A Saga de Otávio 5 – Dúvida também é escolha

Um conto erótico de Xandão Sá
Categoria: Gay
Contém 4172 palavras
Data: 07/06/2026 10:40:57

Depois daquele encontro catártico entre Otávio, Gabriel e Marcelo, ao contrário do que se poderia imaginar pelo começo tórrido, o trio não se tornou uma constante. Por todo aquele ano, Otávio seguiu dividido e alternando sua atenção e seu desejo entre os dois, além do namoro com Alice. Até voltaram a fazer ménage à trois, como Marcelo gostava de pronunciar em francês cheio de zombaria, mas foram poucas vezes. Quando chegou a reta final da preparação do vestibular, o tempo de Otávio ficou escasso. Consciente da medida do investimento dos pais para ele estar em Fortaleza, com todas as despesas bancadas, ele se colocou inteiro na responsabilidade de entrar para a faculdade. Por sua vez, Gabriel, que iria tentar Medicina mais uma vez, também se dedicou à sua difícil missão e, com isso, o convívio entre eles, em duplas ou trio, foi se reduzindo e ficando esparsado. O que era frequente se converteu em episódico e Otávio, para se aliviar, que é como ele via suas fodas com outros homens, alívio… passou a preferiu aventuras rápidas e anônimas como ser chupado no banheiro do shopping ou do supermercado ou alguma putaria num cinema no centro da cidade, numa escapada no meio da tarde da aula do cursinho. Não havia nomes, apresentações, ninguém contava sua história de vida, qual o seu signo ou que time você torce. Os diálogos eram travados e resumidos em pau, cu e boca (sem fala, só para chupar). Nem beijo tinha. Fudeu, gozou e pronto!

Assim que acabaram as provas do vestibular, Otávio se mandou para o interior, mas logo percebeu, após mais de um ano fora, que as coisas não eram mais as mesmas. Os primos e amigos que continuavam lá estavam se casando ou noivando, se encaminhando para uma vida diferente da dele, horizontes distintos que geravam um sentimento de perda, além da escassez de interesses em comum a serem partilhados. Assim que passou o batizado de Wellington, filho de seu primo Natanael, ele decidiu voltar pra Fortaleza e usou como pretexto a expectativa pelo resultado do vestibular. De fato, ele estava ansioso demais e queria viver a aventura de ouvir no rádio a leitura das listas, conferir nos impressos colados nas paredes das universidades se tinha passado, como era costume na época. Tinha decidido e feito apenas UECE e UFC, apesar do pai ter insistido que ele tentasse a UNIFOR também, mas Tavinho não queria continuar na dependência financeira do pai. Fazer uma faculdade pública era metade do passaporte para sentir menos desconforto em estar “enganando a família”. A equação em sua cabeça era essa: meus pais me dão tudo e estou enganado eles sendo baitola. Pois é, o conflito continuava. A cada transa, a náusea da culpa ainda o visitava assim que acabava a foda, as vezes até no meio. Conflito e culpa que geravam cansaço…

Naquela tarde abafada e quente, o cansaço quase orgânico se mesclava com tédio e inquietação. Rolaram vários boatos na turma do cursinho que a resultado da UECE ia ser divulgado hoje ou amanhã. A escalada da ansiedade fez Otávio pensar em pegar um ônibus e voltar pro interior, ficar com os pais, desfrutar da vida mansa e simples de lá. Até que Duda, amigo e vizinho, com quem teria tórridos episódios de sexo duas décadas depois, chegou na calçada gritando:

- Passamos Tavinho, passamos!!!!

Ele saiu à porta e foi abraçado por Duda, o Carlos Eduardo. Logo atrás vinham Guga, Carlos Augusto, irmão de Duda, e vários amigos da turma do Bairro de Fátima. Gritaria. Euforia. Logo chegaram também a tia, as primas e as irmãs, que, como sempre, estavam na casa da tia. Passada a festeira confusão inicial, Otávio correu pro telefone na sala e ligou pros pais. Choro. Emoção. A certeza da mãe “eu sabia, meu filho”, o orgulho do pai “você vai ser doutor, Tavinho” e, sem demora, a turma foi para um bar nas imediações comemorar. Otávio, pela primeira vez, se permitiu perder o controle. Bebeu todas. Vomitou. Deu vexame. Voltou pra casa carregado sem saber como. Acordou no dia seguinte sujo, ainda tonto, com uma dor de cabeça colossal, o estômago dando voltas só em falar em comida e duas sensações conflitantes em sua mente: a de que a vida começava agora, pra valer, e a de que algo havia acontecido no meio do porre, algo muito importante, mas do qual ele não conseguia se lembrar. Só lembrava de que era algo que na hora tinha lhe feito pensar: que merda que eu tô fazendo. Tentou recapitular cada fragmento de memória, mas o fato é que em algum momento da farra ele simplesmente entrou em amnésia alcoólica.

A vida de fato se transformou. Após o carnaval, o ano de fato começou e a rotina da faculdade alterou a vida de Otávio de maneiras que ele não havia previsto. Os dias agora eram ocupados por aulas, trabalhos em grupo, provas e pelo estágio que conseguira em uma empresa respeitada da cidade, indicado por tio Zeca. Pela primeira vez, sentia o peso concreto da vida adulta se aproximando. O futuro, que antes parecia uma ideia distante, agora cobrava decisões, responsabilidades e posturas diametralmente opostas à vida leve de antes. De maneira natural, foi se afastando de Gabriel e Marcelo. Marcelo pareceu ter encontrado uma nova aventura e de supetão sumiu sem deixar rastros e explicações. Gabe, que finalmente entrou pra Faculdade de Medicina, andava imerso em leituras e estudos. Tentaram manter algum tipo de regularidade em suas escapadas, mas o vínculo havia se esgarçado. O prazer não morava mais ali. Só restava a Otávio buscar o escape das fodas eventuais nos mesmos moldes que vinha fazendo: alguma pegação num banheiro público (e nisso entrou um novo roteiro, os banheiros do Campus) e a ida a outros lugares de sexo gay anônimo como cinemas do centro e o espigão da praia de Iracema. Em todo caso, havia o medo de ser flagrado por algum conhecido e isso tornava a ideia de ir tão angustiante que Otávio sufocava a pulsão do desejo gay até chegar num nível asfixiante.

Na contramão disso, Alice continuava ao seu lado. O namoro havia adquirido uma estabilidade confortável. Seus pais vieram do interior conhecer a potencial futura nora. As famílias se encontraram, os tios e tias de Fortaleza aprovaram e encorajaram o namoro, tio Zeca deu um daqueles olhares eloquentes para Otávio, como quem diz: “está vendo?! Esse é o nosso destino”, já que Otávio tinha dito ao tio que não queria mais se envolver com ele e com o genro, que ia se afastar desse tipo de problema… Ainda assim, os almoços de domingo tornaram-se frequentes, vez em quando os tios e o noivo da prima estavam presentes, e os comentários sobre o futuro de Otávio e Alice seguiam cada vez mais intesos:

— E o casamento, quando sai? — perguntava uma tia, entre risadas.

— Primeiro deixem o rapaz terminar a faculdade — respondia sua mãe, embora o sorriso deixasse claro que a ideia não lhe desagradava.

Alice parecia feliz. Falava ocasionalmente sobre planos futuros, sobre uma casa, sobre a vida que imaginava construir. Nunca o pressionava diretamente, mas Otávio percebia que ela acreditava sinceramente que estavam caminhando naquela direção.

Era justamente isso que o atormentava.

Porque gostava dela.

Talvez não da forma que ela merecesse, mas gostava. E a desejava também. Em vários momentos de intimidade entre o casal, o tesão se manifestou, mas Alice logo tratou de desencorajar qualquer avanço, o que trazia conforto para Tavinho que estava cada vez mais voltado para o sexo entre homens. As transas com mulheres viraram coisa rara. E essa vida dupla tornava tudo ainda mais difícil.

Um dia saiu do estágio reencontrou Marcelo por acaso, pararam para conversar, aproveitaram o pretexto de um café da tarde para por a conversa em dia. Após ouvir todas as histórias e questões relatadas, Marcelo percebeu o desgaste crescente em Otávio.

— Você está tentando sustentar tantas vidas ao mesmo tempo — observou entre mordidas na casquinha de sorvete.

A frase ficou ecoando durante semanas.

Porque era verdade.

Havia o Otávio filho.

O Otávio namorado.

O Otávio profissional.

E o Otávio que existia apenas nos espaços onde acreditava estar seguro para ser ele mesmo.

À medida que os anos 1990 avançavam, Fortaleza parecia mudar numa direção mais cosmopolita. Ainda havia preconceito, comentários maldosos e histórias de pessoas que perderam oportunidades por causa de sua orientação sexual. Mas também surgiam novos espaços de encontro, novos círculos de amizade e sinais discretos de uma comunidade que aprendia a sobreviver na invisibilidade.

Otávio observava tudo isso com crescente curiosidade.

Pela primeira vez, começou a imaginar uma pergunta que evitara durante anos:

"E se eu não quiser viver escondido para sempre?"

A questão o assustava. Não porque não soubesse a resposta. Mas porque começava a suspeitar que já a conhecia.

Numa noite, voltando sozinho para casa após uma longa jornada entre faculdade e estágio, parou diante da vitrine escura de uma loja fechada. Seu reflexo devolveu a imagem de um jovem que parecia bem-sucedido.

Bom aluno. Bom estagiário. Bom namorado. Bom filho.

Mas, pela primeira vez, Otávio percebeu que estava cansado de apenas parecer. Talvez o verdadeiro desafio da vida adulta não fosse conseguir um diploma, uma promoção ou um casamento. Talvez fosse descobrir se teria coragem de viver a própria verdade quando chegasse o momento de escolhê-la. E essa escolha, ele sentia, estava cada vez mais próxima.

O encontro aconteceu por acaso, num final de tarde em que Otávio deveria estar estudando para uma prova da faculdade.

Havia meses que sua vida parecia um círculo apertado de obrigações. O estágio exigia mais responsabilidade. A faculdade cobrava desempenho. Alice falava cada vez mais naturalmente sobre o futuro. Sua mãe comentava sobre noivados de conhecidos como quem deixava mensagens indiretas sobre o próprio filho.

Otávio sentia-se sufocado.

Foi nesse estado de espírito que entrou sozinho em um dos antigos cinemas do centro da cidade. O local tinha fama discreta, conhecida apenas por quem circulava por determinados ambientes. Para o público comum, era apenas mais um cinema decadente. Para outros, era um ponto de encontro onde homens podiam trocar olhares e reconhecer uns aos outros sem precisar dizer nada.

Foi lá que conheceu Ricardo.

Ricardo era alguns anos mais velho, talvez perto dos trinta. Tinha uma confiança que imediatamente chamou a atenção de Otávio. Diferente de Daniel, impulsivo e aventureiro. Diferente de Marcelo, sofisticado e filosófico. Ricardo parecia completamente à vontade consigo mesmo. E isso fascinou Otávio. Não era apenas atração física e olha que Ricardo era um homem que fazia as pessoas virarem a cabeça para admirar sua figura por mais tempo.

Era a forma como ele ocupava o espaço e circulava à vontade. Como sorria sem medo. Como olhava diretamente nos olhos. Como parecia não carregar o mesmo peso de culpa e vigilância que acompanhava Otávio desde a adolescência. Ali, no balcão que ficava no fundo da plateia do Cine São Luís tiveram a primeira troca de olhares. Quando Otávio desviou o foco porque ainda se inibia de sustentar um flerte, Ricardo veio direto até ele, procurando seu olhar como quem ancora no outro a construção de uma ligação.

Sua abordagem foi rápida e sem rodeios:

- e aí moço bonito, a fim de curtir? A gente pode sentar juntos na plateia ou ir no banheiro das uns pegas. O que você me diz?

- eu não sei… - hesitou Otávio

- pois eu sei – decidiu Ricardo pelos dois, puxando Otávio pela mão em direção a uma das muitas filas de cadeiras vazias naquela tarde abafada. Ao se sentarem, Ricardo não fez de conta que eram dois amigos sentando juntos enquanto avaliava o entorno. Ele puxou Otavio pelo pescoço e lhe beijou. Um beijo envolvente, cheio de sutilezas, língua e lábios explorando tudo que a boca de Tavinho podia dar. As mãos já buscaram o corpo do outro, uma se enfiou dentro das calças e a outra trouxe a mão de Otavio para sua própria rola. Ficaram se beijando e se apalpando.

Alguns minutos de amasso, Ricardo desfez o beijo e anunciou:

- deixa ver até onde consigo engolir essa chibata

Ajoelhou-se entre as pernas de Tavinho e caiu de boca em sua pica. Mamou sua rola de diferentes modos: sugando, saboreando, lambendo, beijando, engolindo tudo, depois só a cabecinha, usou de todo o repertório que ele, Ricardo, tinha nas artes de mamar uma rola.

O pau de Otavio ficou tão teso que parecia um obelisco. Depois de mamar bastante, Ricardo se ergueu, sentou-se em sua poltrona e balançou a rola, como quem diz: “agora é sua vez!”. Otavio não se fez de rogado, passou por cima de todas as suas inibições e receios, se ajoelhando entre as pernas e meteu a rola de Ricardo na boca. Um pau de tamanho médio, torto pro lado esquerdo, grossura normal, uma cabeça bem definida, um belo par de ovos, e um cheiro delicioso de rola limpa. Otávio mamou com a fome de mil retirantes. A confiança de Ricardo o estimulou de um jeito inédito. Ele não queria estar em outro lugar que não aquele, a vida estava ali, entre as pernas de Ricardo, mamando aquela pica, se esforçando para botar os dois ovos grandes e pesados na boca, saboreando aquela rola com uma fome de pica sem tamanho.

Alguns minutos mais tarde, Ricardo deu um tapinha em Otávio e falou:

- vamu no banheiro!

Ele se levantou, botando o pau dentro das calças sem se importar com a ereção marcando sua roupa. Otávio fez o mesmo, mas se sentiu amedrontado dos outros frequentadores do cinema verem o tamanho do tesão que ele estava. A rola quase não cabe nas calças de tão dura que estava. Seguiu Ricardo que ia a frente, confiante. Entraram no banheiro e tinhas dois caras, lado a lado no mictório. Ricardo nem se deu ao trabalho de olhar pra eles. Entrou num reservado e puxou Otávio pra dentro, que estava vermelho de vergonha. Como se os caras que viram ele entrando na cabine com Ricardo não estivesse fazendo a mesmíssima coisa no mictório.

Tão logo a porta da cabine foi fechada, Ricardo fez Otávio se debruçar em direção a parede enquanto se ajoelhava atrás dele. Puxou suas calças pra baixo, levando a cueca junto, abriu seu rabo no meio e meteu língua no seu cu. A língua de Ricardo era um dínamo, ia ser muito fácil se apaixonar por aquele cunete. Em poucos segundos, Otávio já estava tentando abafar os gemidos enquanto espontaneamente abria mais as pernas para facilitar o acesso da língua de Ricardo ao seu cuzinho. Uma língua que serpenteava suas pregas, fazia pressão para elas se abrirem, tentava avançar entre as carnes rugosas como se fosse se meter cu adentro.

Depois de chupar bastante aquele cu, Ricardo se levantou, tirou uma caminha do bolso, encapou sua rola com a facilidade de quem já fez aquilo inúmeras vezes, aprumou a cabeça da pica nas pregas de Otávio e anunciou:

- relaxa que vou devagarinho pra você se acostumar…

Dito e feito. Pressionou, afastou a rola, botou mais saliva, voltou a pressionar, fez isso umas quatro vezes até que as pregas de Tavinho cederam e a cabeça do pau de Ricardo fez um “plop” e pulou pra dentro do cuzinho de Otávio. Ricardo esperou os músculos de Tavinho relaxarem para voltar a pressionar. E foi assim, na maciota que a rola dele foi avançando e conquistando o cuzinho do parceiro. Otávio se surpreendeu que, após algum ardor e um breve desconforto, sem demora, mas sem parecer apressado, Ricardo concluiu a tarefa de enfiar a rola toda em seu rabo.

Durante a enfiada, Ricardo falava obscenidades deliciosas ao pé do ouvido de Otávio: o quanto seu cuzinho era apertado, quentinho, como era gostoso meter no cuzinho de um cara pauzudo, o tesao que dava em socar rola segurando uma piroca gigante nas mãos, ficar punhetando o cara que ele, Ricardo, estava enrabando. Otávio, claro, enlouquecia de tesão, delirava de prazer, duplo prazer, da rola sendo enfiada seu cu adentro e as coisas que eram ditas, estimulando ainda mais o tesão de ser comido de forma tão despudorada, no banheiro do cinema, com todos os riscos ao redor. Por longos 5 minutos ou mais Otávio levou pica com gosto.

Contudo, no meio desse bem bom, o zelador entrou no banheiro assoviando. Eles paralisaram de susto e, tensos, ficaram ouvindo a movimentação do funcionário fazendo a limpeza do banheiro. Ao mesmo tempo, a porta fez barulho de abrir e fechar mais uma vez enquanto o assovio continuava a solar uma música brega. Imaginaram que a dupla que estava no mictório que se retirou diante da chegada do zelador. Mais uns dois minutos e o som de assovio saiu junto como novo ranger da porta se abrindo. Ricardo aproveitou esse movimento, para tirar seu pau de dentro do cu de Otávio que suspirou choroso com a ausência daquela caceta no seu rabo, mas o parceiro era um fonte inesgotável de surpresa: arrancou outra camisinha do bolso, envolveu o cacetão de Otávio com óbvia dificuldade e se posicionou de costas, levemente debruçado sobre o sanitário, apoiando as mãos na parede, seu cu estava ali sendo ofertado, era a ver de Tavinho meter.

E ele meteu. Por pura intuição, sem nada ter sido dito, encostou a chapeleta da pica no cu ligeiramente besuntado de cuspe, fez pressão e a rolona foi avançando, inclemente, pelo rabo de Ricardo. Esse era o desejo não revelado dele: que o pauzão de Otávio entrasse nele de uma vez, sem recuo nem idas e vindas. De uma vez só, até o talo.

Tavinho só parou quando sentiu seus pentelhos roçarem as beiradas do cuzinho apertado de Ricardo. Concluída a enfiada, parou para respirar alguns segundos, dando tempo a parceiro de desfrutar da sensação de ter o rabo completamente cheio de rola, até começar o tira e bota.

- Me fode, cara. Lasca meu cu com essa pomba. Mete, vai…

E Otávio meteu. Com a mesma disposição quando, um ano antes, tinha aprendido a meter ao comer o cu do noivo de sua prima. Enfiou e tirou seu pau desfrutando do aconchego aveludado daquele cuzinho que agasalhava sua rola com tanto gosto. E seguiu socando, inclemente, cravando a pica nas carnes de Ricardo que se abriam cada vez mais macias e mornas, ávidas para serem macetadas.

Ricardo anunciou que estava chegando no seu limite:

- Cara, tô quase gozando, me come vai, quero gozar com essa pica arregaçando meu cu, me fode, macho!

Otávio segurou Ricardo pelas ancas e passou a martelar o rabo dele até sentir o cuzinho do outro piscando. Ricardo tava gozando no seu pau. As pulsações daquele rabo na sua pica levaram Otávio a gozar em seguida. Os extertores do goxzo foram sendo substituídos pelo desconforto da culpa. O pau se encolhia envelopado pela camisinha ainda dentro do rabo de Ricardo enquanto Otávio pensava em como fugir dali. Nunca tinha arriscado tanto. Dar e comer um cu no banheiro do cinema as cinco da tarde era um nível de transgressão que ele não estava habituado. Uma coisa era uma troca de punheta, uma chupada rápida. Outra coisa era uma foda completa e Ricardo, experiente, percebeu a mudança de clima. Ao desacoplar seu rabo da rola semi endurecida de Otávio, antes que o outro fugisse feito um rato assustado, o segurou pelo queixo, fazendo ele olhar dentro de seus olhos, enquanto falava baixo e suave:

- ei, está tudo bem, macho, ninguém viu, ninguém vai saber, relaxa…

- não, é que…

Antes de completar a frase, Otávio foi silenciado por um beijo. E Ricardo beijava bem, muito bem. Um beijo sedutor e, naquele momento, paciente e envolvente a ponto de fazer Otávio se acalmar e esquecer as preocupações e medos do lado de fora daquela cabine.

Ao constatar que Otávio estava menos angustiado, Ricardo desfez o beijo e falou, baixinho, quase sussurrando:

- prazer, Ricardo!

Otávio riu e respondeu timidamente:

- prazer, Otávio!

- agora, vamos sair daqui e fazer um lanche, conversar, se conhecer direito…

Por um segundo, Otávio quis dizer não, evitar aquela inédita intimidade e proximidade após transar com um, até então, desconhecido, mas Ricardo lhe passava o estimulante desejo de ir além, de fazer coisas novas e, apoiado nessa intuição sem explicação, aceitou o convite com um aceno de cabeça. Ricardo sorriu e ambos se ajeitaram, se recompuseram. Minutos após atravessavam a Praça do Ferreira em direção a uma pastelaria famosa e tradicional. Compraram o famoso pastel com caldo de cana, o sol se pondo, as pessoas apressadas indo embora para suas casas enquanto se sentavam, a convite de Ricardo, num dos bancos da praça, próximo a uma banca de revista:

- bora conversar um pouco. Ainda não anoiteceu, então não é perigoso ficar aqui.

Rolaram as introduções e apresentações comum a dois estranhos que abrem seus mundos pela primeira vez para o outro. De onde veio, onde mora, o que faz na vida. Otávio falou de si, da família no interior, da faculdade, do estágio mas omitiu Alice. Ricardo falou mais ou menos as mesmas coisas, que já era formado, ainda morava com os pais na Cidade dos Funcionários, estava nos últimos dias de férias do trabalho e frisou que estava solteiro. A frase ficou solta no ar preenchendo o vazio de significados, até que veio o convite para irem embora, coincidência: ambos pegariam ônibus diferentes mas no mesmo terminal. Caminharam juntos, lado a lado, agora falando sobre gostos musicais, afinidades eletivas até que chegou a hora da despedida. Foi nesse momento que Ricardo ofereceu a senha para o próximo encontro:

- anota meu telefone aí…

Trocaram os números, credenciaram os horários em que costumavam estar em casa para poder falar e se despediram com um abraço com sabor de beijo.

Nas semanas seguintes, passaram a se encontrar com frequência. Alice tinha iniciado o internato do curso de Enfermagem e seus horários estavam mais restritos, muitos plantões, facilitando a liberdade de Otávio. Conversavam em bares discretos, caminhavam por ruas movimentadas onde ninguém prestava atenção neles e compartilhavam histórias de vida muito diferentes. Foi Ricardo quem, certa noite, perguntou algo que ninguém jamais havia perguntado.

— Você é feliz?

A pergunta pareceu simples.

Mas não era.

Otávio percebeu que passara anos perguntando a si mesmo o que os outros esperavam dele, sem nunca considerar seriamente o que ele próprio desejava.

Pouco tempo depois, Ricardo o convidou para conhecer uma boate gay. A ideia o aterrorizou. Durante dias, pensou em desistir.

Imaginava ser reconhecido.

Imaginava algum conhecido entrando por acaso.

Imaginava sua família descobrindo.

Imaginava Alice.

Mas a curiosidade venceu. Ao atravessar aquela porta pela primeira vez, sentiu o coração acelerar. O lugar, perto do Dragão do Mar, era diferente de tudo que conhecia. Música alta. Luzes coloridas. Grupos conversando livremente. Casais dançando. Homens flertando sem precisar fingir. Pela primeira vez em sua vida, Otávio viu dezenas de pessoas vivendo uma realidade que ele acreditava existir apenas escondida nas sombras.

Alguns eram discretos. Outros extravagantes. Alguns pareciam executivos. Outros artistas. Havia jovens e pessoas mais velhas. Histórias diferentes. Personalidades diferentes. Mas todos compartilhavam algo que ele nunca havia experimentado plenamente: a possibilidade de existir sem esconder aquela parte de si.

Aquilo o assustou.

E o encantou.

Dançaram, beberam, namoraram e se agarraram diante de estranhos sem que isso chamasse a atenção de modo particular de ninguém. Ricardo o levou para um canto e quase transaram ali mesmo. Ninguém se importava. Muitos faziam o mesmo e estava tudo certo. Estava num paraíso. Numa bolha. Momentaneamente apartados da curiosidade maldosa, dos julgamentos, da violência.

Nos dias seguintes, não conseguia parar de pensar naquela noite.

A imagem que carregava dos homens gays havia sido construída por preconceitos, medos e silêncios. A realidade mostrou-se muito mais complexa.

Foi então que os conflitos começaram. Ricardo era assumido para os amigos. Alguns familiares sabiam. Colegas de trabalho também. Sua vida não era perfeita. Enfrentava julgamentos e dificuldades. Mas não vivia escondido. E passou a questionar a situação de Otávio.

— Até quando você pretende continuar assim?

A pergunta surgiu primeiro com delicadeza. Depois com insistência.

— Você fala do futuro com Alice. Mas você ama ela?

— Você passa a vida escondendo quem é. Isso não cansa?

— O que você quer para os próximos dez anos?

Otávio não tinha respostas. Porque, pela primeira vez, alguém não estava oferecendo apenas desejo ou companhia. Ricardo estava oferecendo um espelho. E o reflexo era desconfortável. Alice representava segurança e refúgio, enquanto Ricardo representava uma possibilidade que Otávio sempre evitara encarar:

A possibilidade de viver sem mentir.

Não significava que estivesse pronto. Muito pelo contrário. A simples ideia de assumir sua orientação parecia capaz de destruir tudo que havia construído.

Sua família.

Seu relacionamento.

Sua imagem.

Sua sensação de pertencimento.

Mas agora existia uma dúvida que não desaparecia mais. Ao observar Ricardo conversando livremente com amigos, rindo sem medir gestos ou palavras, Otávio começou a perceber algo inquietante. Talvez o maior peso de sua vida não fosse o preconceito dos outros. Talvez fosse o esforço permanente de esconder quem realmente era. E essa descoberta o assustava muito mais do que qualquer porta de boate havia assustado naquela primeira noite.

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Foto de perfil de Xandão SáXandão SáContos: 55Seguidores: 229Seguindo: 134Mensagem Um cara maduro, de bem com a vida, que gosta muito de literatura erótica e já viu e viveu muita coisa para dividir com o mundo.

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