No Capô do Gol

Da série O Galpão
Um conto erótico de Mateus
Categoria: Gay
Contém 1893 palavras
Data: 01/06/2026 22:54:03
Última revisão: 01/06/2026 23:04:11
Assuntos: Anal, beijo grego, Carro, Gay, Oral

Numa sexta-feira de calor brutal, Sandra liberou metade da equipe mais cedo porque faltou material no galpão. Os homens comemoraram como presos recebendo indulto natalino. Leandro apareceu no escritório girando a chave do carro.

— Bora.

— Pra onde?

— Você faz pergunta demais.

— E você responde de menos.

Ele sorriu. Aquele sorriso preguiçoso. Meu corpo inteiro já sabia o que vinha junto dele.

A cidade estava vazia naquele horário estranho entre tarde e noite. Passamos por bairros simples, oficinas fechando, crianças jogando bola na rua, bares começando a encher de homens cansados e cerveja barata. Leandro dirigia com o braço para fora da janela, o vento quente bagunçando o cabelo, bonito de um jeito irritante.

— Você já percebeu que nunca me leva pra lugar normal? — perguntei.

— E o que seria um lugar normal?

— Sei lá. Cinema. Lanchonete. Planeta Terra.

Leandro riu baixo.

— Você quer namorar comigo, Mateus?

A pergunta veio carregada de ironia, mas meu silêncio durou meio segundo além do aceitável. E ele percebeu, claro que percebeu. O sorriso diminuiu devagar.

— Caralho — murmurou — Você pensa nessas coisas mesmo.

Olhei pela janela imediatamente. O coração disparando sem autorização.

— Não viaja.

— Tô viajando não.

Ele reduziu a velocidade perto de uma estrada cercada de eucaliptos.

— Você romantiza tudo.

Aquilo me irritou.

— E você transforma tudo em piada porque tem medo de levar qualquer coisa a sério.

Silêncio, pesado. Leandro estacionou o carro abruptamente no acostamento de terra. Desligou o motor do Golzinho, que mordeu o silêncio da estrada vicinal, transformando o ronco surdo em um tique-taque de metal resfriando.

Leandro puxou o freio de mão, a alavanca subindo com um click seco que ecoou dentro do carro. Fora, a escuridão começava a assomar, quebrada apenas pelos faróis distantes que cortavam a rodovia do outro lado da mata. O acostamento de terra parecia uma extensão áspera da noite, convidativa e perigosa.

— Aqui? — perguntei, a voz rouca, o canto da minha boca puxado num sorriso de desdém.

— Aqui — Leandro confirmou, virando o rosto.

O cheiro de estofado velho do banco do Gol primeira geração se misturava ao odor de terra molhada e à testosterona que já começava a pesar no ar. Ele não esperou pela resposta, se virando bruscamente para mim.

— Você acha que é fácil pra mim?

A voz saiu mais alta dessa vez, mais crua.

— Eu acho que você sempre foge quando a coisa começa a parecer real.

Ele riu sem humor nenhum.

— Real pra você é o quê? Dar as mãos no shopping?

— Não é isso.

— Então o que é?

Eu não soube responder imediatamente, porque a verdade era pior. Eu queria alguma coisa que nem eu entendia direito ainda. Queria continuar sendo desejado daquele jeito absurdo, queria continuar descobrindo aquele corpo, aquela tensão, aquela química inexplicável. Mas também queria ser visto, não escondido. Não reduzido a estacionamentos vazios e vidros embaçados. Leandro passou as mãos no rosto, cansado.

— Você não entende o tamanho da merda que isso aqui pode virar pra mim.

A frase me acertou em cheio. Para mim. Não para nós. Para ele. E talvez fosse honesto da parte dele admitir isso, mas doeu mesmo assim. O silêncio dentro do carro ficou longo demais. Lá fora, o vento atravessava os eucaliptos produzindo um som baixo, contínuo, quase oceânico. Eu encarei o painel do carro, depois minhas próprias mãos.

— Então para — falei baixo.

Leandro virou o rosto imediatamente.

— O quê?

— Para comigo.

Aquilo mudou o ar, literalmente. Porque nós dois sabíamos que eu estava falando sério, pela primeira vez.

— Mateus…

— Você tá certo. Isso aqui não vai virar nada.

Leandro me observava agora com uma intensidade estranha. Sem deboche, sem defesa, só atento.

— Então para.

Ponto sem retorno. Era isso. Aquele momento exato em que uma relação deixa de ser apenas desejo confortável e passa a exigir escolha. E escolhas assustavam muito mais do que tesão. Leandro ficou imóvel por alguns segundos, depois soltou uma risada curta. Incrédula.

— Você é impossível.

— E você é covarde.

Aquilo fez alguma coisa explodir dentro dele. Leandro me puxou pelo braço e me beijou com raiva. Não violência, raiva. Daquelas que nascem quando alguém encosta exatamente na ferida que você passou a vida escondendo.

O mundo inteiro pareceu diminuir ao tamanho daquele carro quente parado entre árvores. Minha respiração falhou imediatamente, as mãos dele me seguravam como se quisessem impedir que eu desaparecesse. Ou talvez impedir a si mesmo.

— Você acha que eu não penso em você? — ele murmurou contra minha boca — Você acha que eu consigo desligar isso quando vou embora?

Meu coração disparou de um jeito quase doloroso. Porque aquela era a primeira vez que ele admitia, mesmo sem admitir completamente.

— Então por que parece que eu sempre tô pedindo migalhas suas?

Leandro fechou os olhos por um segundo. A testa encostada na minha, a respiração pesada.

— Porque eu não sei fazer isso direito.

A honestidade daquela frase quase me destruiu. E foi ali, naquele carro abafado cercado por eucaliptos e medo, que eu entendi o verdadeiro perigo de Leandro: não era o sexo. Era o fato de que, aos poucos, ele estava começando a me amar do único jeito que sabia. Mesmo que esse jeito ainda fosse insuficiente para nós dois.

Leandro passou a mão pela minha coxa, a palma quente esfregando o meu jeans. Se aproximou, capturando os meus lábios numa pressão úmida e faminta. Não foi um beijo romântico; foi mordida, língua invadindo espaço, dentes roçando o lábio inferior com força suficiente para deixar um rastro vermelho.

Retribuí com a mesma urgência, minha mão subindo do jeans para a cintura, puxando a camisa de Leandro para cima e afundando as pontas dos dedos na pele lombar, quente e úmida. O ar da noite que se aproximava não dava conta de resfriar o calor que gerávamos.

— Vamos pra fora — sussurrou Leandro entre um suspiro e outro, se afastando com relutância.

Abri a porta do carro, deixando entrar o barulho dos grilos e a brisa noturna. Saímos quase juntos. A terra batida estalou sob as solas das minhas botas. Caminhei até o capô, a pintura preta brilhando sob o luar e o reflexo amarelado dos faróis distantes.

Me encostei ao metal, que ainda irradiava o calor do motor, um contraste delicioso com o ar fresco da noite. Leandro seguiu atrás, fechando o espaço, encostando a pélvis contra a minha, me prendendo contra o carro.

— Gosta de arriscar, hein? — Leandro provocou, desabotoando a minha calça com movimentos rápidos e precisos. O zíper desceu num sussurro de dentes de metal.

— Você tá reclamando? — retruquei, jogando a cabeça para trás e expondo o meu pescoço, onde as veias pulsavam visivelmente.

Leandro riu baixo, um som que vibrou no peito de ambos. Enfiou a mão dentro da minha cueca, encontrando a minha ereção já dura, pulsando contra o seu punho. O toque foi direto, sem rodeios, o polegar espalhando a babinha que já umedecia a glande. Gemi, meus quadris se impelindo para a frente, buscando mais fricção.

— Calma, garoto — Leandro murmurou, mas ele próprio não tinha paciência.

Abriu o próprio cinto, a fivela metálica batendo no para-choque com um clangor. Puxou o pau para fora, grosso e curvado, e o aproximou do meu. Começamos a nos masturbar mutuamente ali, sob o céu aberto.

O som das mãos deslizando na pele, úmidas de suor e lubrificação natural, era obscenamente alto contra o fundo silencioso do mato. O cheiro de sexo ficou forte, impregnando o ar ao redor do veículo. Olhei para baixo, vendo os dois paus se roçando, as cabeças vermelhas e inchadas se tocando, uma visão que fez a minha respiração estagnar.

— Chupa pra mim — Leandro ordenou, empurrando os meus ombros para baixo.

Me afundei de joelhos na terra, sentindo a aspereza dos grãos através do tecido da calça, mas não me importei. O que importava era a carne quente à minha frente. Agarrei a base do pau de Leandro, sentindo a rigidez e a textura das veias salientes. Abri a boca e engoli a glande de uma só vez, minha língua fazendo movimentos circulares frenéticos ao redor da uretra.

Leandro entrelaçou os dedos no meu cabelo, guiando o ritmo, controlando a profundidade. O calor da minha boca era um vácuo perfeito, úmido e apertado. Cada vez que eu descia até a base, meu nariz roçava os pelos pubianos dele, e Leandro soltava um grunhido gutural, os olhos fechados, o rosto se contorcendo no prazer bruto.

— Agora vira — Leandro me puxou de volta para cima, me girando e me forçando a se curvar sobre o capô quente — Vamos ver esse cuzinho.

Apoiei as mãos no capô, o metal contra as palmas das minhas mãos, e arqueei as costas, oferecendo o meu traseiro. Leandro se abaixou, separando as minhas nádegas com as mãos fortes. Sem aviso, colou a boca no meu orifício rosado, a língua plana fazendo uma pressão firme e úmida.

A língua de Leandro era implacável. Ele chupou, mordeu e penetrou o meu anelzinho com a ponta da língua, lubrificando e relaxando a minha entradinha. Eu gemia alto agora, sem me preocupar com quem pudesse ouvir na estrada deserta. A barba por fazer de Leandro roçava a pele sensível das minhas nádegas e do períneo, uma sensação áspera que eletrizava todo o meu sistema nervoso.

— Tá pronto? — Leandro perguntou, se levantando e limpando a saliva da boca com as costas da mão.

Ele cuspiu na mão e passou no próprio pau, garantindo mais lubrificação.

— Fode logo, porra — implorei, olhando por sobre o ombro, os olhos vidrados de desejo.

Leandro posicionou a ponta do cacete na minha entrada, empurrando devagar, sentindo a resistência do músculo que cedia diante da pressão constante. O anelzinho se abriu, engolindo a cabeça do pau. Ambos soltamos um suspiro sincronizado quando Leandro entrou até o fim, sacudindo todo o meu corpo contra o carro.

O ritmo começou pesado. Leandro segurava a minha cintura com força suficiente para deixar marcas, me puxando para trás enquanto enfiava os quadris para frente. O som da pele batendo na pele, plac, plac, plac, era ritmado e violento. O carro balançava levemente com o impacto dos corpos.

— Sim, assim, caralho — eu gritava, a cada golpe que acertava a minha próstata.

O prazer era uma faca de dois gumes, cortando entre a dor do esticamento e o êxtase da pressão interna. Apertei o meu próprio pau, me masturbando freneticamente, sincronizando as batidas com as investidas de Leandro.

Leandro aumentou a velocidade, o suor escorrendo pela testa e caindo nas minhas costas. A rigidez do capô adicionava uma camada extra de desconforto e prazer, o metal agora frio contra a pele de onde eu me encostava. O cheiro de terra, metal e suor era intoxicante.

— Vou gozar — Leandro avisou, a voz rouca e quebrada.

Ele cravou os dedos nas minhas nádegas e enterrou o pau até a raiz, congelando o movimento por um segundo antes das contrações começarem. Senti o jato quente explodir dentro de mim, espalhando o calor profundo no meu abdômen. A sensação foi o gatilho final. Apertei a base do meu próprio pau e soltei um gemido prolongado, o esperma jorrando sobre o capô quente do carro, formando poças brancas e viscosas no metal preto.

Ficamos imóveis por um momento, apenas os peitos subindo e descendo violentamente, tentando recuperar o oxigênio. Leandro recostou a testa nas minhas costas, o corpo pesado e relaxado. Ao redor, os grilos voltaram a cantar, como se nada tivesse interrompido a noite.

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