Capítulo 9: A Fuga
2025, Asilo São Lucas, Ribeirão Preto
O relógio marcava 4:12 PM. O sol baixo tingia o quarto de um laranja queimado, quase avermelhado, como se o próprio céu quisesse dar tom dramático àquela confissão. Thiago estava inclinado para frente, cotovelos apoiados na mesa de madeira velha, os olhos brilhando de curiosidade. Carla rabiscava no caderno com o lápis quase sem grafite, a mão tremendo levemente. Roberto cruzava os braços e soltava um “nossa senhora” baixinho a cada intervalo. Jéssica, a auxiliar nova, havia trazido um copo d’água para mim e permanecia parada ali, olhos arregalados, como se não acreditasse no que ouvia.
“Seu Alexandre,” Thiago falou quase sussurrando, “o que aconteceu depois que o diretor chamou a polícia?”
Eu limpei a garganta seca, o peito velho doendo com a força da lembrança. O ar parecia mais pesado. “Fugi, rapaz. Peguei a estrada e não parei até Goiás. E lá… lá eu encontrei um lugar que parecia feito pra mim.”
Saí da escola pelos fundos, ainda com o gosto do gozo de Teresa na boca e o cheiro dela grudado na pele como uma marca invisível. O diretor gritava no telefone do corredor: “Chamem a polícia! Esse desgraçado fodeu a professora na sala de aula!” Corri pelo pátio vazio, pulei o muro baixo de tijolos, peguei a bicicleta encostada na cerca e pedalei como um louco até a rodovia. O coração batia tão forte que parecia querer sair pela garganta. Eu sabia que o delegado, marido de Teresa, não ia deixar barato. E o fazendeiro do interior ainda tinha minha cabeça a prêmio por causa da filha dele.
Joguei a bicicleta num matagal denso e peguei carona num caminhão de cana que seguia para o norte. O motorista, um sujeito magro e queimado de sol chamado Zé do Freio, me olhou de lado mas não fez muitas perguntas. “Tá fugindo de mulher ou de polícia?” Ele riu, mostrando dentes amarelados. Eu respondi seco: “Das duas.”
Cheguei em Anápolis depois de dois dias sacolejando na boleia, o corpo todo dolorido, sujo de poeira vermelha, barba por fazer e roupas grudadas de suor. A cidade fervilhava com caminhões barulhentos, cheiro forte de diesel misturado com carne assada de churrascarias à beira da estrada. Caminhei até o fim da BR-060, onde o asfalto dava lugar à poeira e a zona de prostíbulos começava. O letreiro neon piscava irregular: *Cassandra's Bar*.
Entrei. O lugar era maior do que parecia de fora: salão amplo com luz vermelha baixa, mesas de sinuca gastas, um rádio antigo tocando Roberto Carlos baixinho, cheiro denso de cigarro, perfume barato e sexo acumulado. Àquela hora ainda havia uns dez homens bebendo, mas Cassandra logo mandou as meninas recolherem e fechou o estabelecimento mais cedo. “Hoje não tem expediente normal,” ela anunciou com voz firme.
No balcão, ela me mediu de cima a baixo. Cassandra. Quarenta e poucos anos, corpo ainda firme apesar das marcas do tempo. Seios pesados quase saltando do decote generoso, cintura marcada por uma cinta preta apertada, quadris largos e convidativos, cabelo preto tingido com mechas vermelhas que caíam sobre os ombros. Olhos castanhos duros como faca, cicatriz fina no queixo e outra no antebraço. Ex-prostituta que virou dona do próprio negócio. Falava baixo, mas todos obedeciam imediatamente.
Ela deu uma tragada longa, soltou a fumaça devagar no meu rosto. “Aqui o trabalho é foder bem e não causar confusão. Se fizer as duas coisas, fica. Se não, te boto pra fora na porrada.” Estendeu a mão. Apertei firme. “Quarto dos fundos. Toma banho. À meia-noite você me prova se vale a pena. Sozinho.”
À meia-noite o bar estava vazio. As meninas tinham sido dispensadas mais cedo. Cassandra trancou a porta principal, fechou as pesadas cortinas de veludo vermelho e apagou a maioria das luzes, deixando apenas o brilho avermelhado de duas lâmpadas baixas. O salão ficou íntimo, quase secreto. Só nós dois.
Ela apagou o cigarro no cinzeiro com um gesto lento. Tirou o vestido preto devagar, revelando o corpo moreno sob a luz rubra. Estrias prateadas marcavam as coxas generosas, os seios grandes e pesados com mamilos escuros já endurecidos, a barriga levemente arredondada, a buceta completamente raspada, com lábios grossos e carnudos que já brilhavam de umidade. Sentou na beira da mesa de sinuca, abriu as pernas devagar e me chamou com o olhar.
“Vem.”
Ajoelhei entre suas coxas. O cheiro dela era forte e inebriante: perfume doce misturado com suor fresco e excitação feminina. Passei a língua devagar pela fenda, abrindo os lábios grossos, saboreando o gosto salgado e quente. Cassandra gemeu baixo, agarrou meu cabelo com força. “Mais fundo, porra…”
Enfiei a língua o máximo que consegui, lambendo as paredes internas, subindo até o clitóris inchado e chupando com pressão constante. Dois dedos entraram devagar, curvando para cima, procurando o ponto certo. Encontrei. Ela arqueou as costas, os seios balançando pesados, e soltou um gemido rouco. Seus quadris começaram a se mover contra minha boca, montando meu rosto. O líquido quente escorria pela minha barba. Ela gozou pela primeira vez com um tremor violento, apertando minha cabeça entre as coxas, gritando palavrões baixos enquanto o orgasmo a atravessava.
“Bom menino…” sussurrou, a voz rouca.
Levantou-se com pernas ainda trêmulas, virou de costas e apoiou os cotovelos na mesa de sinuca. A bunda grande e redonda ficou exposta, marcada por estrias sutis. “Agora me fode.”
Levantei, abri o zíper e encostei a cabeça grossa na entrada molhada. Entrei de uma vez, até o fundo. A buceta dela era apertada, quente e encharcada. Comecei a meter com força, a mesa rangendo alto no salão vazio, as bolas de sinuca rolando com o impacto. O som molhado dos nossos corpos ecoava. Dei tapas firmes na bunda, vendo a pele ficar vermelha. Puxei seu cabelo tingido, arqueando suas costas. “Mais forte, caralho!” ela ordenou.
Acelerei, metendo fundo e rápido, sentindo as paredes dela pulsarem ao meu redor. Ela gozou pela segunda vez, o corpo convulsionando, um jato quente escorrendo pelas minhas bolas e molhando o chão. Virei-a de frente, sentei numa cadeira de madeira e ela montou imediatamente. Cassandra cavalgou selvagem, os seios pesados batendo no meu rosto. Chupei os mamilos duros, mordi de leve, enquanto ela subia e descia com força, rebolando o quadril. As unhas cravavam nos meus ombros, deixando marcas. O terceiro orgasmo veio mais intenso, ela gritando meu nome, o corpo inteiro tremendo enquanto apertava meu pau lá dentro.
Ainda sem sair dela, levantei-a e deitei seu corpo sobre a mesa de sinuca. Abri mais suas pernas, coloquei-as sobre meus ombros e voltei a meter fundo. O ângulo permitia penetração ainda mais profunda. Ela revirava os olhos, baba escorrendo do canto da boca. “Você é um demônio… não para…”
Depois de longos minutos, ela virou o rosto, olhos vidrados de prazer. “Agora o cu.”
Cuspi na mão, lubrifiquei bem o pau e a entrada rosada. Entrei devagar, respeitando a resistência inicial. Cassandra gemeu alto, mistura de dor e prazer, empurrando o quadril para trás. “Fode logo!” osQuando entrei completamente, o cu apertado pulsava ao meu redor. Comecei a meter com ritmo crescente, tapas estalando na bunda, uma mão descendo para esfregar o clitóris inchado. O quarto orgasmo dela foi o mais forte: o corpo inteiro convulsionou, lágrimas de prazer escorrendo pelos olhos, o cu apertando meu pau como um punho. Gozei fundo dentro dela, jatos grossos enchendo seu interior. Quando saí, o esperma branco escorreu devagar pela bunda e pela mesa.
Cassandra ficou deitada por um tempo, recuperando o fôlego, pernas abertas, corpo brilhando de suor sob a luz vermelha. Sorriu torto, satisfeita.
“Você fica. Mas lembre: aqui quem manda sou eu.”
Fiquei quase cinco anos naquele bordel. Virei o garanhão oficial, atendia clientes ricas que pagavam fortunas por uma noite comigo, protegia as meninas de bêbados violentos e ganhei dinheiro, cicatrizes e uma fama que se espalhava pelas estradas. Cassandra se apaixonou perdidamente. Queria exclusividade. “Só eu, Páris. Deixa as outras.” Eu não conseguia. O dom não deixava.
2025, Asilo São Lucas
Thiago soltou o ar que prendia. “Você viveu num bordel cinco anos?” Carla fechou o caderno devagar, o rosto corado. Roberto balançava a cabeça, incrédulo. “Velho… você era o diabo.” Jéssica perguntou baixinho, voz quase sumindo: “E depois? Como você voltou?”
“Reencontrei uma mulher”
