Só Um Pouco Hétero: Obssecado - Capítulo 01

Um conto erótico de M.K. Mander
Categoria: Gay
Contém 6414 palavras
Data: 04/06/2026 23:35:17
Assuntos: Gay, Homossexual, Sexo

Capítulo 1

O começo do fim da vida perfeitamente ordenada de Alexander Sheldon aconteceu em uma noite de sábado comum.

Sua namorada estava aninhada ao seu lado, com a cabeça em seu ombro, enquanto assistiam à série favorita dela.

— Querido? — Mila murmurou durante um intervalo comercial.

— Hmm?

— Eu estive pensando...

Alexander olhou para a cabeça de cabelos escuros dela. — O quê?

Os dedos de Mila brincavam com a bainha da camisa dele. — Eu... o que você acha de tentarmos algo novo? Digo, no sexo.

Alexander a estudou com curiosidade. Mila normalmente não era tímida quando o assunto era cama.

— Claro — disse ele com um leve sorriso, mergulhando os dedos nos cabelos dela e acariciando sua nuca. — O que você quer?

Mila mordeu o lábio e olhou para ele, seus olhos cinzentos cheios de hesitação. — Que tal um ménage? Com um cara?

O sorriso de Alexander congelou em seus lábios antes de desaparecer lentamente.

— Você não precisa decidir nada agora — Mila disse rapidamente. — Leve o tempo que precisar e pense no assunto. Sem pressão, de verdade.

Se ela não tivesse dito isso, Alexander teria recusado de imediato. Mas ele a conhecia. Era óbvio que ela queria muito aquilo.

Alexander desviou o olhar. Ele não era muito bom em compartilhar suas coisas e acreditava na monogamia. Mas ele devia a ela ao menos considerar a ideia, independentemente do quanto detestasse o pensamento de outro homem tocando-a.

— Tudo bem — disse ele. — Vou pensar.

E ele pensou.

O assunto não saiu do fundo de sua mente nos dias seguintes, mesmo quando estava no trabalho. O pensamento de Mila transando com outro homem deixava um gosto amargo em sua boca, mas ele não sentia ciúmes propriamente ditos — apenas desconforto, desagrado e uma leve irritação com Mila. Ela sabia o que Alexander pensava sobre ter múltiplos parceiros sexuais ao mesmo tempo, mas havia pedido mesmo assim. Por outro lado, ignorar o desejo da namorada não era algo que um bom namorado faria.

Droga. Ele estava pensando em círculos. Precisava de uma nova perspectiva sobre isso.

Alexander acabou ligando para Jared, seu primo e amigo mais próximo. Ultimamente, eles raramente se viam pessoalmente, já que Jared trabalhava na Inglaterra, mas eram unidos desde sempre. Ele sempre podia contar com Jared.

— Se você está com ciúmes, apenas diga não — Jared lhe disse.

— Eu não estou com ciúmes — disse Alexander, recostando-se na cadeira. — Eu nunca sinto ciúmes, você sabe disso. Eu só odeio compartilhar o que é meu.

— Não é como se ela pudesse te forçar. Se você não quer dividila, é só dizer.

— Você não a conhece — Alexander disse com um suspiro. — Se eu disser que não quero um ménage, ela vai ficar de bico, emburrada e me dar um gelo por semanas. E eu odeio quando ela faz isso.

— É realmente um problema tão grande para você? — Jared perguntou. — Alguns homens gostam de ver suas mulheres transando com outro cara.

— Eu não — Alexander disse secamente.

Jared ficou em silêncio por um momento antes de dizer, com a voz cautelosa: — Sabe, não é traição se for feito com o consentimento do parceiro.

Alexander olhou fixamente para o quadro na parede oposta. Teve que fazer um esforço consciente para manter a voz casual e descontraída. — Tem mais algum conselho, Capitão Óbvio?

Jared soltou um longo suspiro. — Eu não acho que ela tenha o direito de te pressionar a fazer algo que você não quer, mas por outro lado... bons relacionamentos são baseados em concessões.

— Eu sei — Alexander disse, apertando a ponte do nariz. Era por isso que ele estava sequer cogitando a ideia. — Quando você vem para casa? Você está ficando com um sotaque britânico insuportável.

Jared riu. — Em alguns meses, na verdade. Tenho férias chegando.

Quando Alexander desligou alguns minutos depois, fechou os olhos e ficou sentado imóvel por um tempo, pensando. Jared estava certo: relacionamentos eram baseados em concessões.

Alexander desligou o computador e saiu do escritório, após certificar-se de que a porta estava trancada.

— Indo para casa, Sr. Sheldon? — sua secretária perguntou, sorrindo amplamente e batendo os cílios para ele.

Ele assentiu, optando por ignorar o flerte dela, como de costume. Erica era uma excelente secretária; isso era o que importava. Ela era rápida, inteligente e precisava de pouca orientação. Era boa lidando com clientes, apesar de a maioria deles não falar bem o inglês. Com o tempo, ela aprenderia que seus flertes eram inúteis: Alexander não traía. Nunca.

— Algo urgente, Erica?

— Não, nada urgente. Neville disse que está quase terminando a tradução russa. Deve estar pronta amanhã.

Assentindo, Alexander saiu do escritório.

Ele dirigiu direto para casa. Costumava buscar Mila na faculdade, mas se lembrava corretamente — e ele sempre se lembrava corretamente — as aulas dela haviam terminado cedo naquele dia.

Mila estava em casa, como ele esperava.

Alexander deu-lhe um beijo breve, tirou a gravata e começou a desabotoar a camisa.

— Eu pensei sobre a sua ideia — disse ele calmamente.

Ele ouviu a respiração dela travar na garganta. — E então?

— Tenho algumas condições.

— Tudo bem.

Alexander tirou a camisa e a colocou no cesto de roupa suja. — Primeiro, ele não vai ter sexo completo com você.

— Ah. — Havia uma clara decepção na voz dela. Ele a ignorou.

— Segundo — disse ele, com a voz firme e controlada. — Será uma coisa de uma vez só, e você deixará isso bem claro para ele.

— Sim. Tá bom. — Mila se aproximou e pressionou o corpo contra as costas dele, envolvendo sua cintura com os braços. Ela o beijou no ombro. — Você é o melhor namorado do mundo.

Alexander abriu o zíper da calça. — Você tem alguém em particular em mente?

— Sim, já escolhi alguém — disse Mila. — Fazemos algumas aulas juntos.

O fato de ela aparentemente estar atraída por um cara há algum tempo não lhe caiu bem, mas Alexander não comentou.

— Como ele é? — perguntou ele, em vez disso.

Mila riu. — Como eu deveria responder a isso? Ele é mais novo que você, quase da minha idade — deve ter uns vinte anos.

— Bonito?

Ela riu de novo, escondendo o rosto nas costas dele. — Ele é... muito atraente, mas não se preocupe — o Christian não chega nem perto de ser tão bonito quanto você. Todas as garotas me invejam quando você vai me buscar. — Ela ficou em silêncio por um breve momento. — Você não está bravo comigo, está? Não é que nossa vida sexual não seja satisfatória ou algo assim — não poderia ser melhor, mas é só que...

— Eu entendi — Alexander disse secamente. — Você só quer tentar algo novo.

— Exatamente. Se você quiser, em algum momento podemos fazer um ménage com outra garota.

Alexander não podia dizer que era algo que desejava, mas aceitou como o "ramo de oliveira" que obviamente pretendia ser.

— Tudo bem — disse ele.

— Ótimo! Vou falar com ele, então. Acho que ele vai aceitar. Ele é bem fácil.

Alexander reprimiu uma careta e apenas assentiu.

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O dia em que o cara deveria vir chegou cedo demais.

— Você disse a ele que é apenas um experimento de uma vez só, certo? — disse Alexander.

Mila assentiu, checando seu reflexo no espelho e afastando uma mecha de cabelo do rosto. — Sim, eu disse isso ao Christian. Como eu estou?

— Bem. — Ele se serviu de uma bebida e a virou em um gole longo.

A campainha tocou.

Alexander retesou, mas forçou o corpo a relaxar. Eles eram um casal moderno. Ele tinha vinte e sete anos, dificilmente alguém novato em sexo. Ele e Mila estavam juntos há dois anos, e a vida sexual deles não era exatamente careta. Um ménage era uma das poucas coisas que ainda não tinham tentado. Não havia motivo para se exaltar. Nada.

Mila abriu a porta.

Alexander avaliou Christian criticamente.

O cara era definitivamente bonito. Tinha talvez um metro e oitenta — uns sete ou oito centímetros mais baixo que Alexander. Corpo de surfista, cabelo castanho bagunçado, grandes olhos castanho-chocolate, mandíbula forte que parecia contrastar com os lábios cheios. Sim, ele era bonito, mas, para falar a verdade, Alexander esperava alguém mais belo. O cara não era nada de especial.

E então Christian sorriu para Mila, revelando um par de covinhas.

Algumas pessoas têm um sorriso legal. Algumas têm um sorriso bonito. E existiam poucos sortudos que tinham um sorriso como o daquele cara. Transformava Christian de apenas "bonito" para "deslumbrante" quando ele sorria.

Percebendo que estava encarando, Alexander fez uma careta. Ele nunca teve motivos para reclamar da própria aparência — as mulheres pareciam amar a combinação de cabelo escuro e olhos azuis tão comum em sua família — mas o visual dos Sheldon tendia a parecer frio e inacessível para a maioria das pessoas. Esse cara praticamente irradiava calor e carisma quando sorria.

Christian beijou Mila no rosto e se virou para ele.

Alexander se forçou a caminhar até ele e estender a mão para um aperto de mãos. — Alexander Sheldon. — Ele ficou impressionado por ter conseguido soar neutro e nem um pouco como se quisesse expulsar o cara dali.

O cara apertou sua mão, com uma pegada firme e forte. — Christian Ashford. — A voz dele era grave e profunda. Os olhos de Christian percorreram o corpo de Alexander antes de encontrar seu olhar novamente. — Você tem certeza de que está tudo bem com isso?

— Por que não estaria?

Christian deu de ombros levemente. — Você parece meio tenso.

— É apenas a primeira vez que estamos tentando um ménage — Mila interrompeu antes que Alexander pudesse dizer qualquer coisa. — Meu namorado está super de boa com isso — ela disse a Christian, sorrindo para ele. Então, ela o beijou.

Alexander ficou parado observando, perguntando-se como conseguiria ter uma ereção. Ele estava o mais longe possível de se sentir excitado. Ele não entendia esses homens que sentiam prazer em ver suas mulheres transando com outro.

Christian interrompeu o beijo e olhou para ele por cima do ombro de Mila. — Ok, só para esclarecer: você não me chamou para participar porque sabia que eu sou bi, certo?

Alexander puxou o ar com força. — Eu não curto homens. — Sua voz saiu mais ríspida do que pretendia.

Christian o encarou e assentiu devagar antes de desviar o olhar. Mila mordeu o lábio. — Você está decepcionado?

Os olhos de Christian voltaram para Alexander. — Não — disse ele após um momento. — Claro que não.

Mila sorriu radiante para ele e pegou sua mão. — Vamos para o quarto, então.

Christian deixou que ela o puxasse para o quarto, mas olhou para trás, para Alexander. — Vem?

— Sim — disse Alexander.

Seus olhares se cruzaram, e um divertimento brilhou no rosto de Christian, sem chegar a se tornar um sorriso de fato. — Não se preocupe, eu não tenho nada contagioso que você possa pegar só de estar perto de mim.

— Se você está insinuando que sou homofóbico — disse Alexander, seguindo-o até o quarto —, não poderia estar mais enganado. Meu primo favorito é gay. — Ele tirou a camiseta e a colocou sobre a cadeira. — Não há nada de errado em ser gay.

— Hmm — disse Christian, começando a se despir também.

Abrindo o zíper do jeans, Alexander o fixou com o olhar. — O que isso quer dizer?

Christian sorriu, dando de ombros levemente. — Nada.

— Não, vamos ouvir — disse Alexander, removendo o resto das roupas e colocando-as na cadeira. Ele olhou para a camisa de Christian jogada no chão e franziu os lábios.

— Tem certeza de que quer minha opinião honesta? — disse Christian, rebolando para sair de seus jeans apertados. — Eu acho que você pode ter alguns sentimentos negativos reprimidos sobre a homossexualidade. Claro, você pode ser "mente aberta" e aceitar a sexualidade do seu primo, mas é uma coisa completamente diferente quando se trata de você.

— Você me conhece há exatamente cinco minutos.

Christian deu de ombros novamente, aquele sorriso irritante ainda nos lábios. — O que posso dizer? Sou bom em ler pessoas — disse ele, tirando a cueca.

— Pegue isso — disse Alexander.

Christian piscou. — Hã?

Mila começou a rir. — Sua cueca, Chris. O Alexander odeia desleixo e desordem.

Christian olhou entre os dois. — Isso é piada?

Mila riu mais alto. — Quem dera! Quando começamos a sair, eu reorganizei os DVDs dele e ele me forçou a reorganizar tudo de novo até acertar. Eu terminei sete horas depois e estava puta da vida. Quase terminamos por causa disso. Agora eu já sei como funciona.

— Eu avisei para não tocar em nada — murmurou Alexander.

Christian olhou para ele. — Você tem TOC?

Alexander soltou uma risada nasalada. — Não. Eu não limpo as coisas obsessivamente. Eu só detesto desleixo. Pegue isso. Agora.

Christian olhou para a cueca preta em seus pés descalços antes de olhar para Alexander. Seus olhos dançavam de diversão. — Não — disse ele, olhando-o nos olhos. — O que você vai fazer comigo?

Alexander sentiu seus músculos retesarem e seu coração bater mais rápido. Ele quase podia sentir a adrenalina bombando em sua corrente sanguínea, seus sentidos entrando em alerta máximo.

Ele caminhou até Christian.

O cara não se mexeu.

Alexander colocou a mão no ombro de Christian e o empurrou para baixo.

Para sua surpresa, Christian não ofereceu muita resistência e caiu de joelhos. Olhando para Alexander através de seus longos cílios escuros, ele pegou a cueca.

— Onde devo colocá-la, Mestre? — disse ele, em um tom falsamente submisso, com os olhos rindo. Ele jogou a cueca na cadeira. — Quer que eu beije seus pés enquanto estou aqui embaixo? Ou que beije outra coisa?

— Você não é nem metade do engraçado que pensa que é — disse Alexander.

Um sorriso lento se espalhou pelo rosto de Christian. — Eu não estava brincando.

— Levante-se. Não quero que você beije nada.

— Er, gente?

Assustado, Alexander olhou para a cama. Mila estava deitada nua, franzindo levemente a testa.

Certo. O ménage.

Alexander olhou para Christian.

Christian olhou de volta para ele.

Ele também estava completamente nu.

Alexander percorreu o corpo dele com o olhar, demorando-se no pau duro do cara. Um pouco menor que o dele, mas definitivamente nada de que se envergonhar. Olhando para si mesmo, Alexander percebeu que também estava com uma ereção. Ele não sabia em que momento tinha ficado duro.

Christian se levantou e se inclinou perto de seu ouvido. — Não se preocupe — murmurou. — É uma reação bem normal. Acontece toda vez que eu digo a um cara que vou beijar o pau dele. Belo pau, aliás.

Ele se afastou, sorrindo, e Alexander lhe deu um olhar gélido. — Não é por sua causa — disse ele em voz baixa. — Minha namorada nua está no quarto e eu vou transar com ela. É claro que estou duro.

Christian assentiu. — Ok. Com certeza.

— Gente, eu estou ficando entediada aqui.

Christian inclinou a cabeça em direção à cama, ainda olhandoo nos olhos. — Vamos transar.

Eles caminharam até a cama, mantendo um olhar cauteloso um no outro, e deitaram-se de cada lado de Mila.

Mila sorriu, lançando olhares apreciativos para ambos. — Eu sou a garota mais sortuda do mundo. — Colocando a mão no pescoço de Alexander, ela o puxou para um beijo. Alexander obedeceu e a beijou por alguns instantes, de forma suave e profunda, embora seu coração não estivesse totalmente naquilo. Ele não conseguia se concentrar com outro cara na cama deles.

Mila encerrou o beijo e puxou Christian para seus lábios.

Alexander os observou se beijarem por um momento antes de se inclinar e começar a beijar o pescoço e a lateral do rosto de Mila, seus lábios mordiscando ao longo do maxilar até a orelha, provocando o lóbulo dela antes que sua língua fizesse cócegas no vão sensível logo abaixo.

Christian interrompeu o beijo, e Alexander encarou seus lábios molhados, vermelhos e levemente inchados a apenas alguns centímetros de distância.

— Você tem lábios de mulherzinha — disse ele antes de beijar Mila novamente, mais forte desta vez, sugando seus lábios com avidez.

Christian riu perto de seu ouvido e sussurrou: — Sua namorada não estava reclamando. Consegue sentir meu gosto na boca dela?

Alexander parou de beijar Mila e virou a cabeça para encará-lo com fúria. Christian apenas sorriu inocentemente.

— Chupem meus mamilos — disse Mila, sem fôlego. — Os dois.

Alexander se inclinou e abocanhou o mamilo direito dela. Normalmente, ele adorava os seios de Mila, mas no momento não conseguia se concentrar de jeito nenhum. Parecia uma tarefa, algo que ele deveria fazer apenas para não ser superado. A presença de Christian tornava impossível relaxar.

Ele podia sentir nitidamente o movimento do ar ao seu lado enquanto Christian se movia para chupar o outro mamilo. Mila começou a gemer e a murmurar algo ininteligível.

Rodando o mamilo dela na boca, Alexander olhou para

Christian.

Ele descobriu que Christian já o estava observando.

Seus rostos estavam tão próximos que Alexander conseguia ver cada cílio de Christian. Mantendo o olhar, Christian lambeu o mamilo de Mila devagar, a ponta de sua língua rosada circulando-o.

Alexander mordeu o mamilo na sua boca, com força.

Mila gemeu, enfiando as mãos nos cabelos deles e puxando-os para mais perto de seus seios — e um do outro. — Mais forte.

A bochecha de Alexander estava pressionada contra a de Christian agora. A barba rala do cara arranhava a sua própria. O pau de Alexander latejava. Ele queria foder.

Ele deslizou uma mão pelo corpo de Mila e a envolveu entre as pernas. Ela já estava molhada quando ele começou a acariciá-la.

Mila gemeu e abriu as pernas. — Me fode. Alguém me fode agora.

Alexander levantou a cabeça e olhou para Christian. O cara fez o mesmo.

Percorrendo o olhar pelo corpo de Christian, Alexander encarou o pau duro dele por um momento. — Você não vai foder ela.

Um fantasma de sorriso apareceu no rosto de Christian. — Ciúmes? Medo de que ela goste mais de mim?

Alexander deu a ele um sorriso tenso. — Apenas um acordo entre mim e minha namorada que não tem nada a ver com você.

Mila abriu mais as pernas, olhando entre os dois.

— Ela pode te chupar — disse Alexander, relutante.

— É, vem aqui, eu vou te pagar um boquete — disse Mila, ficando de quatro e apresentando as costas para Alexander.

Alexander colocou uma camisinha e jogou outra para Christian.

Christian a pegou, colocou e moveu-se para a cabeça dela. O problema era que, naquela posição, ele e Alexander eram forçados a se olhar.

— Pronto? — disse Christian, olhando para Alexander.

Havia algo naqueles olhos escuros. Desafio.

O pau de Alexander deu um solavanco. — Sim. — Ele segurou os quadris de Mila e empurrou para dentro de seu calor úmido. Ele não queria olhar para Mila, não queria vê-la chupando aquele cara — os ruídos que ela fazia ao redor do pau de Christian eram irritantes o suficiente — então ele olhou para Christian.

O tempo pareceu desacelerar e o mundo ao seu redor tornou-se borrado e desfocado, sua visão fechando-se em túnel no cara à sua frente. Aperto, calor, olhos escuros. Os olhos de Christian estavam um pouco vidrados, o rosto corado, os lábios carnudos entreabertos enquanto ele ofegava. Ele não desviou o olhar de Alexander nem por um segundo. Gemendo, Christian tocou o próprio pescoço, e Alexander estocou com força contra as paredes apertadas que o prendiam. Mila gritou, apertando o pau dele com força enquanto gozava.

— Oh — disse Christian enquanto Alexander continuava a fodê-la durante o orgasmo e Mila continuava gemendo. Christian olhou para baixo, para Mila, antes de voltar os olhos para Alexander. — Deve ser muito bom. O seu pau.

Isso assustou Alexander tanto que seus quadris deram um tranco e ele gozou com um gemido rouco, desorientado e estranhamente perturbado.

Ele se retirou e caiu de costas no colchão, respirando com dificuldade e tentando entender o que acabara de acontecer.

Ele olhou para Christian e seus olhares se cruzaram novamente. A boca de Christian se abriu em um gemido silencioso, seu corpo ficou rígido e ele permaneceu imóvel.

Percebendo que acabara de assistir a outro cara gozar, Alexander desviou o olhar, mais do que um pouco inquieto.

Christian se jogou de costas ao lado dele, suspirando.

— Isso foi divertido, não foi? — Mila suspirou, espreguiçandose do outro lado de Christian.

Alexander fez um som vago.

— Com certeza — disse Christian, com o eterno divertimento na voz. — Muito divertido, né, Alex?

— Meu nome é Alexander.

— Ele odeia ser chamado de Alex — murmurou Mila, sorrindo.

— Então você vai se dar maravilhosamente bem com a minha avó — disse Christian, apoiando-se no cotovelo. — Ela também odeia apelidos. Fica tão chateada quando as pessoas me chamam de Chris. É por isso que atendo por Christian, embora eu não me importe quando me chamam de Chris. Eu gosto mais de Chris, na verdade. Acho que combina mais comigo — sou um cara simples. Você pode me chamar de Chris, Alex.

Alexander sentiu seus lábios se pressionarem.

Mila começou a rir.

Christian apenas olhou para ele inocentemente. — O quê?

— Não me chame de Alex.

— Na verdade, você tem razão — é tão sem imaginação, e você não tem cara de Alex. Hmm... — Christian o avaliou. — Você tem cara de Alec para mim. Acho que vou te chamar de Alec.

— Por favor, não faça isso — disse Alexander, com a voz muito controlada.

Christian inclinou a cabeça, estudando-o. O divertimento tinha sumido de seu rosto. — Sabe, quando eu era criança, meus pais — eles são geólogos — costumavam me arrastar junto quando viajavam. Eu vi um vulcão adormecido uma vez. Meus pais disseram que a coisa não acordaria por milhares de anos, que era seguro, mas aquilo me deixava inquieto. Eu quase podia sentir o chão sob mim tremendo, muito de leve. Aquilo me dava calafrios. Meus pais diziam que o vulcão era inofensivo e que eu estava apenas imaginando, e provavelmente estava, mas ainda assim.

— O que isso tem a ver com qualquer coisa? — perguntou Alexander.

— Eu já te vi por aí antes, sabe — quando você vem buscar a Mila. Você parece super calmo o tempo todo, mas eu sinto... — Christian colocou a mão no bíceps de Alexander e observou os músculos retesarem. — Eu sinto que é falso — disse ele suavemente. — Exatamente como eu me senti quando estava em cima do vulcão adormecido. Parecia uma montanha inofensiva, mas não era.

Mila riu, sentando-se. — Você está errado, Chris, acredite em mim. Eu o conheço muito melhor do que você. Alexander é a pessoa mais confiável, atenciosa e calma que já conheci. Ele é praticamente um namorado perfeito.

— Perfeito — murmurou Christian, olhando para os músculos rígidos de Alexander sob sua mão. Ele encontrou os olhos de Alexander. — Ninguém é perfeito, doçura. As aparências podem ser muito enganosas.

— Meu namorado é — disse Mila, com a irritação transparecendo na voz.

— Talvez. Tenho certeza de que você o conhece melhor. — Removendo a mão, Christian saltou da cama e começou a se vestir.

— Já vai? — disse Mila.

— Aham. Eu realmente preciso ir. — Christian fechou o zíper do jeans. — Prometi à minha avó que compraria ovos. Ela vai ficar super decepcionada se eu não comprar, e eu me tornarei o neto menos favorito dela.

Mila sorriu e sentou-se. — Isso é muito fofo da sua parte. Quantos netos ela tem?

— Um — disse Christian, e eles riram juntos.

— Tem uma loja logo ali na esquina — disse Alexander.

Christian finalmente olhou para ele. — Obrigado. Você é muito prestativo. Simplesmente perfeito em tudo.

Alexander lhe deu um olhar gélido que só fez o sorriso de Christian aumentar.

— Tudo bem, obrigado, gente, eu me diverti muito. Não se preocupem, eu saio sozinho. — Ele foi até a cama e deu um selinho em Mila. — Obrigado por me convidarem. Foi divertido. — Ele olhou por cima do ombro de Mila para Alexander e mandou um beijo para ele. — Mais divertido do que eu esperava.

E Christian saiu do quarto, assobiando uma melodia alegre.

**********************************************

— O seu crush está aqui de novo — Shawn Wyatt, o melhor amigo de Christian, avisou.

Soltando uma risadinha, Christian disse: — Ele não é meu crush.

— Sei. Então como você sabe exatamente de quem eu estou falando?

Christian lançou um olhar na direção de Alexander, que estava encostado na parede, ignorando todos os estudantes ao redor. Como sempre, ele parecia impecável, inacessível, ridiculamente lindo e bom demais para os meros mortais à sua volta. Provavelmente estava esperando por Mila de novo — afinal, esse era o único motivo para ele vir à faculdade deles.

— Eu não tenho mais um crush nele — Christian disse. — E era só um crushzinho, de qualquer forma.

Shawn revirou os olhos.

— Não, é sério. Claro, eu costumava ter uma quedinha por ele — quem não tinha? Mas agora que eu realmente falei com ele e o conheci um pouco, já superei. É sério.

Shawn lançou-lhe um olhar curioso antes de abrir um sorriso malicioso. — O pau dele é pequeno ou algo assim?

Christian deu risada e o empurrou de leve. — Ah, cala a boca, eu não sou tão fútil! E não, o pau dele é tão ridiculamente perfeito quanto ele. E esse é o meu problema com ele.

— Você não gosta que ele tenha um pau perfeito?

Christian bufou. — Dificilmente. — Ele olhou para Alexander de novo e não conseguiu evitar de encarar. O cara levava o significado de "alto, moreno e atraente" a um nível totalmente novo, e seus olhos azul-escuros eram nada menos que deslumbrantes. Era uma pena o cara ser um esquisito — e um esquisito com namorada. — Tem algo de errado com ele. Ele é perfeito demais.

— Perfeito demais?

— É. Não estou falando da aparência. Falo da personalidade. Claro, ele tem umas manias, mas fora isso, ele é tão calmo, sensato, racional e... e perfeito. O rosto dele não transparece nada. Simplesmente não é normal.

— Existem pessoas assim. Eu te disse que ele parecia ter um cabo de vassoura enfiado no rabo.

— Não é isso — Christian disse, balançando a cabeça. — Parece uma máscara, entende? Cada reação emocional parece planejada e cuidadosamente controlada. Sei lá... ele é estranho. Me dá arrepios.

Shawn lançou a Alexander um olhar longo e avaliador. — Ele não parece um esquisito.

— Esse é o ponto — disse Christian. — Ele parece a porra de um herói de algum romance barato: lindo e gostoso, com um carrão, um apartamento incrível e uma namorada linda e fantástica. Ele obviamente tem dinheiro também. É um namorado perfeito e atencioso — digo, ele praticamente sempre vem buscá-la! E ignora todas as garotas aqui que tentam chamar a atenção dele constantemente. E tenho certeza de que ele aceitou o ménage só para deixar a namorada feliz. Porque ele é o namorado perfeito.

— Por favor, pare de dizer a palavra "perfeito". Está me dando dor de cabeça.

Christian riu. — Mal por isso. Mas a perfeição dele me irrita profundamente. É falsa. Tenho certeza disso.

— Por que você tem tanta certeza? — Shawn perguntou.

— Porque a máscara dele escorregou algumas vezes outro dia — Christian murmurou, olhando para Alexander. Ele estremeceu, lembrando-se do vislumbre de selvageria que espreitava sob a superfície calma. — Ele não é nem de longe o que parece ser, acredita em mim. Eu sou bom em ler as pessoas, você sabe.

— Tanto faz. — Shawn deu um tapinha no ombro dele. — Fico feliz que você tenha superado seu crushzinho. Ter quedinha por héteros nunca é uma boa ideia.

Christian assentiu, decidindo não contar a Shawn que não tinha tanta certeza sobre a parte do "hétero". Ele não podia provar, é claro. Alexander poderia muito bem ser completamente hétero, e sua própria atração pelo cara poderia estar nublando seu julgamento. E mesmo que Alexander realmente tivesse sentido um pouco de atração por ele, não seria nada surpreendente. Christian não era cego nem ingênuo. Ele sabia que causava certo efeito nas pessoas; até homens totalmente héteros costumavam encarar quando ele sorria. Era divertido, e Christian não tinha vergonha de usar isso a seu favor. Ei, não era culpa dele se a maioria das pessoas gostava dele!

Embora tivesse quase certeza de que Alexander Sheldon não gostava nem um pouco dele.

Christian olhou para Alexander novamente. Ele ainda estava parado sozinho, olhando para o relógio de vez em quando. Estava claramente esperando por Mila.

— Vou lá dar um oi — disse Christian. — Seria falta de educação não dar, certo?

— Chris — disse Shawn, com clara desaprovação na voz.

Christian sorriu para o amigo. — O quê? Estou entediado! Vai dar uns amassos no Professor Rutledge enquanto eu vou lá.

— Shiu! — Shawn sibilou, olhando em volta. Ele parecia adoravelmente perturbado.

Balançando a cabeça com um sorriso, Christian se afastou. Ele nunca entenderia como seu amigo acabou tendo um caso com o professor mais odiado e asqueroso da faculdade, mas tanto faz. Ele não era de julgar.

— Ei, Chris! — alguma garota disse.

— Oi — ele murmurou com um sorriso e apertou o passo, esperando parecer ocupado o suficiente para que ela não tentasse conversar. Ela parecia ser legal, mas ele não tinha certeza se lembrava o nome dela. Sua memória era bem ruim, para ser sincero, e ele conhecia muita gente.

— Ei, Christian!

— Oi, Chris!

— E aí! — ele dizia, sorrindo mais um pouco e andando ainda mais rápido. Seus olhos estavam em Alexander, então ele pôde ver o momento exato em que o cara o notou. O rosto não demonstrou nada, mas algo mudou na postura de Alexander; Christian não conseguia identificar exatamente o quê.

— Oi — Christian disse, parando bem perto dele. Ele sentia que Alexander não apreciava ter seu espaço pessoal invadido, mas seu rosto permaneceu calmo. É claro que permaneceu calmo.

— Olá — disse Alexander, lançando-lhe um olhar frio.

— Esperando a Mila?

Alexander assentiu e não disse nada.

— O mundo é pequeno, não é? — Christian disse, passando o

braço pelos ombros do cara, como se fossem velhos amigos. Ele sentiu o corpo de Alexander enrijecer.

Com o rosto inexpressivo, Alexander olhou direto para a frente. — Acho que não. Você estuda nesta faculdade. — Sua voz era tão fria que até o ar entre eles pareceu gelado.

— Tenho a estranha sensação de que você não gosta de mim — Christian disse em um tom de falsa mágoa.

Alexander virou a cabeça para ele.

Christian lambeu os lábios. Puta que pariu. Aqueles olhos eram ridiculamente azuis. Quase violeta.

— Você não conhece o conceito de espaço pessoal? — Alexander perguntou, com a irritação transparecendo na voz.

— Que espaço pessoal? — Christian disse com um sorriso provocador. Ele deixou a mão se mover um pouco, roçando a nuca de Alexander, tocando a pele quente ali.

— Exatamente — disse Alexander, a tensão em seu corpo aumentando. — Qual é a sua jogada?

Christian adotou um olhar de inocência, suas unhas curtas cravando levemente na pele de Alexander, logo abaixo da nuca. — Não faço ideia do que você está falando.

Alexander lhe lançou um olhar severo, e sua máscara de calma escorregou.

Christian sentiu um calafrio percorrer seu corpo. Ele olhou para Alexander por baixo dos cílios e sorriu.

— Você é tão gay — Alexander disse após um momento.

— Obrigado — Christian respondeu, sustentando o olhar.

Alexander riu curto, balançando a cabeça. — Pare com isso. Não funciona comigo.

— Hã?

— Isso. Flertar. Tentar entrar na minha cabeça. Seja lá o que você estiver fazendo.

Christian deu risada. — Você acha que estou flertando com você? Alguém aqui se acha demais, eu diria.

Alexander colocou as mãos nos bolsos da calça. — Eu não nasci ontem. Você é bi, e fica me lançando todos esses... esses olhares. Sinto muito, não estou interessado.

— É, definitivamente se acha muito. — Christian sorriu. — Sinto decepcioná-lo, mas eu "flerto" com todo mundo. É o meu jeito. Nem todos nós somos chatos, ranzinzas e frios. Você ainda não me viu flertar de verdade.

Alexander lançou-lhe um olhar cético.

Christian assentiu, com uma seriedade fingida. — Eu sei: é difícil aceitar que você não é especial.

— E imagino que você apalpe todo mundo também?

— O que posso dizer? Eu sou um cara carinhoso. — Os dedos de Christian acariciaram o pescoço de Alexander. — E isso? Isso não é apalpar.

— Então o que é isso? — Alexander praticamente rosnou as palavras.

Christian se inclinou até que seus lábios estivessem a centímetros de distância. — Isso sou eu provocando você — sussurrou ele. Ele quase roçou os lábios contra os de Alexander. Quase. Ele sentiu o corpo de Alexander tencionar como uma corda prestes a arrebentar.

Christian se afastou, um pouco sem fôlego, e deu uma piscadinha para ele. — Diga à Mila que mandei um oi.

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Espichado na cama, Alexander observava Mila escovar o cabelo. Ela usava apenas calcinha, então ele percorria suas curvas com um olhar apreciativo.

— Querido — disse ela, de repente. — Encontrei o Christian esta tarde e o convidei de novo.

Os olhos de Alexander dispararam para o rosto dela. — O quê?

Mila inquietou-se, mudando o peso de um pé para o outro, e lhe lançou um olhar cauteloso. — Bem, achei que você não se importaria. O experimento correu bem, não foi? E ele é um cara legal.

Alexander teve que fazer um esforço consciente para relaxar a mandíbula antes de conseguir falar.

— Esse não foi o combinado — disse ele. — Achei que tivéssemos concordado que seria uma coisa de uma vez só.

Mila corou e olhou para os próprios pés. — Desculpe.

— Desculpe? Eu fui muito claro. Você não deveria ter feito isso sem me perguntar primeiro.

Os olhos de Mila se encheram de lágrimas, e Alexander trincou os dentes, irritado com ela. Ele odiava choro e odiava cenas.

Ele suspirou. — Quando ele vem?

A campainha tocou.

Mila deu a ele um sorriso envergonhado. — Agora?

Ótimo. Simplesmente fantástico.

Alexander recostou-se no travesseiro enquanto Mila ia abrir a porta. Ele olhou para si mesmo — estava apenas de cueca sambacanção — e considerou vestir algo, mas qual era o ponto?

Ele cruzou os braços atrás da cabeça e encarou o batente da porta, com os músculos tensos e alertas.

Finalmente, Mila entrou no quarto de costas, com os lábios colados aos de Christian enquanto o despia.

Algo desagradável se contorceu no fundo do estômago de Alexander ao ver Mila empurrar o short de Christian para baixo de seus quadris estreitos, apertando sua bunda firme e redonda.

Ainda beijando Mila, Christian abriu os olhos e olhou para Alexander.

Alexander sustentou o olhar.

Christian a manobrou até a cama. Mila caiu sem jeito no colchão, um pouco sem fôlego, e Christian se esticou do outro lado dela.

Ele se inclinou e lambeu o lábio inferior trêmulo dela, ainda olhando para Alexander, como se dissesse: Vê como ela está tremendo?

Alexander observou a língua rosada de Christian deslizar pelos lábios de Mila e sentiu aquela sensação ruim no estômago se espalhar pelo peito.

Quando Christian se inclinou para beijá-la novamente, Alexander moveu-se rapidamente e cobriu os lábios de Mila com os seus.

Os lábios úmidos de Christian roçaram sua bochecha. — Você não disse oi — disse ele, em um sussurro quase inaudível, apenas para os ouvidos dele. — Você é tão rude.

Alexander parou de beijá-la e olhou para Christian. A ponta da língua de Christian apareceu enquanto ele molhava os próprios lábios. O rosto dele estava a poucos centímetros de distância.

— Minha vez. — Christian se inclinou e beijou Mila novamente. Não querendo ser a terceira roda, Alexander começou a beijar a lateral do rosto dela. Fechando os olhos, ele sugou e mordiscou, descendo pela bochecha, pelo queixo, até—

Alexander sugou os lábios carnudos e aprofundou o beijo com a língua. Houve um gemido e então—

Alexander abriu os olhos e deu por si beijando Christian.

Ele se afastou bruscamente.

Eles se encararam, ambos com a respiração pesada.

— Oh, eu sei que foi um acidente, mas isso foi tão quente! — disse Mila. Parecia que a voz dela vinha de muito longe. — Vamos, gente, façam de novo! Por mim?

— Eu não me importo, doçura, mas acho que o seu namorado se importa — disse Christian com um sorriso malicioso. Seus olhos brilhavam enquanto ele sustentava o olhar de Alexander. — Acho que ele está com medo.

Os lábios de Christian eram cheios e brilhantes. Alexander desviou o olhar. — Não estou com medo. Só não quero. — Ele limpou os lábios com as costas da mão, puxou Mila para perto e a beijou.

Ele sentiu Christian se inclinar perto de seu ouvido e sussurrar: — Mentiroso.

A palavra lhe deu um solavanco e continuou martelando em sua mente enquanto ele tocava Mila para excitá-la. Ainda estava na mente de Alexander enquanto ele a fodia, evitando cuidadosamente olhar para Christian enquanto ela pagava um boquete no cara.

No momento em que Christian foi embora e Mila adormeceu, Alexander ainda estava pensando naquilo. Mentiroso.

Mentiroso.

Ele saiu da cama, jogou um cobertor sobre os ombros e foi para a varanda. Um vento frio de novembro atingiu sua pele nua, castigando seu rosto e mãos e enviando calafrios pela espinha.

Mentiroso.

Uma memória, antiga, mas não esquecida.

Mentiroso. A voz quebrada e histérica de sua mãe. Depois, as desculpas de seu pai e as promessas de que era a última vez, que nunca mais aconteceria. Seu pai havia mentido, é claro. Todas as vezes.

Alexander tinha cinco anos na primeira vez que aconteceu. Ele acordou com sons de gritos e soluços vindos do quarto dos pais. Confuso e assustado, ele saiu da cama, caminhou pelo corredor escuro e abriu a porta o mais silenciosamente possível.

— Sinto muito... sinto muito — Edward Sheldon repetia. — Simplesmente aconteceu! Eu não sei por que... eu estava bêbado e não sabia o que estava fazendo...

— Você estava sóbrio o suficiente para conseguir manter o pau duro e enfiar no rabo dele! — gritou sua mãe, o rosto adorável vermelho e a voz rouca de tanto chorar. — Viado! — Ela jogou um vaso no pai dele e errou. O objeto se estilhaçou contra a parede, fazendo Alexander estremecer e encarar os cacos no chão. — Bicha! Chupador de pau!

Naquela época, ele não entendia o que as palavras significavam, mas conforme a cena se repetia, e as brigas ficavam mais altas e feias, e mais coisas eram quebradas, ele aprendeu o significado de cada termo.

Ele começou a ficar na casa de Jared, até que os pais de Jared acabaram acolhendo-o quando ele tinha quatorze anos. Os pais de Alexander não se importavam: seu pai estava ocupado demais fodendo alguém por fora e dizendo a Tanya o quanto a amava, e sua mãe era uma mulher destruída — quebrada pelas mentiras e por sua própria incapacidade de largar o homem que não merecia seu amor.

Só que Alexander não achava que aquilo fosse amor. Amor era o afeto calmo e o apego que sentia por Mila. Ele não era obcecado por Mila. Ela não o deixava louco. Se Mila o traísse, ele ficaria... razoavelmente chateado, mas diria a ela para ir embora e nunca mais voltar. Ele superaria. Ele jamais dividiria sua parceira, mas também jamais seria o despojo humano, pegajoso e histérico em que sua mãe se tornara. Tanya era obcecada por aquele homem, incapaz de desapegar e enxergar qualquer outra pessoa.

Às vezes, ele não tinha certeza de qual dos dois desprezava mais.

Mentiroso. A voz de Christian ecoou em sua mente novamente.

Alexander fechou os olhos e respirou o ar gelado.

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Comentários

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Nossa que interessante! Gosto de ver o mundinho de Alexander ser estremecido rsrs! Estou doido pra descobrir o desenrolar dessa história.

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