Luzes Apagadas

Da série O Galpão
Um conto erótico de Mateus
Categoria: Gay
Contém 2868 palavras
Data: 11/06/2026 22:44:48

Anos depois, quando tentei entender em que momento comecei a me apaixonar por Leandro, percebi que a resposta não estava nos beijos, nem nos olhares, nem nas madrugadas escondidas. Estava nas coisas pequenas. E as coisas pequenas são sempre as mais perigosas, porque ninguém percebe quando elas começam.

Tudo aconteceu devagar, tão devagar que parecia não estar acontecendo. Leandro começou a aparecer no escritório sem motivo, ou pelo menos sem motivos convincentes.

— Esqueci minha garrafa.

A garrafa estava no bolso dele.

— Vim procurar uma chave.

A chave estava pendurada na cintura.

— Sandra tá aí?

Sandra estava em outra cidade desde a manhã. Quando eu apontava as incoerências, ele simplesmente dava de ombros.

— Então talvez eu tenha vindo te irritar.

E seguia seu caminho, como se aquilo explicasse tudo. O problema era que eu gostava, gostava mais do que deveria, muito mais. Porque existia uma diferença brutal entre desejar alguém e ser procurado por alguém. Desejo é química, proximidade é escolha.

Numa quarta-feira de calor infernal, ele entrou no escritório carregando duas latas de refrigerante. Jogou uma sobre minha mesa.

— O que é isso?

— Um gesto de bondade.

— Você tá doente?

— Toma logo.

Abri a lata.

— Obrigado.

Leandro puxou uma cadeira, se sentou de frente para mim. Ficou em silêncio, me observando trabalhar. Cinco minutos, dez, quinze. Até que finalmente perguntei:

— Você tá esperando alguma coisa acontecer?

— Não.

— Então por que tá aqui?

Ele pensou por um instante.

— Não sei.

A sinceridade foi tão desarmante que eu quase ri. Porque ele realmente não sabia e talvez fosse exatamente esse o problema. As perguntas começaram pouco depois, primeiro discretas, quase inocentes.

— Essa faculdade que você quer fazer fica onde?

— Na capital.

— Longe, né?

— Oito horas de ônibus.

— Hm.

Depois vieram outras.

— Você vai morar sozinho?

— Talvez.

— Tem alojamento?

— Não.

— E dinheiro?

— Vou dar um jeito.

— Você sempre acha que vai dar um jeito.

— E você sempre acha que tudo vai dar errado.

— Estatisticamente eu ganho mais.

Eu ria, mas por dentro algo diferente começava a acontecer. Porque aquelas perguntas não eram curiosidade, eram interesse, interesse genuíno. Talvez o primeiro que ele demonstrava por alguma coisa que existia dentro de mim. Não pelo meu corpo, não pela minha companhia, por mim.

Numa sexta-feira à noite, depois do expediente, acabamos sentados na carroceria de um caminhão parado. O galpão já estava vazio. A cidade mergulhava lentamente naquela melancolia típica das noites do interior. Poucos carros, pouca pressa, poucos sonhos. Leandro mexia no celular.

— Escuta essa.

— Tenho medo.

— Com razão.

Ele colocou uma música para tocar. Rock. Uma banda que eu adorava, fiquei surpreso.

— Você conhece isso?

— Você fala dessa banda há semanas.

— E você ouviu?

— Talvez.

— Meu Deus.

— Não se emociona.

Mas já era tarde, porque aquilo era íntimo, mais íntimo do que ele imaginava. Alguém prestar atenção nas coisas de que você gosta é uma forma silenciosa de carinho. A partir dali as conversas começaram a mudar, sem aviso, sem cerimônia. Leandro começou a falar. Coisas reais, não piadas, não provocações. Coisas dele.

Foi numa tarde particularmente quente, o ventilador do escritório fazia mais barulho do que vento. Estávamos sozinhos, outra vez. Sempre sozinhos.

— Meu pai queria que eu fosse policial.

Levantei os olhos da mesa.

— Sério?

— Uhum.

— E por que você não tenta?

Leandro ficou olhando pela janela.

— Não sei.

Aquilo me chamou atenção. Porque ele sabia, claramente sabia. Mas não queria responder. Depois vieram outras histórias. Sobre a mãe, sobre dinheiro, sobre as dificuldades em casa. Sobre o medo constante de não conseguir construir uma vida melhor, sobre a sensação de estar sempre correndo atrás de alguma coisa. Sempre atrasado, sempre insuficiente.

Eu ouvia e, aos poucos, a imagem que tinha dele começava a se desfazer. O rapaz confiante, o conquistador, o cara que não pensava. Tudo mentira ou, pelo menos, uma versão incompleta. Leandro era inseguro, profundamente inseguro. Talvez mais do que eu. A diferença é que eu transformava insegurança em pensamento, ele transformava em movimento.

E foi exatamente aí que começou meu problema, porque eu percebi antes dele, muito antes. Percebi quando ele me procurava primeiro, quando queria saber da minha prova. Quando lembrava de detalhes bobos das nossas conversas, quando aparecia só para ficar sentado perto. Quando seu rosto relaxava ao me encontrar, quando seu sorriso mudava. Quando sua voz mudava, quando sua presença deixava de ser apenas desejo.

Numa noite, em casa, essa percepção finalmente me atingiu inteira, como um acidente. Eu estava deitado, luzes apagadas, ventilador girando no teto. E pensei: merda! Leandro está se envolvendo. A conclusão deveria ter me deixado feliz, mas fez exatamente o contrário.

Porque eu conhecia o final daquela história antes mesmo dela acontecer. Eu iria embora, ele ficaria. Eu queria o mundo, ele queria sobreviver dentro dele. Eu vivia no futuro, ele vivia no presente. E nenhuma química era forte o suficiente para apagar isso.

No dia seguinte, ele apareceu no escritório carregando dois cafés. Sorriu ao me ver, aquele sorriso fácil, quente, involuntário. E, pela primeira vez desde que nos conhecemos, senti medo, medo verdadeiro. Porque desejo era administrável. Tesão passa, fascínio passa, mas afeto... Afeto cria raízes. E raízes doem quando chega a hora de arrancá-las.

— Tá tudo bem? — perguntou.

— Tá.

— Mentira.

— Por quê?

Leandro me encarou por alguns segundos, longos, atentos. Depois sorriu de canto.

— Porque eu já aprendi a te ler.

Meu coração falhou uma batida, só uma, mas foi suficiente. Porque naquele instante eu entendi algo que talvez nenhum dos dois ainda tivesse coragem de admitir: o maior perigo nunca foi sermos descobertos. O maior perigo era que, pela primeira vez, estávamos começando a pertencer um ao outro. E nenhum de nós fazia ideia do que fazer com isso.

__________

Minha casa parecia diferente quando estava vazia, sempre parecia. Talvez porque as casas sejam feitas de pessoas mais do que de paredes. Naquela tarde de sábado, meus pais tinham viajado para visitar parentes em outra cidade e só voltariam no dia seguinte.

Eu estava sozinho, ao menos oficialmente. Porque, uma hora depois, Leandro apareceu no portão. Usando uma camiseta do Cruzeiro desbotada, bermuda jeans e aquele sorriso preguiçoso que parecia ter sido inventado especificamente para me causar problemas.

— Seus pais deixaram você sozinho ou abandonaram você?

— Ainda estão avaliando as opções.

— Justo.

Entrei rindo, ele entrou atrás. Como se já conhecesse o caminho, como se já pertencesse um pouco àquele lugar. E talvez fosse exatamente isso que começava a me assustar.

A tarde passou devagar, quente, preguiçosa. Nós jogamos videogame, discutimos futebol, pedimos uma pizza. Leandro implicou com meus livros e discos, eu impliquei com a incapacidade dele de formular uma frase sem incluir alguma piada idiota. Tudo normal. Ou tão normal quanto nós conseguíamos ser.

Quando anoiteceu, fomos para a sala, a iluminação vinha apenas da televisão. A casa inteira parecia mergulhada numa tranquilidade rara. Sem vozes, sem passos, sem interrupções. Lá fora, o bairro estava silencioso. O som distante de uma motocicleta atravessava a rua de vez em quando, nada mais. Foi quando Leandro sugeriu, de maneira bem natural, assistirmos um DVD que ele trouxe, um filme pornô.

— Olha isso.

— Tenho medo quando você fala assim.

— Vem cá.

Me sentei ao lado dele no sofá. O silêncio na casa era absoluto, rompido apenas pelos gemidos graves e artificiais que provinham da televisão. Me ajustei no sofá. Lancei um olhar rápido para o corredor que levava aos quartos, confirmando mentalmente o que eu já sabia: a casa estava, por todas as intenções e propósitos, vazia e isolada.

Na tela, imagens sugestivas, aquelas produções exageradas que pareciam mais interessadas em fantasia do que em realidade. Leandro soltou uma gargalhada.

— Ninguém faz isso na vida real.

— Ainda bem.

— Imagina.

— Não quero imaginar.

— Mentira.

— Você é insuportável.

— Você gosta.

— Infelizmente.

Durante alguns minutos, assistimos mais pela curiosidade do que por qualquer outra coisa. Comentando, debochando, rindo. Mas algo começou a mudar, não na televisão, mas entre nós. O silêncio foi ficando mais frequente, os comentários diminuíram. A proximidade que normalmente passava despercebida começou a ganhar peso, consciência. Ele estava perto, muito perto. E nós dois sabíamos.

Ao meu lado, Leandro mantinha os olhos fixos no televisor, onde um casal hétero, corpos lisos e musculosos brilhando sob luzes de estúdio, estavam imersos numa cena de sexo oral explícito. O ar no ambiente parecia ter ficado mais denso, mais pesado, carregado de uma eletricidade estática que fazia os pelos do meu braço eriçarem. A curiosidade era um animal faminto no estômago de ambos, alimentada pela audácia da situação e pela liberdade inesperada do fim de tarde.

— Posso te perguntar uma coisa?

A voz de Leandro saiu mais baixa, menos brincalhona.

— Depende.

— Você já teve medo de não gostar de ninguém do jeito certo?

Demorei alguns segundos para responder, e outros segundos para entender. Porque não era uma pergunta que eu esperava, muito menos dele.

— O que seria gostar do jeito certo?

Ele ficou olhando para a televisão, mas claramente não estava prestando atenção nela.

— Igual as outras pessoas.

Aquilo ficou suspenso entre nós. Pesado, delicado, humano. Talvez aquele fosse o verdadeiro centro de tudo. Não o desejo, não o segredo. Mas a sensação de inadequação que cada um carregava à sua maneira. Eu passava a vida tentando entender quem era, Leandro passava a vida tentando parecer alguém que os outros esperavam. E essas duas batalhas às vezes se encontravam.

— Acho que ninguém sabe exatamente como gostar — respondi.

Ele sorriu de canto.

— Resposta de quem lê livro demais.

— E você?

— Eu não sei.

A sinceridade veio tão simples que quase doeu.

— Não sei muita coisa, na verdade.

— Isso é mentira.

— Não é.

— Você sabe várias coisas.

— Tipo?

Pensei por um instante.

— Você sabe quando alguém está triste.

— Sei?

— Sabe.

— Como?

— Porque sempre aparece.

Leandro ficou quieto, completamente quieto. O tipo de silêncio que vale mais do que uma conversa inteira. Desviei o olhar da tela para a mão de Leandro, que repousava indecisa sobre o próprio joelho.

Com um movimento que exigiu mais coragem do que eu gostaria de admitir, estendi a mão e cobri a de Leandro. A pele estava quente, seca. Leandro virou o rosto, o encontro dos nossos olhos no escuro da sala sendo iluminado apenas pelo reflexo azulado do vídeo. Não houve palavras. Apenas o assentimento sutil, a respiração de Leandro se prendendo por um segundo antes de se soltar em um suspiro.

A televisão continuava ligada, mas já não importava. O filme, a sala, a noite. Tudo parecia ter ficado em segundo plano. Porque, pela primeira vez, Leandro estava me mostrando algo que raramente oferecia a alguém. Vulnerabilidade. Não a vulnerabilidade espetacular dos grandes dramas, mas aquela pequena, cotidiana. Que surge quando alguém admite não ter todas as respostas.

— Você pensa demais — ele disse depois de um tempo.

— Você pensa de menos.

— Provavelmente.

— Provavelmente.

Ele riu, eu também. E aquela risada compartilhada dissolveu a tensão por alguns segundos, só por alguns segundos. Porque ela voltou logo depois, mais forte, mais silenciosa. Mais difícil de ignorar.

Leandro retribuiu o meu toque, seus dedos deslizando do meu pulso para o meu antebraço, subindo lentamente, traçando o trajeto das veias que pulsavam sob a minha pele. Minha mão, por sua vez, se aventurou pela coxa grossa de Leandro, apertando o músculo firme ali encontrado. Ele usava um short curto, uma barreira desnecessária que gritava para ser removida.

No vídeo, a cena mudara para uma penetração mais intensa. O som de pele contra pele, amplificado pelos alto-falantes da TV, parecia reverberar no meu próprio peito. Inspirado pela audácia das imagens, puxei o short de Leandro para baixo. Leandro levantou os quadris, facilitando o acesso, e a roupa foi empurrada para baixo, expondo a ereção que já tentava romper o tecido da cueca.

Me inclinei, o cheiro de sabonete e um tom mais viril atingindo minhas narinas. Com a mão livre, libertei o membro de Leandro. Era pesado e quente ao toque, pulsando em um ritmo cardíaco. Sem cerimônia, baixei a cabeça e levei a glande à boca. O gosto salgado e a textura de carne fizeram com que meus olhos se fechassem. Imitei os movimentos que via na tela, minha língua girando ao redor da cabeça do pau antes de descer o quanto podia, sentindo o órgão preencher a minha cavidade oral.

Leandro soltou um gemido, a mão indo para a minha nuca, seus dedos se entrelaçando nos meus cabelos castanhos, não para forçar, mas para se ancorar. A estimulação era intensa, mas a curiosidade de Leandro exigia mais. Ele me puxou para cima, trocando de posição. Com movimentos rápidos e desajeitados, ambos nos despimos por completo, nossas roupas formando uma pilha caótica no chão frio.

Agora, nus no tapete da sala, a exploração se tornou mútua. Leandro pegou o meu cacete, que estava igualmente duro, e começou a me masturbar com um ritmo firme, apertando a base e deslizando a pele para cima a cada movimento. Eu, por minha vez, espalhei as pernas, convidando o toque.

Depois, busquei um hidratante. O creme frio, ao entrar em contato com a minha pele quente, causou um choque térmico que rapidamente se transformou em prazer. Leandro me preparou com dedos cuidadosos, lubrificando e relaxando o meu anelzinho, que se contraía involuntariamente a cada toque. Eu respirava fundo, o peito arfando, tentando relaxar os músculos enquanto observava Leandro se posicionar entre as minhas pernas. A antecipação era uma tortura doce.

Leandro alinhou seu corpo sobre o meu, apoiando o peso nos antebraços, rosto a rosto. Era a posição clássica, missionária, que permitia o contato visual total. Lentamente, Leandro empurrou os quadris para frente. A cabeça da pica pressionou a minha entrada, encontrando resistência antes de ceder. Prendi o ar, minhas unhas cravando nos ombros largos de Leandro, uma dor aguda e prazerosa se espalhando pela minha coluna.

Leandro avançou devagar, me dando tempo de me adaptar ao preenchimento. Quando estava totalmente dentro, parou, permitindo que ambos sentíssemos a pulsação um do outro. O calor era avassalador. Leandro começou a se mover, se retirando quase totalmente e voltando a me penetrar com um movimento fluido e profundo. O ritmo aumentou gradualmente, o som de nossos corpos se batendo e se juntando aos gemidos que agora escapavam livremente de nossas gargantas.

A posição mudou com uma necessidade visceral de mais profundidade. Me virei, me apoiando sobre os joelhos e mãos, curvando as minhas costas. Leandro me montou, atrás de mim, segurando a minha cintura com firmeza.

Nesta posição, a penetração atingiu novos ângulos. Leandro controlava o ritmo agora, mais agressivo, mais urgente. Cada golpe fazia o meu corpo balançar para frente, meus joelhos afundando no tapete. A sensação de ser possuído daquela forma, de ser o receptáculo do prazer de Leandro, fazia a minha cabeça girar.

Sem se desconectar, Leandro me puxou de volta, rolando no tapete até ficar deitado de costas. Eu, agora por cima, estranhei a mudança de gravidade por um segundo antes de entender. Coloquei os pés no chão, de cada lado das coxas de Leandro, e me sentei sobre o cacete ereto.

Na cavalgada, era eu quem ditava o ritmo. Usei as coxas para subir e descer, controlando a profundidade e a velocidade. Leandro colocou as mãos nos meus quadris, me guiando, observando o meu rosto se contorcer de prazer. A visão de mim, me empalando com o seu cacete, cavalgando sobre ele, os músculos contraídos enquanto eu me movia freneticamente, era quase demais para Leandro suportar.

O cansaço começou a pesar nas minhas pernas, e nós rolamos mais uma vez, agora caindo de lado. Leandro me abraçou por trás, colando o peito nas minhas costas, entrando novamente na posição de conchinha. Esta era a mais íntima das posições (minha posição favorita). O movimento era mais limitado, mais lento, mas a conexão física era total. Leandro beijava a minha nuca, meu pescoço, mordiscando levemente minha orelha enquanto continuava a me penetrar com movimentos curtos e profundos.

O suor escorria pelos nossos corpos, nos colando como uma segunda pele. O cheiro de sexo era inconfundível no ar da sala. O ritmo da conchinha aumentou, Leandro procurando o seu clímax, a mão apertando o meu pau em sincronia com as metidas finais.

A respiração de ambos se tornou ofegante, ruidosa, preenchendo o silêncio da casa vazia. O prazer acumulado ao longo da tarde, desde os primeiros toques tímidos até a penetração desenfreada, atingiu o pico. Senti meu corpo estremecer, a contração muscular inevitável, e logo depois senti o calor do êxtase de Leandro explodindo dentro de mim, selando a tarde de experimentação em um abraço quente e exausto.

A noite avançou, as horas passaram. E em algum momento eu percebi uma coisa que mudava tudo, não importava mais o que estava passando na televisão. Nem o fato de estarmos sozinhos, nem a proximidade física. O que realmente me deixava sem defesa era outra coisa. Era descobrir que Leandro começava a confiar em mim. E confiança, ao contrário do desejo, sempre deixa marcas muito mais profundas.

Quando as luzes da sala finalmente se apagaram e ficamos apenas ouvindo o som distante da cidade adormecendo, tive a sensação estranha de que estávamos atravessando uma fronteira invisível. Não entre amizade e atração, essa já tinha ficado para trás há muito tempo, mas entre desejo e afeto. E aquela travessia era infinitamente mais perigosa.

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