Eu estava ali parada, me olhando naquele espelho de corpo inteiro preso na parede da cabine. Um cubículo apertado, mas com os luxos que o dinheiro compra. Essa viagem de cruzeiro foi um presente que dei para mim mesma, pago tintim por tintim com o dinheiro da pensão do infeliz do Manuel. Justo. Ele passou a vida tentando me trancar em casa, e agora o nome dele servia para me bancar no meio do Atlântico.
Ajustei as alças do maiô verde-oliva. A cor assentava bem na minha pele clara, que o sol do convés já tinha deixado levemente bronzeada. Dei uma virada de lado, ajeitando o tecido nos quadris largos e na cintura que continuava bem marcada. Olhei para o meu reflexo com o brio de quem sabe o que tem. Sessenta anos. Mas a carne ali era dura, o corpo mantinha aquela silhueta de ampulheta que sempre virou cabeça de homem por onde passei. Olhei meus seios, o colo firme. Não era de graça; eu passei os últimos anos me cuidando, batendo ponto no pilates e gastando a sola do sapato na dança de salão. Enquanto as velhas da minha idade passavam a tarde chorando as mazelas em banco de igreja, eu estava endurecendo a carcaça. Eu estava linda naquele maiô.
Afinal, eu sempre precisei manter essa carcaça nos trinques. Quando o infeliz do Manuel bateu as botas e o desespero bateu na porta, a única saída que encontrei para sobreviver e sustentar a minha família dependia exclusivamente disso. O mercado que escolhi para botar comida na mesa exigia que a minha mercadoria estivesse sempre de primeira, impecável, sem margem para desleixo. Era um segredo que eu guardava a sete chaves da boca do povo e da inocência da minha família, mas a verdade bruta era essa: meu corpo tinha sido o meu ganha-pão.
Mas não era só por obrigação ou dinheiro; era por pura vaidade também. Eu gostava do estrago que fazia. Aprendi cedo que as minhas curvas eram uma arma poderosa, uma chave capaz de abrir qualquer porta e de dobrar o orgulho do homem mais durão. Olhar para o espelho e ver esse corpão era ter a certeza de que, na hora que eu bem entendesse, eu usaria essa carne para conseguir o que quisesse. O prazer de mandar vinha todo daí.
Passei a mão pelo meu cabelo castanho escuro, curto e liso, bem simétrico do jeito que eu gosto. Mas quando meus dedos tocaram a lateral da minha cabeça, o peito deu um nó seco. O maldito glioblastoma. Um tumor no cérebro, com nome de bicho peçonhento, crescendo ali dentro sem eu pedir. O médico me deu pouco tempo. Pouquíssimo. Quando o diagnóstico saiu, eu não chorei. Senti ódio. Ódio por perder o controle da única coisa que sempre foi minha: o meu corpo. Mas o susto passou logo e virou pressa. Se a vela ia apagar, que queimasse fazendo fumaça. Decidi ali mesmo que ia aproveitar o resto de vida que me sobrava do meu jeito, sem prestar contas para ninguém. E, principalmente, que ia terminar de encaminhar o meu negócio.
Meus olhos castanhos, avaliadores, subiram pelo reflexo do espelho e deixaram de olhar para mim. Focaram no fundo da cabine.
O Miguel, meu neto, estava lá, sentado na poltrona, me olhando com uma cara embasbacada, com os olhos arregalados de quem parecia ter visto uma assombração ou coisa pior. Sustentei o olhar dele pelo espelho, arqueei a sobrancelha com aquele meu jeito superior e soltei a voz grave, rouca, sem o menor pudor:
— E aí, guri? Ficou bonita a tua avó?
— S-sim, vó... Ficou muito bonita — ele gaguejou, o som saindo espremido da garganta, com a voz toda entrecortada.O menino parecia que ia engolir a própria língua de tanto nervosismo.
Olhei bem para a cara dele pelo espelho e senti uma pontada de desdém. Esse guri não puxou nem de longe a minha força, a minha vivacidade. Um rapaz de vinte anos nas costas, com o corpo já formado, mas com uma atitude de bicho do mato acuado. Um frouxo. Fiquei pensando como a natureza é caprichosa: na idade dele, eu já tinha duas filhas paridas e criadas na marra — a mãe dele e a tia —, enfrentando a vida no dente, enquanto ele tremia só de ver uma mulher de maiô no mesmo quarto. Vinte anos e o moleque ainda era virgem. Um desperdício de carne, criado à base de pudor e historinha de igreja pela mãe. Ao contrário de mim, que com vinte anos já sabia exatamente o peso e o preço do desejo de um homem.
Virei o corpo devagar, fincando os pés no chão da cabine, e encarei o Miguel de frente, cruzando os braços abaixo dos seios para deixar a postura ainda mais imponente.
Lembrei do trabalho que deu para enfiar esse garoto dentro desse navio. Ele choramingou, inventou desculpa, disse que tinha os estudos, que não queria me acompanhar nessa viagem de jeito nenhum. Mas eu não sou mulher de ouvir "não". Insisti, ameacei, ordenei até ele arrumar as malas. O bobo achava que era só um passeio de caridade para agradar a avó velha. Mal sabia ele que quase tudo nessa viagem girava em torno da virgindade dele.
Eu sentia a pontada sorda na minha cabeça, o lembrete de que o relógio estava correndo. Eu não podia ir embora desse mundo, fechar os olhos de vez por causa daquele tumor, sem antes encaminhar o meu neto. Marta e Márcia já sabiam como o mundo funcionava, mas o Miguel era a semente que faltava vingar. Eu precisava fazer o serviço completo.
— Tira essa camiseta aí, Miguel. Anda, tira que eu vou passar protetor nessas tuas costas antes da gente subir pro convés — ordenei, esticando o braço para pegar o frasco branco em cima da cômoda.
Ele hesitou um segundo, mas a minha voz não dava margem para conversa. Segurou a barra do algodão e puxou para cima. Fiquei parada, olhando. Meus olhos castanhos correram pelo desenho do corpo dele sem nenhum pudor. Que belo pedaço de carne. Não era um desses brutamontes entupidos de músculo de academia, mas o guri era magro, comprido, com o peito limpo e uma estrutura atlética de quem tem saúde e vigor correndo nas veias. Uma moldura perfeita.
Olhando para ele ali, bati o olho naquelas costas claras e no abdômen desenhado e senti o meu sangue esquentar um pouco. Eu sempre adorei corpo jovem. Nunca tive paciência para homem da minha idade, aquela carne murcha, cheia de cansaço e sem brio. Para o fogo que eu sempre tive no corpo, homem velho nunca deu conta. Depois que o Manuel morreu, eu só queria saber dos rapazes mais novos que eu arrastava no forró de sábado à noite. Menino com energia, que aguenta o tranco e faz o serviço direito.
Fiquei pensando que, com aquela estampa toda, o Miguel tinha a faca e o queijo na mão. Assim que eu desse um jeito de desbloquear essa timidez besta e arrancasse esse cabresto que a mãe dele amarrou na cabeça dele, o moleque ia virar um verdadeiro macho alfa. Nenhuma mulher ia conseguir segurar o bicho. Mas primeiro, o bicho precisava ser domado por quem entende da ciência.
Abri a tampa do frasco, deixando o cheiro doce do creme se misturar com o meu patchouli. Caminhei a passos lentos, firmes, balançando os quadris até a beirada da cama de casal.
Dei dois tapinhas secos no colchão macio, bem perto da minha coxa, e olhei para ele de baixo para cima, com o meu olhar mais pesado.
— Senta aqui do meu lado, guri. Perto de mim. Anda.
Derramei uma poça generosa do creme branco na palma da minha mão, esfreguei uma na outra e espalmei com vontade direto nas costas dele. O Miguel deu um sobressalto na cama, o corpo inteiro dele esticou e ficou duro igual a um mourão de cerca.
— Relaxa as costas, guri. Desmancha essa pose de bicho acuado que eu não mordo. É só protetor — falei rindo curto, deixando a minha voz bem mansa para amaciar o bicho.
Comecei a deslizar as palmas das mãos, subindo pelos ombros largos. Que estrutura boa. O moleque tinha uma clavícula bem marcada e traços fortes na musculatura de cima, nada daquela fraqueza de menino que só fica trancado no computador. Desci os meus dedos pelas laterais das costelas dele, sentindo a pele limpa, sem uma mancha, com aquele calor gostoso de quem tem vinte anos e a saúde tinindo no sangue. Conforme eu ia espalhando o creme, minhas mãos iam descendo mais, contornando a curva da cintura magra dele até encostar os meus polegares no início do quadril, bem onde o calção de tactel começava. Pensei comigo mesma: a genética da minha família não falha. O moleque tinha pernas compridas e uma estrutura de homem que puxou o melhor da nossa linhagem.
Subi as mãos de volta, deixando o produto deslizar pelo meio das costas, bem na calha da espinha dorsal. Subi até a nuca, afundando os meus dedos no cabelo dele e apertando a base do pescoço com uma firmeza que ele não esperava. Senti os tendões dele cederem devagar sob a minha pressão.
— Olha, vou te contar... Que homem forte você se tornou, Miguel — comentei, deixando o elogio sair de um jeito que parecia o orgulho puro de uma avó. — Que pele firme, guri. Você cresceu tanto que a gente nem percebe o tempo passar. Puxou a carcaça pesada da minha família, graças a Deus. Não tem nada do sangue murcho do teu avô Manuel. Qualquer moça com os olhos no lugar vai ficar boba quando te vir andando por esse convés com um porte desses.
— O-obrigado, vó... A senhora... a senhora exagera — ele soltou, com a voz toda espremida, o gogó subindo e descendo enquanto ele tentava engolir o seco. As orelhas dele estavam tão vermelhas que pareciam que iam sangrar.
— Exagero nada, guri. Avó repara nessas coisas — retruquei, deslizando as mãos para a frente, passando os palmos abertos por cima dos ombros dele até cobrir o peito do guri, espalhando o resto do creme.
Fiquei alisando aquela região, sentindo os mamilos dele se arrepiando no mesmo instante em que as minhas mãos calejadas da vida encostaram ali. Desci os palmos pelo abdômen, sentindo os gomos da barriga se contraírem, durinhos, tentando segurar a respiração para não se mexer. O garoto estava uma pedra de tão tenso.
— Olha para esse peito largo, menino. Parece que foi ontem que eu te carregava no colo, um cotoco de gente, e agora tá aqui, esse homenzarrão feito. Tem muito rapaz que gasta uma nota em academia e não tem metade dessa estampa natural que Deus te deu — continuei, apertando de leve a lateral do peito dele, sentindo o coração do moleque batendo feito um passarinho assustado dentro do peito. — Desse jeito vai acabar arrumando uma namorada nessa viagem. Já tem alguma menina de olho em você lá na tua faculdade?
— N-não, vó... Não tenho tempo para essas coisas, eu só... só estudo — ele gaguejou, desviando o rosto para o lado oposto do espelho, tentando de todo jeito escapar do meu olhar de cima.
— Estudo é bom, mas o mundo também quer ver você de peito aberto, Miguel — soltei um riso rouco, encostando o meu corpo coberto pelo maiô verde-oliva bem perto das costas nuas dele, deixando ele sentir o calor da minha presença. — Você foca muito nos livros, mas a vida de verdade acontece aqui fora. E a tua avó tá aqui pra te ensinar a andar de cabeça erguida.
Olhei para a parede da cabine. Pelo reflexo do espelho da cômoda, eu conseguia ver direitinho a cara do infeliz. O Miguel estava com as bochechas vermelhas de puro constrangimento, os olhos fixos no chão, sem saber onde enfiar a cara enquanto a minha mão passeava pelo peito dele, contornando os mamilos e descendo pela barriga tanquinho.
Qualquer outra velha na minha situação, no meu lugar, deveria estar sentindo culpa, remorso ou uma vergonha tremenda de estar tocando o próprio neto desse jeito. Mas eu não nasci com esse chip da moralidade. O que eu senti ali, vendo o aperto dele e sentindo o calor daquela carne jovem debaixo dos meus dedos, foi pura excitação. Meu sangue ferveu na hora. O meu desejo ali não era de dar carinho de avó; por mim, eu empurrava esse moleque de costas nesse colchão, arrancava aquele calção e montava nele ali mesmo, ditando o ritmo até sugar toda a energia dele.
Só que eu tenho cabeça fria, sou estrategista. Se eu fizesse isso de chofre, o guri ia estranhar, ia se assustar e se trancar no banheiro. Ele ainda não está acostumado com a depravação, foi criado com muita rédea curta pela mãe. Eu precisava ir devagar, amasiar a carne primeiro, quebrar a resistência dele aos poucos até ele achar que tudo isso é a coisa mais natural do mundo.
Sorri de lado, sentindo o cheiro do protetor sumir no meio do meu patchouli. O bom é que o navio mal tinha saído do porto. A viagem tinha bastante dias ainda, e tempo era tudo o que eu precisava para deixar esse projeto do meu jeito.
Dei um tapinha final nas costas dele, selando o creme na pele, e me levantei da cama. Guardei o frasco na gaveta com um estalo seco e limpei o excesso nas minhas coxas, ajeitando o maiô verde-oliva mais uma vez.
— Pronto, guri. Tá despachado. Agora pega as tuas coisas que o sol não vai ficar esperando a tua moleza — ordenei, ríspida, voltando a usar a minha voz de comando.
O Miguel levantou num pulo, como se o colchão estivesse pegando fogo. Pegou a camiseta do chão, enfiou a cabeça no pano de qualquer jeito e correu para a porta da cabine, desesperado para sair daquele cubículo. Ele abriu a tranca e saiu na frente, pisando firme no carpete do corredor do navio, com as orelhas vermelhas e os ombros encolhidos de puro constrangimento.
Tranquei a porta atrás de mim e segui logo atrás, caminhando devagar, com a minha postura imponente de sempre. Meus olhos castanhos grudaram na rabiola do moleque, vendo o jeito que ele andava travado, fingindo olhar os quadros nas paredes do corredor só para não ter que encarar a própria avó.
Olhando para ele ali, as engrenagens da minha cabeça não paravam de rodar. O tumor podia estar me comendo por dentro, mas enquanto eu estivesse de pé, o destino daquela família era eu quem ditava. Eu ia tirar a virgindade daquele moleque dentro daquele navio. Ia arrancar o cabresto dele na marra, abrir os olhos dele para a safadeza do mundo e garantir que ele virasse o dono do império que eu montei com o meu suor e o meu corpo. Ele ia aprender a gostar do escuro, por bem ou por mal.
Apertei o passo, chegando bem perto das costas dele, sentindo o balanço do navio guiar o meu corpo. Dei um sorriso cínico de lado e sussurrei bem baixo, num tom rouco que só o vento do corredor conseguiu escutar:
— Faço meu neto virar homem nem que seja na marra!
♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡
🔥 Gostou do que leu? Acesse agora o meu Privacy e tenha acesso imediato a mais histórias ardentes de Miguel com as mulheres da sua família.
privacy.com.br/profile/allan_grey_escritor