Capítulo 10: O Reencontro
2025, Asilo São Lucas, Ribeirão Preto
O relógio marca 4:45 PM, o sol já se pondo atrás dos prédios, deixando o quarto num tom de laranja escuro que parece sangue seco. Thiago está quieto, os olhos fixos em mim como se eu fosse contar o fim do mundo. Carla parou de escrever, o lápis parado no ar. Roberto coça a barba grisalha, murmurando “isso não pode ser verdade”. Jéssica, a auxiliar nova, trouxe mais água e ficou encostada na parede, braços cruzados, mordendo o lábio. “Seu Alexandre,” Thiago finalmente fala, voz baixa, “você disse que uma mulher apareceu… quem era ela?” Eu respiro fundo, o peito velho doendo. “A mesma que começou tudo. Afrodite. Ela não me deixou esquecer.”
1978, Anápolis, Goiás
Cinco anos no bordel mudam um homem. Eu tinha 33 anos, corpo ainda forte mas marcado: cicatrizes de faca nas costas (de um cliente bêbado), tatuagem malfeita no braço (uma âncora que Cassandra insistiu), barba cheia e cabelo comprido preso num rabo. Ganhei dinheiro, protegia as meninas, fodia quase toda noite, clientes ricas que pagavam caro, as próprias meninas que queriam “experimentar o famoso Páris”. Cassandra se tornou minha dona de fato. Não era amor; era posse. Ela dormia agarrada em mim, sussurrando “você é meu agora, ninguém mais te toca sem minha permissão”. Eu aceitava, mas o dom queimava por dentro, vazio, como se esperasse algo maior.
Era uma madrugada de chuva grossa, o telhado de zinco batendo como tiros. O bordel já tinha fechado, as meninas dormiam nos quartos dos fundos. Eu estava no meu quarto – uma suíte improvisada com cama king, espelho grande na parede, cheiro de incenso e cigarro velho. Deitei nu, o corpo suado apesar do ventilador girando devagar. Fechei os olhos e senti o ar mudar. O cheiro de jasmim invadiu o quarto, forte, doce, quase sufocante. Abri os olhos.
Ela estava lá.
Afrodite. Nua, a pele brilhando como se tivesse luz própria, cabelos negros caindo até a cintura, olhos verdes que pareciam poços sem fundo. O corpo perfeito: seios cheios e firmes, mamilos rosados, cintura fina, quadris largos, buceta lisinha, lábios inchados e úmidos só de olhar. Ela sorriu, aquele sorriso que misturava carinho e ameaça.
“Você se perdeu, Páris,” disse, a voz como mel escorrendo. “Cinco anos num bordel, fodendo por dinheiro, achando que isso era viver.”
Eu me sentei na cama, o pau já endurecendo só de vê-la. “Eu tô bem aqui. Cassandra me cuida.”
Ela riu, um som que fez o quarto vibrar. “Cassandra te possui. Eu te dei o dom. E o julgamento não terminou.” Ela se aproximou, os pés não tocavam o chão – flutuava uns centímetros. “A mulher que te pertence está em Ribeirão Preto. Volte. Ou perca tudo.”
“Não volto pra morrer,” respondi, a voz rouca. “O delegado, o fazendeiro, a polícia… tudo ainda tá lá.”
Afrodite parou na minha frente, os seios na altura do meu rosto. “Então prove que não precisa de mim.” Ela se ajoelhou na cama, as coxas abertas, a buceta a centímetros da minha boca. “Me fode como se fosse a última vez. Se conseguir me satisfazer sem o dom te controlar, eu te deixo ficar.”
Eu não hesitei. Agarrei a cintura dela, puxei pra mim. A pele era quente, macia, cheirava a jasmim e desejo puro. Beijei a buceta devagar, língua abrindo os lábios, sentindo o gosto doce e salgado. Ela gemeu baixo, as mãos no meu cabelo, puxando. “Mais fundo.” Enfiei a língua, chupei o clitóris inchado, enfiei dois dedos na buceta encharcada dela, curvando para achar o ponto certo. Ela gozou rápido, o corpo tremendo, líquido quente escorrendo na minha boca, o quarto inteiro piscando como se a luz tremesse.
“Bom Rapaz, mas não acabou,” sussurrou. Virou de costas, empinou a bunda perfeita. “Agora me fode.” Entrei na buceta de uma vez, apertada e quente como nunca. Meti forte, a cama rangendo, o espelho refletindo nossos corpos colidindo. Ela gemia alto, as unhas cravando nos lençóis. “Mais forte, caralho!” Dei tapas na bunda, puxei o cabelo, meti até o fundo. Ela gozou de novo, as pernas tremendo, o líquido espirrando no colchão.
Virei-a de frente, sentei na beira da cama, ela montou. Cavalgou selvagem, seios balançando na minha cara, unhas cravando nos meus ombros. Terceiro orgasmo, gritando meu nome, o corpo convulsionando. “come meu cu,” ela ordenou. Cuspi na mão, lubrifiquei, entrei devagar. Ela gemeu de dor e prazer, empurrando pra trás. “Fode!” Acelerei, o cu apertado pulsando, tapas na bunda deixando marcas vermelhas. Quarto orgasmo, o corpo tremendo, lágrimas nos olhos. Quinto, sexto – ela gozava sem parar, o quarto inteiro vibrando, vidros rachando nas janelas, luzes piscando.
Eu gozei dentro do cu, enchendo-a, o esperma escorrendo quando saí. Ela virou, me beijou, língua na minha boca, gosto dela misturado ao meu. “Você ainda é meu,” sussurrou. “Volte pra Ribeirão. A mulher que vai mudar tudo está lá. Helena.”
Acordei sozinho. Cassandra chorava ao lado da cama, nua, o rosto inchado. “Você gritava o nome de outra mulher a noite toda.” Eu não respondi. Peguei o dinheiro guardado debaixo do colchão, a mochila, e saí antes do amanhecer. O bordel ficou pra trás. O destino me chamava de volta.
*2025, Asilo São Lucas*
O silêncio no quarto é pesado. Thiago engole em seco. Carla fecha o caderno devagar. Roberto murmura “meu Deus”. Jéssica pergunta, quase sussurrando: “E Helena… quem era ela?” Eu olho pra janela, o céu já escuro. “A mulher que eu roubei. A mulher que me destruiu. Amanhã te conto o resto.”
