O cara era um gostoso e ficava flertando comigo desde quando eu tinha 15. Quando eu fiz 16, acabou acontecendo...
- E o teu pai te expulsou de casa?
- Eu entendo ele... O cara era casado, e o casamento acabou por minha causa.
- Caramba...
- Cidade pequena, Juliana. Eles eram amigos de infância... Melhores amigos.
- Tanto homem pra você transar, e foi escolher logo o melhor amigo do seu pai!
- Alem de tudo é o meu padrinho. Nós sempre vivíamos agarrados, mas quando eu cresci, os hormônios afloraram e eu acabei me apaixonando.
- Mas esse cara vacilou muito também...
- Eu só me arrependo por ter ferrado a vida dele, e por meu pai ter saído no braço com ele, mas se eu pudesse, namoraria com ele.
- Pamela, você é doida...
Ela então simplesmente tirou a toalha e ficou secando os cabelos, revelando a sua intimidade pra mim.
Sua xoxota era bem pequena e fechadinha, além de ser toda raspadinha.
Seus seios eram tamanho M, e bem empinados, com auréolas rosadas.
Eu estava de queixo caído com a desenvoltura dela e a falta de pudor que eram muito naturais.
- Desculpa, Juliana. É que eu me sinto tão à vontade aqui... Vou terminar de me secar em casa.
- Eu não me incomodo. Fica tranquila...
- Mais tarde vou numa resenha. Quer ir comigo?
- Acho melhor não... Deixa pra uma próxima.
- Promete?
- Claro...
Ela já estava indo pra porta com a toalha na cabeça, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- Pamela, você não está esquecendo de nada não?
- O que?
- Suas roupas...
- Caramba, tem razão... deixei lá no banheiro. Já volto...
Ela foi até o banheiro, pegou as roupas e saiu do meu apartamento pelada, com as roupas na mão e a toalha na cabeça.
- Tchau, amiga...
Fiquei admirada com a ousadia dessa garota, que não tinha vergonha de se mostrar.
Maos tarde ela novamente bateu na minha porta, perguntando se eu queria ir, e eu novamente disse que não.
Fiquei em casa vendo série até dormir no sofá.
Quando o terceiro mês chegou, notei uma coisa preocupante. As minhas roupas estavam ficando apertadas. Muito apertadas.
Minha bunda estava enorme e a barriga um pouco inchada. Comecei a chorar, quando me olhei no espelho e vi que além disso, eu estava com o cabelo mal cuidado e com olheiras.
Jurei pra mim mesma que amanhã eu iria recomeçar os treinos e voltar pra academia, mas fiquei o dia inteiro comendo sorvete.
No dia seguinte, desanimei de ir, porque as roupas estavam muito apertadas.
Não dava nem pra ir na rua comprar roupas e preferi comprar online.
Alguns dias depois a roupa chegou e aí sim fui pra academia.
Por azar, encontrei duas amigas da faculdade, que vieram falar comigo, falando que eu sumi, mas eu expliquei mais ou menos o ocorrido, e elas disseram que já sabiam.
Uma coisa que me deixou incomodada, foi que de certa forma elas me olharam diferente, porque eu estava mais cheinha.
Acabei indo embora sem me despedir delas, e fui pra casa chateada. Novamente descontei no sorvete e em algumas outras coisas doces que eu havia comprado.
Fiquei nais alguns dias sem sair de casa, recebendo a visita da Pamela de vez em quando. Ela tentava me animar e inclusive disse que iria pra academia comigo, para me incentivar.
No quarto mês, eu já tinha eliminado todas as gordices da minha casa, entregando pra Pamela, que adorou as guloseimas.
Nós íamos quase todos os dias na academia, e aos poucos eu estava perdendo o que ganhei, mas bem aos poucos mesmo.
É muito mais fácil ganhar peso do que perder, principalmente porque toda a gordura que eu como vai direto pro abdômen e bunda.
- Ju, a gente tem que ir nessa resenha. Vai ter um monte de homem bonito lá, e eu te garanto que você vai esquecer o escroto do seu ex.
Ela não parava de falar sobre me arrastar pra um desses rolês, mas eu não queria saber de homem tão cedo na minha vida.
Eu tinha minha rotina de exercícios de volta, tinha meus brinquedinhos adultos, e não precisava de homem.
Consegui enrolar ela durante um mês, mas no quinto mês, eu acabei saindo com ela.
Fomos num lugar conhecido por rua da lama, onde haviam alguns barzinhos e boates no estilo lounge.
Conheci alguns amigos dela, mas nenhum deles chamou a minha atenção, apesar que eu devo ter feito sucesso, pois toda hora algum rapaz me oferecia algum drink.
Pamela estava numa outra mesa fumando um narguilé e me chamou pra experimentar, mas recusei.
Fiquei mais um tempo por lá e ela acabou ficando com um carinha lá, todo bombado e bem bonito.
Me disse que iam pro motel, então eu decidi ir pra casa.
Aquele clima de pegação me deixou excitada, é óbvio, e eu estava doida pra chegar em casa e usar um dos meus brinquedinhos.
Pedi um Uber e quando estava saindo, um homem segurou o meu braço, perguntando porque eu já estava indo, que ainda não tinha conversado comigo e que ele queria muito me conhecer. Dispensei ele, dizendo que o Uber já havia chegado.
Quando cheguei em casa, estava louca pra tomar um banho bem quente e deitar na minha cama com o meu brinquedo, mas observei no chão da sala uma carta.
Peguei a carta e vi que estava no meu nome, mas sem remetente.
Pensei que fosse alguma propaganda ou alguma coisa de banco, mas não era.
Quando abri a carta, não pude acreditar.
Meus olhos se encheram de lágrimas, e a minha vontade era de gritar filha da puta, mas já era tarde, então a única coisa que fiz foi chorar mesmo.
Continua...
