[Esse é um conto grande, esteja avisado!!]
- “Olha, Vitor, não quero que você me chame de maluco, tá? Sei que ainda tamos indo pro quinto mês de namoro, mas... E se a gente começasse a pensar na nossa própria casa? Seria muita doideira?” – as palavras do Heitor ecoaram na minha mente como se fosse ontem.
Vendo agora, me faço a seguinte pergunta: onde eu tava com a cabeça quando topei morar com ele em tão pouco tempo de relacionamento? Mas a verdade é que eu sei bem a resposta pra essa pergunta.
Na época ainda éramos namorados, eu tinha 25 anos, trabalhava no balcão do McDonald’s da Uruguaiana e tava pra terminar o curso de Enfermagem, enquanto Heitor tinha 24, cursava Direito e fazia estágio no setor jurídico de um banco no Caju. O que eu e ele ganhávamos não dava pra alugar uma boa casa sem abrir mão do luxo, então levamos uns meses na casa dos pais dele lá em Realengo, e toda semana eu dava o cu pro gostoso do Geraldão, meu sogro.
Tipo, eu sou piranho assumido e porra louca, mas sogrão é pior que eu e várias vezes extrapolou na falta de noção. Já aconteceu de ele me enrabar com a família estando em casa, já tomei muita leitada dele na rua e a gente já quase foi pego mais de uma vez, por isso que fui morar com o Heitor na nossa própria casa assim que deu, pra escapar do instinto predador canibal do tarado do Geraldo.
- Se toca, garoto. Tu é puta e eu sou fudedor, nosso encaixe é melhor que o de vocês. – ele me afrontou uma vez.
- E daí, porra?! Teu filho é meu namorado, é o homem que eu quero pra mim.
- Então por que tu continua me dando o cu? – Geraldão passou a cabeça da pica na porta do meu cuzinho e enterrou centímetro por centímetro até o talo, ainda latejou pra me alargar.
- SSSS! Eu dou porque a carne a fraca, mas isso vai mudar! Eu tô cansado de você! Chega!
- Pode tentar, mas tu não vai se livrar de mim tão fácil. Hehehe... – o coroa mordeu minha orelha, deu um soco na minha costela e voltou a fuder com vontade, aquela foda nota dez que o filho dele infelizmente nunca me deu.
Meter com meu sogro era bom, mas chegou uma época que eu tava tendo até pesadelos com a cena do mozão pegando a gente no flagra e me metendo a porrada. Não tem nada mais motivador do que o medo, concorda? Ainda mais quando envolve flagrante, traição e drama familiar.
Pra evitar que o pior pudesse acontecer, aceitei a proposta do Heitor e nós começamos a planejar a ideia de morar sozinhos, mesmo sabendo que levaria tempo. Nesses dez meses de namoro, eu concluí o curso de Enfermagem, saí do McDonald’s e comecei a trabalhar numa clínica em Bonsucesso, enquanto mozão se formou em Direito, foi efetivado no estágio e entrou pra equipe jurídica do banco, aí sim finalmente fomos pro nosso apartamento em São Cristóvão.
A felicidade de ter nosso apê foi tão imensa que nem fizemos questão de viajar no carnaval, nós ficamos em casa curtindo desfile, fazendo churrasco e indo pra um bloquinho ou outro com os amigos. Ele fantasiado de Ciclope, como no ano passado, e eu fantasiado de... Jean Grey, claro. E o detalhe interessante é que a passagem do tempo não trouxe apenas o apartamento novo ou realizações profissionais, trouxe também rotinas, hábitos e vidas totalmente diferentes pra nós.
Em dois meses morando no apartamento novo, Heitor me pediu em noivado e eu aceitei. Diria que foi o auge da nossa paixão e da convivência: estávamos engalfinhados, fazíamos tudo juntos, saíamos da cama só pra trabalhar e, se deixasse, era o dia todo fudendo. Sim, fudendo. Fazendo amor também, claro, mas ele acostumou a leitar dentro, viciou em me pegar de frango assado mais que nunca e manteve a nota oito no quesito safado putão, todo dia era dia.
Só que a vida não é mil maravilhas, sobretudo a vida a dois. E quando a situação aperta, cabe ao casal ter confiança e resiliência pra seguir adiante, caso contrário tudo desanda. Já comentei algumas vezes que cresci sem ter liberdade em casa e que minha liberdade foi na rua, lembra? Uma das consequências disso é que sou totalmente desacostumado a ter que dar satisfação pros outros o tempo todo.
Quando comecei a dividir o trabalho na clínica com a graduação em Enfermagem, meus horários em casa apertaram e Heitor eventualmente cobrou minha atenção, minha presença, sendo que ele também tava super focado na carreira de advogado e sonhando dia e noite com a ideia de abrir o próprio escritório. Daí nasceram os primeiros desencontros, as primeiras faltas de diálogo e atritos bobos... Nossas primeiras brigas.
- Se liga, Vitinho. Não é querendo dizer o que você tem que fazer, não, mas tá foda. Tem dias que eu chego e você já tá dormindo, ou então o contrário. O que tá pegando, lindão? – ele apertou meus ombros por trás.
- Essa vida de clínica e faculdade tá tirando meu couro, Heitor. Não é por mal, cê sabe que eu te amo. – virei de frente e dei-lhe um beijo.
- Claro que sei. Se não amasse, a gente não taria aqui agora. Só que eu tô sentindo a falta do meu noivo, do meu homem. Hoje te liguei duas vezes e você nem aí pra mim.
- Eu tava no meio da aula, não pude sair. Terça e quinta são meus piores dias, cê sabe. Não consigo parar nem por um minuto pra tomar café, amor.
- Porra, Heitor, e eu? Trabalho em banco, mano, é correria o dia todo! Mas sempre tenho um minuto pra você, mesmo não podendo parar. E olha que eu sei que se eu parar, esse teto aqui desaba.
- Quê? – tive que perguntar pra ter certeza do que eu ouvi. – Você disse que... Se você parar, o teto desaba?
- Desaba, ou tu acha que não?
- Tá, deixa eu ver se entendi. Cê tá dizendo que é você quem banca o apê, é isso? – encaretei legal.
- Ahn? – mozão fez cara de desentendido. – Não falei nada disso, quis dizer que MEU teto desaba. Não sou do tipo que funciona parado, se eu parar dá ruim. Foi isso que eu quis dizer.
- Sei... Tá certo, senhor advogado modelo. Então só por causa da sua gracinha, hoje nós chegamos cedo e eu vou do banho pra cama, não quero nada com você.
- Aaaah, mas você quer...
- Quero não. Sai fora.
- Quer, quer sim. Eu quero, você quer, nós queremos, duvido que não! – Heitor me pegou no colo, me jogou contra a parede da sala e começamos a nos beijar loucamente, ele com vontade e eu doido pra morder a boca.
Era uma noite de quinta-feira quente em São Cristóvão, a pica dele endureceu na calça social escura do trabalho, eu tirei sua gravata e senti o início da barba do meu noivo pinicar meu queixo, nossos peitorais colados. Língua na língua, boca na boca, ele tirou minha blusa branca e me imprensou na parede, fez nossas picas cruzarem uma na outra.
- Hoje eu vou fazer do jeito que tu gosta. Vou até chamar de “tu” em vez de você, né assim que tu quer? Pegada bruta, né?
- Você é um safado, isso sim! O lado bom da gente ficar sem tempo em casa é que sempre chega a hora de matar a saudade, sabia? Tô achando daora essa vida a dois, só eu e você, você e eu.
- Também tô, Vitinho. É correria braba, mas eu tô. Contanto que tu continue “emprestando” o cuzinho pra eu gastar a pica. Teheheh! – o sem vergonha fez piada com o dia que a gente se conheceu, dia no qual eu ensinei essa gíria pra ele e prometi que ainda o transformaria num putão nota dez.
- Seu gostoso! Me pega, vem! A gente merece!
- Se merece, como merece! Vou te amassar! SSSS!
Eu tava cheio de texto pra ler antes das provas da faculdade, ele tava vindo de uma série de casos judiciais que pegou da família dele e a gente não se encostava há pelo menos quatro dias, então dá pra imaginar a carga de tesão explodindo naquele momento. Foi aí que... DING, DONG!
- Pediu japonês, Vitor?
- Eu não, cê não pediu vinho?
- Não. Só se... – Heitor me largou, ajeitou a pica pra dentro da calça e foi em direção à porta da sala.
Ele abriu, a luz do corredor acendeu e de repente surgiu aquele cinquentão peludo, calvo e bigodudo na nossa frente, de sorrisão no rosto e a maior cara de quem não vale nada.
- G-Geraldo? – cheguei a gaguejar.
- Pai? Que tá fazendo aqui hora dessa? – mozão conferiu o relógio no pulso. – Quase meia-noite, seu Geraldo! Cadê a mãe?
- Fala, molecada. Tua mãe não veio, vim sozinho. Boa noite, posso entrar?
- Claro, entra. Ela sabe que você tá aqui?
- Então... Quanto a isso... – o coroa tirou a mochila das costas, pegou outra mala de roupas no chão e só então eu notei que ele tava sem aliança no dedo.
- Vish... Quando começa assim, é que lá vem merda. – suspirei.
- Putz! O que você aprontou? – Heitor quis saber.
- Ah... Tem uma cerva aí? Preciso molhar o bico pra contar, é muita história.
O pai do meu noivo largou as bolsas no tapete da sala, sentou no sofá, ligou a TV no jogo do Flamengo, abriu a cerveja gelada e tentou nos convencer de que era a vítima da situação. Em suma, minha sogra mexeu no celular do Geraldão sem querer e descobriu várias traições, nudes, conversas dele com piranhas e pelo menos duas ninfetas que ele tava comendo e bancando na rua, além de vários recibos de motéis.
- EU SABIA! – dei um grito no sofá.
- Baixa a bola, Vitor. Deixa meu coroa explicar.
- Se explicar? Ele traiu e quebrou a cara. Achou que tava casado com uma mulher ingênua e pagou pra ver. Conhecendo dona Selma como eu conheço, aposto que sogrinha te botou no olho da rua. Não botou, Geraldo? – eu ri.
- Que sorriso é esse, meu genro? Tá torcendo contra mim? – o sacana se fez de bom moço.
- Você nunca me enganou, sogro.
- Vitor... – Heitor me corrigiu.
Mas não adianta, acertei na mosca. Descobertas as traições e caída a máscara de sonso do Geraldão, Selma brigou feio em casa, botou sogrão na rua e ele se deslocou de Realengo até São Cristóvão pra pedir abrigo no apartamento do filho. E o filho da puta contou isso pra gente sorrindo, com a certeza de que o filhão advogado exemplar e perfeitinho jamais diria não pro paizão cafajeste.
- E aí, tem ou não tem uma vaguinha nesse sofá pro teu coroa, Heitor? – o cinquentão abriu os braços e me olhou por trás do meu noivo.
- Pô, pai... Tem, sempre tem. Nunca que eu ia deixar você c-
- Éééé... Tem? – interrompi o momento deles.
- Tem, Vitor, tem que ter.
- Licença, sogro. Só um minuto. – puxei Heitor pelo braço, levei ele pro nosso quarto, fechei a porta e falei bem sério. – Tá brincando que a gente demorou quase um ano pra morar sozinho e agora você vai simplesmente abrir a porta pra esse sonso entrar? Brincou, né?
- Ele é meu pai, Vitor. O que você queria que eu fizesse, jogasse ele na rua?
- Sei lá, porra, não existe hotel? Ele não tem grana? Pagou motel pra um monte de piranha por aí, fez o que quis e agora não tem um real no bolso pra pagar um quarto? Salafrário! Pilantra! Galinha! – admito que a raiva me pegou, e o foda é que até meu noivo percebeu.
- É impressão minha ou você tá irritado de ele ter traído a minha mãe? – ele me cercou contra a parede, meio desconfiado.
- E-Eu?! Ué... Tô, não é pra estar!? Sua mãe é uma mulher gente fina e apaixonada por ele, não merecia passar por isso. Aliás, nenhuma mulher merece passar. Você, que é filho, é quem mais deveria estar do lado dela, e não do dele.
- Concordo, mano. Homem que trai tem mais que se fuder, você não acha? – mozão me encarou e eu gelei.
- ACHO! Mais um motivo pra você não deixar ele ficar aqui. Essa é a nossa casa, o nosso apê, nosso espaço.
- Vou repetir, Vitor: o cara é meu pai. Pode ser vacilão, mas somos família. Não concordo com o que ele fez com a minha mãe, mas deixar ele na rua não vai resolver. Sou o tipo de filho que tenta solucionar o problema, tá entendendo?
- Com certeza é. O filhinho de mamãe perfeitinho que não sabe dizer não, ainda mais agora que tem a carteirinha da OAB. Mereço... – bufei. – Sempre falei que seu pai tinha piranha na rua e você duvidando, passando pano pra ele.
- Deixa de ser chato, eu não passei pano! Eu só não sabia, nunca desconfiei. Até porque ele nunca traiu minha mãe antes.
- CLARO QUE TRAIU, HEITOR! Tanto traiu que ela descobriu, você que nunca percebeu os sinais. Cê é ingênuo demais, um bobinho.
- Que sinais que eu não percebi, Vitor? Se você percebeu, então me conta. Fiquei curioso pra entender os sinais da traição, agora eu quero saber. De repente você reparou algo no meu pai que nem eu, que sou filho dele, reparei. Fala aí, conta. – o filhão protetor cruzou os braços e me peitou, cara a cara.
- Ah, cê sabe... Esses coroas brincalhões demais sempre escondem alguma coisa. – disfarcei.
- Por acaso você já viu ele brincando com alguma mulher antes?
- Não. Mas se ele zoa assim em família e com os amigos, por que não vai zoar com outras pessoas? No trabalho, por exemplo. A gente não tá lá pra ver o que ele faz no trabalho, na rua... Quem garante que ele não brinca “além da conta” quando tá longe da família? É mais ou menos esse meu raciocínio, eu tenho experiência pra falar.
- É... Tô vendo que você manja de putaria mesmo. Bem que quando a gente se conheceu você quis dar na rua, tá sabendo bem a linguagem da cachorrada. Será que é pra eu me preocupar, Vitinho?
- Heitor, Heitor... Eu não trato você com ironias, não me venha de duplo sentido.
- Eu vou de duplo sentido, eu vou de ironia, vou do jeito que eu quiser! Tu não gosta de putão, seu piranho?! – o safado meteu a barbicha no meu queixo e me deixou fraco com pouco esforço. – Vamo terminar o que a gente começou lá na sala, hein?! Meu puto! Te quero, porra, esquece o resto! Mmm!
- Também quero, é só que-
- É só que o que, Vitor? Não posso dar uma foda com meu noivo agora?
- Pode, mas-
- Opa! Foi mal, desculpa interromper. – Geraldão abriu a porta do quarto e meteu a cara. – É que tá tarde e eu preciso saber se posso ficar ou não, senão vou me mandar pra casa de um colega meu.
- Já tá decidido, pai, você fica. A casa é sua.
- Ótimo. Brigado, meu filho. Bom saber que sou bem-vindo aqui... Com vocês. – o coroa falou pro Heitor, mas rindo de canto de boca pra mim, cínico até o talo.
- Inclusive, deixa eu ver a roupa de cama no varal. Guenta aí. – mozão saiu do quarto e me deixou sozinho com o pai dele.
Assim que ficamos a sós, Geraldo começou a rir, cruzou os braços e me intimidou.
- Eu avisei.
- Às vezes eu te detesto, puta que pariu... Deve ser karma, né possível. Atirei pedra na cruz, só pode. – reclamei.
- Eu disse que tu não vai se livrar de mim tão fácil. Quando tu menos esperar, eu volto e grudo igual um carrapato... – ele veio pra cima de mim, tirou minha roupa e me botou de quatro na cama de casal.
- Você tá viajando, coroa. – subi o short e não deitei pra ele. – E ó, já vou logo avisando: antes você me dominava porque a gente tava na tua casa, mas aqui quem manda sou eu. Melhor andar pianinho, senão eu conto pro Heitor quem o pai dele é de verdade e ele vai ficar PUTO quando descobrir com quem você traiu a mãe dele. Cê já tá na rua mesmo, pra eu contar não custa nada.
- Hehehe! Duvido, tu não teria corag-
- Então brinca com a minha paciência. Brinca. Faz o teste, a gente resolve isso agora mesmo. Se você acha que eu não faço, é só me testar.
- Testar o que, amor? – Heitor voltou com algumas roupas na mão e provavelmente não percebeu o clima tenso entre nós.
- Testar-
- Testar se eu caibo no sofá, só isso. Mas eu tô explicando pro meu genro querido que não vou ficar tanto tempo, logo eu me acerto com a Selma e volto pra casa.
- Assim espero. – falei, saí do quarto e deixei eles sozinhos.
Justo quando me livrei do sogrão e achei que teria paz e tranquilidade na vida a dois com meu noivo, eis que o pai dele se mudou pro apartamento, começou a dormir no sofá da sala e tirou nossa privacidade recém conquistada. Se antes tínhamos pouco tempo disponível em casa, com a chegada do Geraldão acabamos perdendo de vez o compasso de casal, pra não falar do trabalho que o pai do Heitor dava.
Além de empatar nossa foda sempre que eu e mozão estávamos prestes a transar, tinha dias que Geraldo voltava do trabalho encharcado de suor, deixava o uniforme de eletricista largado no sofá e fazia a maior bagunça, parecia até que era de propósito pra me irritar. Seu chulé com cheiro de tijolo tomava conta da sala inteira e eu era obrigado a sair, sob risco dos pulmões pegarem fogo na testosterona exagerada do coroa, e do filho dele perceber meu nariz vermelho.
Fui morar sozinho com meu noivo pra me livrar do pai dele e não adiantou nada, ainda entra a correria do dia a dia, a falta de privacidade e intimidade com o Heitor, as artimanhas e mentiras do Geraldão, o estresse nos plantões cada vez mais puxados da clínica, fora as provas na faculdade, os trabalhos em grupo e os milhões de textos semanais que eu tinha que ler antes das aulas. Dá cansaço só de lembrar...
Do outro lado, mozão não parou de pegar mil e um processos judiciais pra resolver. Ele começou a trabalhar diretamente pro presidente do banco e passou a fazer viagens mensais pra SP junto com outros líderes jurídicos de várias instituições financeiras, aumentando ainda mais nossa distância um do outro. É nessas horas que o casal precisa de resiliência e diálogo, senão dá tudo errado.
Pra piorar, Heitor usava o pouco tempo que tinha disponível pra se exercitar e aliviava o estresse do excesso de trabalho nos esportes. Primeiro foi o futebol com os colegas de Realengo aos domingos, depois uma hora de bicicleta todas as manhãs e a ideia de fazer academia, até que ele inventou de se envolver em algum estilo de luta e foi treinar. Eu demorei a perceber que meu noivo tava se transformando nesses caras viciados em endorfina, sabe? E quando percebi...
- VAI DJ, MAIS FORTE! – o despertador do celular tocou e eu me revirei na cama.
Desliguei o alarme, esfreguei o rosto e, pra minha infelicidade, precisei mijar, porque a vontade era continuar na cama e aproveitar o dia de folga pra dormir até mais tarde. A bexiga lotada venceu, eu levantei, saí do quarto e me assustei quando cheguei na sala e vi Heitor todo suado, sem blusa, de peitoral inchado, a pele marcada, os músculos exaltados e os pés calçados em tênis de corrida.
- Bom dia, amor. Você tá...?
- Bom dia. Tô o quê? – o safado jogou a camiseta no ombro, flexionou os braços e mostrou os bíceps.
- Caralho... – fiquei sem palavras com seus pelos das axilas crescendo.
- Gostou, Vitinho?
- Cê tá diferente, tá mais...
- Gostoso? Hehehe. – ele mordeu meu pescoço, beijou minha boca e andou em direção ao nosso quarto.
- Onde você tava, Heitor?
- Eu? Tava na rua, treinando com o Wellington.
- Wellington? Quem é Wellington?
- Ah, Elias é o sargen... – mozão continuou falando enquanto saiu da sala, só que eu tinha acabado de acordar, tava morto de sono e não entendi nada do que ele disse.
Mais uma vez a bexiga pesou, eu me mandei pro banheiro e abri a porta doido pra mijar... E quase me mijei. No pijama, pra ser mais específico, porque o que eu vi me deixou de queixo caído.
- Opa! Fala aí, irmão, suave? Na paz? – um homem desconhecido tava com o short arriado nas coxas, o picão murcho entre os dedos e largando dois litros de mijada grossa no vaso sanitário.
Eu não soube exatamente pra onde olhar, pois foi informação demais e fui pego completamente desprevenido antes mesmo de acordar pro dia. Enxuguei meus olhos, olhei de novo e o macho tava lá, não era alucinação, nem sonho ou miragem. Era tudo real, feito de carne, osso, pelos, suor e muita testosterona.
- Porra é essa? Quem é você? – foi a única coisa que consegui balbuciar.
- Wellington. Amigo do Heitor, ele não falou?
- Ah... – fiquei de boca aberta, sem reação.
Não é todo dia que a gente abre a porta do banheiro e dá de frente com um monumento, um espetáculo de macho desses. Trintão, corpo malhado e sarado, 1,80m de massa magra, pele morena, clara e bronzeada de sol, cabelo no corte típico militar, aparado nas laterais e baixinho na parte de cima, um bigode largo que não se conectava com o cavanhaque no queixo, pra não falar da largura e do comprimento do charutão de carne que ele tava segurando diante do vaso.
- Qualé, mermão, vai ficar aí olhando ou posso mijar em paz? Teheheh! – ele espremeu a pica, eliminou as últimas gostas de urina e eu tive que me controlar pra não lamber os beiços, de tanta sede que deu.
- F-Foi mal, não vi que tinha gente. Acabei de acordar, ainda tô meio zonzo.
- Nada. Que isso, pô, tô gastando. Relaxa, irmão. – Wellington sacudiu a penca de piru, guardou de volta na cueca e finalizou dando aquela afofada esperta pra ajeitar a mala.
Mesmo depois que ele tirou a mão do malote, continuou o volume montanhoso armado de lado no calção de treino. O cara tava suadão pós corrida, o suor do corpo fez o tecido grudar na cintura e eu pensei que aquilo fosse uma arma, cheguei a suar frio quando respirei o ar quente do banheiro. O cheiro do Wellington me lembrou capim-limão, algo leve e ao mesmo tempo cítrico.
- Satisfação. – o macho esticou a mão, apertou a minha com força e o olhar firme, usou os mesmos dedos que seguraram a tromba segundos atrás.
- Vitor. – me apresentei.
- Tamo junto, Vitor. – só então ele foi na pia lavar as mãos e eu saí da porta.
Welington saiu do banheiro logo em seguida, me encontrou na sala e eu entrei pra mijar, tava super apertado. O tesão do mijo me pegou, a pica subiu e o melhor de tudo é que o gostoso do amigo do Heitor não deu descarga após a mijada, ou seja, eu mijei por cima da urina dele e subiu aquela nuvem escrota do extrato de macho.
- “Tu vai me chamar de cismado, mas esse maluco aí não é inocente. Tá na fuça desse traste que ele fez de propósito! Mijou e deixou o mijo pra marcar território! Coisa de cachorro vira-lata quando quer dominar a área. Vai vendo... Hehehe...” – no meu ombro esquerdo, o diabinho sussurrou malícias no pé da minha orelha.
- “Claro que não, Vitor. É normal, ele só esqueceu da descarga. Acontece, você também esquece e não é por maldade.” – o anjinho falou no meu ombro direito, tentando equilibrar a balança.
Saí do banheiro, voltei pra sala e encontrei os dois conversando no sofá, Heitor e Wellington. Meu noivo tirou os tênis de corrida, jogou o pé no meu colo e finalmente nos apresentou, sem saber que a gente tinha acabado de trombar no banheiro.
- Wellington, esse é o Vitor. Vitor, Wellington.
- Tô ligado, já trocamo uma ideia. Conheci teu primo. – o militar riu.
- Primo? Que primo, mano? Vitor é meu noivo. Somos um casal, não tem nada de primo aqui, não. Heheheh. E por falar em casal... – mozão tirou a meia do pé e tornou a jogá-lo no meu colo. – Faz uma massagem aí que hoje o treino foi puxado, teu homem tá cansado.
- E eu tenho cara de massagista? Sou da área da Enfermagem, é totalmente diferente. – resmunguei.
- Noivo? Tipo, noivo mesmo? Papo reto? – Wellington não superou a informação, sequer escondeu a expressão de surpresa.
- Nunca viu um viado antes? Qual o problema? – mandei na lata.
- Não, pô, problema nenhum! Acho maneiro, nada contra. É que tu tá ligado que os ambientes que eu frequento são tudo moralista, né, Heitorzão? Nunca nem tive amigo viado... Quer dizer, homossexual.
- E que tipo de ambientes moralistas você frequenta, posso saber? – fiquei curioso e acho que minha curiosidade se traduziu nos apertões que dei no pé do Heitor durante a massagem.
- Longa história, Vitinho. Quer que eu conte ou você explica o enredo, Wellington?
- Nah, deixa comigo. Se liga na visão, Vitor: minha esposa é líder de louvor, trabalha de professora de música em igreja evangélica, eu sou sargento do Exército, filho de político conservador, e lá onde eu e teu... Noivo treinamos só tem pitbull raivoso, hehehe! Dá pra imaginar os ambientes, não dá?
- Saquei. Quer dizer que além de militar e lutador, você é varão e de direita? Tô entendendo. Que combo inflamável... – eu ri, mas foi riso de ironia.
- Ih, sai fora! Duvido. Minha mulher que é crente, eu não sou da igreja, não! Não tenho essas frescuras, sou do mundo. Hehehe!
- Sei...
- Sargento Elias tem essa cara de jiujiteiro brabo, mas é só cara mesmo. Né não, amigão? Fala pra ele. – Heitor deu um tapa no braço do amigo.
- Elias? – não entendi.
- Meu sobrenome. Wellington Elias. Minha mulher chama de Well, lá no ginásio chamam de Tonzão, no quartel eu sou sargento Elias. Tu que sabe. Chama do que quiser, Vitor.
- Very Well, Tonzão. – brinquei.
- Bom, já vi que estão apresentados, agora dá licença que vou tomar meu banho. Preciso, tô fedorento. – mozão tirou o pé do meu colo, levantou do sofá e se preparou pra ir pro banheiro.
- Papo reto, irmão, também tô ensopado. Eu suo pra caralho, tá foda. – o morenão ergueu os braços, cheirou as próprias axilas cabeludas e eu fiquei tonto na outra poltrona, o cheiro de limão se tornou cada vez mais forte na sala.
Wellington acompanhou a saída do Heitor com a cabeça, viu ele trancar a porta do banheiro e de repente mudou de postura comigo. O lutador tirou os tênis e ficou nas meias, abriu as pernas, relaxou à vontade e apoiou os braços no encosto traseiro do sofá, revelando mais uma vez aquela floresta de pelos nos sovacões torneados. Aí me olhou, riu um riso fácil de macho curioso e começou a tirar a máscara de bom moço.
- E a minha, cadê?
- A sua o quê? – perguntei.
- Massagem. Também quero, pô, ou só o mozão tem direito? Mereço umazinha, tu não acha? – cruzou os pés sobre a mesinha de centro, assobiou pra mim e me chamou como se eu fosse uma cadela adestrada.
E eu sou, portanto obedeci e parei de pé na frente dele. A gente se olhou e o sargento Wellington Elias não precisou dizer mais nada, porque eu conhecia muito bem aquele olhar de hétero curioso que adoraria tirar quinze minutinhos a sós com um viado no sigilo. Era o mesmo semblante predatório que os amigos coroas do meu pai faziam quando eu ia no bar dele buscar cerveja, na época dos meus 18 anos.
A mesmíssima combinação de sobrancelha erguida, mordida de beiço e encarada duvidosa que recebi do Maurício Carrasco na primeira vez que pisei no McDonald’s da Uruguaiana, o mesmo semblante de sede e voracidade que meu sogro Geraldão fez quando nos conhecemos lá em Realengo. Tudo isso pra dizer que não, o amigo militar do Heitor não precisou confirmar que é putão: tava estampado na cara de sonso dele.
- Mereço ou não mereço uma massagem? – ele mordeu a medalhinha do Exército pendurada no pescoço e me olhou.
- A questão não é se você merece, Tonzão, a questão é que eu não sei se tô a fim de pegar nos pés de um cara assumidamente de direita. É que eu sou meio... Nervosinho quando o assunto é política, sabe? Levo tudo a ferro e fogo, sou genioso.
- Foda, Vitinho. Entendo, também sou o tipo de maluco que leva tudo a ferro e fogo. – o desgraçado apertou o volumão entre as pernas, afofou várias vezes e confirmou tudo que eu já sabia sobre ele. – Só que nisso aí tu tá errado, irmão. Errou e errou feio.
- Errei em quê?
- A gente se conheceu agorinha, mas tu viu que eu não sou de direita. Ou já esqueceu...? – ele ficou de pé, olhou pra porta do banheiro e lembrou de minutos atrás, quando eu invadi sem querer e vi sua mijada. – Tem coisa em mim que é de esquerda, não concorda?
O que esse filho da puta insinuou mexeu comigo. Depois de meses aprontando na surdina com o devasso do meu sogro, acho que fiquei mais exigente pra putaria e não era qualquer baixaria que me pegava, mas a aura de cafajeste do Wellington atravessou minhas defesas e me pegou em pouquíssimo tempo de contato. Eu poderia simplesmente sair dali, ignorar e fingir que nada aconteceu, como também poderia entrar na dança, ajoelhar e fazer massagem nos pés dele, foi aí que...
- É. Você tá certo. Nem tudo em você é pra direita. – entrei na dança, ajoelhei e comecei a fazer massagem nos pés nº44 do morenão.
- Porra, aí sim... Mmmm! Fortalece o amigo do teu noivo, isso... – ele sentou de volta no sofá, relaxou e me deixou apertar suas solas por cima das meias.
Não sei o que foi mais tentador nessa hora: as caras, bocas e gemidos de prazer do Wellington, ou o cheiro cada vez mais forte de limão atacando minhas narinas. A respiração pegou fogo no perfume cítrico de macho suado, ele voltou a apoiar os braços pra trás no encosto do sofá e eu lutei comigo mesmo pra não mergulhar naquela relva peluda das axilas. Que homem gostoso do caralho, tomar no cu!
- Viado, hein? Quem diria... Se Heitor não fala, eu nunca ia saber. Sei lá, tu não tem jeito de tchola.
- E tchola por acaso tem jeito? Cê queria o quê, que eu falasse miando e andasse de rosa, é isso?
- Minha ideia de viado é muito diferente. Ah, se tu soubesse... SSSS! Pode apertar na sola, vai. Tira minha meia, é melhor de massagear.
- Melhor não, assim tá bom. Não precisa se-
- Eu quero tirar. – e tirou as meias, saturando de vez o ar da sala.
Fui dopado pelo cheiro de uma intimidade que deveria ser compartilhada somente com a esposa do Wellington. A testosterona cítrica dele tomou meus pulmões de assalto, meu cérebro amorteceu o impacto, ferveu e quase tomou nocaute, a ponto do meu nariz avermelhar e de eu sentir dormência na nuca. Tem noção do poder do chulé do sargento?
- Agora fiquei curioso. A ideia que você tem de viado é diferente?
- Muito diferente, Vitinho... FFFF! Não tem viado nos ambientes que eu frequento, eu te disse. Ou melhor, até deve ter, mas eles provavelmente tão escondidos. Não conheço um... Tirando você e Heitorzão.
- Não tenha dúvidas que eles existem. Todo lugar tem homem, todo ambiente tem viado. Você não vê, mas tem.
- Nunca convivi diretamente com gente da tua laia, tá ligado? – mais uma vez, seu jeito de falar e de me olhar foram típicos de cachorro.
- Da minha laia? Hahahaha. – pressionei os dedos do pé dele, notei os detalhes rústicos e perdi bons segundos admirando os pelos e veias na região superior.
- É, pô... Do teu bando, hehehe...
Wellington abriu as coxas lentamente e eu disfarcei pra manjar o volumão que entulhava toda vez que ele as fechava. Teve uma hora que a saída da perna do calção abriu, ficou folgada demais e o saco ameaçou dar o ar da graça, quase vi a palinha do ovo esquerdo.
- Me conta. O que você acha dos viados? Cê tem o pacote completo de crente conservador, filho de político de direita, casado com evangélica, é militar com cara de mau e ainda por cima luta. Tô mais que curioso pra saber qual sua opinião sobre dois machos transando, sargento Elias.
- Não me rotula, Vitinho. Já falei que não sou crente.
- Tem certeza que não é varão? – manjei a mala na cara de pau e ele segurou o riso.
- Assim tu me complica, irmão. HEUHEUH! – o safado amassou a mão na pica, caiu na risada e seus dedos dos pés apertaram os da minha mão. – E outra: volta pro Tonzão. Deixa o sargento só pra quando eu te... Só pro Exército, melhor.
- Tudo bem, você quem manda. Agora explica. Quero tua opinião.
- Pô, irmão... Tudo que eu sei sobre viado é que vocês são especialistas em cu-
- Especialista em cozinha, concordo. – a porta da sala abriu e entrou aquele coroão bigodudo com cara de brabo. – Porque pra tá de conversinha na sala uma hora dessa, a comida com certeza tá na mesa.
Tirei a mão dos pés do Wellington e levantei apressado, mas era tarde demais. Geraldão voltou do trabalho pra almoçar em casa, me pegou massageando o amigo do filho dele e não escondeu o mau humor diante do flagrante. Na verdade, nem tinha nada de mais no que eu tava fazendo, só que sogrão não era bobo e eu tive certeza absoluta que ele maldou a massagem. Pois bem... Acertou, eu tava na má intenção com o sargento mesmo, não preciso mentir.
- Posso ser sincero? Eu tinha mais paz quando esse apartamento era só meu e do Heitor, ninguém confundia minha profissão. Sou técnico em Enfermagem, não sou massagista, não sou diarista e nem cozinheiro. Não vou cozinhar pra você, seu deitão do caralho! Sai fora! Nem tua mulher te quis, por que eu ia querer? Parece vira-lata! – desabafei legal, não aturei o olhar torto do Geraldo me policiando dentro da minha própria casa.
Silêncio absoluto depois do que eu falei. Wellington ergueu as sobrancelhas e deu um assobio impressionado, Geraldão largou a maleta de ferramentas no chão, cruzou os braços e me encarou.
- Ah! A propósito: Wellington, Geraldo; Geraldo, Wellington. Esse cara que te chamou de otário é meu sogro, pai do Heitor. O sujeito que você chamou de otário é amigo do teu filho, coroa.
- E tu acha que eu não conheço a figura? – Wellington ficou de pé, andou até meu sogro e eles deram um abraço de quem já se conhecia.
- Pera, então vocês...?
- Claro que eu conheço esse milico babaca, tu acha que não? Hehehe! Tu que tá se estressando à toa, Vitão. – sogrão riu da minha cara. – Viado é tudo fresco mesmo, Wellington, liga não. Esse aí dá piti por qualquer coisa, não é a primeira vez.
- Tô vendo. É teu genro, mas ainda não tá ligado que tu é o coroa mais zoador de todos. Geheheh! – o morenão também achou graça da minha confusão. – Mas e aí, paizão, fala tu. Como é que tá, já se acertou com a patroa?
Foi tipo cair numa armadilha. Os dois se conheciam, começaram a conversar e eu custei a acreditar que caí na pilha deles por nada. Fiquei meio puto, saí da sala e fui na cozinha tomar um ar pra esfriar a cabeça, mas não deu dois minutos e o puto do Geraldo apareceu cheio de historinha, e com aquele mesmo semblante de vira-lata esfomeado de quando me viu segurar os pés do Wellington.
- Nem disfarça, hein, garoto? Dando mole pro amigo do meu filho na minha frente. Que baixaria, pouca vergonha...
- Pouca vergonha? Você acha que tem moral pra falar de alguém? Piada.
- Eu sou eu, os outros são os outros. Não me compare. – o coroa colou nas minhas costas, segurou meus braços e imprensou meu corpo contra o balcão da pia. – Escuta o que eu tô te falando, Vitão. Se eu chegar em casa outra vez e te pegar de safadeza com esse sargento, sou capaz de-
- Vem cá, Geraldo, quem você pensa que é pra se meter na minha vida? Nem meu pai é insuportável assim, para de babaquice. Tô na minha casa, esqueceu? Você que é convidado aqui. Um hóspede folgado e sem noção, isso que cê é. – me livrei dele, virei pra trás e ficamos frente a frente, próximos.
- Tu ainda não entendeu que teu homem sou eu, Vitor. Teu macho sou eu, eu que mando. Não interessa se é em Realengo ou aqui em São Cristóvão, onde tu for eu vou atrás. Heitor pode ser bobo e não ver tua maldade com o Wellington, mas eu vi. Tu tá doido pra tomar pirocada desse cara. Sossega o facho, ou então teremos problemas.
- AUHAUHA! Até parece! Se manca, cara! Você é o que meu?! Nada!
- Tu tá falando com teu dono, ô sua puta! Vou ter que adestrar de novo, gazela?! Esqueceu quem eu sou? Se for preciso, ensino de novo! – o desgraçado segurou meu queixo, abriu minha boca e lançou três cusparadas na minha língua.
Eu sabia que era errado, sabia que era arriscado e sabia que não podia ceder pro Geraldão debaixo do meu próprio teto, pois perderia o pouco respeito que tinha e viraria bagunça, circo, devassidão total. Mas você não imagina o que acontece na cabeça do viado quando sente o cheiro do suor desse macho parrudo peludão recém chegado do trabalho. O pai do Heitor sarrou o bigodão no meu pescoço, chupou minha boca, lambeu minha cara e apertou a mão na minha nuca antes de falar.
- É assim que tu gosta, não é?
- Por favor, não faz isso comigo... – supliquei.
- Tudo fica mais fácil quando tu colabora e deixa eu cuidar de tu do jeito certo. Tô vendo você e Heitor afastados, sei que tu tá querendo atenção e adestramento...
- Eu e ele tamo longe um do outro por culpa sua. Tem as rotinas, claro, mas se você não tivesse morando aqui, a vida seria outra.
- Tu não vai se livrar de mim tão fácil, Vitão. Quantas vezes vou ter que repetir? Eu, mais que ninguém, sei que ele não dá o que eu dou. – suas mãos grossas e calejadas de eletricista seguraram meu rosto, ele me olhou cara a cara e deu tapas cada vez mais obscenos. – Teu negócio não é amor, né paixão... Só eu sei do que tu gosta, fala a verdade. E tu gosta disso...
Me soltou, tirou a blusa imunda, levantou o bração e afundou meu rosto na sovacada ensopada, quente, peluda, com cheirão de tijolo vivo e a pura nata da testosterona vencida. O excesso de pelos cobriu minha cara, eu fechei os olhos e tentei prender a respiração nos primeiros segundos, porém o turbilhão de feromônios invadiu meu nariz, esquentou minha respiração e de repente me vi seduzido, obediente e dócil com o sogrão outra vez.
- Geraldo, por favor, tô pedindo. Cê sabe que macharia é minha fraqueza, cara. Teu filho tá tomando banho e o amigo dele tá ali na sala, ele pode entrar aqui a qualquer momento. Segura a onda, pelo amor de Deus! Deixa de ser tarado!
- Então tá. Mas tem certeza que tua boca não vai encher d’água? – o vigarista abriu o zíper, sacou o vergalhão, arregaçou o couro grosso e mostrou a glande suada, repleta de rastros esbranquiçados. – Deixei a piroca do jeito que tu gosta, moleque. Vai dar nem aquela limpada esperta pra deixar a cabeça brilhando?
Fez a pergunta e o caralho simplesmente deu um pulo inesperado, massificou do nada, num piscar de olhos. A pica levemente morena dobrou de tamanho, o cabeção latejou, o cheiro forte de maresia de macho transtornou meu olfato e meu nariz escorreu. Como se nada disso fosse tentador o bastante, Geraldão espremeu o pau do talo à ponta, extraiu gotas de mijo misturadas com babão e esfregou o dedo indicador no buraquinho do mijo, espalhando muita seiva bruta ao redor.
- Ouve o que eu tô te falando, coroa. – apontei o dedo na cara dele e falei com seriedade. – Eu. ODEIO. Você.
- Que ótimo. Não preciso de amor de homem, Vitão. É no ódio que nós se resolve. Teheheh...
- Desgraçado! – respirei fundo, abaixei de joelhos no chão da cozinha e me entreguei à adrenalina de fazer o errado pelo errado ali mesmo.
Um olho na porta do banheiro, o outro no púbis peludão do meu sogro me botando pra mamar atrás do balcão da pia. De onde a gente tava, Geraldo conseguia ver Wellington sentado de costas no sofá e isso criou uma aura de clandestinidade duplamente gostosa, porque um podia sair do banheiro e o outro levantar da poltrona a qualquer instante, porém o risco tornou tudo excitante.
- SSSS! Tá vendo aí como eu sei o que meu genro gosta? Hehehe! Sogrão sabe tudo, porra. Limpa essa caceta, engole toda. – a mão prendeu minha cabeça, ele forçou a glande no fundo da garganta e eu fui soterrado no cheiro, no tato e no gosto tijolado da rola.
- GHHHRR! – minhas engasgadas fizeram som e eu tive que controlar a pressão da goela pra não acabar gemendo alto demais, mas isso não foi motivo pra não abraçar a cintura do Geraldo e mergulhar na vara.
- Fica se fazendo de difícil, mas basta eu botar a pica pra fora e tu vem que nem cadela, né, ô sua putinha?! FFFF! Teu relacionamento não é com meu filho, não, é comigo! Gehehe! Vem cá, abre a boca. – deu com a jeba na minha língua, esfregou o queijo na minha boca e me encheu do sabor meio salgado.
- Já falei que odeio você hoje?!
- Já, já falou! Agora mata a raiva no meu caralho, anda! Sem conversinha, só gargareja e para de frescura! – mais cabeçadas na goela e o revezamento de me engasgar enquanto bisbilhotava a sala e a porta do banheiro.
O que posso dizer? Cedi. Quis me livrar do meu sogro, jurei que seria fiel morando com o filho dele e falhei miseravelmente na missão, reconheço. Tenho total noção da minha falta de responsabilidade e não quero pôr a culpa na carência, mas a verdade é que a carne é fraca e eu tava num momento de muita distância do Heitor, não só no físico como no mental também.
A falta de tempo, de diálogo e da companhia do meu noivo me fez frágil e mais vagabunda. Quando dei por mim, já tava tomando ferroada na goela e bebendo mijão do meu sogro em plena cozinha.
- Heheheh! Beberrão. Acordou com sede, foi? Agora mama meu saco. Chupa as bola de onde teu noivo saiu, vai.
- Cê é maldito!
- Cala a boca e mama, puta! – tapa na cara, pressão na nuca e mais engasgos até o talo.
A porta do banheiro abriu, Heitor saiu enrolado na toalha e eu gelei, corri pra sala em papo de dois segundos. Só que o que me impressionou não foi a chance de ele ter visto o que eu e o pai dele estávamos aprontando na cozinha, mas sim o corpo do meu noivo pós-treino. Parece que só nesse instante, vendo mozão relaxado depois do banho, minha ficha caiu pras mudanças físicas dele.
- Eita... Então a luta tá dando certo, pelo que eu tô vendo. – tive que comentar.
- Gostou, vida? Tudo pra você, hehehe! E agora tô cheirosinho, já posso te agarrar. – Heitor me puxou e meteu um beijão na minha boca.
- Pera aí... – tentei resistir, mas ele me pegou e beijou pra valer, nem aí pro Wellington e pro Geraldão.
O coroa viu nosso beijo e fez cara de nojo, e eu sei que não foi pelo beijo em si, porque passamos meses trocando carinho quando morávamos em Realengo e Geraldo nunca reclamou. Sua expressão esquisita foi pelo fato do filho experimentar o gosto do mijo, do suor e do queijo da pica dele na minha língua.
- Vitão, você... – Heitor interrompeu o beijo e me olhou, curioso. – Você comeu tijolo?
- Tijolo?! – tremi dos pés à cabeça.
- Tá maluco, porra? Que pergunta é essa?! – o paizão reagiu e saiu de fininho.
- Nah, esquece. É impressão minha. Vou me vestir. – o bonitão foi pro quarto e só então o pai dele respirou aliviado, Geraldão até enxugou a testa de alívio.
- Qual foi, velhote? Tá nervoso? – Wellington olhou torto pra gente.
- Qual foi, pergunto eu. Tá prestando atenção demais na minha vida. Tem serviço no batalhão hoje não? Bem se vê que os milico de hoje não são os milico raiz do meu tempo, tehehe! Exército virou bagunça mesmo.
Os dois começaram a se zoar no sofá, eu aproveitei pra sair e fui no quarto ver mozão se vestir. Mais uma vez fiquei impressionado com o desenvolvimento físico do Heitor, resultado direto dos últimos meses treinando e lutando ao lado do amigo dele. Ele já era minimamente definido, mas agora tava ganhando massa, alargando as costas, o peitoral, braços e coxas, pra não falar do abdômen marcando e dos pelos do corpo crescendo mais que antes, com direito a barbicha.
- Que foi? Vai ficar olhando? – ele riu quando me viu ali parado.
- Não, é que... Cê tá ficando maior, né?
- Gosta?
- Demais... Pena que tamo sem tempo e espaço.
- Tá foda, lindão.
E pena que o sexo com ele continuava naqueles picos de nota oito, isso quando rolava. No meio dessa confusão do pai dele ter ido morar lá no apartamento, perdi a conta de quanto tempo eu e Heitor passamos sem tocar um no outro.
Pouco tempo depois que eu e o sargento Wellington Elias fomos apresentados, comecei a vê-lo mais vezes lá no apê, sempre acompanhando Heitor na ida e nas voltas dos treinos no ginásio. Eu passava a maior parte do tempo fora de casa, mas tinha folga semanal e normalmente era aí que esbarrava com aquele militar morenão todo suado no sofá da sala.
- Fala, Vitinho. Tranquilidade, meu parceiro? – ele me viu sair do quarto e cumprimentou.
- Bom dia, Tonzão. Ué, já voltaram do treino?
- Hoje foi só corrida. Heitorzão recebeu uma chamada de um amigo nosso e vai lá acudir.
- Aconteceu alguma coisa?
- Ah, coisa de justiça. O doido tá precisando de advogado, daí Heitor resolveu ajudar. Tá no banho, ele.
- Saquei. E você sentado na minha poltrona nova com essa roupa suada, né, varão? – zoei.
- Pô, irmão... Prefere que eu tire a roupa? – o morenão ficou de pé, ameaçou tirar o calção e chegou a desce-lo na parte da frente, mostrando o início da pentelhada escura.
- Cê não teria essa coragem, teria?
Seus dedos abaixaram ainda mais na cintura, os pentelhos vazaram e a descidinha dos oblíquos ficou à mostra, bem como deu pra ver o começo do talo da pica. Só que ouvimos barulho no banheiro, ele viu que não dava pra arriscar na zoação e recuou, tirou a mão do short.
- Vai uma água gelada, sargento?
- Agradeço, parceiro. Tá ligado que tem duas paradas que não se nega a ninguém, né? A primeira é um copo d’água. E a segunda... – ele abriu as pernas e me olhou torto.
- A segunda é-
- Bom dia, vida. Hoje tô na correria, nem vi você acordar. – Heitor saiu do banheiro, me deu um beijo rápido e foi se aprontar no terno e gravata.
- Que isso, amor, já vai?
- Já não, ainda. Tô mega atrasado, vou socorrer um colega do tempo de escola que tá enrolado na delegacia. – ele pegou duas bananas na mesa da cozinha e levou pra comer no caminho. – Mano Wellington, vai dar pra te esperar não. Mas fica à vontade, a casa é tua. Expliquei pro Vitor, ele já tá ciente. Tô saindo, fui.
- Explicou? – não entendi nada.
A porta da sala bateu, fiquei sozinho com o amigo do meu noivo e ele retomou o papo anterior.
- Voltando ao assunto. Tu ia me dar água. Água e...
- Por que o Heitor meteu o pé e você ainda tá aqui? Perdi essa parte.
- Ele não explicou? Que vacilo, foi mal! Tehehe!
- Disse que explicou, mas não explicou. Vai, desembucha.
- Nada de mais, só fiquei de tomar banho. Ele disse que não tinha problema, mas se tu não se sentir confortável comigo posso ir embora de boa.
- Depende. – resolvi fazer graça. – É pra eu me sentir desconfortável na presença de um militar evangélico?
- Vitinho... Já falei pra não me chamar de evangélico, pô. Não sou crente, passei a visão pra tu.
- Posso nem chamar de varão?
- Bom... – ele encheu a mão no volume da piroca, apertou com vontade e riu de mostrar os dentes. – Aí tu me complica. Tem coisa que não vou poder negar, né? Teheheh...
- Aliás, Tonzão, se bem me lembro, na última vez que a gente trocou ideia a sós, você tava contando que não teve muita convivência com viado, lembra? Na real, cê ia até falar qual é a sua ideia de viado.
- Lembro mesmo. Posso ser sincero? Sempre quis ter um amigo viado, sem neurose.
- Pra quê?
- Dizem que viado é tudo safado, se amarram em obedecer. É verdade que vocês são obedientes? – o jeito marrento de falar soou tão natural que me pegou.
Ele me olhava curioso, como se eu fosse uma região nova e pronta pra ser descoberta. Algo inédito com o qual ele nunca conviveu antes, mas agora queria conviver. Me tornei peculiar, curioso e exótico, no sentido bom dessas palavras, porque dava pra ver nos olhos do Wellington que ele prestava muita atenção em tudo que eu falava e na forma como eu me portava, assim como eu também o transformei no meu objeto de estudo perfeito: um hétero curioso, espécie em extinção.
- Eu gosto de obedecer, mas só quando o macho merece. O cara precisa fazer eu querer obedecer.
- Saquei. E teu noivo faz isso?
- Não entendi a pergunta, varão.
- Entendeu, entendeu sim. Eu perguntei se teu noivo te manda na cama. Tu obedece a ele, Heitor manda tu obedecer? Duvido que ele mande, aquele bundão.
- Não esquece que você tá falando do seu amigo. O que será que o Heitor vai pensar se descobrir que o amigo que ele tanto confia tá fazendo pergunta sobre a vida íntima dele, já imaginou a merda que pode dar?
- Ele não precisa saber. A menos que tu queira contar... Mas tu não vai. Se fosse pra contar, já teria contado. Não banca o sonso. Responde o que eu quero saber e mata a curiosidade do teu parceiro aqui. Heitor te amassa do jeito que tu gosta? Ele te faz obedecer, ele tem o que tu quer?
A única coisa que eu consegui pensar nessa hora é que meu noivo, coitado, teve a infelicidade de estar rodeado de machos abutres. Primeiro foi o pai dele fazendo perguntas sobre quem comia quem no nosso namoro e querendo saber se eu dava o cu, agora era o amigo de treino e de luta que tava curioso a respeito da minha satisfação sexual com ele. Tadinho do mozão...
- Tá. Tá bom, Tonzão, eu respondo sua pergunta. Cê quer saber se o Heitor faz do jeito que eu gosto, vou contar. Mas primeiro, responde com sinceridade. Por que tá tão curioso assim na vida íntima do teu amigo?
- Eu e Heitorzão somos amigos há anos. Estudamo junto e eu via esse maluco passar o rodo nas mina, tá ligado? Ele fazia o tímido no início, meio filhinho de papai, mas pegou vááárias mina gata, só as top das top.
- Tô entendendo. Você tá que nem o pai dele no começo do nosso namoro, ainda não processou a bissexualidade do seu amigo. Se acostumou a ver o lado hétero da bissexualidade dele e agora tá impressionado vendo o lado gay. Ele só é bi, Tonzão, se acostume.
- Minha questão não é ele ser bi, isso aí eu já entendi. O que eu não entendi ainda é... Tinha umas minas que zoavam o Heitor de soca fofo. Ele saiu com uma prima minha na época da graduação e ela gasta até hoje que quase dormiu fudendo com ele.
- Tá, e daí se Heitor é soca fofo? Ele é apaixonado, romântico, sabe fazer amor.
- Então o que tu tá fazendo com ele?
- Eu... Como assim? Eu gosto dele, gosto de fazer amor com ele. Não tô entendendo onde você quer chegar.
- Corta o papinho furado, Vitor. Tu é viado, todo mundo tá ligado do que viado gosta.
- Eu não tô. Do que viado gosta?
- Viado gosta disso, ó. – Wellington levantou todo imponente, tirou a roupa e ficou peladão na minha frente.
Mostrou os braços malhados, exibiu as axilas cheias de pelos, alisou o abdômen trincado, segurou o jilózão entre os dedos e arregaçou que nem charuto, botando o cabeção rosado pra fora. Quase um palmo inteiro de giromba em estado flácido, mais escura que a pele morena dele, com sacão folgado pendurado pra baixo, um culhão mais pesado que o outro e a relva de pentelhos que fez meu queixo despencar no chão da sala.
- Essa é a sua ideia de viado, Tonzão? Você acha que viado só pensa em piru e não tem sentimento, não tem amor, não tem romance? Que mente mais rasa a sua.
- Não adianta fingir, Vitinho. Viado é igual piranha, igual puta: só sente amor quando tá com meio metro de piroca enterrada dentro e o saco batendo na bunda. Vai falar que não?
Nu, ele deu com a trolha na mão, fez o barulho da carne roliça batendo e eu acompanhei com os olhos, completamente abduzido pelo vai e vem do monumento. Não sei o que era melhor, a curvatura e o comprimento da caceta ou o fato de ela quase poder ser confundida com a terceira perna do sargento.
- Agora explica, irmão. Como que um maluco soca fofo e bobão feito Heitor tá parado com um viado? A gente já trocou roupa no vestiário e eu vi ele nu, ele nem é pirocudo. O que foi que tu viu nele, hein? Dá o papo, pode ser sincero. Ele te pega bolado do jeito que tu quer? Tu olha pra ele e sente que quer obedecer? Ele manda?
- Não. Ele não me vê dessa forma no sexo.
- EU SABIA!
- Ele é seu amigo, você sabe que o jeito dele é outro. Heitor é manso, ele é o noivo apaixonado. – não consegui tirar os olhos do piruzão balançando na minha frente.
- Acertei! Agora tira uma dúvida aqui... E se fosse eu?
- Como assim, se fosse você?
- Se fosse eu dando ordem, tu obedeceria?
- Tonzão, Tonzão... Esse papo tá ficando estranho. Por que o amigo do meu noivo me daria ordens?
Ele deu um passo à frente, encostou a boca na minha orelha, deixou o cavanhaque pinicar no meu ombro e falou baixinho.
- Da mesma forma que tu gosta de obedecer, tem gente que se amarra em mandar.
- Mas você não é hétero? – segurei a pica dele e iniciei a punheta.
- Sou. Não tô falando que vou te comer, só quero mandar. – ele tirou a rola da minha mão e impediu o contato. – Não vou fazer nada contigo. Mas dá uma satisfação, um bagulho sinistro quando eu vejo o noivinho do Heitor fazendo o que eu mando. Nem minha mulher, que é crente submissa, causa essa sensação, tu acredita?
- Você tá falando sério?
- Desde o dia que eu mandei tu massagear meu pé suado e tu massageou sem medo. Até agora, quando tu foi pegar água pra mim e aceitou eu tomar banho na tua casa sem questionar. Toda vez que tu acata o que eu falo, dá tipo um choquezinho aqui. Bem aqui. – Wellington pressionou o dedo indicador atrás da minha cabeça, no meio, e foi descendo pela nuca. – Essa parte minha fica ouriçada, tipo ASMR. Eu sempre soube que precisava de um amigo gay, tá sacando agora?
- Deixa eu ver se entendi. Você quer que eu te obedeça, é isso?
- Não é que eu quero que tu obedeça. É que eu sei que eu sou o tipo de cara que tu quer obedecer. Sei disso, já percebi pelo jeito que tu me olha. Vai negar?
- Você tá é com inveja do seu amigo, isso sim.
- Não sei se é inveja, porque eu não quero e nem vou te comer. Continuo sendo hétero, gosto de mulher. Não sou bissexual que nem o Heitor, tá ligado? Meu bagulho não é sexual, é... Sei lá, psicológico. Curto que me obedeça. Se eu não tiver que mandar, melhor ainda.
- Tudo bem. Eu sei entrar no seu joguinho, pra mim dá no mesmo. O problema é que tudo tem um preço, Tonzão. Admito que dá prazer acatar ordem de um sargento varão e com postura de lutador igual você, mas nada é de graça. Se eu vou colocar meu noivado em jogo, então tem que valer à pena pra mim. E o meu preço, você já sabe qual é. – ajoelhei na frente dele, peguei no pauzão de novo e suspendi, pra ficar cara a cara com o sacão peludo.
- Não adianta, viado, meu cacete não vai subir.
- Foda-se. Não é sobre você, é sobre mim. – abri o bocão, cheguei perto e de repente ouvi barulho de chave na porta do apartamento.
Wellington se mandou às pressas pro banheiro, eu arrumei as roupas largadas no chão da sala e Geraldão entrou logo na sequência, suado do trabalho e carregando a maleta de ferramentas.
- Heitor não tá em casa? – foi a única coisa que ele perguntou.
- Não, saiu cedo pra socorrer um amigo na delegacia. Não sei bem o que rolou, mas na hora que ele sa-
- Era tudo que eu queria. – o coroa pulou em mim, me batizou com suor quente e espalhou o cheiro de tijolo no meu corpo.
- Calma lá, seu puto, o To-
- Calma é o caralho, já esperei demais! Tu dá sorte de eu não aparecer no teu quarto de madrugada, moleque, que a vontade que dá é ir lá te massacrar com ele dormindo! SSSS! – sogrão só precisou abrir o zíper da calça, arriar meu short, cuspir no meu anel e descer lenha, tomei chumbo grosso na beira do sofá.
- AAAHNSS! Você é um esfomeado, falei que não podemo dar mole na frente do T-
- Eu que mando nessa porra! Eu que sei, tu não me desafia! FFFF! Tu tá carente e sem fuder, mas eu tô aqui pra salvar teu noivado! Hehehe! Confia no taco do sogro, Vitão!
Conforme ele metia, dava pra ouvir o barulho das ferramentas e das fivelas metálicas batendo no cinto pendurado na cintura. Acho que o mais gostoso dessa putaria não foi nem a adrenalina de treparmos na sala e com o Wellington no banho, mas sim o fato do Geraldão não ter removido qualquer peça de roupa pra montar no meu lombo.
- O tempo passa e esse cu continua meu, sei que tu gosta! GRRRR!
- Desgraçado! Tua piroca só amansa no meu cuzinho, né? Pior que já tô acostumado! Tá vendo como eu te odeio, macho?! Mmmm!
- Odeia e desconta a raiva abrindo a cuceta pra eu leitar, já sei como funciona nossa relação de genro e sogro! Heheheh! FFFF! – ele pegou impulso, subiu nas minhas costas e plantou os pés na beirada da poltrona pra me socar de cima pra baixo.
- OOHNFFF! Cê é cachorro demais, não consigo me ver livre de você! KARMA!
- Olha como minha pica cabe nesse cu, ó! – tirou tudo, botou de novo, tirou, botou outra vez e se deleitou com a facilidade e a maciez das entradas e saídas.
Aquele sobre mim era Geraldo, o eletricista, capaz de me dar choques de piroca no olho do cu e disparar descargas de prazer quando apertava meus mamilos com as luvas de trabalho. Minha tomada começou a entrar em curto-circuito com a ligação de 220V do cabo dele, o cheiro de borracha queimada tomou conta da sala e foram cinco minutinhos de fritação sem ninguém ver, até que veio o último estouro da corrente elétrica.
- OOORGH, SSSS! AGORA SIM! – a rola estufou e ele me recheou em leite quente. – AGORA DÁ PRA VOLTAR PRO TRABALHO EM PAZ, PORRA! FFFF!
- Filho da puta! Vai deixar meu rabo pesado de gala, a lá! Hmmm!
- E até agora tu não engravidou, hein? Nem de mim e nem do Heitor. Tem alguma coisa dando errado, será que não tô fazendo direito? Já parou com o anticoncepcional, viadinho? Heheheh... – meu sogro tirou a pica e fez o magma branco espirrar pra fora. – Vim em casa almoçar e vou sair de barriga cheia. Vida de noivado é uma delícia, tehehe!
- Traste.
Depois do sexo, Geraldão foi na cozinha comer, Wellington saiu do banho e eles chegaram a trocar ideia, em seguida cada um foi pro seu caminho. O coroa retornou à obra, o sargento provavelmente se mandou pro quartel e eu aproveitei a paz do apartamento pra curtir meu dia de folga. A curtição: ler textos atrasados da faculdade, terminar uma prova on-line e estudar pro concurso. Ao menos fiz isso com a leitada do sogrão germinando dentro de mim.
Não achei que a presença do Wellington fosse se tornar constante no apartamento, mas na semana seguinte ele apareceu lá de novo, mais uma vez na minha folga, só que sem Heitor e sem o Geraldão por perto. Mozão já tinha ido pro trabalho, sogrão tava na obra e foi a primeira vez que o sargento apareceu por si só, sem intermédio do meu noivo.
- Posso saber o que você tá fazendo aqui?
- Que isso, isso é jeito de cumprimentar teu parceiro? Fala direito comigo, pô. Adoça essa voz pra falar comigo, já é? – ele chegou o rosto perto do meu, alisou meu queixo e soube me derreter sem insistir.
- Foi mal, Tonzão, eu... Acordei quase agora, ainda tô de mau humor.
- Isso, bem melhor. Me amarro quando tu faz o que eu mando, a gente se entende. – o morenão entrou, olhou ao redor e ficou curioso. – Ninguém em casa?
- Ninguém. Heitor sabe que você tá aqui?
- Não, e nem precisa saber. Tô ligado que tu não vai contar, vai?
- Tonzão, Tonzão... – cruzei os braços e fiz bico.
- Segredo nosso. É o seguinte... – tirou a mochila das costas, apoiou no sofá e abriu. – É que a máquina quebrou e eu tenho que lavar a farda, será que rola fazer aqui?
- A sua máquina? Da sua casa? Sério? – não acreditei.
- Papo reto, irmão. Aqui, ó. Bagulho tá osso. – Wellington abriu a bolsa, tirou meias suadas lá de dentro e seu cheiro cítrico ganhou meu nariz. – Mas suave, tem lavanderia ali perto da Feira. Se preocupa não, vou lá v-
- Não, tudo bem. De boa, pode lavar aqui. Chega mais.
- Ah, sabia que tu não ia decepcionar! Esse é meu viado, sempre acatando. Teheheh!
- Você não vale nada, só tem macho traste ao meu redor. – eu resmunguei.
- Eu e mais quem?
- Forma de falar. Só tem você mesmo. – menti.
- Saquei... – seu olhar desconfiado entregou que ele não comprou a desculpa que eu dei.
Fomos pra área de serviço do apê, mostrei a máquina de lavar roupas pro Wellington e ele ficou um pouco perdido na hora de configurar.
- Ajeita aí pra mim, viado. Tu que manja dessas porra. – mandou.
- Beleza. – adicionei amaciante e sabão, comecei a separar as roupas na bolsa e bateu um tesão cretino quando senti o cheiro forte de limão na farda militar.
Nas meias tava pior. Ou melhor? Não sei dizer. Eram meias que passavam horas e horas dentro dos coturnos e que, a julgar pelo fedorzão gostoso, o moreno repetia dias e dias sem trocar, por isso ficaram pesadas da limonada dele. Wellington suava limonada, só me faltava provar o gosto.
- Era isso que você queria ver? Eu botando suas roupas pra lavar, como se fosse sua empregadinha? É isso que alimenta seu fetiche?
- Meu cérebro tá borbulhando, viado! Mmmm... Olha como eu fico. – ele mostrou os pelos arrepiados nos antebraços e começou a suar de aflição, mas uma boa aflição.
Tipo... Sei que sexo tem muito isso de obediência, satisfação e do prazer vir à tona, mas confesso que foi a primeira vez que eu vi acontecer de maneira tão bruta assim. Bruta no sentido de não ter muita excitação sexual crua, mas sim excitação geral, um frenesi, um êxtase visível no semblante do Wellington. Não que ele fosse ficar de pau duro e gozar me vendo cumprir suas ordens, é só que isso deixou ele MUITO EMPOLGADO e eu me senti diante de um tipo inédito de dominação.
- Pô, viado, passei quase a semana inteira usando essa meia aí. No quartel, no futebol, no treino. Tá podre, dá pra sentir o cheiro?
- Tá demais, Tonzão. Porcão. – zoei.
- Tá brabo mesmo. Não sei nem como tu tá com vontade de meter ela no nariz.
Entendi de primeira o que ele queria. Não só ele, eu também queria e muito. Meti as meias no nariz, inalei forte e meus olhos avermelharam com o tanto de testosterona crua que botei pra dentro dos pulmões. Bombardeei minha corrente sanguínea com a ambrosia proveniente dos pés suados de um sargento dominador, ele viu minhas lágrimas caírem de nervoso e esfregou os braços, seus pelos muito arrepiados.
- Cê gosta, tô vendo! Hahahah!
- Posso dar o papo reto? Tu é a primeira pessoa que sabe que eu sou assim. E só contei por saber que tu ia entender, senão nem teria falado nada. É estranho, né? Bagulho esquisito.
- Não, eu acho foda! Sexualidade é um mistério até pra nós mesmos, Tonzão. Eu tô fazendo o que você diz e cê tá todo inquieto aí, arrepiado dos pés à cabeça, não para de esfregar os braços e morder a boca. Dá pra ver claramente que você gosta. O que eu acho louco é que cê reage por inteiro, mas não fica de pau duro. Ou fica?
- Não fico. Eu gosto de mulher. Quando minha mulher obedece, também fico meio assim, mas é pouco. Tipo, bem pouco. Contigo não, contigo eu tô... – ele deu três pulos e soltou os braços e as pernas. – Contigo eu tô meio eufórico, sei lá. Contigo tá rolando naturalmente, minha cabeça tá quente.
- Toma cuidado, macho. Daqui a pouco você se descobre e sai do armário bissexual. Hahaha! – brinquei.
- Não adianta, Vitinho, o que eu sinto não é vontade de te comer.
- O que você sente quando eu te obedeço? Fala pra mim, tô curioso.
- Eu sinto... Uma onda que desce da parte de trás da cabeça pro resto do corpo. Ela chega nos pés e volta, bate no cérebro, fica indo e voltando. É uma sensação de deleite, de satisfação, de dever cumprido. E é quente. As pontas dos dedos ficam quentes, sinto que eu posso mandar tudo e tu vai obedecer. Foda é que tu obedece, eu sei que tu gosta. É uma espécie de... Encaixe, sabe? Eu querendo mandar, tu pronto pra fazer.
- Pois eu sou profeta, caro sargento Wellington Elias. E só vou te falar uma vez, escuta com atenção. – botei o dedo na cara dele. – Eu e você temos um encaixe que cê só vai entender quando debruçar por cima de mim. Vai por mim. Se sem sexo a gente tem esse magnetismo vibrante, não queira imaginar na cama.
- Não adianta, Vitinho. Já disse e repito que não pretendo te comer. Sou espada. Minha parada é submissão.
- Eu não disse que quero fuder com você. Aliás, é até bom que não role, porque tenho medo do cataclisma que pode acontecer. Só disse que o melhor encaixe pra você é dentro de mim. Mas de boa, já botei a farda na máquina.
- Pera. Faltou uma. – Wellington tirou a roupa, me entregou a cueca que ele tava usando e vestiu apenas o calção.
Detalhe: ela tava encharcada de porra, cheia de jatos de leite branco, grosso e recém extraído, chegava a estar pesada e fedorenta de sêmen. O cafajeste fez de sacanagem, praticamente um teste de resistência pra medir até onde eu era capaz de acatar suas ordens obscenas.
- Qual foi, viado, tudo bem? – ele me olhou e riu.
- Tudo, eu só... – olhei pra cueca e suei frio, um segundo se tornou uma eternidade. – Isso é porra?
- É, sim. Direto do meu saco, tem nem dez minuto que soquei uma. Tá fresquinha, por quê? Ficou nervoso?
- Wellington... Heitor confia em você.
- Fica tranquilo, não vou trair ninguém. Mas eu sei o que tu quer fazer com essa cueca.
- Filho da puta...
- Ninguém precisa saber que tu cheirou meu leite. Relaxa. Confia.
- Aff...
Aproximei a roupa íntima do nariz, farejei a ponta dos rastros de gala e a fragrância de limão me adestrou. Óbvio que o esperma de um macho com cheiro de limão também teria o mesmo odor, não dava pra ser diferente. Minha obediência fez o moreno lamber os beiços, ele deu a volta ao meu redor e não parou quieto.
- Não vou explanar que tu sentiu o gosto dos meus filhos, nem que tu chupou meu mingau. Sei que tu quer...
Pus a língua pra fora, passei de levinho na escarrada de leite e absorvi parte do sabor salgado do esperma do sem vergonha. E fiz isso olhando na cara dele, só pra ver suas expressões de satisfação e saciedade conforme comecei a chupar e sugar o pano sujo. Saber que nem a esposa do Wellington fazia isso me motivou, o cu pegou fogo cumprindo as ordens dele.
- Eca! Caralho, tem nojo não? Essa porra aí veio do meu saco, viado. Literalmente, pô, e tu engolindo. Gosta de leitão?
- É que você não me come, porque se dependesse de mim, eu faria pior. Tomaria direto da fonte, sem ser na cueca.
- Papo reto? Tu daria pra um cara feito eu, Vitinho?
- Porra, meu sonho! Sentir seu pé na minha cara e teu peso em mim, você me dando trabalho pra aguentar tua piroca inteira no cu. Já imaginou a cena? Aí sim eu te chamaria de varão. Hahahah... – já que ele queria tanto saber, eu não poupei sinceridade. – Aposto que de onde veio esse leite tem muito mais, tem não?
Não resisti e pus a mão dentro do short do sargento. Senti o taco meia bomba, arregacei e notei que ele tava TODO melado, só por ter visto minha submissão na hora de pôr a farda pra bater. Dá pra acreditar?
- Cê não existe, macho. Tá babando por causa de obediência? Pelo amor de Deus! Que delícia.
- Teheheh! Sou babão, é foda. Meu pau emociona fácil. Quando tu vê, já tá chorando.
- Ó! – espremi a rola da base à cabeça e ela escarrou o restante da porra que ele ficou de cuspir na última gozada. – Muita baba. E branquinha, com gosto e cheiro de limão. Sua mulher já comentou sobre esse gosto?
- Ela não sabe. Não mama.
- AH, QUE ISSO!? PECADO! ELA É DOIDA!? Quer dizer, não querendo chamar sua mulher de maluca, mas porra! Um picão bonito desse, peludinho, grosso, babão, e não recebe mamada?! É crime! – ajoelhei, suspendi a tromba em cima do meu rosto e deixei o melzinho pingar diretamente na minha língua. – Mmmm, gostosinho. Se você quiser, dou uma chupeta que vai te fazer gozar em um minuto. Quer apostar?
- Não adianta, viado. Meu pau não vai subir. Não tá vendo que tu mexe nele e continua molengo? Só com mulher mesmo, com homem não rola.
- Tudo bem, Tonzão. Mas eu não sou homem de brincar. Se for só pra brincar, melhor a gente ficar longe.
- Calma, Vitinho, faz isso não. Gosto quando tu obedece, vamo continuar assim, vai. Não me obriga a pegar pesado contigo.
- Pegar pesado? E você acha que tem poder pra isso, Tonzão? Para.
- Bom, já que tu quer fazer do jeito difícil... – o militar despreguiçou os braços pra frente, respirou fundo e botou as presas de fora. – Se fosse pro pai do Heitor, tu nem questionaria, né?
- Do que você tá falando, cara? Tá maluco? Não perde a noção, Geraldo é meu sogr-
- Um sogro que enraba o genro no sofá da sala, enquanto o filho sai pra trabalhar. É por isso que ele tá morando aqui? Será que tia Selma descobriu a puta que ela tem de genro ou descobriu só das piranhas que o Geraldão panha na rua? São tantas questões, Vitinho, tantas perguntas, que minha cabeça cansa. Prefiro quando a gente se dá bem sem eu precisar apelar. Quando tu se submete sorrindo. Qual vai ser?
Minhas mãos fecharam de raiva, mas meu cuzinho abriu na piscada safada. Pior de tudo é que ele não precisou falar grosso, me encarar feio ou usar de força bruta, bastou malícia e lábia pra fazer eu me contorcer de ódio e paixão ao mesmo tempo. Agora fui eu que senti a onda de prazer espalhar do cérebro pro resto do corpo, fiquei rendido ali.
- Tudo bem, macho. Achei que naquela hora cê tava tomando banho, mas já entendi que você viu eu dando pro Geraldão no sofá. Dá logo a próxima ordem, anda.
- Tenho um presentinho pra tu. – ele foi na mochila, pegou um pacotinho no bolso do canto e desembrulhou um objeto que eu custei a entender o que era.
- Que isso?
- Se liga.
Wellington mostrou o plug anal em formato de pião, tirou o celular do bolso e configurou o BlueTooth pra emparelhar os dois, plug e telefone. O resultado é que ele apertou no botão do aplicativo, o troço começou a vibrar e só então eu entendi o que o tarado tava planejando fazer com aquilo.
- Ah, não... Você só pode tá brincando.
- Não. Fica de quatro pra mim.
- Né possível. Cê é muito escroto mesmo, puta merda! – obedeci, fiquei de quatro e ele sentiu fagulhas de tensão.
Eu também senti, mas as minhas foram físicas, quando Wellington cuspiu no plug anal, melecou ele de saliva e em seguida socou no meu cu. Sem nojo, sem frescura, sem neuras, apenas um hétero dominador curioso brincando no seu playground de travessuras. Tão logo penetrou o masturbador na minha bunda, ele pegou o telefone e fez o objeto tremer e esquentar, uma espécie de dominação à distância.
- SSSS! Caralho, só pode ser brincadeira! Mmm!
- E tu ainda gosta, né, viado? Engatinha pra mim. Vai de quatro daqui pra sala com essa parada no teu cu, quero ver. Heheheh!
- Vai me subestimar? – dei as primeiras engatinhadas, ele aumentou a vibração na minha próstata e eu quase derreti no chão do corredor. – AAAHNSS! Esse bagulho é bom demais, tô gostando! Porra...
- Tô vendo tua cara de queima rosca. Hehehe! Também tô achando foda, viado. – no primeiro vacilo que o morenão deu, sua mão sem querer apertou o volume da pica no calção e ele entregou que surtiu efeito.
Engatinhei até a sala sendo estimulado de dentro pra fora e foi nesse momento que a porta abriu. Geraldão chegou desavisado e nos pegou de surpresa, a sorte é que eu já tava vestido e comportado, foi questão de segundos.
- Até que enfim cheguei em casa e não peguei meu genro dando massagem no pé de um otário. Tava ficando chato já.
- Corta essa, sogrão. Foi só uma vez e olhe lá, não exagera. E outra: você não é meu pai. Seu filho se chama Heitor, não Vitor. Me erra, valeu? Chato pra caralho.
- Já chega me zoando, velhote? Dá um tempo, pô. Heheheh! – Wellington levantou pra cumprimentar o cinquentão, depois sentou do meu lado no sofá, mexeu no telefone e aumentou a vibração do plug enterrado no meu cu.
- SSSS... – quase tremi no lugar.
- Que cara é essa, moleque? – Geraldo me olhou e não entendeu.
- Nada, eu tô.. Meio... Pensativo, só isso. Não liga pra mim, quero ficar quieto. – menti.
- Tô entendendo... – ele continuou me olhando, desconfiado.
- Tamo aqui conversando e Vitinho ficou estranho do nada, velhote, também não entendi direito.
- É, é, coisa da faculdade. Tá cada vez mais difícil, o conteúdo tá pesado...
- Conteúdo pesado, é? Sei. Imagino...
- Não tô dizendo que os viado são tudo fresco? Hehehe! Cadê minha comida, fez? – sogrão reclamou.
- Vou te contar, hein? Fala sério, eu só... – mais quentura no meu rego, o plug acelerou e minhas pregas bateram palminha na vibração. – Só queria um minuto de paz no meu próprio apartamento e não tenho.
- Relaxa, campeão. Tô esperando minha roupa bater e já vou embora, finge que eu não tô aqui.
- E TEM COMO?! FFFF! – me exaltei.
- Calma, rapaz. Também não é pra tanto, tá bolado à toa. – o pai do Heitor tentou amenizar minha reclamação e beliscou o bico do meu peito de propósito, ele nem percebeu o quão estimulado e excitado eu tava.
Pra ser franco, minha vontade era arriar as calças ali mesmo, ficar de quatro no chão e cuspir o plug anal do cuzinho na frente dos dois, foda-se. Mas juntar Geraldão e Wellington na mesma putaria pareceu loucura e achei melhor não contar pro meu sogro que o morenão sabia do nosso caso, caso contrário seriam dois contra um e eles teriam ainda mais poder sobre mim.
- Dá licença que vocês tão com a vida ganha e eu tô de folga, ainda vou estudar pra caralho hoje. Tchau. – saí da sala pra cozinha e achei que fosse me livrar, mas não deu um minuto e Geraldo apareceu atrás de mim.
- Tu deve achar que eu sou idiota ou lerdo que nem o Heitor, só pode.
- E você nem parece que tá falando do próprio filho. Que pai exemplar. – debochei.
- Fala direito com teu dono, seu bicha! – o coroa me encoxou e prendeu minhas mãos, pra eu não reagir. – Diz que não me quer! Diz que nunca mais quer que eu chegue perto de tu e eu nunca mais vou chegar, mas fala olhando no meu olho. Quero ouvir.
Me virou de frente, nos encaramos nariz no nariz e o silêncio tomou conta.
- Se esse trouxa do Wellington tiver te perturbando, me fala que eu ponho ele daqui pra fora.
- Entende uma coisa. Quem sabe da minha vida sou eu. Não preciso de você aqui secando cada passo que eu dou, tá entendendo? Tá parecendo Verdades Secretas, só que com o sogro. Cê mudou pra cá só pra me seguir, me cercar, e eu DETESTO isso. Nem teu filho, que é meu noivo, fica em cima assim. Tá na hora de parar, Geraldo. Uma hora vai acabar dando merda e eu não quero me fuder por causa da tua falta de caráter.
- E tu acha que eu ligo? Teu macho sou eu, Vitão, bota logo isso na tua cabeça. Aonde tu for, eu vou atrás, não importa onde. Eu sou tua sombra. – ele esfregou o bigode na minha nuca, forçou o volume na minha bunda e não viu o plug anal vibrando.
- Então é isso, né? Cê fica nessa fissura comigo só pra ver se teu filho descobre e me larga, aí o caminho fica livre pra você. Agora tô entendendo. Você é mais baixo do que eu imaginava, cara. – meu rabo danou a tremer e eu senti que Wellington aumentou a velocidade, lá da sala.
- Por que toda hora tu faz essa cara, moleque? – até o paizão percebeu. – Tem alguma coisa rolando e eu não sei?
- Eu faço essa cara porque não tô mais aturando você no meu pé o tempo todo. Perdi a paciência, não aguento mais. – disfarcei.
- É isso mesmo ou tu tá de casinho com esse milico cuzão?
- Não inventa, Geraldo. Ele é chato igual você, não sei por qual dos dois eu sinto mais tes... Nojo. Cês são insuportáveis. Se o apê fosse só meu, já teria expulsado vocês há tempos.
- Sei... – Geraldão alisou o bigode e continuou me olhando, sisudo. – Então prova.
- Provar o quê, Geraldo? Tá bêbado? Me deixa, homem.
- Prova que tu não tem nada com ele e dá pra mim.
- Não vou dar pra você! Isso não vai acontecer de novo, eu quero distância. Qual parte do “acabou” você não entendeu, maluco?! – comecei a ficar puto.
- PROVA! Dá o cu pra mim e esquece esse sargento otário, Vitão! Juro que dessa vez eu te engravido, faço do jeito que tu nunca mais vai esquecer. Vou morar na tua mente, rastejar debaixo da tua pele... – o pai do Heitor mordeu minha nuca, foi tirando meu short e causando arrepios na pele, junto com a vibração do plug.
- SSSS... Não tenho que provar nada, macho desgraçado. Respeita pelo menos o apartamento do teu filho, porra!
- Dá pra mim pela última vez, vai ser a despedida. E aí eu volto pra Realengo, te deixo em paz.
- JURA!? PROMETE?
- Palavra de sujeito homem. Te como pela última vez e deixo tua vida seguir. Não posso morar aqui pro resto da vida e, querendo ou não, meu casamento com a Selma ainda tá em jogo. Quero conversar com ela e consertar as coisas, mas primeiro... – o macho me virou de frente, chupou minha boca e socou a língua na minha daquele jeito bruto de sempre. – Quero a despedida. Quero a última foda, o sexo derradeiro. É o fim, Vitão. Também tô cansado de dormir no mesmo teto que tu e não te ter do meu lado quando eu quero, onde eu quero. Se não for pra te ter, prefiro nem conviver.
As palavras sinceras do sogrão me acertaram em cheio, não vou mentir. Mas aquele pedaço de metal dando espasmos nas minhas entranhas acertou mais fundo e eu me vi numa mistura inusitada de sensações: de um lado, a dominação rústica e cafajeste do coroa; do outro, a aura de obediência do sargentão amigo do meu noivo. Pra qual dos dois você acha que eu cedi? Só podia ser pra ele.
- Vamo fuder pela última vez, Geraldo. – topei. – Mas já que é pra ser simbólico, eu quero que seja no motel.
- Motel? Ah, tá de sacanagem, tá não? Porra, moleque, cansei de te comer dentro de casa com todo mundo dormindo lá em Realengo, esqueceu do nosso passado sujo? Precisa de motel não. Vamo aqui mesmo, meia horinha contigo e tá tudo conversado entre nós.
- Não é no motel que você gosta de comer suas amantes piranhas? Pelo que eu ouvi da fofoca, foi por causa disso que dona Selma te expulsou de casa, não foi? Ela descobriu que você levava suas putas pro motel e te botou na rua. Então... Sou tua putinha também, quero a mesma regalia que elas tiveram. Se as vagabundas da rua tiveram hidro, champanhe, ar condicionado, teto espelhado e clima de montanha, eu também mereço. É isso ou nada, coroa. Escolhe. – lambi a boca dele.
- Cadela no cio. Tu é biscate, é puta minha. Já que tu quer ser bem tratada, vou fazer do teu jeito. Mas ó, quando chegar lá... Tenho pena do teu cu. Vai ter que valer cada centavo meu, tá escutando? Vou tomar tadalafila pra passar quatro hora diretão enterrando piroca no teu buraco, tá preparado?
- Vou fazer tudo que você quiser. Afinal de contas, é a despedida. Chegamos ao fim, Geraldo. Foi bom enquanto durou.
- É. Bom enquanto durou...
- Semana que vem, na minha folga e no seu horário de almoço. Uma da tarde, naquele motelzinho perto da Rodoviária. Combinado?
- Rodoviária? Por que tão longe, garoto?
- Melhor, pra ninguém desconfiar. Seu filho é bobo, mas não é trouxa. Ele tem amigos em São Cristóvão.
- Me aguarde, Vitão. Me aguarde... – ele deu o aviso e saiu.
Na semana seguinte, quando o relógio da Rodoviária marcou pontualmente uma hora da tarde e o sol refletiu no meu óculos escuros, eu andei por aquele corredor com cheiro de limpeza e minha mão tocou na maçaneta da porta. Abri, dei o primeiro passo pra dentro, vi o macho esperando e ele mostrou o sorrisão largo assim que percebeu minha chegada.
- Não acredito. Conseguiu mesmo despistar aquele cuzão?
- Deu certo. Se bem conheço, ele tá que nem cachorro no cio me esperando no motel. Foi ótima essa ideia de tirar ele do apê e deixar a chave contigo, não falei que funcionava? Aquele lá só pensa com a cabeça de baixo.
- Show. Velhote fora, Heitorzão no trabalho... Bom saber que eu tô com tempo contigo. Preciso mandar ou tu sabe o que fazer? – Wellington se largou no sofá, cruzou os pés sobre a mesa, apoiou as mãos atrás da cabeça e não se mexeu nem pra pegar o controle da TV, eu que fiz tudo.
- Tô a postos, sargento Elias. Deixa comigo. – busquei cerveja na cozinha e servi, preparei uns beliscos pra gente comer e deixei o morenão sorridente de satisfação.
- Assim tu vai me acostumar mal, vou querer brotar aqui sempre.
- Por que não? Eu gosto de obedecer, você curte mandar... É a conexão perfeita. Tamo em harmonia, não acha?
- Só acho. – ele brindou o copo no meu, jogou os pés no meu colo e pediu massagem, que eu prontamente dei.
O problema é que o álcool não demorou a fazer efeito, o militar ficou à vontade demais com a minha submissão e eu não consegui parar de admirar seu corpo trincado e peludão do meu lado, ao alcance das minhas mãos. Apertar as solas dos pés desse homem mexeu comigo, o cheiro de limão me enfeitiçou e meus dedos subiram de encontro ao malote amontoado no short dele, foi impossível não patolar.
- Vitinho... Quantas vezes eu vou ter que dizer que meu bagulho contigo não é sexual?
- O seu não, mas o meu é. Cê me deixa entorpecido, Tonzão. Tão entorpecido que eu enganei meu sogro só pra ficar a sós com você hoje.
- Mas meu pau não vai subir, irmão. Tu me quer de pau molão, tem certeza?
- Não tô nem aí se não subir, só quero colocar ele na boca e ser feliz.
- Vou brochar, viado, sem neurose.
- Isso é o que nós vamos ver. Cansei de obedecer, tá na hora de mandar em você. – encarei ele nos olhos, o safado se deu conta da minha fome e acho que só agora percebeu o perigo.
Arriei seu short numa só puxada, fiquei frente a frente com a nudez escultural do amigo do Heitor e devo ter levado quase um minuto admirando o físico escupido daquele sargentão com postura de lutador. O peitoral imponente, os pelos, as veias nos braços, as axilas torneadas, suas coxas firmes, as panturrilhas massudas, os pés veiúdos, seu cheiro cítrico, a cara de safado que ele fez quando mordeu a boca e ergueu a sobrancelha direita... Foram muitas camadas de detalhes.
- Mmm! Até seu pau tem gosto de limão. – enchi a boca na linguiça.
- Pode tentar. Tu vai ficar um tempão aí mamando e ele não vai subir. Pena que tu não é mulher, porque se fosse já taria o aço.
- Ah, você duvida? Beleza. – engoli a pica toda, apliquei pressão e deixei a cabeça viajar no céu da minha boca, ao mesmo tempo que segurei as bolas e as aqueci na mão.
Minha língua serviu de tapete de boas-vindas pra caceta do Wellington. Arregacei ela na mamada, a ambrosia cítrica dominou meu paladar e usei bastante baba pra agasalhar da ponta ao talo, indo e vindo devagar. Meu nariz acertou o púbis pentelhudo dele, minha outra mão alisou sua perna e depois subiu pro mamilo direito, foi quando o macho segurou meus dedos e me impediu de tocá-lo ali.
- Nem pensar. Bico do peito é meu ponto fraco.
- Você não devia ter me contado. – subi lambendo o abdômen, cheguei na auréola estreita e minha língua intumesceu o mamilo do Wellington quase que instantaneamente, ele chegou a se esticar no sofá.
- SSSS! Papo reto, viado, esse bagulho de peito é covardia! Me deixa como, tortão! Para com essa porra, senão vai dar ruim!
Tarde demais. O pauzão mole ganhou vida, a cabeça estufou em direção à garganta, eu dei os primeiros engasgos entalado no mastro e ele se torceu na poltrona, relutante pra não engrossar na minha boca. Mas não adiantou, o caralho cantou na goela e aí sim virou boquetão de verdade, a mamada de luxo que o varão tanto merecia ganhar...
Continuação no On Now.
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